“Coincidência”: Empresa de Campos Pinto, o propineiro da Globo na Fifa, funciona no prédio da emissora

22 de novembro de 2017

A empresa de Marcelo Campos Pinto e a Rede Globo: mesmo endereço no Google.

Joaquim de Carvalho, via DCM em 20/11/2017

A relação de Marcelo Campos Pinto e a Globo é tão umbilical que uma das empresas registradas em nome dele, a Sportsmaster Marketing Esportivo, aparece em pesquisa no Google com endereço à rua Jardim Botânico, 97. Este endereço pertence à Globo. É onde funcionam vários departamentos burocráticos, inclusive o Recursos Humanos – a diretoria e o departamento de jornalismo ficam ali perto, a uns 900 metros, na rua Lopes Quintas.

No cadastro de pessoa jurídica da Receita Federal, o endereço registrado é outro – Rua Santa Luzia, 29, Fundos – Centro, Areal, RJ. Mas o local não é compatível para uma empresa de capital social de R$1,03 milhão e que, pelo nome, deveria tratar de negócios relacionados a competições esportivas de alto nível – a área de Marcelo Campos Pinto –, especialmente futebol. Deve ser só fachada. O local onde efetivamente funcionava, talvez constando em cartão de visita, era o prédio da Globo. Daí a razão da rede registrar como endereço de fato o prédio da Globo.

Os sócios de Marcelo na Sportsmaster Marketing Esportivo e em outras duas empresas são: Simone Lahorgue Nunes, Marcelo de Campos Pinto, Raphael Lahorgue Gomes Carneiro, Paula de Campos Pinto, Julia Lahorgue Gomes Carneiro, Isabela de Campos Pinto, Rodrigo de Gouvea Conde Caldas e RCC Empreendimentos e Participações Ltda. Nenhum Marinho aparece como sócio deles.

O endereço da empresa de Marcelos Campos Pinto na Receita Federal é uma travessa dessa rua, em Areal: tem jeito de fachada.

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DOCUMENTO DA GLOBO DAVA PODER TOTAL A MARCELO
Jornal da Record prova que ele comprava direitos com grana dos Marinho.

O discurso de ódio que está envenenando o Brasil

22 de novembro de 2017

Um jovem protesta contra a feminista Judith Butler, no dia 8 de novembro passado em São Paulo.

A caça às bruxas de grupos radicais contra artistas, professores, feministas e jornalistas se estende pelo país. Mas as pesquisas dizem que os brasileiros não são mais conservadores.

Xose Hermida, via El País Brasil em 19/11/2017

Artistas e feministas fomentam a pedofilia. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o bilionário norte-americano George Soros patrocinam o comunismo. As escolas públicas, a universidade e a maioria dos meios de comunicação estão dominados por uma “patrulha ideológica” de inspiração bolivariana. Até o nazismo foi invenção da esquerda. Bem-vindos ao Brasil, segunda década do século XXI, um país onde um candidato a presidente que faz com que Donald Trump até pareça moderado tem 20% das intenções de voto.

No Brasil de hoje mensagens assim martelam diariamente as redes sociais e mobilizam exaltados como os que tentaram agredir em São Paulo a filósofa feminista Judith Butler, ao grito de “queimem a bruxa”. Neste país sacudido pela corrupção e a crise política, que começa a sair da depressão econômica, é perfeitamente possível que a polícia se apresente em um museu para apreender uma obra. Ou que o curador de uma exposição espere a chegada da PF para conduzi-lo a depor forçado ante uma comissão parlamentar que investiga os maus-tratos à infância.

“Isto era impensável até três anos atrás. Nem na ditadura aconteceu isto”. Depois de uma vida dedicada a organizar exposições artísticas, Gaudêncio Fidelis, de 53 anos, se viu estigmatizado quase como um delinquente. Seu crime foi organizar em Porto Alegre a exposição QueerMuseu, na qual artistas conhecidos apresentaram obras que convidavam à reflexão sobre o sexo. Nas redes sociais se organizou tal alvoroço durante dias, com o argumento de que era uma apologia à pedofilia e à zoofilia, que o patrocinador, o Banco Santander, ante a ameaça de um boicote de clientes, decidiu fechá-la. “Não conheço outro caso no mundo de uma exposição destas dimensões que tenha sido encerrada”, diz Fidelis.

O calvário do curador da QueerMuseu não terminou com a suspensão da mostra. O senador Magno Malta (PR/ES), pastor evangélico conhecido por suas reações espalhafatosas e posições extremistas, decidiu convocá-lo para depor na CPI que investiga os abusos contra criança. Gaudêncio se recusou em um primeiro momento e entrou com um pedido de habeas corpus no STF que foi parcialmente deferido. Magno Malta emitiu então à Polícia Federal um mandado de condução coercitiva do curador. Gaudêncio se mostrou disposto a comparecer, embora entendesse que, mais que como testemunha, pretendiam levá-lo ao Senado como investigado. Ao mesmo tempo, entrou com um novo pedido de habeas corpus no Supremo para frear o mandado de condução coercitiva. A solicitação foi indeferida na sexta-feira passada pelo ministro Alexandre de Moraes. Portanto, a qualquer momento Gaudêncio espera a chegada da PF para levá-lo à força para Brasília.

“O senador Magno Malta recorre a expedientes típicos de terrorismo de Estado como meio de continuar criminalizando a produção artística e os artistas”, denuncia o curador. Ele também tem palavras muito duras para Alexandre de Moraes, até há alguns meses ministro da Justiça do governo Michel Temer, por lhe negar o último pedido de habeas corpus: “A decisão do ministro consolida mais um ato autoritário de um estado de exceção que estamos vivendo e deve ser vista como um sinal de extrema gravidade”. Fidelis lembra que o próprio Ministério Público de Porto Alegre certificou que a exposição não continha nenhum elemento que incitasse à pedofilia e que até recomendou sua reabertura.

Entre as pessoas chamadas à CPI do Senado também estão o diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo e o artista que protagonizou ali uma performance em que aparecia nu. Foi dias depois do fechamento do QueerMuseu e os grupos ultraconservadores voltaram a organizar um escândalo nas redes, difundindo as imagens de uma menina, que estava entre o público com sua mãe e que tocou no pé do artista. “Pedofilia”, bramaram de novo. O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito e o próprio prefeito da cidade, João Dória (PSDB), se uniu às vozes escandalizadas.

Se não há nenhum fato da atualidade que justifique esse tipo de campanha, os guardiões da moral remontam a muitos anos atrás. Assim aconteceu com Caetano Veloso, de quem se desenterrou um velho episódio para recordar que havia começado um relacionamento com a que depois foi sua esposa, Paula Lavigne, quando ela ainda era menor de idade. “#CaetanoPedofilo” se tornou trending topic. Mas neste caso a Justiça amparou o músico baiano e ordenou que parassem com os ataques.

A atividade de grupos radicais evangélicos e de sua poderosa bancada parlamentar (198 deputados e 4 senadores, segundo o registro do próprio Congresso) para desencadear esse tipo de campanha já vem de muito tempo. São provavelmente os mesmos que fizeram pichações recentes no Rio de Janeiro com o slogan “Bíblia sim, Constituição, não”. Mas o verdadeiramente novo é o aparecimento de um “conservadorismo laico”, como o define Pablo Ortellado, filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP. Porque os principais instigadores da campanha contra o QueerMuseu não tinham nada a ver com a religião. O protagonismo, como em muitos outros casos, foi assumido por aquele grupo na faixa dos 20 anos que durante as maciças mobilizações para pedir a destituição da presidenta Dilma Rousseff conseguiu deslumbrar boa parte do país.

Com sua desenvoltura juvenil e seu ar pop, os rapazes do Movimento Brasil Livre (MBL) pareciam representar a cara de um país novo que rejeitava a corrupção e defendia o liberalismo econômico. Da noite para o dia se transformaram em figuras nacionais. Em pouco mais de um ano seu rosto mudou por completo. O que se apresentava como um movimento de regeneração democrática é agora um potente maquinário que explora sua habilidade nas redes para difundir campanhas contra artistas, hostilizar jornalistas e professores apontados como de extrema esquerda ou defender a venda de armas. No intervalo de poucos dias o MBL busca um alvo novo e o repisa sem parar. O mais recente é o jornalista Guga Chacra, da TV Globo, agora também classificada de “extrema esquerda”. O repórter é vítima de uma campanha por se atrever a desqualificar –em termos muito parecidos aos empregados pela maioria dos meios de comunicação de todo o mundo-, 20.000 ultradireitistas poloneses que há alguns dias se manifestaram na capital do pais exigindo uma “Europa branca e católica”.

Além de sua milícia de internautas, o MBL conta com alguns apoios de renome. Na política, os prefeitos de São Paulo, João Dória, e de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., assim como o até há pouco ministro das Cidades, Bruno Araújo, os três do PSDB. No âmbito intelectual, filósofos que se consideram liberais, como Luiz Felipe Pondé. Entre os empresários, o dono da Riachuelo, Flávio Rocha, que se somou aos ataques contra os artistas com um artigo na Folha de S.Paulo no qual afirmava que esse tipo de exposição faz parte de um “plano urdido nas esferas mais sofisticadas do esquerdismo”. O objetivo seria conquistar a “hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo”, uma estratégia diante da qual “Lenin e companhia parecem um tanto ingênuos”, segundo escreveu Rocha em um artigo intitulado O comunista está nu.

“Não é algo específico do Brasil”, observa o professor Pablo Ortellado. “Este tipo de guerras culturais está ocorrendo em todo o mundo, sobretudo nos EUA, embora aqui tenha cores próprias”. Um desses elementos peculiares é que parte desses grupos, como o MBL, se alimentou das mobilizações pelo impeachment e agora “aproveita os canais de comunicação então criados, sobretudo no Facebook”, explica Ortellado. “A mobilização pelo impeachment foi transversal à sociedade brasileira, só a esquerda ficou à margem. Mas agora, surfando nessa onda, criou-se um novo movimento conservador com um discurso antiestablishment e muito oportunista, porque nem eles mesmos acreditam em muitas das coisas que dizem”. A pauta inicial, a luta contra a corrupção, foi abandonada “tendo em vista de que o atual governo é tão ou mais corrupto que o anterior”. Então se buscaram temas novos, desde a condenação do Estatuto do Desarmamento às campanhas morais, que estavam completamente ausentes no início de grupos como o MBL e que estão criando um clima envenenado no país. “É extremamente preocupante. Tenho 43 anos e nunca tinha vivido uma coisa assim”, confessa Ortellado. “Nem sequer no final da ditadura se produziu algo parecido. Naquele momento, o povo brasileiro estava unido”.

