Posts Tagged ‘Erros’

Quem sabe faz ao vivo: Os “melhores” momentos do jornalismo da Globo

24 de abril de 2013

Ana Maria Braga atropelada em seu programa; ferro cai na cabeça da apresentadora; William Waack manda alguém calar a boca (seria a Dilma?) e chama Zelda Mello de Zelda “Merda”. Esses e outros momentos inesquecíveis do jornalismo platinado.

Compilação do blog Causa-me espécie

Preocupante: Ana Maria Braga atropelada ao vivo e em cores

Assustador: Ferro cai na cabeça da apresentadora ao vivo e em cores

Duvidoso: William Waack manda Dilma calar a boca?

Não tem preço: William Bonner chorando a morte do chefe Roberto Marinho

Priceless: William Bonner falando inglês no Jornal Nacional

Glossário 1: Erros e falhas da Rede Globo

Glossário 2: Erros e falhas da Rede Globo

Glossário 3: Erros e falhas da Rede Globo

A Folha de S.Paulo vai mudar o nome para “Erramos”

3 de abril de 2013

Folha_Logo05_ErramosNo domingo, dia 31/3, a ombudsman da Folha de S.Paulo Suzana Singer revelou que cada edição diária do jornal traz, em média, 99 erros de informação. Mas podem ser até mais. Ela salienta que apenas 3% dos erros cometidos são corrigidos e informados para o leitor. Agora que o Dudu tá lendo, ele perceberá que a Folha ainda comete erros primários de checagem e informação.

99 erros: Estudo mostra que cada página da Folha traz duas informações incorretas; só 3% dos erros são corrigidos

Não era Leonardo Medeiros, era Leonardo Moreira. César Maia nunca foi governador do Rio. O investimento para a Expo-2020 é de R$24 bilhões, e não de R$24 milhões. O Parque Ibirapuera é cem vezes maior do que se disse.

Quem lê a Folha está habituado a encontrar correções como essas, publicadas nas últimas semanas. Diariamente, saem três ou quatro “erramos”, ao pé do “Painel do Leitor”, mas, sabemos bem, isso é apenas a ponta do iceberg.

Para descobrir o tamanho da montanha diária de erros, a Folha reuniu uma equipe que refez a apuração de todos os textos publicados em três edições do ano passado.

Os jornalistas conversaram com entrevistados, consultaram dados de sites oficiais, revisaram traduções, refizeram contas e até assistiram a partidas de futebol para conferir as descrições em “Esporte”.

Como o foco eram os erros de informação, foram ignorados os problemas de português e de padronização. Resultado: a Folha publica 99 informações erradas por edição. Dá, em média, dois erros por página editorial (sem anúncio).

Por ser trabalhoso e caro, o estudo, apelidado internamente de “autópsia de uma edição”, só havia sido feito uma vez, entre 1997 e 1998. Naquela época, foram encontrados 105 erros por edição. Em 15 anos, pouca coisa mudou. Uma queda de 6% não é motivo de comemoração, já que hoje, com a internet, é mais fácil checar dados.

A maior parcela dos erros, no passado e agora, está nos “serviços”: roteiro de cinema, programação de tevê, preços de passagem aérea etc. É o que mais irrita o leitor, porque o faz perder tempo.

Na quinta-feira passada [28/3], quem consultou o “Acontece” e tentou ligar para o Cine Segall ouviu uma gravação avisando que o número mudou. Quem foi ao cinema no Shopping JK Iguatemi pagou pelo ingresso mais do que estava no jornal.

Uma checagem mais rígida diminuiria esses erros, mas parte da responsabilidade pelas informações desatualizadas é dos próprios cinemas, que mudam a programação depois que as edições da “Ilustrada” e do “Guia” estão concluídas.

Grafia de nomes, confusão entre números e problemas de edição são outros mananciais de erros que poderiam ser combatidos com apuração e revisão mais cuidadosas.

Cabe ao jornal estabelecer metas de diminuição de erros, mas não adianta sonhar com o “erro zero”, porque a quantidade de informação publicada é enorme. Uma edição de quarta-feira da Folha tem praticamente o mesmo número de caracteres que Os Lusíadas. Aos domingos, a Redação produz 30% a mais que a obra de Luís de Camões.

Se não há perfeição, a transparência na correção é a garantia de qualidade do produto. O estudo mostra que, em média, os “erramos” correspondem a apenas 3% dos erros cometidos.

É preciso estimular os leitores e as fontes de informação a apontar incorreções e, assim que forem detectadas, corrigi-las sem eufemismo. Dos grandes órgãos de comunicação do País, a Folha é o que mais se corrige, o que é sinal de saúde, não de doença. Como notou Arthur Brisbane, ex-ombudsman do New York Times, “por mais paradoxal que pareça, quanto mais correções você vir no jornal, melhor”.

Mauro Santayana: “Mensalão”, um dos erros judiciários mais pesados da História?

16 de novembro de 2012

Mauro Santayana, via Jornal do Brasil

O julgamento da Ação Penal 470, que chega a seu fim com sentenças pesadas contra quase todos os réus, corre o risco de ser considerado como um dos erros judiciários mais pesados da História. Se, contra alguns réus, houve provas suficientes dos delitos, contra outros os juízes que os condenaram agiram por dedução. Guiaram-se pelos silogismos abengalados, para incriminar alguns dos réus.

O relator do processo não atuou como juiz imparcial: fez-se substituto da polícia e passou a engenhosas deduções, para concluir que o grande responsável fora o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Podemos até admitir, para conduzir o raciocínio, que Dirceu fosse o mentor dos atos tidos como delituosos, mas faltaram provas, e sem provas não há como se condenar ninguém.

O julgamento, por mais argumentos possam ser reunidos pelos membros do STF, foi político. Os julgamentos políticos, desde a Revolução Francesa, passaram a ser feitos na instância apropriada, que é o Parlamento. Assim foi conduzido o processo contra Luís 16. Nele, de pouco adiantaram os brilhantes argumentos de seus notáveis advogados, Guillaume Malesherbes, François Tronchet e Deseze, que se valiam da legislação penal comum.

O julgamento era político, e feito por uma instituição política, a Convenção Nacional, que representava a nação; ali, os ritos processuais cediam lugar à vontade dos delegados da França em processo revolucionário. A tese do poder absoluto dos parlamentares para fazer justiça partira de um dos mais jovens revolucionários, Saint-Just. Ela fora aceita, entre outros, por Danton e por Robespierre, que se encarregou de expô-la de forma dura e clara, e com a sobriedade própria dos julgadores – segundo os cronistas do episódio – aos que pediam clemência e aos que exigiam o respeito ao Código Penal, já revogado juntamente com a monarquia.

“Não há um processo a fazer. Luís não é um acusado. Vocês não são juízes, vocês são homens de Estado. Vocês não têm sentenças a emitir em favor ou contra um homem, mas uma medida de segurança pública a tomar, um ato de providência nacional a exercer. Luís foi rei e a República foi fundada”. E Robespierre, implacável, explica que, em um processo normal, o rei poderia ser considerado inocente, desde que a presunção de sua inocência permanecesse até o julgamento. E arremete:

“Mas, se Luís é absolvido, o que ocorre com a Revolução? Se Luís é inocente, todos os defensores da liberdade passam a ser caluniadores”. Os fatos posteriores são conhecidos.

O STF agiu, sob aparente ira revolucionária de alguns de seus membros, como se fosse a Convenção Nacional. Como uma Convenção Nacional tardia, mais atenta às razões da direita – da Reação Thermidoriana, que executou Robespierre, Saint-Just e Danton, entre outros – do que a dos montagnards de 1789. Foi um tribunal político, mas sob o mandato de quem? Quem os elegeu? E qual deles pôde assumir, com essa grandeza, a responsabilidade do julgamento político, que assumiu o Incorruptível? E qual dos mais exacerbados poderia dizer aos outros que deviam julgar como homens de Estado, e não como juízes?

Como o Tartufo, de Molière, que via a sua razão onde a encontrasse, foram em busca da teoria do domínio do fato, doutrina que, sem essa denominação, serviu para orientar os juízes de Nurenberg, e foi atualizada mais tarde pelo jurista alemão Claus Roxin. Só que o domínio do fato, em nome do qual incriminaram Dirceu, necessita, de acordo com o formulador da teoria, de provas concretas. Provas concretas encontradas contra os condenados de Nurenberg, e provas concretas contra o general Rafael Videla e o tiranete peruano Alberto Fujimori.

E provas concretas que haveria contra Hitler, se ele mesmo não tivesse sido seu próprio juiz, ao matar-se no bunker, depois de assassinar a mulher Eva Braun e sacrificar sua mais fiel amiga, a cadela Blondi. Não havendo prova concreta que, no caso, seria uma ordem explícita do ministro a alguém que lhe fosse subordinado (Delúbio não era, Genoíno, menos ainda), não se caracteriza o domínio do fato. Falta provar, devidamente, que ele cometeu os delitos de que é acusado, se o julgamento é jurídico. Se o julgamento é político, falta aos juízes provar a sua condição de eleitos pelo povo.

Dessa condição dispunham os membros da Convenção Nacional Francesa e os parlamentares brasileiros que decidiram pelo impeachment do presidente Collor. As provas contra Collor não o condenariam (como não condenaram) em um processo normal. Ali se tratou de um julgamento político, que não se pretendeu técnico, nem juridicamente perfeito, ainda que fosse presidido pelo então presidente do STF.

A nação, pelos seus representantes, foi o tribunal. O STF é o cimo do Poder Judiciário. Sua sentença não pode ser constitucionalmente contestada, mesmo porque ele é, também, o tribunal que decide se isso ou aquilo é constitucional, ou não. A História, mais cedo do que tarde, fará a revisão desse processo, para infirmá-lo, por não atender às exigências do due process of law, nem à legitimidade para realizar um julgamento político.

O julgamento político de Dirceu, justo ou não, já foi feito pela Câmara dos Deputados, que lhe cassou o mandato.


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