Posts Tagged ‘Gustavo Perrella’

“Helipóptero” de Perrella será usado pelo governo do Espírito Santo. Mas de quem é a cocaína?

11 de janeiro de 2014

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Operação da PF apreendeu 450kg de cocaína em um helicóptero de empresa do deputado estadual de Minas Gerais Gustavo Perrella (SDD), filho do senador Zezé Perrella (PDT/MG). Até agora, a PF não descobriu de quem é o pó. Quer dizer, não quis descobrir, né?

Com informações do Portal UOL

O helicóptero pertencente à empresa da família do senador Zezé Perrella (PDT/MG), apreendido em novembro de 2013 com carga de cocaína em uma cidade do Espírito Santo, será utilizado pelo governo estadual capixaba. A decisão foi dada pelo juiz Marcus Vinicius Figueiredo de Oliveira Costa, titular da 1ª Vara Federal Criminal do Espírito Santo.

A aeronave e seus ocupantes foram abordados durante operação da Polícia Federal (PF) na cidade de Afonso Cláudio com 445 quilos da droga.

De acordo com o despacho, o pedido para a utilização do helicóptero foi feito em ofício assinado pelo governador Renato Casagrande (PSB). Segundo o documento, a aeronave ficaria à disposição do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer) da Secretaria da Casa Militar do governo estadual. Esse núcleo é um dos responsáveis pelo apoio aéreo a localidades atingidas pelas intensas chuvas no Espírito Santo.

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4 de janeiro de 2014

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Será que Joaquim Barbosa permitirá a quebra dos sigilos bancário e fiscal do “Pablo Escobar” mineiro?

Via Correio do Brasil em 1º/4/2014

O senador Zezé Perrella (PDT/MG), que teve o helicóptero de uma de suas empresas envolvido no tráfico de quase meia tonelada de pasta base de cocaína, terá seus sigilos fiscal e bancário quebrados, se o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar o pedido da Procuradoria-Geral da República. Perrella responde a um inquérito na Suprema Corte junto com o irmão, Alvimar de Oliveira Costa, por suspeita de fraude financeira. A investigação, agora, seguirá também a trajetória da aeronave carregada com a droga.

Perrella e o irmão, ex-presidentes do time mineiro Cruzeiro, foram denunciados, formalmente, por suposta lavagem de dinheiro na venda do zagueiro Luisão ao Benfica, de Portugal. A negociação envolveu um clube uruguaio e é considerada suspeita pela Polícia Federal, que indiciou Perrella em 2010 pelo caso. O processo foi retomado há dez dias, logo após o flagrante que apreendeu 445 quilos de cocaína no helicóptero de uma das empresas da família Perrella.

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao ministro Ricardo Lewandowski que reconsiderasse a decisão de não autorizar a quebra de sigilo bancário do parlamentar, após os advogados do Cruzeiro, que também defendem o senador, alegarem haver erros na petição do Ministério Público. O ministro do STF desautorizou parte da quebra do sigilo bancário e fiscal dos suspeitos. Em 2003, Luisão foi vendido por US$2,5 milhões ao clube uruguaio Central Español e logo em seguida repassado por cerca de US$1 milhão a menos ao Benfica. Investigadores suspeitam que parte do valor declarado na negociação com o time uruguaio voltou irregularmente ao Brasil e teria sido pulverizado em contas de empresas ligadas à Perrella e ao irmão dele.

Perrella assumiu a presidência do Cruzeiro em 1995. O parlamentar foi deputado por três vezes e era suplente do senador Itamar Franco. Ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Perrella informou ser proprietário de R$490 mil em bens, mas adquiriu uma fazenda estimada em R$60 milhões. Sobre isso, o Ministério Público Eleitoral investiga a evolução patrimonial do parlamentar. Seu filho, o deputado estadual Gustavo Perrella, que declara uma fortuna maior do que o pai, subscreveu à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$1,9 milhão.

O helicóptero apreendido pela PF deverá ser confiscado. Tanto o governo do Espírito Santo quanto a PF manifestaram oficialmente, em juízo, interesse na utilização da aeronave da família do senador. Em despacho do juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, antes do recesso de fim de ano do judiciário, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o comando da Superintendência da PF daquele Estado declararam que pretendem ficar com o helicóptero modelo Robinson 66, avaliado em R$3 milhões. Pela legislação, qualquer meio de transporte utilizado para o tráfico de drogas pode ser confiscado para uso do Estado, caso comprovado o interesse público e responsabilidade de conservação do bem.

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Onde foi parar o helicóptero com cocaína dos Perrella?

1 de janeiro de 2014

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O estranho caso do helicóptero engavetado: A mídia não quis investigar o caso do helicóptero dos Perrella.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Se você me pergunta qual foi o maior papelão da mídia brasileira em 2013 respondo com meia tonelada de motivos que foi o caso do helicóptero dos Perrella. Só no Brasil 500 quilos de cocaína não são notícia.

Na Indonésia, uma senhora britânica de 56 anos foi condenada à morte, por fuzilamento, por ser presa com cinco quilos de cocaína: 100 vezes menos, portanto. Na mídia de Londres, ela é chamada de “Vovó Inglesa”, por ter netos. Sua defesa ainda luta para transformar a pena de morte em prisão perpétua.

Na Indonésia, como na China, a lei é extraordinariamente severa com o tráfico de drogas em consequência dos traumas sofridos no século 19, quando os britânicos impuseram, na base dos canhões, aos asiáticos o consumo de ópio. Essa página obscena do império britânico passaria à história como as Guerras do Ópio, sobre as quais escrevi algumas vezes no DCM.

Longe de mim sugerir rigor asiático no combate ao tráfico. Mas, jornalisticamente, 500 quilos de cocaína não são nada? Pelo comportamento da mídia brasileira, não são nada. Ninguém se esforçou, então, para trazer luz para o escândalo. Ao contrário, todo mundo tentou esconder a notícia, provavelmente para preservar Aécio Neves, amigos dos Perrellas e conhecido festeiro.

Todos sabem o que teria ocorrido caso os donos do helicóptero fossem amigos não de Aécio, mas de Lula, ou Dirceu.

Na ausência de qualquer esforço investigativo, o assunto foi minguando e hoje é quase nada. O helicóptero foi, simplesmente, engavetado.

No futuro próximo, a internet terá recursos suficientes para bancar investigações que a mídia corporativa não quer fazer. Ou o crowdfunding – o financiamento da comunidade de leitores – ou a publicidade trará dinheiro que hoje é escasso.

Até lá, as pessoas interessadas em jornalismo independente e informação isenta terão de conviver com coisas estapafúrdias como este caso.

Notícia, para a mídia “livre”, é aquilo que é favorável a ela ou a seu grupo de amigos e parceiros, e desfavorável para seus desafetos. Compare a cobertura dada ao helicóptero com a cobertura dada a uma oferta de emprego para Dirceu, e você vai entender o que move a mídia.

Por isso ela é tão desacreditada. E por ser tão revelador do espírito bipolar das grandes companhias jornalísticas, o caso do helicóptero é o fracasso do ano da mídia brasileira.

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Wálter Maierovitch: De Escobar aos Perrella

28 de dezembro de 2013

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A polícia foi mais ligeira em negar a participação da família de políticos do que em achar o traficante.

Wálter Maierovitch, via CartaCapital em 28/12/2013

Em 2 de dezembro, uma romaria de colombianos visitou, em razão do 20º aniversário de sua morte, o túmulo de Pablo Emilio Escobar Gaviria no cemitério dos Jardines Monte Sacro. Nascido em 1949, Escobar era carinhosamente chamado pelos colombianos pobres de “El Patrón”, e isso por ter, com o tráfico de cocaína operado pelo seu Cartel de Medellín, aberto 3 milhões de postos de trabalho, diretos e indiretos.

Fora isso, Escobar, considerado o maior traficante de cocaína andina de todos os tempos, realizou intensa e interesseira atividade assistencial aos carentes. Inspirado na lógica dopanem et circenses, ganhou fama de mecenas ao comprar passes de jogadores de futebol, como bem sabem os torcedores do Independiente de Medellín e do Atlético Nacional. Assim, provocava os traficantes rivais, Rodríguez Gacha, padrinho do Millonarios de Bogotá, e os irmãos Rodríguez Orejuela, donos do América de Cali. A propósito, todos eles inflacionavam o mercado da bola e dele se aproveitavam para lavar seus narcodólares.

Além de construir um presídio de luxo para uso próprio e fingir que cumpria pena reclusiva, quando sua meta era evitar a extradição para os EUA, o megatraficante Pablo Escobar montou um gigantesco e moderno centro de refino da pasta-base de coca peruana: refinava 5 mil quilos semanais da droga, como diz Luís Cañón na clássica obra: El Patrón, Vida y Muerte de Pablo Escobar.

Para os colombianos, a refinaria ficava em um lugar apelidado de Tranquilândia, pois a corrupta polícia não incomodava El Patrón. Quanto ao presídio luxuoso e de onde entrava e saía sem problemas, ganhou o significativo designativo de La Catedral, ou seja, o templo de Escobar. Com as atividades ilegais de Escobar, a Colômbia, que até então pouco contava no tráfico internacional, tomou em importância o lugar do Peru.

A marcante “jogada” de Escobar consistiu em comprar uma empresa de aviação civil, a “Servicios Aeroejecutivo de Aviación”, logo apelidada de “El Expreso de la Cocaína”. Sem nenhum helicóptero e com cerca de duas dezenas de pequenos aviões tipos Cessna e Turbo Commander, a empresa não só fazia o transporte da pasta-base do Peru, mas era eficaz, com reabastecimento nas Bahamas, no envio da cocaína em pó para os EUA, com desembarque da droga na Flórida.

Com os desmontes dos megacartéis de Medellín e Cali, a morte de Escobar, as prisões dos irmãos Orejuela e as delações premiadas nos EUA dos irmãos Ochoa, a indústria da cocaína andina sofreu mudanças. No mundo da droga, nenhum grande traficante internacional possui mais uma empresa aérea. Eles preferem terceirizar o transporte e fretar helicópteros, a exemplo do que fazem com as “mulas” humanas. No fundo, mudanças geoestratégicas, com uso maior do sistema bancário e financeiro internacional e a transformar Estados nacionais em narcodependentes, ou melhor, com o PIB a depender também do mercado das drogas proibidas.

Na Colômbia, os traficantes de cocaína andina trocaram os megacartéis pelos “cartelitos”, com estruturas enxutas, ágeis e atuação em rede planetária. Com a terceirização do transporte, as polícias encontram dificuldades na identificação dos mandantes e na prova de se ter agido com dolo no fretamento. Os donos dos helicópteros e aviões, por exemplo, repetem não saber de nada. Como regra, o piloto flagrado no transporte é poupado pelos patrões e, dessa maneira, abre-se espaço para declarar desconhecimento da mercadoria do fretamento.

O helicóptero da empresa familiar dos Perrella, pai senador e ex-presidente do Cruzeiro, e o rebento deputado estadual em Minas Gerais, transportava quase meia tonelada de cocaína. Pelo noticiado, até verba pública já serviu para abastecer esse helicóptero. A carga ilegal de cocaína restou apreendida em 24 de novembro passado, após aterrissagem do helicóptero no Espírito Santo, proveniente do Paraguai. Nesta semana, vazou a informação de as investigações policiais, em inquérito, terem concluído pela não responsabilização criminal dos dois Perrella parlamentares. A propósito, ainda não se sabe qual será a reação do representante do Ministério Público sobre essa apuração a envolver Zezé e Gustavo Perrella.

No caso, está claro ter a polícia trabalhado com mais velocidade na apuração de eventual participação criminosa dos Perrella do que na identificação do traficante, ainda um desconhecido. Pelo que se imagina, a cocaína apreendida seria vendida no Brasil. Num pano rápido, pelo menos a “culpa in vigilando” prevalece. Além do odor de cocaína nos Perrella.

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Retrospectiva 2013: Os malas sem alça do ano

24 de dezembro de 2013

O jornalista Kiko Nogueira, diretor do blog Diário do Centro do Mundo, fez uma retrospectiva que vale a pena ser lida. O Limpinho a reproduz a seguir.

A internet tem o dom de amplificar a estupidez das pessoas. Vivemos uma era em que, a cada dia, um panaca fala ou faz alguma besteira. Em homenagem a essas pessoas especiais, criamos a lista dos Maiores Malas de 2013. Queremos agradecer à equipe de especialistas que nos ajudou a chegar a esses nomes que trouxeram diversão e arte ao Brasil. Vamos a eles:

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Marco Feliciano

O deputado pastor chamou atenção para uma comissão que ninguém sabia que existia, mas pelas razões erradas. Homofóbico, obtuso, oportunista, vaidoso, simonista, ele saiu da obscuridade para a obscuridade. Faz chapinha e canta. Firmou-se como a nova estrela da direita evangélica e da Teologia da Prosperidade, uma seita que usa a Bíblia para justificar que enriquecer é divino, especialmente roubando o dinheiro dos fieis. Começou o ano dizendo que o continente africano era amaldiçoado e terminou declarando que Mandela “implantou a cultura da morte” na África do Sul por causa das leis do aborto. Ainda teve tempo de pedir, num culto, um carro para a filha, na maior cara de pau. Foi atendido por Jesus, na pessoa de um pobre coitado que lhe presenteou com o carro da mulher.

