Posts Tagged ‘A Voz do Brasil’

Ministro Paulo Bernardo quer o governo mais invisível

28 de abril de 2013

Brasil_Invisivel

Via Tecedora

É contrário à razão, ao senso comum, portanto, absurdo – assim como o quase total silêncio em torno disso – que um ministro das Comunicações de um país como o nosso, onde ainda não há energia elétrica em muitos lugares – logo o acesso às informações é limitado – e que não retira da gaveta o projeto deixado por seu antecessor de regulamentação da mídia, apoie a “flexibilização” do horário da Voz do Brasil.

Conforme foi noticiado no sábado, dia 20, pelo Terra, a informação foi prestada pelo próprio ministro Paulo Bernardo, no 26º Congresso Brasileiro da Radiodifusão, evento promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

A proposta tramita na Câmara e só não foi à votação em 26 de junho de 2012 porque deputados do partido do governo e do PSOL não concordam com a proposta, segundo o site da Associação. A declaração publicada por eles é de Jilmar Tatto, deputado federal pelo Estado de São Paulo: “O PT não é contra. O PT vai discutir. Eu sou contra. Quem não quiser ouvir bota um CD e MP3. Pobre gosta de ouvir [A Voz do Brasil]. Querem o horário nobre para ganhar dinheiro com publicidade? Oito milhões de pessoas ouvem a Voz do Brasil. Por que flexibilizar? Flexibilizar é para acabar.”

Não há como discordar dessa afirmação. A Voz do Brasil é transmitida em horário nobríssimo de rádio, e abarca informações do Executivo, Legislativo e Judiciário. A quem interessa que possa ser transmitida às 3 da manhã?

O estranho é que o governo que, segundo o ministro, apoia a flexibilização – e que por sorte ainda tem em sua base alguns que não concordam –, é o mesmo que justifica alianças eleitorais com inimigos históricos porque necessita do tempo de tevê para dar a conhecer ao público o seu candidato, o mesmo que esteve sete anos à frente de um dos ministérios mais importantes, o da Educação. Certamente quem ouve A Voz do Brasil sabe quem é Fernando Haddad, Paulo Bernardo, Eduardo Cardozo… Mas quem lê os jornais editados pelas mesmas empresas que compõe a Abert tem que puxar pela memória para saber quem são.

Ou seja, além de tentar inviabilizar o governo diariamente, aliadas com partidos que tem essa meta, as grandes empresas de comunicações objetivam torná-lo mais invisível. E o ministro das comunicações declara concordar. Agora vai!

O pacote de maldades na comunicação

25 de abril de 2013

Voz_Brasil01Miguel do Rosário em seu O Cafezinho

Quando o tema é comunicação, o governo Dilma, tão progressista em algumas áreas, converte-se no Mr. Hyde de si mesmo. Se a metáfora de O médico e o monstro pode ser aplicada a qualquer indivíduo ou instituição, em virtude da inevitável dialética do ser, o problema das políticas públicas de comunicação social é que elas agem sobre o que há de mais nobre e mais duradouro numa sociedade: o espírito, a cultura, os valores, a moral.

A noção de que o Estado não deve participar do complexo processo político da comunicação embute a grande farsa liberal do Ocidente, que protege (hoje, nem tanto) as liberdades domésticas, mas patrocina guerras e golpes em outros países para impor sua própria agenda de comunicação.

É o caso do Brasil.

O golpe de estado de 1964 foi preparado com recursos financeiros, apoio logístico, suporte político e diplomático, do governo norte-americano. Os estudos sobre seus preparativos junto à opinião pública, como o que fez René Armand Dreifuss, em 1964, a conquista do estado, incluem sempre, além disso, as agências de publicidade norte-americanas.

Terminado o golpe, as empresas de mídia, pequenas, médias e sobretudo, as grandes, que o apoiaram, estavam mais fortes, mais ricas, mais influentes, e com grande público. As que se insurgiram contra a ditadura, destruídas. A mesma coisa vale para o concentrado setor de publicidade. As agências que protegiam os interesses norte-americanos expandiram-se durante a ditadura. As que não o defenderam, deixaram de existir.

Daí vem a democracia, trazendo com ela uma profunda crise econômica. Os anos de 1980 foram chamados, no Brasil, de década perdida. Os anos de 1990, por sua vez, começam num pesadelo e terminam com uma ilusão. A “estabilidade” do Plano Real vem junto com explosão dos juros, da dívida pública, da carga tributária, do desemprego; redução brutal das exportações; e desmantelamento da indústria. Um ambiente não muito propício, como se vê, para o florescimento de novos empreendimentos de mídia.

Em virtude desse histórico, é uma afronta ao bom senso que a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) pretenda instaurar critérios puramente “técnicos” na distribuição dos recursos federais. Ou seja, todos aqueles gigantes que se deram bem na ditadura, silenciaram sobre a tortura e sambaram sobre o cadáver da nossa democracia, ganham um troféu do governo.

É como se, terminada a 2ª Guerra, o governo alemão resolvesse distribuir suas verbas publicitárias para o canal com maior público, ou seja, independente se fosse nazista ou não.

Não quero rechaçar os critérios técnicos. Entendo perfeitamente que a Secom precise deles. Mas eles precisam ser equilibrados pelo bom senso, pela compreensão das circunstâncias históricas, e pelo princípio do pluralismo. É preciso entender qualquer órgão de mídia como um agente político. O mito da imparcialidade deve ser enterrado bem fundo, porque é a maior mentira do pós-modernismo brasileiro.

Não é justo que o governo direcione mais da metade dos recursos publicitários para as Organizações Globo. E não só isso. É uma questão de acúmulo. Se uma empresa recebe R$500 milhões num ano, isso a ajuda a se fortalecer e se posicionar no mercado, facilitando a captação de anúncios privados. Se a mesma empresa recebe R$500 milhões durante um longo período de tempo, ela se torna uma potência, com poder de engolir seus concorrentes menores. A própria Secom informa que a Globo recebeu mais de R$6 bilhões em publicidade federal apenas nos últimos 10 anos.

Eu moro no Rio de Janeiro, onde O Globo, além de quebrar seus concorrentes locais, também engoliu todos os jornais de bairro. Ou seja, a segunda maior cidade do País vive o mais absoluto monopólio midiático no segmento de jornalismo de opinião, o que evidentemente nos causa um enorme dano cultural. Mesmo São Paulo vive uma situação melhor, porque tem dois jornais. Os dois são conservadores, mas são dois, concorrentes entre si, e um sempre pode divulgar uma atividade cultural com receio de que o outro o faça antes. Aqui no Rio, nem isso.

As maldades na área de comunicação, porém, vão além do cínico tecnicismo da Secom. Um amigo que trabalha no Senado me liga para pedir auxílio numa quixotesca luta para salvar a Voz do Brasil, o programa radiofônico público mais antigo do País. Senado e Câmara aprovaram a flexibilização do seu horário, o que, na prática, o jogará para as horas mais vazias da noite, esvaziando-o completamente. Mais uma vez, o lobby dos grandes grupos de mídia venceu. Meu amigo informa, contudo, que há uma chance: a equipe do senador Roberto Requião (sempre ele) escreveu um projeto de lei “tombando” a Voz do Brasil, incluindo aí seu horário. Essa lei anularia a outra. O projeto foi parar nas mãos da senadora Ana Rita (PT/ES), mas esta foi orientada, segundo meu amigo, pelo Ministério das Comunicações, a bloquear o projeto como inconstitucional. A equipe do Requião insiste com ela de que o projeto é perfeitamente constitucional, e a situação agora está nesse impasse. Segundo minha fonte, a maioria dos deputados, sobretudo do baixo clero, é a favor da Voz do Brasil, porque é o único meio pelo qual podem expor seus projetos ao grande público nacional, mas têm medo de se manifestar em virtude do lobby dos grandes grupos. Mas se o projeto – de tombamento da Voz do Brasil – for a votação, ele tem chances de ser aprovado, e teremos salvado um bem público.

Por fim, há ainda uma outra “maldade” em curso: o Ministério das Comunicações tenta acabar com as rádios AM. Como todas as rádios serão digitalizadas, Paulo Bernardo defende a conversão de todas para FM, em vez de criar também uma faixa digitalizada para AM, como existe em tantos lugares do mundo. A medida, porém, significaria o fim da maioria das pequenas rádios AM, em função da necessidade de equipamentos mais caros. Será mais um golpe contra a pluralidade informativa no País.

A Voz do Brasil como patrimônio cultural brasileiro

5 de julho de 2012

Lido no Vi o mundo

O deputado Fernando Ferro (PT/PE), vice-líder da bancada do PT, protocolou na Mesa da Câmara dos Deputados, na terça-feira, dia 3, uma proposição que solicita ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Cultura, a inclusão do programa A Voz do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

“A Voz do Brasil é uma radiografia da história da República. É um programa que tem um acervo político e cultural importante. A nossa indicação é para que o Ministério da Cultura se aproprie, consolide e dê estatuto de Patrimônio Imaterial da memória do Brasil a esse programa”, afirmou Fernando Ferro.

O parlamentar lembrou que a Voz do Brasil faz parte de um espaço de divulgação das ações do Congresso Nacional, do Executivo e do Judiciário e é um programa já incorporado ao cotidiano de milhões de brasileiros em todas as regiões do País. “É um programa que cumpre um papel social e político de extrema importância”, ressaltou.

Flexibilização

O deputado petista criticou a proposta em análise na Câmara, que propõe a flexibilização do horário da Voz do Brasil. De acordo com Ferro, o projeto representa “uma ofensiva de setores privados da mídia que querem se apropriar desse espaço e, que, no limite, querem extinguir a Voz do Brasil”.

Na avaliação do vice-líder da bancada do PT, o programa é um dos poucos espaços em que os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário têm para prestar contas à população. Ferro disse ainda que o programa “alimenta” parcela do povo brasileiro com informações normalmente desprezadas pela mídia comercial e, ao mesmo tempo, orienta a população sobre os direitos dela e contribui para o seu posicionamento político.

Concessão

De acordo com Fernando Ferro, os canais de rádio e televisão são concessões públicas e, por isso, “não se pode abrir mão” do direito de informar a população. Ainda segundo Ferro, o Brasil está vivendo um processo de apropriação de um espaço de visibilidade de ação de interesse público. “É a privatização da informação e da notícia do Brasil por interesses políticos e ideológicos dos agentes que, hoje, controlam a mídia no País”, criticou o petista.


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