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Mídia golpista e PSDB noticiam: Petrobras tem “32% de chances de falir”. É? Então a Vale tem 59%. Que burros. Dá zero pra eles!

17 de dezembro de 2013

Vale06

Fernando Brito, via Tijolaço

A irresponsabilidade da imprensa para com a Petrobras só não é maior que seu ódio pela empresa. E, acabo me convencendo, que a sua burrice e despreparo.

Boa parte dos sites de economia está publicando a asneira do ano e, claro, o PSDB, idiota, foi atrás e tascou no seu site. É a notícia de que a Petrobras tem 32% de chances de falir nos próximos dois anos, segundo “um estudo” da consultoria Macroaxis.

Não há estudo algum, seus patetas! A Macroaxis é apenas um site de “cálculos de investimento” automatizado, que pega dados financeiros brutos, aplica uma fórmula e “tira conclusões”. Uma “maquininha” de previsões que pega o sobe e desce das ações e projeta mecanicamente.

E chega a conclusões, obviamente, burras. Menos burras, claro, do que quem as divulga dessa forma.

A história é a seguinte:

Há um brasileiro que “contribui” com a Forbes, como centenas que escrevem em seu site. Antunes, um “famous who”, que se divertiu ano passado fazendo um texto sobre as possibilidades de Neymar, gastando demais, falir.

Este ano, descobriu o site Macroaxis e foi buscar entretenimento calculando as possibilidades de falência da Petrobras, certo de que bater na estatal brasileira é porta de entrada escancarada para obter espaço na mídia. E os “complexo de vira-lata” copiam tudo o que sai na Forbes

Bom, este modesto blogueiro aqui, descobrindo como foi feito o tal “estudo da consultoria Macroaxis”, pensou, simplório como é: pau que dá em Chico, dá em Francisco.

Inscreveu-se no site e pediu para calcular as possibilidades de a Vale, maior mineradora do mundo, falir. Não deu outra: 59% de chances de falência nos próximos dois anos! Está lá em cima a imagem e o amigo e a amiga podem fazer os cálculos na página de brincadeirinha financeira, que nem sequer o nome da equipe ou dos dirigentes da “empresa” traz.

Que ridículo! E que imbecis meus colegas de profissão que dão “notícias” baseados numa baboseira destas. Tomara que nenhum chefe de família que tenha posto um dinheirinho em ações da Petrobras, ao ler, tenha saído correndo para vender.

Estes palhaços fazem isso com a maior empresa brasileira, responsável pela extração do mar de riquezas que a providência nos deu no pré-sal. E se dizem jornalistas de economia. Ah, e os tucanos, gente que entende de negócios.

Palermas.

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Credores norte-americanos pedem falência de empresa da Rede Globo nos EUA

11 de dezembro de 2013

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Rede Globo lidera o ranking dos devedores dos veículos de comunicação.

Via Mundo em 11/12/2015

A mídia nacional brasileira acumula atualmente uma dívida de R$10 bilhões, na qual 56% pertencem à Globopar (Globo Comunicações e Participações, holding das Organizações Globo), segundo relatório apresentado pelo setor ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Só no ano de 2002, estima-se que o prejuízo nas empresas de comunicação no Brasil tenha alcançado a casa dos R$7 bilhões. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, rádios, tevês, jornais, revistas e agências de notícias foram obrigadas a demitir pelo menos 17 mil empregados.

O diretor de Planejamento das Organizações Globo, Jorge Nóbrega, afirmou que a Globopar tem uma dívida total de US$1,9 bilhão desde 2002, quando deixou de pagar parcialmente os débitos. Com o atraso nos pagamentos, todas as dívidas ficaram sujeitas ao resgate imediato.

Além das dívidas acumuladas pela Globo no Brasil, o grupo tem enfrentado semelhante situação nos Estados Unidos. O fundo de investimento norte-americano Huff, credor da companhia, moveu processo contra a Rede Globo solicitando renegociação judicial de uma dívida vencida da Globopar no valor de US$94,3 milhões. Devido à dívida, o Huff decidiu entrar na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York em dezembro de 2003.

O fundo de investimento Huff (o Foundations For Research, credor de US$175 mil) é apenas um grupo dos três credores que entraram com um pedido de falência involuntária da Globopar (Globo Comunicações e Participações). Os outros fundos são o GMAM Investment Funds Trust I (que se diz credor de US$30,5 milhões da Globo), o WRH Global Securities Pooled Trust (US$63,6 milhões).

Além da Globo, outras mídias também enfrentam momentos difíceis, como é o caso da mídia impressa, também afetada pela crise entre 2000 e 2002. Enquanto a circulação de revistas caiu de 17,1 milhões para 16,2 milhões de exemplares/ano, a de jornais caiu de 7,9 milhões de exemplares/dia para 7 milhões. Os investimentos publicitários – divididos entre todas as empresas de mídia – diminuíram de R$9,8 bilhões em 2000 para R$9,6 bilhões em 2002 (em valores sem correção).

A maior parte das dívidas das empresas de comunicação se deve ao fato de as empresas apostarem no crescimento da economia e na estabilidade do câmbio, na segunda metade dos anos de 1990. Com isso, acabaram se endividando em dólar para tentar aumentar a capacidade de produção.

De acordo com relatório apresentado pelo setor ao BNDES em outubro de 2003, 80% das dívidas são em dólar, e 83,5% têm vencimento em curto prazo.

Choveram denúncias e mais denúncias contra a participação do BNDES na operação para salvar a Globo da falência, e em meio a uma seara desordenada de denúncias e oposições à questão BNDES, o jornalista Hélio Fernandes, em 14/3/2002, na Tribuna de Imprensa foi categórico: “Deveriam ouvir Romero Machado, que publicou o imperdível ‘Afundação Roberto Marinho’. Ali está contada de forma irrespondível, a força que a Organização sempre teve na Justiça”. E, de fato, numa sequência de denúncias sérias e fundamentadas foi colocado nos meios de comunicação a impossibilidade e a ilegalidade da associação Globo/BNDES. E com isso a operação salvação da Globo foi parcialmente abortada. Mas é bom manter os olhos permanentemente abertos, pois a Globo continua com uma dívida impagável e o governo (federal, principalmente) vive sempre debaixo de muitos escândalos.

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A Veja vendida a preço de banana mostra a agonia das revistas no Brasil

20 de novembro de 2013
Veja_Promocao01

Quem quer comprar? Argh!

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Depois dos rojões do lançamento de uma revista, vem o duro contato com a realidade das vendas. Sabemos todos o que está acontecendo com as revistas. A segunda maior revista de informações do mundo, a Newsweek, está no cemitério, morta por falta de leitores e de anunciantes.

A maior de todas, a Time, aliás a inventora do gênero, foi recentemente desprezada pelo mercado quando seus donos do grupo Time Warner tentaram vendê-la. Ninguém quis comprá-la, simplesmente.

Na era da internet, ninguém lê revistas ou jornais. Ponto. Repare: quando você vê alguém com uma revista ou um jornal na mão, é um idoso ou uma idosa que preferiu não abdicar de um hábito vencido pelo tempo.

Tudo isso posto, poucas coisas mostram mais esse panorama desolador das revistas no Brasil do que uma foto enviada ao DCM por Marcelo, nosso leitor.

A Veja, ignorada pelo público, estava sendo vendida ao chamado preço de banana numa banca no Largo da Carioca, no centro do Rio. Importante: não no meio ou no final da semana, quando está chegando uma nova edição. No começo, quando a revista está tão quente quanto poderia estar no mundo digital.

Lembro, em meus anos de Abril, o esforço épico, e caríssimo, feito para sustentar a carteira de assinantes da Veja na casa de 1 milhão. Jairo Mendes Leal, meu colega de Exame e depois superintendente da Veja, operava milagres para tentar segurar uma carteira que, deixada a si própria, despencaria espetacularmente. (A real carteira, hoje, deve estar entre 100 mil e 200 mil exemplares.)

O objetivo disso era duplo: primeiro, manter a imagem de revista de grande circulação. Segundo, captar anunciantes, a R$70 mil a página ou coisa parecida, por causa da carteira inflada. Quem de nós não conhece alguém que, mesmo sem ter renovado a assinatura, continua a receber a Veja?

São também comuns ações beneficentes feitas com dinheiro público por prefeitos e governadores amigos: eles compram lotes de assinaturas e enviam para escolas estaduais e municipais, onde alunos conectados à internet simplesmente ignoram a revista, logo arremessada intocada à reciclagem.

Com todo o malabarismo, repare que a circulação no final da década de 1980 era a mesma de hoje – com a diferença de que era real.

Maus editores contribuem para o declínio, é verdade, e aí o destaque é, inegavelmente, Eurípides Alcântara, que conseguiu piorar uma revista que já era muito ruim sob seu antecessor, Tales Alvarenga. Mas ainda que a revista fosse tocada por jornalistas como Mino Carta ou J.R. Guzzo, os que a levaram aos dias de glória, mesmo assim a internet faria seu trabalho assassino.

Quando a posteridade estudar a morte das revistas no Brasil, e particularmente a da Veja, que há 30 anos fez época no jornalismo brasileiro, a imagem acima dirá mais do que qualquer coisa.

Estadão, a agonia de uma marca

13 de novembro de 2013

Estadao_A_Provincia01Crônicas do Motta

O Estadão, diz colunista da insuspeita Veja, deu um mandato para o Itaú BBA vendê-lo. O banco teria sondado as Organizações Globo, que não se interessaram pelo negócio.

O diretor de Redação do Estadão anunciou que em breve o jornal cobrará pelo conteúdo de seu portal na internet.

As duas notícias, aparentemente autônomas, estão muito relacionadas. A primeira expõe a decadência irreversível daquele que foi um dos mais importantes jornais do País. A segunda mostra o quanto essa publicação esteve dissociada da realidade nesses últimos anos.

O Estadão começou a perder a importância como, dizem, “formador” da opinião pública, quando começaram seus problemas financeiros, na era FHC. O jornal acreditou, numa ingenuidade – ou estupidez – que contrariava todos os seus editoriais pedantes e professorais, que o dólar ficaria eternamente valendo um real e foi fundo em dívidas na moeda norte-americana.

Teria todas as razões para odiar FHC e sua turma, que o enganaram completamente. Em vez disso, ainda hoje, como um portador da síndrome de Estocolmo, faz de tudo para agradar quem o desgraçou – talvez porque seus atuais controladores de verdade, que são os bancos, guardem eterna gratidão ao ex-presidente.

Os leitores do Estadão de papel são cada vez mais raros. Os assinantes não se renovam. A circulação só diminui – e em consequência, as receitas caem.

Nos últimos tempos a solução para isso tem sido apelar para o passaralho, a gíria dos jornalistas para as demissões em massa. Até fechar uma marca tradicional, o Jornal da Tarde, fez parte dessa estratégia. Mas nada tem funcionado.

A nova tentativa de tirar o grupo do buraco, essa de cobrar pelo conteúdo do seu portal, nem merece ser considerada, tal a sua insignificância e extemporaneidade.

Serve apenas de exemplo de como o jornalão continua sem entender absolutamente nada do mundo contemporâneo, pois, afinal, uma providência dessas surge com muitos anos de atraso: hoje, o modelo é adotado em todo o planeta por milhares de publicações.

O futuro é sombrio para o Estadão. A tese do falecido dono da Folha, de que São Paulo só tinha espaço para um grande jornal, tudo indica, é verdadeira.

A Folha, antes vista como um templo liberal, faz uma guinada à direita, talvez para apressar o fim do concorrente. Ou então para finalmente deixar seus donos à vontade, sem ter de fingir que são algo que nunca foram.

***

Leia também:

A agonia do “Estadão”

Seria o “Estadão” um jornal “nascido para perder”?

 

A morte das revistas semanais de informação

2 de junho de 2013
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Uma das últimas edições impressas da Newsweek, no final do ano passado.

O melancólico final da Newsweek.

Paulo Nogueira em seu Diário do Centro da Terra

Nada mostra tão bem o declínio das revistas semanais quanto a agonia da Newsweek, que durante décadas foi a influente e admirada número 2 do mundo, com uma circulação de 3 milhões de exemplares.

Na redação da Veja, nos anos de 1980, a Newsweek e a líder Time eram acompanhadas com rigor e com devoção pelos jornalistas, incluído eu em meu começo de carreira. Nesta semana, soube-se que, mais uma vez, ela está à venda. Só que ninguém quer comprar os restos mortais.

A Newsweek foi virando pó com a ascensão da internet. Foi perdendo leitores, anunciantes, repercussão e, finalmente, razão de ser. Já nos estertores, passou do grupo que controla o Washington Post para as mãos da editora Tina Brown, que comandava então o site Daily Beast. As duas marcas ficaram sob a órbita de Tina.

No final do ano passado, a edição impressa deixou de circular. Se não fosse o aviso, ninguém teria notado, tão irrelevante já tinha ficado a revista na era digital. Agora, o site foi posto à venda. A empresa quer se dedicar à marca Daily Beast.

É difícil imaginar que apareça candidato. No New York Times, alguém notou, melancolicamente, que não é uma revista à venda, com jornalistas: é apenas uma marca. E uma marca de um passado longínquo. O caso da Newsweek não mostra apenas quanto a internet destruiu a indústria tradicional de mídia. (Há pouco tempo, a Time Warner tentou se desfazer de sua divisão de revistas, mas não encontrou quem quisesse comprar.)

A agonia da Newsweek revela, também, um fato duro para as companhias jornalísticas: as grandes marcas do papel não transferem seu prestígio para a internet. Não surpreende que a empresa prefira se concentrar no Daily Beast e não na Newsweek.

No Brasil, o quadro é o mesmo, com o natural atraso de alguns anos que caracteriza a mídia nacional em relação à norte-americana e à europeia.

A principal revista brasileira, a Veja, é uma sombra do que foi. Os esforços extraordinários para manter a circulação em 1 milhão – a mesma em 20 anos – não têm impedido uma queda calculada em 4% ao ano.

Tenho para mim que o fim iminente e inevitável das revistas semanais de informação amargurou enormemente Roberto Civita em seus últimos anos.

Tenho para mim, também, que parte dos excessos da revista se deveu a uma desesperada tentativa de manter a relevância a qualquer preço. O fato é que a internet vai transformando rapidamente as demais mídias em defuntos.

A próxima parada, liquidados jornais e revistas, é a televisão. O futuro da tevê está na Netflix, no YouTube e na Amazon, que vai produzir conteúdo em vídeo. Marcas tradicionais – a Globo no Brasil – vão enfrentar um processo parecido com o que vitimou a Newsweek e tantos outros títulos nobres da era do papel.

A Globo só consegue manter a receita publicitária – sem a qual não é nada – graças ao expediente do BV, o Bônus por Volume, que acorrenta a ela as agências de publicidade. Mas o grilhão só se explica com audiências monstruosas. Porque é o terror de perder essas audiências – com um boicote da Globo – que faz os anunciantes aceitarem uma coisa tão ruim para eles.

Sem grandes audiências, a amarra se vai. Os anunciantes se despedirão da Globo (e do BV abominado) e vão buscar seus consumidores onde eles estão: na internet. Não no Faustão, não no Fantástico, não nas novelas.

A internet vai fazer com a Globo o que governo nenhum conseguiu fazer: acabar com o monopólio. Pela via da desaparição de espectadores.


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