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FHC: “Sou de esquerda, mas ninguém acredita.” Por que será?

10 de abril de 2014

Face_FHC_Clinton01O Príncipe dos Sociólogos, assim como seu partido, é uma piada.

Bernardo Mello Franco, via Folhapress

Em encontro com intelectuais no Rio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso brincou na noite de terça-feira, dia 8, com a imagem de neoliberal. Ele afirmou que é de esquerda, mas ninguém acredita.

“Hoje, se disser que sou de esquerda, as pessoas não vão acreditar. Embora seja verdade. É verdade!”, jurou, em debate no Museu de Arte do Rio com o ex-ministro Sergio Paulo Rouanet.

Prestes a reaparecer na tevê na propaganda do PSDB, que vai ao ar dia 17, o tucano desdenhou a pesquisa Datafolha que mostrou que 57% dos brasileiros não votariam em um candidato apoiado por ele.

“Isso não vale muito. Essas opiniões são muito momentâneas. E não é isso que conta. O que conta é se você tem ou não convicção”, afirmou. “Em política, você não tem que contar quem é a favor e quem é contra. Você tem que transformar quem é conta em a favor. Tem que argumentar.”

O programa do dia 17 marcará uma guinada na relação do marketing tucano com FHC. O presidenciável Aécio Neves promete reabilitar o ex-presidente, que deixou o poder há mais de 11 anos com altos índices de reprovação. Nas últimas três campanhas, ele foi deixado de lado por José Serra e Geraldo Alckmin.

Questionado sobre sua fala na propaganda, FHC desconversou. “Gravei alguma coisa, mas não me lembro mais, sinceramente. Nem sei se vão aproveitar. Eu nunca fiz questão de aparecer em programa do PSDB”, disse.

“Desde que deixei a Presidência, sempre reiterei que minha visão não é eleitoreira. Não sou uma pessoa que queira popularidade. Eu quero é ter valores, acreditar nas coisas.”

Bem-humorado, FHC lembrou na palestra o ex-presidente Hugo Chavez (1954-2013), a quem defendeu de uma tentativa de golpe em 2002. Apesar da amizade, confidenciou que tentava não se associar ao venezuelano, que o tratava como mestre.

“O Chavez só me chamava de ‘Mi maestro’. Eu dizia para ele: ‘Baixinho, por favor…’”, contou. O tucano também brincou com a vaidade do senador José Sarney (PMDB/AP) ao recordar a criação da lei Rouanet de incentivo à cultura, que substituiu a antiga lei Sarney no governo Fernando Collor.

“Na política, você tem que tomar cuidado com os egos. Fazer a lei Sarney se chamar lei Rouanet era um passo complicado…”

***

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8 de abril de 2014

Lula_Blogueiros06_2014

Fernando Brito, via Tijolaço em 8/42014

Em artigo publicado no site do Instituto Lula, o ex-presidente faz comparações irrespondíveis entre o Brasil de hoje e aquele que ele encontrou ao assumir o governo. Reproduzo o texto ao final, mas tomo a liberdade de fazer uma lista, simplificada e mais fácil de absorver, das comparações feitas por ele.

É isso o que deve ser mostrado ao eleitor, para sua decisão de votar, porque é a realidade, não a espuma batida e misturada pelo “liquidificador” da mídia. Porque é isso que define o vigor econômico do país e, com ele, a renda, o emprego, os recursos para investimentos sociais, para a modernização do serviço público.

Aos dados econômicos de Lula, portanto:

● O Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país, era, em 2003, o equivalente a US$550 bilhões, hoje supera os US$2,1 trilhões. Quatro vezes maior, portanto.

● O comércio exterior passou de US$119 bilhões anuais em 2003 para US$480 bilhões em 2013, também quatro vezes maior.

● O investimento estrangeiro direto, que foi de US$63 bilhões, contra os US$16,6 bilhões de 2002, quando já não havia quase nada mais a ser vendido na quitanda de Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, quase quatro vezes mais.

● Inflação de 12,5% em 2002 para 5,9% em 2013, reduzida a menos da metade.

● Dívida pública líquida diminuída praticamente à metade; de 60,4% do PIB para 33,8%.

● Reservas cambiais de 376 bilhões de dólares em reservas, quase dez vezes maiores do que os 38,8 bilhões de 2002.

● Geração de empregos: até fevereiro, foram 20,2 milhões de empregos (15,4 milhões com Lula e 4,8 milhões com Dilma), o que dá uma média anual 1,8 milhão de empregos, enquanto nos oito anos de Fernando Henrique Cardoso, que criou 5,02 milhões de vagas, a média era de 627,5 mil vagas anuais. Quase triplicou, portanto, mesmo com uma crise internacional que destruiu 62 milhões de empregos, segundo a OIT.

E Lula poderia ter acrescentado ainda:

● Em dólar, o salário mínimo passou de US$56,33 em dezembro de 2002 (R$200,00 para o dólar a R$3,55), para US$321,77 em março deste ano (RS$724,00 para o dólar a R$2,25). Ou, para corrigir pela inflação interna, aumento real de 86,7% desde aquela data, usando o INPC como indexador.

Será que dá, Aécio, sequer para conversar?

Leiam o artigo de Lula:

A saúde das economias emergentes

Luiz Inácio Lula da Silva

Nos últimos meses têm surgido na mídia internacional alguns juízos apressados e superficiais sobre um inevitável declínio econômico dos chamados países emergentes e a sua suposta “fragilidade”.

Os que pensam assim não compreendem o alcance das transformações que o mundo viveu nas últimas décadas e o verdadeiro significado do salto histórico que deram países como a China, a Índia, o Brasil, a Turquia e a África do Sul, entre vários outros. Não percebem que a economia desses países, além de crescer de modo extraordinário, passou também por uma mudança de qualidade. Tornou-se mais diversificada, eficiente e profissional. E muito mais rigorosa e prudente do ponto de vista macroeconômico, sobretudo no que se refere às políticas fiscal e monetária. Não levam em conta que os países emergentes, com tremendo esforço e determinação, reduziram sistematicamente a sua vulnerabilidade interna e externa e agora estão muito mais aptos a enfrentar as oscilações econômicas globais. Por isso, quem os avalia por critérios superados, de décadas atrás – os estereótipos sobre as eternas mazelas do “terceiro mundo” – acaba subestimando a sua solidez e o seu potencial de crescimento.

Até pelos erros de avaliação cometidos na véspera da crise de 2008, quando grandes empresas norte-americanas e europeias à beira da falência eram consideradas por muitos analistas como modelo de solidez e competência, penso que seria recomendável maior objetividade nos diagnósticos e, principalmente, nos prognósticos.

Um dos principais ensinamentos a tirar da crise, que não surgiu nas nações em desenvolvimento, mas nos países mais ricos do planeta, é que as opiniões sobre as economias e o destino dos países devem evitar tanto o elogio inconsistente quanto o alarmismo sem fundamento. A busca equilibrada da verdade é sempre o melhor caminho. E isso supõe examinar de perto, meticulosamente, sem preconceitos nem velhos clichês, a economia real de cada país.

Os países emergentes, obviamente, não estão nem nunca estiveram isentos de desafios. Integrados ao mercado mundial, tem que lidar com as consequências de um maior ou menor dinamismo da economia global. Mas hoje não dependem exclusivamente das exportações que, apesar da crise, mantiveram um volume muito expressivo. Os países emergentes criaram fortes mercados internos, ainda com enorme horizonte de expansão. A retomada dos Estados Unidos e da Europa não torna essas economias menos atrativas para o investimento estrangeiro, que continua a chegar em grande quantidade. As economias desenvolvidas precisam, mais do que nunca, de mercados ainda elásticos para a sua produção, e esses mercados estão principalmente na Ásia, na América Latina e na África. Sem falar que o crescimento norte-americano e europeu tende a favorecer o conjunto do comércio mundial.

