Posts Tagged ‘Coxinha’

Novo rei da Veja deve R$55 mil de IPTU

8 de novembro de 2013

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Fernando Brito, via Tijolaço

Depois da entrevista em que disse que “era brincadeira” sua performance de “Rei do Camarote” e insinuou que a história havia sido montada, a Veja resolveu entregar a identidade de Alexander de Almeida.

É dono de uma firma de “zangões”, que é como chamamos aqui no Rio os “despachantes” que, de modo pouco ortodoxo, cuidam de documentação de veículos. Alguns – nem todos, claro – praticando a arte da “irrigação mãonetária”. Mas os despachantes são, em geral, pessoas de posses modestas.

Alexander não. Montou uma firma, a 3A, em abril de 2010. E já “está podendo” em três anos, comprar Ferrari e, só num dia, dois carros blindados, como disse à Veja.

Diz a revista que sua atividade é tomar automóveis de pessoas que não pagam as prestações e guardá-los para os bancos. Não vou especular sobre os métodos e os “contatos” de tal atividade. Mas vou ajudar os paulistanos, no meio desta polêmica sobre o IPTU.

É que o “Rei do Camarote”, que torra R$50 mil numa noitada, está devendo uma noite de camarote para o povo de São Paulo. Ele tem, de IPTU, cobranças que somadas, passam de R$55 mil. Está aqui, público, no Diário Oficial.

O curioso é que a dívida cobrada é por um imóvel na Almirante Calheiros, 312 (está público no Diário Oficial, repito), onde funciona uma firma de cobrança e renegociação de financiamentos de veículos. É só procurar nos sites de reclamação para ver como é boa a reputação da empresa. Eu contei 88, você pode ver.

Podem ser só inquilinos, é estranho que tenham pedido ao Google para que borrasse a imagem no Street View.

A história tem mais coisa mal contada. A empresa de Alexander, que parece um bunker na Avenida Apucarana, no Tatuapé, criou um domínio na internet… ontem [5/11].

O “Rei dos Coxinhas” é um prato feito para quem quiser fazer reportagem. O que não é o caso da Veja. Ou ela não quer ir fundo para mostrar quem é o seu “rei”?

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Leia também:

A Veja SP e o “Rei dos Coxinhas”

A Veja São Paulo e o “Rei dos Coxinhas”

6 de novembro de 2013
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Em tempos da Lei Seca, o coxinha tira foto em sua Ferrari com uma taça de champanhe.

Fernando Brito, via Tijolaço

A revista Veja, aquela que vive falando em “Custo Brasil”, salários inflacionários, rombo nas contas públicas pelo excesso de gastos populistas e que tem, como principal matéria de economia em sua edição desta semana a afirmação de que com muitos impostos “o Brasil sufoca seus empreendedores” traz, em sua edição São Paulo, uma edificante vídeo-reportagem com um – perdoem-me, não dá para evitar a palavra – babaca que merece da revista o título de “O Rei dos Camarotes”.

Mas que, certamente, ficaria melhor definido como “O Rei dos Coxinhas”, por simbolizar o vácuo mental, a mediocridade, a ostentação e o elitismo de uma camada de gente que é composta de uma meia-dúzia de ricos e algumas dezenas de milhares de pessoas que os têm como exemplo, abanado pela “mídia de celebridades”.

Alexander é a afirmação da “liberdade” (de fazer o que quiser, porque o dinheiro “é só seu”) e do sucesso, porque com ele se compra de champanhe a mulheres.

Chame seus filhos ou amigos mais jovens para ver. É mais eficiente que aquelas fotos pavorosas de maços de cigarro.

É um retrato sem retoques da Veja e dos “coxões” que ela endeusa.

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A Veja São Paulo morreu, tecnicamente, com o “sultão dos camarotes”

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Um vídeo está circulando na internet freneticamente neste final de semana. É da Veja São Paulo e apresenta um “sultão” das baladas chamado Alexander de Almeida, que diz ter 39 anos.

Alexander – imagino que seja um nome fantasia derivado do prosaico Alexandre – dá seus conselhos a quem quer, como ele, ser “alguém especial” nas baladas.

Todos os conselhos cabem num só: torre seu dinheiro em camarotes nas baladas com espertalhões – homens e mulheres – que vão largar você assim que sua conta bancária inevitavelmente entrar em colapso e você não puder mais pagar o champanhe que eles tomam rindo de você e de sua monumental burrice.

Do ponto de vista jornalístico, raras vezes se viu algo que reflita tão bem a essência de uma publicação e de seus leitores.

A Veja São Paulo se dedica, com obtusa regularidade, a promover a frivolidade consumista num mundo de faz de conta em que todos riem como Alexander e depois se entopem de antidepressivos.

A Veja São Paulo não faz pensar, não provoca você a sair de sua vidinha medíocre em que o que vale são as aparências, não faz nada digno da palavra “jornalismo”.

