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PM determina revista em pessoas “da cor parda e negra” em bairro nobre de Campinas

24 de janeiro de 2013
PM_Racismo_Campinas

Cópia da ordem de serviço da PM de Campinas.

Eduardo Schiavon

A Polícia Militar de Campinas determinou, em uma ordem de serviço, de 21 de dezembro de 2012, que seus integrantes abordassem jovens negros e pardos, com idade entre 18 e 25 anos, na região do bairro Taquaral, uma das áreas mais nobres da cidade. Segundo a determinação, dirigida ao Comando Geral de Patrulhamento da região, pessoas que se enquadrem nessa categoria são consideradas suspeitas de praticar assaltos a casas na região e devem ser abordadas prioritariamente.

A orientação foi passada de forma oficial, em papel timbrado da PM, assinada pelo capitão Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci, e pede que os policiais foquem “abordagens a transeuntes e em veículos em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra, com idade aparentemente de 18 a 25 anos, os quais sempre estão em grupo de 3 a 5 indivíduos na prática de roubo a residência daquela localidade”.

A instituição nega cunho racista e disse que se baseou em uma carta de moradores para ter a descrição dos suspeitos e determinar as abordagens. O documento, no entanto, não foi enviado à reportagem.

Segundo o ofício, uma patrulha deverá ser feita nas proximidades do Colégio Liceu Salesiano, todos os sábados, entre 11h e 14h, e a abordagem deverá ser feita nos indivíduos descritos acima caso estejam em atitude suspeita.

A assessoria de imprensa da PM informou que existe a carta dos moradores, que chegou para o capitão. O órgão informou ainda que a carta pedia providências, pois vários roubos e furtos estavam sendo realizados. Essa carta descrevia o perfil dos criminosos e as ações, informou a assessoria de imprensa da instituição, acrescentando que “não existiu cunho racista”.

A PM informou ainda que o capitão Beneducci é, ele mesmo, pardo, e que ele “ficou triste” com a repercussão do caso. Ele foi procurado para comentar no 8º Batalhão, mas não foi encontrado.

Racismo

Para o coordenador do Cepir (Coordenaria Especial de Promoção da Igualdade Racial), Benedito José Paulino, a indicação de procura de negros e pardos é claramente racista. Ele afirmou não acreditar que recomendação semelhante fosse dada caso os suspeitos fossem brancos.

“Isso é racismo. Se ele está atrás de qualquer negro, sem apontar um em específico, isso é racismo. Se fosse um negro identificado, não teria problema. O jovem negro é que o mais sofre nas mãos da polícia”, afirmou.

Em uma semana, dois jornalões morrem e acaba a parceria do Estadão com a ESPN em rádio

3 de novembro de 2012

JT Última edição

O Grupo Estado também decidiu encerrar a parceria na rádio Estadão/ESPN. A coisa está feia.

Altamiro Borges em seu blog

Circulou na quarta-feira, dia 31/10, a última edição do Jornal da Tarde, após 46 anos de existência. Já no domingo, dia 4, também deixou de existir o Diário do Povo, fundado há 100 anos e que circulava nos 24 municípios da região de Campinas (SP). O fim destes dois jornais segue uma dinâmica mundial e comprova a grave crise da mídia impressa. Entre outros fatores, ela decorre da explosão da internet, que faz migrar os leitores, e também da perda de credibilidade dos jornalões e revistonas, cada vez mais partidarizados e direitistas.

Segundo os dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), o Jornal da Tarde imprimiu em setembro passado uma média de 36.800 exemplares diários. Na década de 1990, com seu projeto gráfico inovador e suas aprofundadas reportagens, o JT chegou a ter 190 mil exemplares diários. Com a decisão do Grupo Estado de fechar o JT, os 53 jornalistas do extinto diário serão incorporados, “temporariamente”, ao velho Estadão, pertencente à mesma empresa da decadente famiglia Mesquita.

O medo da internet

Em seu editorial de quinta-feira, dia 1º, o Estadão lamentou a “saída de cena” do JT, o irmão bastardo do grupo empresarial. Sem esboçar qualquer autocrítica – um traço comum da velha e arrogante mídia privada –, ele criticou o advento da internet. “As modernas ferramentas de comunicação estão no centro desse estranho processo de regressão. A submissão acrítica ao fascínio da velocidade sem rumo devolve a humanidade a uma crescente incapacidade de pensar e vai reduzindo a vida a uma sucessão de reações automatizadas”. Patético!

