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Com invasão da Cracolândia, Alckmin insiste em demonstrar que São Paulo é o túmulo da política

27 de janeiro de 2014

Cracolandia18A_PM

Luis Nassif, via Jornal GGN

São Paulo não merece um governante da pequena estatura de Geraldo Alckmin. Não adianta os detratores do estado argumentarem que ambos se merecem. Definitivamente não se merecem.

São Paulo é a cidade dos movimentos de saúde mental, a cidade que abriga brasileiros e estrangeiros de todos os lugares, a cidade de movimentos e organizações sociais relevantes, de grupos de opinião modernos, o estado que abriga as melhores consultorias, universidades, institutos de pesquisa, as maiores e melhores empresas, a melhor estrutura de cidades médias, as mais amplas estruturas sindicais, da Fiesp-Ciesp, Fecomercio à CUT.

Se o potencial de São Paulo estivesse sob o comando de um Antonio Anastasia, Eduardo Campos, Ciro Gomes, até de um Sérgio Cabral, de um Fernando Haddad, mudar-se-ia o país a partir daqui.

Mas Alckmin pertence a um outro mundo paulista, provinciano, desinformado, atrasado. É filho direto da ignorância e do preconceito. Não se trata apenas de um conservador: seu caso é de ignorância crassa sobre avanços sociais mínimos.

Alckmin não entendeu que o movimento de recuperação da Cracolândia tornou-se suprapartidário; que os gestos de paz trouxeram à tona o melhor do paulistano: a generosidade que abriga brasileiros de todos os lugares, sobrepondo-se ao preconceito ainda existente. O pacto entre prefeitura e governo do Estado enobrecia a ambos.

Ontem, quando se anunciou que ele receberia as lideranças do Movimento dos Sem Teto, julgou-se que uma réstia de informação havia penetrado em sua couraça. Poderia emergir dali um novo perfil de governante, aquele que finalmente acordou para os novos tempos.

Ledo engano

A ação irresponsável de Alckmin não atingiu apenas o prefeito Fernando Haddad. Foi um tiro no estômago dos que ainda apostam que São Paulo é humano.

Alckmin insiste em comprovar que aqui é o túmulo da política.

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25 de janeiro de 2014

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Lido no Só que não

Nota sobre operação na Cracolândia

De Secretaria Executiva de Comunicação

A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil.

A Prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A “Operação de Braços Abertos” é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força.

Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao governo do Estado.

Secretaria de Comunicação

Prefeitura de São Paulo

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Denarc tenta recriar a Cracolândia

A hora de Alckmin enquadrar o Denarc

Luis Nassif, lido no Só que não

Na gestão Kassab, a Secretaria da Saúde do município tentou um trabalho de convencimento da população da Cracolândia, para aderir a tratamentos. Foi atropelada pela ação da Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico). Essa interferência foi fundamental para o fracasso posterior das duas operações Cracolândia do governo Alckmin.

Agora, entram de novo em ação, visando boicotar a Operação Cracolândia. Não querem perder a primazia sobre um setor aberto a toda forma de exploração.

É um exemplo acabado da crise das instituições de segurança de São Paulo, especialmente da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Ou Alckmin mostra um mínimo de discernimento e comando, e enquadra esses subversivos, ou não haverá Secretário de Segurança com autoridade para enquadrar a marginalidade da polícia.

Abadia_Traficante01http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,abadia-para-acabar-com-trafico-basta-fechar-o-denarc,9156,0.htm

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24 de janeiro de 2014
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Na manhã de sexta-feira, dia 24, participantes do projeto trabalharam normalmente, completando nove dias de jornada. Foto de Fábio Arantes/Arquivo Prefeitura.

No dia seguinte à repressão comandada pelo governo estadual, prefeito de São Paulo mandou recado aos que desejam fracasso do Programa Braços Abertos, mas evitou reiterar críticas e atacar Alckmin.

Rodrigo Gomes, via RBA

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), evitou na sexta-feira, dia 24, novos comentários sobre a ação da Polícia Civil na Cracolândia, no bairro da Luz, na tarde de quinta-feira, dia 23, e preocupou-se em assegurar que o programa vai prosseguir normalmente. “Já me manifestei. A conversa é aquilo que está no noticiário. O nosso objetivo agora é retomar o programa como ele foi concebido”, disse. O prefeito se pronunciou durante a abertura de uma rede de internet gratuita no Pátio do Colégio, no centro da capital.

Por volta das 16 horas de quinta-feira, policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) chegaram ao local atirando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, e agredindo pessoas que estavam na região. O Denarc afirmou que a repressão foi em resposta à resistência dos dependentes contra a prisão de um traficante, na região do chamado “fluxo”, local onde ocorrem o tráfico e o uso de drogas. A ação, classificada ontem por Haddad como “lamentável”, foi desencadeada no momento em que a administração municipal leva a cabo o Programa Braços Abertos, que dá moradia, emprego e curso a dependentes químicos.

O prefeito está confiante de que a ação não prejudicou o projeto, lançado na última semana. “Podem espernear, que nós vamos fazer aquele programa acontecer”, afirmou. “Os relatos de hoje são bons. Os profissionais estão trabalhando, as frentes de trabalho estão funcionando e a Polícia Militar está atuando conforme o combinado.” Questionado sobre a reação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Haddad disse: “Boa. Sempre boa.”

O Braços Abertos começou com a desmontagem de barracos, usados como moradia pelos dependentes, nas ruas Dino Bueno e Helvétia. Eles foram encaminhados para cinco hotéis alugados pela prefeitura na região. Os participantes têm direito a três refeições diárias e salário de R$15,00 por dia de trabalho na varrição e zeladoria de ruas praças, com carga de 4 horas diárias, mais duas de qualificação profissional. Hoje vão ocorrer os primeiros pagamentos dos beneficiários do programa, no valor de R$105,00.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também evitou novos comentários sobre o caso dizendo apenas que eventuais abusos da Polícia Civil serão apurados. “O que não pode é fazer picuinha partidária”, afirmou, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, durante a inauguração da nova faixa da rodovia dos Tamoios, em Paraibuna, no Vale do Paraíba. Alckmin disse estender as mãos aos dependentes e que é preciso “separar o usuário do traficante”. “O traficante mata. O tráfico é crime”, afirmou.

O secretário Municipal da Segurança Urbana, Roberto Porto, que acompanha diariamente os trabalhos do programa na Cracolândia, afirmou que recebeu relatos de atendidos sobre a violência da Polícia Civil e que havia policiais portando armas de balas de borracha, versão diferente da oficial.

“Tivemos pessoas atendidas na tenda do Braços Abertos relatando terem sido atingidas por balas de borracha. Eu presenciei policiais civis com a arma disparadora da bala de borracha. Se era somente para intimidar, se houve o uso ou não, cabe à Secretaria de Segurança avaliar”, disse.

Porto demonstrou preocupação com a forma como a ação policial foi realizada, mas acredita que não voltará a acontecer. “Toda e qualquer ação que põe em risco os profissionais de saúde, os atendidos, a imprensa é preocupante. Os beneficiários ficaram revoltados com a ação e demonstraram temor de que o programa pudesse ser afetado por isso. Mas acredito que isso não vai voltar a ocorrer, devido a repercussão que o caso teve”, avaliou.

Para o secretário é preciso diferenciar a prisão de traficantes da repressão aos dependentes. “Ninguém pode questionar a prisão de traficantes. Todos os dias ocorrem duas ou três prisões. Agora, cabe ao governo do estado avaliar se a ação foi correta ou não. Nós a consideramos exagerada, ela tinha um tom de revide”, concluiu.

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Dependentes temem agora que a Polícia Civil retorne para cometer novos atos de violência. Foto de Apu Gomes/Folhapress.

Apesar de repressão, operação da prefeitura na Cracolândia segue normalmente

Participantes do Programa Braços Abertos comparecem ao trabalho no dia seguinte a repressão da Polícia Civil, rejeitam tentativa de menosprezar capacidade de reinserção e revelam medo com perseguição

Gisele Brito, via RBA

Os participantes do Programa Braços Abertos realizaram normalmente suas atividades na manhã de sexta-feira, dia 24, no dia seguinte à repressão promovida pela Polícia Civil contra dependentes químicos na região do centro de São Paulo conhecida como Cracolândia.

A gestão Fernando Haddad (PT) e os agentes que atuam o projeto iniciado este mês temiam que a ação policial, marcada por surras e bombas de efeito moral, levasse a uma quebra de confiança na relação desenvolvida com os participantes. “Na verdade saímos mais fortes. Durante a confusão as pessoas tentavam se esconder nos hotéis parceiros, o que demonstra confiança deles”, afirmou o psiquiatra Flavio Faroni, que anda pelas ruas da região vestido de palhaço para criar vínculos com os dependentes de crack e álcool.

A Braços Abertos teve início na semana passada com a desmontagem de barracos usados como moradia nas ruas Dino Bueno e Helvétia, e teve sequência com o encaminhamento de dependentes a cinco hotéis alugados pela prefeitura na região. Agora, os participantes têm direito a três refeições, c com contratação para serviço de varrição e zeladoria com carga de 4 horas diárias, mais duas de qualificação e salário de R$15,00 por dia de trabalho.

O projeto municipal vem marcando um contraponto à Operação Sufoco, desencadeada em 2012 em parceria entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o então prefeito, Gilberto Kassab (PSD). Na ocasião, houve repressão a dependentes químicos, que passaram a migrar para outras regiões da cidade, colocando a perder o trabalho social desenvolvido anteriormente na região.

“Eles fizeram isso pra prejudicar a gente. Passar a imagem que nós somos violentos”, avalia o rapper Kawex. Ele é dependente químico e pretende comprar uma calça e uma camisa para visitar a mãe com o pagamento pelo trabalho de varrição. Nessa tarde deve ser pago o primeiro salário para os participantes da frente de trabalho. “Agora eu tenho uma casa, um trabalho. Eles não vão tirar isso de mim assim. Eles é que são violentos.”

Todas as noites os participantes têm feito reuniões nos hotéis em que estão hospedados. A maior preocupação é que a truculência da Polícia Civil ocorra dentro dos prédios. “Se eles fizeram isso com a gente na rua, imagina lá dentro”, afirma Ana Lúcia Aquino, que não usa drogas desde o começo do programa, no dia 14. “Eu vou juntar esse dinheiro. Só vou comprar umas comidas diferentes, tipo pipoca, assistir um filme, comprar calcinha meia e juntar o resto. Estou acreditando”, afirma.

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E o Pinheirinho? E a Cracolândia?

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24 de janeiro de 2014

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Prefeito confirma que prefeitura não foi informada da investida do Denarc na região. Secretário acredita que ação pode comprometer Programa Braços Abertos, baseado em confiança

Gisele Brito, via RBA

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), classificou como “lamentável” a ação da Polícia Civil na quinta-feira, dia 23, na região conhecida como Cracolândia, no bairro da Luz, onde o poder municipal – em convênio declarado com o federal e o estadual – desenvolve um programa de recuperação de usuários de crack. Por volta das 16 horas, policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) chegaram ao local agredindo quem estava na rua, além de atirar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. O Denarc afirmou que a violência foi resposta à resistência encontrada para prender um traficante.

“Todas as ações naquela região estão sendo pactuadas com o governo do Estado, mas essa ação não foi pactuada com o governo municipal. O governo municipal não tinha o menor conhecimento do que ocorreria ali. Se tivéssemos tomado conhecimento não concordaríamos com a maneira como foi procedido”, disse Haddad, durante entrevista coletiva.

Além de usuários de drogas, estavam no local agentes de saúde, jornalistas e o secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto. “Eu liguei para o governador [Geraldo Alckmin], expus a ele a situação. Inclusive dos agentes da municipalidade que atuavam lá, o próprio secretário Porto estava lá e foi objeto da ação como todos, não só presenciou, mas foi vítima de uma ação desnecessária e não pactuada. O que nós cabe nesse momento é manifestar nossa indignação e reafirmar nosso compromisso com o programa”, afirmou.

