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Veja: Numa conversa entreouvida por um servidor…

20 de março de 2014

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Via Revista Fórum

A capa de Veja desta semana repete a fórmula que a levou a ser processada por Luís Gushiken e cujo resultado foi proferido na última semana, uma condenação de R$100 mil à família do ex-deputado, que não poderá tirar proveito da vitória por ter falecido em setembro do ano passado.

Repete a fórmula que levou o desembargador Antônio Vilenilson, em voto seguido pelos demais desembargadores da Nona Câmara de Direito Privado do TJ/SP, a afirmar:

“A Veja dá a entender que não eram fantasiosas as contas no exterior. E não oferece um único indício digno de confiança. Infere, da identidade dos acusadores e dos interesses em jogo, a verdade do conteúdo do documento. A falácia é de doer na retina.”

Veja repete a fórmula de assassinato de reputações e procede da mesma forma que quadrilheiros ao esquartejarem e queimarem vivos aqueles que estão do outro lado dos seus interesses.

Não importa o quanto aquilo possa afetar a família do alvo. Não importa o quanto de sofrimento aquilo cause ao atingido pela crueldade. Não importa nada.

Gushiken foi condenado por Veja e seus parceiros da mídia tradicional num processo onde foi absolvido pelo “magnânimo” relator Joaquim Barbosa por falta de provas. Mas os algozes não lhe reservaram nenhuma retratação.

Nesta semana Veja utiliza a mesma técnica do “numa conversa entreouvida” para acusar Genoíno de não se medicar com o objetivo de ter crises e se livrar do semiaberto. E Zé Dirceu, pasmem, de comer peixadas e lanches do McDonald’s.

Nenhuma prova, apenas conversas entreouvidas e supostos depoimentos de supostas fontes que não se identificam e não oferecem nada que possa comprovar o que dizem.

A revista acha que mata aos poucos seus alvos com este tipo de reportagem. E talvez tenha razão. Mas neste caso tem um objetivo bem claro, fazer com que Genoíno e Zé Dirceu fiquem mais tempo na cadeia, se possível numa de segurança máxima, e que ao saírem estejam totalmente derrotados tanto do ponto de vista físico quanto moral.

Veja deixou a muito tempo o jornalismo de lado. Mas a cada capa como a desta semana, não coloca em risco apenas a sua reputação. Ela incentiva uma geração de novos profissionais a se comportarem como bandidos midiáticos. Incentiva a acusação sem provas e autoriza o vale tudo em nome de objetivos empresariais ou pessoais.

Hoje, o tipo de jornalismo de Veja é uma das maiores ameaças ao jornalismo. É tão danoso quanto a censura. Porque ele traz no seu cerne a marca do ódio, da mentira e da crueldade. Quando o jornalismo que se preza deveria ao menos tentar respeitar a verdade factual e ser minimamente sério.

***

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16 de março de 2014

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“A Veja dá a entender que não eram fantasiosas as contas no exterior. E não oferece um único indício digno de confiança. Infere, da identidade dos acusadores e dos interesses em jogo, a verdade do conteúdo do documento. A falácia é de doer na retina.”
Trecho da sentença que condenou Veja

Rodrigo Vianna em seu blog

Quase oito anos se passaram. A Justiça levou tanto tempo para ser feita, que a vítima dos ataques covardes já não está entre nós. Fundador do PT, bancário de profissão, Luiz Gushiken foi ministro da Secom na primeira gestão Lula. Por conta disso, teve seu nome incluído entre os denunciados do “mensalão” (e depois retirado do processo, por absoluta falta de provas).

Mas os ataques de que tratamos aqui são outros. Em maio de 2006, a revista Veja publicou uma daquelas “reportagens” lamentáveis, que envergonham o jornalismo. A torpe “reportagem” (acompanhada de texto de certo colunista que preferiu se mudar do Brasil – talvez, por vergonha dos absurdos a que já submeteu os leitores) acusava Gushiken de manter conta bancária secreta no exterior. Segundo a publicação da editora Abril, os ministros Marcio Thomaz Bastos, Antônio Palocci e José Dirceu (além do próprio Lula!) também manteriam contas no exterior.

Qual era a base para acusação tão grave? Papelório reunido por ele mesmo – o banqueiro Daniel Dantas. A Veja trabalhou como assessoria de imprensa para Dantas. Da mesma forma como jogou de tabelinha algumas vezes com certo bicheiro goiano. Mas mesmo ataques vis precisam adotar alguma técnica, algum rigor.

No caso das “contas secretas”, não havia provas. Havia apenas o desejo da revista de impedir a reeleição de Lula. O vale-tudo estava estabelecido desde o ano anterior (2005) – com a onda de “denuncismo” invadindo as páginas (e também as telas – vivi isso de perto na TV Globo comandada por Ali Kamel) da velha imprensa.

Pois bem. Gushiken processou a Veja. O trabalho jurídico (árduo e competente – afinal, tratava-se de enfrentar a poderosa revista da família Civita) ficou por conta do escritório Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados – com sede em São Paulo. Em primeira instância, a revista foi evidentemente derrotada. Mas a Justiça arbitrou uma indenização ridícula: 10 mil reais! Sim, uma revista que (supostamente) vende 1 milhão de exemplares por semana recebe a “punição” de pagar 10 mil reais a um cidadão ofendido de forma irresponsável. Reparem que este blogueiro, por exemplo, que usou uma metáfora humorística para se referir a certo diretor da Globo (afirmando que ele pratica “jornalismo pornográfico”), foi condenado em primeira instância a pagar 50 mil reais a Ali Kamel! E a Veja deveria pagar 10 mil… Piada.

Mas sigamos adiante na história de Gushiken. O ex-ministro recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Antes que os desembargadores avaliassem a demanda, Gushiken morreu. Amigos mais próximos dizem que o estado de saúde dele (Gushiken lutava contra um câncer) se agravou por conta dos injustos ataques que sofreu nos últimos 8 anos.

Gushiken morreu, mas a ação seguiu. E os herdeiros agora acabam de colher nova vitória contra Veja. O TJ/SP mandou subir a indenização para 100 mil reais, e deu uma lição na revista publicada às margens fétidas da marginal.

O desembargador Antônio Vilenilson, em voto seguido pelos demais desembargadores da Nona Câmara de Direito Privado do TJ/SP (apelação cível número 9176355-91.2009.8.26.0000), afirmou:

“A Veja dá a entender que não eram fantasiosas as contas no exterior. E não oferece um único indício digno de confiança. Infere, da identidade dos acusadores e dos interesses em jogo, a verdade do conteúdo do documento. A falácia é de doer na retina.”

Quanto aos valores, o TJ/SP sentenciou:

“A ré abusou da liberdade de imprensa e ofendeu a honra do autor. Deve, por isso, indenizá-lo. No que diz com valores, R$10.000,00 não condizem com a inescusável imprudência e com o poderio econômico da revista. R$100.000,00 atendem melhor às circunstâncias concretas.”

Chama atenção que a Justiça tenha levado 8 anos para julgar em segunda instância (portanto, há recursos possíveis ainda nos tribunais superiores) caso tão simples. O “mensalão” – com 40 réus na fase inicial – foi julgado antes.

A Justiça é rápida para julgar pobres, pretos, petistas. E eventualmente é rápida também para punir blogueiros que se insurgem contra a velha mídia. Mas a Justiça é lenta para punir ricos, tucanos e empresas de mídia.

De toda forma, trata-se de vitória exemplar obtida por Gushiken – que era chamado pelos amigos mais próximos de “samurai”.

E falando em samurais, há um ditado oriental que diz mais ou menos o seguinte: submetido ao ataque de forças poderosas, o cidadão simples deve agir como o bambu – sob ventania intensa pode até se inclinar, mas jamais se quebra.

O “samurai” ganhou a batalha. Inclinou-se, ficou perto de quebrar-se. Mas está de pé novamente. E é de se perguntar, depois da sentença proferida: quem está morto mesmo? Gushiken ou o “jornalismo” apodrecido da revista Veja?

Nunca antes na história desse país, o Judiciário adotou expressão tão precisa e elegante para descrever fenômeno tão abjeto: a revista da família Civita produz “falácias de doer na retina”. E não são poucas.

Veja descobre que Brasil não acabou e pede: “Sorria!”

24 de fevereiro de 2014

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Via Brasil 247

A capa desta semana da revista Veja surpreende um leitor acostumado a receber da publicação, quase sempre, uma imagem negativa do País. Veja pede ao leitor que sorria. E mais: afirma que existem bons empregos à frente. Num país em pleno emprego, que fechou janeiro com a menor taxa de desocupação da história, com apenas 4,8% das pessoas em idade ativa fora do mercado do trabalho, Veja se curva ao óbvio: o Brasil vai bem, obrigado.

O que não significa, porém, que a Editora Abril, que edita Veja, esteja em boa saúde. Ao contrário. Mergulhada em profunda crise financeira, a empresa da família Civita colocou à venda sua “galinha dos ovos de ouro”, a Abril Educação, que reúne sistemas de ensino e escolas de inglês como o Red Balloon e a Wise Up – esta última, comprada por valores exorbitantes, é uma das causas da crise. Com esses recursos, a Abril pretende socorrer sua divisão de revistas, que sofre com a migração da publicidade de meios impressos para publicações digitais.

Com a capa desta semana, Veja transmite uma mensagem ao poder. Talvez, uma bandeira branca, ao reconhecer que a situação econômica do País não é desastrosa como foi pintado em capas recentes da revista – quem não se lembra, por exemplo, da célebre “Dilma pisou no tomate”?

O esforço de diplomacia é uma das estratégias de Fábio Barbosa, executivo que comanda a gestão da empresa. Recentemente, ele foi a Brasília e pediu ajuda de bancos oficiais para uma operação que ajudaria a recuperar a saúde financeira da companhia. A resposta foi negativa. Ao que tudo indica, a Abril terá que se virar com as próprias pernas.

Mas há uma clara inflexão editorial nas páginas de Veja, cujo objetivo parece ser o de transmitir sinais de uma possível pacificação. O que se torna ainda mais necessário num momento em pesquisas mostram o enfraquecimento das revistas num mundo em que as pessoas se informam cada vez mais por outros meios – especialmente a internet.

Fábio Barbosa estendeu a bandeira branca. Resta saber se será atendido e até quando irá durar a trégua.

A Editora Abril traiu Aécio?

24 de fevereiro de 2014

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Miguel do Rosário, via Tijolaço

Depois de Serra desmentir Aécio Neves e afirmar que o Brasil não vai tão mal assim, agora é a vez da Veja, numa pirueta surpreendente, dar uma rasteira no candidato do PSDB.

Aécio na sexta-feira, dia 21, em Recife, segundo o Estadão:

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Capa da Veja desta semana:

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Segundo quem entende do assunto, a Editora Abril vive uma crise profunda, e está planejando fechar a maioria de suas revistas, e eventualmente mudar sua linha editorial. A capa de hoje gerou especulações de que a revista poderia reduzir o nível de coliformes fecais geralmente presentes em suas páginas. Eu duvido.

***

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O futuro da Abril e das grandes empresas de mídia

3 de dezembro de 2013
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Futuro complicado para os irmãos Gianca e Titi Civita.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

O futuro da Abril, como o de todas as grandes empresas de mídia, é mais ou menos como o de uma fábrica de carruagem quando surgiram os automóveis. Não sobrou nenhum fabricante de carruagem.

A Abril, para ficar na imagem, sabe que carro não vai produzir, porque sua competência está toda voltada para as carruagens. Mas está tentando achar outro espaço para evitar o cemitério. É o que todos já sabemos, e é o que disseram na semana passada ao jornal Valor Econômico Giancarlo Civita, primogênito de Roberto Civita, e o executivo Fábio Barbosa, presidente executivo da empresa.

Este espaço se chama educação. Mais que livros, que como as revistas estão sumindo por força da internet, a aposta se concentra em escolas. Outras grandes empresas de mídia do mundo já disseram o que pensam a respeito do futuro da mídia impressa.

A News Corp, de Murdoch, separou seus negócios em dois. A área de entretenimento, à frente da qual está a Fox, ficou num lado. A de mídia – jornais como os britânicos Times e Sun e o norte-americano Wall Street Journal – foi para o outro. A Time Warner fez o mesmo movimento. Separou as revistas e a área de entretenimento. Em ambos os casos, o objetivo da separação foi evitar que o colapso de jornais e revistas afete os outros negócios.

A Abril não tem nem a Fox e nem a Warner para se agarrar. Daí a esperança depositada na educação. Na transição, serão certamente desacelerados, ou simplesmente eliminados, os investimentos em revistas. Em pouco tempo, é difícil imaginar que sobrevivam, na Abril, mais revistas que Veja, Exame, 4 Rodas e Claudia. Mesmo elas estarão menores e menos influentes a cada dia, pela excelente razão de que ninguém mais dá bola para revistas de papel.

O refúgio na educação, ainda que funcione, marcará uma nova etapa na vida da Abril. Educação está longe de dar o poder de influência que a mídia dá, e a rentabilidade é muito menor.

Os filhos de Roberto Civita provavelmente gostariam de vender a divisão de revistas, da qual só virão más notícias daqui por diante. Ao contrário do pai, eles não gostam de revistas. Jamais foram postos para trabalhar nelas, ao contrário do que o patriarca Victor Civita fez com os filhos Roberto e Richard.

Uma vez, no período em que respondi a Gianca na Abril, ele me contou que detestava revistas porque, criança, via o pai gastar o final de semana na leitura delas e não com os filhos.

Querer vender é uma coisa. Poder vender, outra. Mas aí entra um paradoxo, uma espécie de ajuste de contas da história com gente que mamou no Estado.

Vigora na mídia uma inacreditável reserva de mercado. O Brasil se abriu à competição estrangeira nos últimos 20 anos, mas a mídia – por seu poder de intimidação – continuou protegida. Estrangeiros podem comprar apenas 30% das ações das empresas. No caso da Abril, isso já foi feito.

Durante muitos anos, a reserva ajudou. Você ficava livre de competidores temíveis de mercados mais avançados. Mas agora veio a ressaca. A reserva limita severamente as possibilidades de vender uma empresa. Quem, no Brasil, teria dinheiro para comprar uma grande empresa de mídia?

Não será surpresa se as empresas se juntarem, em algum momento, para rever uma legislação que as favoreceu absurdamente. Se você quer vender e cair fora do negócio, a reserva já não significa nada senão um obstáculo à venda.

Com o mesmo entusiasmo cínico usado para defender a reserva – a Globo chegou a falar no risco de propaganda comunista se uma emissora chinesa se instalasse no Brasil –, as companhias de mídia defenderão o oposto.

Vai ser interessante acompanhar os próximos anos na mídia.


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