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Queima de arquivos: O assassinato do torturador Sérgio Fleury pelos militares

3 de setembro de 2013
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“Fleury não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava”, diz ex-integrante do Dops. Foto do Globo.com.

“Não convinha aos órgãos de segurança que uma pessoa, a essas alturas com péssima imagem pública, saísse contando fatos que não interessavam aos governos militares”.

Via Portal Mogi Guaçu

O assassinato mais enigmático, estranho, perpetrado por militares foi a do torturador Sérgio Fernando Paranhos Fleury, o delegado Fleury. Ele se destacou como chefe do Esquadrão da Morte, que executava delinquentes. Pelo menos era o que se dizia. No entanto, a verdadeira história foi contada pelo então Procurador da Justiça do Estado de São Paulo, Hélio Bicudo, atualmente com 91 anos, no livro Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte.

Bicudo, na introdução, revelou a verdadeira face dessa facção de extermínio: “E o ‘Esquadrão da Morte’, depois de resvalar para a pura satisfação de interesses pessoais ou de pequenos grupos sequiosos de poder, passou na verdade a servir de interesses de quadrilhas de entorpecentes, de jogo e de prostituição, através de grupos de proteção”.

Mestre em tortura, Fleury passou para o Dops, agora prendendo e torturando presos políticos. Vários deles foram assassinados em suas mãos. Com o tempo foi afastado do cargo e faleceu no dia 1º de maio de 1979, aos 45 anos. Segundo a versão oficial, em acidente no seu iate em Ilha Bela, morrendo afogado.

Ao noticiar sua morte, o jornalista Luís Padovani, na Folha de 2 de maio, descreveu como se deu o acidente, baseado no Boletim de Ocorrência, concluindo: “O corpo foi levado para Santa Casa local, onde foi assinado o atestado de óbito, tendo o médico dispensado a autópsia”. Atitude estranha!

No mesmo jornal, Edson Flosi, no texto “Amado e odiado: herói ou torturador?”, fez essa surpreendente revelação: “[Fleury] Ficou muito rico, construiu uma mansão no Alto da Boa Vista, comprou um iate que lhe custou 2 milhões de cruzeiros [dinheiro da época], apesar de sempre ganhar relativamente pouco na Secretaria da Segurança Pública”. Isto, tudo indica, foi uma das causas de seu suposto assassinato, como vamos ver a seguir.

No número 4 de “Caros Amigos”, julho de 1997, em entrevista à Ana Maria Ciccacio, Hélio Bicudo assim se referiu à morte do torturador Fleury em 1979: “Foi queima de arquivo, sim. Ao ser posto no ostracismo por aquele processo de abertura do Geisel, o problema é que Fleury começou a falar demais. Não convinha aos órgãos de segurança que uma pessoa, a essas alturas com péssima imagem pública, porque usava drogas e bebia muito, saísse contando fatos que realmente não interessavam aos governos militares”.

Quinze anos depois, em maio de 2012, o ex-delegado do Dops na época da Ditadura, Cláudio Guerra, no livro Memórias de uma guerra suja, confirma essa versão de Bicudo.

Tales Faria, do IG Brasília, em 2/5/2012, no item “Queima de arquivo”, relata: “‘O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime de nossa comunidade, em São Paulo, numa votação feita em local público, o restaurante Baby Beef’, afirma Cláudio Guerra”.

Ele, a seguir, cita vários militares, entre eles, o coronel Brilhante Ustra, que torturou a atriz Bete Mendes. Ustra abriu a reunião.

Adiante Cláudio Guerra afirmou: “Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava. […] Nessa época, o hábito de cheirar cocaína também fazia parte de sua vida. Cansei de ver”.

Tales Faria, no final, diz: “A história oficial é, de fato, que o delegado paulista morreu acidentalmente em Ilha Bela, ao tombar da lancha. Mas Guerra afirma que Fleury na verdade foi dopado e levou uma pedrada na cabeça antes de cair no mar”.

O torturador e ex-herói Fleury, ironicamente, foi morto por militares. Teve o mesmo fim que Baumgarten, dono da revista O Cruzeiro (nova fase), e pelo mesmo motivo: “queima de arquivo”. Outra coincidência: morreram no mar!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista.

Hugo Chavez foi assassinado?

18 de março de 2013

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Altamiro Borges em seu blog

O governo da Venezuela decidiu abrir um inquérito para investigar as causas da morte de Hugo Chavez, ocorrida em 5 de março. O motivo é que crescem as suspeitas de que o líder bolivariano foi assassinado. Segundo o presidente interino Nicolas Maduro, o câncer do ex-governante poderia ter sido acelerado por envenenamento. Ele chegou a citar a suspeita morte do líder palestino Yasser Arafat. “Temos a intuição de que nosso comandante foi envenenado por forças obscuras que o queriam fora do caminho”, argumenta.

Hugo Chavez foi diagnosticado com câncer na região pélvica em junho de 2011 e passou por quatro cirurgias antes de falecer. Não há qualquer indício de que tenha sido envenenado. Mesmo assim, o governo decidiu convidar cientistas estrangeiros para analisar o caso com maior profundidade. O procedimento foi o mesmo adotado pelos palestinos em novembro passado com a exumação do corpo de Yasser Arafat, após a rede de televisão Al Jazeera divulgar novos documentos sobre o seu possível assassinato.

A hipótese de envenenamento foi sugerida pela primeira vez pelo próprio Hugo Chavez em 2011, quando foi descoberto seu câncer. Na ocasião, ele disse estranhar a doença, já que gozava de ótimo estado de saúde. Na época, a oposição direitista afirmou que a suspeita tinha meros objetivos eleitoreiros e a mídia colonizada ridicularizou a sua “visão conspirativa”. Agora, porém, novas vozes se erguem para insistir na necessidade de uma apuração independente e rigorosa das reais causas da morte do líder bolivariano.

Na semana passada, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que sempre desconfiou do agravamento da saúde de Hugo Chavez. “Como pôde ter perdido tão rapidamente a vida? O império sabe como se infiltrar”, disse, lembrando que Fidel Castro já escapou de várias tentativas de assassinato. No mesmo rumo, a jornalista estadunidense-venezuelana, Eva Golinger, que reside em Nova Iorque, garante que os EUA há muita tramavam o assassinato do líder bolivariano, o que justificaria a imediata abertura de um inquérito.

Em entrevista ao repórter Dario Pignotti, publicada no jornal argentino Página/12 e traduzida no sítio Carta Maior, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário executivo do Itamaraty, avaliou que o assunto merece realmente um tratamento mais cuidadoso. Vale conferir as suas ponderações:

***

Washington considerou absurda a suspeita de que Chavez tenha morrido vítima de uma enfermidade inoculada. Certamente a hipótese soa algo exagerada, mas você a descartaria por completo?

Não estou em condições de falar sobre o que ocorreu concretamente, mas o presidente Maduro falou do tema, segundo ouvi, e prometeu investigar. Ele deve saber por que disse isso e se houver alguma desconfiança por parte do governo venezuelano este pode adotar a decisão que lhe pareça mais conveniente. Os estados têm soberania para decidir o que fazer. Não afirmou nada, estou especulando.

Os que colocaram em dúvida o que causou a morte de Arafat (suposto assassinato com substâncias radioativas) foram desqualificados em 2004, quando ele morreu. Passados alguns anos, isso que parecia um absurdo hoje não é mais e os que foram ridicularizados não estavam tão equivocados. O passar do tempo às vezes acaba revelando algumas coisas. Que se investigue.

Maduro falou de um plano sedicioso com participação estadunidense… O jornalista Kennedy Alencar informou que Dilma e Cristina se articulam para frear eventuais golpistas…

Não tenho informação, mas imagino que haja uma grande preocupação por parte das presidentas para que não haja um golpe de estado. Isso sempre pode ocorrer, como em 2002. De repente veio o golpe. Um golpe se articula discretamente. Estão corretas em se preocupar se têm informações. Mas creio que isso seja difícil no curto prazo. No médio ou longo prazo, aí já não sei. É importante que Brasil e Argentina estejam vigilantes.

Desestimular eventuais movimentos golpistas é importante. Juntas, elas podem influir poderosamente. O apoio delas ao governo democrático é necessário. Igualmente acredito que a transição para as eleições está assegurada. Haverá estabilidade no curto prazo, o problema é o longo prazo.

Se tiveram coragem de tentar um golpe contra Chavez, porque não tentariam de novo agora, sem ele?

Claro, isso é lógico. É preciso levar em conta que a sociedade venezuelana está fraturada, os programas sociais levaram à conscientização das massas e, ao mesmo tempo, provocaram uma reação das classes altas e médias altas. As minorias sabem que pelas urnas é difícil chegar ao poder e aparece aí a tentação permanente de fazê-lo por fora das urnas.

Não sei com certeza se há setores militares fortes com planos golpistas, mas se há militares que não gostam do chavismo isso não me surpreenderia. Isso ocorre com todas as elites. Por isso, considero importante que existam milícias populares dispostas a defender o governo para compensar o poder dos militares.

O novo secretário de Estado, John Kerry, se veste de pomba. Será ele menos hostil do que Hillary?

Parece-me quase impossível ser mais hostil que Hillary, mas a política externa dos EUA transcende a característica pessoal de seus funcionários. Há um princípio permanente que é castigar, ainda que muitos anos depois, os países que não se enquadram nos desígnios de Washington. Quando algum país não obedece a esse enquadramento, e a Venezuela fez isso, será vítima de uma política que eu chamaria de vingativa.

Lembro quando Bush invadiu o Iraque por muitas coisas. Para ele, havia um sentimento pessoal. Bush chegou a dizer que Saddam quis matar seu pai. O mesmo ocorre com o Irã, porque eles invadiram a embaixada e, pior, os iranianos tiveram a audácia de dar os nomes dos informantes iranianos que trabalhavam com a CIA. Isso, Washington nunca perdoou. O mesmo se aplica a Venezuela. Creio que Washington nunca perdoará as atitudes de Chavez.

Soberania equivale e irreverência…

A Venezuela foi uma província petroleira dos EUA durante décadas. Na 2ª Guerra foi maior fornecedora de petróleo dos aliados. Tudo isso deu origem a uma classe dominante muito ligada ao negócio petroleiro e a Washington. Colômbia e Venezuela são fundamentais para o sistema norte-americano, no Mediterrâneo norte-americano. Chavez acabou com tudo isso. Deu às costas aos Estados Unidos e se voltou ao Brasil, ingressou no Mercosul e rechaçou a ALCA. Isso, para os EUA, é imperdoável.

Para a direita, o chavismo morrerá com ele.

A dimensão de Chavez foi imensa, mas não considero adequado dizer que tudo era fruto do carisma dele. Um autor alemão que viveu nos EUA dizia que as pessoas não chegavam ao poder porque tem carisma, o poder é que lhes dá carisma. Quando Chavez chegou ao poder em 1999, não tinha a grande dimensão internacional que chegou a ter, na medida em que foi desenvolvendo seu projeto. Agora, é preciso ver com Maduro amadurece [risos].

O cesarismo, talvez inevitável, do modelo bolivariano agrava o vazio causado pela morte do líder?

Os meios de comunicação dão muito valor à atuação do presidente ou do primeiro-ministro, supervalorizam a pessoa, como se ela fosse imprescindível. É falso. Ninguém governa sozinho, governa-se porque se representa um conjunto de setores. Isso ocorre nas democracias liberais e nas ditaduras. Por tanto, é um equívoco achar que o chavismo é só a presença de Chavez e não ver que esse fenômeno teve um respaldo enorme dos setores populares.

Dizer que Chavez era tudo foi mentira desses meios, que também inventaram que a revolução não é democrática. Na Venezuela de Chavez houve mais eleições que aqui no Brasil, como Lula observou. Não há notícias de jornalistas ou opositores presos. Se houvesse, seria notícia permanente. Essa imprensa criou a fantasia de que a revolução é um sistema baseado numa pessoa e isso é falso.

A longa agonia de Chavez permitiu que Maduro se afiançasse como seu sucessor?

Espero que sim. Não é fácil saber qual será sua habilidade para manter dentro do projeto os setores populares, partidos e forças armadas.

Sendo alto representante do Mercosul (até julho de 2012), você pode conversar em profundidade com Chavez?

Com Chavez falei poucas vezes. Ele citava constantemente um livro meu que ele considerava muito importante.

Parece estar em marcha um ataque preventivo contra Maduro quando os conservadores anunciam que deverá haver um “inevitável” ajuste do gasto público.

A mídia internacional e os organismos financeiros internacionais repetem em coro que é preciso fazer um ajuste, controlar a inflação ou então virá uma catástrofe. Tudo isso é falso. Basta olhar para os EUA onde nunca se fala disso e onde há déficits comerciais e fiscais absurdos. Lá não se pede isso, aqui sim. É uma religião disfarçada de discurso econômico global onde toda a política social é chamada de populismo. No Brasil falam do lulopetismo.

As políticas sociais destes 14 anos de Chavez são conquistas irreversíveis?

Não creio. No Chile havia um processo avançado e, com o golpe de73, se retrocedeu até na reforma agrária. Na Argentina ocorreu o mesmo com o golpe de 1976. Se a direita volta é para retomar o poder e terminar com as políticas públicas, com a redistribuição de renda. Tudo começa com as campanhas nos meios de comunicação, dizendo que chegou a modernidade, que está tudo melhor, que o populismo está dizendo adeus.

Na Venezuela esse discurso pode começar a ser utilizado com a volta das classes abastadas, para desqualificar os programas de saúde, os gastos do Estado com alfabetização, para retirar recursos da Universidade das Forças Armadas, das missões (programas sociais do governo).

Capriles (principal opositor nas eleições de outubro de 2012) teve mais de 40% dos votos. Esses votos não são só das elites. Há pessoas pobres beneficiadas pelos programas sociais que são ideologicamente conservadoras. Eu creio que essas conquistas não possam ser entendidas como irreversíveis. Por isso as classes dominantes querem voltar ao governo, para reverter esses avanços.

***

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Arafat foi assassinado por sionistas israelenses

16 de janeiro de 2013
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Arafat foi assassinado em 11 de novembro de 2004.

Na sexta-feira, dia 11, Shimon Peres, presidente de Israel, assumiu publicamente que o governo israelense é responsável pela morte do líder palestino.

Baby Siqueira Abrão, via Brasil de Fato

A notícia de que os sionistas são os responsáveis pela morte de Arafat foi dada por ninguém menos do que Shimon Peres, presidente de Israel. Na sexta-feira, dia 11), dia em que a resistência palestina entrou numa nova fase de luta contra a ocupação – a das ações diretas não violentas para tentar retomar suas terras, roubadas pelas autoridades israelenses –, Peres veio a público revelar que sim, os sionistas assassinaram o líder palestino Yasser Arafat.

Mais surpreendente do que a confissão foi o silêncio dos governos do mundo em relação a ela. Não houve nenhuma condenação formal, nenhuma indignação expressa em discursos diplomáticos, nada. Nem mesmo os grandes partidos palestinos se pronunciaram oficialmente, ao menos até agora. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), chefiada durante seus anos mais difíceis por Arafat, teve um fim de semana muito atarefado para emitir algum comunicado sobre o assunto: tentava convencer a União Europeia a trabalhar pelo fim imediato da ocupação militar israelense, depois que palestinos foram arrancados pela polícia sionista da vila de Bab Al-Shams, em seu próprio país.

Tem-se a impressão de que o assassinato da maior autoridade de uma nação pelo governo de um país estrangeiro é fato comum, sem nenhuma importância. Ou talvez os governantes do mundo não se tenham surpreendido com a confissão de Peres porque já sabiam do fato.

Mas exatamente por isso as condenações deveriam ser efetivas, como as sanções econômicas que o Conselho de Segurança da ONU gosta de impor a países escolhidos a dedo por sua independência em relação às políticas econômicas dominantes, gestadas em grandes centros financeiros mundiais, e à agenda das guerras: às drogas, ao narcotráfico, ao terrorismo, guerra sem fim. Todas destinadas a alimentar o caixa do complexo industrial militar do eixo Estados Unidos-Europa-Israel.

A confissão de Simon Peres não teve nem mesmo algum sinal de arrependimento pela trama sórdida que levou à morte de um ser humano. O presidente limitou-se a dizer que a decisão foi um erro estratégico por dois motivos: porque com Arafat era possível conversar e porque sua eliminação levou a uma situação “mais difícil e complexa”.

As declarações do presidente de Israel não teriam sido feitas, porém, se a rede de mídias Al-Jazeera, financiada pelo Qatar, não tivesse enviado para exame alguns pertences pessoais de Arafat. Realizado pelo Instituto de Radiofísica de Lausane, na Suíça, o exame revelou “uma elevada, inexplicável e insuportável quantidade de polônio 210 nos fluidos biológicos encontrados nos objetos pessoais do senhor Arafat”, como explicou François Bochud, diretor do instituto à Al-Jazeera. O polônio 210 é um elemento radioativo potente, capaz de matar em pouco tempo, e provoca os mesmos sintomas que Arafat começou a sentir em 25 de outubro de 2004. Em 11 de novembro, ele estava morto.

O programa que a Al-Jazeera levou ao ar em 3 de julho de 2012 rompeu o pacto de silêncio que havia em torno da morte do líder palestino. Por insistência de Suha, viúva de Arafat, seu corpo foi exumado por especialistas suíços e franceses em novembro do ano passado e amostras seguiram para análise. Os resultados confirmaram o envenenamento.

Esse fato, e as provas documentais de que Ariel Sharon, primeiro-ministro israelense à época da morte de Arafat, havia mandado assassiná-lo, trouxeram à tona aquilo que todo palestino já sabia e vem falando abertamente em conversas nas ruas, nas lojas, nos ônibus da Palestina. Faltavam apenas as provas, conseguidas agora, nove anos depois do crime.


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