Já no caso do Diário do Povo, o grupo Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) simplesmente informou que o fim do centenário jornal deveu-se a sua inviabilidade financeira. Nos últimos 12 meses, segundo a empresa, a circulação média do jornal foi de apenas 3.500 exemplares diários. Já o outro diário do grupo, o Correio Popular, tem uma tiragem de 31.900 exemplares. A ideia do grupo é reforçar o veículo que ainda atrai anúncios publicitários. Nada de saudosismo ou críticas à internet – apenas negócios capitalistas.

Mudanças no bolo publicitário

A grave crise da mídia impressa tem abalado o modelo de negócios dos velhos feudos midiáticos. A tiragem cai e os anúncios somem – apesar de o mercado publicitário estar em alta no País. De janeiro a agosto deste ano, ele cresceu 10% e movimentou R$19,4 bilhões, segundo recente balanço do Projeto Inter-Meios. Os jornais ainda ocupam o segundo lugar no bilionário ranking da publicidade – com participação de 11,4% e faturamento bruto de R$2,2 bilhões até agosto. Mas o setor vem perdendo espaço para outras mídias.

A TV aberta continua na liderança folgada. Até agosto, ela faturou R$12,6 bilhões e ficou com 65% do bolo publicitário. O meio que mais cresceu no período foi o da TV por assinatura – alta de 16% e faturamento de R$888 milhões. Já o meio digital cresceu 14,33% e abocanhou R$980,9 milhões – 5% do total. Segundo o Projeto Inter-Meios, não são apenas os jornais que perdem espaço. As revistas também estão em queda. O setor encolheu 3,67% no período e faturou R$1,2 bilhão – 6% de participação. A revista Veja que se cuide!

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Falta de dinheiro encerra parceria Estadão com ESPN

Via Vermelho, publicado em 1º/11/2012

O fim do Jornal da Tarde, cuja última edição foi publicada na quarta-feira, dia 31/10, foi apenas uma das medidas do Grupo Estado de contenção de despesas. De acordo com o Portal Imprensa, a empresa de comunicações paulistana também vai encerrar a parceria com a rede de notícias norte-americana de esportes ESPN no rádio.

O contrato do Estado com a ESPN vai até o fim de 2012. O grupo desembolsa um valor anual pelo uso da marca e dos profissionais dos canais.

Segundo o Portal Imprensa, o diretor de jornalismo da ESPN Brasil, João Palomino, fez uma reunião com a equipe há dois dias para informar o fim da parceria. Oficialmente, contudo, nenhuma das empresas se pronunciou até agora.

O fim da parceria com a ESPN faz parte de um plano de contenção de custos do Grupo Estado. A medida mais drástica nesse projeto foi o fechamento do Jornal da Tarde, circulava havia 46 anos.

Em nota oficial publicada no site de O Estado de S.Paulo, o plano de contenção foi apelidado de “revisão de portfólio”. Entre outras alegações para encerrar áreas e parcerias da empresa, o grupo diz que vai “investir em uma estratégia multiplataforma integrada para oferecer um volume maior de informação aos leitores”, sem explicar como.

As mudanças deverão implicar mais trabalho aos jornalistas remanescentes, como já aconteceu em outras épocas.

De poste em poste, Lula iluminará todo o Brasil

21 de outubro de 2012

Lula e Dilma são os convidados especiais do comício de Pochmann em Campinas.

Via Notícias Yahoo

Com suas duas novas apostas no 2º turno, Fernando Haddad em São Paulo e Márcio Pochmann em Campinas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou no sábado, dia 20, o termo “poste”, usado para criticar tanto a candidatura dos dois petistas como a da presidente Dilma Rousseff, em 2010. Em comício em Campinas, ao lado de Dilma, Lula afirmou que o País está iluminado pelos “postes”:

“No começo, diziam que o Márcio era apenas um poste, como diziam que a Dilma era um poste, que ela não ia governar. O Márcio é um poste. Pois bem, é de poste em poste, o Brasil vai ficar iluminado.”

A presidente também reforçou a estratégia de Lula de investir em novas lideranças.

“Diziam que eu não tinha experiência, que eu era uma pessoa que não era capaz de governar, o que eles queriam apontar é que nós somos os representantes de uma nova forma de fazer política, política decente”, disse Dilma.

Para um público estimado em cerca de 20 mil pessoas pela campanha petista, a presidente defendeu a candidatura de Pochmann, que presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no governo petista. Dilma elogiou ainda seu mentor, Lula, por lançar novos nomes na política.

“Temos de reconhecer a visão política desse líder latino-americano, internacional, que é o nosso querido Lula. Esse líder que percebe o que há de melhor nas pessoas, uma pessoa que dá oportunidades”, disse Dilma, que completou: “Precisamos de gente sem vícios, sem aqueles tiques da política tradicional e velha, clientelista, da distribuição de pequenos benefícios e presentes.”

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Dilma e Lula comparecem ao comício de Haddad em São Paulo.

Lula compara Serra a Jânio e Collor

No mais duro ataque que já fez ao adversário de seu candidato em São Paulo, o ex-presidente Lula comparou José Serra (PSDB) a Jânio Quadros e Fernando Collor na noite de sábado, dia 20, dizendo que, assim como eles, o tucano não termina seus mandatos.

Serra deixou a prefeitura em 2006 para concorrer ao governo do Estado, 15 meses depois de assumir o cargo. Ele disputa o 2º turno com Fernando Haddad (PT).

Jânio deixou diversos cargos ao longo da carreira. Eleito presidente em 1960, abandonou o posto meses depois. Collor deixou prefeitura e governo para disputar outros cargos. Eleito presidente em 1989, sofreu um impeachment dois anos após a posse.

“Eles precisam criar vergonha e cumprir mandato até o fim”, disse Lula.

Ao lado de Haddad e da presidente Dilma Rousseff (PT), Lula disse, em referência a Serra, que “o bicho tem uma sede de poder inigualável” e que, por isso, tenta ser eleito novamente. “Não sabe ficar sem mandato”, concluiu, em seu discurso no comício petista em São Paulo. O ato ocorreu no estádio da Portuguesa.

“Ele poderia ficar quieto e disputar com ela [Dilma] em 2014, 2018, 2030 ou 2040. Mas voltar a querer ser prefeito é achar que o povo é tonto.”

Geraldo Alckmin não dá sorte com café

14 de outubro de 2012

Em sua campanha a presidente em 2006, onde foi derrotado pelo Lula,foi tomar um cafezinho com o Aécio – que milagre Aécio tomando café – em Minas e derramou o líquido em sua camisa.

No domingo, dia 14, quando foi a Campinas fazer campanha para o candidato a prefeito de Jonas Donizette (PSB), Alckmin, depois de mentir sobre o governo federal e sobre Haddad, sujou novamente a camisa de café.

Estado laico? Arcebispo de Campinas pede que fiéis não votem em quem defende o aborto

12 de agosto de 2012

Fabiana Marchezi

O arcebispo metropolitano de Campinas, dom Airton José dos Santos (foto), orienta em carta enviada aos fiéis a não votar em candidatos que defendam o aborto.

O material, direcionado a paróquias e comunidades de católicos, foi divulgado no começo do mês. Para dom Airton José dos Santos, “o aborto não é uma questão religiosa, é uma questão da sociedade”.

Na carta, dom Airton, que assumiu a arquidiocese em abril, escreveu que a escolha dos votos, tanto para prefeito quanto para vereador, deve ser feita analisando se o candidato tem um compromisso com a vida “desde sua concepção”.

Além do aborto, a carta orienta sobre valores como honestidade, competência, transparência, vontade de servir o bem comum, entre outros itens, importantes para “um bom discernimento sobre os candidatos”, segundo ele. Ainda segundo o texto, dom Airton convoca o cidadão, cristão leigo, a participar de debates e reflexões sobre os programas dos candidatos e orienta que os espaços da comunidade ou paróquia não privilegiem nenhuma sigla partidária.

Candidatos

Quatro dos sete candidatos à Prefeitura de Campinas falaram sobre o assunto, sendo que apenas a candidata Silvia Ferraro (PSTU), única mulher que disputa a liderança da cidade, é favorável à descriminalização do aborto. Sílvia considerou a carta uma hipocrisia da parte da Igreja Católica. “A igreja condena inclusive o uso de métodos contraceptivos. Eu defendo a vida das mulheres e quero educar a população e distribuir os métodos em toda a rede pública, inclusive a pílula do dia seguinte”, disse.

Os outros três candidatos que atenderam à reportagem demonstraram-se favoráveis à opinião do arcebispo. “Eu sou médico parteiro e como tal sou a favor do parto e absolutamente contra o aborto. Não faço e nunca fiz aborto”, disse o candidato à reeleição Pedro Serafim (PDT).

Jonas Donizette (PSB), que lidera as pesquisas, além de ser contra o aborto, elogiou a iniciativa da igreja. “Eu achei a orientação muito boa e concordo plenamente com a opinião do arcebispo”, afirmou.

“Pessoalmente, sou a favor da vida. A legislação sobre o tema é federal e como prefeito, nesta e em outras matérias, cumprirei o que determina a lei neste e em outros temas de saúde pública”, disse o candidato Marcio Pochmann (PT).

Procurados, os outros três candidatos José Ferreira Campos Filho (PRTB), Rogério Menezes (PV) e Arlei Medeiros (PSOL) não comentaram o assunto.


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