Posts Tagged ‘Hugo Chavez’

Dilma dribla golpistas e afasta OEA da crise venezuelana

11 de março de 2014
Venezuela_Manifestacao32_Mascara

Na foto, as máscaras de Guy Fawkes, que agora tão bem conhecemos no Brasil, em protestos na Venezuela. Manifestante contratados tentam provocar violências para depois acusar o Estado de “violento”. Tática manjada.

Para ira da mídia brasileira, alinhada ao golpismo venezuelano, o governo brasileiro marcou um golaço nos últimos dias, ao derrotar EUA, Canadá e Panamá, que defendiam, junto à OEA, intervenção externa na Venezuela. O Brasil ganhou a votação por 29 x 3.

É triste constatar que nossa mídia, quando se trata de América Latina, esteve, está e estará sempre ao lado daqueles que defendem soluções não-democráticas para conflitos políticos.

Ora, se o povo venezuelano não gosta de Maduro, então que reúna assinaturas para um impeachment, que lá pode ser feito via plebiscito!

***

Decisão da OEA de não convocar reunião repercute de forma positiva

Leandra Felipe de San Cristóbal (Venezuela), via Agência Brasil

A decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA), de não convocar uma reunião de chanceleres e não enviar uma missão observadora à Venezuela, para discutir a situação de protestos continuados em algumas regiões, foi comemorada pelo governo venezuelano e repercutiu de forma positiva na imprensa local, sobretudo nos meios de comunicação ligados ao governo.

Na sexta-feira, dia 7, durante uma reunião extraordinária do organismo, 29 países, incluindo o Brasil, votaram contra uma interferência, e somente o Canadá, os Estados Unidos e o Panamá solicitaram à OEA uma ação no país.

O embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, considerou a decisão como “histórica” pelo fato de o organismo ter optado pela não ingerência. O governo venezuelano reiterou, em diversas ocasiões, que é contra a ação da OEA na mediação ou observação dos prolongados conflitos que deixaram ao menos 22 mortos e mais de 260 feridos em três semanas de manifestações, bloqueios de vias e atentados ao patrimônio público.

“A resolução que votamos será conhecida nos próximos dias e fala de solidariedade, que é uma palavra bonita e histórica, porque a OEA está se afastando de decisões anteriores”, comentou Chaderton, referindo-se à críticas anteriores que a Venezuela lançava contra o organismo, por considerá-lo mais alinhado aos interesses dos Estados Unidos que aos latino-americanos.

Em entrevista à televisão estatal Telesur, Chaderton comentou que o Canadá teria sido mais “agressivo” que os Estados Unidos nas manifestações contrárias “a atuação do governo venezuelano”. Ele também disse que a reunião ter um caráter privado acabou sendo favorável à melhor condução da conversação. “Não tivemos um circo midiático”.

Anteriormente, a decisão da reunião não poder ser acompanhada pela imprensa, divulgada na quinta-feira, dia 6, provocou críticas e reações negativas, inclusive do governo venezuelano. Chaderton informou que a Venezuela “aplaudia o respeito da OEA à soberania de um país ameaçado por ações desestabilizadoras e golpistas”.

O chanceler venezuelano Elias Jaua disse, em entrevista à emissoras de televisão locais, que a OEA “conseguiu ver que a Venezuela trabalha pela paz e que não têm atuado contra os manifestantes, mas sim contra grupos infiltrados de extrema-direita que tentam romper a estabilidade”. Ele acrescentou que é contra esse tipo de ação que o governo está atuando para preservar a lei.

A União das Nações Sul-americanas (Unasul) convocou, a pedido do governo da Venezuela, para quarta-feira, dia 12, uma reunião extraordinária em Santiago, no Chile, para analisar a situação. Chanceleres dos países membros terão um encontro no dia seguinte à posse da presidenta eleita Michelle Bachelet.

No sábado, dia 8, em San Cristóbal, estado de Táchira, local em que foram iniciadas as manifestações estudantis no país, uma Conferência Regional de Paz está sendo realizada com a participação do governo, da sociedade civil e setores da oposição.

Na conferência de paz são discutidos discute temas sensíveis que geram conflito, como os problemas econômicos, escassez de alimentos e criminalidade. Neste sábado, grupos estudantis e representantes da sociedade civil preparam a marcha “de panelas vazias, que será realizada ao mesmo tempo em que acontece a conferência.

Táchira foi o primeiro estado militarizado pelo governo venezuelano após o início da onda de protestos. Há três semanas com ações diárias de manifestações, algumas pacíficas outras de caráter violento, o comércio da cidade reduziu a jornada de trabalho e as lojas estão sendo fechadas por volta de 4 da tarde.

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O truque do Valor para bater na Venezuela

11 de março de 2014

Miguel do Rosário, via O Cafezinho

O Valor tem se caracterizado, como define um colega, como “PIG cheiroso”, porque, de fato, oferece uma linguagem muito mais sóbria que seus primos. Provavelmente porque seu público alvo são empresários; não os hommers simpsons vulgares e analfabetos políticos que, desgraçadamente, formam a maioria da classe média consumidora de textos de opinião.

De vez em quando, porém, o Valor precisa mostrar serviço, não ao leitor, mas a seus donos e os interesses aos quais estes servem, que vão muito além de míseras assinaturas de jornal.

Na quarta-feira de cinzas, por exemplo, a manchete do Valor era sobre um suposto calote da Venezuela.

Valor_Economico05032014Só que não.

Se você ler a matéria, ficará mais confuso do que informado. Primeiro porque todas as informações sobre dívidas foram dadas por fontes anônimas. Todas as fontes nominadas, ao contrário, contestam a informação.

A própria matéria é contraditória. Ela diz que a Venezuela tem US$20 bilhões em obras contratadas com empreiteiras brasileiras, e que um total de US$2 bilhões não pagos. Ora, 2 bilhões é 10% de 20 bilhões. Não há nenhum sinal de calote aqui.

A matéria diz que a maior parte da dívida é com a Odebrecht, principal empreiteira engajada em obras no país. Pois então, quando o repórter pergunta ao diretor administrativo da empresa, Claudio Daltro, ele respondeu o seguinte:

“O atraso no pagamento é normal no negócio de infraestrutura. Não tenho problema aqui que eu não tenha em outros lugares.”

Ou seja, a matéria é toda uma não-matéria. Falava de um calote que não se configura. De uma dívida perfeitamente natural diante dos valores envolvidos e em função do tipo de serviço oferecido, obras de infraestrutura que perduram por muitos anos.

O Valor fez uma matéria apenas tendenciosa, com objetivo de pintar o governo venezuelano como feio, bobo, mau e caloteiro. O artigo traz várias referências negativas sobre a economia venezuelana, omitindo-se de mencionar os profundos avanços sociais vividos pelo país.

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Quando Hugo Chavez morreu

6 de março de 2014

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O extenso período de incerteza sobre a saúde do presidente havia chegado ao fim. O que iria acontecer dali em diante?

Marina Terra, via Opera Mundi

O dia 5 de março de 2013 começou agitado. Apesar de o estado de saúde de Hugo Chavez estar cercado de incertezas e especulação desde o embarque do presidente venezuelano para Cuba, em 9 de dezembro do ano anterior, a movimentação dos ministros e de Nicolas Maduro demonstravam que algo estava errado. As reuniões a portas fechadas e os boatos em torno delas alimentaram dezenas de ligações minhas para jornalistas em Caracas e em São Paulo em busca de informações.

Algumas falavam que Chavez já estava nas horas finais e que o governo se preparava para dar, em breve, a notícia ao país, enquanto outras arriscavam dizer que o presidente havia se recuperado desde o retorno a Caracas, em 18 de fevereiro, e que reapareceria em breve em público.

Finalmente, já no meio da tarde no Brasil, começou a transmissão de um encontro entre o então vice-presidente e o gabinete ministerial. A reunião começou cheia de expectativas, mas nada foi informado sobre a situação no hospital militar da capital venezuelana.

