Posts Tagged ‘Governo federal’

Ruptura de Eduardo Campos com Dilma causa debandada no PSB

28 de setembro de 2013
Eduardo_Campos12_Reuniao

O presidente da sigla disse esperar que a saída dos irmãos Cid e Ciro Gomes se dê de modo fraterno. Foto de Sérgio Lima/Folhapress.

Depois de Cid e Ciro Gomes revelarem intenção de sair do partido, prefeito de Duque de Caxias (RJ), Alexandre Cardoso, e integrantes do diretório estadual foram punidos por defender aliança no estado.

Hylda Cavalcanti, via RBA

As primeiras reações ao rompimento do PSB com o governo partem do Ceará e do Rio de Janeiro. O governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão Ciro Gomes anunciaram na terça-feira, dia 24, intenção de deixar o partido para manter o apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Na quarta-feira, dia 25, socialistas do Rio de Janeiro formalizaram, a primeira punição a um correligionário depois da ruptura.

A direção executiva nacional do partido decidiu afastar o prefeito do município fluminense de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso, da presidência do diretório estadual do Rio de Janeiro, bem como todos os secretários e coordenadores do diretório. Todos, por defender a presença do PSB na base de apoio ao governo federal, estariam trabalhando nos bastidores pela filiação de deputados estaduais e federais do partido ao PMDB, como forma também de apoiar o vice-governador do estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), ao governo, em 2014. A executiva também determinou a abertura de um processo disciplinar contra Cardoso, no conselho de ética do partido.

O prefeito e ex-deputado federal considerou a decisão arbitrária. E disse ao final da reunião que a maioria dos integrantes do PSB no Rio de Janeiro prefere a candidatura de Pezão. “Esse foi o acordo firmado [o do apoio ao vice-governador em 2014] e levei a disposição da maioria do PSB do Rio ao governador Sérgio Cabral. Mas aí houve a decisão do Eduardo Campos de entregar os cargos”, contou. Cardoso ressaltou que um afastamento como o dele não pode ser decidido por reunião de executiva e sim, reunião de diretório. E pediu que o estatuto do partido fosse respeitado: “Será que, daqui por diante, todos no PSB que apoiam a presidenta Dilma Rousseff estarão errados?”

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional da legenda, afirmou que o que foi observado, no caso do Rio, foi um trabalho de militantes do PSB a favor de outros partidos, com o intuito de esvaziar a legenda no estado. Ao ser questionado sobre a saída iminente de Cid e Ciro Gomes, Campos disse que a sua intenção é que a saída do grupo do governador cearense ocorra dentro do que chamou de “diálogo fraterno”. Mas, no momento, a preocupação principal do PSB é com a entrada de novos quadros, “e não com quem sai”.

Conversa e espera

Cid Gomes já reiterou a Campos sua decisão de manter o apoio ao governo Dilma. Ele chegou a se reunir com seu grupo político para articular a saída ainda hoje, mas voltou atrás e decidiu esperar para formalizar a decisão nos próximos dias, em Fortaleza. Por trás desse recuo estaria, segundo deputados socialistas, o acerto firmado entre os governadores de Ceará e Pernambuco para que a saída aconteça sem maiores hostilidades, de forma que ninguém do PSB no Ceará venha a ser punido por infidelidade partidária.

A ruptura aconteceu depois que tomou corpo no Ceará, no final de semana, o convite feito pelo deputado Márcio França (PSB/SP) e o secretário-geral do partido, Carlos Siqueira, à ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, para sair do PT e ingressar no PSB. A filiação teria como objetivo a candidatura de Luizianne ao governo do Ceará em 2014. Para o governador, que cogita lançar candidato escolhido por seu grupo para a sucessão, o convite foi entendido como um recado de Eduardo Campos.

“Não tinha a menor intenção de deixar o PSB, mas nos últimos dias fui alvo de hostilidades sem qualquer desmentido pela direção do partido. Entendo isso como um convite para seguir outro rumo”, chegou a declarar, em entrevista.

Gomes enfatizou, no entanto, que não quer criar inimizades dentro do partido, pois sempre teve uma postura “pública e transparente”. “A hora (de o PSB lançar candidatura própria) não é agora. Devemos nos preparar para 2018. Não tenho como deixar de apoiar a reeleição da presidenta Dilma”, repetiu, marcando terreno sobre sua posição.

Segundo o governador, o PSB convive atualmente com dois problemas: as divergências internas, que são mais amplas do que aparentam em todos os diretórios em relação ao apoio ou não dos socialistas à candidatura de Eduardo Campos em 2014 e sua aproximação com o PSDB. Fica indefinido, por conta disso, o futuro do secretário nacional de Portos, Leônidas Cristino, que é ligado aos Gomes. Cristino já tinha antecipado na semana passada que entregaria o cargo ao governo. Mas diante desse fato novo, já há especulações de que ele poderá vir a ser mantido pela presidenta Dilma.

Saias justas

Além da situação dos socialistas no Ceará e no Rio, as atenções do partido estão voltadas para os principais políticos que se posicionaram contra o rompimento do PSB com o governo federal. Casos do governador do Espírito Santo Renato Casagrande e dos senadores Antônio Carlos Valadares (SE) e Lídice da Mata (BA).

Casagrande tem evitado dar declarações à imprensa e enfrenta pressões por todos os lados. Seu governo é formado por uma coligação de 16 legendas, que tem como partidos principais o PSB e o PT. Seu vice é do PT e atualmente duas secretarias são ocupadas por petistas. E o governador é cada vez mais candidato à reeleição.

Só que o PT, no último final de semana, começou a mencionar a possibilidade de o ex-prefeito de Vitória, João Coser, vir a encabeçar uma chapa própria do partido, se for consolidado em nível estadual o rompimento observado na esfera nacional. Essa possibilidade passou a ser entendida, pelo grupo de Casagrande, como uma forma de pressioná-lo a tomar uma posição junto ao PSB.

Na Bahia, outra saia justa é enfrentada pela senadora e ex-prefeita de Salvador Lídice da Mata (PSB). Lídice apoia desde o início o governo de Jaques Wagner e é pré-candidata ao governo estadual. Com a ruptura, pode não vir a contar com o apoio de Wagner, o que inviabilizaria boa parte das alianças formadas no estado. Lídice foi contrária à saída do PSB do governo. “Não serei candidata de oposição a Jacques Wagner e a preocupação do partido, neste momento, precisa ser com as candidaturas a deputados federais e estaduais. Depois é que será discutida a questão do candidato à sucessão do governador”, acentuou.

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), único que não se manifestou a respeito nem repassou informações por meio de sua assessoria, tem mantido nos últimos dias postura semelhante à dos demais colegas que divergiram da decisão da executiva.

Em Aracaju, seu filho, o deputado estadual Valadares Filho, presidente do diretório no estado, declarou recentemente que a ruptura não deverá alterar a relação do partido com a presidenta Dilma, nem com o governador do estado, Jackson Barreto (PMDB). Mas durante a reunião da executiva que definiu pela saída do governo Dilma, o senador ponderou aos colegas que o PSB tinha feito parte do governos do PT desde o início e que as vitórias obtidas ao longo desse período também eram vitórias do partido.

Com as primeiras baixas no Rio e no Ceará, é grande a aposta pelas legendas que irão alojar Alexandre Cardoso e o grupo de Ciro Gomes. Cardoso afirmou que foi procurado pelo PMDB, PDT, PT e PCdoB, mas ainda não decidiu para qual irá. Cid Gomes foi procurado pelo PSD, de Gilberto Kassab. Gomes ainda não deu resposta, mas demonstrou interesse também de conversar com dirigentes do Pros – o Partido Republicano da Ordem Social, cuja instalação foi formalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

***

Leia também:

Para cientista político, novos partidos não influenciarão eleições presidenciais de 2014

***

Dilma Rousseff: “São Paulo é grande demais para ficar isolada.”

4 de agosto de 2013

Dilma_SP_Haddad01

Na quarta-feira, dia 31/7, na Prefeitura de São Paulo, a presidenta Dilma Rousseff assinou a liberação de R$8 bilhões em verbas para obras na capital.

Via Brasil 247

“Talvez, assim como as mídias sociais, o grande acontecimento do século 21 é o surgimento de megacidades”, iniciou a presidenta Dilma. “São Paulo é uma megacidade, talvez a mais significativa, importante e desafiadora nessa parte do hemisfério. É grandiosa por sua população, mas também por seus problemas.”

A presidenta assinalou que “sem sombra de dúvida, São Paulo é recortada por desigualdades”. “Eu vim anunciar mais uma contribuição do governo federal ao enfrentamento de grandes problemas”, prosseguiu. “Serão R$8 bilhões: R$3 bilhões para mobilidade urbana, R$1,3 bilhão para obras contra enchentes, R$2,2 bilhões para drenagem e R$1,5 bilhão do Minha Casa, Minha Vida para moradias para 20 mil famílias”, detalhou Dilma.

“Eu já morei na avenida Radial Leste”, lembrou a presidenta, sobre a principal avenida da Zona Leste da cidade. Ela fez a menção ao ressaltar a importância da criação de corredores de ônibus com parte das verbas liberadas agora. A Prefeitura anuncia a abertura de 96 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus.

“Não é a primeira vez que venho aqui em São Paulo anunciar obras, mas é a primeira vez que anunciamos de forma concentrada a liberação de R$8 bilhões”, sublinhou a presidenta. “Um ponto importante é que essas obras serão iniciadas rapidamente.”

Dilma citou que 55% da população de 11 milhões de pessoas usa meios de transporte coletivo. “Como é possível uma cidade do tamanho de São Paulo não ter Metrô, não ter transporte enterrado, como se diz”, perguntou. “Somos a maior cidade do mundo com o menos sistema de transporte metroviário do mundo”, comparou a presidenta, numa crítica indireta às administrações estaduais do PSDB, no poder no Estado desde 1995. O governador Geraldo Alckmin não participa da cerimônia, tendo enviado um secretário como representante.

“Dar mobilidade urbana é devolver vida à população”, classificou Dilma. “O governo federal está empenhando em assegurar Metrô e veículos leves sobre trilhos. Já colocamos R$89 bilhões em mobilidade urbana, e agora vamos investir mais R$50 bilhões. É justo que a primeira cidade a receber R$8 bilhões desses R$50 bilhões seja São Paulo. É justo que seja aqui, porque é o nosso maior desafio de mobilidade urbana”.

A presidenta acentuou que sua gestão investiu diretamente nas construções de linhas e estações de Metrô nas capitais de “Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Distrito Federal, além de parceiras com São Paulo e Rio de Janeiro”.

Haddad e Dilma

“São Paulo é grande demais para ficar isolada”, afirmou, em discurso, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ao lado da presidenta Dilma Rousseff. “O que está sendo anunciado aqui é que vamos buscar incansavelmente um realinhamento entre São Paulo e o governo federal, assim como já ocorre com o governo estadual. O sucesso de São Paulo é o sucesso do Brasil”, completou Haddad.

Em seguida a Haddad, fala o ministro das Cidades, Agnaldo Ribeiro. “Estamos vivendo um momento histórico no País”, disse ele. “Isso porque o governo da presidenta Dilma retomou um tema que o Brasil havia-se esquecido, o da mobilidade urbana”, assinalou. “Antes, houve o desmonte de órgãos que eram imprescindíveis à infraestrutura urbana nas cidades brasileiras”, apontou. “Me refiro ao Geipot, desmontado 23 anos atrás”, citando o organismo que coordenava políticas públicas de transporte urbano, especialmente em regiões metropolitanas”.

Boa parte dos recursos anunciados pela presidenta terá como destino a abertura de 127 quilômetros de corredores exclusivos de ônibus nas avenidas da capital. “Mobilidade urbana é ter tempo para se viver um pouco mais”, definiu o ministro. Ribeiro afirmou que o governo federal destina atualmente R$89 bilhões para programas de mobilidade urbana. “É o maior programa de mobilidade urbana do mundo”, definiu o ministro. Ele confirmou, às 12h02, que a presidenta irá anunciar R$8 bilhões em recursos para obras na cidade.

O ministro anunciou, ainda, R$1,3 bilhão para obras contra enchentes, como canalização de córregos. Para limpeza e manutenção das represas Billings e Guarapiranga, os recursos federais serão de R$2,2 bilhões. Mais R$1,5 bilhão serão destinados à construção de 20 mil habitações populares. “Com isso, e mais os R$3 bilhões para mobilidade urbana, completamos R$8 bilhões”, somou o ministro.

Programa Mais Médicos: O farisaísmo perdeu

29 de julho de 2013

Medicos28_Soldadinho

Fernando Brito, via Tijolaço

Terminou a primeira etapa de inscrições para o programa Mais Médicos e o resultado fala por si: 3.511 municípios inscritos e 18.450 profissionais candidatos à bolsa de R$10 mil para irem trabalhar na periferia, mais do que as 15.460 vagas que serão abertas nessa fase.

Das 1.290 cidades escolhidas como prioridade, no interior e nas periferias urbanas, só 104 não aproveitaram a oportunidade – embora possam fazê-lo a partir de 15 de agosto. O número corresponde a 92% de cobertura e permitirá reduzir virtualmente a zero o número de municípios brasileiros que não contam com um médico sequer. Hoje, 15% deles não nenhum médico.

A tão alardeada “invasão estrangeira” de médicos, com aquele “blá-blá-blá” de que não se entenderia o que os pacientes falavam e não poderiam se comunicar com eles virou pó e se reduziu ao que era: desculpa esfarrapada para um corporativismo mesquinho.

Só 10,4% dos inscritos se formaram no exterior, em 61 países. Entre eles, claro, há um grande número de brasileiros.

E mesmo estes formados no exterior – e, atrás deles, os estrangeiros – ficam no final da fila e só vão ser aproveitados nos lugares onde médicos brasileiros não queiram mesmo ir.

Pelas regras do Ministério da Saúde, os médicos terão até domingo para “indicar seis opções de cidades, entre as 3.511 participantes, onde desejam trabalhar. Nesta lista, eles apontarão, em ordem de preferência, uma opção entre cada dos seguintes grupos: capital; município de região metropolitana; bloco de 100 municípios mais populosos e de maior vulnerabilidade social; cidades cujo índice de extrema pobreza supera 20% de sua população; e distritos sanitários indígenas. A sexta opção estará entre as cidades que não estão nestes perfis”.

Não há nada de autoritário nisso e muito menos de atirar o médico em um casebre imundo, esperando que ele seja Deus e cure. Nove entre dez dos municípios prioritários já estão inscritos nos programas de qualificação das Unidades de Saúde e o médico designado para lá será, também, um agente importante na boa aplicação dos recursos.

Entre os médicos, o farisaísmo perdeu. Os médicos e o povão venceram. Espera-se que na Justiça, para onde apelaram, o resultado seja o mesmo. Até porque os senhores juízes sabem que, no início de carreira, são designados para as comarcas do interiorzão e não podem de lá sair antes de um bom tempo, porque a população não pode ficar sem Justiça, mesmo capenga como ela é.

Que dirá, então, sem saúde, não é?

***

Leia também:

Comportamento de coxinhas paulistanos é tema de análise sociológica

Manual de Ouro do Manifestante Idiota

Dicas para não pagar mico em tempo de manifestações

A revolução dos coxinhas e seus estranhos amigos

O futuro dos coxinhas do Leblon e dos Jardins

Neofascismo coxinha tenta virar ideologia

Lewandowski confirma validade do Programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos: O farisaísmo perdeu

***

Chamem os garis: Boris Casoy ataca novamente

27 de junho de 2013

Boris_Casoy08_OutDoor

Fernando Brito, via Tijolaço

Não é recomendável, para quem não tem estômago forte, assistir o vídeo abaixo. Boris Casoy, cujo amor ao povo brasileiro foi bem expressado em seu comentário sobre os garis, esmera-se em caras e bocas contorcidas para atacar a proposta de reforma política do governo Dilma Rousseff.

Sem contraditório e usando uma concessão pública, Boris chega a dizer, sobre a destinação dos royalties do petróleo à educação, que estes virão de um “pré-sal que ninguém conhece” e que pode “demorar dez anos, pelo menos, para render dividendos”.

Não é falta de informação, não. É ódio, que transparece no rosto e na forma grosseira e debochada que sua face não esconde. Em outros tempos e contexto, lembra o gestual do Dr. Strangelove do filme de Stanley Kubrick.

Seria melhor que os garis, do alto de suas vassouras, comentassem em lugar de Casoy. Não ia ser tão “artístico”, mas certamente iria ser bem mais equilibrado.

Estudo da Secom comprova concentração das verbas publicitárias oficiais

26 de abril de 2013

PIG_Porquinhos

A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) tem defendido que se estabeleça como política a destinação de 30% das verbas publicitárias públicas às pequenas empresas de comunicação, em uma iniciativa similar à preferência dada pelo sistema da merenda escolar aos pequenos produtores agrícolas.

Via Carta Maior

A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) divulgou na terça-feira, dia 23, uma nota oficial se posicionando sobre artigo divulgado por Roberto Bocorny Messias, secretário executivo da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, sobre o destino das verbas publicitárias do governo federal. Leia a íntegra:

Estudo da Secom comprova concentração das verbas nos grandes veículos

A Secretaria da Comunicação (Secom) da Presidência da República, responsável pelo investimento publicitário das verbas do governo federal, autarquias e empresas estatais, publicou texto assinado pelo seu secretário questionando críticas realizadas por pequenas empresas de comunicação e empreendedores individuais, entre eles blogueiros, acerca de seus critérios.

A Altercom como entidade tem defendido os interesses de sua base e proposto entre outros pontos que se estabeleça como política a destinação de 30% das verbas publicitárias às pequenas empresas de comunicação. Prática adotada em outros setores da economia, como na compra de alimentos para a merenda escolar. E também em outros países onde a pluralidade informativa é obrigação do Estado, inclusive do ponto de vista do financiamento.

Em nome da qualidade do debate democrático, a Altercom utilizará os números do estudo divulgado pela Secom para defender sua tese de que a política atual do governo federal está fortalecendo os conglomerados midiáticos, não garante a pluralidade informativa e mais do que isso não reflete os hábitos de consumo de comunicação e informação do brasileiro. Tem como única referência os parâmetros das grandes agências de publicidade e seu sistema de remuneração onde o principal elemento é a Bonificação por Volume (BV).

A partir disso, seguem algumas observações que têm por base os números do estudo publicado e assinado pelo secretário executivo da Secom.

● Em 2000, ainda no governo FHC, o meio televisão representava 54,5% da verba total de publicidade que era de R$1,239 bilhão. Em 2012, esse percentual cresceu para 62,63% de uma verba de R$1,797 bilhão. Ou seja, houve concentração de verba em tevê mesmo com a queda de audiência do meio e o fortalecimento da internet.

● Em 2011, os grandes portais receberam 38,93% das verbas totais de internet. Em 2012, os grandes portais passaram a receber 48,57% deste volume. Mesmo com a ampliação da diversidade na rede a Secom preferiu a concentração de recursos.

● Também de 2011 para 2012, a Rede Globo aumentou sua participação no share de tevês. Saiu de 41,91% em 2011 para 43,98% no ano passado.

● Se a Secom utilizasse como base o que a TV Globo recebeu de sua verba total ano a ano, o resultado seria desprezível do ponto de vista da desconcentração como defendido a partir do estudo. Em 2000, a TV Globo teve 29,8% do total da verba da Secom e em 2012 esse percentual foi de 27,5%. Neste número não estão incluídas as verbas para tevê fechada, que eram de 2,95% em 2000 e passaram para 10,03% do total do meio tevê em 2012. Nesse segmento, provavelmente a maior parte dos recursos também vai para veículos das Organizações Globo que ainda tem expressivos percentuais dos recursos para jornais, rádios, revistas, portais etc.

● Utilizando os dados da Secom também é possível chegar à conclusão de que, em 2000, a TV Globo ficava com aproximadamente R$370 milhões das verbas totais de publicidade do governo federal. Em 2012, esse valor passou a ser de aproximadamente R$495 milhões.

● O secretário executivo da Secom também afirma que houve ampliação do número de veículos programados de 2000 para 2012, o que a Altercom reconhece como um fato. Essa ampliação foi significativa, mas no texto não é informado qual a porcentagem do valor total destinado a esses veículos que antes não eram programados.

● Por fim, no estudo o secretário parece defender apenas o critério da audiência quantitativa como referência para programação de mídia. Sendo que a legislação atual não restringe a distribuição das verbas de mídia ao critério exclusivo de quantidade de pessoas atingidas. Aponta, por exemplo, a segmentação do público receptor da informação e o objetivo do alcance da publicidade, entre outras questões. E é notório também que a distribuição dos recursos deve considerar a qualidade do veículo programado e sua reputação editorial.

Considerando que a Secom está disposta ao diálogo, o que é bom para o processo democrático, a Altercom solicita publicamente e por pedido de informação que será protocolado com base na legislação vigente, os seguintes dados.

● A lista dos investimentos em todas as empresas da Organização Globo no período do estudo apresentado pela Secom (2000 a 2012).

● O número de veículos programados pela Secom ano a ano no período do estudo (2000 a 2012).

● Quanto foi investido por cada órgão da administração direta e indireta no período do estudo (2000 a 2012).

● Quais foram os dez veículos que mais receberam verbas publicitárias em cada órgão da administração direta e indireta em cada meio (tevê, rádio, jornais, revistas, internet etc.) no período do estudo (2000 a 2012).

● A curva ABC dos veículos e investimentos realizados pela Secom. Ou seja, o percentual de verbas aplicado nos dez maiores veículos, nos 100 maiores e nos demais no período de 2000 a 2012.

● O que justifica do ponto de vista dos hábitos de consumo da comunicação a ampliação do percentual de verbas publicitárias de 2000 para 2012 no meio tevê.

● O sistema e o critério de classificação e ranqueamento que estaria sendo utilizado pela Secom para programação de mídia.

A Altercom tem outras ponderações a fazer a partir do estudo apresentado, mas confiando na postura democrática da atual gestão avalia que os pontos aqui levantados já são suficientes para que o debate seja feito em outro patamar.

Reafirmamos nossa posição de que a distribuição das verbas publicitárias governamentais não pode atender apenas a lógica mercadista. Elas precisam ser referenciadas nos artigos da Constituição Federal que apontam que o Estado brasileiro deve promover a diversidade e a pluralidade informativa.

A Altercom também reafirma sua sugestão de que a Secom deveria adotar o percentual de 30% das verbas publicitárias para os pequenos veículos de informação, o que fortaleceria toda a cadeia produtiva do setor da comunicação e colocaria o Brasil num outro patamar democrático, possibilitando o fortalecimento e o surgimento de novas empresas e veículos neste segmento fundamental numa sociedade informacional.

São Paulo, 22 de abril de 2013

Leandro Fortes: Publicidade governamental, um caso de crime de responsabilidade?

25 de abril de 2013

Regulacao_Midia03O mecanismo perverso injeta milhões nos oligopólios de mídia que se sustentam de dinheiro público, mas não prestam serviço à sociedade.

Leandro Fortes, via Carta Capital

Depois da popularização da internet, a partir de 1996, essa história de “mídia técnica” baseada em audiência faz tanto sentido como a obrigação de as empresas publicarem seus balanços anuais em jornais impressos: nenhum.

O problema é que tem muita cabeça velha tratando de coisas novas, e não apenas no governo federal. A audiência da internet é zilhões de vezes superior à da mídia tradicional, aí incluída a TV Globo, suas afiliadas, assemelhadas e assimiladas, país afora.

O que temos hoje é esse mecanismo perverso que injeta milhões de reais por ano nos oligopólios de mídia que se sustentam de dinheiro público, mas não prestam serviço algum à sociedade, justamente porque concentram seus interesses na defesa pura e simples do grande capital rentista e do latifúndio.

Isso significa que o governo do PT, com essa história de “mídia técnica”, tem financiado a mesma mídia que sataniza as ações assistenciais do governo, sabota os anseios populares e criminaliza os movimentos sociais. Isso em nome de uma liberdade de imprensa de viés golpista que é imposta pelos grupos de mídia como chantagem permanente ao Estado de direito, como se fosse a imprensa, e não as instituições nacionais, o verdadeiro guardião da cidadania.

A titubeante, confusa e deliberadamente evasiva posição do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em relação à discussão do marco regulatório das telecomunicações no Brasil é fruto, exatamente, dessa situação esdrúxula na qual os detentores do poder de decisão a favor da sociedade são os primeiros a se acovardarem ao primeiro sinal de insatisfação do Louro José.

As emissoras de tevê trabalham sob regime de concessão pública. O governo federal tem direito, por lei, a espaço gratuito durante a programação para veicular pronunciamentos oficiais e deveria usá-los com maior frequência, em vez de gastar bilhões em publicidade.

Essa situação já saiu do campo do ridículo e caminha, a passos largos, para a esfera do crime de responsabilidade.


%d blogueiros gostam disto: