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Roberto Azevedo, da OMC: “Brics são atores protagonistas da economia mundial.”

20 de setembro de 2013

Roberto_Azevedo02Via The Brics Post e lido em redecastorphoto

O brasileiro Roberto Azevedo (foto), que tomou posse em 1º de setembro como novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) volta a falar dos Brics como atores protagonistas e principais motores da economia mundial.

“Os Brics são ainda os principais elementos de crescimento da economia mundial e não creio que isso mude no futuro próximo”, disse Azevedo em entrevista ao canal Russia Today TV. Afirmou não ter dúvidas de que os Brics permanecerão como nova força econômica a puxar a economia mundial.

Nos países Brics vivem hoje 43% da população mundial, cerca de 18% do PIB mundial lá está e 40% das reservas monetárias, estimadas em cerca de US$1 trilhão. Em 2012, o comércio total dentro do grupo Brics chegou a US$6,1 bilhões, 16,8% do comércio global.

Azevedo disse a Russia Today na segunda-feira, dia 16, que “no curto e no médio prazo, o fenômeno Brics não mudará. Uma das razões disso é que são economias em desenvolvimento, que continuam crescendo e que estão conseguindo incorporar vastas camadas da população na economia formal”, disse ele.

Os Brics formaram unanimemente no apoio que deram à candidatura de Azevedo, que não era o candidato preferido da Grã-Bretanha e dos EUA.

A presidenta Dilma Rousseff afirmou recentemente que a escolha de Azevedo para a presidência da OMC é um triunfo para os Brics, na disputa contra as tradicionais potências econômicas ocidentais.

Azevedo enfrentará um duro primeiro teste no 9º Encontro de Ministros da OMC em Bali, em dezembro, onde terá de romper o impasse que paralisou a rodada de Doha de conversações de comércio.

Em seu discurso de posse no cargo, Azevedo disse que há o risco de a OMC tornar-se irrelevante: “O mundo não esperará indefinidamente pela OMC. O mundo seguirá adiante com escolhas que não serão nem muito inclusivas nem muito eficazes”, salientou Azevedo.

Na Rússia, em setembro, os líderes do G20 declararam seu forte apoio na direção de que se consiga construir um acordo em Bali. Para Azevedo, “Agora, o maior desafio é traduzir essas palavras em compromissos e ação”.

Tradução: Vila Vudu

Paulo Moreira Leite: Torcida do contra perdeu de novo

9 de maio de 2013
OMC_Roberto_Azevedo02A_Folha

Na edição do dia 7, data da eleição de Azevêdo ao cargo de diretor-geral da OMC, o jornal de “seu Frias” apresentava o pensamento geral da mídia golpista.

A recepção que Roberto Azevêdo recebeu de tantos observadores e comentaristas brasileiros é uma advertência importante.

Paulo Moreira Leite em seu blog

Com o primeiro brasileiro a ocupar um posto internacional tão relevante como a direção da Organização Mundial do Comércio, o governo nem teve tempo de levantar a taça para um brinde antes que fosse possível ouvir críticas, advertências e profecias negativas quanto a sua atuação.

Não faltou quem lembrasse que, apesar da mais importante vitória diplomática desde a independência, o Brasil ainda não conseguiu uma meta maior, que é garantir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. É verdade.

O Brasil luta por essa cadeira desde a criação da ONU, no pós-Guerra. Mas o debate sobre uma reforma da instituição saiu da pauta nos últimos anos e isso não depende apenas do Brasil. Falar em assento permanente é como cobrar a conquista da Copa do Mundo, quando a Copa não está no calendário. E é uma forma, claro, de minimizar a importância do que ocorreu ontem [7/5].

Também se procura jogar nas costas sequer empossadas de Azevêdo um possível fracasso na próxima rodada ministerial de Doha, onde se tentará retomar negociações de comércio internacional, tão combalidas após o colapso de 2008, que abriu essa recessão mundial que não quer terminar. É ridículo – onde está a trégua de 100 dias devida aos recém-eleitos? –, mas não tem importância. A baixa política, o esforço para desgastar de qualquer maneira não conhece tréguas. Torcer contra é uma opção ideológica, que não descansa.