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Joaquim Barbosa

Com sua eterna dor nas costas (por que não se trata?), o presidente do STF foi um espetáculo de arrogância, hipocrisia e sede de vingança. Pegou avião da FAB para ver jogo no Maracanã no camarote de Luciano Huck, chefe de seu filho; comprou apartamento em Miami em circunstâncias mal explicadas; pediu cabeça de repórter; o diabo. Além de tudo, JB é o tipo de sujeito que se compraz com o sofrimento de suas vítimas. Na definição precisa do jurista Celso Bandeira de Mello, professor da PUC há 40 anos: “É um homem mau, com pouco sentimento humano.” É um homem mau.

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Eike Batista

O homem mais rico do Brasil era uma bolha e explodiu. Foi uma falência espetacular, depois de anos prometendo entregar o que não existia — tudo emoldurado por frases de efeito de “vencedor”, fotos do Porsche na sala de estar e aquela indefectível peruca italiana. Sua fortuna derreteu de estimados US$10 bilhões para US$73 milhões. Há algumas semanas, saiu para jantar com Ronaldo Fenômeno e alguns amigos e o pessoal fez questão de pagar a conta. A Forbes o comparou ao Rei do Camarote.

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Rei do Camarote

Alexander Augusto de Almeida foi apresentado ao mundo pela Veja São Paulo. Ele contava que tinha uma Ferrari e gastava até R$50 mil numa balada. Tudo lindo. Mas de onde vinha esse dinheiro todo? Alexander é um zangão do Detran, que trabalha para os bancos ferrando as pessoas que não conseguem pagar as prestações do carro. Devia R$55 mil de IPTU. Alçado à condição de subcelebridade, deu entrevistas na televisão, protagonizou um vídeo que se tornou viral e já voltou à condição de babaca anônimo.

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Justin Bieber

A criança mais chata do showbizz veio ao Brasil “cantar” para fãs que dormiram em barracas montadas na fila dos ingressos. Foi a um lupanar no Rio de Janeiro, fez xixi na rua, dormiu com uma garota de programa que depois fez um vídeo, pichou o muro enquanto os seguranças olhavam, saiu do hotel onde estava hospedado porque não deixaram que ele brincasse de submarino na piscina. Na Argentina, limpou o chão com a bandeira do país e foi declarado persona non grata. A boa notícia é que avisou que vai se aposentar. A má é que é mentira.

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Lobão

Depois de lançar o livro Manifesto do nada na terra do nunca, o músico aderiu às hostes de Olavo de Carvalho e descobriu que o Brasil é uma ditadura comunista-chavista-gayzista dominada pelas Farcs. Trocou a obsessão por Herbert Vianna, a quem reputava ter arruinado sua carreira, por Lula, Dilma e o PT. Mente descaradamente, como quando falou que passou onze anos numa lista negra do “doutor” Roberto Marinho na Globo. Ganhou uma coluna na Veja e ainda vai dar muito trabalho para si mesmo.

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Danilo Gentili

O ex-comediante teve um ano inesquecível. Não fez uma piada decente, um esquete divertido, uma tirada inteligente, mas conseguiu ofender negros, homossexuais e uma mulher que doava leite para hospitais. Quando é processado, reage dizendo que é perseguido pelo governo e que foi censurado. A única censura real que teve foi em sua emissora, que vetou seu especial de fim de ano, mas sobre isso ele corajosamente se cala. Diz que seu humor débil mental e covarde é politicamente incorreto — não é, é apenas débil mental e covarde. Seu último grande lance foi chamar uma moça que o criticou de “puta” no Twitter e insuflar seus seguidores para que a linchassem. Gosta de plantar notinhas sobre supostos convites de outras emissoras. Um bom nome para substituir Regina Cazé no “Esquenta”.

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A polícia nas manifestações

Sem treino, sem estratégia, sem paciência, sem noção, mas com muita vontade de partir para a porrada, a polícia de todos os estados deu demonstrações de que não tem a menor condição de lidar com protestos como os ocorridos a partir de junho. Fotógrafos cegos com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, cacetadas em casais sentados em bares — essa foi a língua utilizada pela PM para dialogar com os manifestantes. A violência foi útil para levantar a discussão acerca da desmilitarização da força policial. Gente de todas as esferas deu sua opinião. Especialistas do Brasil e de fora discutiram o tema. Como era de se esperar, não deu em nada.

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Ver Danilo Gentili.

Miley_Cyrus01Miley Cyrus

Ela cresceu, não é mais a Hannah Montana e quer muito que as pessoas saibam disso. Muito. E seguiu o script de Britney Spears e outros antigos ídolos teens: pirou. Fez um clipe nua balançando numa bola de ferro, lambeu um martelo (!?), se apresentou num prêmio da MTV se esfregando no cantor Robin Thicke. Como presente de Natal para os fãs, tirou uma foto de topless agradecendo a Nova Iorque por ser um dos “poucos estados a libertar o mamilo”.

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Roberto Carlos

O Rei proibiu um livro sobre a Jovem Guarda porque não gostou das ilustrações, mas aquele era só o prenúncio do que viria. Mentor do grupo Procure Saber, que lutou pela não autorização das biografias não-autorizadas, RC acabou dando um nó em seus colegas de MPM ao aparecer no “Fantástico” todo pimpão numa postura aparentemente mais moderada. Destituiu Paula Lavigne, colocou no lugar o advogado dele, Kakay, e levou a briga para os corredores escuros de Brasília. A boa notícia é que, neste ano, não lançou nenhuma canção nova. “Esse cara sou eu” manterá preenchida sua cota de porcarias por mais alguns anos.

The_Voice01Os jurados do The Voice

Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Lulu Santos e Daniel são a hidra de quatro cabeças do novo sucesso da Globo, o programa de calouros “The Voice”. Eles são jurados e técnicos dos rapazes e moças que tentam a sorte cantando como Christina Aguilera — o chamado oversinging, com muito vibrato, inventando notas onde elas não existem e fingindo que aquilo é feeling. Todos os juízes se amam e se completam: Claudia Leitte é a boazinha; Daniel é o bocó; Lulu é o professor; Brown é o Brown. Se a música brasileira estava sob a ameaça do sertanejo, do funk e do pagode, a situação complicou de vez com a ajuda do quarteto.

Dinho_Ouro_Preto01Dinho Ouro Preto

Recordemos o discurso imortal do nosso tiozinho no Rock In Rio: “Vamos usar a cabeça, cara. Esse Natan Donadon, esse cara, nosso primeiro presidiário congressista, cara. O próprio Congresso, cara, por ter mantido o cargo desse sujeito, falou, cara. Então, cara, cada um de vocês pode fechar os olhos de vocês, cara, e escolher o seu preferido, cara, eu prefiro, cara, dedicar ao parlamento brasileiro pelo conjunto da obra. Tá ligado, véio (aeee!). Eu tenho a seguinte impressão, cara, quando neguinho olha lá de cima, de Brasília, para o resto do Brasil, cara, olha para baixo, cara, para a planície, eles olham 200 milhões de cidadãos assim, ó. (Coloca um nariz de palhaço). Essa aqui é pra Brasília, essa aqui se chama Saquear Brasília, e vai assim, cara”. Dito isto, cremos ter dito tudo.

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Os Perrellas

Aliados de Aécio em Minas, amigos torcedores do candidato do PSDB à presidência, o senador Zezé Perrella e seu filho, o deputado estadual Gustavo, estão entre as maiores fortunas do estado. Gustavo tinha sob seu nome o helicóptero apreendido com 445 quilos de cocaína no Espírito Santo. Ele contratou o piloto, que era funcionário da Assembleia Legislativa. É óbvio que nenhum deles sabia de nada. Como poderiam saber, é ou não é? O delegado da Polícia Federal responsável pela apreensão já descartou a participação dos Perrellas — sobrenome, aliás, “emprestado” da família de imigrantes italianos cujo frigorifico Zezé comprou nos anos 70.

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José Serra

O Careca continua causando. Fez que ia mudar de partido, desistiu, acabou ficando no PSDB. Já avisou que desistiu de concorrer à presidência. Os “amigos” tentam convencê-lo a sair para deputado federal. Com o escândalo do metrô em São Paulo, sua antiga imagem de “bom gerente” — seja lá o que isso queria dizer — também foi para o ralo. Um annus horribilis para JS, a mala eterna do PSDB. De uma coisa podemos estar certos: os artigos de fundo perpetrados por uma das cabeças mais brilhantes de sua geração continuarão sendo publicados no “Estadão”.

