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Aécio e Eduardo Campos: Passa-se o ponto

8 de abril de 2014

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Ricardo Melo

Poucos governos foram tão alvejados quanto o de Dilma Rousseff nos últimos meses. Na grande mídia, tudo foi motivo de crítica pesada: Copa do Mundo, inflação, crescimento, Petrobras, relação com empresários, Mais Médicos etc. etc. etc. Subiu ao palco até aquela agência de risco famosa por dar nota azul a bancos que, semanas depois, lideraram a maior crise do capitalismo desde 1929. Chumbo grosso.

Eis que, diante de tudo isso, as pesquisas de opinião mostram, sim, um recuo da popularidade de Dilma. Era esperado, até previsível. Especulador ganhou muito dinheiro com isso. O inesperado, para quem se diz portador do novo, da juventude, da mudança, foi o que aconteceu com o tucano Aécio Neves e o filotucano Eduardo Campos: estacionaram como aquelas caçambas que ocupam vagas preciosas no meio-fio à espera do lixo de condôminos. Considerando a margem de erro do Datafolha, ficaram literalmente empacados.

Isso não quer dizer que o mundo esteja a mil maravilhas para o governo. Há um desejo de mudança, de melhora, de iniciativas corajosas. Mas aí vem o detalhe: entre os que querem novos ares, a maioria considera que o mais apto a fazer isto é Lula, seguido por Marina e, depois por… Dilma! É de provocar vergonha alheia.

A esta altura do campeonato, quem deve, ou deveria, estar em polvorosa é a oposição. Com toda a exposição dos últimos meses, seus candidatos não conseguiram convencer os eleitores de que são os arautos de um Brasil próspero. Não é por menos. Tucanos e filotucanos têm dificuldades conhecidas em lidar com o povo a céu aberto. Preferem a pouca luz de bastidores.

Nos meios tradicionais e jantares selecionados, operam com saliência e desenvoltura: trocam favores relacionados a heliportos pela cabeça de jornalistas, intimidam oposicionistas em seus Estados, mas, quando se trata de Brasília, posam de Cato.

Com a cara mais lambida do mundo, Aécio e Campos pedem agora CPIs sobre a Petrobras; já em suas searas, vestem a roupa do coronelismo mais retrógrado. Nunca demais recordar: governos tucanos, que há mais de uma década rapinam o Tesouro paulista em conluio com multinacionais, jamais aceitaram a criação de uma mísera CPI estadual para investigar as denúncias de roubalheiras no Metrô e na CPTM. Uma única!

Mas em Brasília o pessoal troca de uniforme, finge-se de vestal e quer (quer mesmo?) uma devassa na Petrobras. Parece não perceber que manobras mesquinhas não são suficientes para colocar água em torneiras à beira de racionamento, melhorar a segurança pública ou resolver a situação vexatória dos transportes públicos sob sua responsabilidade. E ainda nem começou o horário eleitoral, no qual os partidos governistas dispõem de uma larga vantagem sobre os adversários.

Nada disso sugere que o governo dirigido pelo PT ostente uma situação confortável e possa viver da indigência dos rivais. O Planalto tem contas a prestar sobre a série de denúncias indicando que a máquina pública serve de balcão de negócios para interesses privados e partidários. Tão hipócrita quanto dizer que a prática começou nos governos do PT é tentar esconder que certos hábitos infelizmente são multipartidários. O governo Dilma Rousseff tem nas mãos a chance de romper essa inércia.

Anistia

A pressão pela revisão da Lei da Anistia cresceu com as últimas revelações da Comissão da Verdade. Incapaz de contestar as barbaridades que vieram a público, a última trincheira dos obscurantistas é cobrar o julgamento de “todos os lados”. Cinismo absoluto.

A oposição ao regime militar foi julgada, exilada, presa, torturada e condenada à morte (por fora da lei) durante o desgoverno dos generais. Quem se safou com a anistia foram os torturadores e seus mandantes. São estes que devem ir ao banco dos réus. Ou será que querem julgar Dilma de novo?

Petrobras: R$42 milhões nada, Astra pagou quase US$500 milhões por Pasadena

8 de abril de 2014

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Miguel do Rosário, via Tijolaço

As coisas vão ficando mais claras. As últimas informações de que dispomos já nos permitem uma avaliação mais precisa sobre o montante investido pela Astra para iniciar suas operações na refinaria de Pasadena. Alguns dados já eram de domínio público. Mas faltavam algumas peças no quebra-cabeça. Por exemplo, quanto a Astra havia pago pelos estoques de Pasadena, quando iniciou o processo de aquisição da refinaria, em meados de 2004?

● US$42,5 milhões pelas ações da companhia (fonte: relatório da NPM/CNP).

● US$55 milhões pelos estoques (fonte: consultora Jefferies & Cafezinho).

● US$300 milhões na Astra trading (Valor).

● US$84 milhões em investimentos em maquinários (fonte: Globo).

Total: US$481,5 milhões.

Quase todos os links acima são abertos, com exceção do Valor, de maneira que reproduzo um trecho da matéria que fala dos US$300 milhões investidos pela Astra na trading de Pasadena.

“Conforme o acordo de acionistas, ao qual o Valor teve acesso, o prêmio de 20% valeria tanto para os 50% restantes do ativo refinaria, avaliado em março de 2006 por US$378 milhões, como para a trading, que tinha preço de referência inicial de US$300 milhões, que era o “capital comprometido” pela Astra no negócio até a assinatura do acordo.”

Esses números nos levam a duas conclusões: 1) nenhuma empresa investiria quase meio bilhão de dólares numa “sucata”. 2) Tome sempre muito cuidado com o que lê.

E olha que nem estou considerando possível incorporação das dívidas da refinaria pelo novo dono.

Aliás, o blog da Petrobrás, até então parado qual um cadáver, parece ter mexido um dedinho do pé, como uma pessoa em coma que tenta mostrar que está vivo. Postagem de ontem revela que as refinarias no Brasil controladas pela estatal bateram um novo recorde mensal de produção, processando 2,151 milhões de barris. O volume foi 12 mil barris superior ao recorde, anterior, de julho de 2013.

Agora precisamos saber a produção, o faturamento e o lucro de Pasadena nos últimos dois anos. Reportagem da Folha apurou que ela registrou boas margens de lucro no período. O ex/PResidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, também afirmou que a refinaria dá lucro. A própria Graça Foster, presidente da estatal, que geralmente é lacônica em tudo que se refere a dados da empresa, já declarou que Pasadena está processando a pleno vapor. Queremos conferir isso direitinho, preto no branco. Até porque a imprensa agora começou a somar gastos de Pasadena com serviços e obras ao custo de aquisição, o que é um delírio total, servindo apenas para fazer sensacionalismo. Começam a surgir notícias do tipo: “custo de Pasadena pode ter sido ainda maior”, etc.

Pasadena tem faturamento bruto talvez superior a US$1 bilhão. Suas despesas, naturalmente, são altas, mas devem ser abatidas de seu faturamento. Isso é óbvio. Quanto mais rápido, a Petrobrás trazer dados, evitará a consolidação de ideias preconceituosas, baseada em informações distorcidas, contra a estatal.

Outra coisa que está ficando mais clara é a natureza estratégica da localização de Pasadena, no canal de Houston. Agora que a China começou a construir uma outra passagem oceânica no Panamá, ligando Atlântico e Pacífico, a região do Golfo do México ganhará uma importância geopolítica ainda maior. Um relatório recente de uma agência de energia do governo norte-americano diz que as margens das refinarias no país cresceram muito nos últimos meses e devem continuar crescendo durante bastante tempo, impulsionadas pelo aumento da demanda interna e pelas novas fontes de suprimento no Texas e no golfo.

Não seria uma ironia curiosa se Pasadena, pintada como sucata, inútil, mau negócio, de repente se tornasse um dos ativos estrategicamente mais importantes da Petrobrás no exterior?

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A Copa de 2014 será a última a ser transmitida pelas rádios AM

8 de abril de 2014

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Em 7 de novembro do ano passado, a presidenta Dilma Rousseff assinou o decreto que permite a migração das rádios AM para a faixa FM. O decreto atende a um pleito do setor, preocupado com o aumento dos níveis de interferência. No discurso, Dilma disse que as rádios AM são um patrimônio do país e que o Estado deve dar as condições para que elas continuem prestando serviços e se adaptando.

Carolina Juliano

Quando o Brasil ganhou a primeira Copa do Mundo em 1958, milhares de brasileiros se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo, para ouvir por alguns autofalantes a transmissão dos jogos pela rádio AM. Havia ainda alguns painéis luminosos que se acendiam quando o Brasil fazia gol. O mesmo se repetiu no título de 1962. E até meados dos anos 70 foi sempre assim, famílias inteiras reunidas ao redor de um rádio, naquela relação de confiança e cumplicidade com o locutor que transmitia em palavras o que ele via em campo.

Acompanhar um jogo de futebol no rádio era emoção certa. E aquele ruído característico da transmissão da AM ao fundo dos bordões consagrados como “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”, “Aguenta coração!”, “Alô Brasil, de Norte ao Sul”, “Uma Beleeeeza de Gol!”, “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha” ou “E que golaaaaaço” fazia parte da festa e aumentava ainda mais a expectativa pelo gol. “O locutor de rádio era o espetáculo. Ele o desenhava de acordo com sua capacidade e criatividade. É inegável que o futebol pelo rádio é sempre mais emocionante”, diz Flávio Araújo, narrador das Copas de 1966, 1970, 1974, 1978 e 1982.

Mas a Copa de 2014 deve ser a última transmitida pela a rádio AM e seu ruído característico. A presidente Dilma Rousseff assinou um decreto que permite a migração das emissoras AM para a faixa FM a partir do ano que vem. A mudança é para melhorar a qualidade de sinal dessas emissoras e estima-se que 90% delas irão migrar de faixa. “Ao cativar as novas gerações, esse fato [assinatura do decreto] ajudará a firmar o rádio como meio de comunicação que ultrapassa fronteiras etárias, geográficas e sociais”, disse a presidente na ocasião.

A Anatel, no entanto, prevê dificuldade de migração em pelo menos mil cidades brasileiras onde o espectro já está saturado. Nesses casos, a transferência deve ser completada apenas entre 2016 e 2018, quando a tevê aberta deverá estar digitalizada e as rádios AM poderão, então, ocupar o lugar nos espaços dos canais de tevê. O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, disse que o decreto é “o fato mais relevante para o rádio AM nos últimos 50 anos. Uma medida justa, que valoriza o pequeno radiodifusor”. Segundo ele, a baixa qualidade do sinal da AM estava fazendo as emissoras perderem muitos ouvintes para a FM.

Ruído charmoso

Mas fato é que a chamada “baixa qualidade” tinha lá o seu charme e não só. Muita tradição e pioneirismo. A rádio AM chegou ao Brasil nos anos 1920 e viveu seus melhores anos na década de 40. Na década de 1950 teve que modificar sua programação para não desaparecer com o surgimento da televisão e na década de 60 se consolidou com a programação no formato que tem hoje, com programas de variedades e locutores de voz bonita.

Foi só no fim dos anos 60 que a FM ganhou força pelas mãos da ditadura militar, que considerou a AM como “subversiva” e promoveu a FM com programação musical como forma de alienação dos ouvintes. Nos anos que se seguiram, a AM foi tida como brega, depois como antiga, mas manteve – e mantém até hoje – a tradição de programas jornalísticos e transmissões esportivas. “Eu nasci, me criei e vivo até hoje na rádio AM”, diz o locutor José Silvério da Rádio Bandeirantes. “Tenho 50 anos de profissão, a rádio AM é uma marca e principalmente nas transmissões esportivas, tem muita história que parece não caber na FM.”

Alcance menor na “roça”

Silvério diz que não quer pensar que a Copa no Brasil vai ser a última transmitida por ele em AM. “Talvez também seja a última que eu transmita”, diz ele que hoje tem 68 anos. “Eu penso que estou durando tanto tempo neste trabalho porque sou uma pessoa criativa e que acompanha o tempo, faço transmissão jornalística que cabe em qualquer tempo.” Segundo ele, o problema da AM passar para a FM é que, apesar de a qualidade da AM não ser tão boa, o alcance dela é muito maior que o da FM, “que simplesmente desaparece de repente”.

Uma das justificativas para a migração das emissoras AM é porque frequências como as da rádio AM estão mais sujeitas a sofrerem interferência de equipamentos e sons, como eletrodomésticos, linhas de transmissão e até o barulho de veículos. “Mas aquele ruído é muito característico, é um componente a mais na transmissão de um jogo de futebol”, diz Silvério que narrou todas as copas do mundo desde 1978. “Se acabar a AM e tiver que transmitir em FM eu vou fazer porque sou empregado, mas o homenzinho que ouve o rádio lá na roça não vai entender aquele som mais puro, vai no mínimo estranhar.”

“Qual a vantagem do FM? Apenas o som melhor já que seu alcance é bem menor que o do AM. As FMs saturaram os espaços. Em São Paulo você está ouvindo uma emissora e se um movimento for feito, no carro ou seja lá onde for, entrará outra. Onde ficarão as AMs?”, questiona Flávio Araújo, hoje com 79 anos. Araújo também é outro emblemático locutor responsável, entre outras, pela transmissão do milésimo gol de Pelé e pela conquista da Copa de 1970, no México.

Ele lembra que o papel do rádio era de importância “absoluta”. “Não havia como hoje a divisão comercial onde uma rede de tevê compra um evento e outra rede compra outro. Uma emissora como a Bandeirantes, a Pan ou a Tupi tinham que cobrir tudo”, diz. “É verdade que os eventos eram em número incomparavelmente menor, mas quem se dispusesse a cobrir tinha que estar presente em tudo, transmitindo, informando ou comentando e isso de uma forma crítica que hoje não existe mais.”

Histórias e “estórias”

Os dois locutores lembram com saudades de passagens hilárias da vida deles na rádio AM. “É um folclore que parece não caber na rádio FM”, diz Silvério. “Tem gente que ainda me pergunta por que o futebol transmitido no rádio é sempre igual, mas querem que mude o quê? Se você acompanha as transmissões de futebol na tevê percebe que os locutores copiam os do rádio, que nasceram lá na AM.”

Flávio Araújo se lembra de um fato que seria impensável nos dias de hoje. “A Copa do México foi difícil pela precariedade da tecnologia. E eu cheguei a transmitir um amistoso da seleção em Irapuato, no período pré-Copa, que jamais chegou ao Brasil. Estava comigo e transmitiu um tempo do jogo o colega Joseval Peixoto, eu Bandeirantes, ele Jovem-Pan. A Copa do México foi tão problemática que as emissoras tiveram que formar pools (grupos) e dividir o trabalho. Um pedaço do jogo comandado pela equipe de cada emissora”, conta.

Silvério conta que depois da derrota do Brasil na Copa de 1990, na Itália, ele chegou a pensar que tudo estava acabado. “Quando acabou aquele mundial um pessimismo tomou conta mesmo, além de ter sido a pior seleção que já vi, eu pensava que meu trabalho e o do rádio tinham acabado, pensei que a tevê iria dominar tudo. Mas não, até hoje há espaço para todos.”

Araújo conta ainda com alegria o interesse que o locutor esportivo brasileiro despertava no exterior, principalmente na Europa Oriental. “Como em geral transmitíamos em espaços abertos era comum o torcedor virar-se do gramado e ficar ouvindo e se divertindo com nosso trabalho, embora sem nada entender do que falávamos.”

Apesar de um certo saudosismo e do tom nostálgico das histórias, os dois sabem que o tempo não para, mas ninguém quer arriscar qual será o futuro do rádio sem a AM. “Com inteligência e trabalho sempre haverá espaço para todo mundo. Hoje faço transmissão de futebol na AM que é estendida para diversas FMs, se a AM acabar não sei se vão me querer na FM, mas acredito que sempre podemos encontrar um caminho novo”, diz Silvério.

Araújo é mais pessimista e acredita que uma coisa não substitui a outra e que assim como a AM sobreviveu à televisão, deveria sobreviver também à FM. “Houve muita demagogia do governo ao tomar uma medida que será tão tardia quanto a transposição das águas do Rio São Francisco. As grandes emissoras não vão migrar. Vão esperar pela prometida digitalização e a liberação dos atuais canais de tevê”, diz ele. “Creio que o rádio como broadcasting, produtor de entretenimento, diversão e prestação de serviços por sua agilidade até hoje está à frente da televisão com seus enlatados na maior parte das vezes importados.”

Memória curta da oposição disfarça falta de propostas

7 de abril de 2014

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No espaço de uma semana, a tropa de choque da oposição tucanodemista começou a perder de vez as estribeiras pois só vê o que se deseja ver.

Daniel Quoist, via Carta Maior

A oposição ao governo no Senado encontra-se tão desorientada que nem mesmo se dá ao luxo de transparecer um mínimo de razoabilidade, uma breve porção de serenidade. E à primeira vista parece que foi atingida em cheio por meteorito daqueles tão onipresentes no cinema-catástrofe: uma vez colidindo, nada sobrevive.

No espaço de uma semana, mesmo tempo que o Criador precisou para criar o mundo, segundo o milenar relato bíblico, a tropa de choque da oposição tucanodemista começou a perder de vez as estribeiras tanto do bom senso quanto da urbanidade, características que devem sempre caracterizar o debate político na mais alta Casa da República, o Senado Federal.

O senador Álvaro Dias (PSDB/PR) no recinto conhecido como “Túnel do tempo” do Senado voltou aos costumeiros ataques diários ao governo. Segundo o paranaense “ao ampliar o escopo das investigações da CPI da Petrobras, o governo quer inviabilizar a investigação da Petrobras” e abre a temporada de tiros tucanos na estratégia dotada pelo governo. “Não tem como imiscuir trem em petróleo, são coisas de natureza absolutamente diferentes e não condizem com uma CPI, o que o governo quer é diversionismo.”

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) que finalmente encontrou alguém à altura no plenário do Senado para lhe contrapor acusações ao PT, quase sempre genéricas e recheadas de lugares-comuns, também assimilou o golpe urdido pelo governo com sua nova e competente articulação política conduzida pelo ministro Ricardo Berzoini. “O governo quer misturar jacaré com trem; Petrobras com aleitamento materno, assim não pode, assim não dá.”

O senador José Agripino Maia (DEM/RN) saiu também em socorro de sua natimorta CPI da Petrobras. “Nunca aconteceu no Congresso que um CPI tivesse tantos temas díspares, diferentes, tem que ter um só objeto e se for o caso recorreremos ao STF para impedir essa ampliação de assuntos.”

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB/PE) mostrou-se, em intervenção no plenário do Senado, também nessa quarta-feira, dia 2, “arrependido de ter se prestado ao papel de assinar o requerimento para a CPI, pois mesmo sendo um direito das minorias parlamentares, a CPI seria tratorada pelo governo.”

Mas o hábito de só ver o que se deseja ver não parece monopólio dos tucanos e democratas e franco-atiradores históricos e estridentes dentro do PMDB. O vício da visão seletiva foi rapidamente assimilada pela neo-oposição feita pelo governador de Pernambuco e presidenciável pelo PSB, Eduardo Campos. Segundo Campos a bancada do PT estaria tomando atitudes “ilegais” ao tentar incluir na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras temas que não envolvem a estatal brasileira, como os trens superfaturados de São Paulo e as notórias chefes de cartel Alstom e Siemens. Veio à boca do palco posar de oposicionista ético: “O Governo Federal pode abrir a CPI que desejar, tendo a obrigação de fazer o devido processo legal. Não se pode fazer a abertura da CPI com o devido processo ilegal. Aí não dá”.

No caso do candidato do PSB, este que tem bem menos que a metade de intenções de voto para presidente do Brasil que sua prolixa e potencial candidata a vice Marina da Silva, a situação não é outra que a de tentar vender gato por lebre, velho por novo, práticas políticas arcaicas envergando roupagens novas do verde ambientalismo. Eduardo Campos mostra a que veio: tomar proveito de qualquer situação que lhe renda 15 segundos de mídia capenga, aquele tipo de mídia sem conteúdo e que se põe de pé apenas na base do “vamos empurrando as versões porque os fatos mesmo demoram a aparecer, isto é, quando se dignam a aparecer”. O tipo de mídia que costuma marcar políticos com prazo de validade na iminência de vencer. É este, o caso.

Investigado em vários processos tem o desplante de pedir impeachment da presidenta

A cereja do destempero coube ao controvertido senador Mario Couto (PSDB/PA), perfazendo à perfeição o estilo “indignadozinho de sempre” de seu colega de partido Carlos Sampaio (PSDB/SP) na Câmara Federal, voltou a ser estridente, teatral, folclórico, objeto de riso de seus pares e dos que ocupam as galerias da Casa ao pedir reiteradas vezes em um único discurso o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O paraense acusa a chefe do Poder Executivo de ter sido inepta no imbróglio que se transformou a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras em 2006. Nos dias seguintes, o mesmo Couto, enredado em diversos processos, é réu em dois destes no Supremo Tribunal Federal, é acusado de envolvimento em desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa do Pará no período em que presidiu a casa – 2004 e 2007 –, e que resultaram em onze processos licitatórios que teriam sido fraudados.

O monumento biográfico de Mario Couto inclui também denúncia por racismo e abuso de autoridade feita contra o senador pela assistente-administrativa Edisane Gonçalves de Oliveira, 34 anos. Em depoimento no Pará, Edisane acusou o senador de tê-la ofendido chamando-a de “preta”, “safada”, “macaca”, “vagabunda” entre outros palavrões. A denúncia encontra-se em análise na Procuradoria Geral da República. Devido ao foro privilegiado do senador, o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal em setembro de 2013 e foi distribuído para o ministro Celso de Mello.

Mesmo com fatos tão desabonadores à sua conduta política e pessoal, Mario Couto voltou a despejar novas acusações, sempre em tom grosseiro e francamente desrespeitoso, para a presidenta Dilma Rousseff. Em 2 de abril, foi curto e grosso, como de costume e fazendo jus a seu linguajar de porta de bar, referindo-se ao caso de Pasadena: “Ou a presidente é burra ou está na maracutaia”, disse o paraense.

É impressionante como Suas Excelências, Senadores da República são avessos à ideia de direcionar um pouco de seus neurônios para se ocuparem em pesquisa séria sobre o temas afetos a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Um simples pedido a algum de seus muitos assessores no gabinete poderia estancar de imediato as chamas de incêndio provocado por ilusionistas nem tão exímios assim.

Uma só CPI, mas todo um mundo para investigar

Vejamos o que aconteceu com a chamada “CPI dos Bingos”. Nascida com o Requerimento nº 245, em 29 de junho de 2005, assinado pelo senador Magno Malta, dizia o seguinte:

“Requeremos em conformidade com o art. nº 145, do Regimento Interno, conjugado com o art. 58, § 3º, da Constituição Federal, a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, composta de 15 membros e igual número de suplentes, com o objetivo de investigar e apurar a utilização das casas de bingo para a prática de crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como a relação dessas casas e das empresas concessionárias de apostas com o crime organizado, com a duração de cento e vinte dias, estimando-se em R$200.000,00 (duzentos mil reais) os recursos necessários ao desempenho de suas atividades.”

Tendo a oposição decidido atacar o governo petista de Lula, em seu primeiro mandato, fustigando-o por todos os flancos, latitudes e longitudes possíveis, aproveitando o espocar dos escândalos do chamado mensalão petista e contando com uma disposição vigorosa da imprensa tradicional e conservadora do Brasil, a oposição tratou de ir incorporando como objeto desta CPI os mais variados temas, os jacarés, o petróleo, o aleitamento materno, Pasadena, a Repsol, os trens evocados por Aloísio Nunes, Álvaro Dias, Agripino Maia.

Em 4 de junho de 2006, a CPI dos Bingos, devido ao seu ecletismo investigatório e à sanha persecutória que movia contra o governo Lula, passou a ser referida como a “CPI do Fim do Mundo”. E em suas 1.430 de seu relatório final, verificou-se que muito além dos assuntos arrolados no requerimento nº 245/2005 de sua criação, a maior parte de seus trabalhos tratou de apurar e investigar os seguintes outros assuntos:

– Bingos, Loterias – federais e estaduais

– A máfia do lixo, os esquemas de fraudes e de superfaturamento em licitações públicas municipais

– O superfaturamento na contratação de empresas de limpeza urbana na Prefeitura de Ribeirão Preto e de outros municípios cuidadosamente selecionados por serem de administrações petistas

– O caso Toninho de Campinas (SP)

– O caso Celso Daniel de Santo André (SP)

– Tráfico de influências no Serpro, Cofiex, Banco Prosper

– Dólares de Cuba, conforme reportagens escandalosas publicadas na revista Veja (Editora Abril)

– A corrupção nas Prefeituras do Interior (Cepem, Paulo Okamoto, Roberto Teixeira)

– O caso Gtech

– O financiamento de campanhas políticas

STF entende ser possível ampliar objeto de investigação em CPI

Se os ora indignados Senadores tucanos, demistas e livre-atiradores do PMDB se dessem ao trabalho de revisitar os arquivos digitais de revistas e jornais no período 2005/2006 irão se deparar com frases de efeito, metáforas de gosto duvidoso e argumentos quase sempre risíveis, mas pronunciados por eles mesmos como se fossem imprecações diabólicas contra o governo de ontem (2005) fazendo eco contra o governo de hoje (2014).

Feitas estas considerações, porquê o esperneio da oposição ao desejo de o governo, através de sua base aliada, incluir como objeto da CPI da Petrobras, não apenas a compra da refinaria de Pasadena, mas também o clamoroso caso de uso de cartel, licitações fraudadas. Corrupção, superfaturamento para obras e aquisições de trens para o metrô de São Paulo, fatos criminosos que remontam ao governo Mario Covas (PSDB), passando pelos governos José Serra (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), com suas respectivas reeleições no comando do Palácio dos Bandeirantes?

Mas se a forma caolha com que a oposição prefere mirar o governo federal não se contentar contra fatos evidentes, patentes e de fácil constatação, dada a abundância de documentos, relatórios e matérias jornalísticas acessíveis em arquivos na internet, poderia-se pesquisar no próprio Supremo Tribunal Federal e naquela instância máxima de nosso Poder Judiciário, rapidamente se encontraria a decisão do STF quanto “à ampliação do objeto de investigação de Comissão Parlamentar de Inquérito no curso dos trabalhos”, fazendo referência também não só à “possibilidade” quanto à existência de precedentes. Para facilitar o trabalho dos senadores tucanos e demistas, transcrevemos a seguinte ementa da decisão da Suprema Corte:

Ampliação do objeto de investigação de comissão parlamentar de inquérito no curso dos trabalhos. Possibilidade. Precedentes. – Não há ilegalidade no fato de a investigação da CPMI dos Correios ter sido ampliada em razão do surgimento de fatos novos, relacionados com os que constituíam o seu objeto inicial. Precedentes. MS 23.639/DF, rel. Min. Celso de Mello; HC 71.039/RJ, rel. Min. Paulo Brossard). (Inq. 2245/MG, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 28/08/2007, Tribunal Pleno, Publicação DJe-139, 8/11/2007)”

Vige ainda no Brasil o provérbio popular dando conta que “o pior cego é aquele que não quer ver” e também outro da mesma safra dizendo que “mesmo um cego tem ponto de vista”. Para o caso de a oposição ao governo considerar que essas duas portentosas, espalhafatosas e longas CPIs foram nada mais que “casos isolados”, podemos afirmar que além da CPI dos Bingos, cujo objeto de investigação foi sobejamente alargado da mesma maneira, nos anais do Senado Federal encontra-se disponível os calhamaços sobre a CPI das ONGs, sendo este um caso específico em que o objeto foi alterado antes mesmo da instalação da CPI. Mas, observe-se, nesse caso, apenas o período da investigação foi alargado, de 2003 a 2006, para de 1999 a 2006.

Como vemos, nada de novo abaixo do sol. Até o desespero da oposição ante a possibilidade de a presidenta ser reeleita no 1º turno, em outubro próximo, não é nenhuma novidade. Mas, para não dizer que falta uma novidade, a bem da verdade, essa novidade tem nome e sobrenome – Ricardo Berzoini.

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Lula não precisa ser candidato

7 de abril de 2014

Dilma_Povo04A

A Folha reteve por 24 horas o dado capaz de relativizar esmagadoramente a queda de seis pontos nas intenções de votos na presidenta Dilma.

Saul Leblon, via Carta Maior

Por que o Datafolha não inclui em suas enquetes algumas perguntas destinadas a decifrar o modelo de desenvolvimento intrínseco à aspiração mudancista majoritária na sociedade brasileira, segundo o próprio Instituo?

Por que o Datafolha não pergunta claramente a esse clamor se ele inclui em seu escopo de mudanças um retorno às prioridades e políticas vigentes quando o país era governado pelo PSDB, com a agenda que o dispositivo midiático tenta restaurar com o lubrificante do alarmismo noticioso?

Não se trata de introduzir proselitismo nos questionários de sondagem. É mais transparente do que parece. E de pertinência jornalística tão óbvia que até espanta que ainda não tenha sido feito.

Por exemplo, por que o Datafolha não promove uma simulação que incluiria Fernando Henrique Cardoso e Lula como candidatos teóricos e assim avalia as preferências entre os modelos e ênfases de desenvolvimento que eles historicamente encarnam?

Por que o Datafolha não pergunta claramente ao leitor se prefere a Petrobras – e o pré-sal, que é disso que se trata, sejamos honestos – em mãos brasileiras ou fatiada e privatizada?

Por que o Datafolha não investiga quais políticas e decisões estão associadas à preferência pelo petista que há 12 anos está sob bombardeio ininterrupto da mídia e, ainda assim, conserva 52% das intenções de voto num país seviciado pelo monopólio midiático?

Por que o jornal que é dono da pesquisa – em mais de um sentido – não explicita em suas análises as relações (ostensivas) entre a resistência heroica do recall desfrutado por Lula; o desejo majoritário de mudança na sociedade e o vexaminoso arrastar dos pés-de-chumbo do conservadorismo, Aécio e Campos?

Por que a Folha reteve por 24 horas o dado capaz de relativizar esmagadoramente o impacto da queda de seis pontos que teria marcado as intenções de votos na presidenta Dilma –mas que ainda assim vence com folga (38%) seus dois principais oponentes juntos (26% de Aécio e Campos)?

O dado em questão não é singelo.

Só divulgado nesta noite de domingo –sem espaço na manchete e sequer registro na primeira página do diário dos Frias! – ele tem caibre para dissolver em partículas quânticas tudo o que foi dito no final de semana sobre a derrocada do governo na eleição para 2014.

Qual seja, a opinião de Lula – colheu o Datafolha – é uma referência positiva de impacto avassalador sobre as urnas de outubro: seu peso ordena e hierarquiza a definição de voto de nada menos que 60% do eleitorado brasileiro. Seis em cada dez eleitores tem em Lula uma baliza do que farão na cabine eleitoral.

Segundo o Datafolha, 37% deles votariam com certeza em um candidato indicado pelo petista; e 23% talvez referendassem essa mesma indicação.

Note-se que os estragos que isso deixa pelo caminho não são triviais e de registro adiável.

Se divulgados junto com a pesquisa das intenções de voto, esmagariam, repita-se, o esforço do tipo “vamos lá, pessoal”, que os comodoros do conservadorismo tentaram injetar na esquadra de velas esfarrapadas de Campos e Neves.

Vejamos: ao contrário do que acontece com o cabo eleitoral de Dilma, 41% dos eleitores rejeitariam esfericamente um nome apoiado por Marina Silva – Eduardo Campos encontra-se nessa alça de mira contagiosa, ou não?

Já a rejeição a um candidato apoiado por FC é de magníficos 57%.

Colosso. Sim, quase 2/3 do eleitorado, proporção só três pontos inferior à influência exercida por Lula, foge como o diabo da cruz da benção dada pelo ex-presidente tucano a um candidato; apenas 23% cogitariam sufragar um nome apoiado por ele.

Esse, o empolgante futuro reservado ao presidenciável Aécio Neves, ou será que a partir de agora ele imitará seus antecessores de dificuldades e esconderá o personagem que o imaginário brasileiro identifica ao saldo deixado pelo PSDB na economia e na política do país?

O fato é que a virada antipetista, ou antigovernista, ou ainda antidilmista que o dispositivo midiático tenta vender – e o fez com notável sofreguidão neste final de semana, guarda constrangedoramente pouca aderência com a realidade.

Exceto se tomarmos por realidade as redações da emissão conservadora, a zona sul do Rio ou o perímetro compreendido entre os bairros de Higienópolis, Morumbi e Vila Olímpia, em São Paulo, a disputa é uma pouco mais difícil.

Não significa edulcorar os desafios e gargalos reais enfrentados pelo país.

Mas na esmagadora superfície habitada por 60% da população brasileira o jogo pesado da eleição de 2014 envolve outras referências que não apenas a crispação do noticiário antipetista em torno desses problemas.

Por certo envolve entender quem é quem e o que propõe cada projeto em disputa na dura transição de ciclo econômico em curso – e nessa luta ideológica pela conquista e o esclarecimento de corações e mentes, o governo Dilma e o PT estão em débito com a sociedade.

Sobretudo, o que os dados mais recentes indicam é que a verdadeira disputa de projetos precisa de mais luz e mais desassombro por parte dos alvos midiáticos.

Os institutos de pesquisas, a exemplo do Datafolha, em grande medida avaliam o alcance do seu eco quase solitário.

Bombardeia-se a Petrobras para em seguida mensurar o estrago que os obuses causaram na resistência adversária. Idem, com o tomate, a standard & Poor’s etc. etc. etc.

Ao largo das manchete do Brasil aos cacos, porém, seis em cada dez brasileiros aguardam o que tem a dizer aqueles que se tornaram uma referência confiável pelo que fizeram para a construção da democracia social nos últimos anos.

É aí que Lula entra. E o PT deve cuidar para que entre não apenas rememorando o passado, do qual já é uma síntese histórica.

Mas que coloque essa credibilidade a serviço de uma indispensável repactuação política do futuro, contra o roteiro conservador do caos que lubrifica a rendição ao mercadismo.

Dizer que Dilma perdeu seis pontos e retardar a divulgação do que fariam 60% dos eleitores diante de um apelo de Lula, é uma evidência do temor que essa agenda e esse cabo eleitoral causam no palanque de patas moles que a mídia, sofregamente, carrega nas costas.

***

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