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Diretor de Veja revela “acordo” com Valério e farsa contra Lula

28 de outubro de 2012

Em entrevista ao O Globo, Eurípedes Alcântara, que comanda a publicação de Roberto Civita, disse ter feito acordo com Marcos Valério e que, por isso, não apresentou as provas da “entrevista” que o empresário teria concedido à revista, afirmando que Lula seria o “chefe do mensalão” denunciado por Roberto Gurgel. Eurípedes, no entanto, diz que ainda pode vir a apresentar suas provas, numa ameaça velada ao ex-presidente. Como foi dito aqui, era (e ainda é) apenas um blefe. Veja joga truco com a democracia, mas não tem o zap.

Via Brasil 247 em 28/10/2012

Em sua edição 2287, de 19 de setembro de 2012, Veja vendeu ao público uma entrevista com Marcos Valério, anunciada por seus blogueiros como o fato político mais importante desde que Pedro Collor de Mello concedeu entrevista gravada e filmada à revista, em 1992, abrindo o caminho para o impeachment de seu irmão Fernando Collor.

Depois de 20 anos, na entrevista que não houve, Veja colocou as seguintes frases na boca de Marcos Valério, que, supostamente, teria falado a interlocutores próximos:

“Lula era o chefe”.

“Dirceu era o braço direito do Lula, o braço que comandava”.

“O Delúbio dormia no Alvorada. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com o Lula à noite”.

“O caixa do PT foi de R$350 milhões”.

“[Depois da descoberta do escândalo], meu contato com o PT era o Paulo Okamotto. O papel dele era tentar me acalmar”.

“O PT me fez de escudo, me usou como boy de luxo. Mas eles se ferraram porque agora vai todo mundo para o ralo”.

“Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje”.

Poderia ser um caso apenas de propaganda enganosa, da revista de Roberto Civita contra seus leitores, mas era também uma tentativa preventiva de golpe contra Lula. A mensagem era clara: se Lula ousasse querer voltar a participar de forma mais ativa do jogo político, seria também alvo de uma ação criminal relacionada ao “mensalão”. Portanto, estava em impedimento técnico.

Nos meios de comunicação, Ricardo Noblat, de O Globo, foi o primeiro a falar na existência de fitas não publicadas, em razão de um acordo de Veja com Marcos Valério. Depois, José Roberto Guzzo, membro do Conselho Editorial da Abril, também argumentou numa de suas colunas que Lula tinha medo de que as “gravações” aparecessem.

Sem comentar o assunto, o ex-presidente recebeu uma nota em solidariedade assinada por presidentes de seis partidos políticos, denunciando a iniciativa golpista.

Aqui, no 247, desde o início da história, argumentamos que Veja não tinha fita alguma e que apenas blefava em relação a Lula. Jogava truco, brincando com instituições democráticas, sem ter a carta forte, o zap, ou seja, as fitas.

No sábado, dia 27, o jornalista Eurípedes Alcântara, diretor de Veja, pela primeira vez falou abertamente sobre o tema, em entrevista ao jornal O Globo. E o conteúdo é estarrecedor. Eurípedes disse que Veja fez um acordo com Marcos Valério, que acaba de ser condenado a mais de 40 anos de prisão. E que por isso não apresenta suas evidências – que já não são mais gravadas ou filmadas.

“Temos as provas necessárias para demonstrar que as afirmações são o que no STF se chamaria de ‘verbis’, ou seja, transcrições ao pé da letra do que ele disse. Marcos Valério decide se as provas serão divulgadas, apenas porque nossa combinação com ele foi a de que se ele desmentisse a reportagem estaria quebrando o que foi acordado e, assim, ficaríamos dispensados de cumprir nossa parte”, disse Eurípedes, por e-mail, ao Globo.

E inacreditável, mas Eurípedes tenta convencer o Brasil do seguinte: por uma questão de honra, um acordo no fio do bigode com Valério (condenado a 40 anos de prisão), Veja não irá apresentar as provas que diz ter contra Lula – um personagem a quem a revista já deu provas continuadas de seu apreço.

