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No Brasil, rico é menos taxado do que na maioria do G20

15 de março de 2014

Dinheiro05Via BBC Brasil

Reclamar dos impostos é hábito comum da elite brasileira. Mas uma comparação internacional mostra que a parcela mais abastada da população não paga tantos tributos assim. Estudos indicam que são justamente os mais pobres que mais contribuem para custear os serviços públicos no país.

Levantamento da Price Waterhouse Coopers (PWC) feito com exclusividade para a BBC Brasil revela que o imposto de renda cobrado da classe média alta e dos ricos no Brasil é menor que o praticado na grande maioria dos países do G20 – grupo que reúne as 19 nações de maior economia do mundo mais a União Europeia.

A consultoria comparou três faixas de renda anual: 70 mil libras, 150 mil libras e 250 mil libras – renda média mensal de cerca de R$23 mil, R$50 mil e R$83 mil, respectivamente, valores que incorporam mensalmente o décimo terceiro salário, no caso dos que o recebem.

Nas três comparações, os brasileiros pagam menos imposto de renda do que a maioria dos contribuintes dos 19 países do G20.

Nas duas maiores faixas de renda analisadas, o Brasil é o terceiro país de menor alíquota. O contribuinte brasileiro que ganha mensalmente, por exemplo, cerca de R$50 mil fica com 74% desse valor após descontar o imposto. Na média dos 19 países, o que resta após o pagamento do imposto é 67,5%.

Já na menor faixa analisada, o Brasil é o quarto país que menos taxa a renda, embora nesse caso a distância em relação aos demais diminua. Quem ganha por ano o equivalente a 75 mil libras (cerca de R$23 mil por mês), tem renda líquida de 75,5% no Brasil e de 72% na média do G20.

As maiores alíquotas são típicas de países europeus, onde há sistemas de bem estar social consolidados, mas estão presentes também em alguns países emergentes.

Na Itália, por exemplo, praticamente metade da renda das pessoas de classe média alta ou ricas vai para os cofres públicos. Na Índia, cerca de 40% ou mais, assim como no Reino Unido e na África do Sul, quando consideradas as duas faixas de renda mais altas em análise.

Carga alta

Apesar de a comparação internacional revelar que os brasileiros mais abastados pagam menos imposto de renda, a carga tributária brasileira – ou seja, a relação entre tudo que é arrecadado em tributos e a renda total do país (o PIB) – é mais alta que a média.

Na média do G20, 26% da renda gerada no país vai para os governos por meio de impostos, enquanto no Brasil o índice é de 35%, mostram dados compilados pela Heritage Foundation. No grupo, apenas os países da Europa ocidental têm carga tributária maior – França e Itália são as campeãs, com mais de 40%.

O que está por trás do tamanho da carga tributária brasileira é o grande volume de impostos indiretos, ou seja, tributos que incidem sobre produção e comercialização – que no fim das contas são repassados ao consumidor final.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), impostos indiretos representam cerca de 40% da carga tributária brasileira, enquanto os diretos (impostos sobre renda e capital) são 28%. Contribuições previdenciárias são outra parcela relevante.

O grande problema é que esses impostos indiretos são iguais para todos e por isso acabam, proporcionalmente, penalizando mais os mais pobres. Por exemplo, o tributo pago quando uma pessoa compra um saco de arroz ou um bilhete de metrô será o mesmo, independentemente de sua renda. Logo, significa uma proporção maior da remuneração de quem ganha menos.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), impostos indiretos representam cerca de 40% da carga tributária brasileira, enquanto os diretos (impostos sobre renda e capital) são 28%. Contribuições previdenciárias são outra parcela relevante.

O governo taxa mais a produção e o consumo porque esse tipo de tributo é mais fácil de fiscalizar que o cobrado sobre a renda, observa o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, João Elói Olenike.

“De tanto se preocupar em combater a sonegação, o governo acaba criando injustiças tributárias”, afirma.

Concentração de renda

Os governos federal, estaduais e municipais administram juntos uma fatia muito relevante da renda nacional. Por isso, a forma como arrecadam e gastam tem impacto direto na distribuição de renda.

Se por um lado os benefícios sociais e os gastos com saúde e educação públicas contribuem para a redução da desigualdade, o fato do poder público taxar proporcionalmente mais os pobres significa que ao arrecadar os tributos atua no sentido oposto, de concentrar renda.

Um estudo de economistas do Ipea e da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, no Brasil, o índice de Gini  – indicador que mede a concentração de renda – sobe após a arrecadação de impostos e recua após os gastos públicos.

Segundo estimativas com dados de 2009, o índice era de 0,591, ao se considerar a renda original da população (antes do recebimento de benefícios sociais e tributos). O número recuava para 0,560 após o pagamento de benefícios como aposentadorias, pensões e Bolsa Família, mas subia novamente para 0,565 após considerar o pagamento de tributos.

O índice volta a cair após se analisar os impactos dos gastos públicos que mais reduzem a distribuição de renda são as despesas com saúde e educação, já que a maioria dos beneficiários desses serviços são os mais pobres. A partir de dados oficias sobre o uso desses serviços, os economistas estimaram que esses gastos públicos reduziam o índice de Gini para 0,479 em 2009.

O saldo geral disso tudo é que, após o governo arrecadar e gastar, a desigualdade de renda caía 19% naquele ano. Mas num país tão desigual, a queda precisa ser maior, afirma Fernando Gaiger, um dos autores da pesquisa: “O tributo tem uma função de coesão social”.

Não há boas comparações internacionais recentes disponíveis para a questão, mas um estudo de anos atrás do Banco Mundial, indica que em países europeus a queda da desigualdade é de mais de 30% após a intervenção do Estado, mesmo sem se considerar os gastos em saúde e educação.

Mudanças nos impostos

Os quatro especialistas ouvidos pela BBC Brasil defenderam a redução dos impostos indiretos, que penalizam mais os pobres, e a elevação da taxação sobre renda, propriedade e herança. “Seria uma questão de justiça tributária”, diz o especialista em contas públicas Mansueto Almeida.

Gaiger, por exemplo, propõe que haja mais duas alíquotas de Imposto de Renda – uma de 35% para quem ganha por mês entre R$6.000,00 e R$13.700,00 e outra de 45% para quem recebe mais que isso.

Hoje, a taxa máxima é de 27,5%, para todos que recebem acima de R$4.463,81. Muitos não sabem, mas essas alíquotas são “marginais”. Ou seja, apenas a parcela da renda acima desse limite é tributado pela alíquota máxima, não a renda toda.

No entanto, os especialistas observam que embora seja justo ter mais alíquotas, isso não tem impacto relevante em termos de arrecadação, porque uma parcela muito pequena da população tem renda dessa magnitude. Segundo o IBGE, apenas 111.893 pessoas em todo o país disseram ao Censo de 2010 receber mais de R$20 mil por mês.

Para 2014, a previsão é de que a Receita Federal deixará de arrecadar R$35,2 bilhões por causas de descontos e isenções desse tipo. Desse total, R$10,7 bilhões são deduções de gastos com saúde e R$4,1 bilhão de gastos com educação – somados equivalem a 13% do total dos gastos federais previstos para as duas áreas neste ano (R$113,6 bilhões).

Impostos de mais?

Apesar de ser lugar comum criticar o tamanho da carga tributária do Brasil, estudiosos do tema dizem que não há um número ideal.

O mais importante, defendem, é reduzir as possibilidades de descontos no Imposto de Renda. Hoje, por exemplo, é possível abater do imposto devido gastos privados com saúde e educação. Na prática, isso significa que o Estado está subsidiando serviços privados justamente para a parcela da população de maior renda, ou seja, que precisa menos. “É o bolsa rico”, diz Gaiger.

“O tamanho da carga é uma escolha da sociedade. Se as pessoas quiserem serviços públicos universais e benefícios sociais, o recolhimento de impostos terá que ser maior. Se quisermos que o educação e a saúde seja apenas privada, por exemplo, a carga poderá ser menor”, observa Samuel Pessoa, da FGV.

Na sua avaliação, a discussão mais importante não é a redução da carga tributária, mas mudar sua estrutura e simplificá-la, para diminuir as desigualdades e reduzir os custos das empresas com burocracia.

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12 de março de 2014

Sonegacao04

Anualmente, empresas e milionários deixam de recolher cerca de 10% do PIB nacional em impostos e tributos e aumentam a carga sobre a renda da classe média e dos mais pobres

Rodrigo Gomes, via RBA

Legenda: Pessoas jurídicas e magnatas do país burlam o fisco e mais pobres pagam a conta. Reforma tributária é urgente.

A sonegação de impostos no Brasil superou R$415 bilhões em 2013. O valor corresponde aproximadamente a 10% de toda a riqueza gerada no país durante o período e é maior que os orçamentos federais de 2014 para as pastas de educação, desenvolvimento social e saúde, somados. Neste ano, o total de impostos e tributos não recolhidos já se aproxima dos R$68 bilhões. Os dados são do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), que organiza o painel Sonegômetro.

O serviço calcula, a partir de estudos daquela entidade, o total de impostos e tributos que deveriam, mas não são pagos, por obra das chamadas pessoas jurídicas, isto é, empresas em geral, de todos os ramos e tamanhos. Para comparação, o programa social do governo federal Bolsa Família tem R$24 bilhões ao ano para atender 14 milhões de famílias. Portanto, o que foi sonegado no ano passado equivale a 17 anos do programa.

Ainda segundo o Sinprofaz, a soma dos tributos devidos pelos brasileiros, constantes na Dívida Ativa da União, ultrapassa R$1,3 trilhão, quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 que foi de R$4,84 trilhões.

O estudo do sindicato se baseia em dados da Receita Federal, outras análises específicas sobre cada tributo, para então elaborar uma média ponderada. Os tributos não pagos são relativos a impostos diretos – aqueles que não estão embutidos em produtos – como Imposto Sobre Serviços (ISS), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por exemplo. E escancaram a diferença com que o sistema tributário brasileiro atua sobre ricos e pobres.

“Eles são sonegados pelos muitos ricos e por pessoas jurídicas (empresas, indústrias), com mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro e de caixa dois”, afirmou o presidente do Sinprofaz, Heráclio Mendes de Camargo Neto, que é advogado e mestre em Direito.

A sonegação gigantesca, diz Camargo Neto, impõe a necessidade de tributar pesadamente o consumo, onde não é possível sonegar. “É injusto que todo paguem uma carga em tributos indiretos. E o povo paga muito. Mesmo que você seja isento do Imposto de Renda, vai gastar cerca de 49% do salário em tributos, mas quase tudo no supermercado, na farmácia”, explica.

Outra injustiça está na forma como incide o Imposto de Renda. Quanto mais o contribuinte tem a declarar, maiores são as possibilidades de abater valores. “Os mais ricos podem abater certos gastos no Imposto de Renda. Em saúde, por exemplo, se você tem um plano privado um pouco melhor, você pode declará-lo e vai ter um abatimento (no cálculo final do imposto). Esta é uma característica injusta do nosso sistema. Os mais pobres não conseguem ter esse favor.”

No entanto, continua o advogado, quem tem salários a partir de R$2.400 é tributado automaticamente pelo Imposto de Renda Retido na Fonte e muitas vezes não tem como reaver parte deste valor.

Em 2005, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário e a Associação Comercial de São Paulo criaram o impostômetro, cuja versão física está instalada no Pátio do Colégio, região central da capital paulista. O objetivo, ao mostrar o tamanho da arrecadação do poder público, é justamente debater a carga tributária do país, com vistas à redução de impostos e à reforma tributária.

Logicamente, os valores registrados pelo impostômetro (R$313 bilhões este ano, até o fechamento desta matéria) são superiores aos do sonegômetro (R$68 bilhões), caso contrário nem sequer haveria dinheiro para manter o funcionamento da máquina pública.

No entanto, alerta Camargo Neto, se o governo brasileiro efetivasse a cobrança deste valor sonegado, já seria possível equalizar melhor os impostos no país. “Se nós conseguirmos cobrar essas grandes empresas e pessoas físicas muito ricas, o governo poderia desonerar a classe média e os mais pobres. Seria o mais justo. Se todos pagassem o que devem, nós poderíamos corrigir a tabela do Imposto de Renda (que incide sobre os salários) e reduzir alíquotas sobre alimentos e produtos de primeira necessidade, que todo mundo usa”, defende.

Desigual

Detalhando-se a carga tributária brasileira pelas principais fontes, percebe-se que os tributos sobre bens e serviços, que afetam sobretudo os mais pobres, respondem por quase metade do total (49,22%). Em seguida vêm os tributos sobre a Folha de salários (25,76%) e sobre a renda (19,02%). Somados, eles respondem por 94% da carga tributária total. Para o procurador, existe uma “escolha política” em não atuar na cobrança dos mais ricos e manter a situação como está.

Uma demanda urgente, segundo o procurador, é uma reforma tributária, que incida sobre o capital e deixe de onerar os trabalhadores. “É preciso um avanço maior da tributação sobre a riqueza. Veja os lucros astronômicos dos bancos, por exemplo. Por que o Banco do Brasil precisa lucrar R$12 bilhões e não pode ser tributado sobre metade disso? Essa é uma escolha política da sociedade. Imagine bilhões de cada um dos grandes bancos, o quanto você poderia desonerar os produtos de primeira necessidade?”, questiona.

Camargo Neto aponta ainda que a sonegação é maior por conta da precariedade estrutural em que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, responsável pela fiscalização sobre os tributos, se encontra. Ele conta que existem 300 vagas de procurador abertas há pelo menos seis anos esperando serem preenchidas.

“Nós não temos carreira de apoio, por exemplo. Há menos de um servidor de apoio para cada procurador. Os juízes, por exemplo, têm de 15 a 20 servidores de apoio. Nós temos 6,8 milhões de processos para cobrar e quase nenhum auxílio”, denuncia.

Para completar, a sonegação de impostos prescreve em cinco anos, o que aprofunda o favorecimento dos sonegadores e sonegadoras. “É muito fácil se livrar com todas essas condições”, lamenta.

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Governo responde editorial do Financial Times sobre economia brasileira

3 de março de 2014

Financial_Times05

Paulo Victor Chagas, via Agência Brasil

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Thomas Traumann, respondeu ao editorial do jornal britânico Financial Times que afirmou que a economia brasileira está “mais ou menos”, termo usado inclusive no título do editorial. O ministro da Secom enviou uma carta ao editor do periódico.

Na carta, Traumann se disse intrigado com os critérios que o jornal utilizou para classificar os países. Segundo o ministro, novas categorias de análise sobre o mercado requerem critérios sólidos e comprovados, sob o risco de haver “análises mais ou menos”.

Para o ministro, se os critérios do jornal fossem levados em conta, a maioria das economias mundiais poderia ser rebaixada para “mais ou menos” e o jornal “se sentiria eticamente inclinado a sugerir a economias amigáveis mudanças em suas equipes de administração, a fim de reduzir tanto as suas vulnerabilidades e aumentar a sua credibilidade”.

Apesar de reconhecer que o jornal contextualizou corretamente o “agravamento do ambiente global”, o ministro disse que o Brasil tem aliado, ao longo dos últimos dez anos, “crescimento da inclusão social e estabilidade econômica dentro da conjuntura de pluralismo democrático e liberdade empreendedora”, acrescentando que não há características de país vulnerável.

Traumann cita ainda os números da economia nacional em 2013, ano que fechou com crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), inflação abaixo de 6%, taxa de desemprego de 5,4% e reservas internacionais de US$376 bilhões.

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3 de março de 2014

PIB03

Via Brasil 247

Por motivos bem melhores que os apontados pelo jornal britânico Financial Times ao pedir a cabeça do ministro Guido Mantega, da Fazenda do Brasil, o certo mesmo é decapitar do cargo o ministro das Finanças da Inglaterra, George Osborne, pelos dados divulgados na quinta-feira, dia 27/2.

Todos os principais indicadores da economia inglesa são inferiores, neste momento, e de longe, aos resultados obtidos pela política econômica brasileira. A começar pelo crescimento do PIB em 2013. Os ingleses tiveram o mérito, em meio a crise que castiga especialmente a Europa, de crescerem 1,7% no ano passado, segundo números divulgados pelo FMI. Mas os brasileiros crescemos 2,3% no mesmo período, num banho de mais de meio ponto percentual na economia inglesa.

Em outro número apreciado pelos comentaristas internacionais, especialmente os mais enxeridos britânicos, a fragilidade exposta pela economia dirigida por Osbrone é flagrante, e a deixa outra vez em desvantagem sobre os resultados alcançados pela gestão de Mantega. Trata-se da dívida bruta sobre o PIB.

Entre 2012 e 2013, o Brasil conseguiu baixar de 67,5% para 66,1% a dívida bruta do país, segundo números oficiais do FMI. No mesmo quesito, a Inglaterra apresenta elevados 88,7%, percentual que, numa economia como a brasileira, poderia ser classificado como muito próximo da irresponsabilidade. Por que o mesmo juízo de valor não pode, efetivamente, servir para a economia inglesa?

Não se trata de olho por olho dente por dente, mas a irresponsabilidade da crítica internacional afeta, e sensivelmente, as percepções de investimentos e confiança sobre o Brasil.

Mas há mais um número que o regime de Mantega se mostra muito saudável que o de Osborne: o desemprego. Enquanto a taxa de dezembro de 2013, em declínio, apresentou 4,3%, na Inglaterra se está acima de 7%.

O avanço do PIB brasileiro divulgado na quinta-feira, dia 27/2, pelo IBGE é o terceiro maior do mundo, se consideradas as 13 economias que já apresentaram seus resultados. À frente da economia brasileira, estão apenas China e Coreia do Sul, que tiveram crescimento de 7,7% e 2,8%, respectivamente.

Vale lembrar que o crescimento econômico chinês mal chega a ser parâmetro de comparação, uma vez que está 5,7% acima da média mundial, de 3,0%. De acordo com o ranking das 13 economias, o Brasil está logo à frente dos PIBs dos Estados Unidos, do Reino Unido e da África do Sul, os três de 1,9%.

Os resultados, tanto anual quando do 4º trimestre, que registrou avanço de 0,7%, são maiores do que o previsto pelos economistas. Foram destaques para o crescimento de 6,3% nos investimentos – que sofreram queda de 4% em 2012 (clique aqui). Ironicamente, um ótimo resultado para um País que é acusado de ter perdido a credibilidade. Também tiveram importante impacto o avanço na agropecuária e o consumo das famílias.

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“Financial Times” e sua peculiar retórica sobre o Brasil

24 de maio de 2013

Financial_Times03Flávio Aguiar, via Correio do Brasil

É interessante o modo como se constrói a retórica. Primeiro, fala-se de tudo o que o Brasil conquistou recentemente: recorde no leilão da Petrobras, US$11 bilhões; a captação da oferta pública da carteira de seguros do Banco do Brasil permanece sendo a maior, US$5,6 bilhões. Empresas de petróleo pagaram US$1,4 bilhão por licenças de exploração. Um diplomata brasileiro está à testa da OMC. A popularidade de Dilma está na estratosfera, “graças ao pleno emprego”. Sua reeleição parece garantida.

Mas, garante o Financial Times, tudo isto não passa de uma “fachada”. Daí vem a ladainha da miséria: na verdade, este bem-estar aparente esconde um mal-estar. Os investimentos caem (como se explica isto diante dos números do outro parágrafo é um mistério). O Brasil só reinveste 18% de seu produto, contra 24% do conjunto da América Latina e 30% da Ásia.

O modelo baseado no consumo interno está esgotado. O estilo “deixa-que-eu-chuto” (bossy boots, um insulto de natureza pessoal) da presidente é inadequado politicamente, as decisões são demasiadamente centralizadas. Isto favorece o combate à corrupção, o jornal admite, mas atrasa as decisões. Seu governo não aplica as necessárias reformas favoráveis ao mercado (“[the governement] eschewed market-oriented reforms”) em favor de indústrias com lobbies tradicionais, como as montadoras.

Diz-se que o Brasil está perdendo oportunidades. O dinheiro – para investir em infraestrutura, por exemplo – está sobre a mesa, mas parado. É tempo de agir, adverte o jornal. O dinheiro está barato, mas não vai ser sempre assim.

De novo, fica aquele cheiro de queimado no ar. Trata-se de levantar a bola do companheiro Aécio? De baixar a bola do Brasil em tempos de sucesso? De associar pleno emprego e desaceleração econômica? (Sem falar nos aumentos de salário para quem não investe nem sabe gastar, como o povão) Tudo junto incluído? Pode ser. Porque a bem costurada política econômica brasileira – com seus rasgões e remendos existentes e por fazer – vai dando certo, e por isso mesmo só merece o desprezo – que disfarça o pânico – de quem pensa sempre market oriented.

Mas o cheiro de queimado permanece, e se estende. Porque ele vem das entranhas do jornal. Tudo o que seus editoriais defendem já deu e está dando errado. O ideário market oriented que é a pedra de fundamental de seu ideário está levando a Europa – onde ele vive, o jornal – para a hecatombe, porque para o brejo já levou.

No dia seguinte ao do editorial (20/5, “Europe’s hollow efforts to save a lost generation”, “O esforço vazio da Europa para salvar uma geração perdida”), a Spiegel International publicou uma matéria escachoante sobre o desemprego entre os jovens na Europa. A palavra hollow significa “vazio”, “oco”, “cavidade”, “buraco”; mas ela tem uma conotação moral. Quer dizer também “insincero, irreal, pouco profundo, sem valor”. É uma das palavras-chave de poema famoso de T. S. Eliot, “The hollow men”, escrito em 1925, na moldura do desencanto vivido na esteira da 1ª Guerra Mundial:

We are the hollow men

We are the stuffed men

Leaning together

Headpiece filled with straw. Alas!

Nós somos os homens ocos

Os homens empalhados

Uns nos outros amparados

O elmo cheio de nada. Ai de nós!,

(Na tradução de Ivan Junqueira)

O vaticínio do poema pode se aplicar tanto os market oriented hegemônicos na Zona do Euro, como o mundo que estão moldando, semeando o desencanto e o desespero num continente que vai perdendo o passo do futuro. Os números são estapafúrdios. Mesmo na próspera Alemanha, de pouco desemprego, entre os de menos de 25 anos (e 18 ou mais) o desemprego é de 7,9%. No restante da Zona do Euro: Áustria, 9,9%; Holanda, 10,3%; Malta, 16%; Luxemburgo, 18,5%; Estônia, 19,4%; Finlândia, 19,5%; Bélgica, 19,6%; França, 26,9%; Eslovênia, 27,1%; Chipre, 28,4%; Irlanda, 30,9%; Eslováquia, 35,9%; e agora os campeões – Portugal, 38,6%; Itália, 38,7%; Espanha, 55,5% e Grécia, 59,4%. Média ponderada, 23,5%: uma catástrofe. Nas palavras da matéria, “está se formando na Europa uma geração perdida”.

Voltemos ao período entre guerras. A expressão “uma geração perdida” foi usada como epígrafe no romance O sol também se levanta, de Ernest Hemingway, começado em 1925 e publicado em 1926. Na época o autor atribuiu a expressão à escritora Getrude Stein, e ele mesmo associou-a à geração que amadureceu durante a 1ª Guerra Mundial e foi por ela irremediavelmente “danificada”. Depois Hemingway escreveu que na verdade o criador da expressão fora o proprietário da oficina onde Stein mandava consertar seu carro.

Voltando a nosso século, o artigo da Der Spiegel assinala que a aversão das elites políticas europeias por qualquer coisa que signifique “dispêndio de verbas” vai estrangulando na prática os programas e promessas de criação de projetos para estimular a geração de empregos em geral, quanto mais entre os mais jovens. “Big promises, scant results”, resume a revista: “Grandes promessas; resultados pífios”, traduzindo livremente.

Enumera a revista: em fevereiro deste ano o Conselho Europeu votou um investimento de €6 bilhões até 2020 para geração de empregos entre os mais jovens, mas desavenças entre os países-membros sobre a aplicação do dinheiro fez o começo do programa ser postergado para 2014. Um programa de investimento franco-germânico nos países do “sul da Europa” com o mesmo objetivo permanece “nebuloso”, apesar do entusiasmo da ministra alemã do Trabalho, Ursula von der Leyen, uma candidata da CDU a uma possível sucessão de Ângela Merkel. A prática alemã tem sido mais a de contratar jovens nos países mais prejudicados para trabalhar… na Alemanha, o que não ajuda muito a economia destes.

Novas promessas estão em curso, pelo menos no plano das intenções. A próxima cúpula europeia deve priorizar o tema. Mas pouco será feito, provavelmente, dentro da ótica de mostrar para o público em geral que está se fazendo tudo o que é possível gastando o menos possível também. Alertados pelas lições da história advindas daquele período da “geração perdida” e dos “homens ocos”, analistas de diferentes procedências (historiadores, economistas não obcecados pela “market-orientation”, escritores, artistas, antropólogos, psicólogos etc.) vêm advertindo sobre os riscos inerentes a esta situação europeia: afinal, foi naquele “vazio de perspectivas” que os nazifascismos prosperaram.

Mas nada disso abala os market oriented. Sem sombra de dúvida, o seu mundo de certezas iluminadas não admite sombras nem dúvidas. Muito menos uma sombra do tamanho do Brasil.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

A mídia mundial inveja bem-estar brasileiro

22 de maio de 2013

Midia_Internacional02

Via Brasil 247

O estado de bem-estar brasileiro estampa a edição do dia [21/5] do principal jornal de economia do planeta, o Financial Times. O Brasil, afinal, cresceu 1% no primeiro trimestre, o dobro da elevação da economia japonesa, elogiada no mundo dos países ricos pela elevação de 0,5% no mesmo período. Um por cento que vale por muito mais, à medida que a Europa apresentou no mesmo período o sexto trimestre consecutivo de crescimento negativo, ou seja, 18 meses com os pés e as mãos da zona do euro atolados na recessão.

O Brasil, para chamar a atenção do Financial Times, criou 200 mil empregos no mês de abril, apontando para um segundo semestre de economia animada, enquanto países como Espanha e Portugal mantêm-se ancorados em taxas de desemprego de dois dígitos. Em razão de programas assistenciais como o Bolsa Família, que contribuiu decisivamente para tirar 40 milhões de brasileiros do estado de miséria, não há, no Brasil dos últimos dez anos, cenas comparáveis às batalhas campais de cidadãos gregos contra suas forças de segurança, em protesto contra as políticas de austeridade determinadas para salvar a primeira democracia do mundo da bancarrota econômica.

O FT com sua redação de alto gabarito deve ter se interessado, ainda, pela taxa brasileira de inflação que se mantém na meta estipulada pelo Banco Central, apurada em 6,9% nos últimos 12 meses, associada à criação de 4,1 milhões de empregos formais desde janeiro de 2011, quando tomou posse o governo da presidente Dilma Rousseff. Um número, repita-se, de 4,1 milhões de novos empregos repleto de contratações de estrangeiros, expulsos, na prática, de uma Europa deprimida e sem coragem para mudar sua política econômica.

No entanto, apesar do quadro objetivo, o vetusto Financial Times fez foco na economia brasileira como um corvo olha para a carniça que lhe interessa, de maneira invejosa e predadora. Porque, diz a editorializada matéria do FT, o estado de bem-estar brasileiro seria apenas e tão somente de fachada, ou, como se diz aqui, para inglês ver.

Nada mais falso. Instalado no coração da crise, na City londrina da Libor desmoralizada (a secular taxa de juro inglesa está sendo trocada por outro indexador, ainda a ser criado, em razão da manipulação fraudulenta sofrida pela ação ilícita de bancos locais), o Financial Times pendurou a humildade junto com suas galochas e segue acreditando ser capaz de ministrar ao mundo as fórmulas ultrapassadas que não estão dando certo nem nos perímetros avistados de seus janelões – quanto mais além mar.

Hoje, o FT versa sobre a saída do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, já em férias. A aposta, mais uma vez, não corre pelo lado positivo, a partir do ponto óbvio da permanência do titular Guido Mantega, mas da pior hipótese, como perda do melhor quadro entre os auxiliares do ministro. Um texto feito para dividir e intrigar. De resto, um texto ultrapassado, porque a silenciosa saída de Barbosa do governo não provocou nenhum abalo interno, como muitos gostariam, mas consumou-se como um episódio natural em qualquer governo, onde os divergentes, sem formar consenso ou maioria, perdem e saem. Como disse o professor de Harvard Dani Rodrick, em passagem pelo Brasil na semana passada, “este é um país normal, o que nos dias de hoje significa muita coisa”.

Buscar humildade num jornalista, inglês ainda por cima, curvado a uma das realezas mais caras e empoeiradas do mundo, nunca é fácil. Mas pelo visto, na redação do Financial Times, a missão é mesmo impossível. Todos os números, projeções e retrospectivas mostram que a experiência brasileira de aposta no mercado interno como sustentação do crescimento tem dado certo até aqui. Por mais que quem esteja de fora não a entenda ou, simplesmente, pelo desvão do velho e sempre presente imperialismo, não as queira compreender e, como seria correto, admirar.


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