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Outra “barriga” da Folha: Oposição cega leva jornal a mais um erro primário

12 de fevereiro de 2013

Eliane_Cantanhede11_Barriga

Em sua coluna de terça-feira, dia 12, a jornalista Eliane Cantanhêde, da Folha, apontou um suposto paradoxo da América Latina: enquanto o mau aluno, Brasil, tende a reeleger sua presidente Dilma Rousseff; o bom aluno, Chile, deve rejeitar a reeleição de Sebastian Piñera. Ocorre que, no Chile, Piñera não poderá ser reeleito por uma razão muito simples: a Constituição do país não permite dois mandatos consecutivos e o atual presidente só cogita voltar em 2018. Na disputa deste ano, a favorita é a ex-presidente Michelle Bachelet.

Via Brasil 247

Eleições presidenciais estão marcadas no Chile para o dia 17 de novembro de 2013. A menos que ocorra uma hecatombe, a ex-presidente Michelle Bachelet, que representa forças de esquerda, será eleita para mais um mandato de quatro anos. A realidade política chilena levou a jornalista Eliane Cantanhêde, da Folha, a apontar um suposto paradoxo na América Latina. Segundo ela, enquanto o mau aluno, Brasil, tende a reeleger sua presidente Dilma Rousseff; o mesmo não ocorre com o Chile, melhor aluno da classe. “No simpático e aplicado país sul-americano, a economia vai bem, mas a reeleição do presidente Sebastián Piñera vai mal. No melhor país do mundo, que é o nosso, a economia não está lá essas coisas, mas a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 vai de vento em popa”, diz ela (leia mais aqui).

Talvez os eleitores chilenos e brasileiros não sejam capazes de discernir o que é melhor, como sugere Eliane, mas a análise tem um erro básico. A Constituição chilena não permite a reeleição e, portanto, Piñera não poderá se candidatar – o que se discute, hoje, é sua eventual volta em 2018.

No início do ano, Cantanhêde já havia cometido um erro, ao afirmar que uma reunião rotineira, no Ministério de Minas e Energia, havia sido convocada emergencialmente para enfrentar um apagão iminente. Como se sabe, os apagões viraram apaguinhos e depois foram tratados, pela Folha, como uma ameaça para 2014, ano de Copa do Mundo.

O que fica claro, mais uma vez, é que a oposição cega tem levado o jornal a cometer erros primários.

Semana Boimate: A “grande mídia” bate recorde de “barrigas”

13 de janeiro de 2013

Imprensa_Barrigas

Primeiro, a Folha noticiou uma reunião de emergência sobre o setor elétrico, que era rotineira. O Estadão, em letras garrafais, anunciou que o Ministério Público investigaria o ex-presidente Lula. E O Globo avisou que empresários já estariam fazendo seu próprio racionamento. Três exemplos wishful thinking, em que a vontade política dos editores se impõe à objetividade dos fatos. Se isso não bastasse, Veja também derrapou feio ao anunciar uma megafusão bancária que não houve.

Via Brasil 247

Wishful thinking. A expressão inglesa é a melhor tradução para o comportamento dos grandes jornais brasileiros na semana que passou e expressa um dos principais erros do pensamento, que é o de transformar desejos em realidade. Em vez de narrar os fatos como eles são, a história é contada como gostaríamos (ou gostariam) que fosse.

Entre pessoas comuns, o erro é perdoado. Mas quando se trata de grandes jornais, que têm o dever da objetividade, a questão se complica. A semana que passou, para a grande imprensa, foi também a semana dos grandes erros. Não pequenos deslizes, mas erros colossais, que, em alguns casos, foram escritos em letras garrafais – fugindo até ao padrão gráfico das publicações.

O jogo dos erros começou com a Folha de S.Paulo, dos Frias, que, na segunda-feira, dia 7, anunciou: “Escassez de luz faz Dilma convocar o setor elétrico”. No subtítulo, a mensagem de que, na “reunião de emergência”, seriam discutidas medidas contra o racionamento, sob a imagem de uma vela acesa na escuridão. Este era o desejo – o wishful thinking. A realidade, no entanto, é que a reunião não era emergencial nem haverá racionamento.

No dia seguinte, foi a vez do Estadão, principal concorrente da Folha, que não ficou atrás. O sonho da família Mesquita, que controla o jornal, talvez seja ver o ex-presidente Lula atrás das grades. E a manchete “MPF vai investigar Lula” veio em negrito e letras gigantes como se anunciasse que a Alemanha nazista foi derrotada pelos aliados. Mais um exemplo de wishful thinking. No mesmo dia, a “informação” foi negada pelo procurador-geral Roberto Gurgel.

O Globo, dos Marinho, naturalmente, não poderia ficar de fora da festa e anunciou que grandes grupos empresariais já planejam racionar energia. Outra demonstração de um desejo. Na quinta-feira, dia 10, após uma reunião com a presidente Dilma, os principais empresários do País deram demonstrações públicas de que não estão trabalhando com a hipótese de apagão.

Se tudo isso não bastasse, houve também a barriga de Veja Online, que, também na semana passada, anunciou a fusão entre Bradesco e Santander. Neste caso, não era wishful thinking. Apenas um erro de informação e os jornalistas responsáveis foram demitidos.

De todo modo, a semana foi exemplar ao escancarar os riscos que se corre quando a vontade política dos editores se sobrepõe à objetividade dos fatos.

PS.: até agora, apenas a Folha admitiu o erro, ainda que em letras miúdas.

Nota do Limpinho: Se você é jovem e não sabe o que é boimate clique aqui.

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Luciano Martins Costa: A “barriga” de alto custo da Veja

13 de janeiro de 2013

Veja_Bradesco_Santander

Luciano Martins Costa, via Observatório da Imprensa

Operadores e autoridades do mercado brasileiro de ações ainda estavam lidando, na quinta-feira, dia 10, com um problema criado na véspera pela edição digital da revista Veja. No final da tarde de quarta-feira, o portal de notícias Veja.com noticiou que o Bradesco estaria adquirindo as operações do Banco Santander no Brasil.

Com base em um suposto comunicado enviado aos funcionários do Santander, anunciando que a fusão iria acontecer ainda neste semestre, Veja manteve a informação incorreta como manchete durante 22 minutos, até que os bancos a obrigaram a retirar o texto do ar e publicar um desmentido.

Na manhã de quinta-feira, dia 10, o site especializado Infomoney reproduziu o desmentido de Veja, observando que o equívoco havia provocado “uma euforia no mercado”, resultando numa forte valorização dos papéis do Santander no pregão tardio da Bovespa – o mercado after hours, período de negociação que ocorre após o fechamento do pregão regular.

A valorização das ações do Santander chegou perto do teto máximo de oscilação positiva para o período, provocando um movimento atípico para o after hours. Para se ter uma ideia do volume provocado pelo erro da publicação, o Infomoney lembra que os papéis do Santander, que costumam ter um volume diário de negociações em torno de R$300 mil, chegaram a movimentar R$32 milhões após a falsa notícia da fusão com o Bradesco.

Olhando de lado

Segundo fontes do mercado de ações, o erro de Veja.com potencializou boatos de que o Santander teria interesse em negociar suas operações no Brasil para salvar sua matriz europeia, gerando a euforia que elevou artificialmente o valor das ações.

O princípio de crise surgido na quinta-feira só não se alastrou porque a Bovespa, os bancos envolvidos e outros protagonistas entraram em campo para abafar o caso, mas não está descartada a possibilidade de uma investigação para apuração de responsabilidades.

Se o site da Veja afirmou que havia baseado a notícia em e-mails enviados pela direção do Santander aos funcionários, é de se esperar que a revista apresente esses documentos, mesmo que decida preservar suas supostas fontes.

Na manhã de sexta-feira, dia 11, a imprensa registra uma situação desigual no balanço do mercado de ações: dos três principais bancos brasileiros, os títulos do Itaú e do Bradesco fecharam em declínio na quinta-feira, enquanto os papéis do Santander se destacavam entre os mais valorizados, além de aparecerem entre os mais negociados na véspera, num contexto completamente atípico.

No entanto, os jornais não se interessaram pelo problema e o público foi informado por sites especializados, como blogs de analistas financeiros e o portal Comunique-se, que noticiou o desmentido de Veja.com, reproduzindo a informação original do site Infomoney.

Erro infantil

A direção de Veja tratou de amenizar os efeitos da “barrigada” por meio de uma nota oficial se desculpando com seus leitores, afirmando que a falsa notícia “trazia em seu próprio enunciado a chave de sua falsidade”, pois, segundo a publicação: “O texto dizia infantilmente que a negociação da fusão fora informada pela instituição [Santander, N. do A.] a funcionários. Como qualquer pessoa do meio financeiro sabe, uma operação desse tipo tem de ser, por lei, mantida em sigilo e comunicada antes de qualquer outra forma de divulgação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”.

Foram apenas 22 minutos de exibição da informação falsa, de 17h59 a 18h21 de quarta-feira, dia 9, mas os danos podem ter sido grandes para quem comprou ações em alta e vai ficar esperando acontecer a fusão do Bradesco com o Santander para recuperar o investimento.

A estranha simbiose entre os meios tradicionais de comunicação, que faz com que todos eles tratem de dar grande repercussão a escândalos e denúncias sem checar as origens, desta vez funciona ao contrário. Um erro documentado, com desmentidos distribuídos em notas oficiais de dois dos maiores bancos do País, vai ficar por isso mesmo.

Azar dos leitores de Veja.com que, “infantilmente”, acreditaram que dois bancos com ações na Bolsa iriam comunicar oficialmente seu matrimônio por meio de e-mails para funcionários.

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Luis Nassif: O mercado de capitais e o jogo da notícia

13 de janeiro de 2013
A Folha se retratou em letras pequenas.

A Folha se retratou em letras pequenas.

Luis Nassif em seu Advivo

O mercado de capitais é aquele em que se aplicam as regras mais severas visando resguardar a isonomia das informações. Em países modernos, pune-se o uso de informações privilegiadas, a disseminação de informações falsas e todos os fatos que possam provocar manipulação de cotações.

No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é incumbida da fiscalização do mercado e das informações. É eficaz quanto à identificação e punição de vazamentos de informações privilegiadas e de manipulações do mercado em geral. Mas absolutamente omissa em episódios que envolvam a mídia.

Dias atrás, a Folha divulgou que o governo havia feito uma convocação extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), devido ao risco iminente de racionamento de energia.

Era notícia falsa. Mas foi repercutida durante todo o dia, apesar dos desmentidos que constavam do site do Ministério das Minas e Energia e das informações prestadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

No mercado de energia, em que atuam apenas profissionais, não houve mudanças nas cotações. Na Bovespa, onde há maior heterogeneidade dos investidores, as cotações das elétricas oscilaram bastante. Ainda mais depois das perdas sofridas pela Eletrobras com as decisões do governo em relação à renovação das concessões.

As ações caíram e ontem [10/1], dois dias depois da escandalização, e voltaram a subir. Papéis da Cesp subiram 3,49%; da Eletropaulo, PN 2,53%; e da Eletrobras, PNB 2,27%. Nesses movimentos, muita gente ganhou muito dinheiro, à custa dos que perderam.

Ontem [10/1] foi a vez do portal da Veja divulgar uma notícia sem pé nem cabeça: a da suposta fusão entre o Bradesco e o Santander, que já teria sido comunicada aos funcionários.

A diferença do primeiro episódio é que, no caso da Veja, reconheceu-se o erro e providenciou-se a devida correção 20 minutos depois. O que não impediu oscilações de monta no mercado. É mais um capítulo complicado na perda de referencial pela mídia.

Permitiu-se que a politização passasse a interferir em todo o noticiário. Não existem mais filtros adequados. Em outros tempos, “barrigas” – informações falsas – eram punidas, ou pelo próprio jornal ou pelos concorrentes. Hoje em dia, desde que se atinja o objetivo político proposto, tudo é tolerado.

Em países mais modernos, existem modelos de autorregulação. E as instituições reguladoras de mercado mantem uma fiscalização severa sobre abusos de informações que possam acarretar distorções de preços de ativos.

Trata-se de um movimento terrível não apenas para o país como para a própria mídia. Na economia, a informação é essencial para alocação de recursos, decisões de investimento, planejamento estratégico.

Cabe ao jornalista o papel de intermediar os fatos, transformando-os em notícias. Por sua condição, o público supõe que tenha acesso a fontes inacessíveis para os mortais comuns, que trate as informações com discernimento, especialmente quando mexem com a poupança do público.

No entanto, por aqui varre-se tudo para baixo do tapete. O álibi político deu autorização para o jornalista matar, não apenas reputações mas os fatos. E tudo impunemente e às claras.

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Para atacar o governo federal, Eliane Cantanhêde joga ainda mais a Folha no fundo do poço

11 de janeiro de 2013

Eliane_Cantanhede10_Erramos

A mídia golpista não está para brincadeira em seu périplo de tentar induzir a população brasileira que a rara falta de luz atual em alguns pontos do País é igual ao desastre construído pelo tucanato no apagão de 2001. A colunista da massa cheirosa, Eliane Cantanhêde, no afã de detonar a política enérgica do governo federal, conseguiu jogar a credibilidade (sic) da Folha de S.Paulo, ainda mais, no fundo do poço. Leia os dois artigos a seguir.

Os boatos sobre o apagão de energia

Luis Nassif

Na Folha de ontem [7/1], a jornalista Eliana Cantanhêde forneceu a manchete, ao anunciar uma reunião de emergência do setor elétrico. Segundo a matéria, “a reunião foi acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o ministro das Minas e Energia Edison Lobão”.

“Dirigentes de órgãos do setor tiveram que cancelar compromissos para comparecer”, dizia a matéria. Mais: “Dez dias depois de dizer que é “ridículo” falar em racionamento de energia, a presidente Dilma Rousseff convocou reunião de emergência sobre os baixos níveis dos reservatórios, para depois de amanhã, em Brasília.

Segundo a jornalista, “oficialmente, estarão presentes ao encontro de quarta-feira os integrantes do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que é presidido pelo ministro das Minas e Energia e é convocado, por exemplo, quando há apagões de grandes proporções, como ocorreu mais de uma vez em 2012”.

Existe um órgão denominado de Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) que reúne-se mensalmente para analisar o setor. Participam da reunião o Ministro, o Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Agência Nacional de Águas (ANA), entre outras.

As reuniões são mensais e agenda do ano é definida sempre no mês de dezembro do ano anterior. Portanto, desde o mês passado a tal reunião “extraordinária” estava marcada.

O mercado de energia elétrica é dividido em dois segmentos. Há os contratos de longo prazo, firmados entre grandes consumidores (entre os quais as distribuidoras) e fornecedores; e o chamado mercado spot, com compras de curto prazo.

Uma informação incorreta, como esta, poderia provocar oscilações de monta nas cotações do mercado spot. Poderia fazer empresas suspenderem planos de investimento, montarem planos de contingência.

Não afetou o mercado porque as grandes empresas, os grandes investidores dispõem de canais de informação específicos. E a própria Internet permitiu a propagação do desmentido do MME acerca do caráter “extraordinário” da reunião.

Mas a falsa notícia levantou até o argumento de que os problemas eram decorrentes da redução da conta de luz – que sequer ocorreu ainda.

De concreto, existe a enorme seca que assola o nordeste, que reduziu as reservas do sistema. Atualmente os reservatórios da Região Nordeste operam com 31,6% da sua capacidade, e os da Região Norte com 41,24%.

Limitações ambientais, além disso, obrigaram a uma mudança na arquitetura das novas usinas hidrelétricas, substituindo os grandes lagos pela chamada tecnologia de “fio d’água”.

Mas o modelo prevê um conjunto de usinas termoelétricas de reserva. Sempre que há problemas no fornecimento, elas são autorizadas a operar até que o sistema convencional volte a dar conta do recado.

O episódio mostra, em todo caso, a dificuldade, hoje em dia, de se dispor de informações objetivas. Na Internet, há um caos informacional; nos jornais, uma sobreposição diária das intenções políticas sobre a objetividade das matérias.

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Eliane Cantanhêde expõe Folha ao ridículo

Eduardo Guimarães

Otavinho Frias, dono da Folha de S.Paulo, deve estar refletindo sobre o custo que a partidarização que impôs ao seu jornal vai cobrando a sua credibilidade. Para usar um jargão jornalístico, ao ter em seu time de colunistas uma militante política como Eliane Cantanhêde, a Folha acaba de colher uma volumosa “barriga” (notícia falsa publicada em destaque).

A “barriga” ocorreu porque, na segunda-feira, dia 7, o jornal jogou lenha em uma fogueira acesa pelo concorrente Estadão na semana anterior, sobre iminente “racionamento de energia elétrica no País” devido à falta de chuvas que fez diminuir o nível dos reservatórios das hidrelétricas.

