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Veja produz seu segundo caso Boimate

13 de abril de 2013

Dilma_Veja_Tomate

Em 1984, o jovem repórter Eurípedes Alcântara caiu numa pegadinha de primeiro de abril e acreditou numa reportagem de uma revista científica sobre o cruzamento genético entre o boi e o tomate. O caso “boimate”, levado às páginas de Veja, se consagrou como a maior “barriga” jornalística de todos os tempos, mas não impediu que Eurípedes se tornasse diretor de Redação da revista da Abril. Nesta semana, Veja diz que a presidente Dilma “pisou no tomate” e que o alimento virou piada nacional. A tabelinha entre Abril e Globo é mais um momento baixo do jornalismo brasileiro, em sua campanha para disseminar terrorismo, pedir juros altos e combater o PT.

Via Brasil 247

Eurípedes Alcântara, diretor de redação da revista Veja, tem uma marca indelével em seu currículo. Em 1984, quando era apenas um jovem repórter que iniciava sua carreira na revista Veja, leu uma reportagem numa publicação científica sobre o cruzamento genético entre o boi e o tomate e produziu uma das pérolas da história do jornalismo no Brasil, sem se dar conta de que se tratava de uma piada de primeiro de abril. O caso Boimate, obra de Eurípedes, entrou para a história como a maior “barriga” da imprensa brasileira em todos os tempos (para saber mais, leia aqui).

Neste fim de semana, no entanto, Eurípedes decidiu produzir seu segundo caso Boimate. Numa tabelinha com a revista Época, da Editora Globo, Veja produziu uma capa idêntica, dizendo que a presidente Dilma “pisou no tomate”. Na Carta ao Leitor, Eurípedes “Boimate” Alcântara afirma que a presidente Dilma “pode afundar o Brasil”. E o texto sobre inflação é uma das peças jornalísticas mais vis, distorcidas e mal-intencionadas já produzidas pela imprensa brasileira.

Sob o título “Sim, eu posso…” e a imagem de uma Dilma com um tomate tatuado no braço, Veja “informa” que o alimento se transformou no símbolo da apreensão dos brasileiros com a volta da inflação. Mas nem torcendo e espancando as estatísticas, Veja consegue deixar sua tese de pé. Num gráfico interno, com a evolução dos preços do tomate, percebe-se que o preço do quilo foi de R$4,37 a R$7,81 entre 15 e 28 de março, mas já caiu para R$4,43 em 11 de abril. Ou seja: o estouro da meta inflacionária em 0,09%, que ocorreu em razão de uma entressafra, será revertido em abril.

Para ancorar sua peça de propaganda política, Veja cita as piadinhas que surgiram “com toda a naturalidade do mundo”, como o famoso colar de tomates de Ana Maria Braga. E fala até que os fiscais da Alfândega brasileira em Foz do Iguaçu estavam tendo que lidar com um novo tipo de crime na fronteira com o Paraguai: o contrabando de tomates.

Outro gráfico usado por Veja cita a inflação acumulada em 12 meses, de 6,59%, e outros preços que subiram mais do que isso, como a mensalidade escolar (9%), o pet shop (12%), o óleo diesel (14%) e o tomate (122%) – repita-se, um alimento com preços já em queda livre. Ora, é elementar que, se a média ficou em 6,59%, há outros itens que subiram bem menos, ou até caíram, como, por exemplo, as tarifas de energia elétrica.

Na reportagem, Veja mal disfarça seu lobby pelos juros altos. “Com a inflação não tem conversa. Ela só entende uma coisa: aumento dos juros, corte de gastos do governo e aperto no crédito – todas medidas impopulares”. No seu Boimate 2.0, Veja aproveita também a oportunidade para fazer um elogio rasgado em relação a Margaret Thatcher, que “cortou os gastos e elevou os juros”. Prestes a ser enterrada, Margaret Thactcher ainda hoje é um das figuras públicas mais odiadas da Inglaterra e a polícia britânica discute como conter protestos em seu funeral.

Sobre Veja, Eurípedes e seu segundo caso Boimate, nada a fazer a não ser atirar tomates na publicação. Que, aliás, já estão bem mais baratos.

Veja_BoiMate

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Texto publicado por Alexandre Ceará, no Facebook

As maiores taxas de inflação do Brasil pós-real e que você não soube porque as revistas, jornais, Ana Maria Braga etc. não precisavam torcer contra o povo:

1994 – 916,43% (ainda não vale)

1995 – 22,41% (preços ainda se ajustando à nova moeda, aproveitando e fazendo aquele primeiro arrocho salarial básico)

1996 – 9,56% (mão grande aqui, arrocho ali e o trabalhador trocava a picanha pelo frango)

1999 – 8,94% (Reeleição comprada e ganha, desvaloriza a moeda pra mais um arrochinho)

Enquanto isso, a carga tributária saia do patamar de 20 e poucos para os atuais 32%. E a dívida/PIB saltava de 28% para 52%, mesmo vendendo estatais a preço de banana para os amigos. E crescimento pífio: “Um governo que não usou um saco de cimento sequer.”

2001 – 7,67% (o presida Boca de Suvaco admite fracasso e implora US$30 bi ao Clinton pra fechar as contas)

2002 – 12,53% (a vaca foi pro brejo, mas essa batata quente vai pro Lula, FHC sorri)

2003 – 9,30% (Palocci começando a limpeza)

2004 – 7,60%

2005 – 5,69%

2006 – 3,14%

2007 – 4,45%

2008 – 5,90%

2009 – 4,31%

2010 – 5,90%

2011 – 6,50%

2012 – 5,83%

2013 – 6,40% (projeção)

Diretor de Veja revela “acordo” com Valério e farsa contra Lula

28 de outubro de 2012

Em entrevista ao O Globo, Eurípedes Alcântara, que comanda a publicação de Roberto Civita, disse ter feito acordo com Marcos Valério e que, por isso, não apresentou as provas da “entrevista” que o empresário teria concedido à revista, afirmando que Lula seria o “chefe do mensalão” denunciado por Roberto Gurgel. Eurípedes, no entanto, diz que ainda pode vir a apresentar suas provas, numa ameaça velada ao ex-presidente. Como foi dito aqui, era (e ainda é) apenas um blefe. Veja joga truco com a democracia, mas não tem o zap.

Via Brasil 247 em 28/10/2012

Em sua edição 2287, de 19 de setembro de 2012, Veja vendeu ao público uma entrevista com Marcos Valério, anunciada por seus blogueiros como o fato político mais importante desde que Pedro Collor de Mello concedeu entrevista gravada e filmada à revista, em 1992, abrindo o caminho para o impeachment de seu irmão Fernando Collor.

Depois de 20 anos, na entrevista que não houve, Veja colocou as seguintes frases na boca de Marcos Valério, que, supostamente, teria falado a interlocutores próximos:

“Lula era o chefe”.

“Dirceu era o braço direito do Lula, o braço que comandava”.

“O Delúbio dormia no Alvorada. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com o Lula à noite”.

“O caixa do PT foi de R$350 milhões”.

“[Depois da descoberta do escândalo], meu contato com o PT era o Paulo Okamotto. O papel dele era tentar me acalmar”.

“O PT me fez de escudo, me usou como boy de luxo. Mas eles se ferraram porque agora vai todo mundo para o ralo”.

“Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje”.

Poderia ser um caso apenas de propaganda enganosa, da revista de Roberto Civita contra seus leitores, mas era também uma tentativa preventiva de golpe contra Lula. A mensagem era clara: se Lula ousasse querer voltar a participar de forma mais ativa do jogo político, seria também alvo de uma ação criminal relacionada ao “mensalão”. Portanto, estava em impedimento técnico.

Nos meios de comunicação, Ricardo Noblat, de O Globo, foi o primeiro a falar na existência de fitas não publicadas, em razão de um acordo de Veja com Marcos Valério. Depois, José Roberto Guzzo, membro do Conselho Editorial da Abril, também argumentou numa de suas colunas que Lula tinha medo de que as “gravações” aparecessem.

Sem comentar o assunto, o ex-presidente recebeu uma nota em solidariedade assinada por presidentes de seis partidos políticos, denunciando a iniciativa golpista.

Aqui, no 247, desde o início da história, argumentamos que Veja não tinha fita alguma e que apenas blefava em relação a Lula. Jogava truco, brincando com instituições democráticas, sem ter a carta forte, o zap, ou seja, as fitas.

No sábado, dia 27, o jornalista Eurípedes Alcântara, diretor de Veja, pela primeira vez falou abertamente sobre o tema, em entrevista ao jornal O Globo. E o conteúdo é estarrecedor. Eurípedes disse que Veja fez um acordo com Marcos Valério, que acaba de ser condenado a mais de 40 anos de prisão. E que por isso não apresenta suas evidências – que já não são mais gravadas ou filmadas.

“Temos as provas necessárias para demonstrar que as afirmações são o que no STF se chamaria de ‘verbis’, ou seja, transcrições ao pé da letra do que ele disse. Marcos Valério decide se as provas serão divulgadas, apenas porque nossa combinação com ele foi a de que se ele desmentisse a reportagem estaria quebrando o que foi acordado e, assim, ficaríamos dispensados de cumprir nossa parte”, disse Eurípedes, por e-mail, ao Globo.

E inacreditável, mas Eurípedes tenta convencer o Brasil do seguinte: por uma questão de honra, um acordo no fio do bigode com Valério (condenado a 40 anos de prisão), Veja não irá apresentar as provas que diz ter contra Lula – um personagem a quem a revista já deu provas continuadas de seu apreço.

Eurípedes, no entanto, aponta razões éticas para não quebrar seu acordo com Marcos Valério.

“O fato de um indivíduo estar condenado não dá direito ao jornalista de, aproveitando-se de fragilidade inerente a sua situação, abusar de sua confiança. Pessoa nessa situação merece a mesma consideração ética e humana que ele dispensaria a celebridade ou autoridade no auge da fama ao poder.”

O diretor de Veja, no entanto, mantém a ameaça a Lula e diz que as provas ainda podem vir a aparecer no futuro – caso seja necessário.

Assim como lá atrás, a revista continua blefando. A “entrevista” de Valério, um golpe contra os leitores, era e continua sendo uma farsa.

Leia também:
Coletânea de textos: Lula, o melhor presidente da história do Brasil

Golpe: Para diretor da Veja, divulgar áudio da entrevista com Valério é “prova desnecessária”

26 de outubro de 2012

Em matéria publicada no portal Comunique-se, o diretor de Redação da revista [da] marginal Eurípedes Alcântara afirmou que a revista [sic] tem o áudio da entrevista realizada com Marcos Valério, mas expor o material é “uma prova desnecessária para mostrar que a conversa aconteceu”.

Como assim uma “prova desnecessária”?

Mostrar a fita em que uma pessoa acusa o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva – que tem mais de 80% de aprovação dos brasileiros – de ser o “chefe” de um escândalo de corrupção é uma “prova desnecessária”? O povo quer saber, mas apresentar algo que não existe é impossível.

O episódio reforça mais uma vez que a mídia “isenta, imparcial e apartidária” mente/manipula para tentar desestabilizar o governo federal e dar seu golpe.

A “grande imprensa” não admite que, nos últimos dez anos, o Brasil mudou muito, e para melhor, sem os políticos neoliberais, que queriam entregar o Brasil de mão beijada para grupos internacionais.

Eurípedes Alcântara, um dos pauteiros da mídia golpista, segue o exemplo do Supremo Tribunal Federal (STF), que condena sem apresentar as provas. Se é que elas existem.

No início da semana, pelo Twitter, Ricardo Noblat, colunista do site de O Globo, responsável por espalhar nas redes sociais que a revista [da] marginal tinha as fitas das gravações de Valério e iria mostrá-las, já havia afirmado que a revista simplesmente as guardou. Simples assim: acusa e não mostra as provas.


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