Depois de passar horas de tensão, decidi ir pra casa, de onde permaneceria em alerta. No começo da noite, ainda na rua, duas mensagens de texto, uma da redação de Opera Mundi em São Paulo e outra, de um amigo em Caracas, deram a mesma notícia, ao mesmo tempo, mas em línguas diferentes: “morreu”, “murió”.

Hugo Chavez havia morrido. O extenso período de incerteza sobre a saúde do presidente havia chegado ao fim. O que iria acontecer dali em diante?

Imediatamente corri para o computador para me juntar à equipe, que naquele momento já havia começado a repercutir o falecimento. Assim que me certifiquei de que tudo estava correndo bem, combinei com a direção que eu embarcaria no dia seguinte para lá.

Era fim de tarde na capital venezuelana quando o avião aterrissou. Na noite anterior e durante o voo, só conseguia pensar que tinha um desafio imenso pela frente: como cobrir a morte de um dos personagens mais importantes da História? Como a Venezuela enfrentaria esse momento, um país que, indiscutivelmente, não era mais o mesmo desde a chegada de Chavez ao poder, em 1998?

Na imigração, o clima era tranquilo. Na fila, comigo, havia dezenas de outros jornalistas, vindos do mundo todo. “Sabe, jamais imaginei que ele fosse morrer tão cedo. Tinha só 58 anos e ainda muita coisa pra fazer. Mas te garanto que vamos continuar de pé”, arriscou dizer baixinho um dos fiscais da alfândega, para depois marcar meu sexto carimbo de entrada no país. “Você, que quase já é venezuelana, sabe disso”, brincou.

No entanto, as experiências anteriores no país, com a cobertura de diversas eleições e de um especial sobre a Era Chavez, feito em 2012 junto com o jornalista Jonatas Campos e o diretor de Opera Mundi, Breno Altman, não haviam me preparado para os dias que viriam. Já na estrada que liga o aeroporto internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, à capital, uma procissão de motoqueiros vestidos de vermelho e com bandeiras chavistas seguia a toda velocidade. Uma mulher, na garupa de uma das motos, chorava copiosamente.

Sim, era real. Hugo Chavez estava morto.

Pouco antes, uma multidão acompanhou o cortejo fúnebre que levou o corpo do presidente venezuelano até o Paseo de los Próceres, na Academia Militar, onde ficaria por nove dias sendo velado por milhões de pessoas.

A poucos quilômetros dali, no bairro de Altamira, na zona oeste de Caracas, conhecida por reunir os bairros mais abastados da capital e ser um bastião opositor, a vida parecia continuar igual. “Chegamos a ouvir fogos aqui quando a morte dele foi anunciada”, contou um dos funcionários do hotel, para depois lamentar: “que tivessem tido respeito pelo menos pela família”.

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Cerca de 2 milhões de pessoas foram às ruas dar adeus a Hugo Chavez.

Fila quilométrica

No dia seguinte, amanheci com a notícia de que a fila para o velório já era quilométrica e segui para a Academia Militar. Assim que o trem do metrô cruzou a linha imaginária que separa o oeste do leste, uma enxurrada de chavistas com os punhos pro alto e aos gritos de “Chavez vive, a luta segue” entrou. Muitos choravam. Quando fui entrevistar uma senhora com o rosto molhado de lágrimas, fui surpreendida por um abraço. “Eu não consigo acreditar!”, gritou.

Povo fala: um ano depois, o chavismo sobreviveu à morte de Chavez?

A mesma cena se repetiria comigo e com outros colegas. O colaborador de Opera Mundi em Bogotá, Simone Bruno, que havia ido a Caracas fazer a cobertura para um canal de televisão francês, confessou: “nunca vi nada parecido. Não há como ficar indiferente a tanto sofrimento”.

A cada entrevista, mais lágrimas. E o espanto pelo aluvião de gente que ocupava todos os espaços ao redor do Paseo de los Próceres. Como nas marchas chavistas que havia acompanhado outras vezes, o povo havia ido em peso às ruas. Mas agora, para se despedir de seu presidente.

Porém, conforme eu avançava na fila, ficou claro que não se tratava de uma procissão comum. Havia ali também uma alegria, traduzida por meio de muitos sorrisos e na música caribenha que ressoava em caixas de som, além de demonstrações de agradecimento e amor pelo presidente que havia partido. “Ele morreu por nós e por isso jamais deixarei de defender seu legado”, me disse uma jovem que havia viajado à noite de Maracay, Estado de Aragua, até lá.

Naquela confusão de choro e risos materializada na minha frente e que continuou nos dias seguintes, pensei que não era inédita a sensação de estar perdida na Venezuela. “Entender” o país, percebi desde a primeira vez que o visitei, em setembro de 2010 para as eleições legislativas, não era o caminho ideal para reportar o processo revolucionário iniciado por Chavez.

E não só porque as notícias dos principais meios internacionais resultavam superficiais e preconceituosas, mas porque, de fato, havia ali algo novo, em pleno desenvolvimento. Sem régua para comparação, a solução pra mim foi me envolver ao máximo com os personagens e acontecimentos, ir à rua, sempre procurando manter um olhar antropológico e, acima de tudo, respeitoso.

Eleição de 2012

O encerramento da campanha de Chavez em 4 de outubro de 2012 foi um desses momentos de espanto. Horas antes, havia decidido me juntar às milhões de pessoas que encheram as sete avenidas do centro de Caracas, em vez de acompanhar o discurso de um espaço reservado aos jornalistas, ao lado do palco principal.

Nos instantes prévios à chegada do presidente, uma multidão vestida de vermelho produzia uma cena impressionante de agitação e barulho. O som do motor das motos, das apresentações musicais – divididas em palcos espalhados pela região – e dos gritos de “Uh! Ah! Chavez não se vá” dominava aquele ambiente de caos e expectativa.

E então veio a tempestade. Tentando se manter em pé naquele lamaçal produzido com a mistura de sujeira e material de propaganda eleitoral, os apoiadores de Chavez respondiam a cada relâmpago que caia com gritos e sorrisos. “Mostramos a eles nossos dentes, literalmente”, disse um amigo chavista, em referência à oposição.

Em meio ao frenesi coletivo, o presidente subiu no palco correndo, com um microfone na mão. Finalizava em Caracas uma campanha cansativa, na qual havia percorrido quase todos os estados venezuelanos ainda com o fantasma do câncer o assombrando.

Chavez ganhou dois dias depois o páreo contra Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda que havia aceito o desafio de competir representando uma coligação de partidos opositores. Para os chavistas, estava garantida a continuidade do processo revolucionário, enquanto para a oposição, restava o reconhecimento da vitória do presidente e planejar os próximos passos após a derrota.

Volta do câncer

Mas nenhum dos dois lados esperava a notícia que o próprio Chavez deu na noite de 8 de dezembro. O câncer havia voltado e o embarque para Havana aconteceria já no dia seguinte. Aquela seria a última imagem do presidente vivo.

Os meses seguintes foram de expectativa e angústia. A cada anúncio em cadeia nacional, quando o então ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, começava a ler um novo boletim sobre o estado de saúde de Chavez, a respiração nas ruas da Venezuela e nas redações parava por alguns instantes. Os micro comunicados foram tão marcantes que, depois da morte do presidente, muitos venezuelanos disseram ter instintivamente prendido o ar ao escutar o começo de outros anúncios.

Viajei ao país no começo de janeiro de 2013, depois de um boletim médico pessimista dado alguns dias antes, no final de 2012, e pela proximidade da posse do presidente na Assembleia Nacional, marcada para o dia 10. Chavez não veio, mas em seu lugar, foi empossado simbolicamente o “povo venezuelano”, representado na figura do vice, Maduro. Eu retornaria somente em 6 de março, para cobrir o desfecho dessa história e para o começo de outra, que segue em andamento: a da Venezuela sem Chavez.

Do período em que cobri a morte do presidente, um depoimento me surpreendeu. Fui atrás de quem estava por último na fila para as condolências, um périplo que durava em média 10 horas, debaixo de muito sol. Era uma jovem opositora. Intrigada, perguntei porque ela estava ali. “Apesar de não concordar com as políticas dele, o admirava muito por ter feito a diferença na vida de outros venezuelanos. Quero homenagear a pessoa Hugo Chavez”, respondeu. Num país onde as diferenças políticas chegam a separar famílias, aquelas palavras eram inesperadas.

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6 de março de 2014

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Via Vermelho, de 5/3/2014

Há precisamente um ano falecia o comandante Hugo Chavez Frias, presidente da República Bolivariana da Venezuela. Uma morte prematura, aos 59 anos incompletos e quando ele se encontrava no auge da sua maturidade como líder político e chefe de Estado. O desaparecimento físico de Hugo Chavez ainda hoje é sentido com dor e consternação pelo povo venezuelano, os demais povos latino-americanos e de todo o mundo.

Hugo Chavez será sempre lembrado como um dos maiores latino-americanos. Sua vida e sua obra como líder revolucionário e presidente da República Bolivariana foram dedicadas ao nobre objetivo de resgatar a dignidade da Venezuela e da América Latina. Por isso o seu nome ingressa no panteão latino-americano ao lado de Simon Bolívar e José Martí. Sem lugar a dúvidas, Chavez foi, com Fidel Castro, seu amigo e inspirador, o principal líder anti-imperialista das últimas décadas na América Latina. Entre outros méritos que lhe reconheceu, Fidel considerou Chavez o maior amigo de Cuba em todos os tempos.

Hugo Chavez deixou importante legado, que tem sido estudado e apropriado por partidos revolucionários e movimentos políticos e sociais e inspira não só o povo e o governo venezuelanos na nova etapa sob a liderança do presidente Nicolás Maduro, mas também todos os povos da região. No Fórum de São Paulo realizado no Brasil em julho do ano passado foi marcante a influência das suas ideias.

O pensamento e a obra de Hugo Chavez se consubstanciam no novo anti-imperialismo e na nova luta pelo socialismo nas condições do século 21, com as peculiaridades da época e da região. O anti-imperialismo, que é o próprio espírito da nossa época, a resistência dos povos à ofensiva neocolonialista dos potentados internacionais, tendem a se consolidar e se transformar numa irresistível torrente que criará as condições objetivas e subjetivas para a libertação nacional e social dos povos. O nome e a obra de Hugo Chavez estão indelevelmente ligados a esse fenômeno.

Chavez iniciou a construção de um novo tipo de democracia popular. Tinha presente que as conquistas políticas e sociais da Revolução Bolivariana somente se realizariam com a mobilização permanente do povo, seu protagonismo e unidade, para enfrentar poderosos inimigos internos e externos.

O dirigente desaparecido há um ano tem seu nome ligado também à unidade dos povos latino-americanos e caribenhos, ao novo tipo de integração regional soberana e solidária, cujas magnas expressões são a Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América (Alba) e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Chavez passa à História como um internacionalista, um estrategista que repôs na ordem do dia as tarefas mais importantes da época – a luta pelo socialismo, pela independência nacional e a paz.

Libertador moderno da Venezuela e da América Latina, Hugo Chavez, com seu pensamento e obra, está presente nas profundas transformações políticas e sociais em seu país. Mais de uma década e meia depois da sua primeira eleição como presidente da República, a Venezuela deixou de ser um paraíso das oligarquias reacionárias e do imperialismo norte-americano e um inferno para o seu povo. É um país livre, soberano, que por caminhos tortuosos busca construir uma nova sociedade. Esta é a razão por que intermitentemente as forças reacionárias, com apoio externo, promovem intentonas golpistas, como fizeram em 2002 e fazem agora, neste início de 2014.

A maior homenagem que se pode fazer ao grande líder desaparecido no ano passado é cerrar fileiras em torno da liderança coletiva da Revolução – formada pelo Polo Patriótico, em que atuam o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o Partido Comunista e outras forças revolucionárias –, sob o comando do presidente Nicolás Maduro. Segue na ordem do dia a defesa da revolução democrática e anti-imperialista, da Constituição bolivariana e a realização de esforços para soerguer instituições sólidas e uma potente economia nacional.

O pensamento de Hugo Chavez estará sempre presente no empenho do povo venezuelano e dos povos amigos de todo o mundo, que saberão retribuir a solidariedade internacionalista que lhes foi prestada pelo grande líder.

