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Como as embaixadas ocidentais limitam as viagens dos cubanos

18 de novembro de 2013
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Para viajar, cubanos são obrigados por embaixadas a ter uma quantidade de dinheiro muito acima do salário mínimo.
Foto da Agência Efe.

Viajar para o exterior é uma via-crúcis para os cubanos; mas não necessariamente pelos motivos que você imagina.

Salim Lamrani, via Opera Mundi

Como todos os povos, os cubanos têm vontade de viajar e descobrir o mundo, seja como simples turistas ou para realizar um projeto pessoal ou profissional. Os obstáculos são numerosos quando se é procedente de um país do terceiro mundo, e ainda mais quando se vem dessa ilha do Caribe. Mas, ao contrário do que se pode pensa, as dificuldades não são de caráter financeiro ou político.

De fato, mesmo antes da reforma migratória adotada pelo governo de Raúl Castro em janeiro de 2013, que permite aos cubanos viajar sem autorização das autoridades, a imensa maioria das pessoas que solicitam essa permissão recebe uma resposta positiva de Havana. Assim, entre 2000 e 31 de agosto de 2012, de um total de 941.953 solicitações, 99,4% foram atendidas. Somente 0,6% das pessoas não obtiveram tal autorização.

Por outro lado, a imensa maioria dos cubanos que viaja ao exterior escolhe voltar ao país. Assim, das 941.953 pessoas que saem do território nacional, somente 12,8% decidiram se estabelecer no exterior, contra 87,2% que regressaram a Cuba (1).

A eliminação dos trâmites administrativos e burocráticos — como a permissão de saída do território e a custosa carta-convite —, assim como a ampliação da permanência de 11 a 24 meses, renovável indefinidamente por meio de uma simples petição em um consulado cubano no exterior, foram benéficas. Assim, de janeiro a outubro de 2012, 226.877 cubanos viajaram para o exterior, ou seja, um aumento de 35% em relação ao ano anterior (2).

Mas, agora, outro revés espera os cubanos: conseguir um visto. De fato, a obtenção do precioso documento é uma via-crúcis e constitui, hoje, a principal barreira para uma estada no exterior. As exigências são draconianas e as rejeições, numerosas.

Assim, um cubano que deseja viajar para a França tem de conseguir uma entrevista no consulado do país em Havana pelo menos um mês antes da partida, levando uma lista de documentos bastante precisa. São necessários “uma carta de motivação por parte da pessoa que convida”, um “atestado de acolhida da prefeitura ou a reserva do hotel com todos os gastos pagos”, uma “cópia das últimas folhas de pagamento do garantidor ou uma declaração de imposto de renda recente”, “toda prova de laço familiar com o hóspede”, “cópia da carteira de identidade ou da permissão de residência na França do garantidor”, “seguro de viagem válido durante toda a estadia”, “confirmação da reserva de uma viagem organizada ou qualquer outro documento apropriado que indique o programa da viagem prevista”, e €60,00 para gastos administrativos, ou seja, o equivalente a três meses de salário em Cuba, não reembolsáveis.

As autoridades diplomáticas logo avisam ao potencial solicitante: “a embaixada se reserva o direito de outorgar ou não o visto e não tem, de nenhuma forma até que o dossiê esteja completo, a obrigação de conceder um visto” (3).

As exigências são semelhantes para viajar para a Espanha. Também é necessária “uma carta-convite de uma pessoa física, se [o turista] vai se hospedar em sua residência, expedida pela Delegacia de Policia correspondente ao lugar de residência”, a passagem de avião da volta e o mínimo de €64,53 diários (4).

Para os Estados Unidos, as restrições são ainda mais severas. O número de vistos concedidos é irrisório em relação às solicitações. No entanto, existe uma solução para os que não têm visto: a imigração ilegal. De fato, a Lei de Ajuste Cubano, de 1966, estipula que todo cubano que entre legal ou ilegalmente no território dos Estados Unidos, a partir de 1º de janeiro de 1959, consegue automaticamente o status de residente permanente, depois de um ano e um dia.

Durante anos, as potências ocidentais criticaram as autoridades de Havana, acusando-as de frear a liberdade de ir e vir dos cubanos. Agora vejam, enquanto Cuba suprimiu os obstáculos burocráticos como a permissão de saída e a carta-convite com a finalidade de facilitar as viagens de seus cidadãos, as embaixadas estrangeiras ergueram novas barreiras e exigem agora dos cubanos, além dos documentos habituais… uma carta-convite.

Referências bibliográficas

(1) Cubadebate, “Cuba seguirá apostando em uma imigração legal, ordenada y segura”, 25 de outubro de 2012.

(2) Andrea Rodríguez, “Cubanos mais ao exterior por causa da reforma”, The Associated Press, outubro de 2012.

(3) Ambassade de France à Cuba, “Les différents types de visas et les documents à présenter” (clique aqui). Site consultado no dia 7 de novembro de 2013.

(4) Ministerio de Relaciones Exteriores, “Requisitos de entrada” (clique aqui). Site consultado no dia 7 de novembro de 2013.

Salim Lamrani é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, professor-titular da Universidade de la Reunión, jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.

Entrevista com Lula: “Não existe a hipótese de o Brasil não dar certo”.

28 de março de 2013
Lula: . “Você sabe que eu fico com pena de ver uma figura de 82 anos como o Fernando Henrique Cardoso viajar falando que o Brasil não vai dar certo. Fico com pena.”

Lula: “Você sabe que eu fico com pena de ver uma figura de 82 anos como o Fernando Henrique Cardoso viajar falando que o Brasil não vai dar certo. Fico com pena.”

Via Contexto Livre

O jornal Valor Econômico publicou na quarta-feira, dia 27, uma entrevista com o ex-presidente Lula. Ele conversou com o jornal após o encontro “Novos desafio da sociedade”, realizado pelo veículo. Na conversa, Lula abordou diversos temas como o governo Dilma, as perspectivas para 2014 e suas atividades como ex-presidente. Abaixo, a íntegra da entrevista.

Valor: Como está sua saúde?

Luiz Inácio Lula da Silva: Agora estou bem. Há um ano vou à fisioterapia todos os dias às 6 horas da manhã. Minha perna agora está 100%. Estou com 84 quilos. É 12 a menos do que já pesei, mas é oito a mais do que cheguei a ter. Não tem mais câncer, mas a garganta leva um bom tempo para sarar. A fonoaudióloga diz que é como se fosse a erupção de um vulcão. Tem uma pele diferenciada na garganta que leva tempo para cicatrizar. Quando falo dá muita canseira na voz. Já tenho 67 anos. Não é mais a garganta de uma pessoa de 30 anos.

Valor: O senhor deixou de fumar e beber?

Lula: Não dá mais porque irrita a garganta.

Valor: Dois anos e três meses depois do início do governo Dilma, qual foi seu maior acerto e principal erro?

Lula: Quando deixei a Presidência, tinha vontade de dar minha contribuição para a Dilma não me metendo nas coisas dela. E acho que consegui fazer isso quando viajei 36 vezes depois de deixar o governo. Fiquei um ano imobilizado por causa do câncer. Estou voltando agora por uma coisa mais partidária. Sinceramente acho que no meu governo eu deixei muita coisa para fazer. Por isso foi importante eleger a Dilma, para ela dar continuidade e fazer coisas novas. O Brasil nunca esteve em tão boas mãos como agora. Nunca esse país teve uma pessoa que chegou na Presidência tão preparada como a Dilma. Tudo estava na cabeça dela, diferentemente de quando eu cheguei, de quando chegou Fernando Henrique Cardoso. Você conhece as coisas muito mais teóricas do que práticas. E ela conhecia por dentro. Por isso que estou muito otimista com o sucesso da Dilma e ela está sendo aquilo que eu esperava dela. Foi um grande acerto. Tinha obsessão de fazer o sucessor. Eu achava que o governante que não faz a sucessão é incompetente.

Valor: A presidente baixou os juros, desonerou a economia, reduziu tarifas de energia e apreciou o câmbio. Ainda assim não se nota entusiasmo empresarial por seu governo ou sua reeleição. A que o senhor atribui a insatisfação? Teme-se que esse governo não tenha uma política anti-inflacionária tão firme ou é pela avaliação de que o governo Dilma seja intervencionista?

Lula: Não creio que haja má vontade dos empresários com a presidente. Passamos por algumas dificuldades em 2011 e 2012 em função das políticas de contração para evitar a volta da inflação. Foi preciso diminuir um pouco o crédito e aí complicou um pouco, mas Dilma tem feito a coisa certa. Agora tem conversado mais com setores empresariais. Acho que os empresários brasileiros, e eu vivi isso oito anos assim como Fernando Henrique também viveu, precisam compreender que uma economia vai ter sempre altos e baixos. Não é todo dia que a orquestra vai estar sempre harmônica. O importante é não perder de vista o horizonte final. O Brasil está recebendo US$65 bilhões de investimento direto. Então não dá para se ter qualquer descrença no Brasil nesse momento. Nunca os empresários brasileiros tiveram tanto acesso a crédito com um juro tão baixo. Vamos supor que a Dilma não tivesse a mesma disposição para conversar que eu tinha. Por razões dela, sei lá. O dado concreto é que, de uns tempos para cá, a Dilma tem colocado na agenda reuniões com empresários e partidos políticos.

Valor: Os empresários acham que ela é ideológica demais…

Lula: O que é importante é que ela não perde suas convicções ideológicas, mas não perde o senso prático para governar o País. Ela não vai governar o País com ideologia. Se alguém ainda aposta no fracasso da Dilma, pode começar a quebrar a cara. Ela tem convicção do que quer. Esses dias liguei para ela e disse para tomar cuidado para não passar dos 100%. Porque há espaço para ela crescer. Vai acontecer muito mais coisa nesse País ainda. Não adianta torcer para não ter sucesso. Não existe a hipótese de o Brasil não dar certo.

Valor: A queixa é de que tudo que eles [os empresários] precisam têm de falar com a presidente porque os ministros não têm autonomia para decidir, ela não delega. É isso?

Lula: Se isso foi verdade, já acabou. Sinto, nos últimos meses, que a Dilma tem feito muito mais reuniões. Tem soldado muito mais o governo. A pesquisa mostra que o governo vem crescendo e vai chegar perto dela nas pesquisas. E os ajustes vão acontecendo. É a primeira vez que a gente tem uma mulher. O papel dela não é tão fácil quanto o meu, porque 99% das pessoas que recebia eram homens, e homem fala coisa que mulher não pode falar, conta piada. Não há hábito do homem ainda perceber a mulher num cargo mais importante. Mas os homens vão ter de se acostumar. Uma mulher não pode se soltar numa reunião onde só tenha homem. Então acho que as pessoas têm de aprender a gostar das outras pessoas como elas são. A Dilma é assim e é assim que ela é boa para o Brasil. A mesma coisa é a Graça [Foster]. É uma mulher muito respeitada também. Não brinca nem é alegre, mas cada um tem seu jeito de ser.

Valor: Seu governo viabilizou projetos essenciais para o rumo que a economia pernambucana tomou, como o polo petroquímico e a fábrica da Fiat. A pré-candidatura Eduardo Campos, que agrega adversários fidagais de seu governo, como Jarbas Vasconcelos e Roberto Freire, e anima até José Serra, é uma traição?

Lula: Não. Minha relação de amizade com Eduardo Campos e com a família dele, que passa pela mãe, pelo avô e pelos filhos, é inabalável, independentemente de qualquer problema eleitoral. Eu não misturo minha relação de amizade com as divergências políticas. Segundo, acho muito cedo pra falar da candidatura Eduardo. Ele é um jovem de 40 e poucos anos. Termina seu mandato no governo de Pernambuco muito bem avaliado. Me parece que não tem vontade de ser senador da República nem deputado. O que é que ele vai ser? Possivelmente esteja pensando em ser candidato para ocupar espaço na política brasileira, tão necessitada de novas lideranças. Se tirar o Eduardo, tem a Marina que não tem nem partido político, tem o Aécio que me parece com mais dificuldades de decolar. Então é normal que ele se apresente e viaje pelo Brasil e debata. Ainda pretendo conversar com ele. A Dilma já conversou e mantém uma boa relação com ele.

Valor: O Fernando Henrique teve como candidato um ministro e o senhor também. O senhor acha que ainda é possível demover Eduardo Campos com a proposta de que ele se torne um ministro importante no governo Dilma e depois seu candidato? É possível se comprometer com quatro anos de antecedência?

Lula: Somente Dilma é quem pode dizer isso. Não tenho procuração nem do Rui Falcão [presidente do PT] nem da Dilma para negociar qualquer coisa. Vou manter minha relação de amizade com Eduardo Campos e minha relação política com ele. Até agora não tem nada que me faça enxergá-lo de maneira diferente da que enxergava um ano atrás. Se ele for candidato vamos ter de saber como tratar essa candidatura. O Brasil comporta tantos candidatos. Já tive o PSB fazendo campanha contra mim. O Garotinho foi candidato contra mim. O Ciro também. E nem por isso tive qualquer problema de amizade com eles. Candidaturas como a do Eduardo e da Marina só engrandecem o processo democrático brasileiro. O que é importante é que não estou vendo ninguém de direita na disputa.

Valor: Já que o senhor tem uma relação tão forte de amizade com ele, vai pedir para Eduardo Campos não se candidatar?

Lula: Não faz parte de minha índole pedir para as pessoas não se candidatar, porque pediram muito para eu não ser. Se eu não fosse candidato eu não teria ganhado. Precisei perder três eleições para virar presidente. Eu não pedirei para não ser candidato nem para ele nem para ninguém. A Marina conviveu comigo 30 anos no PT, foi minha ministra o tempo que ela quis, saiu porque quis e várias pessoas pediram para eu falar com ela para não ser candidata e eu disse: “Não falo”. Acho bom para a democracia. E precisamos de mais lideranças. O que acho grave é que os tucanos estão sem liderança. Acho que Serra se desgastou. Poderia não ter sido candidato em 2012. Eu avisei: não seja candidato a prefeito que não vai dar certo. Poderia estar preservado para mais uma. Mas Serra quer ser candidato a tudo, até síndico do prédio. Acho que pra isso que ele está concorrendo agora. E o Aécio não tem a performance que as pessoas esperavam dele.

Valor: Quem é o adversário mais difícil da presidente: Aécio, Marina ou Eduardo?

Lula: Não tem adversário fácil. O que acho é que Dilma vai chegar na eleição muito confortável. Se a gente trabalhar com seriedade, humildade e respeitando nossos adversários e a economia estiver bem, com a inflação controlada e o emprego crescendo, acho que certamente a Dilma tem ampla chance de ganhar no primeiro turno.

Valor: Como vai ser sua atuação na campanha de 2014? Vai atuar mais nos bastidores, na montagem das alianças ou vai subir em palanque em todos os Estados?

Lula: Eu quero palanque.

Valor: Vai subir em Pernambuco e pedir votos para Dilma?

Lula: Vou. Vou lá, vou em Garanhuns, vou no Rio, São Paulo, na Paraíba, em Roraima…

Valor: Seus médicos já liberaram?

Lula: Já. Se eu não puder eu levo um cartaz dela na mão [risos]. Não tem problema. Acho que ela vai montar uma coordenação política no partido e eu não sou de trabalhar bastidores. Eu quero viajar o País.

Valor: Nem às costuras de alianças o senhor vai se dedicar?

Lula: Não precisa ser eu. O PT costura.

Valor: Quais são as alianças mais difíceis? Como resolver o problema do Rio?

Lula: No Rio tem uma coisa engraçada porque nós temos o Pezão, que é uma figura por quem eu tenho um carinho excepcional. Nesses oito anos aprendi a gostar muito do Pezão, um parceiro excepcional. E tem o Lindbergh.

Valor: Lindbergh disse que vai fazer o que o senhor mandar…

Lula: Não é bem assim. Eu não posso tirar dele o direito de ser candidato. Ele é um jovem talentoso, um encantador de serpentes, como diriam alguns, com uma inteligência acima da média, com uma vontade de trabalhar, como poucas vezes vi na vida. Ele quer ser. Cabe ao partido sempre tratar com carinho, porque nós temos de ter sempre como prioridade o projeto nacional. Ou seja: a primeira coisa é a eleição da Dilma. Não podemos permitir que a eleição da Dilma corra qualquer risco. Não podemos truncar nossa aliança com o PMDB. Acho que o PT trabalha muito com isso e que Lindbergh pode ser candidato sem causar problema. Acho que o Rio vai ter três ou quatro candidaturas e ele, certamente, vai ser uma candidatura forte. Obviamente Pezão será um candidato forte, apoiado pelo governador e pela prefeitura. Na minha cabeça o projeto principal é garantir a reeleição de Dilma. É isso que vai mudar o Brasil.

Valor: Aqui em São Paulo o candidato é o Padilha?

Lula: Olha, acho que a gente não tem definição de candidato ainda. Você tem Aloizio Mercadante, que na última eleição teve 35% dos votos, portanto ele tem performance razoável. Tem o Padilha, que é uma liderança emergente no PT, que está em um ministério importante. Tem a Marta que eu penso que não vai querer ser candidata desta vez. Tem outras figuras novas como o Luiz Marinho, que diz que não quer ser candidato. Tem o José Eduardo Cardozo, que vira e mexe alguém diz que vai ser candidato e você pode construir aliança com outros partidos políticos. Para nós a manutenção da aliança com o PMDB aqui em São Paulo é importante.

Valor: Isso passa até pelo PT aceitar um candidato do PMDB?

Lula: Se tiver um candidato palatável, sim. Nós nunca tivemos tanta chance de ganhar a eleição em São Paulo como agora. A minha tese é a mesma da eleição de Fernando Haddad. Ou seja, alguém que se apresente com capacidade de fazer uma aliança política além dos limites do PT, além dos limites da esquerda. Como é cedo ainda, temos um ano para ver isso. Eu fico olhando as pessoas, vendo o que cada um está fazendo. E pretendo, se o partido quiser me ouvir, dar um palpite.

Valor: Em 2012, em São Paulo, o senhor defendeu a renovação do partido, com um candidato novo. Essa fórmula será mantida para o governo do Estado?

Lula: Hoje temos condições de ver cientificamente qual é o candidato que o povo espera. Por exemplo, quando Haddad foi candidato a prefeito, eu nunca tive qualquer preocupação. Todas as pesquisas que a gente trabalhava, as qualitativas que a gente fazia, toda elas mostravam que o povo queria um candidato como ele. Então era só encontrar um jeito de desmontar o Russomanno, que em algum lugar da periferia se parecia com o candidato do PT. Na época eu não podia nem fazer campanha direito. Estava com a garganta inchada. Eu subia no caminhão para fazer discurso sem poder falar, mas era necessário convencer as pessoas de que o candidato do PT era o Haddad, não era o Russomanno. Quando isso engrenou, o restante foi mais tranquilo. Para o governo do Estado é a mesma coisa. Não é quem sai melhor na pesquisa no começo. É quem pode atender os anseios e a expectativa da sociedade.

Lula: “Você acha que alguém viaja de graça para fazer palestra para empresários lá fora? [...] Sou um debatedor caro. E tem pouca gente com autoridade de ganhar dinheiro como eu, em função do governo bem-sucedido que fiz neste País.”

Lula: “Você acha que alguém viaja de graça para fazer palestra para empresários lá fora? […] Sou um debatedor caro. E tem pouca gente com autoridade de ganhar dinheiro como eu, em função do governo bem-sucedido que fiz neste País.”

Valor: E quem pode?

Lula: Não sei. Temos de ter muito critério na escolha. A escolha não pode ser em função só da necessidade da pessoa, de ela querer ser. Tem de ser em função daquilo que é importante para construir um leque de aliança maior. Temos de costurar aliança, temos de trazer o PTB, manter o Kassab na aliança e o PMDB. Precisamos quebrar essa hegemonia dos tucanos aqui em São Paulo, porque eles juntam todo mundo contra o PT. Precisamos quebrar isso. Acho que temos todas as condições.

Valor: Desde que deixou a Presidência, o senhor tem sido até mais alvejado que a presidente. Foi acusado de tentar manter a chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Agora foi acusado de ter suas viagens financiadas por empreiteiras. Como o senhor recebe essas críticas e como as responde?

Lula: Quando as coisas são feitas de muito baixo nível, quando parecem mais um jogo rasteiro, eu não me dou nem ao luxo de ler nem de responder. Porque tudo o que o Maquiavel quer é que ele plante uma sacanagem e você morda a sacanagem. É como apelido: se eu coloco um apelido na pessoa e a pessoa fica nervosa e começa a xingar, pegou o apelido. Se ela não liga, não pegou o apelido. Tenho 67 anos de idade. Já fiz tudo o que um ser humano poderia fazer nesse País. O que faz um presidente da República? Como é que viaja um Clinton? A serviço de quem? Pago por quem? Fernando Henrique Cardoso? Ou você acha que alguém viaja de graça para fazer palestra para empresários lá fora? Algumas pessoas são mais bem remuneradas do que outras. E eu falo sinceramente: nunca pensei que eu fosse tão bem remunerado para fazer palestra. Sou um debatedor caro. E tem pouca gente com autoridade de ganhar dinheiro como eu, em função do governo bem-sucedido que fiz neste País. Contam-se nos dedos quantos presidentes podem falar das boas experiências administrativas como eu. Quando era presidente, fazia questão de viajar para qualquer país do mundo e levar empresários, porque achava que o presidente pode fazer protocolos, assinar acordo de intenções, mas quem executa concretamente aquilo são os empresários. Viajo para vender confiança. Adoro fazer debate para mostrar que o Brasil vai dar certo. Compre no Brasil porque o País pode fazer as coisas. Esse é o meu lema. Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo. Não tenho nenhuma vergonha de continuar fazendo isso. Se for preciso vender carne, linguiça, carvão, faço com maior prazer. Só não me peça para falar mal do Brasil que eu não faço isso. Esse é o papel de um político que tem credibilidade. Foi assim que ganhei as Olimpíadas, a Copa do Mundo. Quando Bush veio para cá e fomos a Guarulhos, disse a ele que era para tirarmos fotografia enchendo um carro de etanol. Tinham dois carros, um da Ford e um da GM, e ele falou: “Eu não posso fazer merchandising.” Eu disse: “Pois eu faço das duas.” Da Ford e da GM. E o Bush tirou foto com chapéu da Petrobras. Sem querer ele fez merchandising da Petrobras. Você sabe que eu fico com pena de ver uma figura de 82 anos como o Fernando Henrique Cardoso viajar falando que o Brasil não vai dar certo. Fico com pena.

Valor: O senhor acha que São Paulo corre risco de perder a abertura da Copa porque o Banco do Brasil não vai liberar dinheiro sem garantias?

Lula: Sinceramente não acredito que as pessoas que fizeram o sacrifício para chegar onde chegaram vão se permitir morrer na praia agora. A verdade é que o Corinthians precisa de um estádio de futebol independentemente de Copa do Mundo. São Paulo não pode ficar fora da Copa. Acho que seria um prejuízo enorme do ponto de vista político e simbólico o Estado mais importante da Federação, com os times mais importantes da Federação – com respeito ao Flamengo –, esteja fora da Copa do Mundo. É impensável. Eles que tratem de arranjar uma solução.

Valor: O senhor voltará à política em 2018?

Lula: Não volto porque não saí.

Valor: Voltará a se candidatar?

Lula: Não. Estarei com 72 anos. Está na hora de ficar quieto, contando experiência. Mas meu medo é falar isso e ler na manchete. Não sei das circunstâncias políticas. Vai saber o que vai acontecer nesse País, vai que de repente eles precisam de um velhinho para fazer as coisas. Não é da minha vontade. Acho que já dei minha contribuição. Mas em política a gente não descarta nada.

Valor: Que análise o senhor faz do julgamento do “mensalão”?

Lula: Não vou falar por uma questão de respeito ao Poder Judiciário. O partido fez uma nota que eu concordo. Vou esperar os embargos infringentes. Quando tiver a decisão final vou dar minha opinião como cidadão. Por enquanto vou aguardar o tribunal. Não é correto, não é prudente que um ex-presidente fique dizendo “Ah, gostei de tal votação”; “Tal juiz é bom”. Não vou fazer juízo de valor das pessoas. Quando terminar a votação, quando não tiver mais recursos vou dizer para você o que é que eu penso do “mensalão”.

As viagens de FHC, de Lula e a escandalização seletiva

26 de março de 2013
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Itaú Unibanco and Fernando Henrique Cardoso
visiting Qatar and the UAE.

Hugo Carvalho, via Advivo

Um ex-presidente brasileiro está rodando o mundo, em viagens patrocinadas por empresas e corporações que cresceram e ganharam muito dinheiro em seu período de governo. Nestas viagens, a presença do ex-presidente ajuda as empresas patrocinadoras a captar investimentos e ganhar mercados.

As empresas amigas também patrocinam palestras deste líder político no Brasil e contribuem com fundos milionários para o instituto que leva seu nome e destina-se a preservar sua memória.

Se este ex-presidente se chamasse Luiz Inácio, suas atividades no exterior seriam manchete da Folha de S. Paulo, colocando-o sob suspeita de atuar como lobista de empresas sujas. Mas estamos falando de Fernando Henrique Cardoso, que também viaja fazendo palestras, a convite de empresas, ONGs e instituições diversas. A diferença mais notável entre eles – há muitas outras –  é que FHC vai lá fora para falar mal do Brasil.

Nas asas do Itaú, seu patrocinador master, Fernando Henrique esteve no Paraguai em 2010, no dia em que o banco inaugurou a operação para tomar o mercado no país vizinho. O Itaú também o levou a Doha e aos Emirados Árabes ano passado, como informou a imprensa financeira, com a intenção de morder parte dos US$100 milhões que o Barwa Bank tem para investir no mercado imobiliário brasileiro.

A Folha estava lá – mas não diz quem pagou a viagem da colunista Maria Cristina Frias –, “FHC vai ao Oriente Médio com Itaú para atrair investimento”, ela escreveu. Zero de suspeição ou malícia. O jornal não se preocupou em saber se a embaixada brasileira alugou impressoras para apoiar o ex-presidente em sua missão, mas registrou direitinho o que ele disse lá sobre o governo brasileiro atual: Corrupção cresceu em relação a meu governo, diz FHC. Com esse papo, o ex deve ter atraído investimentos para o Chile.

FHC também falou mal do Brasil quando foi à China, em maio de 2012, de novo pelas asas do Itaú (nem parece que é um banco, deve ser uma agência de viagens). Reclamou do ajuste do câmbio, da falta de planejamento e fez o comercial do patrocinador: “Baixar a taxa de juros [no Brasil] é importante, mas tem de olhar as consequências”, ele disse aos chineses. O Estadão resumiu no título a visão de Brasil que FHC passou em Pequim: “Não se pode crescer a qualquer a custo, diz FHC”.

Em novembro do ano passado, a casa norte-americana JP Morgan pagou FHC para falar do Brasil sem sair de casa: “O Brasil está pagando o preço por não ter dado continuidade aos avanços implementados”, ele disse, numa palestra para investidores estrangeiros em São Paulo.

Na edição de sábado, dia 23,, a Folha sugere ao Ministério Público que promova uma ação para alguém devolver “gastos indevidos” com horas extras de motoristas e deslocamento de funcionários, nas embaixadas por onde Lula passou. Mas não se comove com o fato de a estatal paulista Sabesp ter pingado R$500 mil na caixinha do Instituto FHC (ah se fosse o Visanet…).

Fernando Henrique ainda era presidente da República, em 2002, quando chamou ao Palácio da Alvorada os donos de meia dúzia de empresas para alavancar o instituto que ainda ia criar: Odebrecht, Camargo Corrêa, Bradesco, Itaú, CSN, Klabin e Suzano. A elas se juntaria a Ambev. Juntas, pingaram R$7 milhões no chapéu de FH. Mas foi o Tesouro que pagou o jantar, descrito em detalhes nesta reportagem da revista Época.

Todos à mesa eram gratos à FHC pelo Plano Real e não se duvide de que alguns tenham coçado o bolso por idealismo. Mas se a Folha utilizasse o mesmo relho com que trata Lula, teria registrado que os Itaú e Bradesco eram gratos pela maior taxa de juro do mundo; a Ambev deve seu monopólio ao Cade dos tucanos; a CSN é a primogênita da privataria e quase todos ali deviam algum ao BNDES.

FHC e seu instituto prosperaram. No primeiro ano como ex-presidente ele faturou R$3 milhões em palestras (“O critério é cobrar metade do que cobra o Bill Clinton”, explicou, modestamente, um assessor de FHC). A primeira palestra, de US$150 mil de cachê, que serviu de parâmetro para as demais, foi bancada pela Ambev. O IFHC já tinha R$15 milhões em caixa e planejava gastar o dobro disso nas instalações.

O IFHC abriga o projeto Memória das Telecomunicações (esqueçam o que ele escreveu, mas não o que ele privatizou) patrocinado naturalmente pela Telefónica de Espanha.

Todas as empresas citadas neste relato são anunciantes da Folha de S.Paulo e estão acima de qualquer suspeita como anunciantes. Apodrecem, aos olhos do jornal, quando se aproximam de Lula.

Eis aí o segundo recado da série de manchetes: afastem-se dele os homens de bem. O primeiro recado, está claro, é: mãos ao alto, Lula!

A Folha também se considera acima de qualquer suspeita. Só não consegue mais disfarçar o ódio pessoal que move sua campanha contra o ex-presidente Lula.

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Eleições 2014: As baixarias estão de volta

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25 de março de 2013

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Está começando o jogo sujo das eleições. Se preparem. Vão acontecer milhares de denúncias com o único propósito de atacar discretamente a presidente Dilma. A presidente está fazendo excelente governo é bem avaliada pela população e a imprensa antipetista vai usar todas as táticas já conhecidas para beneficiar seu candidato, no caso deve ser o Aécio Neves. Os ataques estão acontecendo com muita antecedência, isso é desespero. Medo de Lula eleger mais um “poste” em São Paulo.

Helena Sthephanowitz, via Os amigos do presidente Lula

A presidente Dilma Rousseff divulgou nota sobre reportagem publicada na quinta-feira, dia 21, pelo jornal Folha de S.Paulo, das viagens do ex-presidente Lula para fazer palestras e tratar de outros assuntos de interesse do Brasil quando deixou o Palácio do Planalto. A Folha ainda mentiu quando disse que Lula fez 30 viagens internacionais. A verdade é que Lula fez 49 viagens, sendo que todas elas estão disponíveis para consulta no site do Instituto Lula.

Na nota, a presidente Dilma diz: “Eu me recuso a entrar nesse tipo de ilação sobre o presidente Lula. O presidente Lula tem o respeito de todos os chefes de Estado da África e deu grande contribuição ao País nessa área”, afirmou Dilma. Ou seja, as mesmas palavras usada nesse artigo escrito aqui no blog em defesa de Lula

O Instituto Lula confirmou que empresas financiaram viagens e palestras nos países visitados pelo ex-presidente. O que só confirma a honestidade e transparência

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse no Rio não ver problema nas viagens ao exterior de Lula pagas por empreiteiras já que Lula estava viajando para fazem palestra a pedido delas. O ministro lembrou que o ex-presidente sempre trabalhou pela integração da América Latina e da África.

“Lula não roubou e não tem dinheiro próprio. Nenhum homem público honesto sai do governo acumulando dinheiro. Quem sai acumulando dinheiro é porque teve algum comportamento inadequado”, afirmou o ministro. “Ele não teria condição de pagar. O que é melhor: ele ficar parado em casa? É isso que eles querem?”, indagou.

Carvalho disse que o ex-presidente não intermediou interesses empresariais com governos “de jeito nenhum”. “Lula tem a perfeita compreensão de que o papel dele era, em um primeiro momento, dar muita força para as empresas brasileiras avançarem na América Latina e na África. Enquanto presidente ele nunca usou, nem deveria usar, nenhum meio das empresas para fazer esse papel”, disse o ministro, ao participar no Rio de reunião do Conselho do Sesc, do qual faz parte. “As empresas entenderam que para elas é importante esse trabalho do presidente Lula e resolveram custear essas viagens. Nós entendemos que isso faz bem para o Brasil, faz bem para a economia, e para a integração social da América Latina e da África.”

No desespero, a Folha escandaliza o nada não percebeu: O Brasil cresce e os brasileiros são beneficiados. Desesperada para escandalizar o nada e ver a vendagens de jornais aumentarem, a Folha foi ouvir políticos de oposição ao governo Dilma. E teve de engolir…

A própria oposição admite que não é ilegal, e se não é ilegal, qual é o problema? O problema é que, sempre em época eleitoral, surgem denúncias descabidas, ataques, cobranças. Como Lula é o maior cabo eleitoral do País, tentam desgastá-lo. Iniciativas essas da imprensa que nunca deram certo. Lula é conhecido internacionalmente, foi ele que abriu as portas para muitas empreiteiras em vários países. Bem diferente de FHC que só se importava com os EUA.

Aliás, por falar em oposição, parece até piada o anão do orçamento do PSDB cobrando explicações de Lula. Imprensa, aliada à oposição, consegue ser tão ridícula que só eles se prestam a fazer esse papel de bobos da corte. Lula não tem de dar satisfação a nenhum anão do orçamento, muito menos ao presidente do partido da privataria tucana e seus aliados, mesmo porque Lula não é presidente nem está ocupando cadeira na Câmara ou Senado. Portanto a vida dele é privada.

Vergonha?

Vergonhoso seria se Lula agisse como FHC que em 17 de janeiro de 2007, recebeu de empresa estatal, a Sabesp (empresa de saneamento básico de São Paulo), governado pelo PSDB, partido de FHC), uma soma milionária para manter o Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC). Como se vê, o outro ex-presidente do PSDB recebe benefícios imensos de empresas públicas, pago com dinheiro público, mas isso não vira escândalo.

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25 de março de 2013
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Lula no “Nigeria Summit 2013”, evento organizado pela revista The Economist.

Zé Augusto, via Os amigos do presidente Lula em 25/3/2013

Desesperados com os cenários para as eleições 2014 apontados pelas pesquisas, dando vitória certa a Dilma e, sem encontrar motivos para criticar os governos de Lula e Dilma, a oposição representada nos jornalões, resolveu recauchutar as velhas críticas do tempo do “Aerolula”, abandonadas depois que não surtiu efeito nas eleições de 2006.

O jornal Folha de S.Paulo foi procurar pelo em ovo nas viagens do ex-presidente Lula, após o mandato, questionando empresas patrocinadoras de algumas viagens e criticando embaixadas brasileiras se interessarem em acompanhar a visita de Lula em seus países, quando não há nada de errado nisso. Pelo contrário, está muito certo.

Lula sempre defendeu a integração latino-americana e com a África. Quando foi presidente criou universidades de integração, abriu embaixadas onde não havia, visitou os países para estabelecer cooperação para o desenvolvimento e para erradicação da fome e da pobreza. E isso incluiu missões empresariais para aumentar os negócios entre os países, aumentando o comércio sul-sul, o que enriquece os povos e a economia dos dois lados.

Lula terminou seu governo com alta popularidade, não só no Brasil, como também na América Latina e África. Virou referência de governo que dá certo, com políticas públicas para serem imitadas, e com ideias para serem escutadas e seguidas.

Essa defesa da integração latino-americana e com África, e do comércio sul-sul, vai ao encontro dos interesses nacionais e das empresas brasileiras que buscam ampliar seus mercados nestes países. Então nada mais natural do que empresários promoverem eventos nestes países para aproximar negócios, e contratarem Lula para fazer palestras nestes encontros, porque seu pensamento, seu discurso e suas ações casam com os objetivos de todos. E Lula é um líder mundial com total credibilidade para defender essa integração, porque fez o possível e o impossível para fazer acontecer.

É bom para o Brasil porque aumenta nossas exportações de produtos e serviços, melhorando nossa economia e geração de empregos. É bom para a política externa brasileira porque aumenta nossa inserção política e integração cultural internacional. É bom para as empresas porque abrem novos mercados para elas. E é bom para outros países porque o Brasil não tem uma política colonialista de explorá-los e sim de desenvolver os países africanos e latino-americanos como um todo. Por fim, é bom para o presidente Lula, porque viabiliza financeiramente suas atividades políticas de líder mundial e de seu instituto.

Ao contrário do que insinua a Folha, o presidente Lula não está interessado apenas em palestras remuneradas. Ele também inclui na agenda destas viagens encontros com lideranças políticas, com líderes sindicais, com movimentos sociais, e com partidos progressistas. Esses encontros visam articulação política internacional por um mundo melhor, mais justo e mais pacífico.

Como criticar uma atividade lícita, feita às claras, que só traz benefícios para todos? É o que sobrou desse velha oposição partidária e midiática vagabunda, que é incapaz de fazer alguma coisa que preste pelo Brasil e pelo povo brasileiro, e fica só atrapalhando quem faz.

A Folha também procura factoides quanto a almoços oferecidos por embaixadas brasileiras durante a visita de Lula ou algum tipo de apoio necessário ao sucesso da visita. Ora, esse interesse é da embaixada, é da política externa brasileira, uma vez que Lula traz prestígio e melhora as relações bilaterais entre os países que ele visita. Que embaixador não se interessa em acompanhar a visita de uma liderança destacada e influente de seu país?

Se Nelson Mandela visitasse o Brasil hoje, o embaixador da África do Sul não iria acompanhá-lo, mesmo ele não sendo mais presidente?

Se Bill Clinton visitar um país africano, o embaixador dos EUA daquele país não irá prestigiá-lo e dar todo o apoio que for necessário? Claro que dará.

Esse tipo de crítica lembra aquelas de 2006 sobre o “Aerolula”. Diziam que Lula viajava muito, quando estava na Presidência, só que, cada país que visitava, o fluxo comercial crescia muito nos anos seguintes. Benditas viagens, que foram fundamentais para a tsunami da crise internacional nos EUA virar marolinha no Brasil. Depois das eleições de 2006, aquelas críticas estúpidas pararam. Agora estão de volta, tamanha a mediocridade da oposição, na falta de ter o que falar. O povo brasileiro dará outra surra na oposição nas urnas em 2014, e daquelas surras vexatórias, por causa desse discursinho picareta e mequetrefe.

Sorte nossa de termos um ex-presidente como Lula, que continua sendo um estadista lutando pelo Brasil e por um mundo melhor. Que continue suas viagens.

Em tempo: a inveja é mesmo uma m… Nem empresários conservadores convidam FHC, José Serra, Geraldo Alckmin ou Aécio Neves para ajudar a abrir mercados em outros países.

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25 de março de 2013

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Eduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania

A frase que intitula este texto deriva de brincadeira que tomou as redes sociais na internet na sexta-feira, dia 22, por conta de mais uma “denúncia” do jornal Folha de S.Paulo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula – sobre palestras que ele dá no exterior.

A tal “denúncia” virou motivo de piada porque pretendeu negar a um cidadão em pleno exercício de seus direitos constitucionais a prerrogativa de todo ex-presidente da República de ter apoio do Estado ao fim de seu mandato e o direito a atividades estritamente privadas que a outros ex-presidentes jamais foi negada.

Aqui e em muitos outros países democráticos – como nos Estados Unidos, por exemplo – ex-presidentes se tornam instituições nacionais. Além de direito a segurança e a proventos, quase todos eles se tornam palestrantes e são remunerados por isso – com maior ou menor êxito.

De Bill Clinton a Fernando Henrique Cardoso, ex-presidentes fundam institutos que levam seus nomes e que reúnem acervos contando a história de suas passagens pela Presidência, além de desenvolver estudos políticos, econômicos e sociais.

Outro ex-presidente norte-americano que têm um instituto que atua fortemente em consonância com seu patrono é o prêmio Nobel da Paz Jimmy Carter, que atua em direitos humanos e até em fiscalização de eleições em várias partes do mundo, além de o próprio Carter ser um renomado palestrante.

FHC deu muita palestra remunerada, tem direito a todos os benefícios do Estado concedidos a Lula, inclusive suporte em missões no exterior, pois não se imagina que quando um ex-presidente visita outro país a representação diplomática desse país o trate como qualquer um.

No entanto, no dia seguinte à denúncia da Folha de que Lula faz o que tantos outros ex-presidentes fazem em termos de palestrar no exterior com despesas e até honorários pagos pelos anfitriões, o jornal voltou à carga “denunciando” que as representações diplomáticas brasileiras lhe dão suporte quando visita os países em que estão sediadas.

Nunca se viu isso em relação a nenhum outro ex-presidente. Até uma doação de quase meio milhão de reais de dinheiro público ao ex-presidente FHC não mereceu da própria Folha mais do que uma notinha escondida nas páginas internas – e que após ser publicada nunca mais foi notícia.

A “denúncia” contra Lula, porém, além de ganhar destaque principal na primeira página do jornal na sexta-feira, dia 22, continuou sendo martelada no sábado, agora sob a “revelação bombástica” de que a visita de um ex-presidente a outros países gera custos às representações diplomáticas brasileiras sediadas neles.

Eis por que faz todo sentido a piada que surgiu na internet. O jornal em questão, bem como alguns outros veículos da imprensa escrita e eletrônica, passou anos tentando derrubar Lula da Presidência da República e, agora, querem derrubá-lo da condição de ex-presidente.

Nesse ponto, vale uma reflexão: o que a última pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial de 2014 e a mais nova “denúncia” contra o ex-presidente têm a ver uma com a outra? Na opinião deste que escreve, pesquisa e denúncia têm tudo a ver.

As duas iniciativas de uma das quatro cabeças da hidra reacionária e despótica que há 500 anos aterroriza o Brasil decorrem da mesma obsessão da direita midiática em derrotar Lula por meio da arma mais poderosa de que ela sempre dispôs: a difamação.

E impedir a reeleição de Dilma Rousseff não passa de outro capítulo dessa odisseia reacionária, pois seu governo é produto do respeito, da admiração e da confiança que a maioria massacrante do povo brasileiro concedeu e continua concedendo ao ex-presidente.

A tal “principal arma” da dita “imprensa” que atua como partido político de oposição perdeu a eficácia contra Lula e não foi por acaso. Isso porque esses veículos ainda acreditam que podem inventar um cenário para o país e fazê-lo virar realidade.

Um dos fenômenos administrativos mais comentados é a preservação da condição de vida dos brasileiros em um momento em que o mundo padece sob a crise econômica mais grave da história. Contudo, a oposição brasileira e sua mídia insistem em tentar pintar uma realidade totalmente diferente.

Oposicionistas queridinhos da mídia vivem dizendo que o País “está em frangalhos” apesar de a qualidade de vida no Brasil ser hoje a melhor em toda sua história, com pleno emprego, crescimento e distribuição de renda a todo vapor. E a mídia endossa tal premissa oposicionista.

Sempre digo que quem votou em Lula em 2006 e em sua indicada em 2010 apesar da tempestade de acusações contra ele e ela durante aqueles processos eleitorais – e que hoje está sendo recompensado por isso –, dificilmente mudará de opinião.

Não existe nenhuma acusação a Lula hoje que não tenha sido feita até 2010, ano em que colheu sua terceira estrondosa vitória eleitoral consecutiva sobre seus inimigos políticos, que há muito deixaram de ser adversários.

Note-se que o período mais fértil para tais inimigos lograrem desmoralizá-lo e inflarem o anti-Lula da vez foi entre 2008 e 2009, quando o desemprego aumentou e a renda das famílias sofreu alguma queda devido à crise internacional.

Todavia, nem quando aquele período crítico lambeu a condição de vida dos brasileiros Lula sofreu perda de popularidade. Isso ocorreu porque ficou claro para a sociedade que o que ocorria era conjuntural e que o governo saberia reverter a situação, como de fato reverteu.

E é claro que as medidas populares que Dilma vem tomando, como reduzir os juros, o preço da energia elétrica, os impostos da cesta básica e tudo mais que vem fazendo em benefício da população, ajudam a aumentar ainda mais a aprovação da presidente.

Assim, ao menos mais da metade do eleitorado brasileiro está convencido de que a dita “grande imprensa” é inimiga de Lula e Dilma e aliada de seus opositores e, por conta disso, não leva em conta seus ataques a eles.

Não é pouca coisa que em plena tempestade de “notícias ruins” exageradas ou inventadas que a mídia oposicionista tenta contrapor à realidade concomitantemente com a glamorização de possíveis adversários de Dilma no ano que vem, que ela e Lula apareçam como virtualmente eleitos em primeiro turno naquele pleito.

E o que é mais: os adversários dos petistas que vêm sendo incensados por esses veículos – quais sejam, Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves, sem falar do imorredouro amor midiático por José Serra, que já virou obsessão – em vez de se beneficiarem da artilharia midiática antipetista, perderam votos.

O fato, portanto, é que uma crescente maioria dos brasileiros sabe direitinho que há em curso uma conspiração dos mais ricos contra os avanços sociais que a maioria empobrecida ou remediada vem experimentando.

É óbvio que não se pode cantar vitória antes do tempo, até porque golpes de última hora continuarão sendo engendrados até o fechamento das urnas em 2014. Contudo, está claro que a estratégia de inventar uma realidade sobre o País ou difamar Lula e Dilma, não vai funcionar.

Mas a pior notícia para a oposição vem agora: só como exercício, venho tentando engendrar uma estratégia mais inteligente contra os petistas e a conclusão a que chego é a de que a estratégia em curso é a única possível, a despeito de seus defeitos insanáveis.


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