Posts Tagged ‘Empresários’

Empresários brasileiros sonegam 10% do PIB

3 de outubro de 2013
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Foto de Antonio Cruz/ABr.

Crônicas do Motta

Baixar impostos e simplificar o cipoal de tributos existentes no Brasil são desejos da maioria da população.

A reforma tributária, tantas vezes tentada, não avança, porém, porque prefeitos e governadores, amparados pelos parlamentares de seus estados, não querem perder um centavo do que arrecadam.

E se nenhum deles ceder nessa questão, tudo vai continuar como está para todo o sempre.

Mas a reforma tributária é apenas uma das faces da questão, a mais visível graças ao poderoso lobby dos empresários que querem pagar menos tributos para aumentar os seus lucros.

O que poucos falam é sobre o quanto esses empresários sonegam, uma quantia fabulosa que deixa de chegar aos cofres públicos – segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), só neste ano foram sonegados R$300 bilhões em tributos.

A quantia supera a riqueza produzida pela maioria dos Estados. Até o fim do ano, o valor deverá atingir R$415 bilhões, o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país.

O Sinprofaz desenvolveu um placar online da sonegação fiscal no Brasil. Chamada de Sonegômetro, a ferramenta permite acompanhar em tempo real o quanto o país deixa de arrecadar todos os dias. Os números são atualizados constantemente no endereço eletrônico www.sonegometro.com.

De acordo com o estudo, se não houvesse sonegação de impostos, o peso da carga tributária poderia ser reduzido em até 20% e, ainda assim, o nível de arrecadação seria mantido. A ação faz parte da campanha “Quanto Custa o Brasil pra Você?”, criada pela entidade em 2009.

A contagem começou em 1º de janeiro. O valor sonegado até o momento é superior à arrecadação do Imposto de Renda em 2011 (R$278,3 bilhões). Na comparação com o PIB dos Estados, a sonegação estaria em quarto lugar entre as 27 unidades da Federação.

Os R$300 bilhões que o governo deixou de receber até agora só estão atrás do PIB de São Paulo (R$1,248 trilhão), do Rio de Janeiro (R$407 bilhões) e de Minas Gerais (R$351 bilhões). A quantia sonegada equivale a mais do que a riqueza produzida pelo Rio Grande do Sul (R$252,5 bilhões), pelo Paraná (R$217 bilhões) e pelo Distrito Federal (R$150 bilhões).

Para chegar ao índice de sonegação, o levantamento do Sinprofaz selecionou 13 tributos que correspondem a 87,4% da arrecadação tributária no Brasil. Os principais tributos analisados foram os impostos de Renda (IR), sobre Produtos Industrializados (IPI) e sobre Operações Financeiras (IOF), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e os impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e sobre Serviços (ISS).

O Sinprofaz também incluiu no estudo as contribuições dos empregadores para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e os pagamentos de patrões e empregados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). (Com informações da Agência Brasil)

Na economia, os fatos dizem “xô, urubu”

20 de setembro de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

Depois do “choque e espanto” com o bom crescimento do PIB no segundo trimestre, deixando para trás todas as expectativas, mesmo as não-agourentas, você começou a ouvir: “ah, mas o terceiro trimestre virá ruim, tudo está indicando”, não foi?

Há 15 dias, dissemos aqui que isso não era análise econômica, mas uma simples manifestação de (má) vontade de analistas muito mais comprometidos com a “torcida” política por um desastre do que em avaliar serenamente os dados econômicos.

Agora, essa opinião é dada pelos próprios e mais diretos interessados: os empresários. Pesquisa da CNI mostra que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) cresceu 1,7 ponto em setembro, atingindo 54,2 pontos.

Diz a CNI: “O aumento do ICEI pelo segundo mês seguido, após o indicador ter ficado próximo da linha divisória entre confiança e falta de confiança, é um sinal importante para a recuperação da indústria”. Esta linha divisória são os 50 pontos, que tocamos no auge das manifestações de rua. E não foi um setor ou outro que melhorou: o índice cresceu em 23 dos 28 setores da indústria de transformação.

Claro está, e você pode ver claramente no gráfico, que estamos longe de voltar aos melhores tempos de otimismo. Os problemas criados pela economia mundial são sérios e mais sérias ainda as consequências, sobre a expectativa dos empresários, do temporal catastrofista que a mídia faz desabar sobre o país.