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FHC quer ser o guru de todos os golpes

4 de março de 2014

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Miguel do Rosário, via Tijolaço

“Chegou a hora de corrigir o rumo. Que a crise
venezuelana nos desperte da letargia.”

A frase não foi dita por nenhum golpista de Caracas, após sacar uns dólares no guichê do consulado norte-americano. Quem a pronunciou, em artigo publicado em alguns jornais do país, foi Fernando Henrique Cardoso, nosso ex-presidente.

Em seu estilo altamente engordurado, FHC não faz outra coisa senão dizer que o Brasil deveria se aproximar mais dos EUA e assumir posições antibolivarianas, sobretudo na Venezuela.

É uma posição ideologicamente ultraconservadora. E burra economicamente, porque a Venezuela tem sido, nos últimos anos, nosso melhor parceiro comercial, o que paga mais caro pelos produtos brasileiros. Não porque os venezuelanos gostem de pagar caro, mas é que os importadores do país preferem comprar no Brasil aqueles produtos que outrora só se comprava na Europa e EUA.

Diz FHC:

O Brasil, timidamente, se encolhe enquanto o partido da presidente apoia o governo venezuelano, sem qualquer ressalva às mortes, aprisionamento de oposicionistas e cortinas de fumaça que querem fazer crer que o perigo vem de fora e não das péssimas condições em que vive o povo venezuelano.

Ora, FHC poderia muito bem se distanciar do golpismo doentio da máfia midiática do continente. Poderia falar dos problemas atuais, fazer críticas políticas à Maduro, mas deveria, se fosse honesto, admitir que o chavismo zerou o analfabetismo na Venezuela e melhorou profundamente a vida das camadas mais pobres do país. Não, ele prefere chancelar a mentira.

O seu artigo é uma prova de que a volta do PSDB ao poder constituiria um elemento de perigosa instabilidade para o continente, porque insuflaria confiança ao golpismo de oposição em todos os países latino-americanos.

FHC manda um recado até para Honduras, sempre apoiando o golpe: “[o Brasil] interfere contra o sentimento popular em Honduras […]”

Os governos Lula/Dilma têm sido, até então, um dos principais anteparos contra os golpes de Estado, antes tão comuns, em nosso continente. E mesmo assim, eles aconteceram: em Honduras e Paraguai, por exemplo, vimos a estreia de um novo tipo de golpe, disfarçado de legalidade.

Em Honduras, a suprema corte, presidida por algum Joaquim Barbosa, aliada aos barões da mídia, não apenas destituiu sumariamente o presidente, sem direito à defesa, como mandou o exército prendê-lo em sua casa, de madrugada, e ainda o expulsou do país. Para FHC, no entanto, isso foi fruto do “sentimento popular”, mesmo que a maioria das manifestações populares nas ruas fossem em favor de Manuel Zelaya.

E agora FHC apoia o golpe contra a Venezuela.

A qualidade dos tucanos é que eles são previsíveis. Onde houver golpe patrocinado pelos EUA, eles darão suporte.

Mais uma vez, as eleições presidenciais no Brasil definirão não apenas a nossa soberania, mas de todo o continente. Uma vitória do partido de FHC seria automaticamente entendida como autorização para todo o tipo de atentado contra governos eleitos democraticamente. Supremas cortes, mídia, consulados norte-americanos, partidos de direita, todos os núcleos golpistas, corruptos e corruptores se sentiriam estimulados a tomar o poder sem passar pelo crivo do povo.

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Breno Altman: Hora de dizer a verdade para Clóvis Rossi

Como se constrói a encenação de “protestos” antigoverno na Venezuela

Venezuela: A guerra da (des)informação

EUA comandam protestos contra Nicolas Maduro

Venezuela e Brasil não podem retroceder

O coxinha Leopoldo Lopez, pau-mandado do EUA, quer dar golpe na Venezuela

O que querem os EUA numa Venezuela em transe?

Atos na Venezuela são manipulados com fotos falsas

Venezuela: Povo marcha pela paz; opositores pela violência

50 verdades sobre Hugo Chavez

50 verdades sobre Henrique Capriles


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