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Quem é servil não pode entender de soberania, Merval

18 de setembro de 2013

FHC_Clinton01

Fernando Brito, via Tijolaço

O amigo Paulo Henrique Amorim chama-me a atenção para o artigo de Merval Pereira em O Globo onde, entregando os pontos sobre o voto de Celso de Mello no julgamento da Ação Penal 470, volta sua verrina contra o gesto de Dilma Rousseff em postergar a visita que faria a Barack Obama, por conta do episódio de espionagem sobre suas comunicações e os dados dos computadores da Petrobras.

Não surpreende, mas não pode deixar de repugnar, que ele se preste a ridicularizar a atitude necessária, embora serena, da presidenta.

“De concreto mesmo, essa bravata nacionalista não trará benefício algum, a não ser agradar a certa camada do eleitorado que leva a sério essa simulação de confrontação, como se tivéssemos a ganhar alguma vantagem geopolítica em toda essa trapalhada internacional.”

Trapalhada, Merval?

Espionagem em escala mundial, sem limites à invasão da privacidade de centenas de milhões de cidadãos, empresas e chefes de Estado mundo afora é simples “trapalhada”?

Sua sabujice aos norte-americanos, Merval, já espelhada nos telegramas do WikiLeaks que o revelam como “informante” dos EUA para questões eleitorais, o tornam sem qualquer capacidade moral de falar sobre isso.

O papel de pateta que Fernando Henrique Cardoso fazia nos fóruns internacionais é o seu modelo, porque condizente com papel subalterno que vê em nosso País.

Merval tem a postura afetada de um lorde, o que não lhe encobre a condição de vassalo. Fala fino com aliados e grosso com os fracos.

Por que é que ele, agora que é um jurista de nomeada, com capacidade de dar lições de Direito aos ministros do STF, não explica a seus leitores esta pequena nota, num dos “tijolaços” de Leonel Brizola?

O Globo condenado – Por 5 votos a 1, o TRE condenou em definitivo o jornal O Globo. Como muitos se lembram, em outubro de 1989, às vésperas das eleições presidenciais, O Globo publicou fotos do então candidato Leonel Brizola, com o líder comunitário José Roque, a quem o jornal apontava como sendo o traficante “Eureka”. Tudo era mentira e montagem, inclusive com a colocação de armas junto às fotografias. O senhor Roberto Marinho, condenado em primeira instância, escapou pela transferência das culpas para seus subordinados. O processo criminal foi definido. Cumpre, agora, tratar, no cível, da indenização correspondente aos danos que causaram a mim e ao PDT.

Um destes subordinados era você, Merval.

José Roque era negro, era pobre e servia no “figurino” de traficante. Um alvo fácil, bom de bater, não é?

Foi uma trapalhada?

Você pediu desculpas pelo erro? Não, continuou falando grosso. Brizola era o inimigo, Roque era o negro favelado.

Vejam a história, nas palavras de Caio Túlio Costa, ombudsman da Folha à época:

● O caso comentado nesta coluna na semana passada – sobre a notícia dada pelo jornal O Globo de que a polícia carioca tinha achado uma foto de Brizola junto ao traficante Eureka – continua repercutindo. Décio Malta, editor de O Dia, telefonou para dizer que a informação sobre a foto não chegou ao jornal O Globo via O Dia, que cedeu somente a sua foto para publicação. Malta mandou também cópia do material publicado pelo seu jornal. Nele está claro que O Dia incluiu na sua primeira página a menção de que o homem abraçado por Brizola tinha sido identificado também como José Roque, presidente de uma associação de moradores.

● O jornalista Merval Pereira, da direção de O Globo, também telefonou para estabelecer que o jornal não se baseou apenas numa fonte para afirmar que José Roque seria o traficante Eureka. Além do detetive-inspetor Horácio Reis [que negou tudo depois]. O Globo escudou-se também na afirmativa do sargento Luís Carlos Rodrigues. “Uma fonte da Polícia Civil e outra da Polícia Militar”, diz Merval.

Ele mandou um fac-símile da reportagem que O Globo deu no segundo clichê, onde aparece a informação de que o sargento também dissera que o homem da foto era o traficante Eureka.

● O fato de O Globo ter-se baseado em duas – e não em uma única fonte policial – não desculpa o jornal pelo erro jornalístico contra José Roque e Leonel Brizola. Fez bem O Dia em tentar descobrir quem era na realidade o homem que Brizola abraçava e fora apontado pela polícia como traficante Eureka. Ao contrário de O Globo, o jornal O Dia teve tempo de descobrir sua identidade e de publicar a informação de que o rapaz da foto poderia ser o José Roque. E acertou.

Está vendo, Merval, como iam bem aí uns embargos infringentes de jornalismo para reexaminar a notícia grave, às vésperas de uma eleição e restabelecer a verdade?

Você, que vê política e marquetagem em cada gesto humano, como é que descreveria o que você mesmo fez com Roque e Brizola?

Trapalhada?

***

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A matemática de Clinton obriga Serra a falar do “mensalão”

10 de setembro de 2012

Saul Leblon, via Carta Maior

Bill Clinton, que os tucanos adoram, disparou a seguinte aritmética na convenção que aclamou Obama a buscar um segundo mandato na Casa Branca: “De 1961 para cá, os republicanos governaram o país por 28 anos, e os democratas, por 24 anos. Nesse período, foram criados 66 milhões de empregos, assim: 24 milhões pelos republicanos e 42 milhões pelos democratas”. Curto e grosso, Clinton atingiu o fígado adversário.

Se fosse manejar a mesma aritmética demolidora no Brasil, Clinton – que os tucanos adoram, repita-se – diria o seguinte: “De 1994 para cá, o PSDB governou o Brasil por oito anos, e o PT, por 9 anos e meio – oito de Lula, e um ano e meio de Dilma. Nesse período, foram criados 18,8 milhões empregos: 800 mil pelos tucanos e 15,3 milhões por Lula e Dilma.”

É por isso que FHC quando se manifesta é prolixo, mas foge dos números. Por isso, também, Serra recorre ao “mensalão”, na falta do que dizer diante do esfarelamento de sua candidatura.

Por conta desse flanco aritmético, o PSDB, igualmente, quer interpelar Dilma que anunciou um corte de 16% da tarifa elétrica residencial e de 28% na industrial em pleno 7 de Setembro. Pudera: no governo FHC, em 2001 – diria a matemática de Clinton –, o corte que houve foi no fornecimento.

O apagão, conforme cálculos insuspeitos de Delfim Netto, custou R$60 bilhões aos brasileiros. O equivalente a um salário mínimo da época extraído de cada cidadão, assim: perda de 2% do PIB (R$50 bilhões, em valores de 2001, em empregos, produção, renda) e mais R$10 bilhões de “imposto apagão” para financiar termoelétricas.

Atualmente, no bunker do tucanato em São Paulo, nem o setor industrial embarca no livre mercadismo anacrônico do PSDB, afrontado por uma saraivada de medidas do governo Dilma em defesa da industrialização brasileira.

Além do corte no preço da tarifa elétrica, 15 setores fabris já foram beneficiados pela desoneração na folha salarial; o financiamento do BNDES hoje tem juro real zero (TJLP de 5,5%) para incentivar o investimento; a Selic registrou queda de 5% desde agosto de 2011; 100 itens importados sofreram taxação para defender a produção local; o corte no IPI da linha branca e setor do setor automobilístico foi prorrogado.

O governo Dilma exercer assim sua discordância esférica em relação ao simplismo tucano, segundo o qual basta a abertura dos portos para que a concorrência internacional promova automaticamente a purga da eficiência na atividade manufatureira do País. De novo, aqui, o que se evidencia é o conflito entre os que acham que os mercados são autossuficientes para promover ajustes e retificações de rota, e os que, a exemplo de Dilma, entendem que nada se fará sem políticas públicas ativas, comandadas por um Estado indutor e democráticos.

