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Paulo Moreira Leite: Cada um tem a biografia que pode

9 de novembro de 2013

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Você entregaria a narrativa de sua vida, mais duradoura do que sua própria existência, à visão, ao talento e aos defeitos de um estranho?

Paulo Moreira Leite em seu blog

Embora a maioria dos jornais publique artigos e reportagens condenando obras produzidas sob encomenda, cabe lembrar que seus patrões estão entre grandes clientes de biografias autorizadas. Procure conhecer a vida dos fundadores e patronos dos principais grupos de comunicação do País.

Numa prova de que não têm confiança suficiente em nossos biógrafos – em sua maioria, jornalistas que assumiram uma segunda carreira – para lhes dar liberdade absoluta de investigação sobre o passado, todos tiveram direito a uma biografia amiga – seja autorizada, encomendada, ou os dois.

Foi assim com Roberto Marinho. Idem para Octavio Frias. A família Mesquita encomendou uma biografia a um profissional da área. Recebeu o trabalho, pagou pelo serviço e decidiu não publicar.

Por que isso acontece?

Porque a vida humana é delicada, fugidia. Uma biografia pode enaltecer e também pode machucar. Pode virar uma maldição para herdeiros, por várias gerações. Ninguém quer correr o risco.

A pergunta íntima, difícil é: você entregaria a narrativa de sua vida, mais duradoura do que sua própria existência, à visão, talento e defeitos de um estranho?

Eu acho o comportamento dos empresários de comunicação sintomático, concorda? Sou contra a exigência de que as biografias devam receber autorização de publicação de seus protagonistas e familiares. É censura. É uma ameaça à cultura. Mas essa diferença de tratamento chama a atenção.

Sem pudores para apresentar um zoo humano chamado BBB, onde a privacidade – inclusive através de atos sexuais verídicos ou simulados – de cidadãos comuns é parte da luta pelo prêmio em dinheiro no último dia, a Globo aliou-se a editores brasileiros para defender uma postura agressiva contra a resistência de artistas a abrir a porta de casa, do gabinete de trabalho – e do quarto, especialmente.

O autor da biografia chapa branca de Roberto Marinho é o mesmo Pedro Bial que se tornou apresentador do BBB e seu desfile biografias instantâneas e obrigatoriamente despudoradas. Engraçado, né?

O ponto é este. Não adianta embelezar o debate alegando que se pretende descrever a vida de quem ajudou a “construir a ideia de nação”, como faz Roberto Feith em artigo em O Globo. O artigo lembra corretamente a importância das biografias para a compreensão de nossa formação e nossa história. Mas é bom reconhecer que seria muito bonito se a discussão fosse apenas esta.

O problema é que não há conflitos entre projetos culturais, nem teses antropológicas ou concepções psicanalíticas. O problema, como lembra Hanna Arendt, não está nas opiniões. O que incomoda são os fatos.

O que se debate é o direito de chegar à conta bancária e especialmente à cama dos protagonistas. Ali estão os fatos espinhudos, difíceis, que podem ser escandalosos.

De perto ninguém é normal, ensina o psicanalista Luís Tenório, por intermédio de um verso famoso de Caetano. E é normal que a maioria das pessoas – famosas ou não – queira manter suas “anormalidades” em segredo.

Senão, não precisariam ir ao analista, certo?

Foi a força do monopólio da Globo, presente no rádio e na tevê, na edição de livros e no cinema, sem falar em dezenas de revistas e emissoras de tevê a cabo, que produziu o recuo das estrelas. Convencidos de que poderiam ser prejudicados em sua popularidade, eles baixaram a guarda e mudaram o tom de suas entrevistas.

A atitude diferenciada permitiu a Chico Buarque demonstrar a independência através do silêncio. Disse sua opinião e aguarda o debate.

Acho admirável, embora não esteja de acordo com sua visão.

Também acho curioso o que acontece com Xuxa Meneghel. Ela está reescrevendo a própria biografia com auxílio de medidas judiciais. Depois recolher cópias de Amor Estranho Amor e impedir sua exibição no cinema ela obteve poderes de ditadura chinesa para atuar na internet para impedir a circulação de arquivos de um filme liberado, exibido e até premiado após o lançamento, em 1982 – quando o país ainda vivia sob o regime militar. O fato é que Xuxa jamais foi criticada no mesmo tom por sua atitude.

Será que os ganhos permitidos por sua audiência explicam tamanha proteção? Ninguém acha que é uma medida antidemocrática?

