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Papo de bêbado: Lech Walesa diz que minoria gay “persegue e castiga” heterossexuais

27 de março de 2013

Lech_Walesa01O ex-presidente da Polônia precisa parar de beber. Depois reclama de perder US$70 mil.

Via EFE

O prêmio Nobel da Paz e ex-presidente polonês Lech Walesa (foto) disse na terça-feira, dia 26, que suas opiniões sobre a homossexualidade levaram ao cancelamento de suas duas conferências nos Estados Unidos, o que demonstra que a minoria gay é “efetiva” e “persegue e castiga a maioria”.

Walesa, considerado o herói na luta contra o comunismo e símbolo da chegada da democracia à Polônia, disse há algumas semanas que os homossexuais “deveriam se sentar na última fila do Parlamento ou até mesmo atrás de um muro”, e não pretender impor suas posturas minoritárias frente à maioria da população.

Em entrevista à emissora RMF, Walesa lamentou que as declarações tenham levado ao cancelamento de duas conferências nos Estados Unidos e que ele tenha deixado de ganhar US$70 mil.

O político se considera uma “vítima” do “lobby gay”, que acusa de “usar sua influência diretamente” contra ele e de ser uma força que se baseia “na dor e no ressentimento”.

Após as declarações polêmicas, várias organizações de gays e lésbicas o acusaram de ser um inimigo das minorias, de representar a extrema direita e de ser um antidemocrata.

“Têm de fazer alarde [de sua tendência sexual] diante da maioria?”, questionou novamente o político polonês, se referindo à parada anual do orgulho gay em Varsóvia e outras cidades do mundo.

“Deveriam ser recatados, se fechar a sua intimidade, não mostrar [sua sexualidade]”, queixava-se o ex-líder do Solidariedade.

A Polônia é um dos países mais conservadores e católicos da Europa, embora, paradoxalmente, seu Parlamento tenha um deputado abertamente homossexual, Robert Biedron, e um parlamentar transexual, Anna Grodzka, ambos do partido anticlerical Movimento Palikot.

Lech Walesa, que tem oito filhos e é reconhecidamente um católico praticante [e bêbado assumido], foi o primeiro presidente da Polônia democrática e suas opiniões ainda são referência entre grande parte da sociedade polonesa.

Duas histórias sobre “cura gay”

9 de fevereiro de 2013

Um pastor e um terapeuta, que diziam curar gays, são condenados por abuso sexual.

Alex Processo

1ª HISTÓRIA

Pastor_ Aubrey_Levin01

Terapeuta que dizia curar gays é condenado por abusar sexualmente de homens

6/2/2013

O médico-terapeuta Aubrey Levin (foto), de 74 anos, que se dizia capaz de “curar” gays, foi condenado a cinco anos de prisão por ter molestado três homens no Canadá. A decisão foi dada na semana passada pela juíza Donna Shelley, da Corte Superior do Canadá.

“Os pacientes vieram lhe pedir ajuda a seus problemas. Em vez disso, você acrescentou mais problemas”, disse a juíza na sentença.

Ao todo, Levin recebeu nove acusações de homens por assédio sexual. Os crimes teriam acontecido entre 1999 e 2010. O júri o absolveu de duas e não conseguiu chegar a um veredito sobre as outras quatro vítimas.

“Doutor Levin, sabendo das muitas vulnerabilidades dessas vítimas, empregou uma estratégia que lhe daria a oportunidade de abusar sexualmente de seus pacientes”, completou a juíza.

O terapeuta perdeu a sua licença em 2010, quando um ex-paciente levou imagens gravadas secretamente à Justiça. No vídeo, Levin abre as calças do paciente e começa a acariciar seu órgão genital. O paciente disse que havia procurado as autoridades para relatar o caso, mas que ninguém acreditou em sua história, por isso, resolveu usar a câmera escondida.

2ª HISTÓRIA

Pastor_Ryan_Muehlhauser01Pastor que fazia terapia para “cura gay” é preso acusado de abusar sexualmente de dois homens

9/11/2012

Um pastor de Minnesota (EUA) foi preso e acusado de abusar sexualmente de dois homens durante sessões de “aconselhamento para se libertar de tendências homossexuais”.

O reverendo Ryan J. Muehlhauser, pastor de uma igreja em Cambridge, Minnesota, responde a oito acusações criminais por abuso sexual de rapazes que passavam pela “terapia” indicada pelo pastor. Ele pode pegar até dez anos de prisão por cada um dos crimes e pagar milhares de dólares em multas.

Muehlhauser foi preso em 4 de novembro, mas foi formalmente acusado dos crimes de abuso sexual nesta terça-feira (6) no tribunal do condado de Isanti, em Cambridge, Minnesota, segundo o jornal Daily Mail.

Nas sessões, o pastor da igreja cristã de Lakeside pedia para os rapazes se despirem e se masturbarem em sua frente. Em alguns casos, o pastor segurava o genital de seus clientes, dizendo que o contato era uma forma de “bênção”.

Os abusos teriam ocorrido em datas diferentes, em um deles entre outubro de 2010 a outubro de 2012, e no outro cliente entre março e novembro deste ano. Uma das vítimas disse à polícia que continuou as sessões mesmo depois do abuso porque acreditava se tratar de um aconselhamento espiritual.

Muehlhauser trabalhava como conselheiro em uma organização que há 30 anos “aconselha homens e mulheres a fazer decisões para romper com a vida homossexual”. A igreja a qual era ligado, no entanto, divulgou nota contrária à prática.

“Como uma igreja, nós estamos profundamente tristes pela notícia de que comportamentos certamente inapropriados foram realizados durante sessões de aconselhamento por um dos nossos pastores, Ryan Muehlhauser”.

Muehlhauser atuou como pastor na igreja de Minnesota por 22 anos. Ele é casado e tem dois filhos.

PSDB apaga da mídia a existência de lideranças partidárias gays

30 de janeiro de 2013

Tucano_Diversidade

“Caso Anastasia” provoca revolta nos defensores da pluralidade sexual que denunciam o PSDB por apagar da mídia opção sexual de seus líderes.

Via Novojornal

Em pleno século 21, quando as liberdades e opções individuais são bandeiras de diversos partidos, inclusive do PSDB, onde sua maior liderança, o ex-presidente FHC, defende publicamente a descriminalização da maconha, outros temas são tratados como tabu e apagados da mídia.

Na última semana de dezembro de 2012, chegou à redação do Novojornal denúncia informando que, com a ajuda da grande mídia e por meio de decisões judiciais, o PSDB vem conseguindo, nos últimos anos, impedir que a população tome conhecimento real do que pensam e fazem suas lideranças em relação à sexualidade.

Nossa reportagem saiu a campo na procura de resposta para tão controverso tema e descobriu uma estrutura profissional atuando para o PSDB por intermédio de equipes de busca e análise das diversas mídias, das tradicionais imprensa escrita, falada e televisada, até as recentes mídias sociais.

De posse das informações, passam a agir agências de notícias e escritórios de advocacia especializados em conseguir decisões judiciais para que os “relutantes” sejam obrigados a retirar qualquer menção sobre a opção sexual de suas lideranças.

“O Caso Anastasia”, citado na denúncia recebida por Novojornal, foi comprovado. Anastasia, antes e durante seu mandato como vice-governador de Minas, na gestão de Aécio Neves, atuou como ativista ligado ao Movimento Gay de Minas (MGM), onde presidia e promovia ao lado de Oswaldo Braga, Danilo de Oliveira, dentre outros, o evento anti-homofobia, Rainbow Fest.

Isso constava na Wikipédia, que teve o texto modificado em poucas horas após tal fato ser abordado nas redes sociais. Seu nome foi removido da página principal de domínio do Movimento Homossexual Brasileiro na enciclopédia virtual, seção Minas Gerais.

Para quem não sabe, a Wikipédia tem a comunidade de moderadores mais forte da internet, o que resulta em uma análise antes que um artigo entre definitivamente no ar. O nome de Anastasia esteve muito tempo na página do grupo, o mais atuante de Minas. A explicação encontrada por Novojornal para retirada de seu nome foi que a remoção atendeu interesse do próprio movimento.

