Posts Tagged ‘Armas’

Quem produz armas faz a guerra

30 de setembro de 2013

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Victor Zacharias, via Facebook

Observando a tabela abaixo, é possível entender por que os norte-americanos precisam promover guerras pelo mundo. Tudo é uma questão de mercado. A morte e a destruição dão dinheiro e não é somente para os donos de cemitérios: 73% das armas são fabricadas pelos EUA, Inglaterra e França. Coincidentemente os países que sempre são aliados nesses massacres.

Quando chega a hora eles inventam uma grande ameaça mundial vinda de países que nunca poderão se defender, mas que tem riquezas naturais que podem ser exploradas. Criam uma história que mostra isso, comunicam mundialmente, fazem um charme e atacam.

O mercado fatura e se acalma.

Passado algum tempo, acham outro “inimigo mundial” e começa tudo de novo. Afinal, quem é o terrorista de verdade?

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Armamento02Com informações do blog Poder Naval

Os EUA são os maiores contrabandistas de armamento para regimes antidemocráticos

15 de maio de 2013

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Joshua E. Keating, via Foreign Policy

Um dos episódios mais infames da sangrenta revolta ocorrida após a disputada eleição no Zimbábue de 2008 foi o do chamado “navio da vergonha” – um cargueiro chinês descoberto transportando armas de pequeno porte, granadas lançadas por foguetes e morteiros para o assediado regime de Robert Mugabe. Os países vizinhos não permitiram que o navio ancorasse em seus portos, mas o incidente apenas reforçou a percepção de que a China havia se tornado negociante de armas para os mais brutais bandidos da África, fossem tiranos como Mugabe ou o ditador genocida do Sudão.

Mas essa imagem não está inteiramente justa: sobre venda de armas para regimes suspeitos, os Estados Unidos ainda ocupam decididamente o primeiro lugar.

Numa recente pesquisa para o International Studies Quaterly, os cientistas políticos Paul Midford e Indra de Soysa analisaram as remessas de armamento chinês e dos Estados Unidos para a África de 1989 a 2006, utilizando dados coletados pelo Stockholm International Peace Research Institute. E concluíram que não havia nenhuma correlação estatística entre a China e os regimes que ela supria com armas, enquanto os carregamentos de armas dos Estados Unidos estavam levemente correlacionados – e de maneira negativa – com a democracia. Em linguagem clara, a China tinha menos probabilidade de vender armas para ditadores do que os norte-americanos.

“Não significa que a China está ali para fazer o bem. Os chineses estão defendendo seu interesse nacional”, afirmou Midford. “Mas não encontramos nenhuma evidência de que eles estão tentando difundir um ‘consenso de Pequim’ ou promover regimes que são especificamente autocráticos”.

O estudo se concentrou na África, mas preocupações no campo dos direitos humanos também foram levantadas com relação às armas enviadas pelos Estados Unidos para autocracias do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, que, coletivamente, contribuíram para o salto de mais de 300% nas vendas de armas norte-americanas em 2011, em meio às crescentes tensões com o Irã.

Midford sublinhou que o objetivo do estudo não foi sugerir que os Estados Unidos preferem vender armas para ditadores. “Os Estados Unidos decidiram apoiar autocratas por razões geopolíticas, assim como a China”, afirmou.

Tradução: Terezinha Martino

Banco do Vaticano é o principal acionista da maior indústria de armamentos do mundo

14 de fevereiro de 2013

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Via Atrevete a pensar, texto publicado em 10/7/2012

Talvez poucas pessoas saibam que a fábrica de armas Pietro Beretta Ltda. (a maior indústria de armas no mundo) é controlada pela Holding SpA Beretta e que o acionista majoritário da Holding SpA Beretta, depois de Gussalli Ugo Beretta, é o Instituto para Obras de Religião (IOR), comumente conhecido como Banco do Vaticano, instituição privada, fundada em 1942 pelo Papa Pio 12 e com sede na Cidade do Vaticano.

A história por trás de tudo isso é a seguinte:

Roma não foi construída em um dia, tampouco o Vaticano, e menos ainda sua opulência atual. Isso tem suas raízes no século 4 da era cristã, quando o imperador Constantino se converteu ao cristianismo e colocou à disposição do papa Silvestre I uma fortuna colossal – de fato o transformou no primeiro papa rico na história.

A Igreja Católica é a única organização religiosa do mundo que tem como quartel-general um estado independente: a cidade do Vaticano. Com seu 0,44 quilômetro quadrado de superfície o Vaticano é muito menor do que muitos campos de golfe no mundo; e para percorrê-lo sem pressa não se necessita muito mais que uma hora; contar suas riquezas, contudo, levaria bastante mais tempo.

A moderna opulência do Vaticano baseia-se na generosidade de Benito Mussolini que, graças à assinatura do Tratado de Latrão entre seu governo e o Vaticano, outorgou à Igreja Católica uma série de garantias e medidas de proteção. A Santa Sé conseguiu que a reconhecessem como um estado soberano, beneficiou-se com a isenção fiscal de sua propriedade para beneficiar seus cidadãos, que não precisavam pagar os direitos aduaneiros pelo que importavam do exterior. Foi-lhe concedida imunidade diplomática e seus diplomatas começaram a desfrutar dos privilégios da profissão, igual assim como os diplomatas estrangeiros reconhecidos junto à Santa Sé. Mussolini prometeu introduzir o ensino da religião católica em todas as escolas do país e deixou a instituição do casamento sob a égide das leis canônicas, que não admitiam o divórcio. Os benefícios que o Vaticano recebeu foram enormes, dentre eles, os benefícios fiscais foram preponderantes.

Em 1933, o Vaticano mais uma vez demonstrou sua capacidade de estabelecer negócios lucrativos com os governos fascistas. A concordata de 1929, assinada com Mussolini, foi seguida por outra entre a Santa Sé e o 3º Reich de Hitler. O gestor Francesco Pacelli foi uma das figuras-chave do pacto com Mussolini: seu irmão, o cardeal Eugênio Pacelli, futuro papa Pio 12, foi responsável pela negociação como secretário de Estado do Vaticano, assinando um tratado com a Alemanha de Hitler. Pio 12 conhecia bem a Alemanha. Ele fora núncio em Berlim, durante a 1ª Guerra Mundial, e depois, como secretário de Estado de Pio 11, teve inúmeras intervenções no rumo que estava tomando a política alemã. Nesta qualidade interveio decisivamente na encíclica de Pio 11, conhecida como Mit brennender sorge (que se pode traduzir “Com preocupação ardente”). A iniciativa da encíclica partiu, ao contrário do que se acredita, dos bispos alemães, sendo o primeiro rascunho escrito em Roma pelo Cardeal Faulhaber. O então cardeal Pacelli, que fala alemão, deu-lhe a forma final, apresentada a Pio 11, sendo então assinada e publicada. Apesar da constante e grande pressão mundial, o papa Pio 12 sempre se negou a excomungar Hitler e Mussolini; seu pontificado foi caracterizado pela adoção de uma falsa postura de neutralidade. Quando os nazistas invadiram a Polônia, o papa Pio 12 se recusou a condenar a invasão; uma das maiores vantagens que obteria o Vaticano do muito lucrativo acordo que mantinha com Hitler era a confirmação de Kirchensteuer, um imposto eclesiástico; trata-se de um imposto estadual que ainda hoje os fiéis alemães devem pagar, e só podem escapar se renunciarem à sua religião. Na prática, muito poucos renunciam. Este imposto representa por si só entre 8 e 10% dos impostos totais arrecadados pelo governo alemão.

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Os números do Vaticano

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália, incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis.

Beatriz Olivon

No final de fevereiro, o papa Bento 16 deixará o cargo. Assim, ele deixa de ser chefe do Estado da cidade do Vaticano, o menor Estado do mundo em tamanho e um dos menores em população. O Estado da cidade do Vaticano tem 0,44 quilômetro quadrado, sendo o menor estado independente do mundo, de acordo com o banco de dados do livro CIA, o World Factbook. O Vaticano tem pouco mais de 800 moradores – 836, de acordo com estimativas de julho de 2012, só há dois estados com menos habitantes. Em 2011, a força de trabalho somava 2.800 pessoas, a maior parte delas mora fora do Vaticano e está empregada na área de serviços.

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália, incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis. Durante a crise econômica, um antigo imposto sobre bens imóveis que tinha sido extinto retornou e a oposição pediu que ele também fosse aplicado às propriedades do Vaticano.

Crise

Assim como seus pares na Europa, o Vaticano também sentiu a crise financeira. O livro da CIA afirma que nem o Vaticano escapou das dificuldades financeiras que afetaram a Europa e, em 2012, começou a avaliar onde cortar custos para reverter o déficit no orçamento de 2011. Os rendimentos foram de US$308 milhões em 2011 enquanto os gastos foram de US$326,4 milhões.

A maioria dos gastos públicos vai para salários e outros custos com pessoal. O relatório afirma que os rendimentos e condições de vida dos trabalhadores são comparáveis aos dos que trabalham em Roma.

O Vaticano é financiado por diversas fontes, incluindo investimentos, aluguel dos imóveis e doações. Uma coleta anual nas dioceses somada a doações diretas vai para um outro fundo usado diretamente pelo papa para caridade, desastres e ajuda a igrejas em países em desenvolvimento, segundo o CIA, o World Factbook. As doações aumentaram entre 2010 e 2011, segundo a CIA.

O orçamento do Estado da cidade do Vaticano inclui a receita dos museus, correio e venda de souvenir. A receita também aumentou entre 2010 e 2011 por causa do aumento no número de horas de funcionamento dos museus e do maior número de visitantes, segundo o relatório.

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Atualizado em 16/2/2013, às 19:34

Quem é quem no comércio mundial de armas

2 de setembro de 2012

Os Estados Unidos já abocanham 78% das exportações mundiais — e são cada vez mais influenciados por seu próprio “complexo industrial-militar”. Por isso, mídia norte-americana prefere falar da China…

Via Rede Outras Palavras

Há pelo menos duas décadas, os Estados Unidos são o país com balança comercial mais deficitária do planeta. Ao longo de 2012, suas importações superarão as exportações em cerca de 600 bilhões de dólares — algo como o PIB da Suíça ou da Arábia Saudita. Porém, um setor de sua economia foge a esta regra. Trata-se da indústria armamentista. Além de ser a mais poderosa do mundo, ela ampliou de forma acelerada sua influência nos últimos cinco anos, revelou no domingo, dia 26, o New York Times. Tira proveito, diretamente, das tensões crescentes que a diplomacia de Washington tem provocado — em especial no Oriente Médio e nas disputas com o Irã.

Os números são impressionantes. Num único ano, 2011, as vendas de armamentos por indústrias norte-americanas mais que triplicaram, saltando de pouco mais de 21,4 bilhões de dólares para cerca de US$60 bilhões. Depois deste avanço, os EUA passaram a abocanhar 78% do comércio mundial de armas, deixando muito atrás concorrentes como Rússia (6%), Europa Ocidental (6%) e China (3%).

O grosso das vendas de armamentos dirigiu-se para a região mais conflagrada do planeta. Só a Arábia Saudita — o principal aliado estratégico dos EUA no Oriente Médio — adquiriu US$33,4 bilhões em armas pesadas, inclusive 84 caças F-15 e dezenas de helicópteros Apache e Black Hawk. Seguiram-se a ela duas outras monarquias ultraconservadoras da Península Arábica, ambas fortemente alinhadas a Washington: Emirados Árabes e Omã. Segundo o New York Times, a causa essencial do aumento extraordinário de vendas foram “as preocupações com as ambições regionais de Teerã”.

O Irã, contudo, não compartilha fronteiras com nenhum dos supercompradores de armas norte-americanas. A venda de artefatos bélicos foi fortemente influenciada pela própria diplomacia dos Estados Unidos, que se encarregou de demonizar o regime iraniano. Mas até quando a indústria armamentista poderá vender tanto, em tempos de paz? Em algum momento, ela não tentará criar condições para que os equipamentos que distribui sejam de fato utilizados em combate?

As relações promíscuas entre indústria de armas, comandos militares e poder político nos Estados Unidos foram apontadas pela primeira vez pelo presidente Dwight Eisenhower — que cunhou a expressão “complexo industrial-militar”. No discurso de despedida que pronunciou, em 1961, ele alertou: “nossa organização militar atual parece muito pouco com tudo o que pôde ser conhecido por qualquer um de meus antecessores em épocas de paz, ou mesmo pelos que lutaram na II Guerra ou no conflito da Coreia. (…) A conjunção de um imenso establishment militar e uma grande indústria de armas é nova na experiência norte-americana. Sua influência — econômica, política e mesmo espiritual — é sentida em cada cidade, em cada câmara estadual, em cada escritório do governo federal. (…) Não devemos deixar de compreender suas graves implicações. (…) Precisamos nos proteger contra a conquista de influência, intencional ou não, pelo complexo industrial-militar”.

Um sinal da “influência espiritual” da indústria de armamentos pôde ser sentido no sábado. Sem fazer referência alguma aos EUA, o Washington Post destacou, numa longa matéria com chamada de capa, “o grande crescimento das exportações chinesas de armas, na última década”…


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