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Na família e nos amigos, a energia para defender a história de José Genoíno

17 de novembro de 2013

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Depois de pegar em armas contra a ditadura, Genoíno é injustiçado em plena democracia.

Paulo Donizetti de Souza, via RBA

Rioco Kayano foi presa em abril de 1972. Caiu nas mãos da repressão à Guerrilha do Araguaia pouco depois de se hospedar em Marabá (PA). O cerco se fechava. A operação contra 70 guerrilheiros teria reunido até 10 mil soldados. José Genoíno a conheceu em 1968, das reuniões do PCdoB. E, se a vida na clandestinidade os afastou, a cadeia os uniu. Genoíno assistiu à final da Copa de 1970, Brasil 4 x 1 Itália, na casa de Rioco. Embarcou para o sul do Pará no dia em que a seleção brasileira voltou do México. Os tricampeões desfilavam no Anhangabaú, em São Paulo, e ele tomava um ônibus para Campinas (SP), depois Anápolis (GO), Imperatriz (PA), selva. Preso no mesmo mês que a companheira, avistou-a na prisão. Estavam em diferentes salas de tortura e olharam-se acidentalmente através de um espelho – temendo pelo que teriam de suportar. Passaram a trocar mensagens de amor. Casaram-se em 1977, quando ele foi solto.

Quando embarcaram para a luta armada, não imaginavam que em menos de uma década o regime autoritário passaria por uma abertura gradual – e “segura” para os golpistas de 1964. Preso numa cela em Carolina do Norte, tendo agora como sonho imediato um pouco de água para abrandar a secura provocada pela malária e pelos choques elétricos, como poderia supor que em 1980 seria o sétimo filiado do diretório do Butantã de um partido legalizado e apto para a disputa e pelo qual seria eleito deputado federal em 1982?

Tampouco cogitaria eleger um operário presidente da República 20 anos depois. Muito menos que cairia numa emboscada diferente e, em plena democracia, seria condenado, por acusações não provadas de corrupção ativa e formação de quadrilha, a seis anos e 11 meses de prisão.

Resultado de uma trama conduzida com astúcia por políticos, juízes e setores da imprensa, o julgamento do “mensalão” dará ainda muito assunto para a história. Enquanto isso, Genoíno e sua família cerram novas fileiras. Quarenta anos depois de cair na guerrilha, as armas de Rioco para enfrentar o cerco ao marido são outras. Paciência e bordado; a solidariedade dos amigos; a presença silenciosa e protetora do filho Ronan, de 29 anos; os escritos e a fé da filha Miruna, de 32, e da enteada Mariana, de 27, que mora em Brasília e tinha 14 quando foi apresentada a Rioco e aos irmãos. O pai tinha medo, esperou que ela e eles crescessem. “Quando veio essa situação foi muito difícil. Mas a Mariana é um ser humano sensacional, que até me emociona”, diz Miruna.

Rioco, aposentada há cinco anos, participa de grupos de pintura e bordados. No dia 9 de outubro, viu o marido despedir-se do cargo de assessor do Ministério da Defesa, após a condenação no Supremo Tribunal Federal, com uma carta. Na mensagem, aberta com a frase “Eles passarão, eu passarinho”, de Mário Quintana, o ex-presidente do PT afirma: “Reservo-me o direito de discutir a sentença que me foi imposta. Uma injustiça monumental foi cometida”.

Rioco levou o passarinho de Quintana para o bordado. “Eu digo para os meus filhos que cada um tem de desenvolver a sua arma para lidar com a situação. A arma do Genoíno é a fala. A Miruna escreve. O Ronan recorre ao silêncio. E eu pinto e bordo”, define. A escrita de Miruna em apoio ao pai, “A coragem é o que dá sentido à liberdade”, correu mundo tão logo o STF proferiu a sentença.

A carta não poupa a imprensa: “Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em noticiar a tragédia de um político honrado? Pois os meios de comunicação tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais. Mas, ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história”. Além de escrever, ela ­reza. Outro dia pegou o marido e os filhos e foi para Aparecida (SP). “Tenho muita fé”, diz. “Até para, diante de uma situação em que você se sente impotente, poder sentir que está fazendo alguma coisa.”

É dela um dos 100 pares de mãos que já participaram do bordado. “Veio à cabeça convidar as pessoas que vinham aqui a participar. Foi uma arma contrapor a algo tão negativo uma coisa bonita”, conta Rioco. “Apareceu gente que não sabe nem colocar linha em agulha. Esse desejo de que coisas boas aconteçam traz energia e nos fortalece. Esse pássaro, fênix, representa um pouco isso. Depois dessa travessia tão difícil o Genoíno vai renascer.”

Genoíno diz que a política é algo permanente em sua vida. E nunca pela metade. “Eu sempre assumi aquilo que era preciso.” Assumiu inclusive missões que não desejava, como a candidatura a governador de São Paulo em 2002 – “para dar sustentação à candidatura de Lula no estado” – ou a presidência do PT em 2003 – “Eu não tinha mandato e era necessário uma pessoa conhecida na presidência do PT”.

Desde o início de outubro, convive com a missão de reverter os efeitos de um julgamento que considerou politizado pela Justiça e pela mídia. A mesma missão vivida por José Dirceu, companheiro de UNE no Congresso de Ibiúna, em 1968, de clandestinidade, de construção de um novo partido, que elegeria Lula. Condenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha, também sem apresentação de provas pela acusação, Dirceu foi considerado líder do núcleo político do “mensalão”, ao lado de Genoíno e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, penalizado com 8 anos e 11 meses.

Quando Genoíno recebeu a reportagem da Revista do Brasil e da TVT em sua casa, no Butantã, em 19 de novembro, estava acompanhado de Rioco e Miruna. Durante duas horas, falou de sua história, de sua família, da solidariedade que tem recebido de amigos e de estranhos e da energia que tem encontrado para defender sua história.

Colaborou Talita Galli, da TVT.

Desigualdade social: 124 pessoas concentram 12,3% do PIB brasileiro

13 de setembro de 2013
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Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra e a família Marinho, juntos, possuem uma fortuna de R$123,78 bilhões.

Via Correio do Brasil

As 124 pessoas mais ricas do Brasil acumulam um patrimônio equivalente a R$544 bilhões, cerca de 12,3% do PIB, o que ajuda a entender porque o país é considerado um dos mais desiguais do mundo. Estas 124 pessoas integram a última lista de multimilionários divulgada nesta segunda-feira pela revista ‘Forbes’, que inclui todos os brasileiros cuja fortuna supera R$1 bilhão.

O investidor chefe do fundo 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, que acaba de adquirir a fabricante de ketchup Heinz e é um grande acionista da cervejaria AB InBev e do Burger King, ficou com o primeiro lugar. A fortuna de Lemann, de 74 anos, chega a R$38,24 bilhões, enquanto o segundo da lista, Joseph Safra, empresário de origem libanesa e dono do banco Safra, tem ativos de R$33,9 bilhões.

A maioria das fortunas corresponde a membros de famílias que dominam as grandes empresas de setores como mídia, bancos, construção e alimentação. No caso da mídia, os números mostram a concentração de poder dos três irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, que detêm o controle da maior empresa de mídia da América Latina e, juntos, formam um patrimônio de R$51,64 bilhões, tornando-a a família mais rica do país. As Organizações Globo foram fundadas em 1925 por Irineu Marinho, avô dos atuais proprietários, mas somente se tornou uma empresa multimilionária a partir da gestão do pai deles, Roberto Marinho, construída durante a ditadura militar no país, ao longo de mais de 20 anos.

Entre os 124 multimilionários brasileiros apenas o cofundador de Facebook, Eduardo Saverin, constituiu seu patrimônio por meio da internet.

O empresário Eike Batista, que chegou a ser o sétimo homem mais rico do mundo e perdeu parte de sua fortuna pela vertiginosa queda do valor das ações de sua companhia petrolífera OGX e do resto das empresas de seu conglomerado EBX, ficou em 52º lugar na lista.

A grande fortuna concentrada por estes milionários comprova a veracidade dos indicadores oficiais que classificam o Brasil como um dos países com maiores disparidades entre ricos e pobres.

O índice de Gini do país foi de 0,501 pontos em 2011, em uma escala de zero a um, na qual os valores mais altos mostram uma disparidade mais profunda entre ricos e pobres.

Cerca de 41,5% das rendas trabalhistas se concentram nas mãos de 10% dos mais ricos, segundo dados do censo de 2010, enquanto metade da população vivia, nesse ano, com uma renda per capita mensal de menos de R$375,00.

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Forbes: A famiglia Marinho tem fortuna de R$52 bilhões

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Forbes: A famiglia Marinho tem fortuna de R$52 bilhões

20 de agosto de 2013
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Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto têm, juntos, uma fortuna de R$51,64 bilhões.

Miguel do Rosário, via Tijolaço

A revista Forbes, que produz anualmente listas dos homens mais ricos de cada país e do mundo, adiantou há pouco o último ranking que fez para o Brasil.

Interessante observar que entre os sete homens mais ricos do Brasil, aparecem os três herdeiros das Organizações Globo.

Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto têm, juntos, uma fortuna de R$51,64 bilhões. São a família mais rica do Brasil.

Com essa fortuna somada, os três possivelmente são a família mais rica do mundo no ramo da mídia. Para se ter uma ideia, a mesma Forbes estima que a família de Berlusconi, o todo-poderoso magnata da mídia italiana, tem uma fortuna de US$6,2 bilhões, o que daria algo entre R$13 e 15 bilhões, a depender da cotação.

Rupert Murdoch, proprietário da Fox, tem uma fortuna avaliada em US$11,2 bilhões, algo em torno de R$23 bilhões.

E pensar que a família Marinho se consolidou financeiramente durante a ditadura militar, e hoje recebe mais da metade das verbas publicitárias públicas e privadas no país. E com apoio da Secom!

Abaixo a lista da Forbes.

Jorge Paulo Lemann – Fortuna: R$38,24 bilhões

Joseph Safra – Fortuna: R$33,90 bilhões

Antônio Ermírio de Moraes e família – Fortuna: R$25,68 bilhões

Marcel Herrmann Telles – Fortuna: R$19,50 bilhões

Roberto Irineu Marinho – Fortuna: R$17,28 bilhões

João Roberto Marinho – Fortuna: R$17,26 bilhões

José Roberto Marinho – Fortuna: R$17,10 bilhões

Carlos Alberto Sicupira – Fortuna: R$16,78 bilhões

Norberto Odebrecht e família – Fortuna: R$10,10 bilhões

10º Francisco Ivens de Sá Dias Branco – Fortuna: R$9,62 bilhões

11º Walter Faria – Fortuna: R$9,08 bilhões

12º Aloysio de Andrade Faria – Fortuna: R$8,25 bilhões

13º Abílio dos Santos Diniz – Fortuna: R$7,95 bilhões

14º Giancarlo Civita e família – Fortuna: R$7,68 bilhões

15º Renata de Camargo Nascimento, Regina de Camargo Oliveira Pires e Rosana Camargo de Arruda Botelho – Fortuna: R$7,46 bilhões (cada uma).

O que acontece com a Soninha?

21 de outubro de 2012

“Sustento o que fiz. Xinguei. Não devia. Apaguei.”

Kiko Nogueira, via Diário do Centro da Terra

O problema dela não é o destempero e sim um quadro agudo de esquizofrenia política.

Soninha chamou Fernando Haddad de filho da puta em seu blog, numa diatribe antipetista sobre o debate na Band. Questionada, primeiro declarou: “Tava morrendo de raiva. Vou apagar”. Apagou. E emendou, depois, pelo serviço Ask.fm, em que ela passa o dia respondendo perguntas (diga-se em sua defesa que responde a todas, inclusive as mais ofensivas). “Sustento o que fiz. Xinguei. Não devia. Apaguei. Não passou a vontade de xingar, o que penso sobre a conduta deles, mas nem todas as palavras que a gente pensa e diz em uma conversa devem ser escritas.” Ela trocou o xingamento por “MUITO cinismo”.

Soninha pisou na bola. Acontece. Perdeu a cabeça. Há alguns meses, ela deu uma declaração infeliz sobre um problema no Metrô paulistano, em que milhares de pessoas foram afetadas. Soninha tascou que estava tudo “sussa”. “Muito louco”, completou.

O que aconteceu com Soninha? Ela é uma serrista de longa data. A questão, porém, é outra: Soninha, hoje, ocupa uma posição política esquizofrênica. Ela é vendida como “alternativa”, com todos os sinais de “modernidade”: usa o Twitter ininterruptamente; tem um blog (coordenou a internet de Serra, aliás, na campanha presidencial); recicla lixo; é budista; posou nua numa bicicleta; apoia a descriminalização da maconha; abusa de gírias e palavrões.

Mas, na prática, se alinha com o que há de mais conservador (segundo Fernando Henrique Cardoso) na sociedade. Não dá para acreditar que sua motivação seja dinheiro ou qualquer vantagem espúria. Seja o que for, definitivamente, Soninha não representa novidade nenhuma. O bonde passou. Ela faz o jogo político tradicional e com muito gosto.

Precisa ser assim? Ela poderia se espelhar, eventualmente, no Partido Pirata Alemão, com representação em três estados do país. Um dos líderes, Matthias Schrade, diz que eles querem tirar o poder das mãos dos políticos e devolvê-lo aos cidadãos comuns. “Nós oferecemos transparência, nós oferecemos participação”, afirma. Marina Falkvinge, diretora do partido, causou sensação este ano pelo frescor das ideias. O Diário falou dela.

Soninha tem 45 anos e três filhas. Nasceu em Santana, bairro de classe média de São Paulo, e foi VJ da MTV nos anos de ouro da emissora, entre 1990 e 2000. Cristalizou uma imagem de porta-voz dos jovens. Elegeu-se vereadora pelo PT em 2004 e saiu do partido em 2007. Foi subprefeita da Lapa em 2009, já no PPS. No ano passado, assumiu a chefia da Sutaco, Superintendência do Trabalho Artesanal, uma autarquia ligada ao governo de São Paulo.

Nesse tempo todo, não se ouviu falar de uma ideia renovadora, de uma proposta diferente que tenha vindo dela. Está longe de ser uma idiota e não é, até onde se saiba, corrupta. É articulada, inteligente. Mas, se você acredita que ela seja uma opção aos velhos partidos só porque anda de bike e come arroz integral, está na hora de rever seus conceitos – já que os dela estão, infelizmente, enraizados no século passado.

Update

● Haddad afirmou que não vai entrar na Justiça contra Soninha Francine. “Saiu a informação de que minha área jurídica estaria entrando com uma ação. Não quero nenhuma ação dessa natureza”, afirmou ele, que atribuiu o xingo a um “ato impensado”. O candidato do PT disse que não quer “fazer uma discussão na última semana. Não vamos tomar medida nesse sentido”.

● Soninha escreveu sobre os empregos de seus familiares no governo do estado pelo Ask.fm (leia o post do fratello Paulo Nogueira, bom jornalista que é, sobre transparência). Ela se esqueceu de mencionar uma filha que dá expediente na Secretaria de Cultura.

“Não arrumo emprego para ninguém, mas há alguns anos minha filha trabalha na Secretaria do Meio Ambiente (estadual) e minha mãe, no Departamento de Línguas Estrangeiras da Secretaria Estadual de Educação. Mérito delas, não nomeei, não indiquei, e volta e meia elas têm vontade de sair porque amam o que fazem, se matam, mas trabalhar no governo é muito duro. São muito competentes. Confie na minha palavra não, pode ir atrás, investigar. Ah, e trabalhar sem concurso público é da natureza da administração pública – tem os funcionários “permanentes”, concursados, efetivos e aqueles que são escolhidos e nomeados para as funções de livre provimento. Podem ser honestos ou não, competentes ou não, e isso exige fiscalização permanente. O que vale TAMBÉM para os concursados. Mas dispensar um concursado por incompetência e desonestidade é difícil pra cac.” [sic]

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Desespero: Cabo eleitoral de Serra, Soninha xinga Haddad de “filho da p…” e diz que odeia o povo


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