Porto estava no local ao lado de policiais militares aguardando representantes do Ministério Público e relatou houve um pequeno tumulto quando um carro do Denarc. Meia hora depois de a viatura ter deixado o local, outras dez fecharam a rua. “E aí fizeram uma incursão desastrosa, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha”, descreveu.

Em nota, a prefeitura afirmou que “repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química”.

Para o secretário da Coordenação das Subprefeituras, Chico Macena, a ação pode comprometer o programa, cujo principal trunfo foi ter conseguido travar um diálogo e obter a confiança dos moradores de uma favela instalada em julho na região e removida sem resistência durante a operação. “Esse tipo de ação pode comprometer essa relação de confiança que foi estabelecida ao longo desses meses. E isso nós não podemos permitir”, disse.

O secretário enfatizou que a metodologia adotada na Braços Abertos não pressupõe o uso da violência e apontou diferença em relação a operações anteriores encabeçadas pelo governo estadual e o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). “Não mediremos esforços para que a gente tenha uma política diferenciada do que foi feito até hoje na perspectiva da recuperação dos usuários de drogas e a cidade não tenha de conviver com aquelas cenas que a gente viveu alguns meses atrás. Com a população perambulando pela cidade, vulnerável e a mercê desses traficantes.”

Questionado se acreditava que a ação havia sido um boicote do governo do tucano Geraldo Alckmin à ação petista que vem sendo bem avaliada, Macena disse apenas: “O que queremos acreditar e reafirmar é que essa parceria continue. Que os procedimentos todos possam ser pactuados com a prefeitura e quando houver algo que fuja do que foi pactuado a prefeitura possa ser informada”.

A prefeitura pretende continuar com as atividades que estavam planejadas. Amanhã, as pessoas que aderiram ao Braços Abertos devem receber o primeiro pagamento pelos serviços previstos no programa, no valor aproximado de R$135,00.

O projeto inclui três refeições gratuitas por dia e a contratação para serviço de varrição de rua e zeladoria com carga de quatro horas diárias, mais duas de qualificação e salário de R$15,00 por dia de trabalho. A operação era bem avaliada pela gestão Haddad, que esperava mais dificuldades do que as surgidas até agora. Diariamente, os secretários responsáveis pelo trabalho têm feito vistorias no local.

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Repressão na Cracolândia: Usuários são detidos e espancados por policiais à paisana. Foto de JF Diório/AE.

Sem comunicar prefeitura, Polícia Civil reprime dependentes na Cracolândia

Agentes jogaram bombas e gás sobre dependentes químicos, que foram acuados. Operação foi realizada no momento em que gestão Haddad promove operação de reinserção social.

Via RBA

Sem comunicar a prefeitura de São Paulo, a Polícia Civil foi à região do centro da capital conhecida como Cracolândia reprimir dependentes químicos justamente no momento em que a gestão municipal de Fernando Haddad (PT) realiza um programa social com essa população. Agentes do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) acuaram pessoas que estavam na Rua Barão de Piracicaba.

A operação é realizada pouco mais de uma semana depois do início do Programa Braços Abertos, da administração Haddad, que buscava alterar o paradigma com que se enxergam os dependentes que residem na Cracolândia. A primeira fase da operação consistiu na desmontagem dos barracos usados como moradia nas ruas Dino Bueno e Helvétia. Em seguida os moradores foram encaminhados a hotéis alugados pela prefeitura naquela região.

O projeto prevê ainda a oferta de três refeições gratuitas por dia e a contratação para serviço de varrição e zeladoria com carga de 4 horas diárias, mais duas de qualificação e salário de R$15,00 por dia de trabalho. A operação era bem avaliada pela gestão Haddad, que esperava mais dificuldades do que as surgidas até agora, e diariamente os secretários responsáveis pelo trabalho têm feito vistorias.

Agora, porém, este trabalho pode ser colocado em risco pela operação da Secretaria de Segurança Pública de Geraldo Alckmin (PSDB). Policiais em dez viaturas do Denarc, muitos deles à paisana, atiraram balas de borracha e bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo sobre os dependentes, que foram surrados e se viram forçados a correr para tentar escapar da repressão.

De acordo com informações repassadas por um assessor do governador que esteve no local, foram realizadas duas incursões na área. Na primeira, a Polícia Civil prendeu um dependente, o que provocou a reação dos moradores locais, que teriam revidado atirando pedras contra os policiais. Mais tarde, em dez viaturas, os agentes do Denarc fizeram nova operação.

Segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo, agentes das secretarias municipal de Saúde e de Assistência Social, que não sabiam da ação, ficaram no fogo cruzado. Assim que foi informado da notícia, o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sottili, foi ao local checar a situação.

Procuradas, a Polícia Civil e a Secretaria Estadual de Segurança Pública não comentaram o episódio e informaram que estavam “apurando” a informação sobre a operação.

Não é a primeira vez que as polícias estaduais são utilizadas para reprimir dependentes. Em 2012, em parceria com o então prefeito Gilberto Kassab (PSD), Alckmin encabeçou a Operação Sufoco, que tentou afastar os dependentes químicos da região, rebatizada de Nova Luz, e que seria privatizada pela administração municipal, plano que acabou cancelado com a chegada de Haddad à prefeitura.

Na época, a operação provocou a dispersão de dependentes, nas chamadas “caravanas do crack”, o que colocou a perder o trabalho desenvolvido na área por organizações da sociedade civil. O Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública de São Paulo investigaram abusos cometidos pela Polícia Militar.

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Qual a diferença entre crack e cocaína? A classe social de quem os consome

23 de janeiro de 2014
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São praticamente idênticas.

Cynara Menezes em seu blog Socialista Morena

A iniciativa da Prefeitura de São Paulo de experimentar outra abordagem contra o crack, hospedando em hotéis e pagando R$15,00 por dia a viciados para que varram ruas me deixou muito otimista. É hora de os governantes brasileiros passarem a combater as drogas de maneira menos hipócrita e higienista – como fazem o PSDB e o DEM, que sempre preferiram simplesmente expulsar os viciados do centro ou interná-los em instituições mentais, para bem longe da vista dos “cidadãos de bem”. Obviamente os obtusos da direita (pleonasmo?) já atacaram a ideia do prefeito Fernando Haddad. Para que tentar dar uma chance a essas pessoas se é possível varrê-las para debaixo do tapete? “Pessoas? E usuário de crack é gente?”, perguntam-se os defensores dos “humanos direitos”.

Os histéricos da droga normalmente preferem nem se informar a fundo sobre o assunto, como se a mera proximidade com estudos científicos os contaminasse. Mas como a guerra às drogas que inventaram resultou apenas em crime, degradação e violência, outro tipo de pensamento começa a se impor no mundo. Não é à toa que países como Uruguai e mesmo os EUA mudaram sua visão em relação à maconha. Os EUA, aliás, estão cada vez mais liberais com a cannabis, como demonstra uma pesquisa divulgada no início do mês: hoje em dia, 55% dos norte-americanos aprovam a legalização da maconha. E só 35% deles acham que fumar baseados é “moralmente condenável” (clique aqui). Exatamente o oposto da direita ignorante (pleonasmo?) brasileira, que se recusa a aceitar a falência de seu modelo arcaico na solução de dilemas contemporâneos.

Um fato pouco divulgado sobre o crack é que ele não é uma droga tão diferente das outras, tão mais viciante que as demais. Sabia? Na verdade, existe bem pouca diferença entre o crack e a cocaína, quimicamente falando. A única diferença é a remoção do cloridrato, o que torna possível fumá-lo. É como se a cocaína fosse açúcar refinado, e o crack, rapadura. O que torna o crack mais potente é a forma de consumi-lo: fumar leva a droga rapidamente aos pulmões, fazendo com que o efeito seja mais rápido e mais intenso do que cheirar pó (veja mais mitos sobre o crack aqui). Para piorar, a pedra de crack é barata –custa 10 reais, enquanto o grama de cocaína é vendido a 50 reais. Ou seja, o crack, ao contrário da cocaína, é acessível aos miseráveis.

Saber disso nos abre os olhos a uma problemática fundamental em relação ao crack, que é a vulnerabilidade social de quem está exposto à droga morando nas ruas. É exatamente este aspecto que a prefeitura de SP pretende combater ao tentar reintegrar o viciado à sociedade, dando-lhe perspectivas. Sem oferecer-lhes perspectiva de futuro, esperança, não adianta desintoxicá-los. Ao sair da clínica, eles voltam para o vício, até porque, vivendo à margem, não têm mais o que fazer. Enquanto isso, os cocainômanos e viciados em crack das classes mais abastadas são enviados ao rehab, às clínica chiques, e a gente nem sequer chega a tomar conhecimento deles. Quem está na rua, não, “incomoda”, integra a “gente diferenciada” para a qual muitos torcem o nariz e têm medo.

Dois anos atrás, o ator Charlie Sheen, bem conhecido de todos como o “doidão” de Hollywood, causou polêmica nos EUA ao declarar em uma entrevista que alguns amigos seus usam crack “socialmente”, assim como fazem tantos endinheirados com a cocaína. Parece absurdo? Não é. A partir das declarações de Sheen, a jornalista Maia Szalavitz, da revista Time, escreveu um artigo demonstrando que somente 15 a 20% das pessoas que experimentam crack ficam viciados. Mais: que 75,6% dos que provaram crack entre 2004 e 2006 tinham abandonado o cachimbo dois anos depois; outros 15% passaram a usar ocasionalmente; e só 9,2% ficaram viciadas.

Uma realidade bem distante do que pensávamos pouco tempo atrás, quando se costumava dizer que basta uma baforada para a pessoa ficar viciada. É possível, sim, entrar no crack e sair. Assustar os jovens em relação às drogas pode ser eficiente, mas eu acho que é muito mais importante dizer a verdade, conscientizá-los com base na ciência. “O crack não é mais tóxico que a cocaína. O que acontece é: quem toma crack? Os negros mais ferrados dos EUA. Os adolescentes com menos perspectivas profissionais”, defende um dos maiores especialistas do mundo em drogas, o espanhol Antônio Escohotado. No Brasil é a mesma coisa. Embora atinja várias classes sociais, o vício em crack é devastador sobretudo para os jovens e adultos em situação de rua.

Quanto mais leio e me informo, mais fico convencida de que não existem drogas “perigosas”. Todas elas são e não são ao mesmo tempo. O que existe é a pessoa por trás da droga e a circunstância em que vive. Se o ser humano que busca as drogas está em condição de risco – psicológico ou econômico – obviamente estará mais sujeito à adição. Assim é com tudo que entra pela boca do homem: comida, álcool, remédios ou drogas ilícitas. A droga jamais pode estar relacionada à fuga da realidade, mas às experiências sensoriais. Quem vive na rua, dormindo na calçada ou em buracos, com certeza não está usando a droga “recreativamente”.

Se não fôssemos dominados por um pensamento tacanho e estivéssemos usando, como em muitos países civilizados, a maconha com fins terapêuticos (a exemplo dos EUA, que a direita brasileira adora macaquear, mas não nas iniciativas boas), a próxima etapa do programa da prefeitura de São Paulo deveria ser ministrar baseados como política de redução de danos do vício em crack. Vários estudos científicos comprovam que fumar maconha diminui a “fissura” entre viciados que desejam deixar a pedra, ajuda na hora de enfrentar a síndrome de abstinência. É uma possibilidade no tratamento. Os hipócritas iriam permitir? Imagina. Interessa a eles, de certa forma, que existam viciados em crack perambulando pelas ruas para que seu irracional discurso antidrogas e anticrime continue a ter eficiência sobre os incautos.


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