A queda no ritmo de crescimento dos emergentes costuma ser exemplificada com a situação da China, que chegou a crescer 14 por cento ao ano e hoje cresce em torno de 7%. É evidente que, com a desaceleração dos países ricos, a China não poderia manter a mesma velocidade de expansão. O que se esquece, porém, é que 10 anos atrás o PIB da China era de cerca de 1.6 trilhão de dólares e hoje é de quase 9 trilhões de dólares. A taxa de crescimento é menor, mas sobre uma base muitíssimo maior. Além disso, deixou de ser um país quase que exclusivamente exportador, para desenvolver também o seu mercado interno, o que demanda novas importações. Por outro lado, graças à imensa poupança e acúmulo de reservas, a China passou a ser uma importante fonte de investimentos externos na Ásia, na África e na América Latina.

Embora sejam economias menores do que a China, os outros emergentes, com diferentes ritmos de crescimento – mas sempre crescendo – também apresentam boas perspectivas.

É o caso do Brasil, que está sabendo ajustar-se ao novo cenário internacional e tem condições concretas não só de manter as suas conquistas econômicas e sociais, mas de continuar avançando.

Os dados da economia brasileira falam por si. No último decênio, o Brasil conseguiu tornar-se em vários aspectos um novo país. O PIB, que em 2003 era de 550 bilhões de dólares, hoje supera os 2.1 trilhões. Somos hoje a sétima economia do mundo. O comércio externo passou de 119 bilhões de dólares anuais em 2003 para 480 bilhões em 2013. O país tornou-se um dos seis maiores destinos de investimento externo direto, recebendo 63 bilhões de dólares só no ano passado, de acordo com as Nações Unidas. É grande produtor de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; e líder mundial em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

Baixamos a inflação de 12.5 por cento em 2002 para 5.9 por cento em 2013. Há dez anos consecutivos ela permanece dentro dos limites estabelecidos pela autoridade monetária, mesmo com a aceleração do crescimento. Reduzimos a dívida pública líquida praticamente à metade; de 60.4 por cento do PIB para 33.8 por cento. Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2.5 por cento, o melhor desempenho entre as grandes economias. E a Presidenta Dilma Rousseff anunciou o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da dívida em 2014.

Com 376 bilhões de dólares em reservas, dez vezes mais do que em 2002. Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas ajustando o câmbio sem turbulências nem artifícios.

Esses resultados poderiam ter sido ainda melhores, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do FED. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil cresceu 2.3 por cento no ano passado, um dos melhores resultados dentre os países do G-20 que já divulgaram os indicadores de 2013.

O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo, segundo a OIT, destruiu 62 milhões de empregos, o Brasil criou 10.5 milhões de novos postos de trabalho. A taxa de desemprego é a menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

Há uma década o país trabalha ativamente para ampliar e modernizar a sua infraestrutura. Aumentamos a capacidade energética de 80 mil MW para 122 mil MW e estamos construindo três hidrelétricas de grande porte. Além disso, o governo lançou um vasto programa de concessões de portos, aeroportos, rodovias, hidrovias e distribuição e geração de energia no valor de mais de 170 bilhões de dólares.

Recentemente estive com investidores globais, em Nova Iorque, mostrando como o Brasil se prepara para dar passos ainda maiores na nova etapa da economia mundial. Pude comprovar que eles tem uma visão ao mesmo tempo realista e positiva do país e do seu potencial de crescimento. Seguirão investindo no Brasil e, com certeza, terão bons resultados, crescendo junto com o nosso povo.

O novo papel que os países emergentes assumiram na economia global não é algo efêmero, transitório. Eles vieram para ficar. A sua força evitou que o mundo mergulhasse, a partir de 2008, numa recessão generalizada. E não será menos importante para que a economia global volte a ter um ciclo de crescimento sustentado.

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Ao criticar o governo, FHC esqueceu o próprio passado

14 de março de 2014
FHC_Aecio03

FHC dá as costas para seu passado e abraça um presente sombrio.

