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Quem te viu, quem te vê: A CartaCapital endireitou?

16 de abril de 2014

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Outras características da direita Miami

3 de fevereiro de 2014

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Juremir Machado da Silva, via Correio do Povo

A direita Miami, integrada por lacerdinhas de todos os tipos, é engraçada. Parece um roteiro humorístico de programa de tevê, um misto de piada pobre de duplo sentido com reality show pragmático e cínico.

Adora rotular, mas quando rotulada reage com um clichê:

– Cuidado com os rótulos. Eles simplificam.

Uau!

Rotular não é o problema. Viva o rótulo. Faz parte do jogo. O problema é conseguir afirmar a pertinência dos rótulos. O resto é malandragem ilógica ou joguinho de cena para tentar impressionar os que se assustam com palavrório fácil. A direita Miami parece adolescente emburrado.

– Não generaliza, tá!

Só ela pode generalizar. Lê “todos” onde essa palavra não aparece. O máximo de artimanha “lógica” da direita Miami é fingir ponderação:

– Não se pode corrigir erro com erro. Assim você faz como os que critica.

Tudo para tentar não ser criticada e ficar com a exclusividade do ataque.

– Malandrinhos, né?

A direita Miami acha que tem o monopólio do rótulo e do insulto. Ultimamente, ela se delicia com um quase plágio: esquerda caviar. Trata-se de um rótulo usado pela extrema-direita francesa há mais de 30 anos. Um brasileiro com cérebro de ervilha e falta de criatividade chupou a expressão. A direita Miami, que lê pouco, salvo as opiniões altamente ideologizadas e anacrônicas da Veja, acha que é uma ideia muito original.

Caviar é de direita. Só certa direita tem bala para comer caviar.

A velha direita, pois a nova só chega ao nível do sushi. Esta prefere mesmo é comer um hambúrguer na Flórida ou, quando é metida a andar na linha, tomates secos com folhas verdes num shopping “bacana” de Miami.

A direita Miami tem seus intelectuais orgânicos. Uma turminha paquidérmica contratada pelos jornalões para escrever com as ferraduras. Destrói um teclado a cada semana. Mas fabrica a realidade desejada pelos consumidores. Nela, estamos às portas do comunismo soviético.

Só escaparemos dele se Joaquim Barbosa nos salvar.

A direita Miami se lixa para a corrupção. Fica feliz mesmo é em ver petista na cadeia, pois para ela todo petista é comunista e merece prisão.

Alguns são comunistas. Outros, merecem prisão.

Cadeia não pelo mensalão, mas pelos programas “assistencialistas”, que tiram dos pobres ricos para dar aos pobres pobres, quando, no entender da direita Miami, deveriam continuar a fazer o contrário como incentivo ao ócio produtivo das classes abastadas e abastardadas desde o escravismo.

Em 2012, os gastos com a dívida pública consumiam R$2,52 bilhões por dia, alimentando a preguiça especulativa. Maria Lucia Fattorelli faz uma comparação interessante a esse respeito: o gasto com o Bolsa-Família, no mesmo período, “correspondeu a apenas oito dias do Bolsa Rico”. A direita sushi, do capitalismo à brasileira, não vive sem as tetas do Estado. Quando ganha, o mérito é dela, embora amparada em benefícios públicos como juros camaradas do BNDES e isenções. Quando perde, quer socializar os prejuízos.

Na direita Miami, não há comunistas, mas não faltam merecedores de prisão. A Alstom que o diga. A cobrança de propina é suprapartidária.

A turma da direita Miami tem problemas cerebrais de conexão com a realidade. Alguém diz que é contra o comunismo, mas, ao mesmo tempo, critica o capitalismo do século XIX praticado no Brasil, a resposta do perfeito cérebro de ervilha lacerdinha de shopping center não se faz esperar. Vem prontinha como um combo do “maravilhoso” McDonald’s:

– Bom mesmo é o modelo cubano, né?

Uau!

A direita Miami ainda está nos anos 1950. Teme a ameaça vermelha. Critica o gosto da esquerda pelas tetas do Estado, mas adora essas boquinhas citadas, que vão da isenção fiscal a empréstimos baratinhos do BNDES terminando na Bolsa-Rico, um esquema para ganhar dinheiro em cima de papéis do governo, que gasta mal, por vários caminhos, enchendo os bolsos de banqueiros, especuladores, espertalhões, empreiteiras, etc. Os lacerdinhas da direita Miami defendem o capitalismo sem riscos.

Para eles.

A classe A da direita Miami é a classe C com silicone comprado em Orlando.

Os intelectuais da direita Miami tem a profundidade de um pires de cafezinho. Apanham todo dia de economistas como Paul Krugman e Stiglitz. Não se dão por vencidos. São pagos para estar errados.

Na internet, a direita Miami tem seus trolladores. É um bando com tendência psicopata e total falta do que fazer. São aqueles que espalham falsas capas da Forbes dizendo que Lula é bilionário. Fazem um bullying primário. Quando cortados, só para vê-los desesperados e ainda mais divertidos, ficam amuados e fazem beicinho e chantagem barata:

– Estão me censurando.

Chega a dar pena. O trollador lacerdinha, representante da direita Miami, volta sempre, ora com o rabo entre as pernas, lambendo o chão para tentar furar o bloqueio, ora rosnando para impressionar, ora se humilhando ainda mais, pedindo desculpas e apresentando justificativas, lambendo as mãos do inimigo, ora bancando o pitbull comedor de criancinhas, ora com uma dezenas de fakes idiotas para não ficar fora da brincadeira. Patético.

Os “pensadores” da direita Miami são os mais que perfeitos indigentes intelectuais lacerdinhas de shopping center da esquina sonhando com um JK nos States. Melancólico mesmo é vê-los ofegantes, à beira da ejaculação precoce, tentando copiar e colar artigos e comentários feitos com 50 anos de atraso por seus ídolos esquálidos, risíveis e oportunistas, Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Merval Pereira, Lobão, Raquel Sherazade, qualquer um que os tranquilize com um discurso de extremo direita contra cotas, bolsa-família, programas sociais, Cuba, Venezuela, Cristina Kirchner e outras misturas esotéricas feita para assustar e confundir.

A direita Miami precisa de um novo imaginário. Vive na Guerra Fria. Como se ampara em velhos espíritos, padece com a maldição da múmia: alimenta-se de uma ideologia retrógrada achando que é neutra. O lacerdinha é um crente ideológico xiita, fundamentalista, extremista, terrorista mental, que não tem a menor consciência do seu estado de submissão. Acha que é livre e que só expõe a verdade, mas reza por uma cartilha ideológica disseminada pela mídia, especialmente a Veja, e reproduzida fartamente.

A bibliografia da direita Miami inclui a Caras e a Contigo. As estrelas de referência são a Ana Maria Brega, a Xuxa e a Fátima Bernardes.

A direita Miami é um remake indigente de si mesma.

É um pessoal especulativo: quer ganhar muito e trabalhar pouco.

Direita Miami, direita sushi, direita Barra da Tijuca, direita shopping center, direita siliconada ou direita McDonald’s. É só escolher, leitor.

Chora, Lacerdinha.

Tua fúria e tua baba me fazem rir.

Que comédia pastelão!

Pastelão, não, hambúrguer.

Até a direita dos EUA já sabe: Brasil está acabando com a desigualdade

26 de janeiro de 2014

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Foi preciso que um jornalista com visão limpa viesse do exterior, exatamente dos Estados Unidos, para informar aos brasileiros o óbvio ululante.

José Carlos Peliano, via Carta Maior

Colunista sênior do The New York Times, Joe Nocera, escreveu sobre o Brasil na segunda feira agora, dia 20, apontando a surpresa que lhe despertou a cidade do Rio de Janeiro. Muniu-se de mais informações após sua viagem de volta aos Estados Unidos, reunindo-se com alguns economistas para procurar entender o que se passava com o país em particular onde se apoiavam seus pilares econômicos.

Chamou-lhe a atenção, o que os brasileiros já sabiam, a variedade de boas lojas em bairros como Ipanema e igualmente a quantidade de pobreza nas favelas ao redor. Segundo ele, para os visitantes, saltava aos olhos o número de cidadãos de classe média pelas ruas em meio aos carros por todos os lados e o tráfico congestionado. Por não ser ilusão o que via, passou a acreditar que tudo aquilo era sinal de uma classe média emergente. As pessoas tinham dinheiro para comprar carros.

Foi preciso que um jornalista com visão limpa viesse do exterior, exatamente dos Estados Unidos, país cuja cultura nos é bem conhecida, para informar aos brasileiros o óbvio ululante, salve Nelson Rodrigues, já que os profissionais dos nossos jornalões e televisões de plantão não informam por não saberem ver ou não conseguirem enxergar.

Se tivesse dito só isto já era o suficiente para mostrar que as mídias sociais, baluartes modernos da resistência informativa, veem como ele o país. Mas suas observações foram mais carregadas ainda de tinta ao destacar a queda na desigualdade de renda na última década, os recordes atuais do baixo desemprego e a saída da pobreza de cerca de 40 milhões de pessoas. Por fim, ainda assinalou que, embora o crescimento do produto tenha reduzido, a renda per capita continua a subir.

Já os economistas reunidos com ele relativizaram as conquistas. Disseram que a boa forma da economia brasileira tem voo curto a despeito dos ganhos obtidos.

Estariam faltando ganhos em produtividade para sustentar a volta dos investimentos. O baixo desemprego dos que querem trabalhar seria porque, enquanto a economia cresce pouco e com eficiência contida, o Estado compensa incentivando o consumo com programas sociais. Para eles o país teve mais sorte do que sucesso.

Não é sorte, embora os santos possam ter ajudado! Com a retração dos investimentos, apesar do esforço e incentivo do governo, a estratégia de expansão do consumo foi estabelecida para segurar a economia, mesmo a crescimento baixo, exatamente nesses anos de vacas magras desde o início da crise financeira mundial com a quebra do Lehman Brothers. O Brasil foi um dos poucos países que suportaram o baque, outros entraram em recessão ou mais leves ou mais graves, todos eles fazendo o dever de casa imposto pelas autoridades financeiras mundiais de ajustar e pagar suas dívidas públicas e privadas, desviando os olhos dos impactos sociais. Pois então, enquanto o Brasil cresce devagar, a economia mundial não conseguiu ainda se levantar.

De fato, o viés de consumo da política econômica é opção do governo que deu certo interna e externamente. Aqui, liderado pelos programas sociais somam-se outras medidas complementares, entre elas, correções maiores que a inflação no salário mínimo, aposentadorias e pensões e repasses parciais à gasolina dos aumentos de custos. Lá fora, os economistas com ele reunidos não viram: o próprio governo dos Estados Unidos e a ONU se interessaram pelo Programa Bolsa Família e pretendem implementá-lo para reduzir o desemprego, melhorar a renda familiar e sustentar o consumo. Joe Nocera destaca o papel do programa e compara seu êxito com a recusa do Congresso norte-americano em melhorar o seguro desemprego e outros programas sociais naquele país.

Do lado do investimento, os economistas se esqueceram de mencionar que há muitas fichas apostadas na expansão e modernização da infraestrutura e na exploração do pré-sal não só pelos efeitos produtivos diretos, mas também pelos efeitos indiretos. Um forte incentivo e impulso do complexo industrial são esperados, o que tem tudo para promover a volta de novos projetos e a expansão de muitas plantas industriais existentes. Seguras e concretas alternativas brasileiras mesmo diante da crise mundial que arrasta as economias dos países.

Ao contrário do Brasil, o jornalista afirma que a produtividade norte-americana voltou a crescer, mas apesar disso o desemprego não desce dos 7% e a classe média aos poucos perde posição social (em parte por conta de não serem distribuídos melhor os ganhos de produtividade). Diz taxativamente que a desigualdade de renda é um fato na vida dos Estados Unidos e ninguém tem sido capaz de fazer alguma coisa a respeito. Será que no fundo querem seguir a receita desandada do Brasil de esperar o bolo crescer para distribuir algumas migalhas?

O objetivo do governo atual e dos dois anteriores no Brasil foi exatamente garantir o desenvolvimento com a melhoria das condições de vida da população, em especial dos mais pobres; os Estados Unidos querem o desenvolvimento a qualquer custo. Infelizmente só o jornalista norte-americano consegue entender isto, parabéns!, os nossos da grande mídia não.