Há uma questão cultural e política neste caso concreto. Muitos observadores se mantêm amarrados a dogmas coloniais. Conservam um comportamento subordinado aos países desenvolvidos, considerando um disparate demagógico todo esforço de qualquer governo fora do eixo Paris-Londres-Nova Iorque para consolidar seu espaço e firmar uma liderança altiva.

Riram do esforço do Itamaraty de conquistar um assento no Conselho de Segurança quando o debate era real. Fizeram pouco caso do crescimento da candidatura de Azevêdo até que, aos 44 minutos do segundo tempo, perceberam que ela podia dar certo e correram para evitar um vexame maior.

Mesmo assim, quando a notícia já corria mundo, havia quem recomendasse cautela, torcendo até o último minuto por uma reviravolta. Triste, não?

A escolha de Azevedo é uma vitória dele próprio, do ministro Antônio Patriota e da presidente Dilma. Mas, sem querer exagerar nem diminuir as coisas, é difícil explicar o que ocorreu sem levar em consideração as mudanças de nossa diplomacia na última década.

Falando com clareza: foi a partir do governo Lula que o Brasil parou de priorizar de modo absoluto as relações com os países desenvolvidos e começou a investir pesado em países abaixo do Equador. O chanceler Celso Amorim seguiu ridicularizado mesmo depois que seu prestígio internacional era reconhecido em toda parte.

Falava-se de nossa diplomacia cabocla, terceiro-mundista, anacrônica, pré-histórica e assim por diante. Não por acaso, quando EUA e Europa firmaram um protocolo comercial ainda em fase muito preliminar, nossos críticos voltaram sua zanga sempre alerta contra o Brasil e o Mercosul. Como se mais uma vez a culpa fosse do Itamaraty, é claro. Mas foram estes votos, de países que buscam uma nova relação de forças na cena internacional, com direitos menos desiguais, que permitiram a vitória brasileira.

Hoje [8/5], basta ler os jornais, mesmo aqueles “de direita”, como disse Joaquim Barbosa, para comprovar a importância da postura multilateral nessa decisão.

Talentos particulares à parte – e parece que Roberto Azevêdo tem muitos – a candidatura derrotada veio do México, o mais norte-americano dos países latino-americanos, não é mesmo?

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8 de maio de 2013
OMC_Roberto_Azevedo03

Azevêdo, negociador hábil, foi um nome bem escolhido pela diplomacia brasileira.

Avaliação é de que eleição de Roberto Azevêdo, primeiro americano a comandar organização, e reflete fortalecimento do Brasil iniciado no governo Lula, com pressão para romper barreira EUA-Europa.

Nicolau Soares, Rede Brasil Atual

A eleição do diplomata Roberto Azevêdo como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma vitória da política internacional adotada pelo Brasil a partir de 2003. O novo diretor da OMC foi escolhido mediante consulta aos 159 países membros da organização. Nove candidatos se apresentaram para a sucessão do francês Pascal Lamy, restando na etapa final apenas Azevêdo e o mexicano Hermínio Blanco.

A presidenta Dilma Rousseff emitiu nota em que agradece o apoio recebido pelo candidato do país de governos de todo o mundo nas três rodadas de votação. “Ainda sofrendo os efeitos da crise mundial iniciada em 2008, caberá à OMC nos próximos anos dar um novo, equilibrado e vigoroso impulso ao comércio mundial, fundamental para que a economia global entre em novo período de crescimento e justiça social”, diz o comunicado. “Ao apresentar o nome do embaixador Azevêdo para esta alta função, o Brasil tinha claro que, por sua experiência e compromisso, ele poderia conduzir a Organização na direção de um ordenamento econômico mundial mais dinâmico e justo. […] Essa não é uma vitória do Brasil, nem de um grupo de países, mas da Organização Mundial do Comércio.”

“Toda a estratégia implementada desde 2003 pelos governos de Lula e Dilma visava colar a imagem do Brasil numa política mais ampla de reforma das instituições multilaterais, com foco no desenvolvimento dos países”, lembra o professor Giorgio Romano Schutte, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ele destaca que posições fortes defendidas pela diplomacia brasileira no período deram lastro à candidatura, como a proposta de incluir na pauta da OMC a intensa desvalorização cambial que vem sendo praticada por vários países do mundo como forma de enfrentar a crise internacional. “Não foi um país com uma candidatura em cima do muro. Teve posições fortes e, ao contrário do que se falava aqui, ganhou respeito e confiança, principalmente dos países em desenvolvimento”, diz.