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O Fluminense e o STJD

A campanha medíocre do time carioca foi salva no tapetão pelo STJD, que atirou a Portuguesa à série B. Foi o desfecho fúnebre de um campeonato desorganizado e suspeito, com cenas de guerra civil nos estádios. Com a decisão, o STJD ajudou o Flu a se tornar o time mais odiado do Brasil. Torcedores foram hostilizados nas ruas. O atacante Rafael Sobis foi xingado no Galeão. O ano que vem promete para o Tricolor carioca.

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Rachel Sheherazade

A musa neoconservadora bíblica bateu em toda e qualquer ameaça à família e aos bons costumes: em gays, em “abortistas”, na legalização da maconha no Uruguai, nos “arruaceiros” que invadiram os shoppings, nos índios, nos “liberais”, no Mais Médicos, no Genoíno etc. O único poupado em suas catilinárias é Joaquim Barbosa, chamado por ela de “Paladino da Justiça”. Deu também conselhos para o papa sobre como modernizar a Igreja. Rachel sabe de tudo. É a prova viva da grande máxima de Bertrand Russell: “O problema com o mundo é que os idiotas são cheios de certeza e os sábios cheios de dúvidas.”

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As atrizes da Globo em luto pelo Brasil

Parece que a ideia foi da atriz Bárbara Paz. Como deu errado e virou motivo de piada no país inteiro, a ideia ficou órfã. Mas foi o seguinte: ela e suas colegas de novela ficaram chateadas por causa dos embargos infringentes. Bárbara, Carol Castro, Rosamaria Murtinho, Nathalia Timberg e Susana Vieira, então, se vestiram de preto, fizeram uma cara entre a indignação, o banzo e a constipação, mandaram o office boy tirar fotos e as postaram no Instagram. Em minutos várias versões surgiram na internet, muito melhores que as originais — e mais fiéis à fanfarronice que elas perpetraram.

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Pessoas que fazem fotos de comida e selfies no Instagram

Parem. Apenas parem.

Dono do helicóptero do pó ganhou 3 contratos sem licitação de Aécio Neves

11 de dezembro de 2013

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Miguel do Rosário, via Tijolaço

Escrevo há uns quinze anos sobre política, de maneira quase ininterrupta, e tendo ideais progressistas, sempre fui crítico à grande imprensa brasileira. No entanto, nunca me deparei com um grau de degradação tão avassalador como vejo nos últimos dias. O Globo insiste nos “privilégios” dos presos petistas, sem refletir que, ao fazer esse tipo de campanha, contradiz a si mesmo. Afinal, que raio de privilégio é esse em ser achincalhado diariamente nos jornais, mesmo após estar preso injustamente?

Através do Globo, agora já sabemos os negócios de todos os familiares dos proprietários do hotel que empregará José Dirceu.

Enquanto isso, a imprensa trata com inexplicável discrição aquele que pode ser o maior escândalo das últimas décadas, rivalizando até mesmo com o trensalão paulista.

O Ministério Público de Minas Gerais vai propor, nos próximos dias, uma Ação Civil Pública, para investigar repasses do governo do estado, na gestão de Aécio Neves, para a empresa Limeira Agropecuária e Participações Ltda., proprietária do helicóptero apreendido com meia tonelada de pó. Os repasses aconteceram em 2009, 2010 e 2011.

Achei reportagens do ano passado com informações sobre suspeitas do Ministério Público contra a Limeira, empresa dos Perrella. O MP apurava possível contratação irregular, sem licitação, pelo governo do estado, além de superfaturamento. A compra da fazenda Guará (a mesma onde o helicóptero foi apreendido), avaliada em R$60 milhões, também estava sob a mira dos procuradores, visto que o bem havia sido ocultado pelo senador Zezé Perrella.

Hoje há uma matéria no Globo sobre o tema, mencionando as suspeitas do Ministério Público, mas sem chamada na primeira página e sem qualquer citação ao partido do governo do estado, e às relações quase íntimas entre os Perrella e o provável candidato do PSDB à presidência da república, Aécio Neves. A reportagem informa que o senador Zezé Perrella (PDT/MG) também pagou com sua verba de gabinete o combustível usado no famoso helicóptero. Zezé e Gustavo, pai e filho, estão cada vez mais enredados no caso.

O assunto não é interessante? Um possível presidente da república ser tão próximo de políticos suspeitos de serem grandes traficantes de cocaína não é do interesse da nossa imprensa “livre”, “independente”, “profissional”? Será que mais uma vez, os blogueiros terão que assumir a dianteira dessa investigação, com grande risco pessoal?

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