Sei que todo mundo gostaria de ser personagem de Ruy Castro, João Máximo, Fernando Morais e outros talentos gigantescos e raros, capazes de reconstruir os piores momentos de uma existência com a sabedoria de quem não perdeu a referência humanista nem o olhar ético.

O resto é insegurança, temor.

Vale a pena, por isso mesmo, registrar a biografia de quem, em 2002, aprovou o Código Civil, adormecido por quase 30 anos no Congresso, onde se encontram os dois artigos que colocaram, na forma da lei, o jogo bruto da autorização prévia.

Não vou fazer nenhuma dedução indevida nem quero insinuar coisa alguma. Mas se você examinar a linha de comando da decisão, antes e depois da votação no Congresso, irá encontrar nomes que, na época, tinham todo interesse em proteger a própria privacidade.

Em 2002, último ano de seu mandato, Fernando Henrique Cardoso, que sancionou a lei em vez de vetar os dois artigos, ainda era alvo de rumores – desmentidos por DNA, muitos anos depois – de que possuía um filho fora do casamento.

A votação do Código Civil foi conduzida por Aécio Neves, então presidente da Câmara de Deputados, político que sempre foi capaz de manter a curiosidade de jornalistas longe de sua vida pessoal.

Na década de 1970, o avô de Aécio, o deputado Tancredo Neves, foi o político que levou, ao congresso, o jurista que introduziu o debate sobre privacidade no Código Civil. Elaborados na fase inicial dos debates, os dois artigos se mantiveram intactos até o final. O país inteiro soube, após a morte de Tancredo, que sua vida em Brasília seria um banquete para revistas de fofocas.

Quem tinha idade para ler jornais três décadas atrás recorda-se que o serviço secreto do regime militar tinha um apetite especial para desmoralizar adversários pela divulgação de fatos da vida privada.

Um bispo ligado a Teologia da Libertação foi fotografado com uma companhia feminina num cinema do Rio de Janeiro.

Um deputado de oposição foi flagrado num motel de estrada em companhia da mulher de um de seus amigos – do mesmo partido.

As duas informações eram verdadeiras mas o debate sobre privacidade leva a essas perguntas difíceis. O fato de serem verdadeiras poderia justificar que se tornassem públicas?

Ao longo dos anos os dois artigos se mantiveram por uma década no Código Civil, sem que ninguém se mostrasse incomodado com eles.

Se houve alguma mudança, foi no grau de promiscuidade da indústria cultural, que piorou bastante.

Se a sociedade tornou-se infinitamente mais tolerante nos costumes, os meios de comunicação evoluíram no mesmo grau em matéria de ousadia e agressividade. A atração pelos aspectos privados de uma existência tornou-se compensadora comercialmente, em função de grandes índices de audiência e leitura – como se verifica em tantos livros de história, bons ou ruins, com obrigatórios capítulos Caras e/ou Contigo!

Partindo de um ponto de vista conveniente para a causa da indústria, um número crescente de advogados, autores e mesmo políticos alega que uma personalidade pública não tem direito a privacidade. É um argumento bom para o mercado de celebridades. Mas é um absurdo cultural e político.

Nenhuma sociedade democrática pode diminuir os direitos fundamentais de um cidadão – inclusive o direito à privacidade – em função de sua condição social. Direitos humanos são universais ou são privilégios desumanos.

A Constituição garante a liberdade de expressão em termos absolutos e também protege a imagem e a privacidade de todos.

Não diz que o cidadão cuja vida pode virar um best-seller tem menos direitos do que os demais.

Além disso não há nenhum critério científico para se definir de forma precisa o que é uma “personalidade pública” e o que é um “cidadão privado.” Basta fazer uma ponta numa novela para ser personalidade pública? Ou a certidão de “personalidade pública” só vale para quem é político, ou fez o papel principal?

A pessoa que namora uma celebridade também é pessoa pública?

E a amante? E o filho fora do casamento? Quem vai ser exposto numa fraqueza como, por exemplo, ser dependente de álcool ou outro tipo de drogas?

Quem terá amigos influentes junto ao autor para garantir que será poupado? O editor nunca fará nada, irá resistir igualmente a todas as pressões e pedidos?

Você acha que a mão pesada que seleciona a divulgação momentos escabrosos da existência humana não tem amizades nem preferências?

Vivemos num país onde a liberdade de imprensa eliminou até o direito de resposta. Vamos mandar as vítimas de maus biógrafos bater às portas da Justiça com seus prazos proporcionais aos honorários dos advogados? Estamos falando a verdade ou queremos enganar?