Eurípedes, no entanto, aponta razões éticas para não quebrar seu acordo com Marcos Valério.

“O fato de um indivíduo estar condenado não dá direito ao jornalista de, aproveitando-se de fragilidade inerente a sua situação, abusar de sua confiança. Pessoa nessa situação merece a mesma consideração ética e humana que ele dispensaria a celebridade ou autoridade no auge da fama ao poder.”

O diretor de Veja, no entanto, mantém a ameaça a Lula e diz que as provas ainda podem vir a aparecer no futuro – caso seja necessário.

Assim como lá atrás, a revista continua blefando. A “entrevista” de Valério, um golpe contra os leitores, era e continua sendo uma farsa.

Leia também:
Coletânea de textos: Lula, o melhor presidente da história do Brasil

Golpe: Para diretor da Veja, divulgar áudio da entrevista com Valério é “prova desnecessária”

26 de outubro de 2012

Em matéria publicada no portal Comunique-se, o diretor de Redação da revista [da] marginal Eurípedes Alcântara afirmou que a revista [sic] tem o áudio da entrevista realizada com Marcos Valério, mas expor o material é “uma prova desnecessária para mostrar que a conversa aconteceu”.

Como assim uma “prova desnecessária”?

Mostrar a fita em que uma pessoa acusa o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva – que tem mais de 80% de aprovação dos brasileiros – de ser o “chefe” de um escândalo de corrupção é uma “prova desnecessária”? O povo quer saber, mas apresentar algo que não existe é impossível.

O episódio reforça mais uma vez que a mídia “isenta, imparcial e apartidária” mente/manipula para tentar desestabilizar o governo federal e dar seu golpe.

A “grande imprensa” não admite que, nos últimos dez anos, o Brasil mudou muito, e para melhor, sem os políticos neoliberais, que queriam entregar o Brasil de mão beijada para grupos internacionais.

Eurípedes Alcântara, um dos pauteiros da mídia golpista, segue o exemplo do Supremo Tribunal Federal (STF), que condena sem apresentar as provas. Se é que elas existem.

No início da semana, pelo Twitter, Ricardo Noblat, colunista do site de O Globo, responsável por espalhar nas redes sociais que a revista [da] marginal tinha as fitas das gravações de Valério e iria mostrá-las, já havia afirmado que a revista simplesmente as guardou. Simples assim: acusa e não mostra as provas.

Carta aberta a Ricardo Noblat: Cadê a fita?

24 de setembro de 2012

Se você tem as fitas de Marcos Valério, apresente. O que não dá para aceitar é uma intimidação ancorada em gravações supostamente existentes. Isso, todo mundo sabe, não é jornalismo. É política, pura e simplesmente.

Leonardo Attuch, via Brasil 247

Ricardo Noblat foi meu primeiro chefe no jornalismo, quando comecei a trabalhar como repórter, no Correio Braziliense, há quase 20 anos.

Guardo dele uma ótima imagem. É um dos poucos jornalistas que, em cargos de chefia, continuou a ser, essencialmente, um repórter, enquanto seus pares se transformavam em burocratas de redação ou em capatazes dos patrões.

Noblat é, foi e sempre será jornalista. No Correio, promoveu uma pequena revolução que, infelizmente, foi breve. Numa de suas grandes passagens, soube corrigir um erro na primeira página – o que lhe valeu o Prêmio Esso.

Por tudo isso, Noblat merece o nosso respeito.

Como pioneiro do jornalismo político na internet, merece ainda mais.

Desde o início do 247, reproduzimos suas análises e ele, ocasionalmente, também reproduz alguns de nossos artigos. Faz parte do jogo natural de intercâmbio de ideias e de notícias na internet.

Noblat é mais do que um simples jornalista. É um personagem da política brasiliense.

Dias atrás, no entanto, ele decidiu nos criticar no Twitter ao dizer que estaríamos confundindo torcida com jornalismo, simplesmente porque insistimos em dizer que Veja não tem nenhuma fita gravada com Marcos Valério.