Um dos primeiros passos nessa direção ocorreu já em 2003, durante reunião da OMC em Cancún para dar continuidade à Rodada de Doha, processo de negociação que visa a derrubar barreiras e promover o comércio internacional. “Normalmente, o acordo era feito entre Estados Unidos, Europa e Japão, eles vinham com o pacote pronto. Nessa ocasião, o Brasil e outros países articularam o grupo, que ficou conhecido como G20 Comercial, e reunia países que não necessariamente tinham as mesmas visões, mas queriam quebrar a hegemonia desse grupo pequeno de países-membros”, lembra Romano. O Brasil manteve postura firme nas negociações cobrando o fim das barreiras e subsídios agrícolas praticados pelos países desenvolvidos. “Isso emperrou a negociação. Articulou conjuntamente com a Índia e chegou perto de acordo, mas impasse continua”, afirma.

No sentido da redistribuição de forças, a eleição de Azevêdo também é simbólica porque atraiu todos os votos dos Brics, bloco formado pelas economias emergentes Rússia, Índia, China e África do Sul, além do Brasil. O diplomata será o primeiro americano a comandar a OMC.

A especialista em comércio exterior Marília Castañon Pena Valle, ex-coordenadora-geral do Departamento de Defesa Comercial, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou à Agência Brasil que a vitória deve ser observada como resultado de uma atuação “séria e correta”. “É muito importante o significado para o Brasil do embaixador Azevêdo [na direção-geral da OMC]. É o primeiro latino-americano, brasileiro, e que tem uma longa trajetória nas negociações comerciais internacionais”, destacou. “Ele terá pela frente um grande desafio: destravar as negociações que estão paralisadas, principalmente devido às crises econômicas.”

Neymar

A indicação de Roberto Azevêdo como candidato também foi um fator relevante. Diplomata de carreira especializado em assuntos econômicos, desde 2008 ele é o representante do Brasil na OMC e um dos principais negociadores do conjunto dos países em desenvolvimento. Antes, ocupou diversos cargos relacionados a assuntos econômicos no Ministério das Relações Exteriores, tendo atuado em contenciosos como os casos de subsídios ao algodão (iniciado pelo Brasil contra os Estados Unidos), subsídios à exportação de açúcar (iniciado pelo Brasil contra as Comunidades Europeias) bloqueios à importação de pneus reformados (litígio iniciado pelas Comunidades Europeias), além de chefiar a delegação brasileira na Rodada de Doha.

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Política externa: Tudo começou com Lula e Celso Amorim.

“Ele está há muitos anos liderando a representação brasileira em Genebra. Não é alguém que inventaram para ficar encostado, mas o negociador que o Brasil entende ser o melhor nessa área. Escalaram o Neymar em campo”, brinca Romano. Em coletiva, o chanceler Antônio Patriota também recorreu a uma metáfora futebolística para elogiar o eleito. “Um dos aspectos que influenciou o apoio ao embaixador Roberto de Azevêdo foi o sentimento que ele não precisava ser treinado para o cargo: estava treinando para o jogo e para chutar ao gol”, disse. “É um resultado muito importante que reflete uma ordem internacional em transformação, que é de países emergentes que demonstram uma liderança.”

Em funcionamento desde 1995, quando substituiu o Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, na sigla em inglês), a OMC é responsável por mediar as transações comerciais em todo o mundo. É um dos principais organismos internacionais, ao lado do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e da própria Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Romano, a OMC se destaca por ter poder de intervenção de fato. “É uma instituição com dentes. Suas decisões são vinculantes, criam jurisprudência que se soma aos acordos internacionais existentes. Ela tem poder de permitir retaliação, como fez na recente vitória do Brasil sobre os EUA no caso do algodão”, explica o professor.

