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Copa será grande celebração com ganhos imensos para o país

8 de abril de 2014

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“Futebol não é mais unanimidade nacional”, afirma Vinicius Lages. O ministro do Turismo diz ainda que os estádios não se tornarão elefantes brancos, desde que sejam bem administrados.

André Borges, via Valor Econômico e lido no SQN

Se vestir a camisa da seleção brasileira, o novo ministro do Turismo, Vinicius Lages, arrisca uma final da Copa entre Brasil e Espanha. A aposta é outra, porém, se ele estiver no gabinete do ministério que assumiu há três semanas: “Prefiro uma final com os Estados Unidos. Imagine o impacto disso no turismo?”

Fora do campo, Lages adota um tom mais pragmático ao falar dos benefícios e desafios da realização da Copa do Mundo, seus dilemas com obras de infraestrutura e os desdobramento das esperadas manifestações sociais. Em entrevista ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, Lages prevê uma “grande celebração”, mas reconhece as preocupações do governo com as manifestações. Sobre esses movimentos, diz que se trata de reflexos de “um país que amadureceu”, onde uma nova classe média “reivindica mais direitos”. É preciso aceitar, diz ele, que o futebol “não é mais unanimidade nacional”.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O senhor considera que o país está pronto para a Copa?

Vinicius Lages: Nos preparamos para esse momento. Há o reconhecimento de que o Brasil tem uma hospitalidade diferenciada, é um país que sabe receber o turista. Vimos, na Copa das Confederações, que temos condições de afirmar que o sucesso vai se repetir na Copa do Mundo. Isso não significa que todos os aeroportos, por exemplo, estarão concluídos até os jogos. Seria muito precipitado não considerar algumas ocorrências. Mas acredito que não teremos problemas na Copa.

Valor: Há uma reclamação generalizada por obras de infraestrutura que não serão entregues. Qual a avaliação do senhor sobre isso?

Lages: Desde que o Brasil foi escolhido para acolher os jogos, vivemos um processo em que a sociedade passou a ser mais exigente com a oferta de serviços de melhor qualidade. A classe C não é mais complacente com serviços de baixa qualidade. São questões importantes que o país está vivendo. É preciso reconhecer também que o Estado, de seu lado, está investindo e se preparando para atender essas demandas, está se adequando para acelerar os processos. É claro que ainda vamos ter algumas obras por terminar, mas eu considero que a vida continua, no sentido de que essas estruturas, quer aquelas especializadas para os jogos, quer as demais, farão com que o país e o turismo saiam ganhando.

Valor: Há um consenso de que as cidades ganharam estádios, mas não obras de mobilidade.

Lages: Mesmo que isso fosse verdade, e pode ser que em alguns casos as expectativas de fato ficaram acima do que foi possível fazer, é preciso reconhecer que apenas um equipamento esportivo numa cidade é capaz de gerar uma dinâmica enorme dentro de um setor como o de esportes, alterando o padrão de gestão dos times e de todos envolvidos. O Mineirão, em Belo Horizonte, é um exemplo claro do que isso significou no padrão do futebol mineiro. Mesmo que essa afirmação de não haver obras de mobilidade fosse verdade, os estádios permitem a exploração de um vetor econômico importante.

Valor: Mas não é verdade?

Lages: Não é. Temos várias cidades com obras de mobilidade em andamento. Além disso, imagine o impacto do que está ocorrendo, por exemplo, em outros setores como o de engenharia e de serviços especializados. Essas empresas, hoje, estão bem mais preparadas para montar a infraestrutura desse país. Cerca de 15 mil pequenas empresas foram treinadas para aproveitar oportunidades, com serviços que podem gerar até R$500 milhões com o torneio. Isso já é um ganho excepcional. A Copa acelerou investimentos, além daqueles que já estavam em curso.

Valor: Como o senhor avalia as manifestações sociais previstas para ocorrer durante a Copa?

Lages: Estamos monitorando isso de forma integrada com outros ministérios. Acredito que a Copa será uma grande festa, mas há um sentimento de expectativa sobre movimentos isolados. É preciso lembrar que vivemos em uma democracia. As manifestações podem acontecer e é muito bom que aconteçam. O Estado, de seu lado, tem mecanismos de inteligência, está preparado para lidar com esses movimentos, para identificar pontos fora da curva e agir em situações preocupantes. Ainda que possamos ter algumas manifestações, a Copa será uma grande celebração. Agora, paralelamente, temos que nos acostumar com o fato de que o futebol não é mais unanimidade nacional. Isso acabou.

Valor: O que o senhor quer dizer com isso?

Lages: Vivemos hoje em uma sociedade mais complexa, de 200 milhões de pessoas, com uma forte e crescente classe média, que reivindica mais direitos. A situação não é mais tão hegemônica. O país amadureceu, mudou. Entre 200 milhões de pessoas, é natural que muitos não queiram futebol, não gostem do Carnaval. Essa sensação de que podemos ter uma unanimidade, em uma sociedade mais bem informada, passou. Temos que lidar com isso. Agora, também é preciso aceitar a maioria, que entende que a Copa é uma oportunidade sem igual, que nos projetará e muito. Temos estádios com uma qualidade que nunca tivemos, uma infraestrutura urbana requalificada. São suficientes? Ocorrem na velocidade que esperamos e que a expectativa social impõe? Não, mas são transformações urbanas importantes e que estão acontecendo.

Valor: A construção de estádios também é alvo de críticas. Cidades como Brasília, Cuiabá e Manaus são acusadas de terem erguido elefantes brancos. O que o senhor pensa sobre isso?

Lages: Uma das belezas dessa Copa é que ela é inclusiva. Foi uma decisão política envolver todas as regiões do país. Mesmo que se diga que há estádios que possam ter uma baixa utilização, eles darão resultado se tiverem uma estratégia bem montada. Vai depender muito disso. Temos que dinamiza-los, são equipamentos multiuso e que terão de ser rentabilizados. Todos têm custo e manutenção elevados. Tudo vai depender dos modelos de negócio e das iniciativas. Em qualquer lugar do mundo é assim.

Valor: O governo é criticado por ter gasto muito dinheiro com a Copa. Gastou?

Lages: Não vejo dessa forma. Estamos falando de um evento que trará um incremento de pelo menos 0,55% sobre um PIB de R$5 trilhões. São cerca de R$30 bilhões. Um evento desses tem que ser dimensionado em torno de sua relevância. É um impacto bem razoável, principalmente pelos reflexos de longo prazo que ele deixa. Não é nada pequeno. Além disso, o país não deixou de investir em saúde ou educação, em políticas sociais, infraestrutura não especializada nos jogos, frentes para complementar sua estrutura energética. Há um exagero nessa expressão de que se gastou muito com a Copa.

Valor: Recentemente, o TCU apontou atrasos nas instalações dos centros de atendimento ao turista nas cidades-sedes. Eles serão entregues a tempo?

Lages: Eu solicitei um balanço para monitorar a situação. Muito já estão prontos, mas também temos problemas que estão sendo resolvidos. Faremos um acompanhamento nessa reta final. Em alguns casos, onde as obras não ficarem prontas a tempo, teremos algumas estruturas com centros móveis de atendimento ao turista, instalados em pontos estratégicos.

Valor: Que seleção vai para a final da Copa com o Brasil?

Lages: Como ministro, escolho os norte-americanos na final. Eles virão em massa para o Brasil. Imagine numa final, todo mundo celebrando, audiência no máximo, um empate até os 45 minutos do segundo tempo e eles fisgados até o último minuto. Então, sai um golaço do Fred. Seria espetacular.

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Copa das Confederações já pagou os estádio diz estudo da Fipe

Copa das Confederações já pagou estádios, diz estudo

8 de abril de 2014

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Via Brasil 247

O dinheiro injetado na economia brasileira por conta da Copa das Confederações, que durou duas semanas em 2013, em seis capitais, ultrapassou o valor que deverá ser gasto com a construção dos 12 estádios da Copa do Mundo. É o que revela um estudo que acaba de ser concluído pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que aponta que foram adicionados R$9,7 bilhões no País até a véspera do evento. Segundo a última estimativa oficial da Fifa, divulgada em janeiro, o custo dos estádios deverá ser de R$8,9 bilhões.

Encomendado pelo ministério do Turismo, o levantamento mostra que o gasto de turistas nacionais durante a Copa das Confederações chegou a R$346 milhões, enquanto os estrangeiros desembolsaram R$102 milhões no País. O evento gerou ainda 303 mil vagas de trabalho, 40% nas cidades-sede e 60% em outros locais. Os números finais são ainda mais positivos: considerado o efeito multiplicador do evento, ou seja, a partir do impacto na economia para cada real investido, o total movimentado foi de R$20,7 bilhões.

Com base no retorno financeiro que a Copa das Confederações deu ao Brasil, a estimativa, de acordo com o estudo da Fipe, é de que o investimento no País com a Copa do Mundo seja pelo menos três vezes maior: R$30 bilhões, ou 0,5% do PIB, revela reportagem do jornal Valor Econômico na segunda-feira, dia 7. Há expectativa também de que o País atraia um turista que gaste mais: R$5,5 mil, em média – enquanto em 2013 esse valor foi de R$4,1 mil. A previsão é que 600 mil estrangeiros passem por aqui durante o Mundial.

Retorno que vale a pena

Para o ministro do Turismo, Vinicius Lages, “os números [da pesquisa da Fipe] demonstram que investir em turismo e em grandes eventos vale a pena. O turismo se beneficia do investimento em infraestrutura e alavanca outros setores”. Em entrevista, ele afirma que, com a Copa das Confederações, “tivemos um impacto na economia como um todo. Até 137 cidades que não tinham relação direta com o evento foram visitadas”.

Lages também ressalta que foi visto, com o evento de 2013, que o sucesso se repetirá em 2014, na Copa do Mundo. “Isso não significa que todos os aeroportos, por exemplo, estarão concluídos até os jogos. Seria muito precipitado não considerar algumas ocorrências. Mas acredito que não teremos problemas na Copa”, pondera.

Segundo ele, as arenas não serão elefantes brancos se forem bem utilizadas. “Mesmo que se diga que há estádios que possam ter uma baixa utilização, eles darão resultado se tiverem uma estratégia bem montada. Vai depender muito disso. Temos que dinamiza-los, são equipamentos multiuso e que terão de ser rentabilizados. Todos têm custo e manutenção elevados. Tudo vai depender dos modelos de negócio e das iniciativas. Em qualquer lugar do mundo é assim”, pontuou.

Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre a criação de empregos na Copa:

Copa deve gerar 48 mil postos de trabalho no setor turísticos

Vitor Abdala

A Copa do Mundo deve gerar 47,9 mil vagas de trabalho no setor de turismo nos 12 estados-sede da competição, entre os meses de abril e junho deste ano. A estimativa é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base no fluxo de 3,6 milhões de turistas que deverão circular pelo país durante a competição, de 12 de junho a 13 de julho.

O economista da CNC Fabio Bentes ressalta que o número é 60% superior à geração de postos de trabalho nos 12 estados no mesmo período do ano passado (29,5 mil). Apesar disso, grande parte dessas vagas deverá ser temporária.

“Pouquíssima gente deve ser absorvida depois da Copa, porque o setor de turismo não está indo tão bem neste ano. É natural que depois da Copa, haja um enxugamento dessas contratações, porque são trabalhos temporários mesmo”, disse Bentes.

De acordo com a CNC, o setor de alimentação responderá pela maior parte da geração de postos de trabalho. Cerca de 16,1 mil vagas, ou 33,5% do total, deverão ser criadas por bares e restaurantes, que são o principal segmento turístico, segundo a confederação.

Os transportes de passageiros deverão abrir 14 mil vagas (29,2% do total), enquanto hotéis, pousadas e similares responderão por 12,3 mil novos postos de trabalho (25,7%). Outros setores gerarão menos vagas, como os serviços culturais e recreativos (3,8 mil) e agências de viagens (1,7 mil).

Em termos de remuneração, as maiores ficarão com as agências de viagens (R$1.626). Em seguida, aparecem os transportes de passageiros (R$1.449), serviços culturais e recreativos (R$1.397), a alimentação (R$935) e hospedagem (R$900)

Globo orienta jornalistas a evitar “pautas positivas” sobre a Copa

10 de fevereiro de 2014

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Via Notícias da TV

A Globo distribuiu na semana passada uma recomendação a todos os jornalistas da rede para que adotem uma cobertura “equilibrada” da Copa do Mundo, que ocorre no Brasil de 11 de junho a 13 de julho. A orientação vale principalmente para os profissionais que trabalham para o Jornal Nacional.

Os coordenadores de cobertura da Copa de todas as afiliadas foram orientados a transmitir a repórteres e editores a mensagem de que a Copa e a seleção brasileira são uma paixão nacional, mas que irregularidades deverão ser denunciadas e “pautas positivas” deverão ser evitadas, a não ser que “surjam naturalmente”.

Reportagens que mostram como a Copa está beneficiando grupos de pessoas, como os comerciantes vizinhos a estádios, já não estão sendo produzidas para o Jornal Nacional.

Jornalistas da Globo entenderam a mensagem da seguinte forma: não se deve enaltecer a Copa para não passar a mensagem de que a emissora é aliada da Fifa, organizadora do evento. A rede, enfim, irá cobrir tudo, sem tirar nem por. Só haverá oba-oba em cima da seleção e seus craques, caso o Brasil, é claro, faça uma boa campanha.

Apesar do esforço do jornalismo, a Globo é, sim, aliada da Fifa. Não apenas como detentora dos direitos de transmissão da Copa do Mundo, mas também como licenciadora de mais de 1.700 produtos do evento, que deverão movimentar R$2 bilhões no varejo, segundo estimativa da emissora. A Globo já faturou R$1,438 bilhão com a venda das oito cotas de patrocínio das transmissões da Copa.

E, se no jornalismo a ordem é procurar distanciamento, na publicidade o posicionamento da Globo é de emissora oficial da Copa. A Globo lançou no começo de fevereiro um novo comercial, chamado Cadeiras, sob o conceito “Agora somos um só”, cuja proposta é mostrar “como a televisão, com a transmissão de uma Copa do Mundo, tem a magia de colocar o país todo na mesma vibração”.

A realização da Copa não retira recursos da Saúde e da Educação

7 de fevereiro de 2014

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Via Blog do Carlos Borges da Saúde

Gastos com a Copa não retiram dinheiro do Orçamento da Educação e da Saúde, para estes setores já tem recursos obrigatório previsto na Constituição para cada esfera de governo, então gastos com a Copa do Mundo e serviços públicos de qualidade não estão em contradição, como parte da mídia tenta passar para o povo.

Este caso é muito diferente do uso de recursos BNDES para financiar a privatização no governo de FHC. O BNDES emprestou muito dinheiro para que os empresários comprar as estatais construídas com recursos públicos. Nesta época a mídia não excitava o povo para ir para rua, claro atendia os seus interesses capitalistas e a sua classe.

Por definição o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é uma empresa pública federal para financiamento de longo prazo e investimentos em todos os segmentos da economia. É bom salientar que os recursos emprestados por este banco tem que ser devolvido com juros e correções.

Boa parte dos recursos do BNDES é emprestada ao setor privado, como acontece também com o Banco do Brasil que empresta mais de R$115 bilhões para o setor agrícola, aonde mais de 80% vai para o Agronegócio. Então também está tirando recursos da Educação e Saúde? A resposta é negativa.

Curiosamente eu não vejo a Grande Mídia e seus articulistas defendendo que o povo deva ir para rua lutar pelo projeto de iniciativa popular que aumenta recursos para a Saúde, para o projeto que aumenta recursos para a Educação, lutar por Reforma Agrária e Reforma Urbana. Também não vejo campanha para o povo ir para a rua lutar contra o aumento da Taxa de juro, ao contrário vê a mídia todo dia falando e inventando índice de inflação para forçar o governo aumentar a taxa de juro. Provavelmente esta deve ser a maior fonte de receita da Família Marinho, a família mais rica do Brasil, pois da Rede Globo na dever ser porque faz pouco tempo que estiveram com o pires na mão em busca de recursos.

O fato é que o que está em jogo não é o que aparece na telinha, o que aparece é apenas para iludir o povo e usá-lo como massa de manobra. O que está em jogo é a luta de classe. É parte da mídia e do capital que não querem perder a sua fatia da renda, a renda quanto mais concentrada melhor. Então se depender deles não pode haver política de valorização do salário mínimo, não pode haver manutenção e garantia dos direitos trabalhistas e o baixo nível de desemprego cria dificuldades para a contratação de trabalhadores.

Os gastos ou investimentos com os estádios devem alcançar em torno de R$9 bilhões com boa parte dos recursos vem do BNDES, no máximo R$400 milhões por arena. Outra coisa que deve ser falada é que a maioria das obras é de responsabilidade dos governos estaduais e dos times como o caso do estádio do Internacional, do Atlético do Paraná e do Corinthians. Neste caso, onde houver superfaturamento deve ser cobrada a responsabilidade do gestor local. O restante dos gastos como modernização de portos e aeroportos, renovação da infraestrutura hoteleira, obras de mobilidade urbana e fortalecimento da rede de telecomunicações deverão ser gastos aproximadamente R$22 bilhões.

Não podemos deixar de levar em conta o impacto positivo sobre a economia brasileira, gerando empregos, aumentando o consumo e atraindo outros investimentos, aumento da produtividade, modernização do setor de turismo e melhora da infraestrutura urbana.

No Brasil dos brasileiros existe uma elite que historicamente sempre pensou de forma subserviente, sempre atendendo aos interesses da burguesia internacional, estes veem o Brasil com os olhos dos estrangeiros. A rigor não são brasileiros são brazileiros, é como os “gringos” escrevem o nosso país – Brazil.

O importante nesta história toda que os gastos para a Copa do Mundo não ocorreram em detrimento da educação. Temos que vencer o “complexo de vira-lata”, o Brasil também pode ter estádios modernos, afinal de contas somos o país do futebol e já somos a 5ª maior economia do mundo.

Washington Araújo: O Brasil é um lar espiritual para o futebol mundial

7 de fevereiro de 2014

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Washington Araújo, recebido por e-mail

Nosso país bem pode ser referido como um dos lares espirituais do futebol mundial e em 1950 teve o privilégio de sediar pela primeira vez uma edição da Copa do Mundo de Futebol organizada pela entidade-mor do esporte, a FIFA, agora, passados 64 anos, tendo no currículo cinco campeonatos mundiais, receberá em junho próximo os selecionados de 32 países, incluindo os estreantes Bósnia e Herzegovina.

A Copa Fifa 2014 no Brasil não tem sido avaliada adequadamente e sempre que lemos algo na imprensa percebemos o alto teor político-partidário com que o assunto vem se revestindo.

Com suas características de país-continente, a massa esperada de turistas-torcedores que aqui acorrerá terá oportunidade singular de, em não mais que um mês, conhecer as belezas naturais de cidades tão diversas quanto a hospitaleira Natal, o ícone de metrópole brasileira que é o Rio de Janeiro, a misteriosa Manaus, a moderna Curitiba, a pujante São Paulo, a festeira Salvador, a festeira Recife, a bucólica Cuiabá, e mais esses centros de brasilidade que são Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre. E, além de todas essas, os visitantes poderão visitar Brasília, esse milagre de arquitetura arrojada tornado realidade por Oscar Niemeyer e Lucio Costa há pouco mais de 50 anos.

As distâncias entre as sedes dos jogos não serão desprezíveis e o clima oscilará do frio de Porto Alegre à umidade de Manaus e ao calor com brisa do mar de Recife, Fortaleza, Salvador e Natal.

Essa nossa diversidade geográfica diz muito da diversidade humana que o Brasil tem para revelar ao mundo. Somos originários de ancestrais índios, europeus e africanos. Aqui desfrutamos da mais completa liberdade de crença, quando cristãos, adeptos de cultos de matriz africana, muçulmanos, bahá’ís, judeus, budistas convivem sem maiores dificuldades, e salvo eventuais excessos praticados por um ou outro indivíduo, no país vale o ensinamento de Krishna de que “não importa por que nome me invoqueis, Eu te responderei”.

Mas se alguém deseja mensurar de forma séria o significado de um evento esportivo de dimensão planetária como tem sido as sucessivas e mais recentes edições da Copa do Mundo de Futebol não existe filtro menos aconselhável que o de natureza ideológica. Com esse filtro, todos os gols são contrários à livre e independente busca da verdade, uma vez que privilegia-se visões fragmentadas da realidade e percepções sectárias na falsa dicotomia governos versus oposições.

Se mirarmos tão somente aspectos econômicos e financeiros, ainda com as contas finais longe de estarem fechadas, os custos e investimentos totais deverão estar por volta de R$26 bilhões. E como o país tem investido – e continua investindo – este montante? Bem, a construção de estádios (R$8 bilhões é cerca de 30% desse valor. E os 70% dos gastos da Copa não serão em estádios, mas em infraestrutura, serviços e formação de mão de obra. Apenas os gastos em aeroportos (R$6,7 bilhões, somados ao que será investido pela iniciativa privada (R$2,8 bilhões até 2014) é maior que o gasto com estádios. Já os gastos com mobilidade urbana praticamente empatam com o dos estádios.

A desinformação sobre valores e investimentos em ações para termos a melhor das Copas do Mundo muito contribui para o acirramento de ânimos e sua consequente politização, gerando muitas vezes falsas dicotomias: Copa do Mundo versus Saúde – Copa 2014 versus Educação – Fifa 2014 versus Mobilidade urbana. O que se desconhece (ou se procura desconhecer) é o fato que tais binômios não são antagônicos em sua natureza, em sua essência. Quem, em sã consciência, colocaria um evento esportivo acima de prioridades humanas básicas como educação, saúde e mobilidade urbana? Mas quem, também em sã consciência, poderia afirmar que se os 8 bilhões de reais usados na construção de arenas e estádios de futebol tivessem sido destinados ao aprimoramento de nossas carências nas três áreas sociais mencionadas, o Brasil passaria a dispor de educação, saúde e mobilidade urbana padrão Fifa?

É inegável que os recursos gastos em estádios poderiam ser úteis a atender parte de nossas históricas carências de infraestrutura de serviços essenciais. Mas, convenhamos, se os problemas do Brasil pudessem ser resolvidos com R$8 bilhões, já teriam sido.

De natureza pacifista, o Brasil só tem guerras em seus livros de história. Conflitos armados? Não. Disputa de fronteiras com países vizinhos? Também não. Terremotos e tsunamis? Não. O país, relativamente novo no concerto das nações, foi descoberto no ano de 1.500 com a vinda do navegante português Pedro Alvares Cabral. Naquele mês de abril há cinco século passados, esta terra foi descoberta ao tempo em que foram encobertas culturas, crenças e idiomas de seus povos nativos, reunidos em cerca de 200 diferentes etnias e tribos indígenas.

E é o povo deste Brasil que irá recepcionar, abrigar e acolher milhares de cidadãos vindos de quase duas centenas de nações, todos marcados por seu apreço ao futebol-arte, à dança de 22 atletas buscando levar seu país ao topo do futebol mundial.

É um momento singular para exercitarmos a virtude que tanto nos caracteriza, cantada em verso e prosa, destacada com regularidade nas mais diversas competições esportivas do planeta – a hospitalidade. Tratar o estrangeiro como um amigo longe de ser um desafio para nós brasileiros, é um convite irrecusável a que conheçam nossa cultura, nossos valores humanos, nossa maneira de encarar do futuro o presente que há muito ansiamos – a terra da prosperidade para todos, com justiça, liberdade e desenvolvimento social.

A Copa 2014 precisa ser um poderoso magneto criando “mais liga entre os seres humanos” em um mundo tão fragmentado por guerras e conflitos, tão fragilizado por injustiças há muito enraizadas e a desigualdades sociais duramente resistentes a mudanças.

O Brasil tem muito o que ensinar ao mundo. E também muito a aprender. Poderemos ensinar a tolerância em meio às diferenças. Poderemos aprender a ter um nacionalismo são e saudável, sem extremismos.

Ensinaremos nossa unidade essencial, essa unidade que irmana manauaras a cariocas, mineiros a cearenses, baianos a capixabas, sulistas a nordestinos.

Apreço à diversidade… não será para isso que serve um evento a ser visto via satélite por 2/3 da raça humana?

Antonio Lassance: Vai ter Copa, argumentos para enfrentar quem torce contra o Brasil

27 de janeiro de 2014

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Como a desinformação alimenta o festival de besteiras ditas contra a Copa do Mundo de Futebol no Brasil.

Antonio Lassance, via Carta Maior

Profetas do pânico: os grupos que patrocinam a campanha anticopa

Existe uma campanha orquestrada contra a Copa do Mundo no Brasil. A torcida para que as coisas deem errado é pequena, mas é barulhenta e até agora tem sido muito bem sucedida em queimar o filme do evento.

Tiveram, para isso, uma mãozinha de alguns governos, como o do estado do Paraná e da prefeitura de Curitiba, que deram o pior de todos exemplos ao abandonarem seus compromissos com as obras da Arena da Baixada, praticamente comprometida como sede.

A arrogância e o elitismo dos cartolas da Fifa também ajudaram. Aliás, a velha palavra “cartola” permanece a mais perfeita designação da arrogância e do elitismo de muitos dirigentes de futebol do mundo inteiro.

Mas a campanha anticopa não seria nada sem o bombardeio de informação podre patrocinado pelos profetas do pânico.

O objetivo desses falsos profetas não é prever nada, mas incendiar a opinião pública contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso. Afinal, nada melhor do que o pânico para se assassinar o bom senso.

Como conseguiram azedar o clima da Copa do Mundo no Brasil

O grande problema é quando os profetas do pânico levam consigo muita gente que não é nem virulenta, nem violenta, mas que acaba entrando no clima de replicar desinformações, disseminar raiva e ódio e incutir, em si mesmas, a descrença sobre a capacidade do Brasil de dar conta do recado.

Isso azedou o clima. Pela primeira vez em todas as copas, a principal preocupação do brasileiro não é se a nossa seleção irá ganhar ou perder a competição.

A campanha anticopa foi tão forte e, reconheçamos, tão eficiente que provocou algo estranho. Um clima esquisito se alastrou e, justo quando a Copa é no Brasil, até agora não apareceu aquela sensação que, por aqui, sempre foi equivalente à do Carnaval.

Se depender desses Panicopas (os profetas do pânico na Copa), essa será a mais triste de todas as copas.

“Hello!”: já fizemos uma copa antes

Até hoje, os países que recebem uma Copa tornam-se, por um ano, os maiores entusiastas do evento. Foi assim, inclusive, no Brasil, em 1950. Sediamos o mundial com muito menos condições do que temos agora.

Aquela Copa nos deixou três grandes legados. O primeiro foi o Maracanã, o maior estádio do mundo – que só ficou pronto faltando poucos dias para o início dos jogos.

O segundo, graças à derrota para o Uruguai (“El Maracanazo”), foi o eterno medo que muitos brasileiros têm de que as coisas saiam errado no final e de o Brasil dar vexame diante do mundo – o que Nélson Rodrigues apelidou de “complexo de vira-latas”, a ideia de que o brasileiro nasceu para perder, para errar, para sofrer.

O terceiro legado, inestimável, foi a associação cada vez mais profunda entre o futebol e a imagem do país. O futebol continua sendo o principal cartão de visitas do Brasil – imbatível nesse aspecto.

O cartunista Henfil, quando foi à China, em 1977, foi recebido com sorrisos no rosto e com a única palavra que os chineses sabiam do português: “Pelé” (está no livro Henfil na China, de 1978).

O valor dessa imagem para o Brasil, se for calculada em campanhas publicitárias para se gerar o mesmo efeito, vale uma centena de Maracanãs.

Desinformação #1: o dinheiro da Copa vai ser gasto em estádios e em jogos de futebol, e isso não é importante

O pior sobre a Copa é a desinformação. É da desinformação que se alimenta o festival de besteiras que são ditas contra a Copa.

Não conheço uma única pessoa que fale dos gastos da Copa e saiba dizer quanto isso custará para o Brasil. Ou, pelo menos, quanto custarão só os estádios. Ou que tenha visto uma planilha de gastos da Copa.

A “Copa” vai consumir quase R$26 bilhões de reais. A construção de estádios (R$8 bilhões) é cerca de 30% desse valor. Cerca de 70% dos gastos da Copa não são em estádios, mas em infraestrutura, serviços e formação de mão de obra. Os gastos com mobilidade urbana praticamente empatam com o dos estádios. O gastos em aeroportos (R$6,7 bilhões), somados ao que será investido pela iniciativa privada (R$2,8 bilhões até 2014) é maior que o gasto com estádios.

O ministério que teve o maior crescimento do volume de recursos, de 2012 para 2013, não foi o dos Esportes (que cuida da Copa), mas sim a Secretaria da Aviação Civil (que cuida de aeroportos).

Quase R$2 bilhões serão gastos em segurança pública, formação de mão de obra e outros serviços.

Ou seja, o maior gasto da Copa não é em estádios. Quem acha o contrário está desinformado e, provavelmente, desinformando outras pessoas.

Desinformação #2: se deu mais atenção à Copa do que a questões mais importantes

Os atrasos nas obras pelo menos serviram para mostrar que a organização do evento não está isenta de problemas que afetam também outras áreas. De todo modo, não dá para se dizer que a organização da Copa teve mais colher de chá que outras áreas.

Certamente, os recursos a serem gastos em estádios seriam úteis a outras áreas. Mas se os problemas do Brasil pudessem ser resolvidos com R$8 bilhões, já teriam sido.

Em 2013, os recursos destinados à educação e à saúde cresceram. Em 2014, vão crescer de novo.

Portanto, o Brasil não irá gastar menos com saúde e educação por causa da Copa. Ao contrário, vai gastar mais. Não por causa da Copa, mas independentemente dela.

No que se refere à segurança pública, também haverá mais recursos para a área. Aqui, uma das razões é, sim, a Copa.

Dados como esses estão disponíveis na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e aprovada pelo Congresso (nas referências ao final está indicado onde encontrar mais detalhes).

Se alguém quiser ajudar de verdade a melhorar a saúde e a educação do país, ao invés de protestar contra a Copa, o alvo certo é lutar pela aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo cumprimento do piso salarial nacional dos professores, pela fixação de percentuais mais elevados e progressivos de financiamento público para a saúde e pela regulação mais firme sobre os planos de saúde.

Se quiserem lutar contra a corrupção, sugiro protestos em frente às instâncias do Poder Judiciário, que andam deixando prescrever crimes sem o devido julgamento, e rolezinhos diante das sedes do Ministério Público em alguns estados, que andam com as gavetas cheias de processos, sem dar a eles qualquer andamento.

Marchar em frente aos estádios, quebrar orelhões públicos e pichar veículos em concessionárias não tem nada a ver com lutar pela saúde e pela educação.

Os estádios, que foram malhados como Judas e tratados como ícones do desperdício, geraram, até a Copa das Confederações, 24,5 mil empregos diretos. Alto lá quando alguém falar que isso não é importante.

Será que o raciocínio contra os estádios vale para a também para a Praça da Apoteose e para todos os monumentos de Niemeyer? Vale para a estátua do Cristo Redentor? Vale para as igrejas de Ouro Preto e Mariana?

Havia coisas mais importantes a serem feitas no Brasil, antes desses monumentos extraordinários. Mas o que não foi feito de importante deixou de ser feito porque construíram o bondinho do Pão-de-Açúcar?

Até mesmo para o futebol, o jogo e o estádio são, para dizer a verdade, um detalhe menos importante. No fundo, estádios e jogos são apenas formas para se juntar as pessoas. Isso sim é muito importante. Mais do que alguns imaginam.

Desinformação #3: O Brasil não está preparado para sediar o mundial e vai passar vexame

Se o Brasil deu conta da Copa do Mundo em 1950, por que não daria conta agora?

Se realizou a Copa das Confederações no ano passado, por que não daria conta da Copa do Mundo?

Se recebeu muito mais gente na Jornada Mundial da Juventude, em uma só cidade, porque teria dificuldades para receber um evento com menos turistas, e espalhados em mais de uma cidade?

O Brasil não vai dar vexame, quando o assunto for segurança, nem diante da Alemanha, que se viu rendida quando dos atentados terroristas em Munique, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972; nem diante dos Estados Unidos, que sofreu atentados na Maratona Internacional de Boston, no ano passado.

O Brasil não vai dar vexame diante da Itália, quando o assunto for a maneira como tratamos estrangeiros, sejam eles europeus, americanos ou africanos.

O Brasil não vai dar vexame diante da Inglaterra e da França, quando o assunto for racismo no futebol. Ninguém vai jogar bananas para nenhum jogador, a não ser que haja um Panicopa no meio da torcida.

O Brasil não vai dar vexame diante da Rússia, quando o assunto for respeito à diversidade e combate à homofobia.

O Brasil não vai dar vexame diante de ninguém quando o assunto for manifestações populares, desde que os governadores de cada estado convençam seus comandantes da PM a usarem a inteligência antes do spray de pimenta e a evitar a farra das balas de borracha.

Podem ocorrer problemas? Podem. Certamente ocorrerão. Eles ocorrem todos os dias. Por que na Copa seria diferente? A grande questão não é se haverá problemas. É de que forma nós, brasileiros, iremos lidar com tais problemas.

Desinformação #4: os turistas estrangeiros estão com medo de vir ao Brasil

De tanto medo do Brasil, o turismo para o Brasil cresceu 5,6% em 2013, acima da média mundial. Foi um recorde histórico (a última maior marca havia sido em 2005).

Recebemos mais de 6 milhões de estrangeiros. Em 2014, só a Copa deve trazer meio milhão de pessoas.

De quebra, o Brasil ainda foi colocado em primeiro lugar entre os melhores países para se visitar em 2014, conforme o prestigiado guia turístico Lonely Planet (“Best in Travel 2014”, citado nas referências ao final).

Adivinhe qual uma das principais razões para a sugestão? Pois é, a Copa.

Desinformação #5: a Copa é uma forma de enganar o povo e desviá-lo de seus reais problemas

O Brasil tem de problemas que não foram causados e nem serão resolvidos pela Copa.

O Brasil tem futebol sem precisar, para isso, fazer uma copa do mundo. E a maioria assiste aos jogos da seleção sem ir a estádios.

Quem quiser torcer contra o Brasil que torça. Há quem não goste de futebol, é um direito a ser respeitado. Mas daí querer dar ares de “visão crítica” é piada.

Desinformação #6: muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, o que é um grave problema

É verdade, muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, mas isso não é um grave problema. Tem até um nome: chama-se “legado”.

Mas, além do legado em infraestrutura para o país, a Copa provocou um outro, imaterial, mas que pode fazer uma boa diferença.

Trata-se da medida provisória enviada por Dilma e aprovada pelo Congresso (entrará em vigor em abril deste ano), que limita o tempo de mandato de dirigentes esportivos.

A lei ainda obrigará as entidades (não apenas de futebol) a fazer o que nunca fizeram: prestar contas, em meios eletrônicos, sobre dados econômicos e financeiros, contratos, patrocínios, direitos de imagem e outros aspectos de gestão. Os atletas também terão direito a voto e participação na direção. Seria bom se o aclamado Barcelona, de Neymar, fizesse o mesmo.

Estresse de 2013 virou o jogo contra a Copa

Foi o estresse de 2013 que virou o jogo contra a Copa. Principalmente quando aos protestos se misturaram os críticos mascarados e os descarados.

Os mascarados acompanharam os protestos de perto e neles pegaram carona, quebrando e botando fogo. Os descarados ficaram bem de longe, noticiando o que não viam e nem ouviam; dando cartaz ao que não tinha cartaz; fingindo dublar a “voz das ruas”, enquanto as ruas hostilizavam as emissoras, os jornalões, as revistinhas e até as coitadas das bancas.

O fato é que um sentimento estranho tomou conta dos brasileiros. Diferentemente de outras copas, o que mais as pessoas querem hoje saber não é a data dos jogos, nem os grupos, nem a escalação dos times de cada seleção.

A maioria quer saber se o país irá funcionar bem e se terá paz durante a competição. Estranho.

É quase um termômetro, ou um teste do grau de envenenamento a que uma pessoa está acometida. Pergunte a alguém sobre a Copa e ouça se ela fala dos jogos ou de algo que tenha a ver com medo. Assim se descobre se ela está empolgada ou se sentou em uma flecha envenenada deixada por um profeta do apocalipse.

Todo mundo em pânico: esse filme de comédia a gente já viu. Funciona assim: os profetas do pânico rogam uma praga e marcam a data para a tragédia acontecer. E esperam para ver o que acontece. Se algo “previsto” não acontece, não tem problema. A intenção era só disseminar o pânico e o baixo astral mesmo.

O que diziam os profetas do pânico sobre o Brasil em 2013? Entre outras coisas:

● Que estávamos à beira de um sério apagão elétrico.

● Que o Brasil não conseguiria cumprir sua meta de inflação e nem de superávit primário.

● Que o preço dos alimentos estava fora de controle.

● Que não se conseguiria aprontar todos os estádios para a Copa das Confederações.

O apagão não veio e as termelétricas foram desligadas antes do previsto. A inflação ficou dentro da meta. A inflação de alimentos retrocedeu. Todos os estádios previstos para a Copa das Confederações foram entregues.

Essas foram as profecias de 2013. Todas furadas.

Cada ano tem suas previsões malditas mais badaladas. Em 2007 e 2008, a mesma turma do pânico dizia que o Brasil estava tendo uma grande epidemia de febre amarela. Acabou morrendo mais gente de overdose de vacina do que de febre amarela, graças aos profetas do pânico.

Em 2009 e 2010, os agourentos diziam que o Brasil não estava preparado para enfrentar a gripe aviária e nem a gripe “suína”, o H1N1. Segundo esses especialistas em catástrofes, os brasileiros não tinham competência nem estrutura para lidar com um problema daquele tamanho. Soa parecido com o discurso anticopa, não?

O cataclismo do H1N1 seria gravíssimo. Os videntes falavam aos quatro cantos que não se poderia pegar ônibus, metrô ou trem, tal o contágio. Não se poderia ir à escola, ao trabalho, ao supermercado. Resultado? Não houve epidemia de coisa alguma.

Mas os profetas do pânico não se dão por vencidos. Eles são insistentes (e chatos também). Quando uma de suas profecias furadas não acontece, eles simplesmente adiam a data do juízo final, ou trocam de praga.

Agora, atenção todos, o próximo fim do mundo é a Copa. “Imagina na Copa” é o slogan. E há muita gente boa que não só reproduz tal slogan como perde seu tempo e sua paciência acreditando nisso, pela enésima vez.

Para enfrentar o pessoal que é ruim da cabeça ou doente do pé

O pânico é a bomba criada pelos covardes e pulhas para abater os incautos, os ingênuos e os desinformados.

Só existe um antídoto para se enfrentar os profetas do pânico. É combater a desinformação com dados, argumentos e, sobretudo, bom senso, a principal vítima da campanha contra a Copa.

Informação é para ser usada. É para se fazer o enfrentamento do debate. Na escola, no trabalho, na família, na mesa de bar.

É preciso que cada um seja mais veemente, mais incisivo e mais altivo que os profetas do pânico. Eles gostam de falar grosso? Vamos ver como se comportam se forem jogados contra a parede, desmascarados por uma informação que desmonta sua desinformação.

As pessoas precisam tomar consciência de que deixar uma informação errada e uma opinião maldosa se disseminar é como jogar lixo na rua.

Deixar envenenar o ambiente não é um bom caminho para melhorar o país.

A essa altura do campeonato, faltando poucos meses para a abertura do evento, já não se trata mais de Fifa. É do Brasil que estamos falando.

É claro que as informações deste texto só fazem sentido para aqueles para quem as palavras “Brasil” e “brasileiros” significam alguma coisa.

Há quem por aqui nasceu, mas não nutre qualquer sentimento nacional, qualquer brasilidade; sequer acreditam que isso existe. Paciência. São os que pensam diferente que têm que mostrar que isso existe sim.

Ter orgulho do país e torcer para que as coisas deem certo não deve ser confundido com compactuar com as mazelas que persistem e precisam ser superadas. É simplesmente tentar colocar cada coisa em seu lugar.

Uma das maneiras de se colocar as coisas no lugar é desmascarar oportunistas que querem usar da pregação anticopa para atingir objetivos que nunca foram o de melhorar o país.

O pior dessa campanha fúnebre não é a tentativa de se desmoralizar governos, mas a tentativa de desmoralizar o Brasil.

É preciso enfrentar, confrontar e vencer esse debate. É preciso mostrar que esse pessoal que é profeta do pânico é ruim da cabeça ou doente do pé.

Antonio Lassance é doutor em Ciência Política e torcedor da Seleção Brasileira de Futebol desde sempre.

Mais sobre o assunto:

● A Controladoria Geral da União atualiza a planilha com todos os gastos previstos para a Copa, os já realizados e os por realizar, em seu portal:

● Os dados do orçamento da União estão disponíveis na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e aprovada pelo Congresso.

● O “Best in Travel 2014”, da Lonely Planet, pode ser conferido aqui.

● Sobre copa e anticopa, vale a pena ler o texto do Flávio Aguiar, “Copa e anticopa”, na Carta Maior.

● Sobre o catastrofismo, também do Flávio Aguiar: “Reveses e contrariedades para a direita”, na Carta Maior.

● Sobre os protestos de junho e a estratégia da mídia, leiam o texto do prof. Emir Sader, “Primeiras reflexões”.


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