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Membros da CPI dos Incêndios em Favelas são financiados pelo setor imobiliário

28 de setembro de 2012

Todos os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) montada na Câmara Municipal de São Paulo para investigar os incêndios em favelas são financiados por empresas ligadas à construção civil e ao setor imobiliário. Juntos, os seis membros da comissão receberam na eleição de 2008, mais de R$782 mil, segundo as prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral.

Fábio Nassif, via Carta Maior

Todos os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) montada na Câmara Municipal de São Paulo para investigar os incêndios em favelas são financiados por empresas ligadas à construção civil e ao setor imobiliário. Juntos, os seis membros da comissão receberam na eleição de 2008, mais de R$782 mil, segundo as prestações de contas apresentadas. E na atual briga para a reeleição, suas prestações de contas parciais já contabilizam mais de R$338 mil em doações. Os valores totais podem ser muito maiores já que algumas doações estão registradas em nome pessoal ou dos comitês financeiros dos partidos.

A comissão instalada em abril deste ano realizou apenas três sessões e cancelou outras cinco. Na quarta-feira, dia 27, movimentos sociais e familiares compareceram à Câmara para acompanhar a reunião que estava agendada. Diante dos manifestantes, o presidente da CPI Ricardo Teixeira (PV) justificou o cancelamento, por falta de quórum e compromisso dos demais vereadores. Entre os colegas de Comissão, Teixeira é o campeão de arrecadação de doações por ter recebido mais de R$452 mil no pleito de 2008. E ao mesmo tempo que preside a comissão, já acumula mais de R$150 mil de contribuição do setor imobiliário para conseguir sua reeleição.

Comissão suspeita

Ushitaro Kamia (PSD), Toninho Paiva (PR), Anibal de Freitas (PSDB), Edir Sales (PSD), além de receberem investimentos de construtoras, empreiteiras e empresas relacionadas, haviam registrado em 2008, junto com Ricardo Teixeira (PV), doações da Associação Imobiliária Brasileira (AIB). A entidade foi investigada por doações irregulares de R$6,7 milhões a 50 candidatos e oito comitês de campanha. Por este motivo, em outubro de 2009, o promotor eleitoral Mauricio Antônio Ribeiro Lopes, do Ministério Público, pediu a revisão das contas para a Justiça Eleitoral. Trinta dos 55 vereadores paulistanos poderiam ter seu mandato cassado, incluindo os membros da CPI dos Incêndios em Favelas Ricardo Teixeira e Ushitaro Kamia. A ameaça de cassação também caiu sobre o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e sua vice Alda Marco Antonio, em 2010, por captação ilícita de recursos, mas todos eles conseguiram reverter a decisão judicial.

As empreiteiras lideram o ranking de doações para as campanhas eleitorais em todo o país em 2012. As seis maiores da lista (Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão, Carioca Christiani Nielsen, UTC e WTorre) gastaram mais de R$69 milhões, entre doações ocultas e não ocultas.

Em texto recente, Guilherme Boulos, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), afirma que “as construtoras Camargo Correa, EIT, OAS e Engeform (que constam entre as maiores do Brasil) doaram juntas para a campanha de Kassab em 2008 cerca de R$6 milhões e em troca somaram em contratos junto à prefeitura nos 4 anos seguintes, nada menos que R$639 milhões”. O militante ainda destaca que “a prefeitura destinou em 2011 o valor absurdo de R$1 mil para a compra de áreas para a construção de habitação popular”.

Incêndios criminosos

A CPI surgiu para investigar o aumento de incêndios em favelas e moradias precárias na cidade e as suspeitas de serem criminosos, inclusive por acontecerem em regiões de valorização imobiliária.

Somente este ano, segundo o Corpo de Bombeiros, foram mais 68 incêndios em favelas. Desde 2005, foram mais de 1.000 ocorrências de incêndios. Em 2011, foram registrados 181 incêndios na cidade de São Paulo. Em 2010 foram 107; em 2009, 122; em 2008, 130; em 2007, 120; em 2006, 156; e em 2005; 155. Pelos registros das ocorrências que consideram incêndios em barracos e em outras cidades do estado, os números são muito maiores. Planilhas enviadas pelos Bombeiros para a Carta Maior em janeiro mostram por exemplo que, em 2009 foram 427 ocorrências (295 em barracos e 132 em favelas). Em 2010, foram 457 ocorrências (330 em barracos e 198 em favelas). Esses números, no entanto, não coincidem com o de outros órgãos.

Os dados do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil já foram apresentados aos membros da CPI, assim como se tentou ouvir representantes das subprefeituras. A próxima reunião ficou marcada para o dia 17 de outubro, quando, os moradores que buscam explicações, mesmo se saírem sem saber a causa dos incêndios e sem soluções para a falta de moradia, saberão o valor total das doações do setor imobiliário para cada um dos vereadores da comissão.

Coincidência?: São Paulo sofre quarto incêndio em favela em duas semanas

28 de agosto de 2012

Novo incêndio em favela paulistana atingiu comunidade da zona leste da cidade. Quarta ocorrência em duas semanas.

