Posts Tagged ‘Anúncios’

O poder corruptor da TV Globo

26 de setembro de 2012

Marco Aurélio Mello em seu DoLaDoDeLá

Quando decidi apontar internamente os desvios e as injustiças praticados pelo Departamento de Jornalismo da TV Globo de São Paulo, em 2006, muitos colegas me aconselharam a deixar isso pra lá. Os repórteres mais experientes diziam: os chefes passam, a empresa fica. Houve uma editora de texto, inclusive, que, candidamente, sugeriu que me aproximasse mais da chefia, que andava reclamando de minha rebeldia. Entendi aquelas mensagens como um convite à puxassaquice e fiquei mais indignado ainda.

Imperava a frase feita que dizia: “Se você não pode com eles, junte-se a eles.” Fora da emissora pessoas comuns e colegas de profissão também se assustavam: “Como, você vai enfrentar esse império!” “Por que não?”, respondia. Hoje entendo mais claramente o tamanho do risco que corri. Afinal, como ficou bem claro nos esclarecimentos prestados pelo site Conversa Afiada, a Globo suborna as agências de publicidade com um bônus para cada anúncio programado por elas.

Esta é a causa para uma enorme concentração de mercado, que resulta num quase monopólio de arrecadação de verbas publicitárias. Apesar de a emissora ter 50% de audiência média, fica com 70% de todos os recursos destinados à TV aberta. O efeito dessa concentração é danoso a toda sociedade. Em um faturamento estimado em R$12 bilhões, o mercado publicitário recebe até R$1,5 bilhão na forma de bônus.

Segundo David Olgivy, entrevistado por Paulo Henrique Amorim, “o bônus de volume da Globo é o maior faturamento das 40 maiores agências de publicidade do Brasil!”. Traduzindo: a Globo é melhor para as agências do que os anunciantes. Guardadas as devidas proporções, é como se eu fosse síndico de um prédio e cotasse a compra de produtos de limpeza, mas escolhesse aquela que me dá de bônus 10% do valor da compra, independente da qualidade do produto ou do preço. O que o leitor acha disso?

Agora fica fácil entender por que a Dilma tem medo do PIG (o Eduardo Guimarães acha ela já acordou). O PIG – com o inestimável apoio das agências de publicidade e seus anunciantes endinheirados – manda no Brasil! E ai da Dilma se ela fizer contingenciamento das verbas de publicidade das estatais e do governo federal. Ou pior, se questionar a concentração no setor. E ai do secretário de Comunicação, seja qual for, que decidir em vez de anunciar na tevê aberta, diversificar os negócios. Estão todos na rua no dia seguinte.

Sou do tempo em que, numa negociação, a vantagem era do cliente, não do intermediário. As Organizações decidiram explorar esse “nicho” e transformaram a tevê num negócio de pai para filho. O meio, que é uma concessão, não custa nem um centavo para ser explorado e a exploração ainda é subsidiada com benefícios diversos, entre eles as tais leis de incentivo ao audiovisual. Isso sem contar as isenções de impostos.

Peço apenas a ajuda dos juristas para entender por que as outras empresas de tevê não entram com uma representação no Cade? Ou seria na Anatel? Sei lá… Não estamos diante de um exemplo claro de abuso do poder econômico, de falta de concorrência ou de concentração abusiva? Parafraseando o bordão da própria Globo no futebol: “Pode, Arnaldo?”

Por isso é que enfrentei, enfrento e não me arrependo. Tenho obrigação de combater as injustiças e vou até o fim. Quem quiser que siga comigo! Caso contrário, toda noite tem Avenida Brasil, que está imperdível, hehehe.

A liberdade dos hipócritas

26 de julho de 2012

Miguel do Rosário em seu O Cafezinho

O PSDB cometeu um grave erro ao entrar com uma representação contra os dois autores mais populares da blogosfera política: Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim.

Se o partido já vinha caminhando a passos largos para a direita, único espaço vago que lhe coube ocupar no espectro ideológico nacional, sua agressão a dois blogueiros revela descompromisso com a democracia e a liberdade de expressão.

Se somarmos essas duas características, conservadorismo e autoritarismo, à defesa pública que o partido fez do golpe branco no Paraguai, podemos dizer que o PSDB voltou a 1964.

Por que a Caixa não pode anunciar no blog do Nassif?

Ora, é muita cara de pau. A quase totalidade da grande mídia nacional é notoriamente ligada à oposição e ao PSDB. Não satisfeitos com isso, os tucanos querem sufocar os únicos espaços onde eles não dão as cartas?

Daí o chapeleiro maluco da Veja argumenta que seu blog tem anúncio de estatal mas também tem outros, e que ele não cuida “pessoalmente” disso. Quanta hipocrisia, desinformação e mau caratismo. O Nassif não tem publicidade privada justamente porque as grandes agências são dominadas por ideologia neoliberal.

Mais uma razão para as estatais anunciarem em seu blog; é uma forma do governo ajudar a promover a democracia, que precisa de pluralidade para ter sentido.

O Nassif não iria fechar, voluntariamente, o blog dele à publicidade privada. Só quem faria isso seriam blogs oficiais de partidos políticos.

Aliás, ao atacar Nassif e PHA, o PSDB intimida eventuais agências de publicidade que venham sondando anunciar em seus blogs. A agência temerá que o PSDB irá revidar, suspendendo ou cancelando contratos de publicidade institucional com seus clientes.

Desta forma, os blogs não terão nem anúncio privado, nem público. Em se tratando de blogs com uma grande quantidade de acessos, é importante que tenham algum tipo de patrocínio para viabilizá-los, porque o custo de provedor é alto para blogs muito visitados.

Ou seja, a estratégia do PSDB é asfixiar os dois blogs políticos preferidos da esquerda nacional.

É uma agressão imperdoável à liberdade de expressão no país. Depois o Merval vem com sua conversinha de que o PT é que tem “tendências autoritárias”. Ora, o PT jamais cogitou perseguir blogs que o criticavam. Noblat, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes são “blogueiros” que sempre se caracterizaram por uma crítica pesada, muitas vezes de baixo calão ao governo federal e no entanto o PT jamais entrou com representação para sufocar esses blogs.

A ação, portanto, cheira a desespero, a medo, a covardia. Revela um partido que está desistindo da briga política, e optando pelo tapetão. Quer ganhar na barra dos tribunais, em vez de conquistar eleitores pela argumentação.

Leia também: A força da internet já assusta a “grande imprensa”

A força da internet já assusta a “grande imprensa”

26 de julho de 2012

Nesta semana, a Veja circula com oito páginas do Ministério da Educação e uma dos Correios. No entanto, blogueiro da Abril, Reinaldo Azevedo, condena publicidade em meios que fazem “um troço parecido com jornalismo”. Na quarta-feira, dia 25, foi arquivado o inquérito contra Erenice Guerra, aquela que Veja ajudou a detonar, com um amontoado de mentiras

Via Brasil 247

José Serra comprou uma briga inglória. Ao propor uma ação judicial contra a publicidade oficial em blogs de dois jornalistas que o criticam, Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif, tudo o que ele conseguiu foi uma hashtag #SerraCensor que despontou entre os assuntos mais comentados do dia, além de um artigo de seu porta-voz informal, Reinaldo Azevedo.

O blogueiro da Abril publicou artigo em que condena publicidade em sites que fazem “um troço parecido com jornalismo” (leia mais aqui). Mas disse, no entanto, que veículos tradicionais, como Veja, por exemplo, não devem renunciar à publicidade oficial – já que ela está aí. Veja, de fato, não renuncia a ela. Na edição desta semana, seu maior anunciante é o Ministério da Educação, com oito páginas. Além disso, há também uma página dos Correios.

O movimento de Serra e Reinaldo, na verdade, não ocorre isoladamente. Trata-se de algo organizado. Antes deles, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tratou do tema numa coluna em O Estado de S.Paulo. Depois, foi seguido por Eugênio Bucci, que, além de consultor de Roberto Civita, presidente da Abril, foi também citado na decisão do juiz Tourinho Neto que quase soltou Carlos Cachoeira – na decisão, Tourinho, sabe-se lá por que, determinou que o contraventor, em liberdade, não poderia se aproximar de dois jornalistas: Policarpo Jr. e o próprio Bucci.

Enquanto estiveram no poder, os tucanos jamais se incomodaram com a questão da publicidade oficial. Andrea Matarazzo, braço direito de Serra, foi um ministro da Secretaria de Comunicação de FHC muito querido por donos de empresas de mídia. Reinaldo Azevedo, quando foi empresário, teve apoio da Nossa Caixa e do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, mas o projeto da revista Primeira Leitura acabou naufragando.

O que os incomoda, na verdade, é a nova realidade da informação no Brasil e no mundo. Antes, havia quatro ou cinco famílias relevantes no jogo da informação no Brasil. E os barões da mídia mantinham uma postura aristocrática, cuja cornucópia era alimentada por boas relações no setor público.

Hoje, com a internet, há muito mais vozes. O novo mundo é polifônico. E não apenas os governos, mas também as empresas privadas, já estão abraçando essa nova realidade. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, a publicidade na web é muito maior do que nos jornais impressos. Na rede, a relação investimento/retorno é muito mais eficiente, além de mais transparente.

Um troço parecido com jornalismo

A investida do PSDB, com apoio de Reinaldo Azevedo, no entanto, veio em má hora. Na quarta-feira, dia 25, os jornais noticiaram o arquivamento da denúncia contra a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, por absoluta falta de provas.

Antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2010, Veja fez uma denúncia sobre a entrega de malas de dinheiro na Casa Civil, a partir de um diz-que-diz em off, e a Folha de S.Paulo denunciou um lobby bilionário no BNDES feito por um personagem que não passaria pela catraca de segurança da sede do banco na Avenida Chile, no Rio de Janeiro.

Não era jornalismo. Era um troço parecido com jornalismo, que ajudou a levar as eleições presidenciais de 2010 para o segundo turno. Pode-se discutir a qualidade do jornalismo na internet, assim como nos veículos impressos. Mas o que a mídia tradicional busca é apenas uma reserva de mercado. E demonstra medo crescente diante da força da internet.

O resto é conversa fiada.


%d blogueiros gostam disto: