Posts Tagged ‘Eduardo Campos’

Por aliança no 2º turno, PSDB entrega Pernambuco a Campos

5 de janeiro de 2014

Eduardo_Campos25

Com a nomeação de tucanos para a Secretaria Estadual do Trabalho e para o Detran, presidenciável socialista fortalece “PSDB eduardista” e leva cabos eleitorais de Aécio.

Diego Sartorato, via RBA

Legenda: Eduardo Campos convidou tucanos para o primeiro escalão do governo após saída do PT do governo. Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/Abr.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), oficializou na manhã de sexta-feira, dia 3, o ingresso do PSDB em sua administração, pouco mais de dois meses após PT e PTB deixarem os cargos que ocupavam no governo estadual. Murilo Guerra, ex-superintendente do Sebrae em Pernambuco, foi nomeado para a Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo, enquanto Caio Mello, secretário de saúde do município de Camaragibe, assumirá a presidência do Detran – ambos representantes do que está sendo chamado de “PSDB eduardista” entre os adversários de Campos.

“Hoje pode-se dizer que os ‘eduardistas’ são a principal corrente do PSDB no estado, muito graças aos esforços do presidente nacional da legenda [o deputado federal Sérgio Guerra], que é daqui. Na Assembleia Legislativa, onde o PSDB tem seis deputados, apenas três atuam efetivamente como oposição; por outro lado, em 2008 e 2012, o PSDB cresceu muito nas eleições municipais graças ao apoio de Campos”, avalia Tereza Leitão, deputada estadual e presidenta estadual do PT.

Campos, em entrevista a veículos locais, também ressaltou a proximidade crescente entre PSB e PSDB para justificar a reorientação do seu quadro de aliados às vésperas das eleições presidenciais. “Nós tivemos um diálogo com o PSDB, um diálogo que sempre tive mesmo quando eles não votaram com a gente, mas eu sempre dialoguei, apoiei vários candidatos do PSDB em prefeituras em 2008 e 2012. Sempre tive relação preservada com o presidente do partido. Nós entendemos que nesse momento, na hora que alguns partidos saíam da base de sustentação, era a hora de fazer esse convite”, afirmou.

Para Tereza, o desdobramento dessa cooperação velada ao longo das últimas eleições é a amarração de um acordo para o segundo turno das eleições presidenciais deste ano, embora a aliança ainda não esteja fechada. “Ainda é cedo e ainda pode haver mudanças de posição até as eleições, mas foi um passo nesse sentido. O apoio partidário ao Aécio [Neves, senador por MG e pré-candidato à presidência pelo PSDB] em Pernambuco consiste em três deputados estaduais, o que significa que aqui ele só cumpre tabela. A polarização será entre Eduardo Campos, que está aglomerando as forças antipetistas, e a presidenta Dilma”, completa.

Após a nomeação dos novos secretários em Pernambuco, o 1º secretário do PPS no Estado, Eliezer Ferreira, resumiu em sua conta no Twitter a configuração final dessa “aliança antipetista”: “Em Sergipe eu vou defender o bloco PPS+PSDB e DEM, para presidente Eduardo Campos PSB e PPS”, escreveu.

A união em Pernambuco dá continuidade à articulação entre os dois partidos em âmbito estadual com o objetivo de fortalecer as campanhas presidenciais de Aécio e Campos, que precisa ainda absorver as demandas de Marina Silva e das lideranças que estão no PSB apenas até fundarem a Rede Sustentabilidade, após as eleições. A ex-ministra tem sido apontada como principal articuladora contra a continuidade do apoio do PSB ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), enquanto em Minas Gerais, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), bem cotado para o cargo de governador, deve abster-se da disputa para cumprir o atual mandato até o final e não entrar em conflito com a campanha de Pimenta da Veiga pela sucessão de Antônio Anastasia (ambos do PSDB).

Falta discussão estrutural

Paulo Douglas Barsotti, doutor em Ciência Política e professor da FGV, vê com pouco entusiasmo a costura de alianças para as eleições deste ano. “O debate, como um todo, se afastou da política e está voltado para questões administrativas e as alianças partidárias. Ainda não nos foi apresentada uma alternativa para o Brasil, um plano para o país, apenas ajustes em um modelo que não muda radicalmente desde a redemocratização”, avalia.