Este é o debate real.

Leandro Fortes: Barata voa

6 de novembro de 2013

Caetano03A_MascaradoLeandro Fortes, no Facebook

Depois que viram o tamanho da merda em que se meteram ao defender a censura prévia de biografias não autorizadas, nossos deuses sagrados da MPB não sabem como desembarcar da barca furada da tal Associação Procure Saber.

A patética entrevista de Roberto Carlos ao Fantástico, onde basicamente disse concordar com biografias não autorizadas desde que sejam autorizadas, foi a estratégia que o Rei arranjou para organizar a própria fuga e deixar os bobos arregimentados por Paula Lavigne a ver navios.

Agora, Caetano (putz, que saudade do velho-jovem Caetano!) decidiu estrebuchar em praça pública, fingindo que não disse o que disse nem defendeu o que defendeu.

Só sinto mesmo por Gil e Chico terem embarcado nessa roubada. A vida, a música e a biografia de ambos não mereciam, nesta quadra da vida, essa mácula provocada pela ganância da ex-mulher de Caetano.

Aguardem, pois. Todos os detalhes dessa ópera-bufa estarão na minha biografia não autorizada de Paula Lavigne.

Resenha desmonta livro de repórter da Veja contra Zé Dirceu

6 de agosto de 2013

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Biografia não autorizada de Otávio Cabral traz erros históricos crassos, além de realçar aspectos pessoais em detrimento dos políticos.

Via Revista Fórum

O jornalista Mario Sergio Conti publicou na revista Piauí uma resenha (Chutes para todo lado) sobre a biografia não autorizada de José Dirceu. O livro Dirceu: A biografia foi lançado em junho deste ano pelo editor da revista Veja Otávio Cabral (Editora Record). Em duas semanas, a suposta biografia teria vendido 30 mil exemplares e chegou à lista dos mais vendidos de não ficção. No entanto, é assustador a quantidade de erros encontrados na obra, que não contou com sequer uma entrevista com o biografado e pessoas próximas a ele.

Conti fez o trabalho de relatar todas as inverdades encontradas em suas páginas, das menores às maiores, estas históricas. Ele lista vários equívocos só nas seis primeiras páginas do capítulo inicial. “E a sexta página se encerra com um abuso: Otávio Cabral afirma que José Dirceu apoiava Jango ‘mais para se opor ao pai do que por ideologia’. Nada autoriza o biógrafo a insinuar o melodrama edipiano. Ainda mais porque, dois parágrafos adiante, é transcrita uma declaração na qual José Dirceu afirma que, no dia mesmo do golpe, se opôs à ditadura por “um problema de classe”, completa.

Entre as “invencionices” do biógrafo Cabral, listadas por Conti, estão afirmações de que Dirceu teria trabalhado na TV Tupi, o que não confere. Diz ainda que o presidente do PT Rui Falcão foi colega de Dirceu na PUC, onde estudou jornalismo. A PUC sequer tinha curso de jornalismo e Falcão fez Direito na Universidade de São Paulo. Afirma que uma das ações mais ousadas de Dirceu “foi a destruição do palanque do governador paulista, Abreu Sodré, no 1º de maio de 1968, na Praça da Sé. O ataque a Sodré foi feito por metalúrgicos de Osasco, liderados por José Ibrahim”.

O biógrafo afirma que em 1968 “a Guerra Fria encontrava-se no auge e a invasão dos Estados Unidos a Cuba era iminente”. Mario Sergio Conti corrige: “A invasão de Cuba fora eminente em 1961, quando a CIA organizou o desembarque na Baía dos Porcos e, no ano seguinte, durante a crise dos mísseis, e não seis anos depois. E 1968 não foi o ano do auge da Guerra Fria, e sim o de sua grande crise, que levou o capitalismo e o stalinismo a se darem as mãos”.

Segundo Conti, A biografia tem dezenas de barbaridades. Uma das melhores é o trecho que diz: “Fernando Collor, na tentativa de se manter no Planalto durante a campanha pela sua destituição, conclamou o povo a ir às ruas com roupas pretas para defendê-lo, e todos foram de verde-amarelo.” Como todo mundo sabe, ocorreu o contrário. Collor incitou a população a se vestir de verde-amarelo e o Brasil foi tomado por manifestantes de preto.

O biógrafo ainda narra o jogo da Seleção Brasileira contra a do Haiti, em Porto Príncipe, em 2004, que recebeu uma comissão brasileira, com o ex-presidente Lula. Há um belo relato, porém Dirceu não foi para o Haiti naquela ocasião. “É torpe a maneira como Otávio Cabral trata as namoradas e esposas de José Dirceu. Ele escreve vulgaridades machistas como “loira alta e voluptuosa”, “encontrou a inesquecível lembrança deitada na cama”, “formas avantajadas”, “a bunduda do sindicato”. Dá nome, sobrenome e profissão de algumas das mulheres que amaram Dirceu. De outras, o primeiro nome ou só a ocupação. “Empresária”, por exemplo. Por quê? Talvez por incerteza. Talvez por covardia. O que sobressai é a alusão melíflua, e não a afirmação direta”, escreve Conti em sua resenha.

Ao comparar a chamada biografia com outras obras, Conti destaca que “Otávio Cabral envolve José Dirceu numa névoa de insinuações para melhor denegri-lo. Em títulos de capítulos, chama-o de ‘camaleão’, ‘bedel de luxo’, ‘o maior lobista do Brasil’ e ‘o maior vilão do Brasil’. Como Dirceu foi condenado e aguarda a prisão, o que Cabral faz é chutar um homem caído no chão. Mas comete tantos erros que acaba chutando sua própria reputação profissional”.

E a resenha termina com a seguinte conclusão: “Em vez de trabalhar, Otávio Cabral preferiu a invencionice delirante”.

Comentário de Leandro Fortes no Facebook sobre o texto:

O antijornalismo

O título não é meu, mas da revista Piauí deste mês, na chamada de capa que faz para um texto do jornalista Mario Sergio Conti. Trata-se de uma análise devastadora dessa biografia montada para dar suporte à violência editorial da Abril contra José Dirceu e o PT.

Logo depois de ter arrasado com o livro sobre Dirceu, escrito por um repórter da Veja, Conti foi afastado do comando do Roda Viva, o programa de entrevistas da TV Cultura, estatal paulista subordinada ao governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

Para o lugar dele irá Augusto Nunes, colunista da Veja.

Esse é um esgoto sem fim.

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Leia também:

Breno Altman: Biografia de Zé Dirceu é caso para o Procon

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Biografia de Zé Dirceu é caso para o Procon

12 de junho de 2013

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Breno Altman, via Brasil 247

O título é um petardo que coraria escritores mais tarimbados e talentosos. O jornalista Otávio Cabral, da equipe de Veja, não deixou por menos: Dirceu, a biografia. Um recorde incrível foi batido pelo autor, que deixaria humilhados biógrafos de maior fama: levou apenas seis meses para pesquisar e escrever “a” obra definitiva sobre personagem crucial da história política brasileira, cuja vida pública percorre quase 50 anos.

Patrocinado pela revista que paga seu salário, publicação notória pela isenção quando o assunto é José Dirceu, Cabral mereceu capa em edição desta semana, na lambuja de artigo assinado por Thaís Oyama, sua chefe imediata. A empreitada foi carimbada como “completa e surpreendente”.

A resenhadora, aliás, recebe derretidos agradecimentos, no próprio livro, por ter ajudado a “melhorar o texto” e tirar o escriba de “algumas enrascadas”. Mas essa aparente promiscuidade é um detalhe irrelevante para os elevados padrões éticos que vicejam na editora situada às margens do rio Pinheiros.

Tampouco tem importância a opinião do pretenso biógrafo, ainda que o grau de intoxicação vá bem além do admissível. Fernando Morais, renomado escritor de esquerda, fez da vida de Assis Chateaubriand, homem de direita, obra-prima da biografia. Otávio Cabral, repórter a serviço da mídia fascistoide, porém, não escreveu sobre seu personagem, mas contra ele. Isso era de se esperar. A marca registrada dos jornalistas de Veja, afinal, com raríssimas exceções, é ostentar os mais aclamados prêmios no vale-tudo que tantaliza boa parte da imprensa tradicional.

Fundamental mesmo é que o livro não passa de uma fraude, da primeira à última linha. Uma enganação. Um desrespeito ao leitor e ao código de defesa do consumidor. O que a revista anuncia e o escritor promete não passam de propaganda enganosa e abusiva. Ambos sonegam informações relevantes, conduzem ao erro e prejudicam o conhecimento da verdade.

Para começo de conversa, Cabral simplesmente omite a lista dos entrevistados para a biografia. Ninguém sabe quem testemunhou ou declarou a maior parte dos fatos. O autor fala em 63 pessoas com quem teria encontrado na fase de pesquisas. Pouquíssimas são citadas nas notas de rodapé. Qualquer biografia que se preza registra as fontes de investigação.

A jornalista Mônica Bergamo, em post no Facebook, já desmentiu relato no qual se viu citada. Certamente não será a única. Fernando Morais, que não foi ouvido pelo autor, também repele como falsos os momentos nos quais é referido. Eu mesmo fui tratado, em determinada passagem, como “porta-voz de Dirceu para momentos delicados, como o sequestro de Abílio Diniz”. Não apenas é uma deslavada mentira, como Cabral, por quem aceitei ser entrevistado, jamais me perguntou a esse respeito.

A maior parte das passagens é mera republicação, às vezes literal, de reportagens da própria Veja ou de outros veículos, difundidas nas últimas décadas. O autor não se dá ao trabalho de cotejar informações e testemunhos, verificar fatos, refazer caminhos. Seu desempenho não vai além de um colegial que pesquisa algum tema no Google e copia acriticamente o que vê pela frente. Se o livro fosse um TCC – o Trabalho de Conclusão de Curso – que as faculdades de jornalismo exigem de seus alunos, Cabral teria levado bomba.

Não vacila em agir com este despudor sequer ao recorrer a arquivos da ditadura militar. Documento assinado pelo delegado Alcides Cintra Bueno Filho, torturador de carteira registrada no Dops paulista, relata que Dirceu teria sequestrado, em 1968, estudantes ligados ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC). No texto sofrível de Cabral, é o que basta para ser apresentado como fato líquido e certo. E esse é apenas um exemplo.

Outro mais? Lá pelas tantas, o autor conta que Dirceu teria participado de uma ação, em 1972, que resultaria no assassinato de um sargento da Polícia Militar. A fonte? Relatórios do 2º Exército, que se referem a uma testemunha identificando o líder petista em um cartaz de procurados. A ditadura não abriu inquérito, a partir de prova tão frágil, mesmo José Dirceu sendo um homem marcado para morrer, mas o escrevinhador mandou bala. Não foi capaz, ao menos, de entrevistar um suposto sobrevivente daquela operação, José Carlos Giannini, apesar de citá-lo.

Um biógrafo de verdade, como Mário Magalhães, ao escrever sobre Carlos Marighella, comparou três fontes sobre cada episódio, no mínimo, antes de cravá-lo como verdadeiro. Não é à toa que levou dez anos para concluir sua obra sobre o comandante guerrilheiro. Esse método definitivamente não é o do jornalista de Veja. Além do recorta-e-cola de matérias antigas e textos policiais, apostou muitas de suas fichas em boatos sem origem indicada e em depoimentos de conhecidos desafetos do biografado. A ideia do contraditório e da acareação lhe é totalmente estranha.

Inúmeras das notas que chancelam determinadas informações apontam para “um assessor”, “um jornalista” ou “uma testemunha”. Sem nome ou sobrenome. Seria trágico se não fosse cômico. Um dos depoentes que dá a cara é o ex-petista Paulo de Tarso Venceslau. Amigo de Dirceu no movimento estudantil, depois dos anos de 1990 virou inimigo figadal. Mas seus relatos são tratados pelo autor como verdades cristalinas, sem qualquer contraponto. O resultado seria o mesmo se uma biografia de Fidel Castro fosse escrita principalmente a partir de entrevistas com cubanos da Flórida ou se a história de Trotsky fosse contada pela direção soviética dos anos 30 e 40.

O pastiche se supera quando especula que havia suspeita sobre Dirceu ter sido o delator que teria levado às quedas e ao extermínio do Molipo, organização armada à qual pertencia. O próprio Cabral, no entanto, cita que os contemporâneos do biografado, alguns também sobreviventes do massacre, negam essa versão e prestam-lhe seguidas homenagens e manifestações de solidariedade. O autor se baseia em depoimento de um ex-coronel das Forças Armadas, envolvido em atividades repressivas, que não é corroborado por mais ninguém ou por qualquer documento. Pura patifaria.

Não consegue, a propósito, sequer dar ares de seriedade a suas invencionices. Profundamente ignorante sobre a história do País e da esquerda, confunde incontáveis dados, datas e personagens, além de se atrapalhar e cair em seguidas contradições. Paulo Vanucchi, citemos um caso, é apresentado como militante da ALN em um canto e do MEP n’outro, algo estapafúrdio, misturando organizações sem qualquer identidade entre si.

Identifica o Departamento América, organismo do Partido Comunista Cubano, como parte do serviço secreto. Destaca que Dirceu teria ficado na Casa do Protocolo, supostamente localizada em área periférica de Havana, quando há inúmeras casas de protocolo, como os cubanos chamam as residências para convidados estrangeiros, todas com endereço em um dos bairros mais nobres da cidade. E por aí vai. Cabral, diga-se, conseguiu escrever páginas e páginas sobre a estada de seu personagem em Cuba sem ter pisado na Ilha para ouvir testemunhas e pesquisar fontes primárias. Um assombro de arrivismo.

Para apimentar o enredo, deu espaço a todo tipo de fofoca sobre a vida pessoal do ex-ministro. Fez uma lambança sem tamanho, atribuindo situações e sentimentos, ainda que jamais tenha ouvido qualquer de suas ex-companheiras. Erra até datas de casamento e cria relações como um romancista de folhetim barato. No bom estilo inventa-e-foge, planta maliciosamente que o mulherengo infernal teria algum vínculo homossexual com o intelectual cubano Alfredo Guevara, para logo dizer que não era bem assim.

Sobre o chamado “mensalão”, então, Cabral faz um prato caprichado. Uma colada básica no relatório de Joaquim Barbosa, e está liquidada a fatura. Nem mesmo aproveita a loquacidade do advogado José Luiz de Oliveira e Lima, costumeiramente disponível a contar sobre bastidores de seu cliente, para investigar contraprovas da defesa ou analisar mais a fundo tanto os acontecimentos entre 2003 e 2005 quanto o julgamento de 2012. Preguiçosa e interesseiramente, adota sem pestanejar o ponto de vista de quem lhe assina o cheque de cada mês.

Os únicos leitores com os quais Cabral parece ter compromisso, a bem da verdade, são seus chefes na Veja. A estes entregou a mercadoria prometida: mais um libelo contra José Dirceu. Feito nas coxas, seguindo o manual para linchamento de reputações que faz sucesso entre seus pares, mandando às favas qualquer critério jornalístico ou rigor de pesquisa. Coisa de charlatão.

Ao distinto público, no entanto, está sendo oferecido gato por lebre. O livrinho é um estelionato editorial que lança mais luz sobre o autor e seus patrocinadores que sobre o biografado. Um bom caso para o Procon.

Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

FHC: “Nós, a elite, temos tendência à arrogância.”

21 de maio de 2013

FHC_Who_Moi01Paulo Sampaio, na Glamourama, e lido em O Escrevinhador

Fernando Henrique Cardoso entra na ampla sala onde costuma receber a imprensa e convidados na Fundação iFHC, olha para o repórter e o fotógrafo e pergunta: “Não era uma moça que vinha?”. Era. Mas ela precisou apurar outra matéria, em Brasília, e, infelizmente, o presidente terá de se contentar com um repórter do sexo masculino. Ele parece resignado. FHC acabou de abrir e fechar uma palestra cujo tema era “Brasil e América Latina: que liderança é possível?” e agora come uns pãezinhos do coffee break que a secretária guardou para ele.

Localizada no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, a fundação foi inaugurada, em 2004, com robustas contribuições de empresários paulistas. Nasceu como instituto, para abrigar o acervo de documentos privados do presidente e também promover palestras e debates “sobre a democracia e o desenvolvimento”. Em 2010, com o objetivo de “fortalecê-lo como instituição perene”, transformaram o instituto em fundação. Ali se discutem temas tão diversos como “Retratos da Primavera Árabe, O Encontro de Joaquim Nabuco com a Política: as desventuras do liberalismo e India grows at night when government sleeps”. Em oito anos de existência, a entidade promoveu mais de 200 debates. No dia em que Poder esteve lá, os palestrantes eram o embaixador Celso Lafer, o ex-presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, e o porta-voz do ex-presidente mexicano Vicente Fox, o sociólogo Rubén Aguilar. Na abertura do evento, assistido por cerca de 60 pessoas, o coordenador de debates da fundação, Sérgio Fausto, apresenta o tema.

