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Resultados das eleições em Honduras foram alterados, diz observador da União Europeia

29 de novembro de 2013
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Leo Gabriel: “Houve pessoas que não puderam votar porque apareciam como mortas e houve mortos que votaram.” Foto de Giorgio Trucchi/Opera Mundi.

Segundo Leo Gabriel, delegação europeia teve fortes discussões internas para elaboração de relatório.

Via Opera Mundi

Na terça-feira, dia 26/11, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE/UE) apresentou à imprensa internacional um informe preliminar sobre as eleições em Honduras. Apesar de evidenciar “sérios indícios de tráfico de credenciais e outras irregularidades”, somado a um “claro desequilíbrio na visibilidade dos distintos partidos nos meios” e “a falta de transparência no financiamento da campanha eleitoral”, a missão disse ter uma avaliação positiva “tanto da transparência da votação como com respeito à vontade dos eleitores” no pleito.

O informe afirmou também que “o sistema de transmissão das atas de votação garantiu a todos os partidos políticos uma ferramenta confiável de verificação dos resultados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)” e felicitou as autoridades eleitorais por terem alcançado “uma maior transparência” com relação às eleições passadas.

Esses elementos, fundamentais no texto difundido pela MOE/UE, contrastam com as fortes denúncias de irregularidades apresentadas pelo partido Libre (Liberdade e Refundação) e o PAC (partido anticorrupção) que, juntos, somam quase 50% dos votos contados. Os candidatos dos respectivos partidos, Xiomara Castro e Salvador Nasralla, não aceitaram os resultados divulgados pelo TSE e dizem ter provas de uma suposta fraude. Com 80% das atas contadas, o TSE já declarou que o candidato do Partido Nacional, Juan Orlando Hernández, “é o ganhador das eleições” com 35.26% dos votos. Em segundo lugar ficou Xiomara, com 29.14%.

Leo Gabriel, jornalista austríaco e integrante da MOE/UE, afirmou em entrevista exclusiva a Opera Mundi que houve intensa discordância entre a imensa maioria dos membros da missão com o informe preliminar preparado. Segundo ele, essas diferenças sobre o que aconteceu em 24 de novembro desataram uma forte discussão interna. No entanto, os cálculos políticos e os interesses comerciais prevaleceram e se preferiu fechar os olhos ante a evidente alteração dos resultados e a violação da vontade expressada nas urnas pelo povo hondurenho.

Opera Mundi: Qual é a sua avaliação sobre as eleições em Honduras?

Leo Gabriel: Tivemos a oportunidade de observar as eleições a partir das mesas de votação e chegamos a conclusões diametralmente opostas às da equipe central da MOE/UE, com respeito à suposta transparência da votação e da apuração. Desempenhei meu trabalho de observador no departamento de Cortés, um dos mais populosos a nível nacional, e me dei conta desde o princípio de que esse processo eleitoral estava alterado.

OM: Quais foram as irregularidades observadas?

LG: Constatei um sem número de inconsistências no padrão eleitoral. Houve pessoas que não puderam votar porque apareciam como mortas e houve mortos que votaram. Também foi evidente a grande desorganização nas mesas de votação, onda a aliança oculta entre os pequenos partidos e o Partido Nacional originou a compra e venda de votos e credenciais. Durante a transmissão dos resultados não houve nenhuma possibilidade de averiguar até onde as atas eram enviadas e recebemos informações fidedignas acerca do desvio de pelo menos 20% das atas originais até um servidor ilegal, que as ocultou. Falar de transparência frente a tudo o que aconteceu naquele domingo é uma piada e acredito que, acima de tudo, nós observadores precisamos ser honestos e refletir sobre o que de verdade vimos.

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Candidato governista tem sido alvo de protestos daqueles que não aceitam o resultado divulgado pelo TSE. Foto de Agência Efe.

OM: Por que, então, a equipe central da MOE/EU está dizendo em seu informe que a votação e a recontagem foram “transparentes”?