Sobrou o que ao discurso tucano? A agenda de uma desregulação financeira indefensável e o denuncismo udenista anti-PT, ao qual Serra se agarra com o desespero dos afogados em rejeição.

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30 de agosto de 2012

FHC: Dependência ao Norte!

Saul Leblon, via Carta Maior

Um grande banco de São Paulo reuniu na terça-feira, dia 28, três vigas chamuscadas do incêndio neoliberal que ainda arde no planeta: Clinton, Blair e FHC. Que um banco tenha promovido um megaevento com esses personagens a essa altura do rescaldo diz o bastante sobre a natureza do setor e da ingenuidade dos que acreditam em cooptar o seu “empenho” na travessia para um novo modelo de desenvolvimento. Passemos.

As verdades às vezes escapam das bocas mais inesperadas. Clinton e Blair jogaram a toalha no sarau anacrônico do dinheiro com seus porta-vozes. Coube ao ex-presidente norte-americano sintetizar um reconhecimento explícito: “Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse de apostar num país, seria o Brasil.”

Isso, repita-se, vindo de um ex-presidente gringo que consolidou a marcha da insensatez financeira em 1999, com a revogação da lei de Glass-Steagall.

Promulgada em junho de 1933, três meses depois da Lei de Emergência Bancária, que marcou a posse de Roosevelt, destinava-se a enquadrar o dinheiro sem lei, cujas estripulias conduziram o mundo à Depressão de 29.

A legislação revogada por Clinton submetia os bancos ao rígido poder regulador do Estado. Legitimado pela crise, Roosevelt rebaixou os banqueiros à condição de concessionários de um serviço sagrado de interesse público: o fornecimento de crédito e o financiamento da produção. Enquanto vigorou, a Glass-Steagall reprimiu o advento do supermercado financeiro, o labirinto de vasos comunicantes dos gigantes financeiros em que bancos comerciais agem como caixa preta de investimento especulativo, com o dinheiro de correntistas.

O democrata que jogou a pá de cal nas salvaguardas do New Deal elogiou o Brasil, quase pedindo desculpas por pisotear o ego ao lado do grande amigo de consensos em Washington e de corridas de emergência ao guichê FMI.

Mas FHC é um intelectual afiado nas adversidades.

A popularidade contagiante do tucano, reflexo, como se sabe, de seu governo, poupa-o da presença física nos palanques do PSDB, preferindo seus pares deixá-lo no anonimato ocioso para a necessária à defesa do legado estratégico da sigla.

É o que tem feito, nem sempre dissimulando certo ressentimento, como na terça-feira, dia 28, mais uma vez.

Falando com desenvoltura sobre um tema, como se sabe, de seu pleno domínio sociológico, ele emparedou Clinton, Hair e tantos quantos atestem a superioridade macroeconômica atual em relação à arquitetura dos anos 90.

Num tartamudear de íngreme compreensão aos não iniciados, o especialista em dependência – acadêmica e programática – criticou a atual liderança dos bancos públicos na expansão do crédito, recado oportuno, diga-se, em se tratando de palestra paga pelo Banco Itaú; levantou a suspeição sobre as mudanças que vem sendo feitas – “sem muito barulho” – na política econômica (“meu medo é que essa falta de preocupação com o rigor fiscal termine por criar problemas para a economia”) e fez ressalvas ao DNA das licitações – que não reconhece, ao contrário de parte da esquerda, como filhas egressas da boa cepa modelada em seu governo.

Ao finalizar, num gesto de deferência ao patrocinador, depois de conceder que a queda dos juros é desejável fuzilou: “houve muita pressão para isso”.

O cuidado tucano com os interesses financeiros nos governos petistas não é novo.

Há exatamente um ano, em 31 de agosto de 2011, quando o governo Dilma, ancorado na correta percepção do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato, então em obscenos 12,5%, o dispositivo midiático-tucano reagiu indignado. A pedra angular da civilização fora removida por mãos imprevidentes e arestosas aos mercados.

O contrafogo midiático rentista perdurou por semanas.

Em 28 de setembro, Fernando Henrique Cardoso deu ordem unida à tropa e sentenciou em declaração ao jornal Valor Econômico: a decisão do BC fora “precipitada”.

Era a senha.

Expoentes menores, mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, credo que inspirou Clinton a deixar as coisas por conta das tesourarias espertas, replicaram a percepção tucana do mundo: “Não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008”, sentenciou, por exemplo o economista de banco Alexandre Schwartzman, indo para o sacrifício em nome da causa.

Na quarta-feira, o BC brasileiro completa um ano de cortes sucessivos na Selic com um esperado novo recuo de meio ponto na taxa, trazendo-a para 7,5% (cerca de 2,5% reais).

Ainda é um patamar elevado num cenário de crise sistêmica, quando EUA e países do euro praticam juros negativos e mesmo assim a economia rasteja.

Uma pergunta nunca suficientemente explorada pela mídia, que professa a mesma fé nas virtudes do laissez-faire, quase grita na mesa: “Onde estaria o Brasil hoje se a condução do país na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos?”

As ressalvas feitas por FHC no evento de banqueiros de terça-feira, dia 28, deixam a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal, ou uma gigantesca Espanha – um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo para os pobres.

Em tempos de eleições, quando candidatos de bico longo prometem fazer tudo o que nunca fizeram, a fala de FHC enseja oportuna reflexão.

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Trio neoliberal: FHC, Clinton, Blair e seus trololós

Trio neoliberal: FHC, Clinton, Blair e seus trololós

30 de agosto de 2012

Em suas gestões, eles atolaram seus países na recessão, concluindo seus mandatos com recordes de desemprego e miséria. O que eles podem dizer de útil?

Altamiro Borges em seu blog

Promovido pelo Banco Itaú, ocorreu na terça-feira, dia 28, em São Paulo um seminário que reuniu três ícones do neoliberalismo: o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, o ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair, e o ex-presidente FHC. Os três “ex” falaram para um público seleto: cerca de 500 executivos de poderosas multinacionais – “com faturamento acima de US$100 milhões anuais”, segundo a revista IstoÉ Dinheiro. Eles trataram de diversos temas e, lógico, deram suas receitas para enfrentar o conturbado cenário mundial.

Pela lógica, os três “ex” nem deveriam ser convidados para falar sobre a crise capitalista internacional e as suas saídas. Afinal, em suas gestões eles atolaram seus países na recessão, concluindo seus mandatos com recordes de desemprego e miséria – o que explica suas altas taxas de rejeição no eleitorado e suas derrotas nas urnas. O ex-presidente Clinton ainda lançou o império em novas guerras, com o apoio de Tony Blair, o “cachorro sardento”, e de FHC, com a sua política servil do “alinhamento automático” com os EUA.

As contrarreformas do capital

Mas os executivos das poderosas corporações – os badalados CEOs – necessitam de consolo neste momento de graves dificuldades. O capitalismo afunda na crise e eles procuram “fórmulas” para jogar o ônus do desastre nas costas dos trabalhadores. Neste sentido, os conselhos de Clinton, Blair e FHC são pagos a preço de ouro, com o apoio do Itaú. O ex-primeiro ministro britânico até aproveitou sua viagem ao Brasil para fechar contratos de “consultoria de gestão” com os governos do Rio de Janeiro e São Paulo.

Clinton e Blair até elogiaram o governo Dilma – o que não deve ter agradado FHC, em plena campanha eleitoral para salvar a oposição demotucana. “O Brasil tem tido uma história de sucesso e progresso extraordinário”, bajulou o britânico. “Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse de apostar num país, seria o Brasil”, afirmou Clinton. Mas todos insistiram na defesa de teses neoliberais, as mesmas que afundaram as economias dos EUA e da Europa. O bordão é o da “urgência das reformas” – ou melhor, das contrarreformas neoliberais.


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