Empresários

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) declarou em nota receber com “entusiasmo” a vitória do brasileiro e afirma ter contribuído decisivamente para a escolha, “ao defender junto a diversas delegações internacionais a candidatura de Azevêdo como hábil negociador”. “Além de fortalecer ainda mais o sistema multilateral de comércio, a eleição de Roberto Azevêdo é prova da importância crescente que o Brasil vem assumindo no cenário internacional”, afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “É motivo de orgulho para o país ter um brasileiro no comando de uma organização tão importante como a OMC.”

Também em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que se trata de um reconhecimento da qualidade da diplomacia brasileira. A CNI informou ter expectativa de que Azevêdo “resgate a relevância do principal órgão de administração do comércio internacional”. “O fortalecimento da OMC é importante para a construção de regras claras que deem estabilidade jurídica para os fluxos comerciais, atendam aos compromissos assumidos entre os países e combatam as práticas desleais como subsídios à exportação e dumping”, diz o comunicado.

Roberto Azevêdo vai comandar a OMC. Para desespero de alguns “brasileiros”

7 de maio de 2013

OMC_Roberto_Azevedo01Apesar da torcida contra dos grandes meios de comunicação – estes que recebem milhões e milhões em publicidade da Secom do governo federal – representante brasileiro foi eleito para comandar a Organização Mundial do Comércio.

Via De Brasília

Antes de mais nada, a eleição de Roberto Azevêdo (foto) é o reconhecimento mundial do acerto que o Brasil fez na condução de sua política externa desde a chegada de Lula e do PT ao Governo em janeiro de 2003. Em lugar da postura de subserviência e repugnante submissão, emergiu um País ativo nos fóruns internacionais, com forte presença em todos os momentos – jamais se omitindo a dizer qual a sua posição.

As viúvas de FHC – e que são sempre entrevistadas pelos meios de comunicação no Brasil – jamais aceitaram que em lugar de alguém se prostrando de quatro – numa cena venal e vexatória que passou pela retirada dos sapatos para entrar na América do Norte – estivesse um país que impôs a si próprio a condição de interlocutor e de protagonista.

Foi interessante observar nos últimos dias a indisfarçável alegria com que os jornaleções, que hoje espalham sua imundície em portais da internet, davam conta de deserções na contabilidade brasileira. Chegaram ao ponto de considerar “perda” a negativa do Paraguai em apoiar o candidato brasileiro – numa clara demonstração de “secação”.

Quando ontem [6/5] a União Europeia divulgou que votaria em bloco no candidato mexicano, mais dócil aos interesses dos ianques (eu me nego a chamar os moradores de lá de riba de “americanos”, porque eu também sou americano), o portal UOL praticamente decretou a derrotado do brasileiro – e fez isso com incontida alegria.

Algumas repercussões interessantes:

● A eleição do embaixador brasileiro Roberto de Carvalho de Azevêdo, de 55 anos, para diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), representa a confiança da comunidade internacional no Brasil, diz a especialista em comércio exterior Marília Castañon Pena Valle, ex-coordenadora-geral do Departamento de Defesa Comercial, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). [Agência Brasil]

● A eleição do embaixador brasileiro Roberto Carvalho de Azevêdo, de 55 anos, para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) representa que há uma “ordem internacional em transformação”, segundo o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. Para ele, significa que os países em desenvolvimento e pobres avançam em suas conquistas. O chanceler disse hoje [7/5] que a vitória de Azevêdo se deve a uma campanha intensa, que mobilizou o governo e ganhou apoio em todos os continentes. [Agência Brasil]

● A presidenta Dilma Rousseff parabenizou hoje [7/5] o embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo pela eleição para diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). O brasileiro disputou com o mexicano Hermínio Blanco, e assume o cargo no dia 31 de agosto, substituindo o francês Pascal Lamy.

Dilma telefonou para Azevêdo por volta das 15h, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e manifestou a satisfação pela escolha do brasileiro para liderar a OMC em um momento no qual o mundo se recupera da crise financeira de 2008.

“Ainda sofrendo os efeitos da crise mundial iniciada em 2008, caberá à OMC nos próximos anos dar um novo, equilibrado e vigoroso impulso ao comércio mundial, fundamental para que a economia global entre em um novo período de crescimento e justiça social”, diz a nota assinada pela presidenta. [Agência Brasil]

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