Posts Tagged ‘Imprensa’

Humor: Pesquisa aponta a imprensa como segmento com maior credibilidade

9 de outubro de 2013

Veja_Eu_Acredito01Deu no Comunique-se, o portal que divulga as ações da “mídia isenta, imparcial e democrática”. De acordo com pesquisa da Edelman, “a maior empresa de relações públicas do mundo” (segundo o site dela), o PIG é o segmento mais confiável pelos brasileiros. É pra rir muito. Leia o texto a seguir.

Realizado anualmente, a 13ª edição do Estudo de Confiança Edelman revelou que, no Brasil, a imprensa é líder em credibilidade, e isso se deve a diversificações das pautas e coberturas de escândalos. Na lista, o governo aparece na última posição.

A pesquisa, realizada com 31 mil respondentes entre outubro e novembro de 2012, mostra que 66% dos pesquisados acreditam na mídia brasileira. O dado coloca o País como o sexto mais pontuado. No ano passado, esse número era de 61%. As empresas em geral tiveram 64% de credibilidade, as ONGs ficaram com 59% e o governo com 33%.

Considerando o ranking global, o levantamento revela que as ONGs figuram no topo da lista com 63% da confiança. A lista traz a imprensa com 57%, o governo com 48% e as empresas com 58% da credibilidade.

Paulo Moreira Leite: O mito do jornalismo chapa branca

22 de julho de 2013

Lula_Censura

De vez em quando, leitores escrevem para reclamar que me consideram um blogueiro chapa branca em função de minha avaliação positiva das mudanças ocorridas no País depois de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República.

Paulo Moreira Leite em seu blog

Minha primeira observação é que boa parte dessas críticas reflete um comportamento interesseiro e seletivo. Essas mesmas pessoas não me chamariam de “chapa branca” se eu tivesse a mesma avaliação do governo Fernando Henrique Cardoso – ou mesmo da gestão do PSDB em São Paulo? Tentariam desqualificar argumentos, rebaixar uma discussão que é acima de tudo política, pois envolve valores e prioridades nas políticas públicas? Claro que não.

Não custa lembrar, na verdade, que o critério “chapa branca” não serve e nunca serviu como termômetro para se avaliar o trabalho de um jornal nem de um jornalista.

Em 1964, um único jornal de relevo, a Última Hora, era chamado de chapa branca. Os demais, adversários duros de João Goulart, jamais poderiam ser chamados assim. No 31 de março, todos estavam alinhados com o golpe militar que atirou o Brasil numa ditadura de 21 anos. Quem estava certo?

Três dias antes do golpe, o Correio da Manhã, que era favorável a Jango, mudou de lado e se alinhou com os adversários. No dia 31 de março, no célebre editorial “Basta!”, o Correio escreveu: “O Brasil já sofreu demais com o governo atual. Agora, basta!”

No 1º de abril, quando Goulart ainda se encontrava no País e a vitória dos golpistas estava consolidada, o Correio publicou o editorial “Fora!” Disse: “Só há uma coisa a dizer ao senhor João Goulart: saia.”

Pergunto quem errou: o jornal que hoje seria chamado chapa branca ou aqueles que faziam oposição e ajudaram na correnteza que levou ao golpe? Os inúmeros defeitos que se podem apontar no governo Goulart justificavam que se assumisse uma postura de oposição feroz e golpista?

Muitos leitores têm dúvidas sinceras sobre o papel do jornalismo e dos jornalistas ao longo da história do País. Há motivos antigos – como 1964 – e recentes – como 2005 – para isso. Há oito anos, como se recorda, a partir da denúncia do “mensalão”, criou-se um ambiente de confronto e polarização entre o governo Lula e os meios de comunicação, que atravessou duas eleições presidenciais e chegou aos protestos de junho de 2013.

Para entender o que acontece hoje, é instrutivo ler o que escreviam nossos jornalistas – aqueles que não eram chapa branca – de meio século atrás. Há antecedentes lamentáveis e surpreendentes.

Vamos citar um dos mais influentes, Hélio Fernandes, que dirigia a Tribuna da Imprensa e acusava Jango de promover a “pré-sovietização do País, que se processava num ritmo alucinante”. Convém prestar atenção à linguagem empregada para se referir aos aliados de Jango: “Na maioria das vezes são traidores. Outras, são mercenários; outras ainda, carreiristas; outras mais, negocistas satisfeitos.”

Dez anos antes, na conspiração que levou Getulio Vargas ao suicídio, os grandes jornais brasileiros estavam unidos contra o presidente. Naquele contexto da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, os jornais do Partido Comunista Brasileiro, hoje PPS, também atacavam o governo e denunciavam a “ditadura” de Vargas. Eles também não eram “chapa branca”.

Confiando que a revolução sob inspiração de Moscou estava a caminho, os comunistas trabalhavam pela derrubada de Vargas, a quem definiam como marionete dos “patrões norte-americanos,” como recorda Mário Magalhães na biografia de Carlos Marighella. Quando Carlos Lacerda sofreu o atentado da rua Toneleros, o jornal do PCB uniu-se a oposição conservadora para emparedar o presidente: “Vargas responsável pelo covarde crime.” No dia em que Vargas deu o tiro no peito, a imprensa do PCB chegou as ruas com manchetes em tom celebrativo e acabou empastelada por uma massa de trabalhadores indignados.

Décadas depois, com uma coragem rara, José Gregori, então líder dos estudantes da Faculdade de Direito da USP que queriam a deposição de Vargas, admitiu em seu livro de memórias que em 1954 participou de uma “revolução errada”, feita às costas do povo. Teria o ex-ministro de FHC se transformado num chapa branca retardatário? Ou foi um memorialista honesto, respeitando a própria lucidez?

Poderíamos falar de outros exemplos, dentro e fora do País, mas estes dois casos ajudam a mostrar o caráter abstrato e absurdo dessa discussão.

Foi Millôr Fernandes quem cunhou uma frase que muitos repetem até hoje. Disse Millôr: “Imprensa é oposição. O resto é secos e molhados.”

Podemos até admitir que Millôr, um raro caso de intelectual libertário (no sentido antigo da palavra) por convicção pessoal e inegociável, estivesse convencido de que sua frase podia ser empregada a todo momento, sob qualquer cenário. Mas seu sentido real envolve o período da ditadura militar.

Depois de auxiliar na derrubada de um governo constitucional, os jornais foram colocados sob pressão do regime dos generais. Um pouco mais tarde, apesar daquelas palavras tão veementes, Hélio Fernandes foi confinado em Fernando de Noronha depois de escrever um artigo que desagradava os generais. Outros jornalistas enfrentavam a censura e também engoliam imposições típicas de um regime de força. Alguns prestavam serviço auxiliar aos órgãos de informação da ditadura e não mostraram sequer a decência de proteger profissionais cuja integridade era colocada em risco pelo aparato de repressão e tortura.

Ao falar que “imprensa é oposição” o grande Millôr alimentava a dignidade e a coragem do jornalismo num momento muito delicado. Mas será que isso é válido, a todo momento? É preciso ser oposição, sempre, sob o risco de comprometer o bom jornalismo?

Ao lutar dentro da Veja para ter direito usar as páginas da revista para manifestar seu apoio a eleição de Leonel Brizola em 1982, num conflito que levou a seu afastamento da publicação, o próprio Millôr deixou claro que não tratava todos os políticos, em todas as circunstâncias, da mesma maneira. Não só fez questão de defender sua liberdade pessoal, mas também deixou claro que era mais oposição a uns do que a outros.

A vida política, que é o ambiente principal onde o jornalismo se situa, é fabricada pela conjuntura, que exige respostas novas a situações imprevistas, que não podem ser rebatidas com frases prontas – ainda que sejam ótimas, em outras situações. A crítica maior ou menor a um governo não é fruto de um critério abstrato e fixo, mas envolve uma avaliação do momento e do papel que cada governante pode cumprir em cada circunstância.

É claro que Fernando Henrique Cardoso sempre seria melhor tratado pela maioria dos meios de comunicação do que Lula ou Dilma. Isso porque, do ponto de vista político, ele representava opções que os donos e executivos dos meios de comunicação consideravam mais adequadas ao País. FHC foi alvo, sim, de jornalistas interessados em apurar as mazelas de seu governo. Mas havia limites a este espírito crítico. Embora Fernando Henrique tenha vencido duas eleições presidenciais em primeiro turno, os executivos de jornal jamais sentiram-se na obrigação moral de auxiliar a oposição de Lula com o argumento de que estava muito “fraquinha”.

A rigor, não me lembro das preocupações com “chapa branca” durante os oito anos de governo tucano. A principal crítica era ao “denuncismo”, conceito que servia para tolher reportagens – verdadeiras ou falsas, – que poderiam prejudicar governo FHC. Até Paulo Maluf foi poupado para evitar-se um ambiente que pudesse estimular outras investigações. Isso confirma o caráter interesseiro do debate. Fala-se em “chapa branca” quando se quer atacar o governo. Em “denuncismo”, quando se quer impedir que seja atacado.

Não acho que exista um governo imune a crítica e a uma avaliação capaz de apontar defeitos e incoerências. Mas é errado fingir que não há diferenças entre os governos. Há valores e perspectivas. Os números alcançados pelo País, na última década, traduzem um esforço inédito para reduzir a desigualdade social e elevar a condição dos brasileiros mais pobres.

Você até pode ensaiar uma disputa pedante sobre direitos autorais de quem teria tido as melhores ideias mas não pode negar quem demonstrou mais empenho e capacidade para reduzir a pobreza e ampliar as oportunidades de quem se encontrava nos degraus mais baixos da pirâmide social. A luta contra a desigualdade, para mim, é o valor prioritário num país como o nosso. Ela define o caráter da democracia que queremos e do futuro que se pretende entregar as novas gerações. E eu considero que é a partir deste ângulo que se deve examinar o conjunto de um governo.

Os sinais e prioridades se alteram ao longo do tempo para lembrar que o debate sobre “chapa branca” sempre surge numa situação específica, a partir de vozes que pretendem desqualificar interlocutores que têm outra visão do País e seus problemas.

Habituadas ao universo autoritário do pensamento único, algumas pessoas são tão conformistas, tão submetidas à hierarquia e à divisão entre trabalho manual e intelectual – que também se expressa na hierarquia das redações – que não conseguem ouvir uma voz diferente com naturalidade.

Ficam inseguras, receosas. Num esforço para silenciar o debate, que todos fingem estimular fora do expediente, algumas vozes não resistem e perguntam, num chamado a ordem, numa espécie de porrete ideológico, onde parecem perguntar: mas o dono não está vendo?

Na essência, essa reação nada mais é do que um esforço vergonhoso para reprimir o direito de opinião política. Isso e apenas isso.

Talvez seja por coerência, e não por pura coincidência, que, em horas decisivas, essa postura acabe perfilada a forças capazes de ações extremas como um golpe de Estado.

Trata-se, em situações diferentes, de um mesmo combate contra valores democráticos.

Deu para entender?

A reacionária imprensa esportiva adentra ao gramado

4 de junho de 2013

PIG_Esportivo

Davis Sena Filho em seu blog Palavra Livre

Há muitos meses percebi que os colunistas, comentaristas, repórteres, âncoras e blogueiros da velha imprensa corporativa passaram a fazer comentários, ilações e até mesmo a ironizar e desprezar, de forma sistemática, os megaeventos esportivos que vão acontecer no Brasil. Estranho. E explico o por quê. Como pode os jornalistas, por exemplo, da CBN, do SporTV, da Globo, da Band, da Jovem Pan, do jornal Lance!, da revista Placar, do Esporte Espetacular, da ESPN, da Fox Sports e do Globo Esporte serem contra eventos que propiciarão lucros gigantescos às empresas nas quais eles trabalham? Respondo: pode.

O jornalista esportivo por vontade própria ou a mando de seu chefe, editor ou diretor passou a fazer também oposição ao governo federal. Como qualquer ser que respira – mesmo se viver na ignorância e na alienação –, o jornalista esportivo tem instinto de preservação e de sobrevivência, sendo que seu problema maior se traduz na preservação do emprego, que se soma ao reacionarismo arraigado em seus valores de classe média. Dos valores elencados, o principal deles é o de se livrar da companhia das massas, porque acreditam em um mundo VIP, onde se sintam “especiais” e bafejados pela sorte e pelos olhares e os cuidados dos deuses.

