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Mauro Santayana: Pearl Harbor e Mariel

8 de fevereiro de 2014

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Mauro Santayana, lido Carta Maior

A inauguração, na semana passada, da primeira fase da expansão do Porto de Mariel, em Cuba, e da Zona Especial de Desenvolvimento do mesmo nome, com a presença da Presidente da República, serviu de pretexto, para o lançamento, pelos anticomunistas de plantão, de nova campanha na internet.

Alguns deles se comportam como se a obra fosse uma surpresa e tivesse sido feita sob o mais rigoroso sigilo, quando trata-se do maior projeto em execução na região – a duplicação do canal do Panamá está parada porque as empreiteiras espanholas e italianas contratadas querem receber mais do que foi combinado – envolveu, até agora, centenas de empresas brasileiras e gerou mais de 150 mil empregos no Brasil.

Para os hitlernautas, e os “inocentes” úteis que os seguem, o Brasil estaria dando um “presente” para Cuba, e o BNDES sendo usado para apoiar governos esquerdistas na América Latina quando deveria estar aplicando seus recursos exclusivamente dentro do Brasil.

Ora, essa política de estado – até mesmo FHC fazia isso – vem desde o governo militar, com obras na Mauritânia e no Iraque, por exemplo.

O Brasil não empresta dinheiro para projetos de infraestrutura na América Latina nem por filantropia nem comunismo. Primeiro, porque os recursos emprestados a outros países pagam juros ao BNDES, e precisam ser gastos com a compra de equipamentos e contratação de técnicos e profissionais brasileiros, ou não são liberados.

E, também, porque normalmente esses projetos estão ligados ao desenvolvimento futuro de nossa economia. A linha de 500kV de interligação elétrica de Itaipu com o Paraguai, por exemplo, permitirá que centenas de empresas brasileiras que precisam de energia mais barata para concorrer com os chineses, por exemplo, no mercado internacional, se instalem ali. E o crescimento da economia, do emprego e renda no Paraguai, propiciado pela instalação de novas empresas, levará ao aumento do poder de consumo da população e à importação de mais produtos brasileiros, multiplicando, também, os empregos e as oportunidades de negócio por aqui.

O mesmo ocorre, com as obras de ligação ferroviária e rodoviária dos corredores bioceânicos que estão sendo construídas em nossas fronteiras com o Peru e a Bolívia. Por essas estradas, chegarão, com um preço mais competitivo, produtos brasileiros aos mercados desses países, e, por meio de portos peruanos e chilenos, ao Oceano Pacífico, à China e ao Extremo Oriente, sem precisar passar pelo Estreito de Magalhães ou o Canal do Panamá.

As pessoas que denigrem a construção, pelo Brasil, de Mariel – e que se pudessem, parece que gostariam de bombardear o porto recém inaugurado, como o Japão fez com a base de Pearl Harbor na 2ª Guerra Mundial – são as mesmas que desprezam e ridicularizam as relações de nosso país com nações como Venezuela e Argentina, e que gostam de citar, na internet nas rodinhas, textos escritos por “analistas” antibrasileiros nos jornais de Miami e da Cidade do México.

Mas foram Argentina e Venezuela que nos deram US$10 bilhões de superávit no ano passado, e não os EUA ou a Europa, que cortaram as importações do Brasil em 2013 e foram responsáveis por um déficit de quase US$20 bilhões em nossa balança de comércio exterior.

Se o Brasil não tivesse financiado a expansão do Porto de Mariel, outro país o faria. Países capitalistas, e até de orientação conservadora, como a Itália e a Espanha, ou grandes potências econômicas, como a China, investem mais que o Brasil em Cuba, e ninguém em seus países reclama disso como ocorre por aqui.

O BNDES está investindo bilhões de reais em obras de infraestrutura no Brasil. Mas elas não avançam por motivos que não têm nada a ver com os investimentos do BNDES no exterior, financiando – como fazem bancos de desenvolvimento do Japão, da Europa e dos Estados Unidos – a criação de empregos em seus países e a exportação de serviços e equipamentos para outras nações.

As obras no Brasil não andam, e às vezes saem por três vezes mais do que deveriam, porque são sabotadas, e paradas a todo momento, por qualquer razão, como já ocorreu, por dezenas de vezes, com as hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e Telles Pires e com as novas refinarias e complexos petroquímicos que estão em construção – e dos quais dependemos para diminuir a importação de combustíveis – como o Comperj e a RNEST.

E também porque, enquanto em Cuba a busca do desenvolvimento é consenso, aqui existe uma extrema direita radical, mal informada e burra, que acha que, para ir contra o governo, precisa torcer contra o país.

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Extrema-direita prepara manifestação golpista para 7 de setembro

23 de agosto de 2013

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Radicais da oposição articulam o 7 de setembro: Protestos convocados para o feriado da Independência, que já geram a expectativa de quebra-quebra, estão sendo articulados por grupos políticos que alimentam o golpismo, entre eles, uma ONG ligada à família do deputado Jair Bolsonaro. Outro organizador já foi funcionário fantasma do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB/PR). Em nota, grupo Anonymous ressalta o caráter apartidário [sic] do protesto que está convocando 4,5 milhões de brasileiros em 147 cidades no País. Será?

Via Brasil 247 e lido no PIG –1

Qual é a mão que balança o berço do 7 de setembro? Cercado de expectativa, o próximo feriado da Independência deve marcar a reabertura da temporada de protestos no País. Manifestações convocadas pelas redes sociais projetam que 4,5 milhões de brasileiros poderão ir às ruas, em 147 cidades brasileiras. Grupos mais radicais já falam até, de forma explícita, em promover quebra-quebra.

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E os coxinhas ainda dizem que é um movimento apartidário. Cadê o trensalão tucano?

Mas será que são manifestações autônomas da “cidadania” ou há uma articulação política por trás dessas convocações? Uma reportagem da revista CartaCapital (“O desfile golpista”, de André Barrocal) lança algumas luzes sobre essa movimentação. Segundo o texto, entre os agitadores do 7 de setembro estão a ONG Brazil No Corrupt, ligada à família do deputado homofóbico Jair Bolsonaro (PP/RJ), que defende abertamente o regime militar de 64, e um militante virtual na internet. Ele se chama Ari Nogueira e já trabalhou no gabinete do deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB/PR), que comanda há anos a Assembleia Legislativa do Paraná – Ari, que usa no Twitter o pseudônimo Ary Kara, estaria sendo investigado por ser um dos funcionários fantasma do Legislativo paranaense, lotado no gabinete de Rossoni.

De acordo com o texto de Barrocal, os núcleos que organizam os protestos estão no Rio e no Paraná, agindo com nítidas intenções golpistas. Desta vez, a presidente Dilma seria um dos alvos principais de um movimento que vem sendo chamado de “Operação Sete de Setembro”. Não se sabe se o plano vai funcionar, mas uma coisa é certa: ao contrário dos acontecimentos de junho, o movimento nada tem de apartidário”, diz a reportagem.

O texto já gerou, é claro, reações nas redes sociais. Homofóbica, a ONG Brazil No Corrupt criticou a revista e seus “cu mpanheiros”. Mas o grupo Anonymous também se viu forçado a divulgar nota para negar qualquer caráter partidário na “Operação Sete de Setembro”.

O deputado Valdir Rossoni, por sua vez, afirmou que Ari Nogueira não trabalha mais em seu gabinete e disse não ser responsável por suas atitudes e por sua ideologia política. Mas os órgãos de inteligência do governo e o próprio Ministério Público estão atentos à mobilização da Operação Sete de Setembro nas redes sociais. A ordem, desta vez, é mapear a gênese de protestos que, inevitavelmente, podem descambar em violência.

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Funcionário fantasma do PSDB é um dos líderes do movimento golpista de 7 de setembro

22 de agosto de 2013
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Deputado Valdir Rossoni.

Ary Kara, ciberguerrilheiro tucano, é funcionário fantasma de Valdir Rossoni, presidente do PSDB e da Assembleia Legislativa do Paraná. Segundo reportagem de CartaCapital, fantasminha estaria por trás da organização de manifestação contra Dilma, no dia 7 de Setembro, ao lado de pessoas de extrema-direita do naipe do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ).

Via Blog do Esmael e lido no PIG em 20/8/2013

A CartaCapital detalha como está sendo organizada manifestação pelos tucanos e extrema-direita brasileiros denominada no Twitter e Facebook como “Operação Sete de Setembro”, em alusão ao Dia da Independência. Entre os golpistas, segundo reportagem de André Barrocal, está Ari Cristiano Nogueira, cujo apelido nas redes sociais da internet é Ary Kara, que é investigado por promotores estaduais por supostamente ser funcionário fantasma no gabinete do deputado Valdir Rossoni (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná. Se o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT), tinha entre os seus o ciberguerrilheiro André Guimarães, como acusou Veja, os tucanos agora também tem um para chamar de “seu”: Ary Kara. A seguir, a íntegra da matéria:

O desfile golpista

André Barrocal

As manifestações de junho começaram com a defesa do transporte público gratuito e de qualidade por militantes do Movimento Passe Livre (MPL), mas depois tomaram rumos novos e uma proporção inesperada. Aglutinados pelas redes sociais, milhares de jovens foram às ruas contra “tudo isso que está aí”, sobretudo os partidos políticos. Nas mesmas redes sociais há quem tente articular outra explosão de protestos, agora no Dia da Independência. Não se sabe se o plano vai funcionar, mas uma coisa é certa: ao contrário dos acontecimentos de junho, o movimento nada tem de apartidário.

O alvo da “Operação Sete de Setembro” é a presidenta Dilma. O caráter político-ideológico da “operação” fica claro quando se identificam alguns de seus fomentadores pela internet. Entre os mais ativos consta uma ONG simpatizante de uma conhecida família de extrema-direita do Rio de Janeiro, os Bolsonaro. E um personagem ligado ao presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB paranaenses, Valdir Rossoni.

É uma patota e tanto. Envolvidos em algumas denúncias de corrupção, não surpreenderia se eles mesmos virassem alvo de protestos.

A ONG em questão é a Brazil No Corrupt-Mãos Limpas, sediada no Rio. Seus principais integrantes são dois bacharéis em Direito, Ricardo Pinto da Fonseca e seu filho, Fábio Pinto da Fonseca. Há cinco eles brigam nos tribunais contra a OAB na tentativa de acabar com a exigência de uma prova para obter o registro de advogado. Os dois foram reprovados no exame da OAB. Em sua página na internet e no Twitter, a ONG promove a “Operação Sete de Setembro” e a campanha “Eu Não Voto em Dilma: Eleição 2014, Brasil sem PT”.

Um dos principais parceiros da entidade nas redes sociais é o deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro, do PP. Pelo Twitter, ele compartilha informações, opiniões e iniciativas da ONG. A dobradinha extrapola o mundo virtual. Bolsonaro comanda na Assembleia do Rio uma frente para acabar com a prova da OAB. Em Brasília, a ONG conseguiu um neo-aliado, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encampou a idéia de extinguir o exame.

Filho do deputado federal Jair Bolsonaro, Flávio tem as mesmas posições do pai, célebre representante da extrema-direita nacional. Os Bolsonaro são contra o casamento gay, as cotas raciais nas universidades e os índios. Defendem a pena de morte e a tortura. Chamam Dilma de “terrorista” por ter ela enfrentado a ditadura da qual eles sentem saudade.

“Naquele tempo havia segurança, saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia, a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal”, declarou o Bolsonaro mais jovem não faz muito tempo.

A ONG adota posturas parecidas com aquela dos parlamentares. Em sua página na internet, um vídeo batiza de “comissão da veadagem” alguns dos críticos da indicação do pastor Marco Feliciano para o comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Divulga ainda um vídeo de teor racista contra nordestinos, no qual o potencial candidato do PT ao governo do Rio, o senador Lindbergh Farias, nascido na Paraíba, é chamado de… “paraibano”.

A agressividade no trato com os semelhantes custou aos Fonseca uma denúncia à Justiça elaborada pelo Ministério Público Federal no ano passado. Pai e filho foram acusados de caluniar o juiz federal Fabio Tenenblat. Em 2009 e 2010, ambos entraram na Justiça com duas ações populares contra o exame da OAB e o então presidente da entidade no Rio, Wadih Damous.

A segunda ação parou nas mãos de Tenenblat, que a arquivou em julho de 2011. Na sentença, o juiz acusa os autores de “litigância de má-fé”, pelo fato de manterem outra ação semelhante. “O dolo, a deslealdade processual e a tentativa de ludibriar o Poder Judiciário são evidentes”, anotou.

Na apelação levada ao juiz para tentar reabrir o prazo, os Fonseca e seu advogado, José Felicio Gonçalves e Souza, acusaram Tenenblat de favorecer a OAB “por tráfico de influência ou por desconhecimento”, o que “demonstra claramente sua parcialidade e má-fé como magistrado”.

Em maio de 2012, os três foram denunciados pela procuradora Ana Paula Ribeiro Rodrigues por crime contra a honra. Em novembro, um acordo suspendeu o processo por dois anos. Os acusados foram obrigados a se retratar publicamente, a se apresentar à Justiça de tempos em tempos e a pedir autorização sempre que pretenderem deixar o Rio por mais de 30 dias. Também levaram uma multa. Se descumprirem o acordo, o processo será retomado.

Ari Cristiano Nogueira, outro ativo incentivador nas redes sociais da “Operação Sete de Setembro”, também está na mira do Ministério Público. Morador de Curitiba, é investigado por promotores estaduais por supostamente ser funcionário fantasma do gabinete do deputado Rossoni. Nogueira é um ativo militante na internet sob o pseudônimo Ary Kara.

Por meio do Twitter, foi o primeiro a circular, em meados de julho, a notícia de que Dilma teria recebido na eleição de 2010 uma doação de 510 reais de uma ex-beneficiária do Bolsa Família, chamado por ele de “bolsa preguiça”. Dias depois, a doação, registrada na prestação de contas de Dilma entregue à Justiça eleitoral, virou notícia nos meios de comunicação.

O Ministério do Desenvolvimento Social acionou a doadora, Sebastiana da Mata, para saber se a contribuição era dela mesmo. Ela negou.

Por Twitter e Facebook Nogueira é um dos difusores da convocação para o “maior protesto da história do Brasil”, em 7 de setembro. Sua página no Twitter é ilustrada com o dizer “Partido Anti-Petralha”, forma depreciativa de se referir aos militantes petistas bastante difundida na rede de computadores. No orkut, define-se como “conservador de direita” e manifesta preferência pelo PSDB.

Até junho de 2012, era assessor do presidente do partido no Paraná, como contratado na Assembléia. Deixou o gabinete para trabalhar na campanha à reeleição do então prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, que concluía o mandato herdado em 2010 do atual governador do Paraná, o tucano Beto Richa.

Em 2010, uma série de denúncias levou o MP estadual a abrir um inquérito para apurar uma lista com mais de mil supostos funcionários fantasmas na Assembleia. Nogueira a integrava. Desde então, alguns suspeitos foram denunciados e julgados

O caso de “Ary Kara” segue em aberto. O promotor Rodrigo Chemim aguarda uma autorização judicial para quebrar o sigilo bancário do investigado. Espera ainda por respostas de empresas de segurança onde Nogueira teria trabalhado, enquanto deveria dar expediente no Parlamento estadual.

Rossoni, antigo patrão de Nogueira, foi investigado pelo Ministério Público por uso de caixa 2 na eleição de 2010, pois parte dos gastos de sua campanha não estava comprovada. Ao julgar o caso em agosto do ano seguinte, o Tribunal Regional Eleitoral reconheceu a existência de despesas de pagamento sem a devida comprovação, mas os valores foram considerados baixos e o deputado acabou absolvido por 4 votos a 2.

Reeleito à presidência da Assembleia, o tucano foi recentemente acusado de receber benefícios de empresas donas de contratos de rodovias privatizadas no Paraná. Durante mais de dois anos, o parlamentar conseguiu barrar a criação de uma CPI do Pedágio no estado. Perdeu, porém, a guerra. A CPI foi instalada no mês passado.

A democracia não é uma tolice

24 de junho de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

Identificado como um criminoso condenado o homem que atirou coquetéis molotov contra o prédio do Itamaraty. Ele cumpre sentença de dois anos e quatro meses por furto, em regime semiaberto. Agora é preciso saber quem o contratou.

Já chega desta história de mostrar “mauricinhos” arruaceiros, um após outro, como se estivessem ali espontaneamente, depredando e, depois, chorando lágrimas de arrependimento por suas transgressões.

Vá lá que muitos sejam apenas isso, mesmo. Mas um homem com cinco passagens pela polícia e duas condenações por furto, em regime prisional beneficiado não estava ali apenas “porque um amigo convidou”.

Nove em dez pessoas acharão óbvio que alguém tenha contratado alguém com este “currículo” para, literalmente, tacar fogo nos acontecimentos. Quem foi?

Ataque a bombas a um prédio federal é crime federal, cuja investigação é dever da Polícia Federal. O problema é que nossa Polícia Federal, tão eficiente e pressurosa – como deve ser, aliás – em investigar os “malfeitos” dentro do governo parece ser vítima de uma abulia imensa quando se trata de investigar os sabotadores do convívio democrático.

Estamos esperando até agora que apareçam as ligações telefônicas que originaram a corrida aos saques do Bolsa Família. O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo mandou algumas dezenas de policiais da Força Nacional de Segurança para Minas Gerais. Nada a opor, se eles fossem desempenhar missões de coordenação e de proteção aos inúmeros dirigentes envolvidos na realização de partidas da Copa das Confederações.

Mas, no primeiro dia de ação, o que se viu foi estas tropas serem empregadas como cordão de isolamento e linha de confronto diante de manifestantes, papel que cabia à Polícia Militar do Estado. Nenhuma razão, a não ser que se deseje atirar nas costas do governo federal o ônus do enfrentamento e, pior, da eventualidade de riscos a vidas humanas.

O ministro José Eduardo Cardozo, que aparece sempre muito bem arrumado e penteado em suas aparições públicas, podia esmerar-se mais em suas funções do que com seu visual. Afinal, o que está em jogo não é uma tolice, mas a democracia que custou décadas de luta à minha geração.

Ah, e não sei se o ministro percebeu: o governo eleito pelo povo que, sabe-se lá porque, o mantém no Ministério da Justiça.

O gigante acordou e era um troll fascista

24 de junho de 2013

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Via Blog da Nina Lemos

O gigante acordou e ele era um troll, diz a mana Cynara Menezes. O gigante acordou e ele era um hater, um daqueles caras que passam o dia xingando em matérias de portais: “Imagina na Copa”, “Esses corruptos de Brasília”, “Esses brasileiros não sabem votar!” O gigante quer defender o Brasil, mas esquece que ele é brasileiro. E também não se acha povo. O gigante vai para a rua, mas até semana passada ele não gostava de nada que atrapalhasse seu trânsito. Nada.

O gigante acordou e anda pelas ruas com um taco de beisebol quebrando tudo o que vê. O gigante tem muita raiva no coração. Ele não gosta de gays, de pretos e acha que mulher tem de se dar ao respeito. Ele, o gigante, que adora uma roupa de grife e faz compras em Miami. Sua marca preferida é a Abercombrie. O gigante está com ódio do aumento do dólar. “Como serão as minhas compras, meu deus? Só me faltava essa agora.”

O gigante anda pela rua. Toma um café no Starbucks. Depois faz um cartaz escrito “contra tudo” e vai para a rua. Esse gigante não gosta de nada. Alguém morreu? “Que absurdo, ninguém pode morrer!”. Gigante mimado, que não aprendeu ainda nem que as pessoas morrem. Esse gigante nunca fez psicanálise.

Ele almoça numa churrascaria de rodízio. Come muita carne para ficar bem forte, esse gigante. Seu cartaz está embaixo o braço. Ele vai na passeata e leva os filhos: “Olha que show de democracia.” Mas se cruza com uma bandeira de partido pega seu taco de beisebol e quebra tudo. “Político é tudo igual, esses comunistas, esses comunistas.”

O gigante vai ao shopping e senta na praça de alimentação, cansado de um dia de protestos. Ele está vestido de verde e amarelo. Ele, o gigante, tomou vodca com Red Bull e agora não quer saber de dormir tão cedo.

A gente fica aqui, com medo de cruzar com o gigante e perder a razão e brigar com ele. A gente fica aqui rezando para que o efeito do energético passe e esse gigante durma. Com a barriga cheia, depois de comer um monte em um restaurante caro, quem sabe. Vá pra cama, gigante. Deixa a gente em paz, gigante. Volte para os comentários de portal, gigante. Ai, gigante, pelo amor de deus. Vê se deixa a gente em paz porque a gente quer viver.


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