Mesmo assim, apenas para lembrar a mamata estatal dada às empresas jornalísticas com dinheiro público, a Veja São Paulo é impressa com papel isento de imposto.

Fui um dos primeiros editores da Veja São Paulo, em meados da década de 1980, aos 26 ou 27 anos. Eu era na época subeditor de Economia da Veja, mas a direção da revista achava que já era tempo de eu ser promovido a editor.

Apareceu a oportunidade na Veja São Paulo quando a editora Selma Santa Cruz deixou a revista para se juntar a seu marido, Sérgio Mota Melo, num empreendimento jornalístico, a TV1.

Tentei fazer “jornalismo sério”. Uma de minhas primeiras capas mostrava o caso dramático de dois bebês que tinham sido trocados na maternidade. Naquela semana, desci o elevador da Abril com Roberto Civita. Sempre amável, sempre charmoso, sempre sorridente, ele me disse que não era exatamente aquele tipo de reportagem que ele queria na Vejinha, como era e é chamada. Eu não estava naquele cargo para descobrir as melhores histórias humanas de São Paulo, mas para encontrar os melhores cheesebúrgueres e as hostesses mais gostosas dos bares chiques paulistanos.

Me ajustei ao mundo da fantasia. Mas, em meio a tantas tolices que editei, lembro com satisfação capas como uma que trazia a escalada de um jovem editor chamado Luiz Schwarcz, que começava sua Companhia das Letras. Fiz, pessoalmente, este texto. Também fiz, eu mesmo, coisas como o perfil de um jovem jornalista que se tornara cultuado entre os jovens paulistanos no comando da Folha Ilustrada, Matinas Suzuki.

Pouco mais de um ano depois, voltei à área de Economia, da qual saíra, para ser editor executivo da Exame. Nela vivi os melhores anos de minha carreira – só igualados ou superados agora pela experiência eletrizante que é o DCM.

Dentro das limitações que um editor tem na mídia corporativa, em que a voz do dono é a que realmente vale, fiz o que pude na Vejinha para ir além do cardápio que agora foi dar em Alexander de Almeida.

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Você responde.

No terreno das curiosidades, não pude deixar de notar a semelhança física entre ele e Kassab. E então fui remetido mentalmente a uma capa da Vejinha com Kassab às vésperas das eleições municipais de 2012.

O texto defendia a administração Kassab, àquela altura extremamente impopular entre os paulistanos. “Estamos sendo muito duros com ele?” – esta era a pergunta. Kassab não conseguiu cuidar sequer das árvores de São Paulo, destruídas a cada chuva mais forte, não conseguir resolver nem o problema do excesso de pernilongos na cidade, e mesmo assim a Vejinha acusava seus leitores de serem rigorosos com o prefeito.

Como toda a mídia impressa, a Vejinha está morrendo. Cada vez menos pessoas leem revistas na era digital. E indicações de bares, restaurantes, teatro e cinema – o maior pilar da revista –, você encontra de graça, em tempo real, na internet. Mas ela poderia morrer sem a humilhação de ver seu logotipo associado a um decálogo como o de Alexander de Almeida.

O Dr. Coxinha agora que ir à periferia, mas só para ameaçar os médicos

20 de setembro de 2013

Coxinhas_Charge01Fernando Brito, via Tijolaço

O Conselho Federal de Medicina não desiste e parte para um novo round de sabotagem contra o Programa Mais Médicos. Derrotado na Justiça em sua tentativa de negar registro específico para os profissionais do programa, agora quer endereços profissionais e nomes dos orientadores e supervisores de cada um deles.

Está claro que pretende intimidar os médicos brasileiros que coordenam os estrangeiros e em sua nota chegam a falar que “eles são corresponsáveis pelas orientações dadas aos seus pós-graduandos ou supervisionados. Na existência de fato concreto que justifique a abertura de sindicância ou processo, será feita análise caso a caso”.

A cara de pau é tão grande que chegam a dizer que “exercerão o seu múnus de fiscalização no âmbito do Programa Mais Médicos com o mesmo rigor e zelo com os quais realiza as suas fiscalizações no contexto do exercício profissional da medicina no país”.

É piada, Dr. Coxinha?

Quando é que os senhores do CFM foram fiscalizar e coibir qualquer picaretagem médica? Os médicos que batiam ponto com “dedinho de silicone” foram punidos? Alguém foi a um posto de saúde habitado por médicos-fantasmas para ver se eles trabalham?

Os Conselhos, em geral, só atuam quando o assunto repercute na mídia ou as queixas de gente mutilada por açougueiros se avolumam a tal ponto que são obrigados a agir.

No famoso caso do estuprador Roger Abdelmassih, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo mandou pro arquivo a denúncia feita contra ele em 1994 e só quinze anos depois, quando o Ministério Público enviou nada menos que 51 denúncias de abuso sexual é que se dignaram a agir. E olha que as vítimas eram, na maioria, pessoas com recursos e não gente pobre “que nem tem com quem contar”, como nos versos. Assim mesmo, passaram-se dois anos até a cassação.