LG: Alguns deles acreditam de verdade no que diz o TSE, mas há uma razão política e econômica mais profunda. O golpe de Estado de 2009 afetou e desprestigiou a imagem de Honduras no mundo, desacelerando a execução do Acordo de Financiamento firmado entre a União Europeia e a América Central (AdA EU/CA). Apresentar um processo eleitoral limpo e transparente serve à UE para limpar a imagem de Honduras no mundo e colocar em marcha esse projeto comercial.

OM: Soube que o conteúdo do informe preliminar originou uma forte discussão interna na missão da UE.

LG: Na reunião geral de avaliação, a maioria dos colegas que observamos as eleições “in loco”, no terreno, coincidimos sobre as irregularidades que acabo de explicar. Ninguém defendeu o conteúdo do informe e o conceito de transparência do processo e isso se chocou com a intransigência da equipe central da MOE/UE, que não quis ceder nem um milímetro sequer. Lhes propusemos discutir a fundo o tema, tomando em conta o que havíamos visto e sugerindo mudanças ao texto, mas isso foi negado rotundamente.

OM: Você acredita que os resultados do TSE não refletiram o que de verdade o povo hondurenho expressou nas urnas?

LG: Acho que o TSE tirou os resultados da manga seguindo um cálculo político bem definido.

OM: Ou seja, já tinham tudo preparado?

LG: Sim, porque esses resultados não têm nenhum fundamento e a rapidez com que obtiveram os primeiros dados demonstra isso. No entanto, tenho a esperança que os partidos que estão denunciando uma fraude tenham a capacidade e a vontade de apresentar, de maneira sistemática e em todo o país, todas as cópias das atas, comparando-as com os dados divulgados pelo TSE. Dessa forma, a verdade virá à luz.

OM: Isso seria um golpe muito forte para a credibilidade das missões de observação.

LG: Claro. O que me pergunto é: como é possível que a equipe central da MOE/UE não tenha sequer mencionado em seu informe que há partidos, que representam quase 50% dos votos escrutados, que não estão reconhecendo os resultados e que denunciam graves irregularidades ou uma fraude?

OM: Qual sentido tem, então, essas missões de observação?

LG: O exemplo de Honduras não é generalizável, porque há outros exemplos onde as missões da UE jogaram um papel relevante e encararam a falta de transparência em processos eleitorais. Aqui prevaleceram atitudes políticas, econômicas, comerciais e até partidárias.

Partido de Marina tem pelo menos 25% de assinaturas podres

28 de agosto de 2013

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Via Carta Maior em 28/7/2013

A Rede, partido preparado por Marina Silva especialmente para ser candidata às eleições presidenciais de 2014, teve uma em cada quatro de suas supostas assinaturas de eleitores recusadas pelos cartórios. O motivo é que tais assinaturas simplesmente não batem com as firmadas pelos eleitores. Ou os eleitores se esqueceram de como assinam seus nomes, ou alguém andou preenchendo fichas à revelia dos verdadeiros eleitores.

Nessa toada, o número de apoiadores fantasmas pode ultrapassar os 100 mil. Os cartórios estão devolvendo fichas aos montes, o que levanta suspeitas de que as filiações feitas às pressas podem ter se valido de métodos “heterodoxos” de coleta, como forma de emplacar o partido marineiro.

Segundo a Lei nº 9.096/1995, só é admitido o registro do estatuto de partido político que tenha caráter nacional. Para que essa condição seja considerada válida, o partido deve ter uma quantidade de apoiadores correspondente a 0,5% da quantidade dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados (descontando brancos e nulos). Esse meio por cento de eleitores deve estar distribuído por um terço ou mais dos estados, com um mínimo de 0,01% do eleitorado de cada um desses estados.

A porcentagem é relativamente baixa. Não à toa, o Brasil tem nada menos que 30 partidos atualmente em funcionamento (segundo o TSE). Hoje, o número de apoiadores necessários para se fundar um partido está abaixo de meio milhão de eleitores (491 mil, para ser mais exato, com base nos votos da última eleição).

O prazo limite para criar a Rede é o dia 5 de outubro deste ano. Para cumprir todo o processo legal, os dirigentes da Rede exigem do TSE que reconheça o partido a toque de caixa.

Do pedestal dado por pesquisas de opinião, Marina Silva declarou que seu partido é “um anseio da sociedade”. Todavia, as dificuldades levantam dúvidas sobre o fato de que a sociedade que põe a mão no fogo pelo projeto marineiro talvez não chegue a 0,5% do eleitorado. Pelo menos não do dia para a noite.

Como muitos cartórios estão atrasados, a Rede exige ainda saber com antecedência quantas fichas extras precisarão ser providenciadas para tapar o buraco das assinaturas podres. Soa algo estranho o partido da “nova política” admitir que pode ter um “estoque” de eleitores para sanar seu problema.

Caso a providência não aconteça e os cartórios não facilitem a vida da Rede, os operadores jurídicos da nova agremiação pretendem tirar da cartola outra solução heterodoxa. Como muitos cartórios estão atrasados na conferência e validação das fichas, requerem que o Tribunal considere as fichas ainda não verificadas como se fossem todas válidas.

Caso não consiga criar sua sigla, Marina vai ter que apelar para alguma dentre as já existentes. Convites já foram feitos. O problema é que Marina quer ser candidata às eleições com um partido para chamar de seu. Melhor ainda se ele não tiver o nome começando com a palavra “partido”. Ajuda a evitar que a Rede seja reconhecida pelo eleitor como aquilo que é: um partido.

O curioso é que, perante a Justiça Eleitoral, o objetivo é o inverso. A Rede quer ter direito a usufruir de todos os benefícios da lei dos partidos, principalmente acesso ao tempo de tevê (como se sabe, pago com recursos públicos), dinheiro do fundo partidário para fazer campanha eleitoral e assento reconhecido na Câmara e Senado aos seus parlamentares aderentes, com direito à montagem de gabinetes de liderança, que são aquinhoados com salas, telefones, computadores e, principalmente, assessores.

Nada mais justo se a regra permite. Desde que a regra seja cumprida, e não burlada. Depois de ter reclamado do risco de ser vítima de casuísmos direcionados contra a sua participação nas eleições de 2014, a Rede pede à Justiça Eleitoral que lhe conceda um casuísmo, de bom grado. O pedido de registro ao TSE sem o mínimo de assinaturas necessárias equivale à tentativa de um gol de mão. Ao juiz, se pede que se dê um jeitinho e faça vista grossa. Tudo em nome da “nova” política.

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Fraude nas assinaturas: Justiça pede investigação sobre Rede de Marina

24 de agosto de 2013

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Via Brasil 247 em 21/8/2013

Justiça Eleitoral acionou o Ministério Público e a polícia para investigar indícios de fraude e irregularidades na coleta de assinaturas em São Paulo para a criação da Rede Sustentabilidade, partido da ex-senadora Marina Silva.

Segundo informações da Folha, em Ourinhos, no oeste paulista, ao menos dois eleitores que aparecem na lista de apoiadores da legenda declararam não ter assinado nenhuma ficha do partido. Indícios de fraude também foram informados por cartórios de Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e em São José do Rio Preto, em São Paulo.

Segundo o promotor responsável, Marcos da Silva Brandini, terá de ser feito o exame grafotécnico para confirmar se as assinaturas são ou não dos eleitores. O partido rebateu a suspeita e afirmou em nota que os problemas podem ter sido provocados pela falta de parâmetros dos cartórios na certificação dos apoios.

Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, a ex-senadora Marina Silva se reuniu com a presidente Carmen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral, e pediu pressa na validação das assinaturas para a criação da Rede Sustentabilidade: “Essas assinaturas precisam ser validadas, porque não temos culpa se eles não têm o parâmetro para fazer a validação ou se contam com estrutura de pessoal que não está dando conta de fazer o processamento dentro do prazo”, disse.

A candidata à Presidência tem até o dia 5 de outubro para registrar o partido caso queria disputar as eleições de 2014.

A Globo está envolvida no suborno de Havelange e Ricardo Teixeira

3 de julho de 2013
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Teixeira e Havelange foram intermediários de fraude da Rede Globo.

A reportagem abaixo foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em julho de 2012. Atualmente, alguns detalhes do texto chamam atenção. Jamil Chade, o autor, trata das investigações na Suíça que levaram ao afastamento da Fifa de João Havelange e Ricardo Teixeira. Menciona que uma emissora de tevê – qual? – brasileira teve participação no pagamento de suborno aos cartolas. Eram as negociações pelos direitos das copas de 2002 e 2006. Foi justamente no período em que, segundo a Receita Federal, a TV Globo abriu uma empresa de fachada nas Ilhas Virgens Britânicas. Onde operava, também, a International Sports and Leisure (ISL), empresa de marketing que esteve no centro do escândalo que ainda abala o futebol internacional.

Justiça mostra suborno milionário

Ricardo Teixeira e João Havelange receberam, segundo a investigação suíça, mais de R$45 milhões para fechar acordos, desviando o dinheiro da Fifa.

Jamil Chade, via O Estado de S.Paulo, publicado em 12/7/2012

João Havelange e Ricardo Teixeira receberam suborno no valor de pelo menos R$45 milhões, segundo a Justiça suíça. O escândalo do pagamento de propinas escancara 30 anos de um sistema de corrupção montado na Fifa. Os brasileiros cometeram “enriquecimento ilícito”, causaram prejuízo para a entidade e colocaram seus interesses pessoais acima dos interesses do futebol, diz a Justiça sobre o caso, que foi arquivado mas teve seus documentos divulgados ontem.

A ação promete ter amplas repercussões: Havelange pode deixar de ser presidente de honra da Fifa e as informações poderão ser usadas no Brasil para uma eventual ação contra Teixeira. A declaração dos advogados da entidade insinuando que sul-americanos são em geral corruptos também promete causar mal-estar entre a Fifa e o governo.

Documentos oficiais da Justiça suíça apontam para pagamento de comissões no valor de US$122,5 milhões (R$225 milhões) por parte da empresa de marketing ISL a cartolas pelo mundo. A Justiça também acusou a Fifa de “omissão” ao não conseguir controlar os subornos. Num dos pagamentos de US$1 milhão (R$2 milhões) a Havelange, o dinheiro foi erroneamente depositado numa conta da Fifa.

Como regra geral, segundo a Justiça, a propina teria sido paga a Teixeira e Havelange para que influenciassem a Fifa na decisão de quem ficaria com os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006, incluindo o mercado brasileiro. Uma empresa transmissora com atuação no Brasil é citada como uma das envolvidas no suborno, ainda que seu nome esteja sendo mantido em sigilo. Para os suíços, o serviço dos dois foi “comprado” por empresas que queriam manter relações com a Fifa.

A publicação do documento ocorreu depois que o Tribunal Federal da Suíça entendeu que o assunto era de “interesse público”. O documento de 42 páginas mapeia um esquema de corrupção que tomou conta da Fifa. Tudo começou quando o Tribunal de Zug decidiu investigar a quebra da empresa de marketing da Fifa, a ISL. O que descobriu foi uma ampla rede de suborno.

Em 2010, porém, o caso envolvendo Teixeira e Havelange foi encerrado depois de um acordo entre os dois e o procurador suíço. Eles devolveram US$2,5 milhões (R$5 milhões) à Fifa.

O documento revela uma movimentação milionária na conta desses cartolas. Teixeira e Havelange receberam subornos num valor total de pelo menos 21,5 milhões de francos suíços (cerca de R$45 milhões) em contas em paraísos fiscais.

Os pagamentos ocorreram entre 1992 e 2004 e o tribunal havia decidido processar os brasileiros por “atos criminosos em detrimento da Fifa”. “Eles causaram prejuízos para a Fifa por seu comportamento e enriqueceram ilicitamente.”

Parte substancial da denúncia é dirigida a Havelange, acusado de não repassar pagamentos aos cofres da Fifa. Havelange é ainda acusado de “administração desleal”.

“Havelange usou ilegalmente ativos confiados a ele para seu próprio enriquecimento em várias ocasiões”, aponta o documento.

O cartola agiu para garantir o contrato de empresas para a transmissão da Copa de 2002 e recebeu propinas de uma empresa para garantir o contrato para a transmissão do Mundial no mercado brasileiro naquele ano.

Havelange, que já teve de abandonar o COI por conta do escândalo, “embolsava o dinheiro” e empresas o pagavam para usar sua influência como presidente da Fifa para garantir contratos.

Andorra. Teixeira também foi alvo das propinas, especialmente por conta do interesse de empresas de usar seus serviços. Segundo a Justiça, ele presidia a federação de futebol “mais poderosa” do mundo. Com um pagamento, a empresa conseguia dois objetivos: influência na Fifa e garantia de contratos no Brasil.

O pagamento ao ex-presidente da CBF ocorria por meio de uma empresa que ele teria estabelecido em Andorra, outro paraíso fiscal. Um intermediário era usado para transferir, em nome do brasileiro, o dinheiro para suas contas. O agente retirava os ativos em espécie e alimentava contas de Teixeira.

Antes da Copa de 2002, o Brasil fez uma parada em Andorra para jogar um amistoso contra a seleção local. Pessoas que faziam parte daquela comissão técnica confirmaram ao Estado que o jogo foi uma forma de Teixeira agradecer aos atravessadores locais pelo serviço de suposta lavagem de dinheiro. O uso de Andorra pelo ex-dirigente teria perdurado até 2004.

“Teixeira usou ilegalmente ativos confiados a ele para seu próprio enriquecimento em várias ocasiões”, apontou o documento, indicando como ele agia em nome da Fifa, mas acabava embolsando o dinheiro. Só entre 1992 e 1997, recebeu US$12,7 milhões (R$25,4 milhões). O dinheiro viria de comissões de acordos entre empresas e a Fifa, para o uso do nome da Copa do Mundo, assim como para “a transmissão da Copa de 2002 no Brasil”.

A investigação conduzida pelo procurador Thomas Hildbrand ainda evidenciou um esquema de corrupção que fazia parte da Fifa desde os anos 70, quando Havelange assumiu o poder.

Testemunhas contam que a ISL foi usada como verdadeiro caixa 2. Abriu contas em paraísos fiscais como Liechtenstein e Ilhas Virgens Britânicas para receber e pagar propinas.

O dinheiro vinha em grande parte de empresas de transmissão das imagens da Copa de 2002 e 2006. No caso do Brasil, o valor do contrato era de US$220 milhões. Outros contratos chegavam a US$750 milhões.

Segundo a defesa de Teixeira, nunca houve uma condenação e o acordo impediu até mesmo que o processo fosse adiante.

A defesa do ex-dirigente brasileiro também apontou que não houve nem mesmo confissão de culpa. Em Zug, o tribunal admitiu ao Estado que foram os advogados de Teixeira e de Havelange que bloquearam a publicação do documento por dois anos.

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Globo não revela seus codinomes no relatório da propina a Ricardo Teixeira

Helena Sthephanowitz, via Rede Brasil Atual

Quando o Tribunal Federal Suíço autorizou a divulgação da documentação do caso ISL/Fifa, onde aparecem as propinas pagas a Ricardo Teixeira e João Havelange, exigiu que todos os nomes dos não acusados fossem trocados por códigos. Assim, o documento divulgado pela promotoria usa codinomes para empresas e pessoas que aparecem apenas citadas, mas não foram acusadas no processo.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, concedeu entrevista e disse que o “P1” era ele, e não via necessidade nenhuma de ver seu nome e de outros trocados por códigos, até porque não era acusado e qualquer um deduz que P1 era ele, pelo contexto em que é citado, como presidente da Fifa e sucessor de Havelange.

A Globo e a Globosat são citadas como “Company 2” e “Company 3”, o que também é fácil de deduzir pelo contexto, citadas como detentoras dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 e 2006 para o Brasil.

No entanto a TV Globo se sentiu envergonhada e fugiu de se identificar quando deu a notícia em seus noticiários.

Na versão dos telejornais da emissora, Ricardo Teixeira e João Havelange apenas receberam “comissões” do grupo ISL, e responderam por gestão fraudulenta. Esconderam do telespectador o motivo da propina: a venda dos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002 e 2006 para tevês. E no Brasil todo mundo sabe que a compradora foi a Globo para a tevê aberta, e a Globosat para tevê por assinatura.

Ora, se a Globo não é acusada, pois oficialmente apenas pagou à ISL, e foi esta quem pagou a propina a Teixeira e Havelange, a emissora deveria noticiar de forma indignada, pois teria sido vítima ao comprar os direitos de transmissão com a propina embutida no preço. Se preferiu esconder essa parte da notícia do telespectador, é porque talvez não se sinta exatamente como vítima, e talvez Teixeira e Havelange, se atacados, pudessem vir a revelar segredos que trouxessem embaraços à emissora.

Outro trecho do relatório do promotor suíço, ajuda a entender o motivo para a Globo preferir se manter oculta na notícia, pois diz que Ricardo Teixeira, como presidente da CBF, exercia influência no contrato de licenciamento para o Brasil.

A Fifa publicou a íntegra do documento em seu site. Até o momento em que esta nota foi escrita, foi possível constatar se o link para o documento foi divulgado nos portais da Globo, com as devidas identificações.

“Papelzinho” desmonta alegação de fraude eleitoral na Venezuela

4 de junho de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

Embora a imprensa – com o beneplácito do governo norte-americano, que até agora não reconheceu a eleição de Nicolas Maduro na Venezuela – continue falando em fraude e as tentativas de desestabilização prossigam, como a reunião entre o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o candidato derrotado, Henrique Caprilles, há uma notícia que não sai nos jornais.

É que a recontagem dos votos, que as urnas eletrônicas da Venezuela permitem, por imprimir e guardar cada voto, vai confirmando todos os resultados.

Sexta-feira, dia 31/5, foram recontados 158 mil votos, apurando-se uma diferença de 31 votos (0,02%) e, no sábado, mais 161 mil, com erro de 16 votos (0,01%). Como os erros se referem ora a Henrique Caprilles, da oposição, ora ao candidato governista, as diferenças virtualmente não existem. A auditoria já tinha sido realizada em mais da metade das urnas, logo após as eleições e está sendo estendida.

A recontagem é transmitida pela internet, sem cortes, e acompanhada pelos partidos políticos. Menos, claro, pelos apoiadores de Caprilles, que pediram a revisão e não apareceram. E se acham que pode haver fraude lá, onde dá para recontar, o que dizem daqui, onde o voto é virtual e quem duvidar do resultado que a maquininha cospe pode duvidar sentado, pois o voto é virtual e não pode ser verificado?

Estranhamente, o procurador Roberto Gurgel se insurgiu contra a lei, aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula, que obriga a auditoria, pela via do voto impresso, de míseros 2% dos votos. Só 2% do “papelzinho”, como chamava Leonel Brizola, e eles se recusam, dizendo que isso vai violar o sigilo do voto.

Aqui, diz o TSE, nosso sistema é garantido. Como? Ora, é porque é, quem são os cidadãos para duvidarem que o TSE não erra um voto em mais de 100 milhões? Nem se compara àquela ditadura chavista da Venezuela, onde é preciso conferir as urnas. Aqui só tem gente honesta e ninguém frauda nada.

Afinal, depois da teoria do domínio do fato, que é que precisa de provas. Vale o que o STF disser que vale e pronto.

Telexfree: A maior fraude financeira da história do Brasil

9 de março de 2013
Celso Freitas, da TV Record, é um dos garotos-propaganda da Telexfree.

Celso Freitas, da TV Record, é um dos garotos-propaganda da Telexfree.

Pierre Lucena, via Acerto de contas

Um dos assuntos mais comentados atualmente é sobre uma empresa chamada Telexfree, pirâmide que já foi tema de um post no Acerto de Contas.

Ontem [26/2] fui atrás para saber da extensão desta empresa e me assustei. O que se fala é que apenas em 2012 esta empresa teria girado algo em torno de R$300 milhões. Como se trata de uma pirâmide, a velocidade de multiplicação é imensa, fazendo com que este ano possamos chegar a algo em torno de R$1 bilhão, caso não quebre antes.

Estes esquemas são conhecidos: primeiro oferta-se um produto e depois monta-se uma suposta rede de venda destes produtos. No caso da Telexfree, os dois produtos são ridículos: VOIP e publicidade na internet.

No caso do VOIP, não conheço uma pessoa (ou empresa) sequer que use de maneira intensiva este produto. Claro que tem, mas seu mercado é muito restrito.

No caso da publicidade de internet, esta também existe, mas não é na página da Telexfree que isso vai se tornar algo fenomenal.

Apenas para esclarecer, para alguém aparecer para mil pessoas na propaganda paga do Facebook, não é preciso mais do que R$2,00. Se no Facebook se anuncia por este valor, não será uma página sem conteúdo (como a da Telexfree) que mudará este cenário

Antes de prosseguir, é bom fazer uma breve explicação da pirâmide Telexfree.

***

Para entrar no negócio, você tem dois planos: ADCentral (US$299,00) e ADCentral Family (US$1.375,00).

Quando você entra, passa a fazer divulgação de um post por dia nas redes sociais. Com isso você é remunerado, de forma que em torno de quatro meses você recupera seu dinheiro. A partir daí é lucro.

A pirâmide se retroalimenta em um ano, e assim segue.

Se você montar um time (eles chamam de tropa), sua rentabilidade aumenta. O “modelo” de empreendedor da empresa é um cidadão chamado Júnior, que faz vídeos com carrões e apartamentos que teria comprado, com dinheiro da Telexfree.

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Voltei.

Este esquema se alimenta dele próprio, já que os produtos são 1% de toda a movimentação financeira. Como a rentabilidade é altíssima, muita gente é levada de maneira ilusória a entrar várias vezes no mesmo esquema. Daí já descobri gente que vendeu carro, casa e até fez empréstimo, na ilusão de uma oportunidade para ficar rico com internet.

Como a pirâmide está se alimentando, os ganhos não param de crescer, mas isto não deve demorar muito. Para quem quiser uma boa explicação matemática do funcionamento da pirâmide, sugiro o artigo “A probability model of a pyramid scheme”, de Joseph L. Gastwirth, e publicado na The American Statistician.

O pior de tudo é que aparentemente os órgãos de fiscalização não se mexem. E com uma pirâmide deste tamanho, não tenho dúvidas de que se trata do maior esquema de fraude financeira da história do Brasil.

Já passou da hora de uma investigação séria, pois a devastação será imensa em milhares de famílias. Como em toda pirâmide, os que entraram primeiro irão ganhar, os que vão entrando por último pagarão o pato.

Por enquanto, todo mundo está ganhando seu dinheiro certinho, mas quando o esquema ruir, será de uma só vez. E o pior é que até agora não aparece um responsável sequer da empresa, a não ser um advogado canastrão.

Para saber se algo é realmente razoável dentro desta nova moda chamada “Marketing Multi Nível”, basta verificar duas coisas: não deve se pagar para trabalhar e o produto deve ser o carro chefe da empresa, e não seus vendedores.

A dica para quem já está?

Fique dentro e não coloque mais ninguém para dentro. Tente recuperar seu dinheiro, porque esta pirâmide ainda pode durar algum tempo. Pode ser o suficiente para você recuperar o que “investiu”. Mas nem pense em entrar novamente.

A primeira pancada será em abril deste ano, já que a Receita Federal já avisou que terão de pagar Imposto de Renda sobre o que ganhou. Isso vai fazer com que muita gente se arrependa. Será um momento crítico para a pirâmide.

Ontem [26/2] me perguntaram se não tenho medo de ser processado pela empresa. Respondi que não, já que com certeza a empresa quebra antes do fim do processo.

É preciso lembrar que não se fica rico tão fácil na internet. Atrás de oportunidades como a Amazon ou Google, sempre teve uma ideia ou engenharia criativa.

Neste caso, muita gente sonha em se tornar Jeff Bezos, mas vão acabar como o Pato Donald… ou como o Avestruz Master.


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