Porém, tal ação fora documentada por meio de imagens. Como podiam ser vistas antes da intervenção e como ficou após a remoção. Entretanto, o caso mais ruidoso envolvendo o governador de Minas Gerais diz respeito a ele ter sido escolhido por Waldir Leite para edição de 2010 dos Golden Gays.

Waldir Leite é escritor e jornalista. Trabalhou como roteirista de novelas na Globo e na Record. Foi repórter e editor do Jornal do Brasil, além de crítico literário do Caderno B, o suplemento de cultura do mesmo jornal. Atualmente assina um blog de cultura e comportamento com o seu nome.

Foi neste blog que ocorreu a intervenção que causou maior repercussão entre as ações do PSDB no intuito de apagar da mídia a opção sexual de Anastasia. Agora, ao consultar o blog não se encontra a lista contendo o nome de Anastasia.

Na matéria retirada, de acordo com Waldir Leite, autor da lista dos Golden Gays, que ocorre desde 2002, “o ex-militante gay Anastasia é apaixonado por Aécio Neves, a quem, entre os amigos mais íntimos, só se refere como ‘meu bofe’”.

Segundo Waldir Leite:

Os homens públicos que são gays têm mania de arrumar um casamento às pressas para disfarçar sua homossexualidade. Foi para disfarçar sua homossexualidade que Henrique Meirelles, o todo-poderoso da economia brasileira, casou-se em 2002 com a psiquiatra Eva Missini.

Banqueiro bem-sucedido no Brasil e nos Estados Unidos, em 2004 Meirelles decidiu seguir carreira política e concorreu ao cargo de deputado federal por Goiás onde foi eleito com votação recorde. Ciente de que era conhecido como gay em sua terra natal, onde já tinha dado muita pinta, sua primeira providência antes de concorrer ao pleito foi se casar.

Um casamento discreto, às pressas, em que os amigos que sempre frequentavam suas festas nem foram convidados. Um casamento de conveniência. Agora que se tornou uma estrela da política brasileira, Henrique Meirelles anda muito comedido. O chato de ser político é isso: o sujeito não pode ser ele mesmo. Não pode dar pinta. Não pode rodar a baiana. Não pode pegar bofes na sauna. É o preço que se paga. Mas na época em que era “apenas” presidente do Banco de Boston e uma das estrelas do mercado financeiro internacional Meirelles soltava a franga.

Rapazes bonitões de Goiás viviam lhe fazendo visitas íntimas na mansão em que morava em Boston. Sempre que podia o banqueiro vinha passar temporadas em São Paulo onde costumava dar festas de arromba, em que não faltavam champanhe e rapazes bonitos. Principalmente rapazes bonitos.

‘O Meirelles sempre foi uma bicha festeira. Suas festas marcaram época em São Paulo’, diz um velho amigo do banqueiro, figura assídua da sua lista de convidados. Emo seu aniversário, dia 31 de agosto, o presidente do Banco Central gostava de dar festas temáticas, onde muitas vezes costumava aparecer fantasiado, para deleite das bichas amigas.

Numa de suas festas mais famosas, denominada de Noite das Arábias, Henrique Meirelles apareceu fantasiado de Scherazade. Waal! Certamente nessa época ele ainda não tinha aspirações políticas.

E prossegue:

Presidente homossexual da República brasileira? De forma alguma! Afinal, não podemos esquecer Itamar Franco, que era uma doidivanas, uma maluca! O curioso é que Itamar foi vice de Fernando Collor, que também tem um prontuário gay. No livro escrito por Pedro Collor ele conta em detalhes o caso amoroso que o irmão Fernando teve com um certo coronel Dario, um militar que foi ajudante de ordens nos anos dourados da Casa da Dinda. Very sexy!

Collor também teve um envolvimento com o deputado Paulo Otávio. Mas a vida gay de Fernando Collor começou ainda na juventude, quando ele era um garotão sarado e cheio de tesão. Foi nessa época que o ‘caçador de marajás’ teve um romance com o costureiro francês Pierre Cardin, que foi a Alagoas acompanhar as filmagens de Joana, a francesa, filme de Cacá Diegues, estrelado por Jeanne Moreau.

Segundo Wandir Leite, na época, a estrela francesa era casada com Cardin. Pois bem. Enquanto La Moreau filmava com Cacá, Cardin se esbaldava com o adolescente Fernando Collor nos canaviais da periferia de Maceió. No livro de Pedro Collor ele também conta que seu irmão tinha um fetiche um tanto quanto gay: gostava de consumir cocaína por meio de supositário. Ui! Talvez por tudo isso Collor tenha sido o melhor presidente do Brasil pós-democracia.

Ao falar de gays na política brasileira não podemos esquecer jamais de Delfim Netto, a ministra da Fazenda que reinou absoluta na época do governo militar. Essa era uma danada! Tão danada que tinha um grupo de rapazes a seu dispor que eram conhecidos como os Delfim Boys. Os Delfim Boys eram garotões másculos e viris que a poderosa Delfim protegia e amava com todas as suas forças. Generosa, a ministra sempre cuidou para que o futuro de seus rapazes fosse promissor. Muito deles depois que abandonaram as asas protetoras de tia Delfim se tornaram ricos e poderosos, graças à influência da ministra protetora. Um dos mais famosos Delfim Boys era um segurança bonitão que Delfim, apaixonado, ajudou muito. Anos depois, quando saiu da michetagem, ele acabou se tornando um poderoso empresário. Em sociedade tudo se sabe!

A lista de bibas na política brasileira é extensa. Henrique Meirelles não é o único gay nascido em Goiás a se tornar uma celebridade da política nacional. Seu conterrâneo Maguito Vilella também sempre foi do babado. Como vemos, as meninas de Goiás são danadinhas! Representando Pernambuco temos o ex-governador e hoje senador Jarbas Vasconcelos. Esse tá sempre “namorando” misses e moças bonitas. Sua assessoria gosta de mostrá-lo como um machão pegador, mas lá em Pernambuco o que se conta é que ele gosta mesmo é de rapazes. Em Minas temos o nosso Aécio Neves, sempre muito namorador, mas que ostenta em seu currículo amoroso romances com outros homens. Que ótimo!”

Na vida privada do cidadão comum, suas opções religiosas, políticas e sexuais dizem respeito apenas a ele. Porém, ao homem público, a quem a sociedade delega pelo voto poderes para atuar com imparcialidade no combate ou na defesa de temas de extrema importância para suas vidas, estas opções devem ser de conhecimento público.

Após consultar sua assessoria jurídica e ouvir sociólogos, psicólogos e militantes que atuam no tema, o Novojornal concluiu que cabe a imprensa divulgar com independência estas opções, ressaltando que a competência, comportamento moral e ético do homem público não tem qualquer relação com sua opção sexual, religiosa e política.

Evidente que aqueles que privam da intimidade do homem público têm conhecimento de suas opções e ações, porém, como dito anteriormente, por meio de seus mandatos irão decidir sobre temas que refletem no futuro de todos.

Ao fecharmos esta matéria, como se a confirmar a atuação deste grupo, nossa reportagem teve acesso ao Acórdão da 16ª Turma do TJ/MG em ação movida por Danilo de Castro que pede que a justiça impeça que seu nome seja divulgado por Novojornal após publicação da transcrição de conversas gravadas pelo advogado J. Engler sobre sua opção sexual, de seu filho Rodrigo de Castro e do senador Aécio Neves.

A justificativa da 16ª Turma Cível foi:

“Sendo grosseiras, de mau gosto e de natureza duvidosa, as notícias veiculadas aos agravantes, pelos agravados, no site www.novojornal.com, estas desafiam reprimenda ainda que em caráter provisório, razão pela qual a tutela antecipada pretendida deve ser deferida.”

É inacreditável que o Poder Judiciário transformou-se em crítico literário e queira impor sua análise e interpretação crítica a sociedade por meio de decisões. Até pouco tempo a justiça analisava apenas a legalidade de uma prática. Informamos que a decisão não é definitiva e que Novojornal irá recorrer.

Documentos que fundamentam esta matéria

1ª Parte da publicação Wikipédia sobre Movimento Homossexual Brasileiro

2ª Parte da publicação Wikipédia sobre Movimento Homossexual Brasileiro contendo o nome de Anastasia.

3ª Parte da publicação Wikipédia sobre Movimento Homossexual Brasileiro após a retirada do nome de Anastasia.

Página do Blog de Waldir Leite, onde se encontrava a lista dos Golden Gays, contendo o nome de Anastasia.

1ª Transcrição das gravações feitas por J. Hengler relatando a opção sexual de Danilo de Castro e seu filho.

2ª Transcrição das gravações feitas por J. Hengler relatando a opção sexual do Senador Aécio Neves.

Acórdão do TJ/MG para impedir que Novojornal publique matéria sobre a opção sexual de Danilo de Castro.

Sem ter mais o que fazer, Ratzinger condena casamento gay em discurso de Natal

23 de dezembro de 2012

Papa_Cabeca_Coberta

O papa calado é um poeta nazista.

Via Associated Press

A rejeição do papa ao casamento gay tomou novos patamares na sexta-feira, dia 21. Bento 16 denunciou o que descreveu como pessoas que manipulam o gênero dado por Deus para adaptar suas opções sexuais, destruindo a “essência do ser humano” no processo. O líder religioso fez os comentários em seu discurso anual de Natal para os agentes administrativos do Vaticano, uma das falas mais importantes do ano, que ele dedicou neste ano à promoção dos valores familiares.

Durante o discurso, Bento citou o rabino chefe da França ao dizer que a campanha para conceder direitos de casamentos aos homossexuais era “um ataque” à família tradicional composta de pai, mãe e filhos. O papa também incluiu denúncias ao casamento entre pessoas do mesmo sexo em sua mensagem de paz divulgada recentemente, quando disse que o casamento gay, assim como o aborto e a eutanásia, era uma ameaça à paz mundial.

Bento 16 disse que a teoria dos gêneros, que “é apresentada como uma nova filosofia de sexualidade”, é uma “falácia”. Segundo ele, contém erros profundos ao negar que o homem nasce homem ou mulher, manipula a natureza e compromete a dignidade da família e dos homens.

O tema já havia gerado polêmica no início do ano, quando o papa afirmou que o casamento gay era “ameaça ao futuro da humanidade”. Na ocasião, ele havia afirmado que “políticas que sabotam a família ameaçam a dignidade e o futuro da própria humanidade”.

A revista Veja e a falácia da falsa discriminação

14 de novembro de 2012

Carlos Orsi em seu blog

Muita coisa já foi escrita sobre o artigo de J.R. Guzzo, publicado na edição desta semana da revista Veja, argumentando, em linhas gerais, que as estratégias e demandas do movimento gay acabam atraindo sobre os homossexuais exatamente o mesmo opróbrio e a mesma antipatia do público que o movimento deveria lutar para destruir.

Não há nada de obviamente errado (ou certo) nessa proposição. Supondo que Guzzo esteja correto, não seria a primeira vez que, no afã de combater uma injustiça, um grupo acaba perpetrando outras. Mas a proposição, em si, deve cair ou se sustentar com base em evidências (que o artigo não apresenta, exceto por um dois casos em que o adjetivo “homofóbico” parece ter sido usado de modo injusto) e argumentos, e é na parte argumentativa que eu gostaria de me concentrar, porque tenho a impressão de que o preclaro articulista inventou um novo tipo de falácia.

Quem acompanha o blog sabe que ciência, lógica e retórica são temas caros por aqui, então, antes de entrar na questão da falácia propriamente dita – que estou tentado a batizar de Vinculação de Veja ou, talvez, Gambito de Guzzo – uma palavrinha sobre a ciência do artigo: lá no começo, o autor cita, como exemplo da Lei das Consequências Indesejadas, a derivação das panelas antiaderentes a partir do Projeto Apollo. Bem, péssimo exemplo, porque falso. O teflon foi inventado em 1941, mais de 20 anos antes do primeiro desembarque na Lua. Na verdade, 20 anos antes de o governo dos EUA decidir mandar um homem à Lua. Um pecado menor, na publicação que deu ao mundo o boimate e a “solução final” para o enigma do Santo Sudário, mas que merece registro, ainda que breve.

Mas, à falácia. Defendendo a ideia de que o veto legal ao casamento de pessoas de mesmo sexo não configura discriminação, Guzzo sai-se com os seguintes exemplos:

Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias.

A mesma estrutura de, com o perdão da palavra, raciocínio se repete pouco mais adiante:

Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe. ou com uma irmã. filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime.

A rationale é, por fim, enunciada a seguir:

Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos?

As reações iradas ao artigo vêm se concentrando no grotesco das comparações – com pedofilia, bestialismo, incesto – mas há algo de perverso não apenas nos exemplos escolhidos, e sim na estrutura do pensamento. Vamos imaginar, por um momento, um clone de Guzzo escrevendo numa revista da Arábia Saudita contra alguns direitos que as mulheres da monarquia árabe vêm reivindicando, como o de guiar automóveis:

Mulheres se consideram discriminadas, por exemplo, por não poder dirigir. Mas a condução de veículos automotores não é um direito ilimitado – também são proibidas de dirigir pessoas embriagadas, menores de idade, deficientes visuais e reprovados em exame psicotécnico.

Ou, voltando ao início do século 20, vejamos um precursor de Guzzo argumentando que a proibição do voto feminino não é discriminatória:

Um homem também não pode votar numa cabra, por exemplo; pode até admirar suas políticas públicas, mas não pode votar.

Levando à mesma conclusão de 2012:

Que discriminação haveria contra elas, então, se o voto tem restrições para todos?

Creio que a estrutura da falácia já ficou bem clara. Ela consiste em argumentar que, se um grupo A sofre restrição no acesso a um bem ou direito que não é estendido de forma completa, absoluta e irrestrita aos demais setores da sociedade, não há razão para que o grupo A se considere discriminado. Ou, inversamente: só é legítimo denunciar como discriminatória uma restrição imposta a um determinado grupo A se apenas este grupo, e somente ele dentro de toda a sociedade, sofrer com a restrição.

A aceitação da falácia levaria à conclusão de que, num Estado confessional onde o exercício de cargos públicos fica restrito aos praticantes de uma determinada religião – digamos, o islamismo –, não existe discriminação contra cristãos porque, afinal, judeus, budistas e ateus também são proibidos de trabalhar para o governo. Não sei se a mesma direita cristã conservadora que tanto ama a revista Veja engoliria esta.

O Gambito de Guzzo tira seu tênue verniz de plausibilidade de uma manobra de naturalização da cultura – se é “normal” e “natural” que certas pessoas não tenham acesso a isto ou aquilo, do que é que elas estão reclamando? – e de uma ofuscação deliberada do que deveria ser o cerne do debate: qual a justificativa para a restrição? Faz sentido que bêbados não possam dirigir, mas por que mulheres? Faz sentido que menores de 16 anos não possam se casar, mas por que gays?

Num determinado ponto do artigo há uma tentativa lamentável de tratar da questão da justificativa:

Mas a sua ligação [entre gays] não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco.

Que é uma outra falácia, esta clássica, a do petitio principii, que consiste em presumir o que se deseja demonstrar. O que o autor faz, nessa linha, é simplesmente definir as palavras “casamento”, “família” e “parentesco” de modo que elas signifiquem o que ele deseja – coisas predicadas necessariamente numa união heterossexual que gera filhos naturais.

Esta talvez seja a definição preferida do Vaticano, quem sabe até seja usada hoje na lei brasileira, mas, no primeiro caso, a coisa é irrelevante (estado laico, lembra?); no segundo, bolas, é exatamente de mudanças na lei que estamos falando, certo?


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