Mas a base real para uma expansão econômica é tão sólida que nem isso – e mais a complicada área de turbulência pela qual passou o câmbio nos últimos dias – foi suficiente para submergir os sinais reais que os empresários percebem não nos jornais, mas na sua pasta de faturamento.

Retomada de crescimento, numa economia com as dimensões e complexidades da brasileira, não é um processo rápido. Vai exigir perseverança e firmeza em políticas econômicas que não podem mudar ao sabor das colunas de jornal.

É da natureza do “mercado”, com sua fome de lucros, nunca achar que nada está bom. Depende da “varinha do medo” para tanger Governo e povo para onde mais lhe convém.

O mercado não produz, não emprega, não é tangível. Mas lucra, e como lucra!

Comissão da Verdade chamará empresários vinculados à ditadura

15 de maio de 2013
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Boilesen, o financiador da Oban.

Via jornal do “seu Frias”

A Comissão Nacional da Verdade vai convocar para prestar depoimentos públicos – além dos militares suspeitos de mortes, torturas e desaparecimentos – os empresários que teriam contribuído para financiar a repressão política executada pela ditadura militar (1964-1985).

“Vamos chamar. Tem o elemento civil da ditadura. Hoje a academia chama [o regime] de ‘ditadura civil-militar’, então temos de falar desse elemento civil”, disse à Folha Rosa Cardoso, que assume a coordenação do grupo por três meses na sexta-feira, dia 17, substituindo Paulo Sérgio Pinheiro.

Os depoimentos públicos da comissão começaram com o do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, 80. Na sexta-feira, dia 10, ele confrontou aos gritos os membros do grupo e disse que a ditadura salvou o País de um suposto golpe comunista.

O entendimento de que a comissão deve descrever em seu relatório final (a ser entregue em maio de 2014) a participação empresarial na repressão já era consensual antes mesmo de o grupo ser empossado, um ano atrás.

A historiografia sobre o período descreve a participação de diversos empresários na repressão, em especial no financiamento da Operação Bandeirante (Oban), um grupo de integrantes das Forças Armadas e das polícias estaduais criado no fim dos anos de 1960 com o fim de acabar com a resistência ao regime.

O caso mais famoso é o do empresário dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Albert Boilesen. Apontado como financiador da Oban, ele foi assassinado por esquerdistas em 1971.

Segundo Rosa, é possível que primeiro sejam feitos os depoimentos públicos com militares e, depois, com os empresários. Na semana que vem, a comissão vai se reunir para decidir a lista dos nomes. Dificilmente serão chamados mais do que dez, afirmou. Os convocados podem ficar em silêncio, mas são obrigados a se apresentar.

Em sua gestão, Rosa irá fomentar a criação de novos comitês da verdade – grupos da sociedade civil que apoiam a comissão nacional – e fortalecer o subgrupo que apura o que ocorreu com sindicalistas e com militares que se opunham ao regime.

Para ela, o colegiado tem mais oito meses para apurar as violações aos direitos humanos feitas no regime, uma vez que os últimos quatro meses devem ser dedicados à redação do relatório final.

A participação de empresários e de membros do Judiciário foi lembrada por Paulo Sérgio Pinheiro num ato em que ele fez um balanço do primeiro ano de trabalho da comissão, empossada em 16 de maio de 2012.

Segundo ele, o relatório será contundente, explicitará a “cumplicidade de setores do Poder Judiciário no encobrimento de crimes” e vai “reconstituir a colaboração de empresas e empresários na manutenção do sistema paralelo de repressão articulado com as Forças Armadas”.

Leia também:

O elo da Fiesp com os porões da ditadura

A indústria de chavões

11 de maio de 2013

Ferreiro01Via Crônicas do Motta

Os empresários brasileiros se vestem bem, comem bem, ganham bem, vivem realmente em outro mundo. Se tivessem um contato mínimo com a realidade, veriam que o País tem hoje todas as condições de dar um passo além e ultrapassar de vez a fronteira que o separa das nações mais ricas do planeta. Em vez disso, porém, continuam atrelados a velhos hábitos e ideias superadas, reclamando de tudo, menos de sua notável incompetência e secular ineficiência.