Via Blog do Zé Dirceu

Principal patrono do senador Aécio Neves (PSDB/MG), cuja candidatura ao Palácio do Planalto lançou há mais de um ano para alijar o ex-governador José Serra do páreo, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso voltou à ribalta – aliás, ele não tem saído – quarta-feira, dia 12, para atacar o governo. Em seminário promovido pelo seu Instituto FHC sobre os 20 anos do Plano Real, o líder do tucanato acusou o governo da presidenta Dilma Rousseff de “autoritário”.

O ex-presidente da República considerou, também, que no atual governo “o processo de tomada de decisão se faz à margem do Congresso e da sociedade”. FHC atirou no que viu e acertou no que não viu. Como principal patrono da candidatura Aécio Neves, esqueceu-se de que seu candidato a presidente da República neste 2014 governou Minas por oito anos (2003-2010) à base de leis delegadas.

A Assembleia Legislativa recebia pacotes fechados, a ela só cabia homologar projetos prontos enviados do Palácio da Liberdade pelo governador Aécio Neves. O próprio candidato tucano ao Planalto foi infeliz em sua intervenção política ontem. Ao comentar a crise que o governo estaria enfrentando com a base aliada, segundo a Folha publica hoje, o senador teria dito: “Tem uma parte da política que é conquista. Não é compra de apoios. Essa parte a Dilma nunca soube fazer e não vai aprender agora”.

Não se discute: PSDB tem autoridade em compra de votos

Essa questão de “compra”, a equipe do blog do ex-ministro não vai discutir nem questionar com os tucanos. Nessa o PSDB é quem é mestre. Eles são acusados de terem comprado votos em 1997 para aprovar a emenda constitucional da reeleição, lembram-se?

Acusações que se mostraram tão fortes e se provaram tão sérias, que os deputados acusados de vender o voto para aprovar a reeleição – e havia até confissão deles da venda, em gravações publicadas pela Folha de S.Paulo –, à medida que as apurações avançavam, renunciaram ao mandato para não serem cassados e ficarem inelegíveis na eleição seguinte.

O ex-presidente FHC também fala da noticiada crise do governo com a base aliada. A coalizão de governo sempre foi criticada pelos tucanos, como se eles também, sob o comando do ex-presidente Fernando Henrique, não tivessem governado os oito anos em sistema de alianças e coalizão. Aliando-se a tantos partidos quantos havia, quantos aparecessem e quantos quisessem a eles aliar-se.

A ponto de a mulher do presidente, Fernando Henrique, dona Ruth, quando questionada sobre a aliança com o PFL (hoje DEM), que à época tinha entre seus líderes o conservador senador Antônio Carlos Magalhães (BA), ter respondido: “O PFL tem o ACM, mas tem também os outros”. Nominou, em seguida, outros políticos, considerados mais avançados, que à época alinhavam-se no PFL.

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Contratada por FHC, Booz Allen já operava como gabinete de espionagem dos EUA

Se cuida, FHC: Vem aí a CPI da Espionagem da CIA

A empresa que espionava o Brasil prestava consultoria ao governo de FHC

Era Lula cria mais empregos que FHC, Itamar, Collor e Sarney juntos

FHC já defendeu uma nova Constituinte, mas agora acha autoritarismo. Pode?

FHC se diz contra 100% dos royalties para a educação

FHC já admite que Aécio não tem condições de ser candidato

FHC é o bafômetro de Aécio

FHC não mostrou o Darf

Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal

MP/SP é contra doação a Instituto Lula, mas a favor de doação à Globo?

9 de março de 2014

Henfil_Grauna01Miguel do Rosário, via Tijolaço

Um post no blog do Nassif levantou a lebre. Alguns promotores e agora um desembargador estão em campanha contra a doação da Prefeitura de São Paulo – feita pelo ex-prefeito Gilberto Kassab – de um terreno ao Instituto Lula. Por que não falaram nada quando a Sabesp doou R$700 mil ao Instituto FHC? Ou pior, porque jamais protestaram contra a doação do então governador José Serra de um terreno público, avaliado hoje em R$14 milhões, à Rede Globo?

É assim? Dois pesos e duas medidas? Para a Globo, tudo, para Lula, nada?

A fortuna dos proprietários da Globo é calculada hoje em mais de R$60 bilhões. Os três irmãos Marinho são a família mais rica do país. Perto deles, Lula ainda é um pobretão.

A família Marinho ficou bilionária durante a ditadura, que ajudou a sustentar. Lula iniciou sua carreira política lutando contra a ditadura, e se tornou o que é através da vontade democrática do povo.

Quem possui, neste caso, a melhor credencial democrática?

***

A atenção seletiva dos promotores de São Paulo

Sugerido por Gilberto, via Jornal GGN

A notícia é da coluna de Fausto Macedo, no jornal O Estado de S.Paulo, de sexta-feira, dia 7: “O Tribunal de Justiça manteve proibição imposta à Prefeitura de São Paulo de ceder imóvel avaliado em R$20 milhões ao Instituto Lula. Aliás gostaria de conhecer um único incorporador que pagasse 20 milhões por um terreno na Luz.”

Gostaria de saber onde estavam os atentos quadros da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social em 2007, quando a Sabesp doou ao IFHC o valor de R$500 mil. Valor atualizado: R$777.632,39 (leia notícia abaixo)

Ou, recentemente, em 2010 quando Serra doou um terreno, já invadido por ela, à Rede Globo. Valor na época R$11 milhões. Valor atualizado: R$14.449.389,93 (Veja notícia abaixo)

***

Do Estado

7/3/2014 – 07:51:05

Tribunal mantém veto à cessão de terreno para Instituto Lula

Desembargador vê “situações de inconstitucionalidade” em lei que autoriza Prefeitura de São Paulo a entregar imóvel por 99 anos.

Por Fausto Macedo

O Tribunal de Justiça manteve proibição imposta à Prefeitura de São Paulo de ceder imóvel avaliado em R$20 milhões ao Instituto Lula. Em despacho de quarta-feira, dia 5, o desembargador Borelli Thomaz, da 13ª Câmara de Direito Público do TJ, rejeitou recurso (agravo de instrumento) da Prefeitura contra liminar da primeira instância, de 10 de fevereiro, que acolheu ação civil proposta pelo Ministério Público.

Borelli Thomaz assinalou que “desde logo se entreveem situações de inconstitucionalidade” na cessão do terreno, situado no bairro da Luz, região central da Capital.

O desembargador negou o efeito suspensivo pretendido pela Prefeitura, mantendo de pé o veto à cessão do imóvel. Ele decretou a suspensão do processo até o julgamento de mérito do recurso.

A cessão do imóvel foi aprovada por lei municipal na gestão Gilberto Kassab (PSD), em 2011.

O desembargador observou que a operação representa “perceptível atentado” aos artigos 37 da Constituição (violação aos princípios da moralidade, legalidade e impessoalidade) e ofensa aos artigos 17 e 24 da Lei 8.666/93 (Lei de Licitações).

Borelli Thomaz confirmou a liminar do juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública, que declarou ser possível “o controle da constitucionalidade e da legalidade” da Lei Municipal número 15.573/2012, que autorizou a Prefeitura a ceder o imóvel, sem licitação e pelo prazo de 99 anos, para instalação do “Memorial da Democracia”, projeto do Instituto Lula.

Para o juiz, a iniciativa “viola a moralidade pública”. Ele determinou à Prefeitura e ao Instituto que não iniciem ou continuem a execução do contrato, sobretudo quanto à ocupação efetiva da área pública concedida, sob pena de multa diária de R$500 mil.

O juiz ordenou que o Município, com “seu poder de polícia”, tome medidas para evitar a invasão do imóvel.

A ação civil é subscrita pelos promotores de Justiça Valter Foleto Santin e Nelson Luís Sampaio de Andrade, que integram os quadros da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público que investiga e combate improbidade.

