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Joaquim Barbosa teria coragem de barrar o aumento de imposto do prefeito de Nova Iorque?

3 de janeiro de 2014
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O prefeito nova-iorquino Blasio com sua família.

Nova Iorque vai cobrar o cafezinho sabotado em São Paulo

Novo prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, prometeu taxar os endinheirados à razão de um cafezinho com leite no Starbucks por dia (US$3,00) para melhorar a vida dos pobres.

Saul Leblon, via Carta Maior

Endinheirados nativos adoram elogiar os ares cosmopolitas de Nova Iorque – embora se sintam espiritualmente melhor em Miami.

A mídia irradia preferências semelhantes.

O democrata Bill de Blasio, recém-empossado prefeito de Nova Iorque, ganha espaços e confetes por aqui pela ecumênica trajetória pessoal. Blasio, um progressista à esquerda de Obama e cuja eleição teve o apoio do Partido da Família Trabalhadora, que se autodefine como uma espécie de PT dos EUA, é casado com uma poetiza negra.

Chirlane não escondeu na campanha a adesão ao lesbianismo nos anos 70.

A cerimônia de casamento entre ela e Blasio foi oficiada por pastores gays.

Filhos afrodescendentes, Dante e Chiara, fizeram do candidato, que apoiou a causa sandinista na juventude e escolheu a América Latina como objeto de estudo acadêmico, um símbolo de afirmação dos valores multirraciais.

A cabeleira black power exuberante de Dante tornou-se uma espécie de certificado de garantia dos compromissos progressistas do pai.

O conjunto galvanizou a Nova Iorque. Formada por 26% de latinos e 25% de negros, a metrópole de 8,7 milhões de habitantes está cindida em duas cidades pela linha da desigualdade.

Blasio prometeu acabar com o conto dickensiano de um povo repartido em dois pelo dinheiro e o urbanismo excludente.

Artistas de seriados famosos trabalharam com afinco para arrastar votos de um pedaço da classe média branca e dar a esse projeto o apoio esmagador de 73% do eleitorado.

Não é pouca coisa.

Desde 1993, a população de Nova Iorque não entregava a prefeitura a um democrata.

Temas como o mergulho de Blasio no alcoolismo – após o suicídio do pai –, ademais de vídeos da filha discutindo abertamente a questão das drogas, reforçaram o apelo contemporâneo da candidatura.

Mas não só.

Tido como bom administrador, seu antecessor, o bilionário Bloomberg, provou que é possível ser eficiente na gestão sem alterar o apartheid de uma metrópole.

Há cinco anos ele se alarga em Nova Iorque e em toda a sociedade norte-americana mergulhada na pior crise do capitalismo desde 1929.

A relação da Forbes de 2013, que atualiza o ranking dos 400 norte-americanos mais ricos do país, ilustra a expansão do fosso. A riqueza total dos “400” aumentou quase 20% sobre 2012.

Passou de US$1,7 trilhão para US$2,02 trilhões em dezembro último. Equivale ao valor do PIB da Rússia.

Estamos falando de apenas 400 cidadãos e uma fortuna equiparável à oitava economia do globo, ou 15% do PIB dos EUA. Mas a coisa é pior que isso.

Em 2012, pela primeira vez desde 1917, os 10% mais ricos passaram a abocanhar mais da metade de toda a renda norte-americana (50,4%, segundo pesquisa feita pela Universidade de Berkeley).

Só há dois precedentes históricos no gênero: antes da Depressão de 1929; e antes da falência do Lehman Brothers, em 2007, gatilho da presente crise mundial.

A política de injeção de liquidez de Obama – lapidada pelos interditos do Tea Party – paradoxalmente ajudou a consumar esse feito. A renda média nos EUA cresceu 6% no triênio finalizado em 2012.

Dentro dessa média, os ganhos do 1% mais rico aumentaram mais de 31% no período (recuperando assim quase completamente as perdas decorrentes da crise, da ordem de 35%). Os demais 99% tiveram um ganho de apenas 0,4% em três anos. Estão hoje 12% abaixo da soleira em que se encontravam antes do colapso neoliberal.

O Ocuppy Wall Street tinha razão.

Não surpreende que muitos de seus integrantes tenham se engajado na vitória a Blasio, que emerge assim como uma segunda aposta, mais à esquerda, depois do fiasco de Obama.

O cabelo black power de Dante deu confiabilidade a quem batia forte na tirania do 1% sobre os 99%. Mas Blasio não foi eleito apenas pela fiança familiar.

Para investir em escolas e serviços destinados aos subúrbios – que empobreceram adicionalmente desde 2007, ele a prometeu elevar o imposto sobre os ricos que lucraram com a crise.

Quem ganha entre US$500 mil e US$1 milhão pagará um adicional em taxas municipais de US$973,00 por ano em sua gestão. Significa menos que US$3,00 por dia – “um cafezinho com leite no Starbucks”, alfinetou o novo prefeito.

Não há como não enxergar nessa aritmética um espelho do que se passa na São Paulo dirigida pelo prefeito Fernando Haddad. Financiar a tarifa congelada dos ônibus na capital, modernizar o transporte coletivo com 150 quilômetros de corredores exclusivos (as faixas já passam de 290 quilômetros) e investir em educação e saúde exigiriam um aumento do IPTU com atualização de valores venais defasados pela supervalorizados nos últimos anos.

Aqui como lá, os ricos arcariam com a maior fatia do adicional arrecadado: 1/3 dos moradores mais pobres não pagariam nada, conforme a proposta original de Haddad. Os demais, em média, contribuiriam com um adicional de R$15,00 ao mês: R$0,50 ao dia.

Para somar o preço de um café com leite no Starbucks em São Paulo (R$3,90 no Shopping Eldorado, na capital), seriam necessários quase o equivalente a oito dias de IPTU.

O prefeito Haddad foi ao STF solicitar apoio a uma contribuição 12 vezes inferior a de Nova Iorque, vetada aqui pelo matrimônio de interesses que uniu a Fiesp, a mídia, endinheirados, senhorios e o PSDB.

Ao contrário da cumplicidade selada entre afrodescendentes e Blasio, Haddad encontrou na Suprema Corte alguém que age e pensa aqui como aqueles que, em passado sombrio, destinaram a seus semelhantes a senzala e a chibata. E depois delas, as periferias conflagradas das grandes metrópoles.

Cerca de R$100 milhões arrecadados com o novo IPTU iriam financiar a construção de creches nos bairros mais pobres de São Paulo, onde 150 mil crianças aguardam na fila.

Continuarão a aguardar enquanto os endinheirados, seus ventríloquos e serviçais tomam seu cafezinho no Starbucks.

***

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Funcionária da Receita foi condenada por sumir com processo contra a Globo

11 de julho de 2013

Via Viomundo

A funcionária da Receita Federal Cristina Maris Melnick Ribeiro foi condenada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por, entre outras coisas, dar sumiço nos processos que eram movidos pela Receita Federal contra a Globopar, controladora das Organizações Globo.

Um dos processos resultou numa cobrança superior a R$600 milhões – R$183 milhões de imposto devido, R$157 milhões de juros e R$274 milhões de multa. Foi resultado do Processo Administrativo Fiscal de número 18471.000858/2006-97, sob responsabilidade do auditor Alberto Sodré Zile. Como ele constatou crime contra a ordem tributária, pelo menos em tese, abriu a Representação Fiscal para Fins Penais sob o número 18471.001126/2006-14.

A existência dos processos na Receita Federal foi primeiro revelada pelo blog O Cafezinho, de Miguel do Rosário, que publicou algumas páginas da autuação (leia os documentos na íntegra no pé do post). Desde então, blogueiros e internautas se perguntavam sobre o andamento do processo, cujo último registro oficial data de 29/12/2006. Consultas ao site da Receita revelam que ele está “em trânsito”.

Em nota oficial divulgada logo que circularam as primeiras denúncias de sonegação, a Globo disse que não tem dívidas pendentes com a Receita Federal relativas à compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Ao colunista Ricardo Feltrin, do UOL, respondeu: “Todos os procedimentos de aquisição de direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 pela TV Globo deram-se de acordo com as legislações aplicáveis, segundo nosso entendimento. Houve entendimento diferente por parte do Fisco. Este entendimento é passível de discussão, como permite a lei, mas a empresa acabou optando pelo pagamento”.

Os documentos publicados pelo blogueiro Miguel do Rosário indicam que a emissora foi autuada sob a acusação de simular investimento numa empresa das Ilhas Virgens britânicas, um refúgio fiscal; desfeita a empresa, o capital foi utilizado pela Globo para pagar pelos direitos de transmissão da Copa de 2002. Segundo a Receita, a manobra tinha o objetivo de sonegar impostos.

Ainda não foi revelada a data em que a Globo criou a empresa Empire (Império, em inglês) nas Ilhas Virgens britânicas. Investigação sobre corrupção na Fifa feita por um magistrado de Zug, na Suíça – que acabou afastando do futebol tanto João Havelange quanto Ricardo Teixeira, ambos por receber propina – indica que as detentoras dos direitos de rádio e tevê para as Copas de 2002 e 2006 no Brasil, identificadas apenas como “companhia 2/companhia 3”, fecharam contrato para a compra no dia 17/12/1998, por U$221 milhões.

Curiosamente, a empresa que intermediava a venda dos direitos da Fifa e que pagou propina tanto a Teixeira quanto a Havelange, na casa dos milhões de francos suíços – ISMM/ISL – também operava nas Ilhas Virgens britânicas, de acordo com documentos da promotoria do cantão de Zug. O acordo envolvendo os direitos da Copa de 2002 para o mercado brasileiro foi fechado entre a ISMM Investment AG e a Globo Overseas Investment BV, representando a TV Globo.Globo_Justica02

De acordo com dados disponíveis no site da Justiça Federal, a sentença do juiz Fabrício Antônio Soares para a funcionária da Receita é de 23 de janeiro de 2013 (trecho, acima). O sumiço físico dos documentos relativos à Globopar se deu no dia 2 de janeiro de 2007. Gozando de férias, Cristina Ribeiro foi ao local de trabalho e saiu com objetos volumosos. A visita fora de hora foi gravada por câmera de segurança. Colegas de escritório testemunharam contra ela (ver abaixo).

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Denunciada pelo MPF, a funcionária da Receita teve a prisão preventiva decretada no dia 12 de julho de 2007. Os cinco advogados de Cristina foram até o STF com o pedido de habeas corpus (trecho, acima), que foi concedido por unanimidade no dia 18 de setembro. Ela deixou a prisão no dia 19. O relator do caso foi o ministro Gilmar Mendes.

Cristina foi condenada a 4 anos e 11 meses de prisão pelo sumiço da papelada e por beneficiar indevidamente outras empresas. O juiz também decidiu pela perda do cargo público. O leitor Paulo Felipe (ver nos comentários) diz que Cristina foi aposentada por invalidez. Ela recorre em liberdade. Os outros crimes pelos quais foi condenada referem-se à extinção fraudulenta, no sistema da Receita, de dívidas das empresas Mundial e Forjas Metalúrgicas, além de dificultar o acesso a processo contra a empresa P&P Porciúncula. Está claro que o padrão de atuação dela, de acordo com o MPF, era de beneficiar empresas autuadas.

Ao longo do processo, Cristina negou todas as acusações.

O blogueiro Rodrigo Vianna, depois de manter contato com duas fontes que acompanham de perto o caso, no Rio de Janeiro, especulou que o vazamento da investigação da Receita Federal poderia revelar detalhes embaraçosos sobre os negócios da família Marinho, uma “bomba atômica”.

As investigações dos internautas – como está claro nos comentários abaixo – prosseguem e acrescentam novas pistas sobre o escândalo.

Documentos divulgados pelo blog O Cafezinho, de Miguel do Rosário.

Documentos da investigação da FIFA, em inglês, postados pelo Tijolaço.

Sonegação de imposto em São Paulo chega a R$132 bilhões por ano

26 de junho de 2013

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Karla Santana Mamona, via InfoMoney

O estado de São Paulo deixa de arrecadar R$132 bilhões por ano devido à sonegação. O valor equivale a 24,5% do total arrecadado, considerando os impostos das três esferas: federal, estadual e municipal.

Os dados fazem parte de um levantamento divulgado, na segunda-feira, dia 24, pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz).

Sobre os dados de sonegação do estado paulista, o presidente do Sinprofaz e procurador da Fazenda Nacional, Allan Titonelli Nunes, afirma que se não houvesse sonegação fiscal em São Paulo, os contribuintes atuais poderiam ser desonerados em quase 25% da carga atual sem que a arrecadação fosse prejudicada.

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Corte de impostos federais permite queda de até 7,23% na tarifa de ônibus

19 de junho de 2013

Via Blog do Planalto

O governo federal fez neste ano e em 2012 uma redução de impostos das empresas de transporte coletivo que permite queda de até 7,23% no valor da tarifa de ônibus urbano. O corte de tributos anunciado pelo governo possibilita que os preços das passagens caiam em algumas grandes cidades ou tenham reajuste menor em outras localidades.

Em 31 de maio, o governo encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória nº 617, que isenta de PIS/Cofins os serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário e ferroviário. Segundo dados do Ministério da Fazenda, tal desoneração tem um impacto de 3,65% sobre o valor do faturamento das empresas. Isso quer dizer que deixou de incidir sobre o valor da passagem do transporte coletivo 3,65%.

Em 17 de agosto de 2012, a presidenta Dilma Rousseff sancionou o Projeto de Lei de Conversão 18/2012 (MP 563), desonerando a folha de pagamento das empresas de transporte coletivo rodoviário. A medida passou a vigorar a partir de janeiro de 2013. Agora, em 15 de junho de 2103, o governo enviou ao Congresso Nacional, através da MP 612, a desoneração da folha de pagamento para o transporte coletivo metroviário.

A redução de 20% sobre a folha de pagamento das empresas de transporte coletivo rodoviário equivale a 5,58% do faturamento. Subtraindo deste percentual o recolhimento de 2% de tributo sobre o faturamento das empresas, chega-se a um impacto de 3,58% de redução sobre as tarifas.

Confira o impacto da desoneração de impostos nas tarifas de ônibus urbano (arquivo em .PDF).

Tarifa_Onibus12AFonte: Ministério da Fazenda

A hipocrisia de ações “filantrópicas” como o Criança Esperança

31 de maio de 2013
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O programa arrecada menos de 0,5% do que a Receita Federal está cobrando da Globo.

Dar com uma mão e pegar muito mais com a outra é indefensável moralmente.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Imposto é um dos temas mais quentes do mundo moderno e o Diário tem coberto o assunto intensamente. Nos Estados Unidos, por exemplo. Barack Obama usou isso como uma arma para atacar seu adversário republicano Mitt Romney. Romney é um homem rico, mas tem pagado bem menos imposto, proporcionalmente, do que um assalariado comum.

Obama o desafiou a publicar o quanto ele pagou nos últimos cinco anos. Se ele fizesse isso, Obama jurou que não tocava mais no assunto. Romney não fez, e se estrepou nas eleições.

No mundo, agora. Um levantamento de um instituto independente chamado TJN mostrou, em 2012, que mais de US$30 trilhões estão escondidos em paraísos fiscais, longe de tributação. Se aquela cifra descomunal fosse declarada, ela geraria impostos de mais de US$3 trilhões, considerada uma taxa (modesta) de 10%.

Lembremos. Imposto é chato e ninguém gosta, nem você e nem eu. Mas é com ele que governos constroem escolas, estradas, hospitais etc. Logo, eles são do mais absoluto interesse público.

Agora, o Brasil.

Uma notícia espetacular, a despeito do número esquálido de linhas, foi publicada há algum tempo na seção Radar, de Lauro Jardim, da Veja: a Globo, o paraíso dos “PJs”, está sendo cobrada em R$2,1 bilhões pela Receita Federal por impostos que alegadamente deveria recolher e não recolheu.

Segundo o Radar, outras 69 empresas foram objeto do mesmo questionamento fiscal. Todas acabaram se livrando dos problemas na justiça, exceto a Globo. Chega a ser engraçado imaginar a Globo no papel de vítima solitária, mas enfim.

Em nome do interesse público, a Receita Federal tem de esclarecer este caso. É mais do que hora de dar um choque de transparência na Receita – algo que infelizmente o governo Lula não fez, e nem o de Dilma, pelo menos até aqui.

Se o mundo fosse perfeito, a mídia brasileira cobriria a falta de transparência fiscal para o público. Mas não é. Durante anos, a mídia se ocupou em falar do mercado paralelo.

Pessoalmente, editei dezenas de reportagens sobre empresas sonegadoras. A sonegação mina um dos pilares sagrados do capitalismo: a igualdade entre os competidores do mercado. Há uma vantagem competitiva indefensável para empresas que não pagam impostos. Elas podem investir mais, cobrar menos por seus produtos etc.

Nos últimos anos, o assunto foi saindo da pauta. Ao mesmo tempo, as grandes corporações foram se aperfeiçoando no chamado “planejamento fiscal”. No Brasil e no mundo. O NY Times, há pouco tempo, numa reportagem, afirmou que o departamento contábil da Apple é tão engenhoso quanto a área de criação de produtos. A Apple tem uma sede de fachada em Nevada, onde o imposto corporativo é zero. Com isso, ela deixa de recolher uma quantia calculada entre US$3 bilhões e US$5 bilhões por ano.

Grandes empresas de mídia, no Brasil e fora, foram encontrando jeitos discutíveis de recolher menos. Na Inglaterra, soube-se que a BBC registrou alguns de seus jornalistas mais caros, como Jeremy Paxton, como o equivalente ao que no Brasil se chama de “PJ”. No Brasil, muitos jornalistas que escrevem catilinárias incessantes contra a corrupção são “PJs” e, aparentemente, não veem nenhum problema moral nisso. Não espere encontrar nenhuma reportagem sobre os “PJs”.

Os brados contra a sonegação deixaram de ser feitos pela mídia brasileira quando as empresas aperfeiçoaram o “planejamento fiscal” – uma espécie de sonegação legalizada, mas moralmente imoral.

O dinheiro cobrado da Globo – a empresa ainda pode e vai recorrer, afirma o Radar – é grande demais para que o assunto fique longe do público. A Globo costuma arrecadar R$10 milhões com seu programa “Criança Esperança”. Isso é cerca de 0,5% do que lhe está sendo cobrado. Que o caso saia das sombras para a luz, em nome do interesse público – quer a cobrança seja devida ou indevida.

A Inglaterra não apenas está publicando casos de empresas que pagam muito menos do que deveriam – Google e Starbucks –, como, agora, nomeou os escritórios de advocacia mais procurados por corporações interessadas na evasão legal.

De resto, a melhor filantropia que corporações e milionários podem fazer é pagar o imposto devido. O resto, para usar a grande frase shakesperiana, é silêncio.

Você já ouviu falar do Aecioduto?

23 de janeiro de 2013

Aecio_CanudoDaniela Novais, via Brasília em Pauta

O Novojornal, um dos mais atuantes blogs mineiros de denúncias que nadam contra a corrente da grande imprensa, denunciou a existência de um esquema gigantesco em que dinheiro público e privado se misturam e o objetivo é eleger Aécio Neves em 2014, com a distribuição de um gigantesco volume de recursos. O esquema seria operado por intermédio de um pool de agências de publicidade integrado pelas agências RC Comunicação Ltda., MPM-Populus, FAZ&Branz, New Publicidade e Comunicação Integrada Ltda.

Vale lembrar que a primeira tentativa da grande imprensa em emplacar Aécio se deu há exatamente um ano, com a minissérie O Brado Retumbante. Desde então Fernando Henrique Cardoso defende a candidatura do senador para a presidência em 2014 com unhas e dentes. Também vale ressaltar que o nome de Aécio apareceu em diversos escândalos recentes e nenhum deles foi citado pela mídia: Lista de Furnas, Nióbio de Araxá e ocultação de patrimônio, para não citarmos o flagrante de embriaguez, porque este episódio é da vida privada.

Leia abaixo a matéria do Novojornal na íntegra.

Aécioduto: O novo grande negócio da mídia nacional

Ávida por recursos, pois sem faturamento, devido seu ultrapassado formato que não consegue concorrer com as mídias atuais, onde um pequeno blog é lido por um número superior de leitores que o maior jornal impresso que circula na mesma região, a grande imprensa regional e nacional agarra-se como tabua de salvação ao gigantesco volume de recursos distribuído na tentativa de eleger Aécio Neves.

Trata-se de um esquema gigantesco onde dinheiro público e privado se misturam. Operando por meio de um pool de agências de publicidade, transformou em insignificante o esquema montado por Marcos Valério, conhecido por Valerioduto. Integram este pool RC Comunicação Ltda., MPM-Populus, FAZ&Branz, New Publicidade e Comunicação Integrada Ltda.

Ciente da impunidade e diante da imobilidade do Ministério Público imposta pela Procuradoria Geral de Justiça, centralizou-se em Minas Gerais, a serviço do Governo de Minas Gerais, os maiores especialistas no desvio de dinheiro público e outras irregularidades praticadas pelas agências de propaganda, que operou no Brasil nos últimos 10 anos.

Envolvidas na Operação Caixa de Pandora, estão a RC Comunicação Ltda. e Branez Comunicação Total Ltda., integrante do consórcio com a mineira FAZ. As duas agências, segundo o Ministério Público, operaram o esquema de lavagem de recursos públicos através de notas frias no Distrito Federal.

A promotoria do Distrito Federal informou ao Novojornal que:

“Os contratos não especificavam a forma nem o conteúdo dos serviços de publicidade a serem prestados pelas empresas. Essa imprecisão, proibida pela Lei n° 8.666/93, na prática permite que se realize qualquer coisa, a qualquer momento e a qualquer preço. A Lei também exige a apresentação de orçamento detalhado para a licitação de obras e serviços públicos, enquanto nos contratos de publicidade em questão nem mesmo o valor final dos serviços está discriminado de forma clara”.

Baseada nas evidências, a promotoria argumentou que:

“Esses contratos são um meio para o governo manter à sua disposição empresas contratadas para prestar serviços deliberadamente indiscriminados, com valores altíssimos, limitados apenas pela disponibilidade orçamentária. O objetivo final dos contratos seria fazer propaganda ideológica, uma vez que muitas das ações publicitárias realizadas não apresentam caráter de informação, educação ou orientação social”.

A Propulus, integrante do consórcio com a MPM, que empresta apenas seus atestados, nada mais é que a sucessora da Espontânea Comunicação Ltda., envolvida no enorme esquema de corrupção na administração de Antônio Palocci à frente da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (SP), entre 2001 e 2002.

A agência New, derivação da New Trade, de propriedade do cunhado de Ciro Gomes, envolvida no escândalo do “mensalão”, além de atender o governo de Minas, atende ao sistema Fiemg, CNI, Sebrae, Faemg, AngloGold, Egesa, MMX e revista Veja BH.

A Lápis Raro, além do governo de Minas, atende à CBMM, Usiminas, Rede Globo Minas e Rádio Itatiaia. A Perfil atende à Cemig, BDMG, Prefeitura de Belo Horizonte e o jornal Estado de Minas, sabidamente todas estas instituições integram o projeto político de Aécio Neves.

Por recusarem participar deste esquema, as tradicionais agências de propaganda mineiras foram alijadas do processo, por intermédio de manobras nos procedimentos licitatórios. Informam estas empresas que as irregularidades ocorridas no certame foram encaminhadas ao Ministério Público Estadual.

Inexplicavelmente, como se a distância entre Brasília, Ribeirão Preto e Belo Horizonte fosse enorme e estivéssemos em países diferentes, este grupo de empresas operam à luz do dia um esquema que movimenta, segundo especialistas, mais de R$65 milhões por mês.

E bem provável que na hora que estourar mais este escândalo as autoridades e grande parte da mídia nacional façam cara de assustados, como se não soubessem de nada. Foi criado a República Independente de Minas Gerais.

O governo de Minas e as empresas citadas foram consultados e optaram por não falar, transferindo para o cliente tal tarefa.

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