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Cristina Kirchner tenta a volta por cima

3 de dezembro de 2013
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A presidente com Jorge Capitanich: uma alternativa à oposição conservadora?

Ao regressar à Casa Rosada, presidente argentina muda ministério, ensaia governo mais à esquerda e tenta fazer seu sucessor.

Eric Nepomuceno, em Carta Maior

Foram muitos dias longe e fora da luz dos holofotes. Pouco mais de quarenta. Mas quando chegou a hora de voltar, Cristina Kirchner resolveu mostrar que voltou com tudo.

Antes dessa ausência, aconteceram duas coisas. Primeiro, a derrota inegável nas eleições legislativas de outubro.

E segundo, uma operação na cabeça, para sumir com um edema cerebral, cuja causa permanece nas brumas da fase anterior – aquela em que não se dizia nada, em que todos no governo eram uma rara mescla de prepotência e autossuficiência.

Da operação cerebral e suas causas, só Cristina, seus médicos e os íntimos mais íntimos saberão dizer. Da derrota nas urnas, restam claras ao menos duas coisas.

Primeiro: a aprovação popular da presidenta argentina anda bem abaixo, ou andou, do que ela esperava. Embora seus candidatos a renovar mandatos de deputado e senador tenham obtido, no total, a maioria das vagas, é fato que cerca de 70% do eleitorado preferiu espalhar seus votos na oposição. E ela sofreu uma contundente derrota na província de Buenos Aires, que reúne 40% do eleitorado nacional.

Segundo: ficaram definitivamente sepultadas as possibilidades de que ela se lance como candidata a um terceiro mandato presidencial. Com isso, se aprofundou uma incógnita que já se desenhava, claramente, no horizonte imediato: quem seria escolhido para sucedê-la e levar adiante um processo iniciado há dez anos, quando seu falecido marido, Néstor Kirchner, se elegeu presidente?

Se do lado do governo o panorama é confuso e complexo, resta um tênue consolo: a oposição, lá, bem se parece com a de cá. Não há nenhuma figura de peso, nenhuma proposta concreta e viável de alternativa para o modelo vigente. No balaio de gatos que é o sistema partidário argentino, com um sem fim de sublegendas, apenas dois ou três têm presença e peso em escala nacional. E tirando a sublegenda Frente para a Vitória, que responde diretamente ao kirchnerismo dentro do Partido Justicialista (nome oficial do peronismo), nem os socialistas e menos ainda a União Cívica Radical mostraram desempenho convincente nas últimas eleições. O resto são grupos, agrupações, legendas e sublegendas de alcance apenas local e, na melhor das hipóteses, regional. Dito assim, pareceria que o cenário para que Cristina Kirchner controle a própria sucessão e assegure a manutenção, ainda que parcial, de seu projeto político.

A realidade, porém, é outra. Seu governo enfrenta um desgaste marcante e o próprio processo kirchnerista, depois de dez anos, dá claras mostras da necessidade de uma série de ajustes e correções. A resposta das urnas, nas recentes eleições parlamentares, serviu de confirmação desse mal-estar. O próprio estilo pessoal da presidente, pouco dada ao diálogo e à negociação, propensa a uma formidável centralização de decisões – inclusive as mais corriqueiras – contribuiu, e muito, para esse mal estar visível.

Pois agora, na sua volta após a licença médica, a presidente surpreendeu. Primeiro, assumiu a realidade: retirou seu inócuo ministro da Fazenda, Hernán Lorenzini, e pôs em seu lugar Axel Kicillof, que ocupava uma secretaria nacional mas era quem, de fato, ditava as regras do jogo. Nomeou, para a chefia de Gabinete – que corresponde à nossa Casa Civil – o governador da província do Chaco, Jorge Capitanich. E afastou o todo-poderoso secretário de Comercio Interior, o polêmico Guillermo Moreno, que também funcionava como uma espécie de ministro-paralelo da Fazenda. Houve outras mudanças, da presidência do Banco Central ao ministério da Agricultura, mas essas três – a saída de Moreno e muito especialmente a chegada de Capitanich e Kicillof – dão a medida da extensão do que está acontecendo.

Kicillof é uma espécie de pequeno gênio da economia. Defendeu o seu doutorado com as notas mais altas da história da Universidade de Buenos Aires. De esquerda declaradamente, é da linha keynesiana. Capitanich é jovem, absolutamente leal a Cristina (como antes foi a Nestor) Kirchner, tem fama de trabalhador. Também de esquerda, é considerado mais pragmático que Kicillof. Nas mãos da dupla se concentra, a partir de agora, não apenas o poder maior (além, claro, de Cristina, que continua soberana), mas também a condução da máquina do cotidiano governamental.

Se Kicillof assusta o empresariado e os ruralistas, Capitanich serve como paliativo. Já anunciou que vai conversar com todo mundo, a começar pela oposição (Cristina, a bem da verdade, não conversa nem com os aliados).

Um dos primeiros desafios da dupla é encontrar meios eficazes para controlar a espiral inflacionária, que já atingiu a casa dos 25% anuais e não para de pressionar. Guillermo Moreno, o defenestrado, foi-se embora levando na bagagem de pecados o de ter manipulado os índices oficiais de inflação. Outro é recompor as reservas em divisas, que despencam com velocidade assombrosa. É bem verdade que parte desse desmoronamento se deve ao fato de o país ter honrado seus compromissos com credores internacionais. Mas, seja como for, dos 48 bilhões de dólares que existiam em fevereiro de 2010 restam pouco mais de 33 bilhões.

A tarefa que os dois têm pela frente é qualquer coisa menos fácil. Mas, ao menos para Capitanich, o prêmio em caso de êxito é formidável: tornar-se o favorito de Cristina para a sucessão. Ganha a projeção nacional que não tinha, e se mostra como gestor altamente capacitado. Se der errado, nada muda: afinal, o quadro já não era nada bom.

Emir Sader: Todos contra Cristina Kirchner

25 de outubro de 2013
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Assim como Dilma, Cristina tem contra si a ira da direita de seu país.

A oposição canta loas ao que ambiciona que seja o fim do ciclo kirchnerista. Os próximos dois anos vão dizer que futuro espera a Argentina.

Emir Sader em seu blog

As comparações políticas entre o Brasil e a Argentina mostram traços comuns: Peron e Getulio, Frondizi e JK, as ditaduras militares, Alfonsin e Sarney, Menem e FHC, Nestor Kirchner e Lula, Cristina e Dilma.

Diante dos governos pós-neoliberais dos dois países, os traços comuns se reiteram. Oposições sem líder, nem plataforma, dirigidas pela mídia oligárquica.

As eleições deste ano e de 2015 na Argentina e as eleições de 2014 no Brasil repetem fenômenos comuns. Todos contra a Dilma, representa a congregação de setores opositores de origens distintos, na oposição às duas presidentas. Direita tradicional, centro e ultra esquerda se associam na empreitada de tentar derrotar os governos.

Nas eleições parlamentares desta semana na Argentina, a configuração partidária assume ares dramáticos. Mesmo como principal partido do país, a Frente para a Vitória, de Cristina Kirchner, não conseguirá os 2/3 no Parlamento, para uma consulta popular que pudesse permitir a reforma da Constituição, que pudesse permitir um terceiro mandato para Cristina. Seu partido teve menos de 30% dos votos (26%) nas prévias de agosto, pode aumentar esse percentual, mas não tem alianças com outras forças, para pretender somar votos de forma significativa.

A heterogeneidade do peronismo faz com que, mesmo no bloco governamental, exista setores, especialmente governadores de província, de direita. Além de um bloco diretamente opositor que também assume o peronismo, o mais sério contendente para Cristina.

A ausência de um nome forte dentro do governo ou próxima a Cristina, fez com que ela reatasse laços com Scioli, o muito moderado governador de Buenos Aires – onde dispõem de grande apoio – como provável candidato à sucessão de Cristina. Scioli foi vice-presidente de Nestor Kirchner, depois se distanciou do governo, com posições bastante moderadas, de centro, incluindo política muito dura de segurança pública.

Ele parecia querer ser um candidato moderado da oposição, mas conforme esse campo foi sendo ocupado – agora por Massa, que congrega o peronismo opositor e eventualmente outras forças contra a Cristina –, mas se dando conta que Cristina não pode aspirar a um terceiro mandato e que o governo fica fragilizado nessas condições, se reaproximou de Cristina, como que oferendo seu nome como candidato. Cristina, por sua vez, isolada – sem partidos com que aliar-se – e com apoio decrescente na opinião pública, se reaproximou de Scioli, que aparece como um candidato que teria possibilidades de que Cristina não fosse frontalmente derrotada. Teria que conviver com um político bastante mais moderado que seu governo, mas no qual poderia ter gente ligada a ela, não se configurando como uma derrota total.

A oposição encontra em Massa, jovem prefeito da região de Buenos Aires, o candidato de arraigo popular que pode unificá-la. Ele também foi membro do governo, do qual se distanciou a poucos anos por divergências e agora surge como um opositor que afirma que manterá aspectos do governo da Cristina, mas prometendo o que a direita quer ouvir: menos estatismo, sem pressão sobre a mídia oligárquica, combate à inflação etc. etc.

O governo de Cristina enfrenta problemas – entre eles alta inflação, falta de créditos externos, elevado déficit público, entre outros – e oposições simultâneas, dos partidos opositores (de direita e de ultra esquerda), dos bancos internacionais e da mídia interna e externa. Terá dois anos até a eleição presidencial, porem com alternativas estreitas como candidatos e como possibilidade de superação dos problemas.

No plano interno, além da direita tradicional, tem oposições do peronismo conservador e da ultra esquerda. Grupos trotskistas, que tiveram que se unir pela legislação eleitoral numa Frente de Esquerda, podem eleger alguns parlamentares, o que não acontecia há muito tempo. Pino Solanas, o diretor de cinema de origem peronista, que chegou a congregar muitas forças de esquerda, de tanto diabolizar os Kirchner, terminou aliando-se a setores de direita para combatê-los, fenômeno similar ao que ocorre na Bolívia e no Equador. Se descaracterizou como alternativa de esquerda, perdeu apoios, mas pode sobreviver politicamente, agora com aliança com políticos de direita, contra os Kirchner.

As diferenças em relação ao Brasil se dão no maior isolamento de Cristina, que não dispõe do arco de alianças que o governo da Dilma tem, assim como em situação econômica menor problemática no Brasil – inflação, contas públicas – e no plano do isolamento internacional. Nos últimos anos, tendo origem na inflação, houve um distanciamento da principal central sindical peronista do governo, que terminou levando à ruptura e ao enfraquecimento no apoio popular da Cristina. Um setor dessa central, assim como da central mais à esquerda – ela também dividida – segue apoiando o governo.

A oposição canta loas ao que ambiciona que seja o “fim do ciclo kirchnerista”. Os próximos dois anos vão dizer que futuro espera a Argentina, depois de uma década de recuperação da pior crise econômica, social e política que o pais já viveu, como consequência da implosão da política da paridade monetária do Menem, que arrebentou no colo do radical Fernando de la Rua. Os governos Kirchner foram os responsáveis pela inquestionável recuperação do país, até que chegam agora a uma situação crítica ou limite, como se verá nas eleições de domingo e nos dois anos seguintes.

Cristina Kirchner recebe alta e inicia repouso por um mês

14 de outubro de 2013

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Dezenas de simpatizantes esperavam a governante nas portas do hospital com cantos e aplausos.

Via Agência Brasil

A presidente argentina, Cristina Kirchner, deixou no domingo, dia 13, o hospital Fundação Favaloro de Buenos Aires, onde passou por uma intervenção cirúrgica para tratar um hematoma cerebral.

A dirigente deve continuar em recuperação na residência oficial de Olivos. O boletim divulgado pela equipe médica informa que ela fará “repouso estrito” durante 30 dias, e não poderá viajar de avião até fazer novos exames. Os pontos na cabeça serão retirados daqui a cinco dias.

Dezenas de simpatizantes esperavam a governante nas portas do hospital com cantos e aplausos. Muitos deles estiveram acompanhando o estado de saúde de Cristina no centro médico desde a segunda-feira, dia 07. Cristina Kirchner sofreu um traumatismo craniano, em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas.

O porta-voz presidencial, Alfredo Scoccimarro, informou que a presidência cumprimentava a todos e lhes agradecia por suas orações.

Força presidenta: Cristina Kirchner passa bem após cirurgia

8 de outubro de 2013

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Monica Yanakiew, via Agência Brasil

A operação da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, foi bem-sucedida. Ela passou por uma cirurgia no Hospital Universitário para tratar um hematoma subdural, que é o acúmulo de sangue na cabeça. O primeiro boletim médico informa que houve drenagem de sangue entre a meninge e o crânio. O coágulo foi formado depois de uma batida na cabeça no dia 12 de agosto.

Os médicos dizem que foi afastado risco cardiovascular. Ela foi submetida também a exames de coração, porque foi internada na segunda-feira, após sentir formigamento no braço esquerdo.

O neurocirurgião José Maria Otero, do Hospital Alemão, disse, em entrevista à Agência Brasil, que a presidenta não deverá sofrer problemas na fala. “Foi uma sorte que o hematoma tenha sido do lado direito. Se fosse à esquerda poderia provocar dificuldade, porque é a área esquerda do cérebro que controla a fala”, informou o médico.

Cristina Kirchner ficará entre 24 e 48 horas na unidade de tratamento intensivo e, em seguida, permanecerá em repouso por, pelo menos, um mês.

WikiLeaks: Papa Chico 1º e os Kirchner

16 de março de 2013

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Telegramas da embaixada americana em Buenos Aires mostram a influência do novo papa na política argentina e sua ligação com a oposição.

Marcus V. F. Lacerda, via Agência Pública

Despachos oriundos da embaixada de Buenos Aires, vazados pelo WikiLeaks, revelam que o novo papa da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio, era um nome bastante citado pela oposição argentina em conversas com diplomatas americanos.

Embora não haja nenhuma conversa direta entre o líder religioso e os diplomatas dos Estados Unidos, os oito cables que citam o cardeal no período de 2006 a 2010 mostram que a oposição do país vizinho, assim como os americanos, via nele um agente político poderoso contra os Kirchner.

O atual papa Francisco 1º é citado em um documento do final de outubro de 2006 que trata do revés político sofrido pelo aliado de Nestor Kirchner, então presidente, na província de Missiones, no nordeste do país. Carlos Rovira tentara um plebiscito para alterar a constituição da província e tornar possível sua própria reeleição por indefinidas vezes. Mas foi batido pela oposição liderada pelo bispo emérito de Puerto Iguazú, Monsignor Piña.

“O cardeal Jorge Mario Bergoglio, líder da Arquidiocese Católica de Buenos Aires, ofereceu seu apoio pessoal aos esforços de Piña, mas também desencorajou qualquer envolvimento oficial da Igreja em política”, relata o documento. O engajamento de outros religiosos na política é descrito neste mesmo telegrama. “A lista de candidatos da oposição era constituída principalmente de líderes religiosos, incluindo ministros católicos e protestantes, que eram amplamente vistos como líderes morais livres de qualquer bagagem política”, apontaram os diplomatas.

E se Bergoglio descartava o envolvimento “oficial” da Igreja, outros documentos revelam que ele não se mantinha longe da política. Em um documento de maio de 2007, a relação entre a Igreja Católica e o governo Nestor Kirchner é descrita como “tensa”: “Bergoglio recentemente falou de sua preocupação com a concentração de poder de Kirchner e o enfraquecimento das instituições democráticas na Argentina”. Além disso, reportam os documentos, Bergoglio agia fortemente nos bastidores, provocando a irritação dos partidários de Kirchner. “O prefeito de Buenos Aires, Jorge Telerman, e sua parceira de coalizão e candidata a presidência, Elisa Carrio, supostamente encontraram-se com Bergoglio em abril, e a inclusão do líder muçulmano Omar Abud na lista de candidatos ao legislativo de Telerman foi supostamente ideia de Bergoglio”, reportaram os diplomatas. O religioso também era muito próximo de Gabriela Michetti, então ex-vice prefeita de Buenos Aires e atualmente deputada federal da oposição, segundo outro telegrama, de 26 de janeiro de 2010.

A relação desgastada entre a Casa Rosada e a Arquidiocese de Buenos Aires chegou ao rompimento entre as duas instituições. Os laços institucionais entre a presidência argentina e o cardeal só seriam retomados por Cristina Kirchner em 2008, quando ela se encontrou com Bergoglio, segundo telegrama de abril daquele ano. Dias depois, os americanos especulam sobre a possibilidade do Cardeal negar-se a celebrar a missa de 25 de maio – data nacional na Argentina – em decorrência da mudança das festividades de Buenos Aires para Salta.

Um líder manchado pela relação com a ditadura

Outro telegrama que cita Bergoglio, de outubro de 2007, narra a condenação de Christian Von Wernich, padre e ex-capelão da polícia de Buenos Aires durante a ditadura na Argentina. Wernich foi considerado cúmplice em sete assassinatos, 31 casos de tortura e 42 sequestros.

Após o veredito, a arquidiocese de Buenos Aires publicou uma nota em que convocava o sacerdote a se arrepender e pedir perdão em público. “A Arquidiocese disse que a Igreja Católica Argentina estava transtornada pela dor causada pela participação de um dos seus padres nestes crimes graves”, relata o despacho.

Para os americanos, este evento acabaria impactando na imagem de Bergoglio. “Entretanto, numa época em que alguns observadores consideram o primaz católico romano Cardeal Bergoglio ser um líder da oposição à administração Kirchner por conta de seus comentários sobre questões sociais”, comenta o documento, “o caso Von Wernich pode ter o efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral ou capacidade da Igreja (e, por conseguinte, do Cardeal Bergoglio) de comentar questões politicais, sociais ou econômicas”.

Leia também:

O papa Chico 1º e a ditadura argentina – 1

O papa Chico 1º e a ditadura argentina – 2

O papa Chico 1º e a ditadura argentina – 3

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Fuja para as montanhas: Até o Obama acha que a mídia é golpista

2 de fevereiro de 2013
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Presidentes dos EUA, Barack Obama; da Argentina, Cristina Kirchner; e ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula, Cristina e… Obama criticam papel da imprensa.

Vanessa Silva, via Vermelho

Nesta semana, líderes criticaram a imprensa e seu papel político. Em Havana, Cuba, o ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que os meios de comunicação garantem a manutenção do status quo. O mandatário dos EUA, Barack Obama, declarou que a mídia “modela os debates”. Já a presidenta argentina, Cristina Kirchner, denunciou que a imprensa “utiliza a dor das pessoas para desgastar governos”.

Discursando no encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, realizada em Cuba em homenagem ao 160º aniversário de nascimento do herói independentista, José Martí, Lula defendeu ser necessária uma “revolução na comunicação” no continente.

Para ele, o tratamento midiático dispensado à esquerda, e principalmente aos líderes boliviano, Evo Morales, e venezuelano, Hugo Chavez, deve-se à “ira” pelo sucesso das políticas socioeconômicas: “Não é que a imprensa não simpatize com Chavez porque se diz socialista e usa camiseta vermelha, não simpatiza porque ele promove políticas de inclusão.”

Obama

A visão de que a imprensa pauta de maneira desigual o debate político é compartilhada também pelo presidente Barack Obama que, em entrevista concedida à revista New Republic, afirmou: “Um dos maiores problemas que temos na maneira como as pessoas retratam Washington é que os jornalistas valorizam a aparência de imparcialidade e objetividade e isso é uma praga tanto para republicanos, como democratas. Em quase todas as questões, agem como se democratas e republicanos não pudessem concordar – ao invés de questionar por que é que eles não podem concordar. Quem exatamente está nos impedindo de concordar?”, questiona.

Sobre a questão, o presidente afirma ainda que “se um membro republicano do Congresso não for punido na Fox News ou por Rush Limbaugh [um comentarista conservador] por trabalhar com um democrata em um projeto de lei de interesse comum, então você poderá ver mais deles fazendo isso”.

Cristina

A presidenta argentina – que trava uma batalha contra o conglomerado midiático do grupo Clarín para implantar a Ley de Medios que impede o monopólio de mídia no país – aproveitou as declarações de Obama para reforçar, na quarta-feira, dia 30, em seu Twitter, sua posição.

Ela questiona o lugar ocupado pelos grupos midiáticos que utilizam a “dor do próximo como estratégia política comunicacional para desgastar governos”. E ressaltou que, sob a pretensa defesa da liberdade de expressão, a imprensa nunca pode ser questionada ou criticada: “Se um veículo de comunicação e um jornalista são questionados [na Argentina]: ‘Perigo para a liberdade de imprensa’ seria a manchete do Clarín”.


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