Confiando no taco da colunista Eliane Cantanhêde, esposa de um dos marqueteiros do PSDB, o jornal divulgou, no último dia 7, manchete principal de primeira página difundindo uma suposta “reunião de emergência” do governo para tratar do tal “risco de racionamento”.

Diante de notícia tão alarmista e divulgada com tanto destaque, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, ligou para Cantanhêde, autora da matéria, para informar que a reunião não fora convocada por Dilma e nem era de “emergência”, pois integrava um cronograma de reuniões ordinárias do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) que acontece todos os meses. E divulgou, no site do Ministério, o cronograma de reuniões para 2013.

Observe, abaixo, o cronograma.

Energia_racionamento01Desmontada a farsa da Folha, produzida por Cantanhêde, sobre ser reunião de “emergência”, a colunista não se deu por vencida e, em sua coluna de quinta-feira, dia 10, tentou remendar a “barriga” a que induziu seu empregador. Leia, abaixo, a coluna.

Folha de S.Paulo, 10 de janeiro de 2013

Aos 45 do segundo tempo

Eliane Cantanhêde

BRASÍLIA – Como previsto, o governo tentou desmentir a manchete de segunda da Folha sobre a reunião de emergência do setor elétrico marcada para ontem para discutir o nível preocupante dos reservatórios, ou o que o setor privado vem chamando, talvez com exagero, de “risco de racionamento”.

Desmentir notícias desconfortáveis, aliás, é comum a todos os governos: “O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

Por isso, guardei uma carta, literalmente, na manga: o e-mail enviado por um dos órgãos participantes às 17h56 da última sexta-feira: “A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE informa aos agentes que a 53ª Assembleia Geral Extraordinária foi transferida para o dia 14 de janeiro […]. O adiamento deve-se à coincidência da data anterior [9/1] com a reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), convocada pelo Ministério de Minas e Energia”.

Não se desmarcam assembleias gerais do dia para a noite, porque elas custam um dinheirão, envolvem dezenas de pessoas na organização, centenas de convidados e deslocamentos. A CCEE só fez isso porque foi convocada de última hora, cinco dias antes, para a reunião de Brasília.

O governo, porém, insiste que é coincidência que a reunião ocorra no meio do turbilhão -e da assimetria das chuvas. O ministro Lobão até me disse que estava marcada havia “um ano”. Para comprovar, me remeteu para o cronograma de reuniões no site do ministério.

Sim, estava lá, mas o cronograma foi postado no site precisamente às 15h14min30s de segunda, dia 7, horas depois de a manchete da Folha sacudir o governo, o setor, talvez o leitor/consumidor.

Há muito o que discutir: as falhas do sistema, a falta de planejamento, a birra de são Pedro, os custos das térmicas e, enfim, como ser transparente com indústrias, concessionárias e usuários. Aliás, uma obrigação de qualquer governo.

Nem seria necessário mais nada para entender que a tese salvacionista de Cantanhêde não se sustentava, pois bastaria ver o cronograma de reuniões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico para saber se, como a colunista insinuou, tal cronograma fora composto às pressas para desmentir a tese da “reunião de emergência”.

O Ministério das Minas e Energia, porém, antecipou-se ao que este blog iria publicar e enviou carta ao jornal provando que nunca houve reunião de emergência alguma, conforme a “barriga” que o veículo cometeu sob influência de sua colunista. Sem remédio, a Folha publicou a carta em sua edição de sexta-feira, dia 11. Leia, abaixo, a manifestação do Ministério.

Folha de S.Paulo, 11 de janeiro de 2013

Painel do Leitor

Energia

No dia 7/1, a Folha publicou a seguinte manchete de capa: “Escassez de luz faz Dilma convocar o setor elétrico”, com o subtítulo “Reunião de emergência discutirá propostas para evitar riscos de racionamento”. O texto remetia para reportagem em “Mercado” sob o título “Racionamento de luz acende sinal amarelo”.

Tratava-se de uma desinformação. Na mesma data da publicação, preocupado com a repercussão da reportagem, principalmente nas Bolsas, o ministro Edison Lobão, em telefonema à autora da reportagem, a jornalista Eliane Cantanhêde, esclareceu que a reunião em referência não fora convocada pela presidenta da República, nem tinha caráter de emergência. Tratava-se, conforme relatou, de reunião ordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), marcada desde o ano passado.

Além desses esclarecimentos não terem sido prestados na reportagem sobre o assunto publicada em 8/1 (“Lobão confirma reunião, mas descarta riscos”, “Mercado”), a jornalista, na coluna “Aos 45 do segundo tempo” (“Opinião”, ontem), põe em dúvida a veracidade das informações do Ministério de Minas e Energia. Para que não reste dúvida sobre o assunto, consta na ata da 122ª Reunião do CMSE, realizada em 13/12/2012, precisamente no item 12, a decisão de realizar no dia 9/1/2013 a referida reunião ordinária.

Antonio Carlos Lima, da Assessoria de Comunicação Social do Ministério de Minas e Energia (Brasília, DF)

Como este blog opinou no texto Imprensa tucana inventa apagão para tentar sabotar a economia, o Ministério das Minas e Energia também entendeu que a matéria tinha, se não objetivo, ao menos potencial para tumultuar a economia, do que decorreu queda do valor das ações das empresas geradoras de energia, as quais, desfeita a farsa, recuperaram-se na última quinta-feira.

O mais engraçado mesmo, porém, foi a tréplica de Eliane Cantanhêde tentando salvar sua matéria irresponsável, alarmista, criminosa mesmo. Leia abaixo.

Folha de S.Paulo, 11 de janeiro de 2013

Painel do Leitor

Resposta da Jornalista Eliane Cantanhêde – De fato, a reunião foi marcada em dezembro, mas, diante dos níveis preocupantes dos reservatórios, ganhou caráter emergencial – evidenciado pela intensa movimentação do governo. A Folha contemplou no dia 8/1 a versão do ministro de que não havia risco de racionamento.

É piada, não é mesmo? A matéria de Cantanhêde na Folha do dia 7 não disse que a reunião “ganhou caráter emergencial” devido aos “níveis preocupantes dos reservatórios”; disse que era de emergência, convocada às pressas. Não foi por outra razão que a própria Folha retificou a matéria mentirosa e alarmista logo abaixo da resposta de sua colunista, na seção “Erramos”.

Observe, abaixo, a retratação da Folha – obviamente que sem o destaque que o jornal deu à  “barriga” que cometeu por obra e graça de uma “jornalista” cujo trabalho, há muito, pauta-se por motivações político-partidárias, para dizer o mínimo.

Folha_Energia_Eletrica_Cantanhêde

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Líder do PT repudia tentativa de jornal manchar imagem de Lula

10 de janeiro de 2013

Jose_Guimaraes01Jonas Tolocka, via PT na Câmara

O líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (PT/CE), classificou a manchete do jornal O Estado de S.Paulo de quarta-feira, dia 8, como “mais uma tentativa sórdida de macular a imagem de Lula”.

O jornal publicou em sua primeira página a manchete “Procurador decide pedir investigação de acusações de Valério contra Lula”, para logo em seguida ser desmentido pela própria Procuradoria Geral da República, que publicou nota informando que “não há qualquer decisão em relação a uma possível investigação do caso”.

O líder do PT disse se tratar de “uma tentativa de interdição do projeto transformador desenvolvido pelo PT no País” e acrescentou que “ninguém vai manchar o legado de Lula, porque todo o Brasil sabe de seu compromisso com os pobres, com a ética na política e com a transformação da sociedade brasileira”.

O deputado lembrou que Lula protagonizou o funcionamento livre e independente dos poderes da República, em particular pela ação de organismos do Executivo, como o Tribunal de Contas da União, a Controladoria Geral da República, a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal.

Em nota, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, lamentou o fato de o jornal ter induzido seus leitores ao erro, já que não há decisão oficial sobre o assunto. “Estranho tal equívoco na primeira página de um jornal tão tradicional como O Estado de S. Paulo, e prefiro acreditar que não existiu nenhum viés mal-intencionado no ocorrido”, ressaltou Okamotto.

O líder do PT afirmou que “a Bancada do PT manifesta repúdio e indignação com essa ilação promovida pelo jornal” e completou que “Lula é um patrimônio do povo brasileiro”.

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