Afinal, para quem conhece as engrenagens da máquina jornalística, basta fazer a pergunta: qual é a força política ou econômica, hoje, de Marcos Valério para fazer qualquer tipo de barganha com seus supostos entrevistadores? (Aliás, Noblat, se você tem as fitas de Marcos Valério, apresente. O que não dá para aceitar é uma intimidação ancorada em gravações supostamente existentes)

O quadro, na verdade, é ainda mais grave. Se Veja tem gravações, e não as apresenta, comporta-se apenas como instrumento de intimidação e chantagem (ou de Valério ou dos donos da Abril). E também não é isso que se espera de uma semanal.

Noblat, que é também um jornalista 24/7, trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, sabe que não somos petistas. Ainda assim, brinca com uma piadinha numerológica que corre na internet (2+4+7 = 13).

Noblat, a inspiração não foi o PT. Digamos que foi o Zagalo. E, lamento dizer, mas vocês vão ter que nos engolir. Aqui, o espaço é democrático nos artigos, na opinião e também na análise dos movimentos políticos dos jornalistas. Especialmente dos jornalistas políticos, como você.

Receba o nosso afetuoso abraço.

O tucanoduto e os segredos de Civita – Parte 5

22 de setembro de 2012

José Serra, os números do Datafolha e a revelação de quem é a Rainha de Espadas dos pesadelos de Civita.

Antonio Mello em seu blog

Se você não leu a Parte 1 (clique aqui), a 2 (clique aqui), a 3 (clique aqui) e a 4 (clique aqui) ou então prossiga.

Os pesadelos com a Rainha de Espadas sempre atormentaram o presidente do Grupo Abril e da revista Veja Roberto Civita, desde que era uma criança em Milão, onde nasceu. A princípio, a imagem que lhe vinha dela era a da Madrasta Má, da Branca de Neve.

Com o passar dos anos, a imagem se escanesceu, mas não sumiu de todo. Quando sonha com a Rainha de Espadas, acorda sempre apavorado, como o menino que foi. E sente que alguma coisa de muito ruim está por lhe acontecer, sem saber exatamente o quê.

Por isso, pesquisou o significado da Rainha de Espadas em vários livros místicos, à procura de algo que lhe ajudasse a desvendar quem era e por que o aterrorizava tanto.

Resumidamente, destacou algumas qualidades comuns à Rainha de Espadas em vários místicos:

A Rainha de Espadas é a mais racional de todas as rainhas. É aquela mulher intelectual, para quem o conhecimento é importante. Assim, está sempre estudando e querendo saber mais coisas, para se manter sempre atualizada e estimular sua inteligência. Seu contato com o mundo é mais racional e por isso está sempre querendo compreender tudo pela razão. O risco dessa mulher é se tornar alguém pragmática demais, com dificuldade de entrar em contato com suas emoções. A Rainha de Espadas pode se tornar uma mulher mais fria e calculista, sempre preocupada e muito distante de seus sentimentos.

Quando acordou mais uma vez do pesadelo com a Rainha de Espadas, após a desfeita que julga ter sofrido da presidenta Dilma e do ministro Mantega, o que deixou Civita intrigado é que, pela primeira vez, ele sentiu que conhecia aquele olhar. Precisava pesquisar, puxar pela memória para descobrir onde o teria visto e a quem pertenceria.

No entanto, pressionado pela repercussão altamente negativa da reportagem da revista Veja em que um suposto Marcos Valério teria afirmado que o ex-presidente Lula era o chefe do “mensalão” do PT, Civita deixou o assunto de lado.

Felizmente, com os contatos certos, a maré, ao final da semana, parecia estar virando a seu favor. Seu ex-empregado Kamel foi alçado ao posto mais alto do jornalismo da Rede Globo. Com uma manobra engendrada por Serra, o Datafolha, do Grupo Folha, trabalhou com a margem de erro e, contrariando todos os demais institutos, apontou uma subida na intenção de votos de seu candidato e uma queda na do adversário a ser batido, Haddad, para derrotar o “nove dedos”.

O objetivo é desconcentrar a campanha do petista e induzi-los a erros e a brigas internas por poder – no que o PT é especialista.