A oposição quando se vê no espelho só enxerga o abismo

13 de janeiro de 2014

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O discurso político da oposição hoje é torcer pelo fracasso do Brasil. Torcer pela volta dos ciclos inflacionários, torcer contra a copa, torcer contra…

Daniel Quoist, via Carta Maior

À falta de propostas, ideias para novas políticas públicas inclusivas, personalidades carismáticas ou ao menos rejuvenescidas, encontram-se há muito flertando com tudo o que tem de pior para conquistar corações e mentes: torcer pelo fracasso do Brasil, torcer pela volta triunfal dos ciclos inflacionários, torcer por um retumbante fracasso da Copa 2014, torcer para que os médicos cubanos sejam um tremendo fiasco inassimilável por nossas populações vulneráveis, torcer para que a Petrobras e o Banco do Brasil tenham o mesmo sinistro destino de Eike Batista.

Preencher um discurso político na base da terra arrasada, associada ao grasnar de corvos agourentos não é tarefa fácil e, ao seu revés, não poderia ser também mais inglória. São em tempos assim que reputações calejadas pelo tempo soçobram, vão a pique e saem da História do tamanho de escafandristas de aquário doméstico.

As lideranças por não se renovarem tornam-se rapidamente obsoletas, em vez de agregar, funcionam como desagregadores contumazes e, nesses casos, não existe pacto midiático que lhes possa robustecer – saem da realidade objetiva para se fincarem como simulacros de um tempo que passou.

É o caso do provecto do Fernando Henrique Cardoso, ler seus artigos é exercício enfadonho já que não surge uma só ideia nova – até os termos rescendem a catacumbas, à terra arrasada, a imagens de densas nuvens, pesados horizontes, incerto futuro, calamidades imprevistas sempre espreitando esse desavisadíssimo e incauto povo brasileiro.

É também o caso do senador Aécio Neves, aquele que foi atropelado por um trem que nem chegou a sair de minas, antes, partiu de São Paulo e, por essas ironias da vida, se chocou com helicóptero e sua carga letal. O mineiro tem um discurso monocórdio, cansativo, como se precisasse cuspir as palavras uma e outra vez, acenando sempre para um interlocução apática, insossa. E sem rosto. Ninguém consegue descobrir a quem se dirige seu palavreado vazio – aos associados da Fiesp? Aos colegas de infortúnio que militam nas engrenagens da grande imprensa? Aos ricaços abastados da capital paulista em sua luta contra o aumento do IPTU? Ou será que são ditas ao público interno do próprio PSDB, aqueles 30% de filiados que ainda creem na reencarnação de José Serra para presidente?

O governador Eduardo Campos teria tudo para ser uma real terceira opção eleitoral aos que cansaram do embate PT-PSDB. Mas traz consigo graves pecados de origem: qualquer que seja suas realizações políticas em Pernambuco, e por extensão alguns estados governados atualmente pelo PSB do neto de Miguel Arraes têm o DNA de Lula e/ou Dilma. Se errar na dose de acidez ou destempero para com o PT e seus líderes carismáticos facilmente receberá na testa o carimbo de ingrato – e se existe uma coisa que nordestino de raiz nunca foi de perdoar é exatamente… a ingratidão. Ademais, tem um cavalo de Tróia, melhor dizendo das Florestas, para domar e se os mais variados prognósticos estiverem certos, Campos arranjou para si mais problemas que soluções. É que um partido como o PSB não precisava servir de barriga de aluguel da Rede. Quando a criança (a Rede) conseguir seu registro no TSE, somente Marina Silva terá a ganhar. Além de passar todo o período eleitoral vendo pesquisas mostrando que a provável vice é muito melhor de voto que o cabeça de chapa. E, convenhamos, não tem vaidade que aguente.

Temos ainda na oposição parlamentares de uma possível “segunda divisão”, uma espécie de minilíderes mais afeitos a liderar não mais que seus berços políticos:

Jarbas Vasconcelos, do PMDB, de braços com o também pernambucano Eduardo Campos, um primor de infidelidade partidária.

Pedro Simon (PMDB/RS), sempre se remoendo contra o destino que desde os anos 1980 lhe tem sido além de ingrato, perverso, e ao revés foi generoso com José Sarney (PMDB/AP), sempre flertando entre o teatral e o grandiloquente.

José Agripino Maia (DEM/RN), assistindo a uma interminável missa de corpo presente de seu partido, com a única governadora – de seu RN – em vias de ser cassada pela Justiça Eleitoral e sangrado escandalosamente para dar sobrevida ao PSD de Kassab e ao Solidariedade de Paulinho da Força Sindical.

Roberto Freire (PPS/SP), uma espécie de linha auxiliar do PSDB, mas tendo não mais que alguns segundos de tevê a oferecer a quem se proponha ajudar. Nesse caso, até uma frase para destacar sua fragilidade eleitoral parece ser puro desperdício de análise política.

Ser ou não ser oposição ao PT? Eis o dilema em toda a sua inteireza, comprimento, largura e altura.

Estamos diante de um ciclo que morreu por inanição de ideias, pensamentos vigorosos, sinceridade no falar e falta de coerência na diuturna cobrança de posturas éticas. O Brasil mudou, mas certos tipos continuam ainda encantados com aquela estratégia do cara-de-pau: “Malfeitos devem ser investigados desde que do outro lado. Tá bem assim?”

A ideologia dos brasileiros, segundo a Folha

22 de outubro de 2013

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Miguel do Rosário, via Tijolaço

“No Brasil, há uma quantidade bem maior de eleitores identificados com valores de direita do que de esquerda. O primeiro grupo reúne 49% da população, enquanto os esquerdistas são 30%.”

Assim tem início reportagem da Folha publicada há alguns dias, comentado o resultado de uma pesquisa do Datafolha (clique aqui) sobre o perfil ideológico dos brasileiros. Purowishful thinking, o que em bom português significa auto-enganação ou tomar seus próprios desejos por realidade.

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É evidente que os resultados são polêmicos e urge que as universidades intervenham nesse debate, oferecendo parâmetros mais consistentes do que os usados pelo Datafolha. O instituto admite que está usando o paradigma norte-americano, do Instituto Pew, o que é, obviamente, questionável.

No caso do Brasil, os números do Datafolha apresentam inúmeras contradições. Os eleitores de esquerda, em sua maioria (56%), são eleitores de Dilma, segundo o instituto. O mesmo Datafolha, em outra pesquisa divulgada semana passada, informa que é na esquerda que Dilma obtém os melhores índices de aprovação (47% de ótimo/bom).

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Ainda segundo o mesmo Datafolha, o PT é o partido, de longe, preferido pelos brasileiros que admitem alguma preferência partidária: 18% dos entrevistados preferem o PT, contra 6% PSDB, e 0% DEM.

Me parece claro que os parâmetros usados para definir o “direitismo” dos brasileiros são um tanto artificiais. O artificialismo ganha ares de farsa quando aplicados indistintamente a diferentes classes sociais e a pessoas com níveis de instrução muito distintos.

As questões oferecidas na pesquisa foram as seguintes:

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A distorção é gritante, para dar só um exemplo, na pergunta: “Acreditar em Deus torna as pessoas melhores”. Segundo o parâmetro do Datafolha, quem responde sim é de direita, quem responde não, é de esquerda. Isso não tem sentido. Eu mesmo, que me considero de esquerda, poderia responder sim a esta pergunta, após uma tarde relendo Espinoza, para quem Deus é um princípio filosófico fundamental, ligado à própria vontade humana.

Revendo os detalhes da pesquisa, na verdade, eu chegaria a conclusão oposta: a grande maioria dos brasileiros é de esquerda. Veja essa pergunta:

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68% dos entrevistados apoiam a vinda de trabalhadores pobres de outros países e Estados, contra apenas 25% que acham isso um problema. Isso é uma posição de esquerda.

Além disso, o questionário oferece respostas binárias que, além de não alcançar a complexidade dos temas, sequer estabelecem uma polarização coerente. Por exemplo, a pergunta sobre sindicatos:

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47% de apoio aos sindicatos é um índice fenomenal. Quanto aos 48% que acham que sindicatos “servem mais para fazer política”, temos uma confusão semântica na própria pergunta. Por acaso, “fazer política” é negativo? Considerando que o sindicato é o único meio pelo qual um trabalhador tem chances de conquistar uma posição política, não tem sentido considerar “fazer política” uma coisa negativa.

Para mim, o melhor critério para se identificar a preferência do eleitor é o voto. Primeiro porque é universal. Não são 2.000 pessoas entrevistadas, mas 150 milhões de eleitores. Segundo porque não implica em abstrações filosóficas ou morais altamente complexas. Nesse sentido, a polarização nas últimas eleições tem sido saudável e cristalina como água: a maioria dos brasileiros votou na esquerda.


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