A maioria dos jornalistas esportivos é originária da classe média. Por meio de gerações aprenderam a desprezar e a menosprezar o Brasil e tudo o que representa o brasileiro, bem como, ultimamente, alinharam-se aos jornalistas de política e de economia da imprensa de negócios privados, porque passaram a fazer também uma campanha insidiosa, pérfida e sem trégua aos governantes trabalhistas, que assumiram, constitucionalmente, há 11 anos o poder no Brasil por meio das urnas, ou seja, conquistaram a maioria dos votos do povo brasileiro.

Eu quero dizer que os jornalistas esportivos “adentraram ao gramado”, como afirmavam os narradores antigos, e passaram a fazer uma injusta e intolerante campanha contra, inclusive, os interesses da Nação, porque se juntaram, a mando de seus patrões, a seus colegas das editorias de política e econômica, como forma de fazer uma frente que desqualifique o trabalhador brasileiro e desmoralize o governo da presidenta trabalhista Dilma Rousseff, além de atingir, sem sombra de dúvida, o ex-presidente Lula, cujo governo trabalhista garantiu que a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas fossem realizadas no Brasil.

Os jogos e os eventos esportivos vão fazer com que o País deixe como herança à população um legado em infraestrutura, receba bilhões em recursos financeiros no decorrer desta década, realidades que vão fomentar ainda mais a economia interna, e, consequentemente, vão propiciar a criação de milhares de empregos, além de fazer com que o Brasil fique exposto à mídia mundial, que vai mostrar o Brasil a todos os povos, que, curiosos, poderão, um dia, visitar o Brasil como turistas e ajudar a desenvolver ainda mais a economia brasileira. Quaisquer governos ou povos desejam ou querem ser sedes de jogos com visibilidade planetária. Quem rema contra a maré, para variar, são sempre os mesmos portadores de complexo de vira-latas: a imprensa burguesa, a direita partidária, setores atrasados do empresariado urbano e rural e a classe média tradicional, que consome os produtos de péssima qualidade editorial da imprensa de mercado.

Mesmo assim a campanha nebulosa da imprensa esportiva não cessa. É intermitente. As grandes corporações de comunicação deste País vão ganhar dinheiro a rodo com a realização dos grandiosos eventos. A Globo e seus canais fechados, por exemplo, vão lucrar como nunca lucraram, mas mesmo assim, por causa de ideologia e preconceitos históricos, apostam no “suicídio” financeiro, no fracasso dos jogos e dão tiros nos pés, porque o ódio é incomensurável. A verdade é que nossas “elites” brancas, reacionárias, perversas, colonizadas e de passado escravagista preferem aplicar o veneno em si mesmas do que cooperar para que o Brasil e seu povo se tornem um sucesso no que diz respeito a realizar os eventos esportivos, com competência somada à alegria tão comum ao povo brasileiro.

Todos os setores e segmentos da economia vão ter lucros. Cresci a ver os jornalistas esportivos a choramingar misérias porque o Brasil estava há décadas a não receber e realizar eventos esportivos internacionais. Era o sonho dos empresários midiáticos e de seus empregados, que, diuturnamente, apregoam o “fracasso” e a “incompetência” do Brasil. Até a África do Sul foi sede de uma Copa do Mundo, mas o Brasil, que é um país industrializado, a sexta maior economia do mundo e que sempre teve tudo por causa de sua competência, como bem comprova a privatização de suas estatais, porque só vende quem tem o que vender, não vai conseguir fazer uma Copa do Mundo, talvez porque vai faltar bolas e apitos, o que, sobremaneira, vai inviabilizar os jogos e a vinda de milhões de turistas. Dá um tempo, né? É o complexo de vira-lata e a baixa estima na veia!

Contudo, sabemos que o Brasil foi sede de uma copa no já longínquo ano de 1950. O Brasil rural, onde quase 70% da população morava no campo, realizou a copa. Agora em pleno século 21, no terceiro milênio, o Brasil, seu governo trabalhista e os trabalhadores brasileiros não têm competência, segundo nossa imprensa alienígena, derrotista, negativista e de essência arbitrária. Tornou-se impossível ouvir, assistir e ler as “abobrinhas” e ter paciência com a insensatez e a total falta de sabedoria de tais escribas, agentes da derrota, da baixa estima e do ódio ao Brasil.

Antes, os jornalistas esportivos eram proibidos de comentar sobre política e até mesmo falar sobre economia. Entretanto, com o advento dos megaeventos no Brasil em um tempo em que os mandatários eleitos são do campo trabalhista e do PT, a ordem nas redações é para boicotar as Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas até esses eventos começar. A partir daí, como sempre, as aves de mau agouro, os abutres dão um tempo, pois afinal eles têm de comer carniça, que se traduz em ganhar muito dinheiro, para logo depois de encerrado os jogos recomeçar a flagelação e a desqualificação de quem proporcionou tamanhas festas esportivas. Afinal, as eleições presidenciais vão ser realizadas em outubro de 2014.

A direita brasileira é assim: uma das mais perversas e poderosas do mundo. Os senhores da casa grande não vão dar água a quem necessita, no caso o Brasil. Onde e quando se viu os senhores de escravos e seus capatazes de classe média cooperarem e se solidarizarem? Se alguém viu é porque está completamente equivocado, desnorteado ou de porre. A corrente dos entreguistas e colonizados que não deseja um Brasil independente, soberano e com seu povo emancipado. É, na verdade, o campo político mais antigo do País e composto por escravagistas desde 1500, em que seus latifúndios estão, geração após geração, disseminados, simbolicamente, nas mentes, na cultura, nas estruturas sociais e no imaginário da classe média tradicional e de grande parte dos donos dos meios de produção.

E é por isso que jornalistas de política, de economia e agora os esportivos estão escalados no mesmo time, a compor uma grande frente contra o Brasil e o povo brasileiro. Quando, certo dia, os trabalhistas do PT saírem do poder, talvez tudo que é feito neste País vai merecer os aplausos dos escribas reacionários e dos pequenos mussolinis das classes média e rica. Mesmo assim me arrisco a afirmar que os barões da imprensa, se tiverem de escolher, sempre optarão pelos interesses dos grandes bancos e dos trustes internacionais e dos governos imperialistas, a exemplo da Inglaterra, da França e principalmente dos EUA. Eles são autoritários, arrogantes, presunçosos com o Brasil, a África e a América Latina.

Por sua vez, falam grosso com a Bolívia e o Paraguai, e fino com os EUA e a Inglaterra. Essas pessoas se transformam em seres subservientes, venais, colonizados e pusilânimes quando tratam com seus senhores, que dominam o capitalismo em âmbito mundial e financiam e propagam a guerra por meio de invasões armadas de pirataria e rapinagem, como ocorreu e ocorre com a Líbia, o Iraque, o Afeganistão, a Palestina e a Síria, cuja oposição armada é financiada pelas potências ocidentais, por intermédio da Otan, da CIA e do Departamento de Estado dos EUA.

A imprensa esportiva reacionária adentrou ao gramado. Este lamentável campo, sem ter conhecimento e discernimento para meter a mão em tal cumbuca. A maioria dos jornalistas esportivos, por ideologia ou meramente oportunismo, aposta no fracasso dos eventos. Contudo, eles vão, mais uma vez, perder o jogo para o povo brasileiro. É isso aí.

Censura à imprensa mineira ganha documentário internacional

20 de maio de 2013

Via Blog Fernando Massote

A Current TV, difundida na Europa, Estados Unidos e outras partes do mundo, está distribuindo um documentário sobre a censura à imprensa mineira. O vídeo se inicia com uma entrevista com o professor Fernando Massote, que analisa e denuncia os fatos envolvendo o governo Aécio Neves. É assim que a imprensa internacional corre em ajuda aos mineiros, para compensar o silêncio da mídia local sobre tudo o que não interessa ao Palácio da “Liberdade”. Confira, abaixo, o documentário, distribuído em francês, inglês e português.

Joaquim Barbosa admite que a mídia brasileira é de direita e vê ausência de pluralismo

3 de maio de 2013

Joaquim_Barbosa66_Capa

João Brant, via Direito à Comunicação

Em discurso no evento de comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, realizado pela Unesco, na Costa Rica, no dia 3 de maio, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, afirmou que a mídia brasileira é afetada pela ausência de pluralismo. Ressaltando que neste ponto falava como acadêmico, e não como presidente do STF, ele avaliou que esta característica pode ser percebida especialmente pela ausência de negros nos meios de comunicação e pela pouca diversidade política e ideológica da mídia.

