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Dá pra confiar num cara desses? Delfim Netto afirma que não sabia de tortura na ditadura

27 de junho de 2013
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Delfim Netto: De principal protagonista do “milagre brasileiro” a guru de editor de uma revista de esquerda (sic).

Flávia Albuquerque, via Agência Brasil

O ex-ministro Antônio Delfim Netto depôs na terça-feira, dia 25, na Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog e negou praticamente todos os questionamentos. O economista, que foi ministro da Fazenda entre 1967 e 1974, disse desconhecer que houvesse uma ditadura no País e que pessoas eram presas e torturadas, além de negar que soubesse da existência de empresários que faziam doações para financiar a Operação Bandeirante (Oban).

A Oban, financiada por empresários paulistas, foi uma organização acusada de tortura e ações ilegais, que depois daria lugar ao Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão de repressão ligado ao 2º Exército, sediado em São Paulo.

O ex-ministro ressaltou ainda que não se arrepende de ter assinado o Ato Institucional 5 (AI-5), que extinguiu direitos civis e levou ao período de maior repressão no país, em 1968. “Se as condições fossem as mesmas e o futuro não fosse opaco, eu repetiria. Eu não só assinei o Ato Institucional 5 como assinei a Constituição de 1988”. O AI-5 deu plenos poderes ao presidente, marechal Artur da Costa e Silva, além de suspender o habeas corpus em casos de crimes políticos, entre outras medidas.

Quando questionado sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, disse que estava em Paris na ocasião e que nem soube de detalhes. Também negou saber de uma festa feita nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, para comemorar a morte de um preso político, relatada pelo publicitário Emílio Ivo Ulrich, que estava preso e assistiu a tudo, e a quem foi determinada a limpeza do local após a comemoração. “Eu não soube dessa festa. É uma coisa bárbara, um absurdo que nem acredito que tenha acontecido”, disse.

Ao ser criticado e questionado pelos vereadores da Comissão da Verdade, Delfim Netto disse que deu seu depoimento e que todos poderiam julgar da forma como bem quisessem. “É aquilo que aconteceu. Vossa excelência quer criar uma verdade. Havia a mais absoluta separação. No meu gabinete nunca entrou um oficial fardado. Não existia nenhum vínculo entre as administrações. E tem as atas do conselho. Hoje, com a lei de transparência [Lei de Acesso à Informação], é só requisitar as atas do conselho, e tudo estará lá”.

O presidente da comissão, o ex-preso político e vereador Gilberto Natalini (PV), avaliou que Delfim Netto perdeu uma grande chance de falar a verdade e se redimir com relação à história do Brasil. Para Natalini, o ex-ministro da Fazenda omitiu dados e fatos que já foram comprovados pelas investigações da comissão. “Eu não acredito no depoimento dele. Não é possível, diante de tantos fatos e nomes, ele dizer que não conhecia, não sabia. Não saber que tinha repressão no Brasil, um ministro da Fazenda do governo Médici. Nem uma criança de cinco anos consegue acreditar”.

A Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo, foi criada em abril de 2012 para apurar as violações de direitos humanos envolvendo casos de tortura, mortes, desaparecimentos e ocultação de cadáveres entre 1946 e 1988 na cidade.

Depoimento tocante da atriz Bete Mendes sobre a tortura

29 de maio de 2013

Bete_Mendes04Lido no Brasil 247

Sobrevivente da ditadura, a atriz Bete Mendes relatou à jornalista Eleonora de Lucena, da Folha, sua experiência na prisão, onde foi torturada. Leia abaixo.

Sobrevivi à tortura

Fui presa duas vezes. Na primeira, não fui torturada fisicamente. Na segunda, foi total. Fui torturada [em 1970] e denunciei [o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra]. Isso me marcou profundamente. Não desejo isso para ninguém – nem para meus inimigos. A tortura física é a pior perversidade da raça humana; a psicológica, idem.

Não dá para ter raiva [de quem me torturou]. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem. Estou muito feliz, sobrevivi e bem. E não quero mais falar desse assunto.

Superei isso com tratamento psicológico e com trabalho. Agradeço à família, à classe artística, aos amigos que foram meu alicerce. Carlos Zara me convidou para fazer a novela “O meu pé de laranja lima”, e isso me salvou. Continuei o trabalho artístico, fui fundadora do PT, fui deputada federal duas vezes e secretária da Cultura de São Paulo.

Comecei a fazer teatro e cantar com seis anos de idade. Com oito já participava de manifestações de alunos. Era do grêmio do colégio, depois fui para o diretório da faculdade. Em bibliotecas públicas ou pegando livros emprestados lia tudo: Rousseau, Marx, Mao, Lênin, Gorki, Aristóteles. Depois, adotei o codinome de Rosa em homenagem a Rosa Luxemburgo.

VAR-Palmares

Na adolescência escrevi textos de peças de teatro. Quando fui presa, eles levaram esses textos. Achavam que eles eram prova de crime, que depunham contra mim. Nunca mais os recuperei. Era coisa tão pouca, boba, pessoal.

Quando fecharam as portas à democracia, me senti usurpada, revoltada, aprisionada. Achei que a única saída era entrar numa organização revolucionária contra a ditadura militar. Entrei na VAR-Palmares. Fizemos aquela opção. Foi certa, errada? É difícil julgar hoje.

A minha visão era a revolução socialista: tirar o poder dos militares, dos opressores, do capitalismo selvagem. Deixar a gente governar para o bem de todos, com todos participando.

Eu tinha 18, 19 anos, e achava que podia fazer tudo. Não tinha consciência do risco imenso que estava correndo. Era atriz de uma novela que explodia no Brasil, “Beto Rockfeller”, estudava ciências sociais na Universidade de São Paulo e participava de uma organização clandestina revolucionária. Aí deu zebra.

O medo era a pior coisa que a gente sentia na época. Historicamente tem de se reconhecer que nós entramos numa ditadura muito mais pesada do que foi dito no passado. Isso vai sendo desdito atualmente pela Comissão da Verdade.

Hoje não tenho medo de retrocesso, mas é preciso prestar atenção em manifestações como de movimentos nazistas em vários países e no Brasil. Por exemplo? O coronel Brilhante Ustra faz parte desse movimento. Ele tem um site. Há jovens fazendo movimento nazista.

Democracia

É um receio. É preciso ser cauteloso em relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático. Mas impedir jamais, porque a gente legitima a manifestação de todos, de opiniões diversas. É preciso cuidar da democracia para que esses movimentos não cresçam.

Sou política como qualquer cidadão. Sou cidadã, atriz, socialista. O socialismo se constrói todo dia. Não temos o modelo socialista do passado, mas a gente constrói um novo. Quero continuar trabalhando como atriz e viajar mais. Poder viver essa democracia até morrer. Sonho político? Que o trabalho escravo acabe no Brasil.

Estou aqui viva e feliz. Minha vida é muito efervescente. Emendei três trabalhos na televisão. Faço o que eu gosto: ser atriz. Não vamos ficar presos no passado. O que eu tinha de dizer, disse com todas as letras na época. “Revival” não tem sentido. Meu assunto hoje é [a novela] “Flor do Caribe”.

Problema de audição? Tenho. É que eu fui torturada [fica com os olhos marejados].

Ditadura militar: “Estadão” apoia atos do torturador Ustra

12 de maio de 2013

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“Ustra nega tortura e mortes e diz que Dilma era de grupo terrorista”, diz a manchete principal do jornal O Estado de S.Paulo do sábado, dia 11. A publicação optou por destacar a defesa do coronel reformado e ex-comandante do DOI-Codi em São Paulo à Comissão Nacional da Verdade, negada pelo vereador Gilberto Natalini ainda durante a sessão, que afirmou ter sido ele próprio torturado pelo militar. Entre Ustra e Dilma, Estadão fica com torturador.

Via Brasil 247

Num depoimento polêmico e raivoso, com direito a porradas na mesa, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra negou na sexta-feira, dia 10, à Comissão Nacional da Verdade ter ocultado qualquer cadáver durante a ditadura militar. Mais: o ex-comandante do DOI-Codi em São Paulo afirmou que nenhuma tortura foi cometida dentro das instalações do órgão de repressão do governo militar sob sua gerência – entre 1970 e 1974 – e acusou a presidente Dilma Rousseff de participar de “grupo terrorista”.

Apesar de seu nome estar entre os mais citados em denúncias sobre tortura e outras violações de direitos humanos à época do regime militar no Brasil, o jornal O Estado de S.Paulo escolheu a sua defesa para estampar a manchete principal da edição de sábado, dia 11. Eis o título: “Ustra nega tortura e mortes e diz que Dilma era de grupo terrorista”. Em seu depoimento, como relata a reportagem, Ustra ressalta que “lutou pela democracia” e que combatia o “terrorismo”.

Sobre a chefe do Executivo, o texto cita que Dilma “fez parte de grupos de resistência à ditadura e foi presa em 1970”, mas não menciona que ela foi perseguida, presa e torturada durante a ditadura. No início do mês, a presidente anunciou que doaria a indenização de R$20 mil que receberá pelos crimes dos quais foi vítima no período para a ONG Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro. Ela faz parte de uma lista de 170 beneficiados de um programa de indenização a perseguidos políticos e familiares de vítimas da ditadura.

Vereador diz ter sido torturado por Ustra

A sessão da Comissão Nacional da Verdade foi marcada por momentos tensos envolvendo Ustra e o presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini (PV/SP). Questionado sobre se teria torturado Natalini, em 1972, Ustra respondeu que não tinha nada a dizer e negou o fato. A negativa foi rebatida por Natalini que interrompeu a fala de Ustra aos gritos: “Sou um brasileiro de bem. O senhor é que é terrorista. Eu fui torturado pelo coronel Ustra.”

O discurso do ex-comandante do DOI-Codi paulista também foi rebatido pelo agora deputado estadual Adriano Diogo, que preside a Comissão da Verdade Rubens Paiva na Assembleia Legislativa de São Paulo. Segundo ele, que era estudante universitário quando foi preso em 1973, quem supervisionava tudo era Ustra e foi ele quem matou seu colega de classe Alexandre Vannuchi. “Ele é um assassino confesso, ele é um dos maiores verdugos da História do Brasil”, disse o deputado.

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Comissão da Verdade vai ter de enfrentar assassinos da ditadura

11 de maio de 2013

Ustra06_TorturadorEduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania

O “espetáculo” de autoritarismo, mitomania e cinismo dado pelo coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra durante seu depoimento à Comissão Nacional da Verdade na sexta-feira, dia 10, foi apenas prévia de uma situação que se espera que tenha sido prevista quando foi pensada a missão de contar ao Brasil e ao mundo o que ocorreu neste País durante a ditadura militar (1964–1985).

Para quem não sabe, Brilhante Ustra, um dos mais violentos torturadores do regime de exceção que se abateu sobre este País durante mais de duas décadas, protagonizou um bate-boca com os membros da Comissão.

O ex-chefe do DOI-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974 – período que é considerado o mais macabro daquele regime de viés absolutamente nazista – afirmou que a presidente Dilma Rousseff “militou em organizações terroristas”, que “nunca houve assassinatos” praticados pelo regime, que as organizações de esquerda que resistiram à ditadura “tinham como objetivo implantar a ditadura do proletariado” e “o comunismo”.

Brilhante Ustra, apesar de habeas corpus concedido pela Justiça Federal que lhe garantiu o “direito” de ficar calado, respondeu algumas perguntas por opção. Todavia, fê-lo aos gritos e batendo na mesa. Além disso, fez-se acompanhar de dois outros militares da reserva que juntaram-se a ele quando, fora de si, insultou membros da comissão e a própria presidente da República.

Apesar de estarem surgindo provas testemunhais e materiais dos horrores praticados no Brasil durante aquele período macabro de nossa história e apesar de o País ter sido advertido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e até pela ONU por não punir os criminosos da ditadura, a Comissão da Verdade não dará em nada se não houver coragem para enfrentar pessoas que um dia tiveram poder de fazer o que Brilhante Ustra tenta (abafar o caso) e que se acredita que não tenham mais.

O STF – corte que tem um ministro que julga que aquele horror todo foi um “mal necessário” – já deu sua proteção aos Brilhantes Ustras que caminham por aí livres e afrontando as vítimas de suas sessões de tortura como, por exemplo, o vereador de São Paulo Gilberto Natalini (PV), quem, pouco antes do piti de Ustra, disse que foi torturado com requintes de crueldade por ele e que depois foi insultado por seu algoz pretérito.

Note-se que os “jeitinhos” na Justiça – tais como o habeas corpus que garantiu a Brilhante Ustra meio de ir depor na Comissão da Verdade sem responder a questões que deveriam ser respondidas caso fosse realmente inocente – e uma ajudinha da mídia que colaborou para implantar e para sustentar a ditadura se tornarão cada vez mais explícitos conforme for chegando a hora de a onça beber água.

Essa tal hora de a onça beber água será quando os trabalhos da Comissão da Verdade começarem a ser expostos à sociedade, porque Brilhante Ustra e outros como ele terão de encarar suas famílias e amigos após as revelações macabras que virão. Além disso, a comissão deverá expor a atuação criminosa das famílias midiáticas Marinho, Frias e Mesquita, dentre outras.

Quando estiverem chegando ao fim os trabalhos da comissão – o que deve ocorrer no primeiro semestre do ano que vem –, que ela e a própria presidente Dilma não tenham dúvidas: todos os que colaboraram com a ditadura sairão de suas tocas para opor suas mentiras à verdade que se quer apurar e expor ao Brasil e ao mundo.

Além de decisões judiciais, matérias na grande mídia, acusações à presidente da República e sabe-se lá mais o que, haverá que ver até que ponto as Forças Armadas “permitirão” que o que fizeram àquela época seja contado pela Comissão da Verdade ao Brasil e ao mundo. E note-se que nem se está pedindo, ainda, as exigíveis punições a gente como Brilhante Ustra.

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11 de maio de 2013
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O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra , que comandou o DOI-Codi/SP entre 1970 e 1974, presta depoimento à Comissão Nacional da Verdade. Foto de Wilson Dias/ABr.

Via CartaCapital

O ex-sargento Marival Chaves, ex-servidor do DOI-Codi de São Paulo na década de 1970, afirmou na sexta-feira, dia 10, em depoimento à Comissão da Verdade, que o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do aparato repressivo paulista durante a ditadura, era o comandante da tortura no Estado. Ustra chefiou o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) entre setembro de 1970 a janeiro de 1974.

“Se você quer definir responsabilidades, ele [Ustra] comandava as operações”, afirmou Chaves. Antes de iniciar seu depoimento, o ex-sargento entregou à Comissão da verdade cartas com ameaças de morte que recebeu a partir de 1992, ano em que iniciou suas revelações sobre a ditadura. Ainda segundo o ex-sargento, empresas do ramo automobilístico apoiavam DOI-Codi.

Da sessão, também participou o vereador Gilberto Natalini (PV), torturado por Ustra em 1972, quando ficou preso por 60 dias acusado de divulgar “jornais subversivos”. “Um dia ele me pegou, me despiu, me colocou em pé numa poça d’água, ligou fios em meu corpo e, pessoalmente, chamou uma tropa para fazer uma sessão de declamação de poesia”, revelou Natalini. “Eu não tenho motivo para inventar essa história. Isso aconteceu, é fato concreto. Apanhei bastante das mãos dele e das pessoas que trabalhavam com ele.”

Ustra nega ser assassino e chama Dilma de terrorista

Ustra tinha um habeas corpus para se manter em silêncio na Comissão da Verdade, mas mesmo assim falou. Sua versão é a de que a repressão realizada pelo Estado contra cidadãos brasileiros era um confronto contra o comunismo. Ustra não explica, entretanto, o que justificaria as violações contra os direitos humanos cometidas nesta suposta batalha.

“Todas as organizações terroristas, em todos seus estatutos, tinham claramente que o objetivo final era a implantação de uma ditadura do proletariado, o comunismo. Derrubar os militares e implantar o comunismo.” Ele destacou também a participação da presidenta Dilma Rousseff no movimento. “Isso consta de todas as organizações. Inclusive nas quatro organizações terroristas que nossa presidenta da República participou. Ela participou de quatro organizações terroristas que tinham isso, de implantar o comunismo”, disse Ustra.

“Estávamos lutando pela democracia e estávamos lutando contra o comunismo. Se não fosse nossa luta, se não tivéssemos lutado, eu não estaria aqui porque eu já teria ido para o paredón. Os senhores teriam um regime comunista, um regime como o de Fidel Castro”, afirmou.

Ustra negou a existência de centros clandestinos de tortura e de que tenham ocorrido estupros nas instalações do DOI. Durante o depoimento, ele disse ser falsa a afirmação de que Lana e Sônia Angel haveriam passado pelo DOI-Codi/SP. Segundo Ustra, na data de suas mortes, ele se encontrava de férias. “Nunca fui um assassino, graças a Deus nunca fui”, disse, afirmando ter apenas cumprido ordens.

Sobre a suposta apostila que ensinava métodos interrogatórios, ele confirmou ter sido o elaborador. “Fiz essa apostila sim, usando casos reais.”

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Ditadura militar: Mortos eram troféus no DOI-Codi

“Cadáveres de militantes eram expostos no DOI-Codi como troféu de vitória”, diz ex-sargento.

Corpos de militantes torturados eram expostos ao público interno do DOI-Codi, o maior órgão de repressão aos grupos de esquerda contrários à ditadura militar (1964–1985), como “troféu de vitória”, afirmou o ex-sargento Marival Chaves na sexta-feira, dia 10, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em Brasília.

“Vi em duas ocasiões. O casal Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia foi trazido ao DOI para visitação do órgão. Vi o casal morto, com perfurações a bala na cabeça e nos ouvidos”, disse Chaves, acrescentando que supunha que isso ocorria por se tratar de pessoas consideradas “importantes no contexto das organizações”.

Ele também citou o caso de outro militante, chamado Yoshitane Fujimori, que chegou com ferimentos a bala e ainda estava vivo. Chaves já falou duas vezes à comissão, que apura que apura crimes cometidos no período da ditadura militar.

O depoimento foi colhido por Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República, e José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, que integram a comissão.

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