“No caso do Eduardo Campos, ele não pode ser agressivo em relação ao governo Dilma. Ele acumulou o capital político que tem hoje sendo ministro desse governo, mesmo que esteja se aproximando do PSDB. Teve seu melhor momento quando surpreendeu a todos com a aliança com Marina Silva, mas isso não se desenvolveu em um discurso renovador. Não adianta dar ênfase a novas questões, como a do meio ambiente, sem apresentar, de fato, um projeto”, completa Barsotti.

Marina e Campos falharam como “terceira via” e torcem por protestos nas ruas

4 de janeiro de 2014

Marina_Eduardo_Campos18

Via Blog do Zé Dirceu

A mídia noticia que crescem as pressões da ex-senadora Marina Silva e que ela não vai desistir das investidas, agora sobre a deputada Luiza Erundina (PSB/SP), para que esta saia candidata a governadora este ano pelo PSB. Antes o deputado Walter Feldman, tucano que deixou o PSDB, aliando-se à Marina e à sua Rede, queria ser o candidato socialista a governador. Agora Marina aposta suas fichas em Erundina.

Pressões e investidas da ex-senadora são parte – registra o Painel político da Folha – da movimentação política dela e de seu partido, a Rede (ela está filiada ao PSB) para conseguir o afastamento da sigla de uma aliança com o governador tucano Geraldo Alckmin para ajudá-lo na reeleição. Esta coligação PSB-PSDB em São Paulo é capitaneada pelo deputado Márcio França (PSB/SP), que batalha para ser o candidato a vice-governador na chapa de Alckmin.

Nos debates internos com a cúpula parceira do PSB, Marina argumenta que o apoio a Alckmin é inadmissível porque o governo tucano tem desempenho ruim na educação e porque a mensagem de renovação política da Rede e de sua aliança com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é incompatível com o PSDB paulista que governa o Estado há 20 anos.

É Marina enredada em seu labirinto. Ela fundou a Rede e filiou-se ao PSB para ser oposição, esquecendo-se que o partido tem história e vocação governista em todo o País, sempre aliado a governos estaduais, principalmente aos do PSDB – em São Paulo, Minas, Paraná… Pior para Marina é que o governador Eduardo Campos, também presidente nacional do PSB, já avisou que não tem poder nem vontade de intervir e levar ao rompimento dessas alianças nos Estados.

Dupla torce pelo quanto pior, melhor

Rogério Gentile, articulista, registrou na quinta-feira, dia 2, na Folha de S.Paulo: Eduardo Campos e Marina Silva torcem por mais manifestações de rua e protestos em 2014, principalmente na época da Copa do Mundo. Marina, explicitamente, conforme escreveu em seu artigo publicado na sexta-feira, dia 27/12, na Folha, sua mensagem de final de ano: “Desejo (a essa multidão que foi às ruas) mais força e criatividade para renovar a democracia no Brasil em 2014”.

Ela e Eduardo Campos esperam beneficiar-se eleitoralmente. O que Marina e seu parceiro político Eduardo Campos aguardam uma segunda onda de indignação porque “não conseguiram avançar no discurso da nova política”, da “terceira via”, lançado por ocasião da aliança feita em outubro”. Diz, também, que os dois embaralham-se “com o oposicionismo puro e amarelado do PSDB”. E pergunta: “Qual é a diferença entre o governador pernambucano e o senador mineiro? [presidenciável tucano Aécio Neves]”.

Na conclusão de seu artigo, Gentile afirma: “A repetição dos protestos de junho de 2013 é uma possibilidade. […]. Mas é necessário lembrar que os atos de 2013 só ganharam dimensão, levando multidões às ruas, quando a polícia de Alckmin usou de violência irracional contra manifestantes e jornalistas, indignando o País. Até então o aumento da tarifa mobilizara uma meia dúzia. […]. Apostar agora [em novos protestos], como fazem Marina e Campos, submetendo-se a essa expectativa, é mais arriscado do que tentar adivinhar o vencedor da Copa.”

***

Leia também:

Aliança PSB/PSDB: Afinal, o que é essa tal de “nova política”?

Quanto pior melhor: Marina Silva pede novos protestos de rua em 2014

O sistema financeiro em busca de candidata?

Censura ao vice-presidente do PSB mostra a face autoritária de Marina

O pragmático marido da programática Marina

Paulo Moreira Leite: Guru de Marina disse que é preciso aumentar o preço da carne e do leite

A promiscuidade da(s) rede(s) Itaú-Marina

Já que a Rede de Marina furou, Banco Itaú cria sua própria rede

Com o apoio da mídia golpista, Marina Silva cultua o blasfemo “deus mercado”

Campos/Marina: O papel da coalizão do ódio

Para André Singer, programa de Eduardo Campos/Marina não existe

Luciano Martins Costa: A mídia está atirando para todos os lados

O mal-estar de Marina Silva

Janio de Freitas: O não dito pelo dito

Como fatos são maiores que desejos, Marina devastou a oposição

Aliado histórico de Marina abandona Rede e diz ter feito “papel de bobo”

Os neossocialistas Heráclito Fortes, Bornhausen e Caiado apoiam Eduardo Campos/Marina

Por que no te callas, Marina Silva?

Paulo Moreira Leite: Marina/Campos, bola de cristal em 5 pontos

Janio de Freitas: Presente e futuro

Dez consequências da decisão de Marina

Vice do PSB diz que partido de Marina é “fundamentalista, preconceituoso e sem caráter”

Problemas para Campos: Marina já critica alianças do PSB

Todos contra o chavismo

Marina/Campos: De madrugada, choro e ataque ao “chavismo do PT”

Marina Silva e o chavismo

Malabarismo de Marina Silva desorientou a mídia golpista

Estão faltando ideias e sobrando frases feitas para Marina

A Rede de Marina: Uma nova política ou uma nova direita?

Marina perdeu antes de o jogo começar?

Marina Silva é o atraso do Brasil financiado por banqueiros

Mexeu com o Itaú, mexeu com a Marina: Banco é autuado por sonegar R$18,7 milhões

Aliança PSB/PSDB: Afinal, o que é essa tal de “nova política”?

4 de janeiro de 2014
Eduardo_Campos24_Aecio

Falsos como uma nota de US$3,00.

José Luiz Gomes da Silva, cientista político, via Viomundo

Dizia o velho Ulisses Guimarães que, em política, “nunca devemos estar tão distante que não possa se aproximar, nem tão próximo que não possa se afastar”.

A máxima do saudoso dr. Ulisses reflete bem as articulações entre os dois presidenciáveis, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

O projeto de ambos parece-nos muito óbvio, que seria o de levar as eleições presidenciais de 2014 para o segundo turno, onde ambos já teriam antecipado a possibilidade de apoio mútuo, consoante quem estiver melhor na fita naquele momento. É curioso como, com tanta antecedência, essa costura possa estar tão consolidada.

Na história recente das eleições no País, talvez essa seja a eleição onde, concretamente, acordos para um eventual segundo turno sejam amarrados com tanta antecedência.

Neste aspecto, não estão se confirmando as previsões do marqueteiro oficial do Planalto, João Santana, de que haveria uma autofagia entre os anões. Eles iriam se comer no andar de baixo, enquanto Dilma Rousseff continuaria nas nuvens.

O Planalto vem adotando uma estratégia que não sabemos se é a mais correta em relação ao assunto: a estratégia do “acocha” e “afrouxa”, bem conhecida daqueles que atuam em sala de aula. Ora informa que Lula vem morar em Pernambuco para derrotar Eduardo em seu quintal, ora recomenda cautela, prevendo os arranjos inevitáveis na eventualidade de um segundo turno.

O comportamento do PT pernambucano não merece comentários. Eles simplesmente não resistem a um queijo de cabra, produzido em conhecida fazenda do Cariri paraibano, servido na mansão de Dois Irmãos.

Como já foi posto por alguns analistas, penso ser improvável uma derrota de Dilma Rousseff nas eleições de 2014, mas, como diriam nossos avós, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Melhor seria liquidar essa fatura no primeiro turno. O assédio e o desespero da direita poderiam provocar uma situação desconfortável.

The Economist, o semanário conservador britânico anda dedicando páginas e páginas para explicar por que Dilma Rousseff não deve ser reeleita, esquecendo-se de elencar, deliberadamente, as grandes conquistas sociais obtidos na Era Lula/Dilma.

Marina vem mantendo alguns encontros com Eduardo Campos. Ainda não entendi como é que ela não o presenteou com alguns livros básicos sobre essa “nova política”. Recomendaria duas leituras fundamentais do sociólogo espanhol, Manuel Castells, Sociedade em rede e Comunicação e poder.

Tivemos o cuidado de ler com atenção as entrevistas concedidas aos jornais locais pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio, e o governador do Estado, Eduardo Campos. São entrevistas que foram devidamente arquivadas para orientar nossas avaliações dos governos municipal e estadual daqui para frente.

Em ambas entrevistas, volta ao debate essa “nova política” à qual o governador se diz hoje partidário, traduzida como uma espécie de plataforma de suas aspirações presidenciais, sobretudo depois do momento em que vinculou-se a Marina Silva.

Durante a entrevista, Eduardo Campos tergiversou bastante sobre o assunto, envolto numa peça ficcional, onde não existem práticas concretas que possam dar suporte à teoria e, a rigor, desconhece-se a teoria.

O que, afinal, é essa “nova política”?

Em certa medida, o termo teria surgido a partir das reflexões do sociólogo espanhol, Manuel Castells, sobre a revolução promovida pelas redes sociais no que concerne às mobilizações sociais e a falência do modelo de democracia representativa burguesa, corrompido por expedientes de tráfico de influência, representação de grupelhos de interesses corporativos e desvios de recursos públicos, subtraindo as demandas coletivas em favor de interesses privados escusos.

Castells veio ao Brasil, realizou algumas conferências e o grupo que orbita em torno da acreana Marina Silva aproximou-se do teórico, elegendo-o como uma espécie de guru ou ideólogo.

Marina é a contradição em pessoa.

O modelo de desenvolvimento sustentável proposto pelo grupo ligado a ela passa por profundos questionamentos. Sustentabilidade mesmo só a financeira, uma vez que o grupo conta com apoio de participantes de peso dos banqueiros paulistas.

Manuel Castells é um intelectual envolvido com o movimento de Maio de 68, na França. Sobretudo no segundo título, Castells disseca o esgotamento do modelo de democracia representativa, afirmando que a “classe política” passou a defender seus próprios interesses corporativos, distanciando-se dos interesses da sociedade como um todo.

Ou seja, criou-se uma cisão entre representantes e representados, obrigando esses últimos a criarem novos padrões de participação democrática num mundo globalizado e digitalizado.

Em muitos aspectos, com todos os elogios que se possa fazer ao trabalho de jornalismo do Jornal do Commércio com a matéria sobre os 80 anos do livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, quem, de bom-senso, poderia ignorar o papel das redes sociais para repercutir negativamente as declarações do ex-secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, culminando com seu pedido de demissão?

Isso sim é nova política.

A aliança com Eduardo Campos atendeu estritamente a interesses pragmáticos, nunca programáticos, seja lá o que isso signifique. O modelo de crescimento adotado no Estado relegou completamente as questões ambientais. Poderia citar alguns dados aqui, mas isso iria cansar o eleitor minimamente informado.

Trata-se de um governo motosserra.

Penso, sem nenhum exagero, que os índices de desmatamento de mata atlântica no Estado hoje seriam comparáveis ao período mais nefasto do apogeu da economia da cana-de-açúcar.

Quando ele entra no terreno político, aí, então, é que as coisas descambam de vez, com a sua afirmação de que irá realizar o “novo” com o “velho”.

Certamente ele entregará a missão de realizar a reforma agrária – atrasada secularmente no País – aos ruralistas liderados pelo senhor Ronaldo Caiado.

Em artigo recente, o professor Michel Zaidan Filho fala sobre uma espécie de índice de popularidade construída a partir de artifícios midiáticos, ancorados em pesquisas sob medida, concebida apenas com a finalidade de jogar esses índices nas alturas, sem que os mesmos reflitam a qualidade dos serviços públicos e o atendimento às demandas reais da população, este sim, um índice republicano para aferir o desempenho dos gestores públicos.

O resultado disso é que se cria uma grande dicotomia entre os tais índices de popularidade, artificialmente construídos, e a vida cotidiana do cidadão, onde não se observam melhorias significativas.

O mesmo se aplica à propalada “nova política”, decantada em versos e prosas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em entrevista recente, já mencionada, o governador fez uma ginástica linguística enorme para explicar aos jornalistas que o entrevistaram as contradições inerentes ao conceito e às suas práticas ou políticas aliancistas, absolutamente destoantes.

Em dado momento, afirma que irá fazer o “novo” com o “velho”, seja lá o que isso possa significar. Aliás, escamotear.

Recentemente, a imprensa noticiou que ele teve um grande encontro com o também presidenciável, o senador Aécio Neves, do PSDB. O encontro ocorreu no Restaurante Fasano, no Rio, um dos mais “chicos” do pedaço, como diria minha caçulinha Maria Luísa.

Bons de garfos, acostumados às tradicionais culinárias pernambucana e mineira, certamente, não pediram os pratos de Marina Silva, caracterizados por algumas regras rígidas. Pelo menos em algum aspecto ela precisa parecer coerente. Aliás, como brincou um articulista do site “O Cafezinho”, a acreana, na realidade, do ponto de vista político, foi, literalmente, jantada.

Marina é um poço de contradições até mesmo no que se refere às questões ambientais, mais, rigorosamente, não estava em seus planos essa aproximação com os tucanos, um grupo com quem mantém divergências substantivas, rejeitados no momento em que decidiu juntar-se ao socialista.

Pois bem. Trata-se de uma aliança consolidada no plano nacional. A formalização dos acordos aqui em Pernambuco reflete apenas uma costura de longas datas, onde os partidos mantinham uma espécie de aliança branca, confirmada pelo grão-mestre tucano na província, ao afirmar, em entrevista recente, que o PSDB nunca foi oposição ao Governo Eduardo Campos.

O vereador Raul Jungmann e o senador Jarbas Vasconcelos sabem o que isso significa. Os cargos do PTB, que desembarca do governo, devem ir para o PSDB. A Secretaria de Transportes e o Detran estão confirmados.

Um bom marqueteiro – coisa que o Planalto tem – encontrará um mecanismo de evidenciar para os eleitores esse “fosso de contradições” em que o candidato Eduardo Campos está se metendo com essa conversa de botequim sobre a “nova política”.

Tenho observado que ele passou a usar uma “linguagem que o povo entende”. Quando se referiu às providências do governo federal em relação às vítimas das enchentes nos estados de Minas e Espírito Santo, falou sobre as tranca das portas depois de arrombadas. Pelo visto, as suas estão escancaradas.

Penso que a ministra Gleisi Hoffmann deu uma ligadinha para o Lula. Não precisa ir buscar inspiração nos gregos, quando se tem um pernambucano que é a maior autoridade quando o assunto é se entender com o povão. Reforçou-lhes a pecha de “ingrato”, a única condição que os gregos não perdoavam.

José Luiz Gomes da Silva é cientista político.

***

Leia também:

Quanto pior melhor: Marina Silva pede novos protestos de rua em 2014

O sistema financeiro em busca de candidata?

Censura ao vice-presidente do PSB mostra a face autoritária de Marina

O pragmático marido da programática Marina

Paulo Moreira Leite: Guru de Marina disse que é preciso aumentar o preço da carne e do leite

A promiscuidade da(s) rede(s) Itaú-Marina

Já que a Rede de Marina furou, Banco Itaú cria sua própria rede

Com o apoio da mídia golpista, Marina Silva cultua o blasfemo “deus mercado”

Campos/Marina: O papel da coalizão do ódio

Para André Singer, programa de Eduardo Campos/Marina não existe

Luciano Martins Costa: A mídia está atirando para todos os lados

O mal-estar de Marina Silva

Janio de Freitas: O não dito pelo dito

Como fatos são maiores que desejos, Marina devastou a oposição

Aliado histórico de Marina abandona Rede e diz ter feito “papel de bobo”

Os neossocialistas Heráclito Fortes, Bornhausen e Caiado apoiam Eduardo Campos/Marina

Por que no te callas, Marina Silva?

Paulo Moreira Leite: Marina/Campos, bola de cristal em 5 pontos

Janio de Freitas: Presente e futuro

Dez consequências da decisão de Marina

Vice do PSB diz que partido de Marina é “fundamentalista, preconceituoso e sem caráter”

Problemas para Campos: Marina já critica alianças do PSB

Todos contra o chavismo

Marina/Campos: De madrugada, choro e ataque ao “chavismo do PT”

Marina Silva e o chavismo

Malabarismo de Marina Silva desorientou a mídia golpista

Estão faltando ideias e sobrando frases feitas para Marina

A Rede de Marina: Uma nova política ou uma nova direita?

Marina perdeu antes de o jogo começar?

Marina Silva é o atraso do Brasil financiado por banqueiros

Mexeu com o Itaú, mexeu com a Marina: Banco é autuado por sonegar R$18,7 milhões

Quanto pior melhor: Marina Silva pede novos protestos de rua em 2014

29 de dezembro de 2013

Marina_Impaciencia02Via Brasil 247

A ex-senadora Marina Silva quer multidões nas ruas em 2014. Em artigo publicado na sexta-feira, dia 27, na Folha de S.Paulo, ela elege o manifestante como “a personalidade do ano” de 2013 e pede mais protestos no ano que vem, que será marcado pela Copa do Mundo e pelas eleições.

“Essa nova militância, que chamo de ativismo autoral, pois não se submete a direções partidárias ou sindicais, ONGs ou lideranças carismáticas, produz uma nova agenda em que as prioridades não são manipuladas. Assim, no país do futebol, tornou-se possível fazer da Copa das Confederações uma ocasião para reivindicar mais saúde e educação”, diz ela.

“Por essa emergência que surpreendeu aos desatentos e, principalmente, por essa permanência que se anuncia para o futuro, pela ruptura com os velhos falsos consensos estabelecidos, pelo reencontro de uma utopia de justiça que parecia esquecida, voto nessa bela multidão que foi às ruas como personalidade do ano de 2013 e desejo-lhe mais força e criatividade para renovar a democracia no Brasil em 2014”, conclui.

Leia abaixo:

Personalidade do ano

É comum, ao final de cada ano, que os veículos de comunicação façam enquetes e consultas para escolher – e, às vezes, premiar – as personalidades que se destacaram e influenciaram o rumo dos acontecimentos no país. Exponho aqui o meu voto e o justifico.

Em 2013, o Brasil se encontrou nas ruas. Este não é apenas o fato mais significativo do ano, mas se estende ao futuro e influencia todas as expectativas para o próximo ano.

Na verdade, as jornadas de junho permanecem como uma presença extra, incômoda para muitos como um fantasma na sala, gerando uma sensação de que os bastidores foram devassados, de que não há mais possibilidade de “votos secretos”, de que o reino inteiro está nu.

Por mais que os operadores do sistema político tentem restaurar a opacidade na vida institucional, não conseguem escapar aos olhos de um novo sujeito político que, de fora, abre as janelas. Ainda não chegaram a um termo na insistente tentativa de controlar a internet, mas já criaram grandes dificuldades para o surgimento de novos partidos e novas formas de representação política. Não adianta erguer novos muros, todos serão ultrapassados ou derrubados.

Esse novo sujeito, coletivo e difuso, que não obedece a um comando único e age a partir de vários centros, ganhou diversos nomes: ruas, multidão, manifestantes são alguns dos mais frequentes.

Antes de entrar em cena, era o último a saber das coisas, a massa de manobra, a maioria silenciosa, enfim, os que não viam, não ouviam e não falavam. Agora tudo mudou. Esse novo protagonista torna à vida pública de fato pública e exige que vigore efetivamente uma nova República.

Novos tempos e espaços surgem e neles navegam milhares, talvez milhões de militantes de uma política diferente, despreocupados em aparelhar esses espaços ou espichar seus tempos, ou seja, sem a ansiedade tóxica das disputas por hegemonia e poder.

Essa nova militância, que chamo de ativismo autoral, pois não se submete a direções partidárias ou sindicais, ONGs ou lideranças carismáticas, produz uma nova agenda em que as prioridades não são manipuladas. Assim, no país do futebol, tornou-se possível fazer da Copa das Confederações uma ocasião para reivindicar mais saúde e educação.

Por essa emergência que surpreendeu aos desatentos e, principalmente, por essa permanência que se anuncia para o futuro, pela ruptura com os velhos falsos consensos estabelecidos, pelo reencontro de uma utopia de justiça que parecia esquecida, voto nessa bela multidão que foi às ruas como personalidade do ano de 2013 e desejo-lhe mais força e criatividade para renovar a democracia no Brasil em 2014.

***

Leia também:

O sistema financeiro em busca de candidata?

Censura ao vice-presidente do PSB mostra a face autoritária de Marina

O pragmático marido da programática Marina

Paulo Moreira Leite: Guru de Marina disse que é preciso aumentar o preço da carne e do leite

A promiscuidade da(s) rede(s) Itaú-Marina

Já que a Rede de Marina furou, Banco Itaú cria sua própria rede

Com o apoio da mídia golpista, Marina Silva cultua o blasfemo “deus mercado”

Campos/Marina: O papel da coalizão do ódio

Para André Singer, programa de Eduardo Campos/Marina não existe

Luciano Martins Costa: A mídia está atirando para todos os lados

O mal-estar de Marina Silva

Janio de Freitas: O não dito pelo dito

Como fatos são maiores que desejos, Marina devastou a oposição

Aliado histórico de Marina abandona Rede e diz ter feito “papel de bobo”

Os neossocialistas Heráclito Fortes, Bornhausen e Caiado apoiam Eduardo Campos/Marina

Por que no te callas, Marina Silva?

Paulo Moreira Leite: Marina/Campos, bola de cristal em 5 pontos

Janio de Freitas: Presente e futuro

Dez consequências da decisão de Marina

Vice do PSB diz que partido de Marina é “fundamentalista, preconceituoso e sem caráter”

Problemas para Campos: Marina já critica alianças do PSB

Todos contra o chavismo

Marina/Campos: De madrugada, choro e ataque ao “chavismo do PT”

Marina Silva e o chavismo

Malabarismo de Marina Silva desorientou a mídia golpista

Estão faltando ideias e sobrando frases feitas para Marina

A Rede de Marina: Uma nova política ou uma nova direita?

Marina perdeu antes de o jogo começar?

Marina Silva é o atraso do Brasil financiado por banqueiros

Mexeu com o Itaú, mexeu com a Marina: Banco é autuado por sonegar R$18,7 milhões

Eduardo Campos pira: Lula vai morar em Pernambuco

23 de dezembro de 2013

Lula_Eduardo_Campos10

Via Brasil 247

Pernambuco deverá ter a primazia da atenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o pleito de 2014. De acordo com o Blog do Camarotti, em conversa com o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula teria afirmado que deve “viver” em Pernambuco no próximo ano. “No próximo ano, vou morar em Pernambuco e só vou sair depois que ganhar a eleição”, teria dito o petista, durante a viagem realizada pelos últimos presidentes do Brasil por ocasião do enterro do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela. Pernambuco é considerado como o reduto eleitoral do governador Pernambucano Eduardo Campos (PSB), que deverá se candidatar à Presidência nas próximas eleições.

Em conversa privada com membros do Partido dos Trabalhadores, Lula também teria afirmado que pretende contra-atacar a campanha de Campos no Estado onde o socialista é mais forte. “Se eu for para o enfrentamento pesado em Pernambuco, vou obrigar Eduardo a perder mais tempo do que ele pensava para fazer campanha no Estado”, teria declarado o ex-presidente. De acordo com Lula, a melhor maneira de minar a campanha nacional realizada por Campos é fortalecer ao máximo a presença do PT em Pernambuco e tentar dificultar a atuação do PSB no Estado.

Para Lula, a candidatura de Campos à presidência ainda é um mistério. “Pode não dar em muita coisa, mas pode ser também o principal adversário de Dilma [presidente Dilma Rousseff (PT), que deverá se candidatar à reeleição]”, afirmou o petista. Além da presença de Lula, que promete se tornar uma constante em Pernambuco, o PT também deverá investir em um palanque estadual forte – ou com uma candidatura própria, através do nome do deputado federal João Paulo (PT/PE) – ou com apoio à candidatura do senador Armando Monteiro (PTB). De qualquer maneira, as diretrizes do PT são claras: minar, ao máximo, a candidatura nacional de Campos.

Fator Marina já não ajuda Eduardo Campos. E agora?

20 de novembro de 2013

Eleicoes2014_Pesquisa03

Ibope mostrou queda dos dois nomes do PSB – o de Eduardo Campos e o de Marina Silva (mais acentuado). Com a adesão da ex-senadora, o governador pernambucano chegou aos dois dígitos das pesquisas, mas agora caiu e volta a ter 7% das intenções de votos. Somado a isto, discurso da terceira via e da quebra da dualidade PT-PSDB ainda não se mostrou eficiente. As alianças políticas para gerar tempo de propaganda ainda engatinham; acordo de não-agressão com o PSDB pode ser muito limitador. As críticas ao governo federal também têm alcance limitado, embora pesquisa mostre certo desejo de mudança; a menos de oito meses para início da campanha, Campos tem enormes desafios pela frente.

Valter Lima, via Pernambuco 247

Passado o efeito surpresa da adesão da ex-senadora Marina Silva ao projeto do PSB, o que, no primeiro momento, turbinou os números do presidenciável do partido, o governador pernambucano Eduardo Campos, fazendo com que ele chegasse aos dois dígitos nas pesquisas, a mais recente sondagem do Ibope, divulgada na segunda-feira, dia 18, mostra uma queda nas intenções de voto – tanto dele quanto dela. Em outubro, Campos pontuou em 10%, enquanto Marina apareceu com 21%. Agora, ele caiu para 7% e ela para 16%. Diante de tais dados, fica mantido o desafio do governador de Pernambuco de quebrar a dualidade entre PT e PSDB e se apresentar, com consistência, como terceira via.

Sem o esperado crescimento nas pesquisas, a aliança com a ex-senadora Marina Silva pode se tornar muito mais um problema do que solução para Campos. Além da ambientalista continuar sendo uma sombra que ameaça a candidatura do presidente do PSB, as restrições dela a aliados (principalmente, os políticos e empresários ligados ao agronegócio) e as cobranças em prol de candidaturas próprias (como ocorre em São Paulo, onde o PSB deseja se manter no projeto do tucano Geraldo Alckmin) podem dificultar a vida do governador pernambucano.

Campos está cada vez mais conformado na linha da oposição. Na última sexta-feira (18) atacou o governo federal, ao defender que os investimentos no Nordeste sejam mais substanciais. “Não queremos migalhas, não queremos favores, queremos direitos. Não queremos ser enxergados só como celeiro eleitoral, queremos ser olhados pelo respeito que a gente nordestina merece por ter prestado a esse País os mais belos momentos da construção da nação brasileira. Nós não somos um peso para o Brasil, somos parte da solução para esse País”, disse.

Sobre a prisão dos condenados na Ação Penal 470, ele também assumiu discurso contrário aos ex-aliados. O presidenciável afirmou que as prisões eram mais do que esperadas. Além disso, o PSB irá usar o tema contra o PT em, pelo menos, dois Estados – Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Ainda assim, há fragilidade nas duas temáticas levantadas pelo presidenciável do PSB. No primeiro caso, é nítido que os governos do PT fizeram amplos investimentos na região Nordeste. É por isso que a região tem colocado a presidente Dilma em condição mais favorável nas pesquisas. Há também o fator Lula, que desfruta de uma popularidade nas alturas na região e que já afirmou que irá para lá fazer campanha para sua sucessora. Quanto ao “mensalão”, o tema, mesmo no ápice do julgamento, não impediu a vitória de Fernando Haddad na capital paulista, dificilmente, terá força para prejudicar o PT em 2014.

Ou seja, Campos ainda carece de um discurso mais consistente que também estabeleça uma diferença entre ele e o presidenciável do PSDB, Aécio Neves, que se manteve estacionado na pesquisa Ibope divulgada nesta segunda. Por falar em Aécio, o acordo de não-agressão já firmado entre ele e Campos pode ser também uma pedra no sapato. A estratégia de tentar tirar voto apenas da candidata petista pode não ser suficiente para empurrar Campos a um segundo turno.

Na pesquisa Ibope, apenas Dilma cresceu com a queda de Campos e Marina. Mas ainda é cedo para ela comemorar. A mesma sondagem revela um dado importante – e é onde os candidatos de oposição devem mirar. O Ibope perguntou aos eleitores com qual de quatro frases sobre o futuro presidente eles mais concordavam. A maioria optou por frases que indicam um desejo maior de mudança do que de continuidade: 38% responderam que gostariam que o próximo presidente “mantivesse só alguns programas, mas mudasse muita coisa”; outros 24%, que “mudasse totalmente o governo do país”. Apenas 23% disseram preferir que o novo presidente “fizesse poucas mudanças e desse continuidade para muita coisa”. E 12% prefeririam que ele “desse total continuidade ao governo atual”. Ou seja: 62% sinalizaram com preferência pela mudança, contra 35% que manifestaram desejo de continuidade de tudo como está.

Embora, o sentimento de insatisfação, aceso durante as manifestações de junho, permaneça no ar, cresce a aprovação à presidente Dilma Rousseff, que tem seu estilo de governar aprovado por 55% dos brasileiros. Ou seja, mesmo com o desejo de mudança, a maioria do eleitorado simpatiza com a presidente, o que só reforça que os fatos – como a estabilização da economia e o controle da inflação – é que irão definir o voto do eleitor em 2014.

Mas para Campos, que tenta se tornar uma alternativa, não dá para esperar por fatos negativos. É preciso rever a estratégia e repensar como se aproximar, por exemplo, do eleitorado de classe média, que tem se tornado refratário ao PT, e ao de alta renda, mais simpático ao PSDB. A ampliação de alianças, que garantirá tempo de propaganda partidária é também vital para que o projeto do PSB decole. Tanto o PPS quanto o PDT deram alguma sinalização de que podem apoiar Campos. Resta agora ao governador pernambucano criar as condições para tornar isto possível. Mas tem de ser rápido: faltam menos de oito meses para o início da campanha eleitoral.

Pesquisa_Ibope1811


%d blogueiros gostam disto: