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Brasil, um estado laico: Secretário da CNBB critica Dilma e diz ser contra a camisinha

19 de julho de 2012

Mostrando todo o pensamento retrógrado da Igreja Católica e “desconhecendo” que o Brasil é um estado laico, dom Leonardo Steiner (foto), secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, reclamou que a presidenta Dilma causa dificuldades para os membros da entidade participarem de comissões consultivas e de ainda não ter liberado verba para a preparação da vinda de Ratzinger em 2013. Além disso, afirmou ser contra a camisinha porque “não se pode usar contraceptivos sem mais nem menos”.

Via UOL TV

O debate sobre aborto deve fazer parte das eleições para prefeitos e vereadores de 2012, afirmou na quarta-feira, dia 18, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner. Ele disse que “deve fazer parte do debate das eleições municipais sempre aquilo que diz respeito ao direito da pessoa humana” e citou “corrupção” e “ficha limpa” entre outros temas que deveriam ser discutidos.

Na entrevista, o religioso reclamou do governo da presidente Dilma Rousseff. Afirmou que a CNBB enfrenta dificuldades para atuar em algumas comissões consultivas das quais sempre participou. “Existe uma espécie de resistência, sim. De que não é muito tarefa religiosa ou uma tarefa da Igreja [opinar] em um ou outro conselho”, disse.

Dom Leonardo afirmou que o governo federal ainda não liberou os recursos necessários para obras e preparações para a visita do papa Bento 16 ao Rio no ano que vem: “Ele virá ao Brasil por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá de 23 a 28 de julho de 2013.”

Sobre a queda do número de católicos no Brasil registrada pelo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o bispo disse ter dúvidas sobre a metodologia usada na pesquisa. Os dados indicaram perda de 1,7 milhão de fiéis no período de 2000 a 2010 para a Igreja Católica. Ele afirmou que o número de sacerdotes católicos subiu de 18 mil para 22 mil nos últimos anos.

O secretário-geral da CNBB também afirmou que não acredita que o número de evangélicos ultrapasse o de católicos em algumas décadas. “Preocupa mais a Igreja Católica o número de pessoas que se dizem sem religião”, disse.

Dom Leonardo tem 61 anos e é da quarta geração de uma família alemã de Santa Catarina. Bispo há oito anos, assumiu o cargo na CNBB no ano passado e é também bispo auxiliar de Brasília

A seguir, o vídeo com trechos da entrevista.

“Grande imprensa” sente efeito das críticas e deixa empregados divergirem

2 de julho de 2012

Parece que a mídia hegenônica sentiu as críticas de que praticamente não se via divergência em suas páginas e, assim, escalou alguns empregados para divergir. Entretanto, é bom ficar esperto com essa súbita conversão desses elementos ao bom jornalismo.

Eduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania

Vai passando despercebido um fenômeno poucas vezes visto na década passada e que era raro até há pouco tempo, mas que parece estar crescendo. Colunistas e comentaristas de renome na grande mídia estão eventualmente divergindo dos patrões – ou, se preferirem, da “linha editorial” dos veículos nos quais trabalham.

Ao longo dos últimos anos uma voz se levantou contra as posições monolíticas que aprisionavam todos os colunistas e comentaristas da grande mídia, sem qualquer exceção de relevo. Paulo Moreira Leite, colunista da Época, em seu blog hospedado no portal da Globo passou a divergir abertamente da ideologia e das posições políticas dos patrões.

Recentemente, mais dois jornalistas da Globo passaram a divergir da empresa pontualmente, coisa que não faziam em questões nas quais a grande mídia “fechava questão”. Ricardo Noblat e Miriam Leitão se rebelaram, em alguma medida.

Noblat, por exemplo, chegou a reconhecer a inexistência de provas ou indícios contra o governador petista Agnelo Queiroz e a existência de fartura de provas contra o tucano Marconi Perillo no que diz respeito às relações de ambos com Carlinhos Cachoeira. Além disso, tem-se posicionado claramente contra o golpe no Paraguai.

Miriam Leitão, por sua vez, apoia a Comissão da Verdade sem investigação “dos dois lados”, farsa que pretende nivelar os crimes da ditadura à resistência a ela. E também condenou o golpe no país vizinho, ainda que tenha estragado tudo comparando a situação do Paraguai à da Venezuela, onde a democracia funciona de forma impecável no que diz respeito à vontade eleitoral do povo.

Já na Folha de S.Paulo, Jânio de Freitas, que era o único a divergir de verdade da linha editorial e com frequência menos pífia, vem aumentando o próprio tom em um coro de divergentes do qual, talvez, tenha sido pioneiro. Também reconheceu a farsa contra Agnelo e foi peremptório ao condenar o golpe no Paraguai, no que teve a companhia de Clóvis Rossi.

Nessa questão do golpe paraguaio, aliás, contabilizam-se as maiores divergências com os editoriais dos jornalões que se viram nos últimos anos. Folha de S.Paulo, O Globo, Estadão e Veja cerraram fileiras em torno dos golpistas, mas um contingente menos pífio de seus colunistas desmontou os editoriais dos patrões nesse sentido.

O que aconteceu com esses colunistas? Por que decidiram fazer um pouco de jornalismo? Pela primeira vez, em muito tempo, vejo divergência de alguma expressão na grande mídia.

Claro que, em questões como o golpe no Paraguai ou a “culpa” forjada de Agnelo Queiroz, a posição oficial dos grandes meios é avassaladora. Os “editoriais” pró-golpe de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo, por exemplo, esmagam os textos discretos dos colunistas supracitados, QUASE sempre publicados SÓ em seus blogs.

Todavia, nunca antes na história deste país se viu tamanha divergência no PIG…

Esse fenômeno, com certeza, é uma vitória da blogosfera e das redes sociais. Não era mais possível que esses grandes veículos não oferecessem nada a quem pensa e tem algum conhecimento de política. As opiniões de Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo e outros animadores da plateia reacionária estão deixando de ser exclusividade.

Análises de melhor qualidade sobre a escandalosa deposição do presidente do Paraguai como as que vêm fazendo Clóvis Rossi, Miriam Leitão, Janio de Freitas, Paulo Moreira Leite e Ricardo Noblat sugerem que esses jornalistas ainda nutrem aspirações quanto à própria imagem entre as pessoas de melhor nível intelectual. Mas será isso mesmo?

Já um Arnaldo Jabor, um Reinaldo Azevedo, um Augusto Nunes ou um Elio Gaspari abdicaram há muito tempo do jornalismo. Só isso explica as teses espantosas que formularam sobre um processo que jogou no lixo os votos de um presidente legitimamente eleito, com grande apoio popular em seu país e não menos apoio formal da comunidade internacional.

Nesse aspecto, chegam a ser incríveis os editoriais dos maiores jornais do País. Isso e o espaço que a Globo deu a um palhaço de circo como Arnaldo Jabor para ficar insultando os presidentes dos países com os quais o Brasil mantém intensas relações institucionais e de amizade, mas, claro, sem conseguir explicar o rito sumário que expurgou Lugo em horas.

Todavia, o fato é que não confio nessa repentina conversão desses colunistas ao bom jornalismo. Basta ver o que disse Miriam Leitão, que haveria alguma contradição entre o Mercosul suspender o Paraguai e aceitar a Venezuela como sócio pleno do organismo. Ela dá uma no cravo e outra na ferradura.

Qual foi a ruptura institucional que a Venezuela promoveu? Chavez está no poder pela vontade do povo. Todas as eleições foram auditadas pela ONU, pela OEA e por centenas de observadores internacionais. E é mentira que não se pode criticar o governo. Para comprovar, basta ir até lá e comprar um jornal ou ver tevê.

A Globovisión, entre outras tevês, continua fustigando abertamente Hugo Chavez. Seu adversário nas próximas eleições tem todo espaço na mídia e apoio financeiro de que precisa. Quem praticou ruptura institucional na Venezuela – ou tentou praticar – foi a oposição a Chavez, não ele. Acusam Chavez de manter o povo ao seu lado.

Não existe uma só notícia de constrangimento da candidatura de oposição venezuelana. Usam a recusa dessa oposição de participar das eleições, há alguns anos, para acusar de despotismo um governo que adquiriu maioria avassaladora, naquele pleito, porque seus adversários se suicidaram eleitoralmente. E por vontade própria. Daí Chavez aprovou o que quis, claro.

Ao comparar a situação paraguaia à venezuelana, portanto, Miriam Leitão mostra que há algo errado em sua conversão e de seus pares ao jornalismo. Parece que a grande imprensa sentiu as críticas de que praticamente não se via divergência em suas páginas e, assim, escalou alguns empregados para divergir.

Até a ombudsman da Folha diz que site precisa melhorar para cobrar pelo conteúdo

28 de junho de 2012

Via Comunique-se

Desde quinta-feira, dia 21, a Folha de S.Paulo cobra pelo acesso ao conteúdo on-line. Chamado de paywall (muro de pagamento poroso, em português), o modelo importado do New York Times foi comentado pela ombudsman do jornal, Suzana Singer. De acordo com ela, o site “precisa melhorar o noticiário para convencer os internautas” a pagarem pelo acesso.

Para a jornalista, a Folha.com precisa oferecer conteúdo de qualidade superior aos outros sites. “Para ler pequenos informes sobre o que aconteceu nas últimas horas, em textos mal-ajambrados ou para saber das fofocas mais recentes sobre celebridades do “mundo B”, ninguém precisa gastar um centavo, há uma oferta enorme de sites e blogs gratuitos na rede”, explicou em sua coluna. Ela considera que, neste momento, o grande desafio é mostrar que um noticiário bem feito “custa caro, mas que vale a pena financiá-lo”.

Segundo a matéria divulgada pelo jornal na semana passada, o modelo deixa o visitante livre para ler, gratuitamente, até 20 textos por mês. Caso o internauta queira ler mais, será solicitado um “breve” cadastro e, assim, ele poderá ler mais 20 reportagens. Se esta cota exceder, o usuário precisará pagar para ler mais notícias. A novidade traz neste início um valor promocional de R$1,90 pela assinatura. A partir do segundo mês, o preço passa a ser de R$29,90.

O impresso ressalta que o sistema é flexível. Neste modelo, o acesso a algumas partes do site não será contado – como, por exemplo, os cliques na capa e em páginas do projeto Transparência (conjunto de iniciativas do jornal para trazer a público documentos que estão sob a guarda do Estado).

Suzana afirma que, provavelmente, “a expressiva maioria dos visitantes do site da Folha nem vai dar com a cara no ‘muro de cobrança’, porque consome pouquíssima notícia”.


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