A apresentação do presidente do STF se deu em quatro partes voltadas a apresentar uma perspectiva multifacetada sobre liberdade de imprensa. Na abertura, reafirmou o compromisso da corte e do País com a liberdade de expressão e de imprensa, e ressaltou que uma imprensa livre, aberta e economicamente sólida é o melhor antídoto contra arbitrariedades. Barbosa lembrou a ausência de censura pública no Brasil desde a redemocratização em 1985.

Na segunda parte, o ministro apresentou como o tema é tratado na Constituição de 1988, que pela primeira vez reservou um capítulo específico para a comunicação. Segundo Barbosa, no sistema legal brasileiro nenhum direito fundamental deve ser tratado como absoluto, mas sempre interpretado em completa harmonia com outros direitos, como privacidade, imagem pessoal e, citando textualmente o texto constitucional, “o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”. Nesse sentido, ressaltou o ministro, o sistema legal brasileiro relaciona a liberdade de expressão com a responsabilidade legal correspondente. “A lei se aplica a todos e deve ser obedecida. A liberdade de imprensa não opera como uma folha em branco ou como um sinal verde para violar as regras da sociedade”, afirmou Barbosa.

Na terceira parte de seu discurso, Joaquim Barbosa apresentou dois casos em que o Supremo Tribunal Federal teve que lidar com a liberdade de expressão e de imprensa. No primeiro, lembrou a a análise que o STF teve de fazer sobre a publicação de obras racistas contra judeus por parte de Siegfried Ellwanger. Neste caso, a corte avaliou que a proteção dos direitos do povo judeu deveria prevalecer em relação ao direito de publicar casos discriminatórios. Em seguida, falou sobre a lei de imprensa, que foi derrubada pelo Supremo por ser considerada em desacordo com a Constituição e extremamente opressora aos direitos de liberdade de expressão e de imprensa.

Antes de encerrar, porém, Barbosa fez questão de ressaltar que não estaria sendo sincero se não destacasse os problemas que via na mídia brasileira. Falando da ausência de diversidade racial, o ministro lembrou que embora pretos e mulatos correspondam à metade da população, é muito rara sua presença nos estúdios de televisão e nas posições de poder e liderança na maioria das emissoras. “Eles raramente são chamados para expressar suas posições e sua expertise, e de forma geral são tratados de forma estereotipada”, afirmou o ministro.

Avaliando a ausência de diversidade político-ideológica, Barbosa lembrou que há apenas três jornais de circulação nacional, “todos eles com tendência ao pensamento de direita”. Para ele, a ausência de pluralismo é uma ameaça ao direito das minorias. Barbosa finalizou suas observações sobre os problemas do sistema de comunicação destacando o problema da violência contra jornalistas. “Só neste ano foram assassinados quatro profissionais, todos eles trabalhando para pequenos veículos. Os casos de assassinatos são quase todos ligados a denúncias de corrupção ou de tráfico de drogas em âmbito local, e representam grave violação de direitos humanos”.

Em resposta a questionamentos do público, Barbosa lembrou um dos motivos da impunidade nos crimes contra a liberdade de imprensa é a disfuncionalidade do sistema judicial brasileira, que tem quatro níveis e “infinitas possibilidades de apelo”. Além disto, a justiça brasileira tem, na perspectivas de Barbosa, sistemas de proteção aos poderosos, que influenciam diretamente os juízes. “A justiça condena pobres e pretos, gente sem conexão. As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, cor de pele ou poder econômico”, concluiu Barbosa.

Comentário do Jornal GGN sobre o texto acima:

1. Houve uma grande aproximação entre o presidente do STF, Joaquim Barbosa, e a grande imprensa, desde o início do julgamento da AP 470, o chamado “mensalão”, embora a personalidade do ministro não tenha subtraído dessas relações conflitos pontuais com repórteres ou mesmo com o tratamento de jornais a determinados temas;

2. É interessante como Barbosa separa a análise do tratamento jurídico do País à liberdade de imprensa e sua visão sociológica pelo tema, mediada pela questão racial (pequena presença de negros na imprensa) e pela ideologia (pouca diversidade). É uma visão que reconhece que o universo das leis nem sempre anda no mesmo passo da sociedade. A Constituição de 1988 foi progressista em relação à liberdade de expressão e dos direitos fundamentais, mas a estrutura judicial e a imprensa são conservadores em relação a elas: o preconceito dificulta a produção de justiça e o pluralismo.


%d blogueiros gostam disto: