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Agora vai: Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Marconi Perillo se unem contra o PT

29 de janeiro de 2014

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Os impolutos Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Marconi Perillo se encontraram para avaliar formação de uma possível chapa. Porém, os dois ex-governadores do Distrito Federal aguardam decisões judiciais para acertar posições na corrida eleitoral, pois são processados por roubo.

Helena Mader, via Correio Braziliense

Os ex-governadores do Distrito Federal Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR) se encontraram no sábado, dia 25, com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para tratar da formação de uma chapa unindo os dois caciques do DF. Eles também debateram estratégias para mobilizar os eleitores da região do Entorno. Apesar de não terem fechado nomes para a disputa majoritária, Roriz e Arruda reafirmaram que estarão juntos na disputa de outubro.

A reunião foi realizada em Goiânia, na residência de Perillo, que será candidato a reeleição. Os ex-governadores do Distrito Federal e o atual chefe do Palácio das Esmeraldas analisaram o cenário político goiano e também o da capital federal. Acertaram que vão caminhar juntos este ano. “O Marconi tem muita uma força política no Entorno, assim como Roriz e Arruda. É uma região estratégica e os três têm uma aliança histórica, que certamente se repetirá em 2014”, explica um aliado.

Depois de anos de rusgas, Arruda e Roriz se acertaram no fim de 2013 e prometeram caminhar juntos, apesar dos riscos de uma impugnação de candidatura. “Reiteramos nosso acordo para que o Arruda me apoie e, caso eu não seja candidato, para que eu o apoie”, disse o ex-governador Joaquim Roriz a interlocutores.

Arruda veio a Brasília para participar de uma audiência judicial, realizada ontem de manhã, e aproveitou para fazer reuniões políticas. Além do encontro com Roriz e Marconi no fim de semana, o ex-governador almoçou ontem com o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM). Mais uma vez, aproveitou para debater a formação de uma aliança de oposição ao governador Agnelo Queiroz (PT).

Segundo Fraga, Arruda e Roriz querem fechar a coligação até março. Os nomes da disputa majoritária só serão definidos depois da realização de uma “pesquisa isenta”. “O mais importante é a união do Roriz e do Arruda, todos os outros têm que seguir em volta deles. Os dois são as maiores lideranças desta cidade. Quem disser que é candidato de si mesmo está equivocado”, comenta o ex-deputado federal do DEM. “Se Roriz for candidato, o Arruda vai apoiá-lo. Se não, o Roriz vai apoiar o Arruda. Se nenhum dos dois decidir disputar, eles vão escolher juntos o nome do candidato. Até março, essa chapa estará pronta”, acrescenta Alberto Fraga, cotado para ser candidato ao Senado ou à Câmara dos Deputados. Nomes da família Roriz também podem aparecer na corrida.

Advogado diz que Demóstenes Torres o ameaçou de morte

27 de janeiro de 2014
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Depois de ameaçar o advogado, Demóstenes dá um rolezinho em Florença com sua namorada.

Lourdes Souza

O ex-senador Demóstenes Torres é acusado de ameaçar de morte e tentar agredir fisicamente um advogado de Goiás. O caso foi registrado em termo circunstanciado de ocorrência (TCO), na 4ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia, em 19 de dezembro.

Neilton Cruvinel, autor da denúncia, afirmou que Demóstenes o ameaçou de morte e degola durante reunião ocorrida no apartamento do ex-senador, no setor Oeste, em Goiânia, no dia 13 de dezembro. No TCO, o advogado relata que Carlos Cachoeira e o empresário e tabelião Maurício Sampaio, que responde processo por mandar matar o radialista goiano Valério Luiz, estavam presentes no encontro.

Cruvinel conta que chegou ao apartamento de Demóstenes, que estava alterado e o agrediu verbalmente e tentou atacá-lo fisicamente. As desavenças teriam começado quando os dois frustraram um projeto de montar um escritório de advocacia juntos. Desde então, segundo o advogado, o ex-senador começou a agir de forma dissimulada e a fomentar intrigas.

Ele diz que logo no início da reunião Demóstenes começou a xingá-lo, dizendo que tinha feito intrigas, e o acusou de ter dito a várias pessoas que o escritório de advocacia não seria só deles, mas também de Cachoeira. O ex-senador teria tentado agredi-lo fisicamente e foi contido por Cachoeira e Sampaio.

O advogado afirma que a discussão esquentou e Cachoeira saiu do apartamento. Com medo das ameaças, ele diz que pediu ajuda a Maurício Sampaio para deixar o apartamento e foi perseguido por Demóstenes até o elevador, quando o ex-parlamentar teria dito que iria degolá-lo.

Para a polícia, Cruvinel disse que não tinha como deixar de relatar essa ameaça porque sabia que era real e que Demóstenes planeja atentar contra sua vida.

No TCO, ele relata ainda que problemas financeiros entre ele e o tabelião Maurício Sampaio começaram a ser usados por Demóstenes para fomentar intrigas. Segundo ele, que era sócio de Sampaio em uma rádio e jornal de Goiânia até o final do ano passado, o ex-senador começou a espalhar que o tabelião estaria descontente com os acordos destes negócios e poderia até matá-lo.

As informações repassadas por Cruvinel sugerem que o controle da rádio e do jornal despertava interesse em Demóstenes e Cachoeira. Há informações extraoficiais de que o ex-senador também tinha participação paralela no acordo.

O delegado adjunto da 4ª Delegacia Distrital de Goiânia, Everaldo Vogado da Silva, disse que a investigação está parada por causa das férias da delegada titular Edilma Freitas, a responsável pelo caso.

Segundo ele, as apurações devem ser retomadas em fevereiro, quando um ofício será enviado à Procuradoria do Ministério Público de Goiás (MP/GO) informando sobre o teor do TCO e convocando o ex-senador, que é procurador de Justiça do MP/GO e está suspenso do cargo, para prestar esclarecimentos.

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Leandro Fortes: O ditador Marconi Perillo

20 de agosto de 2013

Marconi_Perillo09Governador utiliza a Justiça de Goiás para calar a verdade.

Leandro Fortes, via Carta Capital

A principal voz da oposição na Assembleia Legislativa de Goiás foi calada pelo judiciário local por influência e força do governador Marconi Perillo, do PSDB. Em 7 de agosto, o juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível de Goiânia, concedeu liminar determinando que o deputado estadual Mauro Rubem (PT) retire das redes sociais qualquer menção à reportagem de CartaCapital publicada em abril, sobre a central de grampos ilegais montada para atender aos interesses políticos e pessoais de Perillo.

No Twitter, logo depois da publicação da reportagem, o parlamentar havia escrito: “Com a central de grampos montada por Marconi Perillo, o ciclo da quadrilha de Marconi e Cachoeira se fecha”.

O processo foi protocolado em 11 de junho, a decisão liminar foi dada em 12 de julho, mas o deputado só foi notificado há 15 dias. Segundo o deputado, como não houve sequer intimação judicial, tudo correu à revelia, sem direito de defesa.

No processo, o governador alega que o parlamentar o acusa sem provas de formação de quadrilha com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Por causa da sentença, o deputado está proibido de “fazer uso das redes sociais para manifestar comentários injuriosos, difamatórios e caluniosos contra Perillo.”

Na prática, Mauro Rubem, que tem direito a imunidade parlamentar, está sob censura prévia decretada pela Justiça goiana para proteger o governador e, assim, reduzir os danos políticos das denúncias de envolvimento com o jogo do bicho, corrupção e escutas ilegais. Rubem, no entanto, não é a única vítima da sanha judicial de Perillo.

Ao todo, o governador abriu 50 processos contra adversários nos últimos três anos, dos quais 16 atingem profissionais de imprensa e veículos de comunicação, entre os quais CartaCapital. A revista revelou, há seis meses, a existência de uma central de grampos operada por um hacker de codinome “Mr. Magoo” sob a coordenação de dois radialistas subordinados a Perillo, o casal Luiz Aquino e Eni Gama.

A dupla grampeava adversários e aliados do governador, invadia contas de redes sociais e criava perfis falsos para atuar em favor do chefe na internet. A reportagem, certamente, serviu para piorar os índices de popularidade de Perillo, que já não são bons desde que suas relações com o jogo do bicho foram expostas na malfadada CPI do Cachoeira, em 2012.

De acordo com os resultados da última pesquisa encomendada ao Ibope pela CNI, em 25 de julho, Perillo tem apenas 21% de aprovação popular, e 38% de rejeição. É os segundo pior governador do País, perde apenas para Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro.

As causas são muitas, mas todas giram em torno da velha amizade que mantém, agora às escondidas, com Cachoeira, o contraventor que nomeou secretários e comprou uma casa de Perillo num condomínio de luxo, em Goiânia, onde, aliás, foi preso no ano passado pela Polícia Federal.

A solução encontrada pelo governador, portanto, foi usar o Judiciário do estado para intimidar a oposição. Perillo deu início a esse expediente ao processar o ex-governador Iris Rezende, do PMDB, ainda a principal liderança do estado. Na campanha de 2010, Rezende acusou Perillo de “irresponsável” e de buscar “tapear o leitor com repercussão de versões”.

Para que o processo de difamação e calúnia não seguisse adiante, o peemedebista aceitou retratar-se, em nota, do tratamento dado ao tucano. Essa vitória deixou Perillo confiante.

Partiu, então, para seus alvos preferenciais, os jornalistas que ousaram criticá-lo, como o comentarista esportivo Jorge Kajuru.

Em um programa de televisão, Kajuru acusou Perillo de ter ordenado o espancamento e o estupro de sua mulher, razão pela qual alega ter saído de Goiás, onde mantinha uma emissora de rádio. Responde, atualmente, a três processos impetrados pelo governador.

No ano passado, a jornalista Lênia Soares, do site Diário de Goiás, foi instada a se retratar por ter reproduzido nas redes sociais denúncias contra Perillo, mas recusou-se a fazê-lo. Continua, portanto, na mira do governador do PSDB.

Aos 23 anos, Lênia virou um símbolo da luta pela liberdade de expressão no estado. Uma fotomontagem da repórter com a boca tapada pela mão do tucano passou a ser estampada em passeatas do movimento “Fora Marconi”, iniciado durante a CPI do Cachoeira.

“É a velha tentativa de se tornar vítima do processo democrático. Não cola mais. Processar jornalistas como forma de intimidação não funciona”, avalia Lênia.

“Daqui a pouco, vamos ter de criar uma associação de perseguidos políticos por Marconi em Goiás”, ironiza o deputado Mauro Rubem.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, o petista espera uma decisão do Superior Tribunal de Justiça favorável à federalização de diversos crimes praticados pelo aparato policial comandado por Marconi Perillo.

Atualmente, há 43 pessoas desaparecidas no estado após abordagem policial, além de 30 moradores de rua assassinados misteriosamente na capital, Goiânia, apenas este ano.

“O governador tem muitas razões para tentar calar a oposição”, explica o parlamentar.

Na próxima semana, Mauro Rubem vai acionar a seção estadual da OAB para que os casos de censura judicial sejam analisados do ponto de vista do cerceamento da liberdade de expressão no estado. Isso porque cidadãos comuns também estão sendo perseguidos na Justiça por Perillo.

É o caso do estudante Caius Brandão, de Goiânia, processado pelo governador por ter compartilhado no Facebook a matéria de CartaCapital sobre a central de grampos. Perillo pede 100 mil reais a Brandão, cuja única fonte de renda é uma bolsa de mestrado em Filosofia Política na Universidade Federal de Goiás. “O governador instaurou uma política de criminalização dos movimentos de resistência popular e de judicialização da opinião”, reclama Brandão.

Leandro Fortes: Te cuida, Perillo! Cachoeira pode abrir o bico.

11 de junho de 2013
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O bicheiro saiu em defesa de sua amada.

Leandro Fortes, via Facebook

Em um estado onde o chefe do crime organizado tem uma coluna de jornal, coisa assim era mesmo de se esperar.

Em sua coluna de hoje [11/6] no Diário da Manhã, de Goiânia, o bicheiro Carlinhos Cachoeira avisa ao governador de Goiás, Marconi Perillo, que vai contar tudo o que sabe sobre a bandidagem instalada (aliás, por ele mesmo) dentro do governo local do PSDB.

A assessoria de Perillo, comandada por João Bosco Bittencourt, caiu na esparrela de informar a um repórter de O Popular, que Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, entrou de penetra em uma festa no Palácio das Esmeraldas.

Se o bicheiro abrir a boca, vai ser um deus-nos-acuda em Goiás e na sucursal da Veja, em Brasília.

Leia aqui o texto “A verdade sem mentiras”, do bicheiro.

Leandro Fortes: Em Goiás, os arapongas se bicam

18 de maio de 2013
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A pedido de Cachoeira, Disanto (esq.) faz a contra-arapongagem na arapongagem do governo Perillo. Tutti buona gente.

Em Goiás, a espionagem cruzada entre a turma de Marconi Perillo e o grupo de Carlos Cachoeira.

Leandro Fortes, via CartaCapital e lido no Diário do Goiás

A central de grampos montada para beneficiar o governador de Goiás, Marconi Perillo, revelado há um mês por CartaCapital, não é a única ação clandestina em funcionamento no estado. A arapongagem tornou-se tão comum em terras goianas que ninguém mais sabe quem está a serviço de quem. Trata-se de prova inequívoca da existência de um novo modelo de delinquência, o crime desorganizado. As evidências constam de uma nova troca de mensagens descobertas na esteira das investigações do escândalo: o esquema montado pelos radialistas Luiz Gama e Eni Aquino, com o apoio crucial do hacker conhecido como “Mr. Magoo”, foi descoberto por espiões a serviço do bicheiro Carlos Cachoeira. Resultado: os grampeadores Gama e Aquino acabaram grampeados.

A tramoia nonsense pode ser acompanhada pelas mensagens diretas de Twitter e de e-mail vazadas por “Mr. Magoo”. Tudo começa em setembro de 2012, quando arapongas ligados a um empresário italiano radicado em Goiânia, Nazir Ângelo Disanto, amigo de Cachoeira, ao descobrir o esquema, cobram explicações dos radialistas.

Antes, um breve histórico. Em junho do ano passado, em sessão na CPI do Cachoeira, Perillo respondeu a uma pergunta do deputado federal carioca Miro Teixeira. O parlamentar queria saber se o governador conhecia Disanto. “Não”, foi a resposta. Estranho. O grupo Perlatenda, do italiano, fornece equipamentos médicos para o Hospital de Urgências de Goiânia, administrado pela Organização das Voluntárias de Goiás, entidade presidida pela primeira-dama Valéria Perillo. Além disso, Disanto é sócio de Cachoeira e do empresário Walter Paulo Santiago no Jóquei Clube de Goiânia. Santiago, dono da Faculdade Padrão, intermediou a venda de uma casa do governador para Cachoeira (a mesma onde o bicheiro foi preso pela Polícia Federal em fevereiro do ano passado). Fica difícil imaginar que os dois não se conhecessem, ao menos de vista. A capital de Goiás não chega a ser uma metrópole e contam-se nos dedos os eventos sociais frequentados pela “elite” local.

“O Exmo. Governador tem o dever de em primeiro lugar cuidar do estado. Não precisava desgastar-se por um simples e humilde ignoto. Aprendi um ditado no Brasil: Manda quem tem poder, obedece quem tem juízo”, escreveu de forma enigmática o empresário italiano, no mesmo dia, em sua conta no Twitter.

Acusado de comercializar ilegalmente aparelhos de grampo, Disanto é velho conhecido da Polícia Federal. Ele é citado em várias conversas de Cachoeira interceptadas durante a Operação Monte Carlo. Em um dos diálogos captados, em 20 de maio de 2011, entre o vereador de Goiânia Santana Gomes (PMDB) e Cachoeira, o italiano é descrito como personagem influente no governo goiano. Teria sido, por exemplo, responsável pela nomeação de João Furtado, então secretário estadual de Segurança Pública e hoje chefe de gabinete de Perillo. Gomes garantiu ao bicheiro: o empresário havia doado R$8 milhões para a campanha do tucano em 2010. Aparentemente, Disanto não sabia da existência de outra central clandestina de grampos no estado. Os dois esquemas se cruzaram por acaso, em setembro de 2012, quando um hacker a serviço do empresário percebeu uma tentativa de invasão de seu perfil no Twitter. Era “Mr. Magoo”, de olho em uma encomenda de Gama e Aquino: recolher o máximo de informações de um certo @Opoltico.

Em 20 de outubro, Gama iniciou uma troca desesperada de mensagens com “Mr. Magoo” a respeito. Dias antes, ele recebera por e-mail um pacote completo de suas mensagens reservadas trocadas com o hacker, sinal de que alguém havia invadido seus computadores e roubado todas as informações sobre o funcionamento da central de grampos montada para beneficiar Perillo. Segundo Gama, as mensagens lhe foram repassadas por alguém chamado Joaquim, servidor do Palácio das Esmeraldas supostamente responsável pela manutenção dos notebooks do gabinete do governador. A fonte original das informações, contudo, era outro hacker, o cinegrafista Luiz Cláudio Cavalcante, conhecido no Twitter pelo perfil @Opoltico.

Cavalcante é funcionário da Agência Goiana de Comunicação, órgão responsável pelos pagamentos iniciais da central de grampos, de acordo com diversas mensagens trocadas entre Gama, Aquino e “Mr. Magoo”. Recentemente, foi cedido à emissora de tevê da Assembleia Legislativa de Goiás. Ocupa ainda o cargo de assessor do vereador Paulo Magalhães, do PV de Goiânia. Segundo Gama afirma em suas mensagens, o verdadeiro ofício de @Opoltico é atuar como hacker a serviço de Disanto, a quem o radialista costuma chamar de “israelita rei da espionagem” (ele confunde a nacionalidade do empresário).

“Esse Luiz [Cláudio Cavalcante, @Opoltico] é amigão do Dr. Nazir”, explica Gama a “Mr. Magoo”. “Esse Nazir é de Israel e tem equipamento até do inferno. Ele contrata os melhores hackers do Brasil, sempre”, completa o radialista, em seu estilo inconfundível. Em seguida, pede a “Mr. Magoo” a invasão do perfil @Opoltico e a busca de informações sobre o real conhecimento de Cavalcante a respeito do esquema. Solicita adicionalmente um grampo no telefone de Joaquim, o servidor público. “Tem alguma coisa errada! O Joaquim está recebendo todas as DMs (Direct Messages do Twitter) que você fala comigo. Aí é brincadeira!”, revolta-se o grampeador grampeado.

O esquema de Gama havia sido descoberto pela turma de Disanto no feriado de 7 de setembro. Pelo Twitter, @Opoltico pediu ao radialista, em tom de ironia, para o “competente Mr. Magoo” deixá-lo em paz. Segundo Cavalcante, apenas naquele dia o hacker da grampolândia de Perillo havia tentado invadir seu perfil 12 vezes. “Ai, que canseira, viu?”, lamenta-se o cinegrafista em uma das mensagens.

Pego de surpresa, Gama tentou desmentir. “Deve ser outra galera que está tentando te invadir”, mente, na troca de mensagens com Cavalcante. “A nossa turma fez curso com os caras da PF. Serviço de inteligência agora tá 10”, justifica-se. O araponga de Disanto não se faz de rogado e ignora a desculpa do radialista. “Vi um e-mail com nomes. E lá constava meu perfil”, esclarece, antes de se despedir.

Preocupado com a possibilidade de vazamento das mensagens hackeadas por Cavalcante, Gama e Aquino montaram uma salvaguarda de fachada. No início de novembro, o radialista grampeador ensaiou uma queixa na Polícia Civil de Goiás: reclamou de um suposto grampo contra ele. Nada foi apurado, claro. A Secretaria de Segurança estava sob o comando do delegado Joaquim Mesquita, ex-superintendente da Polícia Federal em Goiás. O fato parece ter redobrado o ânimo da equipe de arapongas de Perillo.

Deduz-se, por várias mensagens trocadas entre o casal e Mr. Magoo, que a chegada de Mesquita ao governo, em outubro de 2012, deu à grampolândia um suporte institucional poderoso. Em uma conversa com o hacker, no fim de outubro, Aquino afirma ter ordenado à polícia goiana uma investigação dos suspeitos de terem invadido e vazado informações do computador pessoal do marido, entre eles um assessor de Perillo, Elaino Garcia. “Agora ficou mais fácil, é só eu colocar a polícia para quebrar o sigilo telefônico”, avisa a radialista, por e-mail, a Mr. Magoo.

Na Assembleia Legislativa de Goiás, a iniciativa do deputado petista Mauro Rubem de instalar uma CPI para apurar os grampos foi atropelada pelos governistas, maioria absoluta no Parlamento goiano. Um aliado de Perillo, o deputado tucano Marcos Martins, ex-diretor da Polícia Civil do Estado, adiantou-se e protocolou antes o pedido de instalação da comissão. Martins chegou a ser mencionado no relatório final da Operação Monte Carlo. Seria um dos delegados a soldo de Cachoeira em Goiás. Ou seja, a CPI vai sair, mas totalmente controlada pelo governador e por um grupo interessado em enterrar a investigação.

Cavalcante não atendeu aos pedidos de entrevista. Nem o empresário Disanto.

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