Um grupo desses nossos “líderes empresariais” se reuniu na noite de segunda-feira, dia 6, em São Paulo para receber o prêmio Executivo de Valor. E desta vez se superaram na análise da conjuntura econômica do País: segundo relatou o jornal que patrocinou o evento, “a inflação voltou ao topo das preocupações dos executivos brasileiros”.

A inflação, justo ela, que mantém neste ano um comportamento exatamente igual ao dos anos anteriores, está causando uma tremenda dor de cabeça a nossos industriais. Eles devem se fartar na leitura do Estadão, da Veja, da Folha, e obviamente não perdem um capítulo do Jornal Nacional. Com tantos problemas por aí, eles temem justamente a inflação…

Diz a notícia que “em uma lista de seis problemas imediatos – inflação, câmbio, mão de obra, inadimplência, custo do crédito e demanda fraca –, o aumento dos preços recebeu notas de oito a dez para a maioria dos 23 premiados”.

E aí segue-se um rosário de queixas:

“Tudo o que a indústria tenta ganhar em produtividade para ser mais competitiva perde na inflação. Essa escalada inflacionária [sic] é uma grande ameaça”, diz Fábio Venturelli, presidente do grupo sucroalcooleiro São Martinho.

“A inflação reduz a capacidade de compra das pessoas e quem mais sofre são os que têm os menores salários”, diz Márcio Utsch, presidente da Alpargatas.

A notícia continua, afirmando que “se a inflação é o principal entrave de curto prazo ao crescimento, fatores de mais longo prazo também foram apontados”: a qualificação da mão de obra – temor número um em 2012 – ficou em segundo lugar neste ano, acompanhada de perto pelo câmbio.

Como se vê, os empresários brasileiros não primam pela originalidade:

“A receita dos executivos para um Produto Interno Bruto (PIB) mais vigoroso e sustentável nos próximos anos passa pelo aumento da competitividade. Demanda fraca e o câmbio valorizado estão entre as maiores inquietações de Harry Schmelzer, presidente da fabricante de motores elétricos WEG. “A indústria passa por um momento difícil, o que pode ser percebido pela perda gradual de dinamismo e de participação do setor na economia”, diz. Para ele, as medidas adotadas pelo governo – como redução do custo do crédito e desoneração da folha de pagamento – ajudam a mitigar o problema. Mas a retomada do crescimento envolve mais investimentos em infraestrutura e logística.”

O presidente da Microsoft, Michel Levy, capricha no lugar-comum: “O Brasil deveria primeiro estimular o investimento privado”, afirma, e para isso é necessário rever a política industrial. “Existe forte movimento para aquecer a demanda, mas é preciso se preocupar com o incentivo à produção”, diz.

Mas ele não é o único a explorar o chavão. Carlos Fadigas, presidente da Braskem, é autor de frase lapidar: “O baixo crescimento nos últimos anos deixou claro que não se pode prescindir da expansão da indústria.”

E por aí vai o festival de platitudes.

De tudo o que foi dito, sobra apenas a conclusão inevitável: não é à toa que a indústria brasileira vive um mau momento. Com lideranças de tal naipe, é um milagre que as empresas ainda sobrevivam.

Nos braços do povo, Dilma ultrapassa o encilhamento

24 de abril de 2013

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A presidente mantém agenda transparente, ativa e cada vez mais de contato direto com a população. Dilma Rousseff ultrapassa especuladores da economia e redatores desnorteados da mídia tradicional mantendo política de pleno emprego, juros baixos e inflação dentro da meta. Por que há quem queira limitar os movimentos da presidente, tentando encilha-lha? Explica o empresário Benjamin Steinbruch, um dos maiores do País: “Pode ser a manifestação de quem torce contra o País.” Você concorda?

Marco Damiani, via Brasil 247

O verbo encilhar, no Dicionário Houaiss, tem sua primeira definição apresentada pela seguinte frase: “Apertar (o cavalo) com cilhas”. Cilhas são as cintas largas de couro que prendem a sela na barriga do animal. Em política, aprendeu-se no Brasil a se usar esse verbo, infelizmente, a cada vez que forças aparentes e ocultas tentam frear, limitar e controlar os livres movimentos de um presidente da República. Já houve entre nós um período chamado de crise do encilhamento, ensinado até hoje nos bancos escolares. Na passagem da Monarquia para a República, em resumo, especuladores e rentistas se aproveitaram de um momento de caos econômico para ampliarem suas exigências de mais benefícios ao governo, conseguindo até mesmo que medidas econômicas fossem baixadas sem a necessidade do aval dos primeiros mandatários republicanos. Os presidentes, naquela quadra, simplesmente não podiam fazer tudo o que desejavam. Estavam encilhados pelas circunstâncias.

A presidente Dilma Rousseff claramente está sendo alvo de uma tentativa de encilhamento político e econômico – mas ela, que sabe história, escolheu sua própria maneira de refutar essas iniciativas. Cada vez mais, como fez na segunda-feira, dia 22, ao entregar centenas de equipamentos municipais a prefeitos, de veículos escolares a retroescavadeiras, ou praticou em semanas anteriores, ao visitar produtores rurais da região Sul e inaugurar, no Nordeste, obras contra a seca. Dilma vai reforçando para os adversários que a agenda é dela – e não deles.

Eleita para exercer o cargo de presidente, ela o tem feito com respeito a todas as demais instituições democráticas, além da que ela própria chefia, a Presidência da República. De modo transparente, Dilma se movimenta livremente, marca seus próprios compromissos, fala o que deseja e faz o que acha melhor para o País. Mas isso que deveria ser visto como algo absolutamente natural, na verdade está deixando muita gente poderosa cada vez mais irritada.

Com os mais altos índices de popularidade já registrados por qualquer presidente a esta altura do mandato, à frente de uma política econômica que tem garantindo nos 30 meses de sua gestão um regime, na prática, de pleno emprego, observando a inflação dentro das metas estabelecidas pelo Banco Central e pilotando a mais espetacular baixa nas taxas de juro já vista na economia brasileira, Dilma não está se deixando enganar pelos especuladores (1) que, a toda oportunidade, pedem juros mais altos; pelos economistas a serviço do sistema especulativo (2), que já chegam a defender até mesmo o desemprego para controlar a inflação (Ilan Goldfajn e Alexandre Schwartzman); e pela mídia tradicional (3), que agora até dá para exigir que a Dilma deixe de “palavrório” (revista Época, da família Marinho), insinua dificuldades de cognição (jornal O Estado de S.Paulo, dos Mesquita) e desdenha do modelo adotado para controlar a inflação, buscando pintar de permanente um episódio nitidamente sazonal (revista Veja, dos Civita) – a elevação de preço do tomate, cujo quilo, em razão de queda momentânea na produção, subiu para até R$10,00 nas feiras livres e, agora, já voltou ao leito normal de R$2,50.

Feirantes paulistanos com seus bordões engraçados e simpatia a toda prova constroem, de improviso, frase bem melhores e mais certeiras ao gosto do público do que as que se leem nas peças editoriais de Época, do Estadão e de Veja. Os redatores dessas mídias tradicionais jogaram todo o seu, digamos, talento contra eleição de Dilma como sucessora de Lula – e perderam feio. Agora, com maior irritação e pensatas cada vez mais rasteiras, trabalham para tumultuar uma fase decisiva do mandato dela. Eles estão, outra vez, na contramão da história. A insistência no oposicionismo de encomenda ao não ter conexão com a realidade, está fazendo a circulação de seus veículos minguar. As pessoas estão abandonando seus hábitos, tanta a barra pesada, como se dizia nos anos 1960, que vai ocorrendo.

Na terça-feira, dia 22, em artigo no jornal Folha de S.Paulo – um veículo que, sem abrir mão de suas posições fortes [golpistas], vai conseguindo se sobressair na maré vazante da mídia tradicional em termos editoriais e de resultados comerciais –, o empresário Benjamin Steinbruch resume em título e olho, em artigo na página B8 da publicação dos Frias, o que pensa um sujeito que está à frente de uma indústria de base, a do aço, absolutamente sensível aos movimentos da economia. Se as coisas estivessem correndo tão mau quanto se lê na mídia, Steinbruch não escreveria o seguinte: “Xô, mau humor” – o mau humor, no caso da economia, pode ser a manifestação de quem torce contra o país. Ele tocou no ponto certo. Com tanta pressão negativa do lado de fora, elementos econômicos como a expectativa de inflação e juros, podem, sim, ser influenciados. No caso, para disparar. Mas nem isso está acontecendo. Um dos maiores criadores de cavalos de corrida do Brasil, Steinbruch sabe exatamente o que significar encilhar. Mas ele está entre os que não querem ver a presidente da República na posição de encilhada.

Já começou: Russomano desdiz o que disse

13 de setembro de 2012

Russomano e seu vice D’Urso podem dançar se continuarem mentindo: “Existe um mal entendido entre o que tenho dito à imprensa e o que chega a empresários.”

Após prometer rever contratos terceirizados da Prefeitura, candidato do PRB diz a representantes da Segurança que pretende manter os acordos como estão.

Ricardo Chapola

Na quarta-feira, dia 12, o candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomano, recuou, em encontro privado com empresários, de uma promessa feita em público. Durante passeata na zona leste, na semana passada, Russomano prometeu rever todos os contratos terceirizados de segurança da administração municipal. Na reunião fechada, ele afirmou a representantes do setor que manterá tudo como está, caso seja eleito.

Russomano vem fazendo uma série de promessas na área da segurança. Chegou a ser questionado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) a respeito de seu plano de aumentar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana. Nesse contexto, repórteres perguntaram para o candidato do PRB no sábado se ele iria utilizar os guardas civis em serviços hoje realizados por terceirizados, e com isso rever os contratos de segurança privada. “Mas é claro que vou [rever os contratos]. Eu quero a GCM fazendo a segurança da cidade de São Paulo. Eu quero a GCM fazendo a segurança das escolas. Inclusive no entorno das escolas, onde a gente não tem segurança e temos o tráfico e o crack tomando conta das escolas”, afirmou Russomano.

Num outro evento, já nesta semana, o candidato afirmou aos jornalistas, após encontro com servidores federais na zona oeste: “A Prefeitura está gastando R$120 milhões em segurança privada quando poderia estar usando isso na Guarda Civil Metropolitana. O que nós temos aí é desvio de dinheiro”. O candidato do PRB ainda fez uma série de questionamentos: “Por que terceiriza tanto? Por que não faz diretamente? Por que não prestigia o funcionário público? Por que paga mais para o terceirizado do que se paga para o funcionário público?”

Ontem, a assessoria de imprensa de Russomano chegou a divulgar o evento que teria com empresários de segurança privada de São Paulo, na zona norte da cidade. Horas depois, porém, a assessoria informou que o encontro seria fechado à imprensa. A convite de um empresário, o Estado acompanhou a reunião.

Os representantes do setor cobraram o candidato do PRB logo no início. Pediram que ele “olhasse com mais carinho” sua proposta de rever os contratos.

Vice-presidente de um sindicato empresarial, João Eliezer Palhuca afirmou que o serviço prestado pela segurança privada tem papel “suplementar” para a segurança pública. Segundo ele, empresas particulares são responsáveis por 40% dos serviços prestados aos órgãos públicos.

“A prefeitura é grande utilizadora do serviço. Nossa atividade funciona como atividade suplementar à atividade de segurança pública à medida que ela não consegue suprir a demanda”, disse.

Russomano, então, disse ter havido “um mal-entendido”. Ressaltou que, se eleito, vai manter os contratos com as empresas. “Existe um mal-entendido entre o que tenho dito à imprensa e o que chega aos empresários. (O plano) É conviver pacificamente com todos aqueles que querem fazer segurança pública. Nada a respeito de afastar as empresas de segurança dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos”, afirmou.

Não é a primeira vez que Russomano diz ter sido “mal-entendido”. No dia 1º, o candidato do PRB prometeu rever os incentivos fiscais da Prefeitura para a construção do estádio do Itaquerão, na zona leste. “Vamos assumir dia 1º e verificar de que formas as coisas estão sendo feitas. O que for legal, o que estiver atendendo aos interesses da população, nós vamos manter; o que não estiver, vamos rediscutir.” No debate da RedeTV entre os candidatos, no dia 3, Russomano negou que sua intenção seja rever a medida chancelada por Kassab.


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