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Médicos da Venezuela e de Cuba estão entre os primeiros no Revalida

15 de julho de 2013

Cuba_Venezuela02Resultado do último Revalida, o exame para a seleção de médicos para exercer a medicina no Brasil: Venezuela em 1º lugar, Cuba em 2º, Brasil em 6º. Nenhum norte-americano conseguiu ser aprovado.

Paulo Jonas de Lima Piva, via O Pensador da Aldeia

A informação abaixo é para os preconceituosos, reacionários e para todos aqueles que reproduzem passivamente as opiniões prontas, fast-food, de Veja, Folha de S.Paulo, CBN e Jornal da Cultura. Diz respeito à vinda de médicos estrangeiros, em particular de médicos cubanos, ao Brasil, onde, na medicina, impera a ideologia elitista e liberal. A notícia foi publicada no portal G1 de sexta-feira, dia 12, que fez questão de minimizar a aprovação dos cubanos e a péssima avaliação dos brasileiros.

Entenda o Revalida

O Revalida é um exame nacional criado pelo Ministério de Educação, que representa a porta de entrada tanto para estrangeiros quanto brasileiros que se formaram no exterior exercerem a medicina no Brasil. Ele é uma exigência para que o diploma seja válido no País.

Pelo exame, enquanto o médico não for aprovado e não obtiver a revalidação do diploma pelas instituições do ensino público, ele fica impedido de atuar no País. Se um médico for reprovado no Revalida, ele pode se inscrever para fazer o exame do ano seguinte.

Medicos19_Revalida

Revalida, exame para médicos de fora, será aplicado a alunos do Brasil

Portal G1

[…]

Em 2012, 884 pessoas de várias partes do mundo se inscreveram para o Revalida, e apenas 77 (menos de 9%) conseguiram a aprovação no exame.

O Brasil respondeu pela grande maioria dos inscritos (560), mas apenas 7% dos candidatos foram aprovados. O País ficou na sexta colocação no ranking de índices de aprovação. Os países que obtiveram o maior êxito neste quesito foram Venezuela (27%) e Cuba (25%), apesar de o número absoluto de inscritos ter sido pequeno. Nenhum candidato com nacionalidade de países da Ásia, África ou América do Norte conseguiu passar na prova do MEC.

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Cremesp paga táxi e hora extra para funcionários irem a ato de médicos na Paulista

4 de julho de 2013

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O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) pagou táxi, dispensou seus funcionários mais cedo e ainda se dispôs a remunerar com hora extra quem participasse do protesto de quarta-feira, dia 3, na Avenida Paulista, contra a contratação de médicos estrangeiros.

Via Blog do Saraiva

Fábio Gomes, gerente operacional do Cremesp, enviou o seguinte e-mail, na tarde de ontem [3/7], para a lista de funcionários da entidade:

Senhores chefes, gerentes e funcionários,

Em virtude da mobilização geral dos médicos agendada para hoje (dia 3 de julho), às 16h00, na Associação Médica Brasileira (Rua São Carlos do Pinhal, 324), convocamos os funcionários interessados em ajudar na realização desta atividade extraordinária.

Os interessados deverão procurar os funcionários da Seção de Eventos que estão alocados em frente da Sede da AMB até as 16h00. Será concedida a utilização de boletos de táxi até a AMB.

Trajeto: O ponto de encontro será na Associação Médica Brasileira (Rua São Carlos do Pinhal, 324), de onde a passeata sairá, às 16h, rumo ao gabinete de representação da presidência da República, na Avenida Paulista, 2.163 (esquina com rua Augusta; prédio do Banco do Brasil).

Solicitamos às chefias que dispensem os funcionários interessados em participar desta atividade extraordinária, bem como para disponibilizar boletos de táxi aos funcionários participantes.

As papeletas de horas extraordinárias pela participação deste evento deverão ser encaminhadas à Seção de Eventos.

Ou seja, a entidade pagou táxi, dispensou seus funcionários mais cedo e ainda se dispôs a remunerar com hora extra quem participasse da atividade. Fábio Gomes diz textualmente no comunicado da convocação que “as papeletas de horas extraordinárias pela participação deste evento deverão ser encaminhadas à Seção de Eventos”.

Muitos dos que participaram do evento carregando cartazes, xingando Lula e Dilma e os médicos cubanos na noite de ontem na Avenida Paulista não eram nem médicos e nem médicas. Mas funcionários das entidades representativas do setor. Você pode ter visto na Avenida Paulista escriturários, telefonistas, secretárias, administradores, motoristas usando jalecos brancos e/ou carregando cartazes.

O blog procurou a assessoria de imprensa do Cremesp questionando se a entidade incentivou de alguma forma o ato dos médicos na noite de ontem. A assessora informou que, por decisão em assembleia, o Cremesp apoiou a manifestação. Indagada se isso significava que funcionários da entidade foram liberados e receberam horas extras para participar do ato, a assessora disse que não tinha essa informação.

A atitude do Cremesp pode não ser ilegal, mas no mínimo é bastante questionável.

Vale registrar que a Rede Globo realizou ontem uma empolgada cobertura do evento. Não falou que a manifestação ao parar a Paulista afetou o atendimento nos hospitais da região e nem que atrapalhou a circulação de ambulâncias. E mais do que isso, no Jornal da Globo os cartazes atacando Lula e Dilma foram a estrela da reportagem e ainda se registrou que havia 5 mil médicos na manifestação. Estive na Paulista e vi o ato. Com muita generosidade, não havia 2 mil pessoas ali. E agora, como se sabe, boa parte não era nem médico e nem estudante de medicina.

O debate sobre a saúde no Brasil não pode ser exclusivo de uma única categoria. Há muitos problemas no setor, mas um deles é sim a forma como boa parte da classe médica brasileira se acostumou a atender apenas em áreas centrais. Além disso, é preciso moralizar o setor. Muitos administradores dizem que têm que fazer vistas grossas para o uso de artimanhas por médicos que são contratados para prestar uma quantidade de horas de serviço e não cumprem nem 1/3 do combinado. Os que tentam enfrentar esses esquemas, são chantageados exatamente porque faltam médicos no Brasil.

Criar novas universidades nesta área é a melhor solução, mas demanda tempo. E as pessoas que estão doentes hoje não podem esperar. Por isso, abrir o país para receber mais profissionais desse segmento é uma iniciativa razoável. Outra, seria criar cursos de especialização para outros profissionais de saúde brasileiros em clínica geral. Exatamente o oposto do que os médicos querem. Eles defendem o Ato Médico, que impede até que um paciente tome uma vacina de uma campanha do governo se não passar antes por um médico. E que limitará a ação, por exemplo, de psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas, entre outros profissionais da saúde. O Ato Médico acaba de ser aprovado por pressão dos médicos no Congresso por pressão dos médicos.

Não faz muito tempo, um esquema de uso de dedos de silicone foi utilizado por médicos de Ferraz de Vasconcelos para garantir a presença de médicos ausentes. O “incentivo” que o Cremesp deu aos seus funcionários para serem médicos por uma noite na Paulista é diferente do dedo de silicone. Mas ao mesmo tempo é a mesma coisa. É falsificar a verdade de uma manifestação.

PS: Após a publicação desta nota recebi a seguinte informação de um jornalista pelo Facebook: “Trabalhei na Associação Paulista de Medicina, recebíamos boletos de táxi e dinheiro para comer. Além disso, eram contratados figurantes para dar número. E a proporção era bizarra, apenas uns 30% de médicos, chutando alto.”

Assista abaixo o vídeo da Record com a denúncia do uso de dedos de silicone.

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Cara do cinismo: a pseudomédica tripudia do acidente de Lula.

A médica bonitinha, mas ordinária

Via 007BondeBlog

O fato de estar de jaleco não quer dizer que a moça da foto seja uma médica. Ainda que ela possa ser formada por uma escola de medicina, isso não faz dela necessariamente uma médica. Tem muita gente por aí com um diploma de medicina, um estetoscópio pendurado no pescoço e uma carteirinha de conselho no bolso, com conhecimento técnico e atendendo, que nunca será de verdade, na acepção da palavra, um médico ou médica, pois, para isso, é preciso ter respeito e se dar ao respeito, por uma coisa chamada “gente”, ser humano.

Tripudiar de uma sequela física decorrente de um trauma, com todas as implicações que daí decorrem, não é coisa de quem se diz profissional de saúde. Acima das paixões e dos ódios, das correntes ideológicas ou preferências político-partidárias, estão, exceto para os que não tem ética, decoro e educação, o respeito e a preservação do ser humano.

Antes de ser o político e ex-presidente, que pode ser criticado por qualquer um (a), Lula é uma pessoa que tem o direito de ser respeitado.

Se de fato essa moça da foto é uma médica, ela envergonha a classe, aliás, ela envergonha qualquer classe a que pertença.

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Essa, se for médica, não fez o juramento de Hipócrates, mas ao hipócrita.

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O Cremesp e os médicos cubanos

11 de maio de 2013
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Cuba exporta médicos, enquanto outros exportam não soldados.

Depois de o governo federal anunciar que pretende trazer 6 mil médicos cubanos e de outros países para trabalhar em regiões carentes do Brasil, o debate sobre o tema ficou acirrado. Os conselhos regionais de medicina e outras entidades do setor se revoltaram com a notícia. O ministro da Saúde Alexandre Padilha afirmou que todos os médicos estrangeiros passarão por uma avaliação. Porém, reparem o que acontece no Exame do Cremesp. O conselho paulista é o único no País que faz esse tipo de prova, mas só com essa amostra já é possível ter noção da realidade brasileira.

Dica de Marcus V. Simioni

“Na 8ª edição do Exame do Cremesp – e primeira vez em que a participação na prova é obrigatória para a obtenção do registro profissional –, 54,5% dos 2.411 recém-formados em Medicina no Estado de São Paulo foram considerados reprovados. Eles acertaram menos que 60% das 120 questões propostas, ou seja, abaixo de 71 respostas corretas. O exame, realizado no dia 11 de novembro [de 2012], contou com a presença de 2.525 egressos das 28 escolas médicas paulistas que funcionam há mais de seis anos. Desses, 114 tiveram suas provas invalidadas. Os resultados foram divulgados durante coletiva de imprensa, em 6 de dezembro [de 2012].

No total, 2.943 recém-formados se inscreveram no Exame do Cremesp. Desses, 71 (2,5%) não compareceram e apresentaram justificativa posteriormente. Dos 2.872 presentes, 119 (4,2%) tiveram suas provas invalidadas (114 de São Paulo e cinco de outros estados) – sendo que 86 boicotaram o exame, assinalando letra “b” em todas as questões, e 33 apresentaram provas com outros padrões de respostas inconsistentes.

Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho, declarou que 80% dos boicotes foram de alunos de escolas públicas.”

O texto acima foi publicado no site do Cremesp.

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Não há nada que pareça indicar que o desempenho dos médicos brasileiros seria muito melhor (como estes defendem) ou que seria sequer igual ao dos médicos revalidados, já que a diferença nas notas de corte arbitradas dentre as provas é brutal.

O Cremesp, único conselho regional que exige exame para quem quer obter um registro, tem reprovação de 54,5% com uma nota de corte arbitrária de 60% de acertos. O Revalida, que tem nota de corte arbitrária de 70% de acertos, tem reprovação de 92%. Embora a diferença seja grande, é totalmente plausível dizer que a diferença entre as reprovações de ambas as provas, de 92% e 54,5%, pode estar nas diferenças das notas de corte, ou seja, é totalmente possível que 37,5% dos candidatos do Cremesp tenham acertado entre 60% e 70% da prova.

No entanto, com os dados disponíveis não é possível dizer se esta afirmação é verdadeira, porque os desvios-padrões das provas não foram divulgados. Ressalta-se, porém, que na prova do Cremesp a média de número de acertos foi baixa, até em disciplinas básicas para a medicina como clínica média (média de 53,1% acertos), saúde pública (46,1%) e saúde mental (41%).


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