Os promotores de Justiça advertem, nos autos da ação civil, que o caso se trata de concessão de um terreno público a instituto privado, para “divulgação do acervo privado do ex-presidente da República Lula”. Eles destacam “inexistência de obrigatória lei municipal de interesse local sobre acervo presidencial, em lesão à legalidade”.

Para os promotores, a cessão do terreno caracteriza “proteção unipessoal, desatenção e omissão da memória de outros presidentes da República, em ferimento à igualdade e à democracia”.

Valter Santin e Nelson Andrade advertem, ainda, que a parceria entre a Prefeitura e o Instituto Lula representa “promoção e favorecimento pessoal de um único ex-presidente à custa do patrimônio público, em lesão à impessoalidade e à moralidade”. Apontam “custo elevado e benefício público restrito e direcionado, contra a eficiência”.

Os promotores que defendem o patrimônio público avaliam. “Falta interesse público de divulgação de acervo de apenas um (Lula).”

Para eles, está configurado o “desvio de finalidade pela contratação danosa e lesiva ao Tesouro”. Além disso, destacam, não houve licitação, apesar da existência de “inúmeras entidades em condições de concorrer pelo mesmo espaço público e finalidade, com ofensa à eficiência e outros princípios da boa administração e correta utilização de recursos e bens públicos”.

A Prefeitura, autora do agravo de instrumento, deverá aguardar o julgamento de mérito do recurso.

***

Da Folha

São Paulo, quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Doação

Sabesp deu R$500 mil para projeto de instituto de FHC

DA REPORTAGEM LOCAL

O Instituto Fernando Henrique Cardoso, entidade não-governamental criada pelo ex-presidente da República, recebeu no ano passado doação de R$500 mil da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), administrada por indicados pelo PSDB.

A ONG do ex-presidente captou por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura, cerca de R$2 milhões de doadores diversos, entre os quais a Sabesp, para um projeto de preservação do acervo de FHC –documentos, fotografias e objetos. Em nota, o instituto negou haver irregularidades na doação.

A Sabesp é uma empresa de economia mista cujo principal acionista é o governo do Estado de São Paulo. A doação feita pela empresa foi revelada por reportagem publicada ontem no site “Terra Magazine”. De acordo com o texto, os recursos serão abatidos do Imposto de Renda por meio da Lei Rouanet.

A nota divulgada ontem pelo instituto FHC explica que as doações, fruto de um projeto aprovado pelo Ministério da Cultura, se destinam à digitalização do arquivo do instituto, que poderá ser acessado pela internet.

“Além das atividades acima referidas [digitalização], ele [o projeto] prevê a realização de exposições, seminários e palestras dirigidos a um amplo público de estudantes e professores.”

A nota prossegue ressaltando a legalidade da doação da Sabesp. “O iFHC manteve-se no estrito cumprimento das determinações legais, seja em relação à Lei Rouanet, que permite a doação de empresas públicas, seja da Lei 4.344, que faculta a qualquer entidade ou pessoa física mantenedora de acervos documentais privados de presidentes da República “buscar apoio financeiro e técnico do poder público para projetos de fins educativos, científicos e culturais”.”

A Folha não conseguiu falar ontem com a Sabesp.

***

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Paulo Moreira Leite: FHC, o homem da máscara de ferro do PSDB

7 de março de 2014

FHC_Mascara_FerroLouvações a FHC lembram a lenda da França do século 17 sobre monarca aprisionado pelo próprio irmão.

Paulo Moreira Leite em seu blog

Os elogios à presença de Fernando Henrique Cardoso na campanha de Aécio Neves ameaçam transformar o ex-presidente numa versão tropical do Homem da Máscara de Ferro. Personagem de uma lenda política da França do século 17 que acabou transplantada para um episódio dos Três Mosqueteiros.

A história diz que o Luís 14 tinha um irmão gêmeo. Para evitar que ele resolvesse lutar pelo trono, o Rei Sol resolveu trancafiá-lo em masmorras impenetráveis e sombrias, escondendo sua verdadeira identidade com uma máscara de ferro que mal lhe permitia respirar ou se alimentar.