Um segundo turno entre Serra e Russomano é o sonho de Civita. Com seus repórteres investigativos na Papuda, ele conta com os policiais federais e demais arapongas que sempre trabalharam para Serra. Há material para desconstruir Russomano e não deixar pedra sobre pedra. Policarpo Jr. trabalha nisso e lhe afirmou que o candidato de Edir Macedo não resiste a uma capa de Veja.

“Vai ser minha salvação. Com Serra na prefeitura, o Grupo Abril pode continuar investindo em livros didáticos, com a revista Veja fazendo o mesmo papel de derrubar as pretensões do “nove dedos” de se perpetuar e a seu grupo no poder.”

Para quem chegou a pensar que a sexta-feira da semana passada era a do seu fim, Civita está tão feliz hoje que resolveu fazer uma limpeza em sua mesa, que há muito estava entulhada com vários papéis, folhas avulsas, provas de revistas.

Foi quando, em meio ao amontoado, surgiu a foto daquele olhar que reconhecera como o da Rainha de Espadas.

Sim, era ela, aquele olhar dela, e o menino que ele foi entrou imediatamente em sua sala, sentou-se em sua cadeira e, com as mãos trêmulas de terror, segurou a foto dela, a Rainha de Espadas.

***

Leia também:

Roberto Civita, dono da Veja, acusa: “Serra me usou…”

O tucanoduto e os segredos de Civita – Parte 2

O tucanoduto e os segredos de Civita – Parte 3

O tucanoduto e os segredos de Civita – Parte 4

O tucanoduto e os segredos de Civita – Parte 4

20 de setembro de 2012

Civita foi pedir socorro a Policarpo, o fiel escudeiro de Cachoeira.

Como a reportagem caluniosa encomendada por Serra pode levar o Grupo Abril ao abismo.

Antônio Mello em seu blog

Se você não leu a Parte 1 (clique aqui), a 2 (clique aqui) e a 3 (clique aqui) ou então prossiga.

Ao chegar sem aviso à sala do diretor de Veja em Brasília, Policarpo Jr., Civita foi surpreendido com a cena insólita de vê-lo sentado na cadeira, com calças e cuecas arriadas até o chão e um homem quase careca ajoelhado a sua frente, com a cabeça entre suas pernas, numa posição de…

“Fechei a porta e saí dali. Não queria imaginar o que estaria acontecendo. Ou melhor, não podia. Se o homem ajoelhado fosse quem eu pensava, teria de demitir um de meus mais dedicados colaboradores”, disse Civita. Não chegou a declinar o nome, mas pistas que soltou aqui e ali para alguns amigos indicam quem seja. “Como posso julgar um homem de fidelidade canina, que escreve seus posts na madrugada e passa o dia escrevendo centenas – às vezes, milhares – de comentários forjados em seu blog?”

Civita se lembrou da cena, quando pensou em procurar Policarpo para tentar uma solução para seu problema com a última edição de Veja. Temia ter passado do limite e receber uma resposta agressiva do governo, logo agora que o Grupo Abril se encontra à beira da falência.

Não foi a Brasília e Policarpo veio até ele com a solução. Mas, para aplicar a ideia de Policarpo, Civita precisaria utilizar um jornalista que não fosse de Veja nem da Abril, mas tivesse a mesma determinação de caluniar o “nove dedos”. Pensou em O Globo e ligou para Kamel, seu ex-empregado.

Nota do Blog do Mello: Como estes acontecimentos são recentes, não pudemos confirmar com Civita nem seus amigos e interlocutores se o jornalista escolhido foi o blogueiro de O Globo Ricardo Noblat. Mas tudo indica que sim, porque Noblat começou a disparar postagens em seu blog e no Twitter utilizando informação que já constava de uma reportagem do mesmo Rodrigo Rangel que editou a dessa última semana, a mando de Serra. Confira:

Para mostrar que não estava blefando, como já fizera em outras ocasiões, o empresário [Marcos Valério] disse que enviaria às autoridades um vídeo com um depoimento bombástico, gravado por ele em três cópias e escondido em lugares seguros. Seria parte do acordo de delação premiada com os procuradores. Seu arsenal também incluiria mensagens e documentos que provariam suas acusações [clique aqui para ler a íntegra da reportagem de 22/7/2012].

Não é muito semelhante à história dos quatro vídeos espalhada por Noblat?

Mas nosso blog não especula. Trabalhamos apenas com fontes confiáveis, pessoas ligadas ao presidente do Grupo Abril e da revista Veja, Roberto Civita. E o que elas nos contaram, além do que até aqui relatamos, fala também de um pesadelo recorrente de Civita.

Rainha de Espadas

O pesadelo com a Rainha de Espadas perturba Roberto Civita desde sempre. Nunca procurou um psicanalista para ajudá-lo a decifrar o mistério por um motivo que diz muito de sua personalidade: “As pessoas pagam para me ouvir falar. É um absurdo que eu tenha de pagar a alguém para que me ouça.”

Por isso, o pesadelo o atormenta, sem que ele consiga decifrá-lo. Sempre surge num momento de crise. E surgiu mais uma vez agora, naquela sexta-feira em que a presidenta Dilma desmarcou sua ida ao seminário para mais de mil empresários e o ministro da Fazenda Guido Mantega abandonou a mesa de debates sem justificativa.

Civita saiu meneando a cabeça, com a sensação de que o chão se abria a seus pés. A reportagem encomendada por Serra (“com aspas, com aspas”) pode ter sido a gota que faltava para transbordar o ressentimento do governo com a revista e, com a rejeição recorde de Serra em São Paulo, esse poderia ser o mais largo passo do Grupo Abril em direção ao abismo.

Civita tomou a decisão costumeira: engoliu alguns comprimidos de tranquilizante e pediu ao motorista para dirigir sem destino pela capital paulista. Logo, ele estaria dormindo, como de outras vezes, um sono profundo, sem sonhos, que poderia durar um dia inteiro.

Surpreendentemente, isso não aconteceu. Ele mais uma vez sonhou que estava num lugar enevoado, sem saber onde e por que estava ali, e era direcionado a uma sala, com uma mesa oval no centro. Nela, uma toalha de renda branca, com vários objetos misturados e espalhados – búzios, baralhos diversos, cordões – até que uma mão – sempre aquela mão –, uma mão de mulher, com muitas pulseiras, jogava a sua frente uma carta. E depois virava a carta e revelava a Rainha de Espadas. Mais uma vez, tomado de intenso pavor diante da carta, Civita acordou. Como das outras vezes em que tinha o pesadelo.

Com uma diferença. Dessa vez, algo lhe chamou a atenção: o olhar da Rainha de Espadas, que o aterrorizara a vida inteira, lhe pareceu, pela primeira vez, subitamente familiar. Conhecia aquele olhar. Mas, de onde?

Puxou pela memória. Pesquisou. E quando descobriu de quem era o olhar da Rainha de Espadas Civita ficou mais aterrorizado ainda. (Continua amanhã)

[O Blog do Mello diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações. Tentamos também contato por meio de nosso celular. Mas nosso plano Infinity da Tim não permitiu que nenhuma ligação se completasse. Por isso não conseguimos entrevista com Civita, Serra ou FHC, mas, frisamos, nenhum deles desmentiu nada. E, por favor, ministro Paulo Bernardo e Anatel, vamos dar um jeito nessa pouca vergonha das operadoras ou aumente a nossa Bolsa-Twitter].

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O tucanoduto e os segredos de Civita – Parte 5

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19 de setembro de 2012

Eles são amigos íntimos. Jogavam baralho até altas horas da madurgada.

Civita: “Foi Serra quem me obrigou a fazer a reportagem do Valério acusando Lula.”

Antonio Mello em seu blog

Se você não leu as partes 1 e 2, clique aqui e aqui, ou então, prossiga.

Dos tempos em que gozava das intimidades do poder em Brasília, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Roberto Civita diz guardar muitas lembranças. Algumas revelam a desenvoltura com que personagens centrais do tucanoduto transitavam no coração do governo FHC, antes da eclosão do maior escândalo de corrupção da história política do país – a privataria tucana. Civita lembra das vezes em que José Serra, seu interlocutor frequente até a descoberta do esquema, participava de animados encontros à noite no Palácio da Alvorada, que não raro lhe servia de pernoite. “O Serra dormia [se é que se pode usar a palavra em relação a ele] no Alvorada. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com FHC à noite. Alguma vez isso ficou registrado lá dentro? Quando você quer encontrar [alguém], você encontra, e sem registro.” Civita deixa transparecer que ele próprio foi a uma dessas reuniões noturnas no Alvorada.

Sobre sua aproximação com Serra, Civita conta que, diferentemente do que os petistas dizem, ele conheceu Serra durante a campanha de 2002. Já o conhecia anteriormente, mas só a partir de sua campanha à Presidência tornaram-se mais íntimos. FHC lhe disse que Serra precisava de uma imprensa que repercutisse o que os agentes da PF a serviço de Serra conseguiam sobre os adversários. “Ele precisava da Veja para publicar o escândalo. Depois a Globo repercutia e o ‘nove dedos’ caía nas pesquisas.”

Só que isso não aconteceu e Lula foi eleito. Manteve-se o esquema, mas agora com o objetivo de derrubar o ‘nove dedos’ e trazer os tucanos de volta ao poder. A parceria deu certo e desaguou no chamado mensalão do PT, uma parceria entre os arapongas de Serra e um bicheiro de Goiás, que hoje todos conhecem como Carlinhos Cachoeira.

Mas, nem isso, nem a provável condenação de todos os petistas pelo STF, parece servir de alguma coisa para José Serra. Por isso, Civita não se assustou quando recebeu uma vista, às 3 da madrugada, do candidato tucano à Prefeitura de São Paulo. Com a “sutileza” que o caracteriza, Serra ordenou a Civita que a Veja ligasse diretamente Lula ao mensalão, para que ele não pudesse mais fazer campanha para Haddad. Tinha de ser uma matéria agressiva, definitiva. “Você tem de dizer que Marcos Valério declarou à Veja que Lula sabia de tudo e era o chefe do mensalão.”

Civita providenciou a reportagem e a enviou na terça-feira, dia 11, para aprovação. “Foi Serra quem me obrigou a fazer a reportagem do Valério acusando Lula”, disse a amigos. Serra aprovou, mas fez uma ressalva: “Tem de por aspas, tem de colocar como se Valério estivesse afirmando aquilo.” Civita quis argumentar que aquilo queimaria a revista. Mas Serra foi intransigente: “Quem não pode se queimar sou eu. Se eu não me eleger, vocês perdem tudo da prefeitura e vão entregar o governo de São Paulo para o PT daqui a dois anos. Adeus, livros didáticos. Adeus, assinaturas das revistas. Adeus, parcerias. Nada de trololó. Bota aspas e depois se virem para dizer que ele declarou tudo aquilo. Vocês são especialistas nisso.”

Sem alternativa, Civita concordou. Pensou em ir falar com Policarpo, seu diretor da revista em Brasília, especialista nesse tipo de manobra. Mas se conteve. Teria de falar com ele pessoalmente, pois o telefone poderia estar grampeado. Mas guarda ainda fresca na memória a surpresa que teve ao fazer uma visita inesperada ao diretor. Ao entrar na sala, encontrou Policarpo sentado na cadeira, calça e cueca abaixadas até o tornozelo, com um homem quase careca ajoelhado a sua frente, aparentemente… A palavra que lhe veio à cabeça foi fellaccio… Quem era o careca? (Continua amanhã)

[O Blog do Mello diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações. Tentamos também contato por meio de nosso celular. Mas nosso plano Infinity da Tim não permitiu que nenhuma ligação se completasse. Por isso não conseguimos entrevista com Civita, Serra ou FHC, mas, frisamos, nenhum deles desmentiu nada. E, por favor, ministro Paulo Bernardo e Anatel, vamos dar um jeito nessa pouca vergonha das operadoras ou aumente a nossa Bolsa-Twitter.]

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