Nós, a elite

O encontro é permeado por aquele tom de solenidade que os intelectuais costumam usar para infundir peso a suas opiniões. Os que estão ali afirmam que o Brasil “sem dúvida tem dimensão territorial para exercer liderança na região”; que conta com “preponderância econômica sobre os vizinhos”, com “indiscutível potencial energético”, com “instituições cada vez mais fortes”. “Estamos muito mais adiantados na defesa dos direitos humanos, na democracia”, concluem, orgulhosamente, os brasileiros. Porém, ressalvam, o Brasil parece “receoso em assumir posições”, “insiste em certas posturas desnecessárias” e “deveria falar menos em liderança e passar a exercê-la”. “Nós temos certa tendência à arrogância”, diz FHC. “Quando eu digo nós, quero dizer nós, a elite.”

De repente, Rubén Aguilar efetua uma espécie de corte epistemológico no fluxo do debate, levantando questões que colocam em xeque a própria pertinência do tema. “Por que, afinal, o Brasil está tão preocupado com liderança?” “Que importância tem em ser a sétima ou a primeira economia do mundo, se não se dá ao povo condições de viver?” “Como se pode ser líder de seus vizinhos, quando só se enxerga a si mesmo?” Alguns intelectuais presentes sorriem amarelo, outros acham graça de verdade.

Depois do debate, comendo os pãezinhos do coffee break, FHC pondera que Aguilar é mexicano, por isso trata o assunto com ironia. “Ele diz que o povo lá não está interessado em liderança, mas quem tem de querer a liderança não é o povo, é o Estado”, diz. Por outro lado, o ex-presidente acredita que “a verdadeira liderança não precisa ser proclamada, ela é exercida”. E, assim sendo, o Brasil não tem de informar que é líder: “No mundo moderno, não existe imposição, mas convencimento.”

Intelectual público

Pouco antes da entrevista, a secretária de FHC aponta o lugar onde o chefe se senta e convida o repórter a ocupar uma das outras três cadeiras dispostas em volta de uma mesinha de centro redonda. O presidente posa para as fotos e, em seguida, responde às perguntas. Diz que, hoje, ele é “o que os americanos chamam de ‘intelectual público’”. “Transformo minhas posições e as exponho publicamente. Não fico restrito à universidade.” Certo. E o que ele sentiu, como intelectual público, quando soube que Lula teria uma coluna no jornal norte-americano The New York Times? “O NYT vai distribuir matérias do ex-presidente Lula. Acho bom e normal. Fazem o mesmo com as colunas que escrevo no Brasil.” Tudo a ver. Pode-se inferir, então, que Lula também é um “intelectual público”.

Apesar da identificação, Fernando Henrique Cardoso foi duro com Lula em um artigo publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo com o título “Herança pesada”. Supostamente, o texto era bem intencionado; pretendia dar um desconto ao governo de Dilma, por conta dos erros cometidos por Lula. Mas, ao mesmo tempo, colocava os dois no mesmo equívoco original, o PT. “Comecemos pelo mais óbvio: a crise moral”, escreveu FHC. “Nem bem completado um ano de governo e lá se foram oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. […] Como o antecessor desempenhou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar seus filiados.” Citou também o “mensalão”, “outra dor de cabeça”. “De tal desvio de conduta a presidente passou longe e continua se distanciando, mas seu partido não tem jeito.” O tucano mencionou ainda como “herança pesada” o déficit da Previdência, a política energética e o atraso na transposição do rio São Francisco.

Dilma ficou brava. Ela que, quando FHC completou 80 anos, havia mandado uma mensagem carinhosa para ele, elogiando “o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica”, soltou uma nota oficial ácida. “Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob ameaça de apagão. Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes. O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento.” Com sua expressão mais inocente, Fernando Henrique diz a Poder: “Eu escrevo um artigo, ela responde com uma nota oficial. Achei estranho”.

Sem noção

Na opinião de FHC, Dilma parece se sentir “imprensada” por interesses divergentes. Ele a aconselha a “não entrar no olho do furacão”. “Mesmo que esse furacão seja a eleição.” O presidente reconhece que a popularidade dela está em alta, mas acredita que isso é reflexo do que chama de “linguagem unificada do PT”. Para ele, todo mundo no partido diz a mesma coisa: ministros, Petrobras, Banco do Brasil etc. “Você pode ver na tevê, só aparece um lado. O lado dela. O povo só vê isso. Não quer dizer que na hora da eleição vá julgá-la do jeito como a julga agora.”

Por sua vez, o PSDB, partido do qual FHC é cofundador, filiado e presidente de honra, parece ter dificuldade para achar um lado – qualquer um. No momento, a impressão é a de que os próprios tucanos não sentem firmeza na decisão de Aécio Neves de disputar a Presidência da República. “O Aécio é mineiro, achava que não era a hora. Agora, ele achou que é hora. Está a toda”, garante Fernando Henrique. O tucano reconhece que o partido frequentemente deixa de “falar claramente”. “Tem de defender o que foi feito. Privatização? Todo mundo tem celular. Todo mundo tem orgulho da Embraer. Você não consegue fazer nada na história se não tiver noção de como ela foi construída.”

Se o tucano reconhece traços de “acanhamento” entre os correligionários do PSDB, particularmente ele garante que sempre foi muito firme em suas opiniões. É verdade que algumas vieram com certo atraso, como a defesa da descriminalização da maconha, feita apenas há dois anos no México. FHC expôs sua posição durante a reunião da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, da qual faz parte. A repercussão no Brasil foi enorme. Ele discorda que só tenha falado sobre o assunto agora porque é mais fácil para um ex-presidente de 81 anos, sem intenção de disputar cargo político, dar sua opinião sobre temas espinhosos. “Sempre disse o que quis. Quando estava na Presidência, criei a Senad, Secretaria Nacional Antidrogas, com função educativa.” Senad quem? “De fato, não teve muito destaque na época”, ele reconhece.

Ninguém acredita

Convenhamos que agora pega até bem, especialmente entre os jovens que frequentam a fundação, ter um mentor tão prafrentex. FHC responde a eles que nunca fumou maconha, “mas não adianta, ninguém acredita”. Ele acaba concordando que, de fato, expõe com muito mais liberdade suas ideias hoje, do que há 30 anos: “Não tenha dúvida”.

Já que é assim, a reportagem se sente tentada a repercutir algumas histórias clássicas sobre ele. É pão-duro? “Sim, sou.” Mas do tipo pechincheiro? “Não sou uma pessoa de consumo, de gastos.” Esse seu terno é de marca? “Ganhei o tecido, e mandei fazer.” Algum bem de consumo durável que o seduza: canetas, óculos, relógios, automóveis? “Não, não. Carro, eu não sei nem qual a marca. Frequentemente, entro no carro errado, alguém me avisa.”

Sua vaidade é intelectual. O presidente gosta de ir ao cinema, ao teatro, de ler livros. Quando sai, é tratado como astro. Dá autógrafos, inclusive. A constante massagem no ego provavelmente ajuda a neutralizar a eventual decadência física. “Nada resolve essa parte.” De qualquer maneira, é mais fácil para um senhor de 81 anos esquecer uma dorzinha na articulação quando ele tem a agenda cheia. Na véspera da entrevista, FHC almoçou com o escritor peruano Mario Vargas Llosa, depois falou para mil jovens sobre democracia. À noite, jantou com amigos. No dia seguinte, faria uma palestra em Belo Horizonte. Nesses eventos, ele gosta de falar, “não de ler”, para quem o assiste. Mas garante que não sente sono quando um palestrante lê, como o fez, por exemplo, Celso Lafer.

Salto na biografia

O celular dele toca, é a namorada, Patrícia Kundrát, 35 anos, ex-funcionária da fundação. Eles vão se encontrar depois da entrevista. O presidente diz a ela que liga quando entrar no carro. O tucano não sabe precisar há quanto tempo namora Patrícia. “Ah, não sei. Uns dois, três anos.” Gosta de namorar? “Com moderação”, ri. Ele diz que nunca ouviu falar em um grupo de viúvas moradoras de Higienópolis, bairro onde vive em São Paulo, que são apaixonadas por ele. “Só em Higienópolis?”, ri de novo.

Sua fama de mulherengo pareceu se confirmar quando FHC assumiu um filho que, descobriu-se depois, não era dele. É razoável imaginar que o presidente preferiu ser politicamente correto e reconhecer a paternidade do garoto antes mesmo de saber se era o pai. Mas ele explica que não foi bem assim: “Eu não sabia anteriormente e decidi não ‘assumir a paternidade’ – posto que o DNA mostra que não se trata de filho meu – mas, sim, manter laços afetivos e as custas de sua educação. Isso eu faço não porque seja ‘politicamente correto’, mas porque é humana e sentimentalmente o que sinto que devo fazer.”

Um salto e tanto na biografia do intelectual público. Duas vezes presidente da República, ministro das Relações Exteriores, da Fazenda e senador, Fernando Henrique Cardoso revela-se agora um pai adotivo de tendências humanitárias e sentimentais. Além de tudo, tocante.

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