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Luciano Martins Costa: O jatinho do doleiro e os limites da indignação da imprensa

14 de abril de 2014

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Luciano Martins Costa, via Observatório da Imprensa

A crise suscitada no interior do governo federal pelas denúncias envolvendo o deputado André Vargas (PT/PR) tem como epicentro o doleiro chamado Alberto Youssef. Trata-se de personagem esquivo dos bastidores do poder, atuante em variadas instâncias, com aparições fantasmagóricas aqui e ali, sempre em papel de coadjuvante, mas definidor da trama. Por alguma razão, as investigações sobre suas atividades nunca chegaram a um ponto conclusivo.

No presente episódio, Youssef aparece novamente como suspeito de ser o nó central de transações obscuras envolvendo políticos. Mas pode-se apostar que, seja qual for o desfecho do caso que envolve o deputado Vargas, o doleiro seguirá agindo nas sombras do sistema, com mais um processo nas costas e disposto a inventar novas maneiras de continuar prestando seus serviços.

Nem a imprensa, nem os partidos políticos parecem ter interesse em aprofundar as investigações que agora apontam para o deputado André Vargas, porque mexer com Youssef é revirar um lixo que ninguém quer ver exposto.

Um inquérito destinado a documentar a movimentação financeira de Alberto Youssef desde os anos 1990 poderia trazer a público evidências de que a lavagem de dinheiro é prática que extrapola os quadrantes de Brasília, alcançando não apenas o mundo político, mas também empresários, executivos, jogadores de futebol, artistas, chefes de igrejas e até mesmo organizações jornalísticas e celebridades da televisão. Antes dele, o mesmo esquema foi tocado por outros protagonistas, hoje inativos ou mortos, e a pista vai se diluir na obscuridade dos tempos.

O noticiário indica que a renúncia do deputado André Vargas parece ser a melhor solução para todos, inclusive a imprensa. Entre acusados e acusadores que frequentam as páginas dos jornais, há um limite claro para o escândalo: a participação do doleiro no chamado caso Banestado.

No entanto, o leitor ou a leitora atenta dificilmente vai ter o privilégio de ler uma reportagem que apanhe essa ponta e destrinche o novelo. Simplesmente porque, em algum momento, o acusador poderá se ver sentado no banco dos réus. Por isso, até mesmo a indignação manifestada por uns e outros na imprensa é relativa.

As confrarias do poder

Um repórter suficientemente obstinado, com tempo e recursos, poderia limpar essa trilha, destrinchando os empreendimentos tocados por Youssef em variados setores, por onde, segundo tem sido divulgado nos últimos anos, trafegaram muitos milhões de reais, transacionados no sistema de financiamento de campanhas eleitorais ou simplesmente levados para abrigos seguros em contas no exterior.

Youssef tem todas as características de ser um homem profundamente honesto no campo restrito das ações delinquenciais que lhe são atribuídas: sempre absorveu os golpes, sem nunca apontar o dedo para seus sócios. Por isso, caro leitor, cara leitora, leia com espírito aberto tudo que sai nos jornais por estes dias sobre o escândalo da hora.

O deputado André Vargas vai fazer um enorme favor ao governo federal, ao Partido dos Trabalhadores, à oposição e à própria imprensa se aceitar a oferta de renunciar ao mandato. O noticiário das edições de quarta-feira, dia 9, indica que nem mesmo a acirrada disputa pelo poder central é capaz de quebrar aquilo que define a teleologia da política, ou seja, a finalidade, o propósito, da política, que é manter a própria política.

Há, evidentemente, o risco de a Polícia Federal insistir em levar às últimas consequências essa investigação, quebrando o pacto silencioso que une acusadores e acusados e determina o ponto até onde os atores da contenda sabem que podem conduzir um escândalo sem matar a galinha dos ovos de ouro. Mas essa hipótese só tem valor se a imprensa estiver disponível para manter o assunto nas primeiras páginas, ou se estiver disposta a dedicar a ele o horário nobre dos telejornais.

Portanto, estamos assistindo a um episódio emblemático na história de um país que conseguiu superar a ditadura mas não foi capaz de construir sobre ela um sistema que fosse ao mesmo tempo democrático, eficiente e provido de defesas contra a corrupção.

A imprensa poderia contribuir para romper esse círculo de confrarias, se não fosse parte delas.

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11 de abril de 2014

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Piloto e outros três acusados vão responder a processo em liberdade por tráfico e associação para o tráfico de drogas. Para a PF e o MPF, não há indício de envolvimento do dono da aeronave, o deputado estadual mineiro Gustavo Perrella, com o caso

Edson Sardinha, via Congresso em Foco

A Justiça Federal mandou soltar os quatro homens que participaram do transporte de quase meia tonelada de cocaína apreendida em um helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD/MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT/MG), no final do ano passado. O piloto Rogério Almeida Júnior, o copiloto Alexandre José de Oliveira Júnior, Robson Ferreira Dias e Everaldo Lopes de Souza – que descarregavam a droga no momento em que foram flagrados pela Polícia Federal – vão responder em liberdade a processo por tráfico e associação para o tráfico de drogas.

A aeronave, apreendida em novembro de 2013 em uma fazenda no município de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, segue em poder do governo capixaba. Elio Rodrigues, dono da fazenda, também responde a processo, mas não está preso. Já Gustavo Perrella não foi citado na denúncia. Para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, não há indícios de que o deputado estadual soubesse que a droga estava sendo transportada no helicóptero de sua empresa.

As investigações apontam que a cocaína veio do Paraguai e que o grupo receberia R$186 mil para transportar a droga. Em discurso feito em dezembro, na tribuna do Senado, o senador Zezé Perrella disse que sua família foi “traída” pelo piloto e que seu filho jamais teve qualquer envolvimento com drogas.

Segundo ele, parte da imprensa foi “sacana” na cobertura do episódio. “Mas a imprensa, quando não quer entender, quer ver sangue, quer massacrar. Meu filho não conhece sequer droga. Tanto eu como meu filho lutamos contra as drogas”, declarou o senador.

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17 de março de 2014

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Kiko Nogueira, via DCM

Zezé Perrella está novamente no noticiário, comprovando mais uma vez a tese de que tudo o que é ruim sempre pode piorar.

A Justiça Federal determinou a perda da função pública e a suspensão de seus direitos políticos por três anos. Deve pagar multa de R$50 mil. A condenação, em primeiro grau, ocorreu nove anos depois de o Ministério Público Federal entrar com uma ação de improbidade administrativa contra ele.

Perrella cedeu o apartamento funcional a pessoas não autorizadas quando era deputado federal, entre 1999 e 2003. Outros 14 parlamentares fizeram o mesmo. O MPF do Distrito Federal pediu a Perrella o ressarcimento de quase 200 mil por prejuízos causados à União.

O imóvel, numa área nobre da capital, foi usado, durante e depois da legislatura, por assessores. Além da moradia na faixa, houve despesas de telefone, eletricidade e gás, tudo pago por você. A assessoria de Perrella declarou que a decisão é preliminar e que ele já recorreu. Só se manifestará quando houver uma decisão final.

Quem ocupava o apê de Perrella? O ex-assessor Rogério Nunes de Oliveira e, por um período mais longo, o ex-chefe de gabinete José Guilherme Cardoso.

Perrella foi derrotado na disputa ao Senado em 2002, mas as chaves do apartamento, que deveriam ter sido devolvidas no início de 2003, só chegaram em agosto de 2004. Em maio daquele ano, Cardoso deu uma entrevista ao Estado de Minas tentando explicar a situação. Ele estava, em tese, rompido com o ex-chefe por “razões políticas” desde 2002. Os dois teriam morado juntos por mais de um ano, até Perrella perder a eleição para o Senado e ir embora de Brasília. Cardoso tinha um “escritório de representação” na cidade.

Por que ele não saiu? Porque, segundo ele, ninguém pediu. “Então, eu fui ficando e nunca fui notificado. O próprio pessoal da Câmara alegou que imóvel fechado tem um desgaste maior e acumula sujeira”, disse. De acordo com a Câmara, porém, ele e Perrella receberam várias notificações para que o imóvel fosse devolvido, nunca respondidas.

Perrella afirmou, na época, que os dois haviam rompido. “Nunca mais falei com ele”, disse. “Eu não tenho qualquer responsabilidade sobre isso”. Não? De acordo com a juíza Diana Maria Wanderlei da Silva, “o réu, como ex-parlamentar federal, ao exercer, por largo período, atividade típica de legislar, presume-se que detinha conhecimento acima da média sobre a legislação regente”.

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1 de março de 2014

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Cadu Amaral em seu Cadu Amaral

Chegou o Carnaval e com ele milhões de pessoas vão às ruas brincar e se divertir! E para animar ainda mais a Festa de Momo nada como a marchinha sensação do ano: o Baile do Pó Royal!

LETRA

Deixaram o Pó Royal cair no chão
em pleno baile de carnaval
achei que ia rolar a confusão
mas a turma achou legal.
O pó chegou voando no salão
que farra sensacional
deu até notícia na televisão
virou Baile do Pó Royal.
O pó rela no pé

O pé rela no pó
O pó rela no pé
O pé rela no pó
Esse pó é de quem tô pesando?
Ah é sim, ah é sim
Você sabe eu também sei cor
Ah é sim, ah é sim
Não espalha que vai ser melhor

***

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26 de janeiro de 2014
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Gângsteres: Perrella pai e Perrella filho.

Kiko Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

R$14,5 milhões. Esse é o valor que a Justiça de Minas Gerais estipulou para o bloqueio de bens do senador Zezé Perrella, de seu filho, o deputado estadual Gustavo, de seu irmão, Geraldo de Oliveira Costa, e de dois ex-presidentes da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas (Epamig), Baldonedo Arthur Napoleão e Antônio Lima Bandeira.

A empresa da família, Limeira Agropecuária e Participações Limitada, também foi incluída na decisão.

O Ministério Público viu “indícios da prática de improbidade administrativa” em contratos sem licitação firmados entre a Epamig, uma autarquia do governo mineiro, e a Limeira.

Funcionava assim: a Epamig fornecia “sementes especiais” para ser plantadas na Fazenda Guará, dos Perrella. A produção era comprada pela própria Epamig para o programa Minas Sem Fome, criado em 2003, no governo de Aécio Neves, e mantido por Antonio Anastasia, que o sucedeu.

Outro problema: a Limeira era dirigida por Zezé Perrella na época em que ele ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ela foi passada, depois, para o nome de Gustavo e de sua irmã Carolina. Pela legislação federal e estadual, Zezé e Gustavo eram impedidos disso por ser parlamentares.

Foi decretada a quebra dos sigilos bancário e fiscal da turma entre 2007 e 2012. Os bens estão “indisponíveis”. Zezé Perrella, em nota oficial, contou que está “tranquilo”. Foi mais ou menos o que disse, com alguma dose de falsa indignação, quando da captura do helicóptero com 445 quilos de cocaína no Espírito Santo.

O bloqueio de bens é relativo ao prejuízo causado: R$14,5 milhões é muito dinheiro? Sim. Os Perrella têm isso?

Não. Em 2010, Zezé declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de apenas R$500 mil e seu filho de R$1,9 milhão, sendo que R$900 mil seriam de cotas da Limeira.

Piada, evidentemente.

Dá a ainda sobra um troco. De todas as coisas omitidas na história dos Perrella, e não são poucas, uma chama mais atenção: a famosa Fazenda Guará, que pertence à Limeira e é o coração do enrosco.

Segundo uma excelente reportagem do jornal Hoje em Dia, já citada pelo DCM – e que desapareceu misteriosamente do site da publicação –, a propriedade vale R$60 milhões. (Zezé admitiu que é bem mais).

Fica em Morada Nova de Minas, a 300 quilômetros de BH. Tem quase 2 mil hectares e é uma beleza. Banhada pela represa de Três Marias, no Rio São Francisco, produz grãos, aves, suínos e gado. A granja é climatizada.

De acordo com documento na Junta Comercial, as atividades da Limeira são: “cria, recria e comercialização de bovinos, suínos, aves e peixes; a produção, beneficiamento, reembalagem e comercialização de grãos e sementes; extração e comercialização de leite e derivados; produção e comercialização de madeira; industrialização e comercialização, no mercado interno e externo, de produtos agropecuários”.

Quando da apreensão das drogas, o advogado da família, Antônio Carlos de Almeida Castro, o onisciente e onipresente Kakay, disse que “há tentativa do Ministério Público de aparecer em cima desse caso”.

Zezé Perrella gosta de descansar na Guará. Dá seus rolezinhos, conversa com os empregados. Relaxa. Passou da hora de ele parar de sentir essa tranquilidade toda.

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Cosa nostra: A Fazenda Guará, de propriedade da Limeira Agropecuária.

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Qual a diferença entre crack e cocaína? A classe social de quem os consome

23 de janeiro de 2014
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São praticamente idênticas.

Cynara Menezes em seu blog Socialista Morena

A iniciativa da Prefeitura de São Paulo de experimentar outra abordagem contra o crack, hospedando em hotéis e pagando R$15,00 por dia a viciados para que varram ruas me deixou muito otimista. É hora de os governantes brasileiros passarem a combater as drogas de maneira menos hipócrita e higienista – como fazem o PSDB e o DEM, que sempre preferiram simplesmente expulsar os viciados do centro ou interná-los em instituições mentais, para bem longe da vista dos “cidadãos de bem”. Obviamente os obtusos da direita (pleonasmo?) já atacaram a ideia do prefeito Fernando Haddad. Para que tentar dar uma chance a essas pessoas se é possível varrê-las para debaixo do tapete? “Pessoas? E usuário de crack é gente?”, perguntam-se os defensores dos “humanos direitos”.

Os histéricos da droga normalmente preferem nem se informar a fundo sobre o assunto, como se a mera proximidade com estudos científicos os contaminasse. Mas como a guerra às drogas que inventaram resultou apenas em crime, degradação e violência, outro tipo de pensamento começa a se impor no mundo. Não é à toa que países como Uruguai e mesmo os EUA mudaram sua visão em relação à maconha. Os EUA, aliás, estão cada vez mais liberais com a cannabis, como demonstra uma pesquisa divulgada no início do mês: hoje em dia, 55% dos norte-americanos aprovam a legalização da maconha. E só 35% deles acham que fumar baseados é “moralmente condenável” (clique aqui). Exatamente o oposto da direita ignorante (pleonasmo?) brasileira, que se recusa a aceitar a falência de seu modelo arcaico na solução de dilemas contemporâneos.

Um fato pouco divulgado sobre o crack é que ele não é uma droga tão diferente das outras, tão mais viciante que as demais. Sabia? Na verdade, existe bem pouca diferença entre o crack e a cocaína, quimicamente falando. A única diferença é a remoção do cloridrato, o que torna possível fumá-lo. É como se a cocaína fosse açúcar refinado, e o crack, rapadura. O que torna o crack mais potente é a forma de consumi-lo: fumar leva a droga rapidamente aos pulmões, fazendo com que o efeito seja mais rápido e mais intenso do que cheirar pó (veja mais mitos sobre o crack aqui). Para piorar, a pedra de crack é barata –custa 10 reais, enquanto o grama de cocaína é vendido a 50 reais. Ou seja, o crack, ao contrário da cocaína, é acessível aos miseráveis.

Saber disso nos abre os olhos a uma problemática fundamental em relação ao crack, que é a vulnerabilidade social de quem está exposto à droga morando nas ruas. É exatamente este aspecto que a prefeitura de SP pretende combater ao tentar reintegrar o viciado à sociedade, dando-lhe perspectivas. Sem oferecer-lhes perspectiva de futuro, esperança, não adianta desintoxicá-los. Ao sair da clínica, eles voltam para o vício, até porque, vivendo à margem, não têm mais o que fazer. Enquanto isso, os cocainômanos e viciados em crack das classes mais abastadas são enviados ao rehab, às clínica chiques, e a gente nem sequer chega a tomar conhecimento deles. Quem está na rua, não, “incomoda”, integra a “gente diferenciada” para a qual muitos torcem o nariz e têm medo.

Dois anos atrás, o ator Charlie Sheen, bem conhecido de todos como o “doidão” de Hollywood, causou polêmica nos EUA ao declarar em uma entrevista que alguns amigos seus usam crack “socialmente”, assim como fazem tantos endinheirados com a cocaína. Parece absurdo? Não é. A partir das declarações de Sheen, a jornalista Maia Szalavitz, da revista Time, escreveu um artigo demonstrando que somente 15 a 20% das pessoas que experimentam crack ficam viciados. Mais: que 75,6% dos que provaram crack entre 2004 e 2006 tinham abandonado o cachimbo dois anos depois; outros 15% passaram a usar ocasionalmente; e só 9,2% ficaram viciadas.

Uma realidade bem distante do que pensávamos pouco tempo atrás, quando se costumava dizer que basta uma baforada para a pessoa ficar viciada. É possível, sim, entrar no crack e sair. Assustar os jovens em relação às drogas pode ser eficiente, mas eu acho que é muito mais importante dizer a verdade, conscientizá-los com base na ciência. “O crack não é mais tóxico que a cocaína. O que acontece é: quem toma crack? Os negros mais ferrados dos EUA. Os adolescentes com menos perspectivas profissionais”, defende um dos maiores especialistas do mundo em drogas, o espanhol Antônio Escohotado. No Brasil é a mesma coisa. Embora atinja várias classes sociais, o vício em crack é devastador sobretudo para os jovens e adultos em situação de rua.

Quanto mais leio e me informo, mais fico convencida de que não existem drogas “perigosas”. Todas elas são e não são ao mesmo tempo. O que existe é a pessoa por trás da droga e a circunstância em que vive. Se o ser humano que busca as drogas está em condição de risco – psicológico ou econômico – obviamente estará mais sujeito à adição. Assim é com tudo que entra pela boca do homem: comida, álcool, remédios ou drogas ilícitas. A droga jamais pode estar relacionada à fuga da realidade, mas às experiências sensoriais. Quem vive na rua, dormindo na calçada ou em buracos, com certeza não está usando a droga “recreativamente”.

Se não fôssemos dominados por um pensamento tacanho e estivéssemos usando, como em muitos países civilizados, a maconha com fins terapêuticos (a exemplo dos EUA, que a direita brasileira adora macaquear, mas não nas iniciativas boas), a próxima etapa do programa da prefeitura de São Paulo deveria ser ministrar baseados como política de redução de danos do vício em crack. Vários estudos científicos comprovam que fumar maconha diminui a “fissura” entre viciados que desejam deixar a pedra, ajuda na hora de enfrentar a síndrome de abstinência. É uma possibilidade no tratamento. Os hipócritas iriam permitir? Imagina. Interessa a eles, de certa forma, que existam viciados em crack perambulando pelas ruas para que seu irracional discurso antidrogas e anticrime continue a ter eficiência sobre os incautos.


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