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Do helicóptero dos Perrella à casa de Genoíno: A mídia brasileira como ela é

17 de janeiro de 2014
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“Imparcialidade”: O aluguel da casa de Genoíno é notícia; a meia tonelada de cocaína no helicóptero dos Perrella, não.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

O critério do que é notícia, para a mídia brasileira, é peculiar. Notícia é, essencialmente, aquilo que é ruim para os adversários. Pode ser um fato, pode ser um rumor, pode ser até uma mentira descarada – mas é “notícia”.

Do outro lado, tudo aquilo que seja considerado problemático para os amigos, e para os próprios donos das empresas jornalísticas, não é notícia.

Por exemplo: o helicóptero dos Perrella. Meia tonelada de pasta de cocaína não comoveu a mídia brasileira. O assunto, nem bem chegou, sumiu do noticiário. A mídia não produziu uma única reportagem decente sobre os Perrella.

O DCM publicou, dias atrás, uma denúncia do WikiLeaks segundo a qual Roseana Sarney tem US$150 milhões nas Ilhas Cayman. Nem uma só linha sobre o assunto, como se US$150 milhões fossem R$150,00. O motivo não é muito nobre: como Roseana, alguns barões da mídia têm, também, reservas em paraísos fiscais.

Silêncio sobre este tema, portanto.

Em compensação, alguns personagens não saem do noticiário. Uma publicação dá alguma coisa, verdadeira ou mentirosa, manipulada ou objetiva – e todos os veículos reproduzem.

Genoíno é um desses personagens. Agora mesmo: você pode ler, em toda a mídia, uma notícia sobre uma casa que Genoíno alugou por dois meses em Brasília. Ele alugou porque, num capricho, Joaquim Barbosa proibiu que ele ficasse em sua casa em São Paulo no período de prisão domiciliar.

E então tudo que a mídia economizou sobre o helicóptero ela gasta com Genoíno. O valor do aluguel é usado para tentar desmoralizá-lo: R$4 mil, segundo o Estadão. Se são dois meses, são R$8 mil.

Gastar R$8 mil para que ele tenha o mínimo de conforto, nos próximos dois meses, vira uma barbaridade.

A mídia se vale dos analfabetos políticos, e estes, sempre manipulados, respondem como se espera. Dizem, nas redes sociais, que está provado que Genoíno tem muito dinheiro, e que é uma farsa a vaquinha para pagar a dívida – outro capricho da Justiça – de R$660 mil que impuseram a ele.

Repórter nenhum vai atrás dos fatos.

Ouçamos Miruna, a combativa filha de Genoíno. Ninguém faz isso, embora ela esteja à disposição da mídia para esclarecimentos.

Nós a procuramos.

“Estamos arcando toda a família com essa despesa”, diz Miruna. “Estou deixando o apartamento onde moro com meu marido e meus filhos e mudando-me para a casa de meus pais para reduzir os gastos e podermos fazer frente a esta situação. Em vez de denunciarem que estamos tendo de pagar para meu pai cumprir a domiciliar, ficam especulando com a casa. É o fim do mundo…”

Para entender os bastidores das redações, uma repórter do Estadão, particularmente, faz um cerco obstinado a Genoíno, e também a Dirceu. Foi ela que falou na casa, assim como tinha falado na “empresa de Dirceu no Panamá”. Ela se chama Andreza Matais e é casada com Tuca Pinheiro, assessor de Roberto Freire, presidente do PPS.

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A repórter (sic) Andreza é pau-mandado de Bob Freire.

Freire se dedica a combater o “lulopetismo”, o “lulodilmismo”, o “lulismo”, o “dilmismo” e todas as variações do gênero. Freire, recentemente, levou a sério, ou fingiu, a afirmação de um ex-delegado segundo a qual Lula fora informante da ditadura.

Nem FHC, que abomina Lula, alimentou isso. Como se sabe, num programa Manhattan Connection FHC desfez a tentativa de Diogo Mainardi de criar barulho em torno da “denúncia”. FHC negou a calúnia peremptoriamente, o que decretou a morte prematura de um livro que iria “sacudir o Brasil”.

A “informação” sai de Andreza já devidamente envenenada pela militância política do marido. É um conflito de interesses mascarado – mas claríssimo. E toda a mídia reproduz Andreza bovinamente, ou melhor, malandramente. Checar “informações” negativas para adversários ninguém, na imprensa, faz. Todos as publicam às cegas para leitores analfabetos políticos que vão consumi-las sem triagem nenhuma.

A mídia brasileira, de certa forma, pode ser resumida naquilo que ela não deu sobre o helicóptero dos Perrella e naquilo que ela dá, e dá, e dá, sobre os suspeitos de sempre.

***

Marchinha carnavalesca do pó Royal: Qualquer semelhança, é mera coincidência.

***

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11 de janeiro de 2014

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Operação da PF apreendeu 450kg de cocaína em um helicóptero de empresa do deputado estadual de Minas Gerais Gustavo Perrella (SDD), filho do senador Zezé Perrella (PDT/MG). Até agora, a PF não descobriu de quem é o pó. Quer dizer, não quis descobrir, né?

Com informações do Portal UOL

O helicóptero pertencente à empresa da família do senador Zezé Perrella (PDT/MG), apreendido em novembro de 2013 com carga de cocaína em uma cidade do Espírito Santo, será utilizado pelo governo estadual capixaba. A decisão foi dada pelo juiz Marcus Vinicius Figueiredo de Oliveira Costa, titular da 1ª Vara Federal Criminal do Espírito Santo.

A aeronave e seus ocupantes foram abordados durante operação da Polícia Federal (PF) na cidade de Afonso Cláudio com 445 quilos da droga.

De acordo com o despacho, o pedido para a utilização do helicóptero foi feito em ofício assinado pelo governador Renato Casagrande (PSB). Segundo o documento, a aeronave ficaria à disposição do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer) da Secretaria da Casa Militar do governo estadual. Esse núcleo é um dos responsáveis pelo apoio aéreo a localidades atingidas pelas intensas chuvas no Espírito Santo.

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4 de janeiro de 2014

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Será que Joaquim Barbosa permitirá a quebra dos sigilos bancário e fiscal do “Pablo Escobar” mineiro?

Via Correio do Brasil em 1º/4/2014

O senador Zezé Perrella (PDT/MG), que teve o helicóptero de uma de suas empresas envolvido no tráfico de quase meia tonelada de pasta base de cocaína, terá seus sigilos fiscal e bancário quebrados, se o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar o pedido da Procuradoria-Geral da República. Perrella responde a um inquérito na Suprema Corte junto com o irmão, Alvimar de Oliveira Costa, por suspeita de fraude financeira. A investigação, agora, seguirá também a trajetória da aeronave carregada com a droga.

Perrella e o irmão, ex-presidentes do time mineiro Cruzeiro, foram denunciados, formalmente, por suposta lavagem de dinheiro na venda do zagueiro Luisão ao Benfica, de Portugal. A negociação envolveu um clube uruguaio e é considerada suspeita pela Polícia Federal, que indiciou Perrella em 2010 pelo caso. O processo foi retomado há dez dias, logo após o flagrante que apreendeu 445 quilos de cocaína no helicóptero de uma das empresas da família Perrella.

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao ministro Ricardo Lewandowski que reconsiderasse a decisão de não autorizar a quebra de sigilo bancário do parlamentar, após os advogados do Cruzeiro, que também defendem o senador, alegarem haver erros na petição do Ministério Público. O ministro do STF desautorizou parte da quebra do sigilo bancário e fiscal dos suspeitos. Em 2003, Luisão foi vendido por US$2,5 milhões ao clube uruguaio Central Español e logo em seguida repassado por cerca de US$1 milhão a menos ao Benfica. Investigadores suspeitam que parte do valor declarado na negociação com o time uruguaio voltou irregularmente ao Brasil e teria sido pulverizado em contas de empresas ligadas à Perrella e ao irmão dele.

Perrella assumiu a presidência do Cruzeiro em 1995. O parlamentar foi deputado por três vezes e era suplente do senador Itamar Franco. Ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Perrella informou ser proprietário de R$490 mil em bens, mas adquiriu uma fazenda estimada em R$60 milhões. Sobre isso, o Ministério Público Eleitoral investiga a evolução patrimonial do parlamentar. Seu filho, o deputado estadual Gustavo Perrella, que declara uma fortuna maior do que o pai, subscreveu à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$1,9 milhão.

O helicóptero apreendido pela PF deverá ser confiscado. Tanto o governo do Espírito Santo quanto a PF manifestaram oficialmente, em juízo, interesse na utilização da aeronave da família do senador. Em despacho do juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, antes do recesso de fim de ano do judiciário, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o comando da Superintendência da PF daquele Estado declararam que pretendem ficar com o helicóptero modelo Robinson 66, avaliado em R$3 milhões. Pela legislação, qualquer meio de transporte utilizado para o tráfico de drogas pode ser confiscado para uso do Estado, caso comprovado o interesse público e responsabilidade de conservação do bem.

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1 de janeiro de 2014

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O estranho caso do helicóptero engavetado: A mídia não quis investigar o caso do helicóptero dos Perrella.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Se você me pergunta qual foi o maior papelão da mídia brasileira em 2013 respondo com meia tonelada de motivos que foi o caso do helicóptero dos Perrella. Só no Brasil 500 quilos de cocaína não são notícia.

Na Indonésia, uma senhora britânica de 56 anos foi condenada à morte, por fuzilamento, por ser presa com cinco quilos de cocaína: 100 vezes menos, portanto. Na mídia de Londres, ela é chamada de “Vovó Inglesa”, por ter netos. Sua defesa ainda luta para transformar a pena de morte em prisão perpétua.

Na Indonésia, como na China, a lei é extraordinariamente severa com o tráfico de drogas em consequência dos traumas sofridos no século 19, quando os britânicos impuseram, na base dos canhões, aos asiáticos o consumo de ópio. Essa página obscena do império britânico passaria à história como as Guerras do Ópio, sobre as quais escrevi algumas vezes no DCM.

Longe de mim sugerir rigor asiático no combate ao tráfico. Mas, jornalisticamente, 500 quilos de cocaína não são nada? Pelo comportamento da mídia brasileira, não são nada. Ninguém se esforçou, então, para trazer luz para o escândalo. Ao contrário, todo mundo tentou esconder a notícia, provavelmente para preservar Aécio Neves, amigos dos Perrellas e conhecido festeiro.

Todos sabem o que teria ocorrido caso os donos do helicóptero fossem amigos não de Aécio, mas de Lula, ou Dirceu.

Na ausência de qualquer esforço investigativo, o assunto foi minguando e hoje é quase nada. O helicóptero foi, simplesmente, engavetado.

No futuro próximo, a internet terá recursos suficientes para bancar investigações que a mídia corporativa não quer fazer. Ou o crowdfunding – o financiamento da comunidade de leitores – ou a publicidade trará dinheiro que hoje é escasso.

Até lá, as pessoas interessadas em jornalismo independente e informação isenta terão de conviver com coisas estapafúrdias como este caso.

Notícia, para a mídia “livre”, é aquilo que é favorável a ela ou a seu grupo de amigos e parceiros, e desfavorável para seus desafetos. Compare a cobertura dada ao helicóptero com a cobertura dada a uma oferta de emprego para Dirceu, e você vai entender o que move a mídia.

Por isso ela é tão desacreditada. E por ser tão revelador do espírito bipolar das grandes companhias jornalísticas, o caso do helicóptero é o fracasso do ano da mídia brasileira.

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Wálter Maierovitch: De Escobar aos Perrella

28 de dezembro de 2013

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A polícia foi mais ligeira em negar a participação da família de políticos do que em achar o traficante.

Wálter Maierovitch, via CartaCapital em 28/12/2013

Em 2 de dezembro, uma romaria de colombianos visitou, em razão do 20º aniversário de sua morte, o túmulo de Pablo Emilio Escobar Gaviria no cemitério dos Jardines Monte Sacro. Nascido em 1949, Escobar era carinhosamente chamado pelos colombianos pobres de “El Patrón”, e isso por ter, com o tráfico de cocaína operado pelo seu Cartel de Medellín, aberto 3 milhões de postos de trabalho, diretos e indiretos.

Fora isso, Escobar, considerado o maior traficante de cocaína andina de todos os tempos, realizou intensa e interesseira atividade assistencial aos carentes. Inspirado na lógica dopanem et circenses, ganhou fama de mecenas ao comprar passes de jogadores de futebol, como bem sabem os torcedores do Independiente de Medellín e do Atlético Nacional. Assim, provocava os traficantes rivais, Rodríguez Gacha, padrinho do Millonarios de Bogotá, e os irmãos Rodríguez Orejuela, donos do América de Cali. A propósito, todos eles inflacionavam o mercado da bola e dele se aproveitavam para lavar seus narcodólares.

Além de construir um presídio de luxo para uso próprio e fingir que cumpria pena reclusiva, quando sua meta era evitar a extradição para os EUA, o megatraficante Pablo Escobar montou um gigantesco e moderno centro de refino da pasta-base de coca peruana: refinava 5 mil quilos semanais da droga, como diz Luís Cañón na clássica obra: El Patrón, Vida y Muerte de Pablo Escobar.

Para os colombianos, a refinaria ficava em um lugar apelidado de Tranquilândia, pois a corrupta polícia não incomodava El Patrón. Quanto ao presídio luxuoso e de onde entrava e saía sem problemas, ganhou o significativo designativo de La Catedral, ou seja, o templo de Escobar. Com as atividades ilegais de Escobar, a Colômbia, que até então pouco contava no tráfico internacional, tomou em importância o lugar do Peru.

A marcante “jogada” de Escobar consistiu em comprar uma empresa de aviação civil, a “Servicios Aeroejecutivo de Aviación”, logo apelidada de “El Expreso de la Cocaína”. Sem nenhum helicóptero e com cerca de duas dezenas de pequenos aviões tipos Cessna e Turbo Commander, a empresa não só fazia o transporte da pasta-base do Peru, mas era eficaz, com reabastecimento nas Bahamas, no envio da cocaína em pó para os EUA, com desembarque da droga na Flórida.

Com os desmontes dos megacartéis de Medellín e Cali, a morte de Escobar, as prisões dos irmãos Orejuela e as delações premiadas nos EUA dos irmãos Ochoa, a indústria da cocaína andina sofreu mudanças. No mundo da droga, nenhum grande traficante internacional possui mais uma empresa aérea. Eles preferem terceirizar o transporte e fretar helicópteros, a exemplo do que fazem com as “mulas” humanas. No fundo, mudanças geoestratégicas, com uso maior do sistema bancário e financeiro internacional e a transformar Estados nacionais em narcodependentes, ou melhor, com o PIB a depender também do mercado das drogas proibidas.

Na Colômbia, os traficantes de cocaína andina trocaram os megacartéis pelos “cartelitos”, com estruturas enxutas, ágeis e atuação em rede planetária. Com a terceirização do transporte, as polícias encontram dificuldades na identificação dos mandantes e na prova de se ter agido com dolo no fretamento. Os donos dos helicópteros e aviões, por exemplo, repetem não saber de nada. Como regra, o piloto flagrado no transporte é poupado pelos patrões e, dessa maneira, abre-se espaço para declarar desconhecimento da mercadoria do fretamento.

O helicóptero da empresa familiar dos Perrella, pai senador e ex-presidente do Cruzeiro, e o rebento deputado estadual em Minas Gerais, transportava quase meia tonelada de cocaína. Pelo noticiado, até verba pública já serviu para abastecer esse helicóptero. A carga ilegal de cocaína restou apreendida em 24 de novembro passado, após aterrissagem do helicóptero no Espírito Santo, proveniente do Paraguai. Nesta semana, vazou a informação de as investigações policiais, em inquérito, terem concluído pela não responsabilização criminal dos dois Perrella parlamentares. A propósito, ainda não se sabe qual será a reação do representante do Ministério Público sobre essa apuração a envolver Zezé e Gustavo Perrella.

No caso, está claro ter a polícia trabalhado com mais velocidade na apuração de eventual participação criminosa dos Perrella do que na identificação do traficante, ainda um desconhecido. Pelo que se imagina, a cocaína apreendida seria vendida no Brasil. Num pano rápido, pelo menos a “culpa in vigilando” prevalece. Além do odor de cocaína nos Perrella.

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