Nova ocorrência destruiu em torno de 30 barracos em São Miguel Paulista, na zona leste da cidade.

Sarah Fernandes, via Rede Brasil Atual

Legenda: Novo incêndio em favela paulistana atingiu comunidade da zona leste da cidade. Quarta ocorrência em duas semanas.

Mais uma favela em São Paulo pegou fogo na manhã de terça-feira, dia 28. O incêndio, desta vez, ocorreu na favela da Paixão, no bairro de São Miguel Paulista, zona leste da cidade. Até as 12h30 o fogo ainda não havia sido controlado e já havia destruído pelo menos 30 barracos, de acordo com a Defesa Civil. As causas ainda não são conhecidas.

Este é o quarto incêndio em favela em duas semanas na capital paulista. Na quinta-feira, dia 23, ocorreu um incêndio em uma favela localizada na rua Capitão Pacheco Chaves, na Vila Prudente, entre as zonas sul e leste da capital paulista, que destruiu cerca de 100 barracos e deixou 600 pessoas desabrigadas.

Antes disso, em 17 de agosto, a favela do Areão pegou fogo e deixou cerca de 280 pessoas desabrigadas. Um dia depois ocorreu um incêndio na Favela Alba, na zona sul, que deixou pelo menos 120 desalojados. A prefeitura não ofereceu abrigo para as vítimas, que tiveram de se hospedar na casa de amigos e parentes.

Em abril, a Câmara Municipal abriu uma CPI para investigar as suspeitas de que os incêndios sejam provocados por pessoas ou grupos interessados em eliminar as casas de madeira para abrir espaço à especulação imobiliária. Passados quase cinco meses, ela realizou apenas duas das seis audiências marcadas, apenas para formalizar a abertura da CPI. A comissão deve encerrar os trabalhos em 9 de setembro, sem sequer ter nomeado relator.

A próxima reunião está marcada para quarta-feira, dia 29, às 12 horas, na Câmara Municipal.

São Paulo e seus incêndios misteriosos

26 de agosto de 2012

Carlos Motta em seu blog de crônicas

Em quatro anos, ocorreram mais de 500 incêndios em favelas em São Paulo. Só neste ano foram 24 grandes incêndios, segundo o Corpo de Bombeiros. O último foi na quinta-feira, dia 16. Como há a suspeita de que muitas dessas ocorrências tiveram origem criminosa, foi criada uma CPI na Câmara do Vereadores – que não ouviu ninguém – e foi encerrada sem acrescentar nada ao tema.

Pode até ser possível que os incêndios tenham tido causa acidental, mas que é muito estranho ler tantas notícias sobre eles, isso é. Seja como for, alguma coisa está muito, mas muito errada.

E o poder público, como sempre ocorre em casos tão sérios como esse, se cala, faz de conta que não tem nada com o assunto, se finge de morto.

A verdade é que São Paulo está, há muitos anos, completamente abandonada.

Qualquer um que dê uma volta pela cidade – e nem precisa ser na periferia – vê o estado lamentável em que ela se encontra, imunda, feia, triste como ela só.

Felizmente, uma nova eleição, desta vez para eleger o prefeito, está aí.

É mais uma oportunidade de os cidadãos mudarem os rumos das coisas, tirando do poder quem nele apenas age no interesse próprio e de grupos econômicos, e pondo em seu lugar gente interessada em pelo menos tentar resolver os principais problemas da megalópole.

Como esses misteriosos incêndios em favelas, que causam tanto sofrimento em tantas pessoas e que têm tudo para estar ligados a outra questão grave do município, que é a exploração imobiliária.

Não sei não, mas se alguém resolver investigar esses incêndios a fundo poderá chegar a conclusões que estariam mais bem colocadas em filmes policiais sobre máfias e que tais do que em simples colunas de jornais.

São Paulo: 23ª favela incendiada em 2012, desta vez foi a de Humaitá

28 de julho de 2012

Com informações do Blog da Imprensa Golpista

É triste verificar que mais uma favela – agora a favela de Humaitá, na Zona Oeste da capital – sofre com um incêndio que vitimou aproximadamente 400 pessoas, na sexta-feira, dia 27.

Cidadãos que perderam tudo e agora ficam sem local para morar e com seu cotidiano totalmente alterado.

E muito triste saber que uma CPI foi instalada na Câmara Municipal de São Paulo, mas que é uma CPI de mentirinha. Seus membros não se reuniram nunca. Não chegaram a realizar uma audiência sequer.

Não há relator. Não há vice-presidente. Não houve audiência. NUNCA HOUVE QUÓRUM. Somente este ano 23 (vinte e três) favelas incendiadas e a forte suspeita de que resultam da especulação imobiliária e de um movimento de higienização da grande São Paulo. Uma tentativa de expulsar parte da comunidade de áreas “nobres”.

Os vereadores que fazem parte da suposta CPI são Ricardo Teixeira (PSDB), Ushitaro Kamia (PSD), Toninho Paiva (PR), Aníbal de Freitas (PSDB), Emir Sales (PSD) e Souza Santos (PSD). Por “coincidência”, três vereadores pertencem ao mesmo partido do prefeito Kassab, o PSD, e dois de José Serra.


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