Posts Tagged ‘Compra de votos’

Honoráveis Bandidos 2: A compra de votos que permitiu reeleição de FHC vira livro

25 de março de 2013
Palmério, o autor do livro.

Palmério, o autor do livro.

Livro é uma biografia não autorizada do ex-presidente do Brasil.

Via Hoje em Dia

Está próxima de se tornar pública a identidade do “Senhor X”, codinome de um político que ficou conhecido por revelar, em 1996, a compra de votos que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Documentos e depoimentos transformam em pura nitroglicerina um livro que está sendo rodado em uma gráfica de Brasília. Honorários Bandidos 2, de Palmério Dória, é uma biografia não autorizada do ex-presidente FHC.

O livro mostra a reação dele ao saber que seria o suposto pai de um filho em um possível relacionamento extraconjugal. Segundo o autor, até mesmo agressões físicas teriam sido cometidas pelo ex-presidente contra mulheres.

Detalhes do esquema de compra de votos devem esquentar mais as eleições de 2014, que já estão nas ruas. No livro, o parlamentar, conhecido como “Senhor X”, confessa ter recebido propina da base governista para votar a favor do projeto que permitiu a reeleição de FHC.

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Compra de votos pode? Sem-teto ganha benefício para apoiar Serra em São Paulo

19 de outubro de 2012

Serra troca votos por casas: Isso pode TRE/SP?

Paulo Gama e Daniela Lima

Uma associação que ajuda sem-teto a ter acesso a programas habitacionais da Prefeitura de São Paulo dá preferência a militantes que participam da campanha do candidato do PSDB, José Serra.

Os integrantes do Movimento dos Sem-Teto do Ipiranga (MSTI) que vão a eventos do tucano ganham pontos em um ranking interno que define quem será indicado pelo grupo a programas de moradia popular.

O MSTI atua para firmar convênios com a prefeitura para construção de moradias. O movimento busca terrenos para sugerir parcerias em regiões carentes da cidade. Quando a negociação dá certo, o grupo tem direito a indicar possíveis mutuários.

Os nomes são submetidos pelo grupo à prefeitura e avaliados segundo os critérios de cada programa, como renda e vulnerabilidade social.

Com 11 mil filiados, o MSTI usa os pontos para ordenar essa lista de indicações. O critério também é adotado por outros movimentos de moradia popular sob o argumento de que é a única forma de beneficiar quem atua em prol do grupo. Nesses casos, são pontuadas desde participações em reuniões internas a invasões e protestos.

Ontem [17/10], Serra teve a companhia de militantes do MSTI ao visitar um conjunto habitacional em Heliópolis, na zona sul da cidade. Eles usavam adesivos da campanha e empunhavam bandeiras com o nome de Serra.

Moradores relataram que os participantes receberam 300 pontos pela presença. A informação foi confirmada à Folha por uma funcionária do MSTI na sede do grupo.

O presidente do grupo, Maksuel José da Costa, no entanto, negou que a atividade fosse valer pontos.

Agradecimento

Após Costa ser entrevistado pela reportagem, sua funcionária mudou de versão e disse não saber se o evento de ontem seria pontuado.

Embora insista que não houve benefício aos militantes que acompanharam Serra ontem, Costa admitiu que o expediente já foi utilizado em outro ato da campanha do tucano.

Em setembro, Serra foi a um evento do grupo em uma quadra de escola de samba do Ipiranga, usada para reuniões do MSTI. Na ocasião, prometeu a construção de 5 mil moradias, caso eleito. Segundo Costa, os militantes que lotaram a quadra receberam 300 pontos cada um para participar do ato.

“[Ontem] Não foi pontuado porque era um ato de agradecimento ao Serra pelo que ele fez. Tomei o cuidado de não dar os pontos porque ele está na reta final da campanha e podem distorcer as coisas”, disse Costa.

Questionado sobre por que utilizou outro critério no ato de setembro, disse que a direção do movimento considerou aquela reunião um ato organizado pelo grupo. “Hoje [ontem] a gente só foi acompanhar. Não teve reunião para organizar, não teve nada.”

Diretora da Habi-Social, órgão da Secretaria Municipal de Habitação responsável pela negociação com os movimentos populares, Nancy Cavallete diz que, mesmo quando a prefeitura firma convênios com associações, a indicação de nomes dos movimentos não basta para garantir acesso aos programas.

“Os nomes da lista também tem de estar dentro dos critérios dos programas”, afirmou. “Muitos são indicados e rejeitados.”

Procurada, a campanha de Serra não respondeu.

FHC compra o Congresso: Nova fita liga Sérgio Motta à compra de votos para reeleição

3 de outubro de 2012

Na terça-feira, dia 2, Olímpio Cruz Neto, em sua página do Facebook, postou a segunda imagem desse texto. É um fac-símile da capa da Folha de S.Paulo de 13 de maio de 1997, em que o deputado Ronivon Santana dizia com todas as letras que havia vendido seu voto por R$200 mil para aprovar a emenda da reeleição de FHC.

Na quarta-feira, dia 3, Gilberto Maringoni, também no Facebook, publicou a imagem a seguir, da mesma Folha de S.Paulo – quando ainda era um jornal investigativo – de 14 de maio de 1997, onde se pode perceber que o ministro das Comunicações de FHC, Sérgio Motta, vulgo Serjão, estava envolvido até o último fio de cabelo na compra dos votos para aprovar a emenda para reeleição do príncipe dos sociólogos, Fernando Henrique Cardoso.

Por que esse caso não chegou ao STF? E aí, Joaquim, dá para responder ou tá difícil?

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Clique aqui para textos da época de Fernando Rodrigues.

George Orwell e a “compra de votos”

3 de outubro de 2012

Paulo Moreira Leite em seu blog Vamos combinar

George Orwell ensinou a todos nós que a linguagem pode ser uma arma do conhecimento, mas também pode servir à mentira. Pode encobrir a realidade e também pode desvendá-la.

Vejamos, por exemplo, por onde caminham as conclusões do julgamento do “mensalão” no STF. Não vou discutir as sentenças proferidas. Quero discutir a interpretação.

A principal é dizer o seguinte: está provado que houve compra de votos e que o “mensalão” não era, portanto, caixa 2 de campanha. Parece haver uma relação de causa entre uma coisa e outra.

Essa é a teoria desde a denúncia inicial, em 2006. Mas há um problema elementar neste raciocínio. Não há nexo entre as coisas. Dinheiro de caixa 2 é dinheiro não registrado, sem origem declarada. Sua origem pode ser uma atividade criminosa, como tráfico de drogas, ou propina conseguida em negociações escusas com o governo.

O dentista que dá desconto no tratamento, mas não dá recibo inclui-se no mundo imenso do caixa 2.

O mesmo acontece com uma empresa legal, que dá emprego a milhares de pessoas – e não cumpre suas obrigações com o fisco. Muitas empresas privadas têm um caixa 2 especialmente reservado para pagamentos por fora. Isso inclui, como nós sabemos, as contribuições de campanha.

A CPMI dos correios demonstrou que grandes empresas privadas deixaram mais de R$200 milhões com o esquema de Marcos Valério, entre 2000 e 2005. Nenhuma foi levada ao julgamento agora em pauta, aliás.

Esse dinheiro, muitas vezes, era limpo e declarado. Outras vezes, não. Isso não muda a natureza do problema.

Quando falou que movimentava recursos “não declarados”, Delúbio contou uma parte da história. Tentou amenizar sua pena, o que eu acho compreensível, Numa democracia ninguém é obrigado a se auto-incriminar, como a gente aprende em seriado norte-americano quando a polícia interroga um suspeito, certo?

Caixa 2 tem a ver com a origem. Não explica a finalidade do pagamento. Quem fala em “compra de consciências” está falando em finalidade. Embora alguns ministros tenham tido que isso era irrelevante, eu acho que tem importância, sim.

Está lá, na denúncia. Por que não tem importância?

É um ponto central do problema, quando se recorda nossa legislação eleitoral, tão favorável ao poder econômico privado.

Muito antes de Orwell denunciar o stalinismo, grande assunto de toda sua obra, adivinhar o que anda pela “consciência” dos homens intriga os filósofos e os políticos.

No auge do obscurantismo católico, até as fogueiras da inquisição ardiam para que os infiéis confessassem os pecados que lhe eram atribuídos – e não reconheciam como tais. Não comparo o julgamento à Inquisição. Mas aquela experiência terrível – e tantas outras – mostra que a consciência humana é matéria muito delicada.

Às vezes, tenho a impressão de que provas parecem não importar muito nos dias de hoje. Mas acho que falar em “compra de votos” implica provar que a pessoa tinha uma convicção e mudou de ideia porque recebeu dinheiro no bolso.

Sei que isso pode acontecer. Quantos exemplos de carreirismo nós encontramos no cara que mente para subir na empresa, no puxa-saco que sorri o tempo inteiro para ter aumento e assim por diante?

Seria bobo pensar que não há pessoas assim na política. Mais. O inquérito mostrou até que o dinheiro do “mensalão” foi usado para pagar indenização a namorada de um político falecido. Tenho certeza de que muitos políticos fizeram desvios – quem sabe muito piores do que este.

Quem olhar as votações ocorridas no período – 2003 e 2004 – em que teria ocorrido a “compra de votos” ficará espantado em função de uma coisa. Os calendários dos pagamentos não são conclusivos. Aquilo que o Ministério Público alega com seu levantamento a defesa desmente com outra. Na melhor das hipóteses, é um empate de provas. Mas há um elemento maior e mais decisivo. É a política, estúpido.

Naquele momento, o governo Lula tinha aliados à direita e fazia uma política que, sob este critério, também estava à direita. A esquerda do PT e mesmo fora dele não cansava de denunciar o que ocorria. O PSOL preparava seu racha e, dentro do governo, personalidades de pensamento semelhante começavam a esvaziar gavetas.

O Planalto cumpria parte da agenda do PSDB, do PP, do PTB e assim por diante. Aprovou a reforma da Previdência – que era uma continuação do governo FHC – e outras medidas no gênero. O primeiro ato público do governo Lula foi um protesto de 25 mil servidores na Esplanada.

O governo pagava direitinho as contas de um empréstimo no FMI e governava com os juros no céu. Achava que esse era um pacto necessário para assegurar as condições mínimas de governar, após o ambiente de colapso e pânico que o país atravessou em 2002.

Banqueiros internacionais elogiavam a política econômica.

Você acha que o Roberto Jefferson precisava de R$4 milhões no bolso para votar a favor de mudanças na Previdência? Ou o PL? Ou o PP?

Eu acho que não. Eles dizem que não. Eles tinham embarcado no projeto Lula, como o PL fizera antes, ao garantir até a cadeira de vice-presidente. Falaram isso ao serem ouvidos na Polícia Federal. Falaram que iriam usar o dinheiro para a atividade mais importante de todo político: preparar a próxima campanha e pagar as contas anteriores.

E se você acha que isso é feio, subdesenvolvido, cínico, saiba que está enganado. Até na Alemanha esses acordos são feitos. Os verdes deixaram a ultra-esquerda para assumir um governismo perpétuo. Hoje se aliaram ao governo de Ângela Merkel, que comanda a reação europeia contra o Estado de Bem-Estar Social. Democratas de centro e republicanos idem adoram trocar postos no primeiro escalão de presidentes do lado oposto, nos EUA.

Se você olhar os petistas que receberam dinheiro do esquema, irá reparar que eles pertenciam ao Campo Majoritário, que sustentava a política do governo, mesmo a contragosto às vezes. (Toda luta política depois do jardim de infância inclui momentos de contragosto, certo…?)

Isso acontecia porque o financiamento de Marcos Valério e Delúbio Soares não se destinava a alimentar uma “organização criminosa,” como os bandidos que roubam automóvel ou assaltam residências.

Não há como justificar nenhum desvio, roubo ou coisa parecida. Há crimes que devem ser punidos. Mas não é preciso aplicar a tecnologia tão bem explicada por Orwell para acreditar que a mentira virou verdade.

A menos, claro, que você pretenda tratar a política como crime. A vantagem de quem faz isso é atingir objetivos políticos enquanto se esconde atrás da ética. A desvantagem para os outros é fazer o papel de bobo.

Por mais que você goste de comparar a política brasileira a uma quitanda de bairro, não se iluda. Todos partidos têm seus compromissos, prioridades e assim por diante. Caso contrário, não sobrevivem.

O PP, o PL e outros se aliaram ao governo Lula depois da Carta ao Povo Brasileiro, que levou muitos petistas para debaixo do tapete, não é mesmo?

Os partidos podem ser e são muito parecidos pelos escândalos e eu acho que já discuti isso aqui algumas vezes. (O mais divertido dessa discussão é o escandalômetro. Dados do TSE mostram que o PSDB é o campeão nacional de fichas sujas enquanto PMDB, DEM, PP vêm depois. O PT fica em 8º lugar, o que é lamentável mas não parece compatível com a fama atual, quem sabe mais um efeito George Orwell – ou seria melhor falar em Goebells?)

Mas o esquema tinha um fundo político, alimentava a política e era alimentado por ela.

É difícil negar que ao longo do tempo governos de partidos diferentes produzem resultados diferentes, como as pesquisas de distribuição de renda, desemprego e redução da miséria não se cansam de demonstrar. (Não vamos nos estender muito sobre isso, é claro…)

Estas políticas se mostraram tão diferentes que hoje em dia os mais pobres costumam votar de um jeito e os mais ricos, de outro.

Veja que aí também há quem fale em “compra de votos”, que seria a versão popular da compra de “consciências”.

É o mesmo raciocínio. No Congresso, a compra de “consciência.” No povão, a compra de votos. Num caso, o “mensalão.”Em outro, o Bolsa Família, as políticas de estimulo ao crescimento para impedir a queda no emprego, o salário mínimo…

Deixando de lado, claro, a troca de voto por dentadura e por um par de sapatos, que é expressão da miséria política em sua face mais degradante, eu acho é preciso prestar atenção nessa visão.

É uma espécie de racismo social. Explico. Ninguém fala em compra de votos quando um governo conservador dá um pontapé nos juros, enriquece a clientela do mercado financeiro – que fará o possível para assegurar a manutenção dessa política no pleito seguinte. Vozes graves e olhares sisudos chegam a elogiar o massacre social que estamos assistindo na Europa, hoje em dia – da mesma foram que apoiaram a sangria dos países do Terceiro Mundo décadas atrás. Considera-se que essa é uma visão legítima no debate econômico. Se um partido social-democrata apoia esta medida, demonstra maturidade, espírito civico.

Mas quando um governo procura beneficiar os interesses dos pobres e indefesos, está fazendo compra de votos. Se um político conservador resolve apostar seu futuro nessa alternativa, só pode ser em troca de $$$. Curioso, não?

E é mais curioso ainda quando alguém tem o mau gosto de lembrar que outro escândalo, igualzinho, e mais antigo, foi conveniente retirado das manchetes e da televisão.

Estou falando, claro, do mensalão tucano que, em nova homenagem a Orwell, é chamado de “mineiro”, o que é uma ofensa a um estado inteiro. O mensalão, vá lá, PSDB/MG, ficou para as calendas, embora seja quatro anos mais antigo.

Considerando as eleições para prefeito, neste domingo, e as sentenças que nos aguardam, é impossível deixar de reparar na coincidência e deixar de perguntar: quem está “comprando consciências”?

O FHC comprou o Congresso. O STF não vai fazer nada?

2 de outubro de 2012

Olímpio Cruz Neto, em sua página do Facebook, postou a foto abaixo. É um fac-símile da capa da Folha de S.Paulo de 13 de maio de 1997, em que o deputado Ronivon Santana dizia com todas as letras que havia vendido seu voto para aprovar a emenda da reeleição de FHC. O STF não vai fazer nada? E aí Joaquim?

FHC e a reeleição comprada: Por que a Veja não consulta seus arquivos?

11 de setembro de 2012


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