Mas, Dr. Coxinha, o que dana você é que a verdade surge com a realidade, não com a sua hipocrisia cruel. Para cada coxinha furioso, haverá 10, 50, 100 brasileiros respeitados.

Um, um, apenas um médico, como você pode ver nessa reportagem de tevê em Alagoas, é muito para alguém. E virão mais, muitos mais médicos, para muita gente.

Nosso povo pobre ama os médicos. Vocês é que odeiam o povo.

#OsCoxinhaPira: Ricos perdem exclusividade e reclamam da classe emergente

17 de setembro de 2013
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Um total de 104 milhões de brasileiros pertence à classe média, segundo o governo. Foto de Wilson Dias/ABr.

Segundo Renato Meirelles, do Data Popular, serviços mais caros e enriquecimento das classes C e D geram desconforto entre os endinheirados

Bárbara Ladeia, via Portal iG

Na última semana, o lançamento do iPhone 5C levantou uma polêmica entre usuários nas redes sociais. Com a Apple dedicando esforços à popularização de seus produtos, houve quem reclamasse que os smartphones da marca, antes restritos a uma minoria privilegiada, virariam “coisa de pobre”.

O aparelho não tem nada de “pobre” – as versões desbloqueadas do aparelho custarão no mínimo US$549,00 (cerca de R$1,3 mil), um preço suficientemente impeditivo frente aos principais concorrentes. No entanto, o movimento nas redes fez lembrar o lançamento do Instagram para Android, quando um coro de usuários dizia temer pelas fotos que “infestariam” a rede.

A questão não é a qualidade do produto ou do serviço, mas o status que o uso dessas ferramentas agrega. O fato é que as classes mais altas andam muito incomodadas com o enriquecimento dos chamados emergentes, principalmente porque sentem o peso da perda da “exclusividade”.

Essa é uma das percepções de Renato Meirelles, presidente do Data Popular, consultoria de pesquisas especializada nas classes emergentes. “Não tenho dúvidas que é a perda da exclusividade que está incomodando esses consumidores”, afirma.

Entre 2010 e 2011, segundo dados da pesquisa Observador, a renda média disponível para as classes C e D aumentou 50%. A renda dos mais pobres cresceu três vezes mais que a renda dos mais ricos nos últimos dez anos. Naturalmente, a maior parte do que era acessível apenas a alguns privilegiados já está ao alcance dos emergentes. “Hoje é comum, por exemplo, empregada e patroa usarem o mesmo perfume. O exclusivo está cada vez mais democrático”, explica.

Para completar, esse crescimento desproporcional da renda coloca os mais ricos em situação ainda mais desfavorável: diante da inflação de serviços, o dinheiro da classes A e B já não comporta grandes gastos. “Agora para o mais rico adquirir o produto ou serviço ‘exclusivo’, vai precisar desembolsar um dinheiro que não tem”, diz Meirelles. “Os mais ricos têm a sensação de que saíram perdendo.”

Erro de avaliação

Na última semana, no C4 (Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor), a consultoria de pesquisas Data Popular exibiu um vídeo em que apresentava entrevistas de cidadãos comuns – de classes A e B – falando sobre o “incômodo” que a popularização dos serviços provocava no seu dia a dia. “Incomoda ver como as pessoas entram nos aviões carregando coisas absurdas”, diz uma senhora. “Empresas como a CVC acabaram como a nossa boa vida. Viajar de avião não é mais classe A”, afirmou outro rapaz.

Esse grupo, no entanto, muitas vezes ignora que boa parte desses emergentes de fato já são mais ricos que eles. Meirelles destaca que 44% das pessoas que compõe as classes A e B são os primeiros ricos da família.

“São pessoas com histórico de classe C, com jeito de pensar de classe C, mas que têm renda muitas vezes até maior que o ‘rico’ que reclama”, diz. “Um dono de padaria ou mercadinho de bairro, por exemplo, fatura R$100 mil por mês. O engenheiro ou advogado quase nunca tira tudo isso.”

É no histórico que mora a principal diferença. Enquanto no passado o novo rico costumava esconder sua origem, hoje ele se orgulha de sua trajetória e já não tem mais as classes A e B como referência inconteste.

“Quem acha que a aspiração da classe C é ser classe A está enganado”, afirma Meirelles ressaltando que a lógica social das duas classes são inversas. “Enquanto a classe C trabalha na lógica da inclusão, a elite trabalha na lógica exclusividade. Os mais ricos esperavam que esse novo público os tivesse como exemplo de comportamento, mas isso não aconteceu.”

Do aspiracional para o inspiracional

Há um processo de acomodação em curso. Segundo os prognósticos do Data Popular, na próxima década, as classe A e B vão crescer duas vezes mais que a classe C. Com isso, empresas de todo o País estão em busca de novos modelos de operação, de forma a atender eficientemente os novos clientes.

Nesse novo contexto, as aspirações perdem espaço para as inspirações.

“O indivíduo deixa de usar o consumo para mostrar algo que não é, preferindo ferramentas que o façam uma pessoa melhor”, afirma. Mesmo que já estejam significativamente mais próximas dessa nova realidade, as empresas ainda não entenderam completamente quem é esse novo rico – e seus principais comportamentos de consumo.

Para Meirelles, o perfil do novo rico brasileiro está mais alinhado com o que se vê nos Estados Unidos – onde a pauta central é do consumo e da cultura do espetáculo. Esse formato é oposto ao modelo europeu, por exemplo, que valoriza o capital cultural, social e acadêmico.

Por aqui, Meirelles aposta na terceira via.

“Temos esse traço na nossa cultura, de aproveitar todas as experiências e mostrar um caminho com a nossa cara”, diz. “Vejo dois componentes a mais no nosso contexto: a flexibilidade do brasileiro e a vontade de reduzir os pontos de conflito.”

Jornalismo Wando: Entrevista exclusiva com Maycon Freitas, o muso revolucionário da Veja

15 de julho de 2013
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Maycon Freitas é o da direita.

Saiba o que pensa (sic) o dublê-coxinha da Globo Maycon Freitas, guindado pela revista [da] marginal “à voz que emergiu das ruas”.

Via Jornalismo Wando

“Só te peço pra fazermos algo que contribua com o País, irmão. Não estou aqui pra virar celebridade.” Foi dessa maneira firme que o tijucano Maycon Freitas, 31 anos, me abordou pouco antes de iniciarmos essa entrevista. Pra quem ainda não conhece, ele foi destaque em uma entrevista nas páginas amarelas de Veja como “o jovem que reuniu milhares de pessoas no Rio e abomina a corrupção”. Nesse bate-papo gostoso, você vai conhecer um lado de Maycon que Veja não mostrou.

Apesar das perseguições que tem sofrido por certos setores da blogosfera, o tijucano se mostra tranquilo. Com uma politização acima da média, o líder carioca é, acima de tudo, uma pessoa com valores sólidos. Um cara que acredita que a família e o bem podem fazer a diferença na política. Enfim, Maycon é uma bela amostra desse novo jovem brasileiro, politizadíssimo e apartidário, que saiu do Facebook pra tomar as ruas e lutar contra-tudo-o-que-está-aí.

Jornalismo Wando: Me fale sobre o Maycon Freitas. Profissão, interesses, família etc.

Maycon Freitas: Opa, vamos lá. Me chamo Maycon de Freitas Ribeiro, sou técnico de segurança do trabalho e estou estudando pra ser tecnólogo, também em segurança do trabalho, que é a faculdade. Tenho 31 anos, sou filho de mineiros, carioca e tijucano. Nasci em botafogo, sou casado, não tenho filhos. Sou dublê de ação e trabalhei em várias emissoras de TV, além de cinema.

JW: Qual sua posição ideológica? Direita, esquerda, centro ou tico-tico no fubá? (risos)

Maycon Freitas: Não sou de direita, esquerda ou de centro. Meu partido é o Brasil, fui às ruas gritar junto com o povo por socorro. Do jeito que está, não dá. Temos que mudar tudo aqui já. Saúde, segurança, educação, mudar os políticos, as formas de eleição, acabar com as urnas eletrônicas. Queremos voto impresso para recontagem.

JW: Além do fim da corrupção, você também acha que o fim da violência urbana e da pedofilia também são bandeiras importantes?

Maycon Freitas: Importantíssimas. Entendo que uma vez que colocamos o Brasil nos trilhos, tudo vai mudar. Crianças morrem neste nosso Brasil a fora. As leis de proteção à criança precisam ser mais duras e se fazer valer, mas nossos políticos sequer falam sobre isso.

JW: Por que os políticos são seres tão corruptos? Há algo no DNA que os fazem ser tão diferente de nós, cidadãos de bem?

Maycon Freitas: Olha, não posso dizer no DNA… Mas eleição no Brasil é uma fraude, ganha quem paga… ou seja, cartas marcadas.

JW: “Ganha quem paga”? Como assim, querido?

Maycon Freitas: Eles entram lá, criam leis que só beneficiam a eles mesmos, se dão salários absurdos, benefícios de outro planeta. Eu compro a minha eleição. As urnas são programadas pra isso. Fato disso é o Sarney. Mata pessoas no estado do Maranhão, e agora está matando o Amapá. Ele agora se elege pelo Amapá. Nossas urnas são uma fraude absurda e o mundo sabe disso.

JW: Querido, mas o que as urnas eletrônicas têm a ver com a eleição do Sarney pelo Amapá? Não entendi a associação.

Maycon Freitas: Até o Paraguai rejeitou nossas urnas. Só estou te dando um exemplo de como funciona.

JW: Ok. Sobre os protestos dos sindicatos ontem, vi que você escreveu no Facebook: “os bandidos governistas foram às ruas. Está aí o resultado. Quebra-quebra e confusão”. Nos protestos de junho, não teve muito mais violência do que o de ontem?

Maycon Freitas: Sim, teve, mas eu não estou no meio desta galera, e nem meu movimento. Isso existe porque tem gente paga pra fazer isso e partido politico tentando tirar proveito desta manifestação do povo, mas a maioria que vai às ruas luta por mudanças, grita por socorro. Sou totalmente contra o vandalismo. É isso que o governo quer: que as pessoas fiquem com medo de ir às ruas. O medo prende as pessoas em casa e assim fica fácil de manipular.

JW: Você disse que nunca se interessou por política, mas que isso mudou depois que viajou para os EUA. Como foi essa experiência no exterior? O que o povo norte-americano tem a ensinar pro brasileiro que ainda é um selvagem em termos de democracia e civilidade?

Maycon Freitas: Olha, amigo… não só os norte-americanos, mas os argentinos, italianos, alemães, franceses, gregos, egípcios – temos muito que aprender com eles. Se eles não gostam do que veem, eles vão à luta e conseguem que os governos olhem para aquilo que eles reivindicam. Lutam pelas melhorias e soluções. Isso é democracia. Vi bem isso de perto nos EUA. Vai lá jogar um papel no chão perto de alguém. Logo você é chamado de porco, mas eles tem um grave problema lá, que é a saúde. Mas uma pessoa lá, com um salário mínimo consegue pagar um plano de saúde.

JW: Isso é verdade, querido. Estive em Miami recentemente e pude atestar que o nível de civilidade por lá é diferenciado.

Maycon Freitas: Então você sabe bem o que estou falando. Ter uma boa casa, um carro e aqui? Conseguimos? Lá também tem corrupção, mas ao menos a população vê o retorno de impostos no seu dia a dia.

JW: Você sempre faz questão de se dizer apartidário, mas no seu Facebook você colocou uma foto da bandeira do PT sendo queimada. Como funciona esse neo-apartidarismo do bem?

Maycon Freitas: Chega de ditadura vermelha, amigo. Eles querem implantar o comunismo bolivariano, cubano e venezuelano aqui a todo custo.

JW: Então é um apartidarismo antipetista, podemos dizer assim?

Maycon Freitas: antipetista e todos que pensam como eles do PT. Não posso apenas culpar só o PT, senão eximo todos os outros partidos de culpa. Aqui no Brasil o bandido só muda de casa.

JW: No Face, você mostra preocupação com a chegada de 6 mil guerrilheiros cubanos que viriam disfarçados de médicos. Explica melhor essa jogada do PT/Cuba/Dilma/Lula/Fidel pra gente. Já é consequência do Foro de São Paulo?

Maycon Freitas: Temos que acabar com esse conluio que eles formam. Sou contra a vinda de médicos do exterior. Isso não vai adiantar nada. Precisamos de hospitais, upas, postos de saúde, tudo padrão FIFA. Agora, é muito estranho eles virem justamente de Cuba, onde a Dilma vem investindo bilhões.

JW: Sem dúvidas. Estranhíssimo.

Maycon Freitas: Somente em uma obra por lá [Cuba] foram gastos 3 bilhões em uma ponte. Tudo pago por nós. E temos que falar sobre o Foro de São Paulo, que existe aí há 20 anos e ninguém fala nada. Não ao Foro de São Paulo! É o berço do comunismo aqui no Brasil.

JW: Como é que é, querido? Dilma deu 3 bilhões pra Cuba só pra construir uma ponte? É uma ponte de ouro ligando Havana à Miami?

Maycon Freitas: [risos] Pois é, amigo. Mais um absurdo que muitos brasileiros nem fazem ideia do que é. Crianças morrendo aqui e ela dando o nosso dinheiro para um ditador que só maltrata seu povo, oprime, priva e etc.

JW: Cara, você falando assim até fico preocupado. Existe a chance real de passarmos por uma ditadura comunista no Brasil?

Maycon Freitas: Se não fizermos nada, sim, e esse risco ele é máximo. Temos que derrubar já a PEC 33. Só a 37 não basta, temos que fazer o Ministério Público acordar já.

JW: E a PEC das domésticas? Eu achei mais um populismo barato desse Congresso nefasto.

Maycon Freitas: É importante, sim! Mas temos que melhorar e lutar por muito mais aqui no Brasil.

JW: Ah, então os políticos às vezes fazem coisas boas pra sociedade?

Maycon Freitas: Quando querem, sim. Um amigo sempre diz que político bom no Brasil é utopia. Respeito a opinião dele, mas também não dá pra ser descrente de tudo e todos.

JW: Você é a favor do plebiscito da Dilma?

Maycon Freitas: Sou contra plebiscito ou referendo. Nossa Constituição é ótima. É só eles seguirem direitinho o que está escrito ali.

JW: Mas você não acha que uma reforma política será importante para diminuir a corrupção?

Maycon Freitas: É só seguir o que está escrito ali. Nossa Constituição diz, não lembro qual artigo, que todos são iguais perante a lei. E eles, com seus privilégios, não são.

JW: Querido, os militares não poderiam proteger o povo de um golpe comunista? O que você acha?

Maycon Freitas: Olha, falar sobre as Forças Armadas aqui no Brasil é sempre complicado, amigo, afinal, passamos 24 anos na mão da ditadura. Eles podem sim nos proteger, e devem. Eles são forças independentes do governo ou pelo menos deveriam ser, como manda a Constituição. Mas isso deve ser debatido com a sociedade. Eles estão aqui para nos proteger, proteger a nação brasileira.

JW: Agora vamos fechar com um bate-bola rápido: Praia ou Cachoeira?

Maycon Freitas: Os dois. [risos]

JW: Fernando ou Lula?

Maycon Freitas: FHC.

JW: Amor ou ódio?

Maycon Freitas: Amor.

JW: Família ou comunismo?

Maycon Freitas: Família.

JW: Um livro.

Maycon Freitas: O Último Samurai.

JW: Um filme?

Maycon Freitas: Coração Valente.

JW: Um herói na política?

Maycon Freitas: Não digo um herói, mas alguém pra se respeitar: Joaquim Barbosa.

JW: Um desastre na política?

Maycon Freitas: Só um? [risos] Lindberg Farias.

JW: Maycon por Maycon?

Maycon Freitas: Um cara humilde, respeitador e guerreiro como muitos brasileiros. Caráter e dignidade impagáveis, autêntico, trabalhador, responsável, fiel a seus princípios, que não foge à luta, leal.

Maycon ainda fez uma reflexão sobre como enfrentar os problemas brasileiros e, pra fechar com chave de ouro, me presenteou com um elogio que guardarei com muito carinho:

“Com a minha família unida posso vencer o comunismo. Com amor e educação podemos vencer o ódio. Estamos juntos, amigo, se precisar de um guerreiro estarei sempre aqui. Parabéns pelo trabalho e jornalismo verdadeiro.” – FREITAS, Maycon.

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Dublê da Globo é o herói da Veja

Miguel do Rosário: Dilma e a revolução dos coxinhas

27 de junho de 2013
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A Força Nacional tem de se proteger com macas contra
os “pacíficos” coxinhas.

Miguel do Rosário em seu O Cafezinho

Dessa vez eles chegaram bem perto. A estratégia foi genial. Usaram um grupinho político da USP que tinha uma proposta simpática, a defesa do passe livre, e, com ajuda da brutalidade da polícia paulista, transformaram um protesto local no maior delírio coletivo das últimas décadas.

Ainda vai demorar para sabermos a extensão da influência dos grupos “anonymous” na organização virtual das manifestações. Mas as névoas estão começando a se dissipar. Depois do apoio dos Clubes Militares aos “protestos de rua”, as coisas vão ficando mais claras.

É um fenômeno que vem se repetindo nos últimos anos, e cada vez emerge mais forte. As novas investidas da direita tem-se dado por meio da juventude da classe média. Pega-se uma bandeira ou candidato simpáticos, untados com antigovernismo, agressividade política, cobertura midiática favorável, um bocado de esquerdismo utópico e infantil, e pronto, eis uma causa capaz de reunir milhares de jovens. A estratégia de usar a juventude, e símbolos da esquerda, para lançar uma candidatura conservadora, é um excelente cavalo de Troia para dividir e confundir o eleitorado progressista. Em 2008, fizeram com Gabeira, símbolo de rebeldia, nas eleições municipais do Rio de Janeiro. Começou como queridinho dos jovens e terminou, como agora, com apoio do Clube Militar. Dois anos depois, Gabeira seria o candidato-fantoche do PSDB no estado do Rio, disputando uma eleição apenas para dar palanque a José Serra, e hoje o ex-guerrilheiro assina uma coluna udenista no Estadão.

Eu estive no protesto de Brasília. Observei os jovens segurando cartazes artesanais, individuais, com todo o tipo de platitude, como: “Tanta coisa pra protestar que não cabe num cartaz”.

No dia seguinte, olhando a capa do Correio Braziliense, todavia, algo me chamou a atenção. A presença de uma faixa gigantesca. Tão grande que os próprios manifestantes deviam ter dificuldade de assimilar o conteúdo. Só dava para ser lida do alto do helicóptero da Rede Globo. A frase dizia: “Prisão já para os mensaleiros”.

Num movimento não organizado por partidos, sindicatos ou movimentos sociais, a característica principal dos cartazes era sua simplicidade. Aquela faixa era coisa de profissional. Deve ter custado uma fortuna, muito longe da realidade dos jovens manifestantes, apesar de minha impressão, ao observar seus rostos, que nenhum deles jamais perdeu uma noite de sono por causa de uma dívida. No Rio, também logo se viram faixas descomunais pedindo prisão de mensaleiros. A oposição, como se vê, pensou bem rápido e faturou em cima das manifestações.

As madames organizadas que fracassaram em levar adiante seus protestos contra “tudo o que está aí” assistiram, emocionadas, seus filhos assumindo seu lugar.

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Em Belo Horizonte, a polícia teve de garantir o direito de ir e vir das pessoas, que estavam com medo dos “pacíficos” coxinhas.

As pesquisas apontam que os protestos vistos nos últimos dias foram protagonizados principalmente por jovens universitários de classe média, que logo se viram acompanhados por elementos do chamado “lúmpen”, ou seja, camadas desorganizadas dos estratos mais pobres. Os elementos radicais de ambos os grupos praticaram um assombroso vandalismo, fazendo com que os protestos fossem os mais violentos de que se tem notícia em nossa história recente.

A insistência da mídia em falar que apenas “uma pequena minoria” praticou vandalismo tornou-se ridícula. Se os 10 mil manifestantes de Brasília se pusessem a depredar o Itamaraty, aí não era manifestação, nem sequer vandalismo, e sim um ato de guerra civil antinacional, e eu mesmo iria à capital lutar em defesa de meu País, distribuindo uns tabefes nos irresponsáveis.

Congresso e Executivo tentam dar uma resposta política às manifestações, porque é tradição nacional procurar uma saída pacífica e conciliadora. Mas não podemos nos cegar para a emergência de um perigoso neofascismo playboy. No Rio, já vimos isso durante a candidatura de Marcelo Freixo, com o surgimento de uma legião de jovens absolutamente sectários, com a mesma visão messiânica, voluntarista e impaciente da política.

Mas a coisa é pior. Freixo ao menos tinha um programa, e pertencia a um partido. As manifestações de hoje não têm agenda, não têm foco, apenas um sentimento em comum: a impaciência, que na verdade reflete o voluntarismo arrogante de uma classe, historicamente favorável a soluções de força. “Queremos mudanças já! Agora! Não temos paciência para o jogo democrático! Não temos paciência para esperar as eleições de ano que vem e eleger novos deputados estaduais, novos governadores e um novo presidente!”

O rechaço à representatividade política, por sua vez, tão edulcorado pelos pós-modernos, é na verdade um rechaço à democracia. Porque a democracia não é um governo dos melhores e sim da maioria. O representante político não chega lá por concurso público. Não é o mais ético. Ele ganha uma eleição porque soube articular melhor, se organizar junto a um grupo, arrumar dinheiro para campanha. Os jovens voluntaristas não aceitam que seus representantes políticos sejam eleitos pela massa ignara, que não sabe diferenciar corruptos de não corruptos, que vota em evangélicos, em fisiológicos, em petistas. Querem ganhar no grito.

As madames, revoltadas com o súbito aumento no custo das empregadas domésticas, indignadas com a invasão de pobres nos aeroportos, devem ter cortado a mesada dos filhos, que saíram às ruas em protesto contra essa situação. O passe livre significa que a patroa não precisará mais pagar a passagem de sua empregada doméstica. A legislação brasileira obriga o empregador a pagar o transporte do funcionário. Seu passe já é livre. Pessoas com mais de 60 anos não pagam passagem. Estudantes pagam meia em muitas cidades. E o autônomo tem-se beneficiado, por sua vez, de uma forte disparada no preço dos serviços que presta. Os vinte centavos a mais na passagem, conforme os próprios manifestantes admitiram, nunca foram o cerne dos protestos.

A questão da mobilidade urbana deve ser monitorada de perto pelos cidadãos. Se os protestos fossem, especificamente, para melhorar a qualidade do transporte público, maravilha. Mas botar 300 mil pessoas na rua, sem agenda, protestando por protestar, é algo sinistro. Um alemão com quem conversei longamente em Brasília falou assim mesmo: “It’s scaring”. É assustador. Eles – alemães – já viram esse filme antes e não guardam boas lembranças.

É a revolução dos “coxinhas” ou “almofadinhas”, apoiados por neo-hippies de butique, desmiolados, indignados úteis, adolescentes ingênuos, e toda espécie de malucos e idiotas políticos, que agora ganharam a companhia dos apopléticos dos clubes militares e das madames cansadas do Leblon.

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Os amigos estranhos dos coxinhas jogam capoeira e estão
preparados pra guerra.

Enquanto isso, Joaquim Barbosa, candidato preferido dos manifestantes, dá longas entrevistas à Globonews, defendendo o voto distrital e a possibilidade do povo “revogar” seu voto através de um “recall”. Detalhe: o voto distrital é o sonho da direita, porque seria a maneira mais rápida de matar o sindicalismo e, por consequência, todos os partidos de esquerda.

A proposta de Dilma Rousseff de fazer um plebiscito popular para decidirmos se devemos ou não eleger uma constituinte, para levar adiante a reforma política, deu o foco que o Brasil precisava. As acusações da oposição partidária de que seria um golpe apenas confirmam a sua inapetência política. A verdadeira oposição, aquela que hoje se encarna no cidadão Joaquim Barbosa, que se tem mostrado muito mais astuto e articulado que um Aécio Neves, apoia o plebiscito, porque entende que ele consiste, na verdade, numa jogada de risco para a presidenta. E uma oportunidade de ouro para a oposição ao PT. Uma constituinte poderia introduzir, por exemplo, o voto distrital tão sonhado por Joaquim Barbosa.

Mas um plebiscito também significa o aprofundamento da democracia. Vocês, manifestantes, querem promover uma ruptura no ritmo com o qual o Brasil vem mudando? Querem uma bebida mais forte? Tudo bem, vamos perguntar ao povo se ele concorda.

A eleição de uma Constituinte para discutir a reforma política, por sua vez, é um gesto de deferência à rejeição vista nos protestos contra a classe política tradicional. É uma oportunidade de os manifestantes provarem que seus protestos são consequentes e irem às ruas fazerem campanha para seus representantes preferidos. É uma oportunidade e tanto para sonháticos, barbosianos, éticos midiáticos, e independentes de todo o tipo.

Eu nem sei se defendo este plebiscito, essa constituinte, essa reforma política. O que eu sei é que se está oferecendo ao povo a oportunidade de decidir, e uma bandeira branca aos manifestantes. Ok, vocês venceram, vamos consultar o povo. Agora deixemos o Brasil trabalhar e funcionar, porque sem estabilidade econômica e política todo mundo sai perdendo, a começar pelo mais pobre.

Os protestos de rua conquistaram algumas vitórias, mas a um preço talvez excessivo: introduzimos o vírus da truculência na política brasileira. É alarmante que tanta gente ache “lindo” ver o povo destruindo pontes, ônibus, monumentos, lojas, restaurantes, rodoviárias, patrimônio público. E tudo pra que? Por um mundo melhor?

A coisa perdeu todo o sentido porque é chocantemente absurdo ver um jovem socialista marchando ao lado de um defensor da ditadura. De um defensor do aborto ombreando com um que prega o contrário. O nível de esquizofrenia dos protestos, aliado à condescendência da mídia, atingiu um ponto crítico.

Quanto ao governo, a grande lição é o fracasso retumbante de sua política de comunicação, e a derrota na batalha pelo coração da classe média. Acabaram-se as tertúlias no programa da Ana Maria Braga, acabou-se o mito da faxineira da ética, da gestora séria e competente. Dilma se viu obrigada a fazer política. A ir para TV. A convocar movimentos sociais, governadores e prefeitos. A ouvir as centrais sindicais. Agora não pode mais parar. Dilma tem de achar uma outra Dilma para si, para gerenciar o país, e tem que mergulhar de vez na agenda política. Participar mais do debate, ajudando a aprovar suas reformas do Congresso, a defender seu governo nos meios de comunicação.

No meio da crise, com protestos comendo soltos em todo país, e ninguém sabendo direito onde aquilo ia dar, o blog da Dilma, uma ferramenta extraordinária para apagar incêndios, permaneceu parado. Twitter da Dilma, parado. Facebook da Dilma, idem. Um garoto do subúrbio carioca faz um trabalho melhor de comunicação para a presidenta, com o perfil Dilma Bolada, do que todo o pesado staff da presidência da república e da Secom.

Coxinhas_Amigos07

Os coxinhas e seus amigos estranhos querem arrumar confusão…
nem que seja entre eles mesmos.

A comunicação da presidenta é dominada pelo pensamento publicitário, pela mídia 1.0, onde tudo é pensado em termos de milhões de reais. Qual o custo em atualizar um blog, em escrever uns tuitezinhos por dia? Nenhum. Mas a presidência, sequestrada pela lógica pesada da Secom, prefere torrar milhões para fazer um novo pronunciamento na TV. Por que não fazer um tweetcam semanal com jovens e internautas? Porque não inovar na comunicação, interagir diretamente com a população, sem intermediação de Globo, Veja, Folha, Estadão? Cristina Kirchner, Obama, Chavez, todo mundo tá fazendo (ou fez) isso, prezada Helena Chagas!

Há um lado positivo em tudo isso, que é a aceleração da História. Assim como uma manifestação pode começar pela esquerda e terminar pela direita, como é o que aconteceu, ela pode tender à esquerda novamente. Mesmo uma guinada à esquerda, porém, só seria positiva se viesse no bojo de um forte apoio do povo e dos estratos mais progressistas da classe média. Um neochavismo sem base popular, sem comunicação, turbulento, isolacionista e mal-ajambrado, apenas abriria espaço para uma vitória conservadora em 2014.

Por isso é tão necessário desenvolver uma estratégia de comunicação mais agressiva, mais jovem e mais dinâmica. O povo quer falar contigo, Dilma. Não apenas através de um plebiscito onde diremos sim ou não. Não através da Globonews. Quer falar contigo diretamente, olho no olho. Mas não pela TV, que tem um lado só. Tem que ser pela internet, onde podemos interagir. Talvez aí, nesse diálogo direto, veremos emergir uma surpreendente criatividade.

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