FHC é o homem da máscara de ferro do PSDB. Em pleno século 21, tenta-se fazer o eleitor acreditar que ele se tornou prisioneiro dos próprios colegas de partido, que teriam decidido esconder o ex-presidente dos eleitores pelo receio de serem ofuscados pelo prestígio de Fernando Henrique.

Eu acho ótimo que Fernando Henrique esteja presente à campanha de 2014. Irá silenciar o coro interesseiro que sempre apontou a presença de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Dilma como sintoma de que o PT queria instalar um regime bolivariano no Brasil. Sua participação dará um pouco de memória à disputa, permitindo ao eleitor estabelecer os troncos políticos de cada concorrente.

Em nossa quinta eleição presidencial por voto direto desde 1989, essa continuidade é um avanço na construção de um sistema de partidos representativos, com história e alguma coerência. A dúvida é sobre o efeito FHC sobre os eleitores.

Em certa medida, este papel parece claro. O ex-presidente tentará acentuar a tensão e o descontentamento de parte da elite econômica do país com o governo Dilma. Tentará emprestar a Aécio uma parte da credibilidade que possui. Longe das urnas, até Dilma Rousseff reconheceu méritos no governo de Fernando Henrique.

Na prática, a dúvida é saber se FHC ajuda a ganhar votos, pois é para isso que as pessoas sobem no palanque, não é mesmo?

Em 2002, José Serra conseguiu atravessar a campanha inteira sem pronunciar um único elogio a FHC. Em 2006, Geraldo Alckmin manteve o ex-presidente na sombra até que o próprio Lula, no debate pela tevê no 2º turno, colocou Fernando Henrique em discussão, ao lembrar as privatizações. Alckmin perdeu o equilíbrio e as últimas esperanças de gerar calor na corrida na reta final.

Fernando Henrique criou o real, defendeu a moeda e fez um governo que teve muitos méritos. Ganhou duas eleições no 1º turno, o que Lula nunca conseguiu. Mas FHC deixou o Planalto em ambiente de catástrofe, coisa que nunca se viu depois dele.

A inflação se aproximava dos dois dígitos. O real descia para um fundo de poço que transformava a “moeda forte” em motivo de piada do povo e pesadelo dos empresários, nocauteados pelas dívidas em moeda estrangeira.

FHC deixou o Planalto com a popularidade negativa em 13 pontos. Dilma Rousseff caiu nos protestos de junho. Mas se recuperou em poucos meses. Fernando Henrique não.

Ocorreu um dado mais grave, que complicou tudo. Lula não fez sua parte para ajudar na recuperação de FHC. Não criou o efeito “eu era feliz e não sabia” que tantos analistas adversários ofereciam como mercadoria garantida.

Recebido pelo mercado com os piores presságios, inclusive um cálculo do Goldman Sachs, chamado “lulômetro”, que media o impacto negativo das declarações do candidato do PT sobre a economia, Lula fez um governo indiscutivelmente melhor do que o antecessor. A economia cresceu o dobro: 4,4% por ano, em média, contra 2,2%. A renda foi distribuída. Os gastos sociais se multiplicaram e o mercado interno ganhou impulso como nunca se viu. O desemprego caiu.

E se havia uma conjuntura externa favorável, seria desonesto ignorar as diversas medidas de política econômica do governo Lula que tiveram um impacto positivo na economia. FHC também teve conjunturas favoráveis – e aproveitou menos. Também teve conjunturas desfavoráveis – e reagiu pior. A economia de Dilma, de quem os cronistas reclamam o tempo inteiro, fechou 2013 um pouquinho melhor que a média de FHC: 2,3%. Mas o desemprego sempre foi melhor. A distribuição de renda também. A redução da desigualdade prosseguiu.

A maldade e a inveja são elementos conhecidos da política. Mas é essa memória que atrapalha FHC.

***

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