O estranho é que a intensidade desses escândalos está oferecendo uma imagem enganosa do que na realidade pensa o conjunto dos brasileiros. Porque, apesar desse ruído ensurdecedor, as pesquisas desmentem a impressão de que o país tenha sucumbido a uma onda de ultraconservadorismo. Um estudo do instituto Ideia Big Data, encomendado pelo Movimento Agora! e publicado pelo jornal Valor Econômico, revela que a maioria dos brasileiros, em cifras acima dos 60%, defendem os direitos humanos, inclusive para bandidos, o casamento gay com opção de adotar crianças e o aborto. “Em questões comportamentais, nada indica que os brasileiros tenham se tornado mais conservadores”, reafirma Mauro Paulino, diretor do Datafolha. Os dados de seu instituto também são claros: os brasileiros que apoiam os direitos dos gays cresceram nos últimos quatro anos de 67% para 74%. Paulino explica que “sempre houve um setor da classe média em posições conservadoras” e que agora “se tornou mais barulhento”.

As pesquisas do Datafolha só detectaram um deslocamento para posições mais conservadoras em um aspecto: segurança. “Aí sim há uma tendência que se alimenta do medo crescente que se instalou em parte da sociedade”, afirma Paulino. Aos quase 60.000 assassinatos ao ano se somam 60% de pessoas que confessam viver em um território sob controle de alguma facção criminosa. Em quatro anos, os que defendem o direito à posse de armas cresceu de forma notória, de 30% a 43%. É esse medo o que impulsiona o sucesso de um candidato extremista como Jair Bolsonaro, que promete pulso firme sem contemplações contra a delinquência.

Causou muito impacto a revelação de que 60% dos potenciais eleitores de Bolsonaro têm menos de 34 anos, segundo os estudos do instituto de opinião. Apesar de que esse dado também deve ser ponderado: nessa mesma faixa etária, Lula continua sendo o preferido, inclusive com uma porcentagem maior (39%) do que a média da população (35%). “Os jovens de classe média apoiam Bolsonaro, e os pobres, Lula”, conclui Paulino. Diante da imagem de um país muito ideologizado, a maioria dos eleitores se move na verdade “pelo pragmatismo, seja apoiando os que lhe prometem segurança ou em alguém no que acreditam que lhes vai garantir que não perderão direitos sociais”.

Apesar de tudo, a ofensiva ultraconservadora está conseguindo mudar o clima do país e alguns setores se dizem intimidados. “O profundo avanço do fundamentalismo está criando um Brasil completamente diferente”, afirma Gaudêncio Fidelis. “Muita gente está assustada e impressionada”. Um clima muito carregado no qual, em um ano, os brasileiros deverão escolher novo presidente. O professor Ortellado teme que tudo piore “com uma campanha violenta em um país superpolarizado”.

Documento da chancelaria britânica prova que Temer trabalha para a Shell

22 de novembro de 2017

Via Brasil 247 em 20/11/2017

Um documento oficial da chancelaria britânica, obtido pelo Greenpeace e publicado em primeira mão pelo 247, revela como o governo de Michel Temer, que assumiu o poder após o golpe de 2016, trai interesses nacionais e atua em benefício de multinacionais do petróleo. Nele, o ministro de Comércio Greg Hands relata como o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, estaria fazendo lobby no governo brasileiro para servir à Shell, que teve todos os seus pedidos atendidos: menos impostos, menos conteúdo nacional e menos exigências ambientais.

A Shell foi a principal vencedora do primeiro leilão do pré-sal, mas a operação pode ser anulada. De acordo com o senador Roberto Requião (PMDB/PR), a empresa será tratada como “receptadora de mercadoria roubada”, especialmente agora que já se sabe que o governo brasileiro cedeu ao lobby da multinacional.

“Fizeram o negócio do século, porque no Brasil de hoje negociar com o governo é melhor do que vender cocaína. Mas essa negociata vai cair e nós vamos começar a trabalhar no Senado para reverter o que foi feito”, disse Requião (leia mais aqui).

O Greenpeace obteve os documentos do governo britânico de acordo com uma legislação semelhante à Lei de Acesso à Informação. Ao pressionar o governo brasileiro para quebrar exigências ambientais para perfurar petróleo, o governo conservador de Theresa May viola os compromissos britânicos de combate ao aquecimento global.

Procurada pelo 247, a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia informou que deverá se manifestar ainda nesta segunda-feira se o secretário Paulo Pedrosa será ou não demitido.

Pedrosa também atua na venda da Eletrobras
No Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa foi colocado por grandes grupos empresariais e tem conexões com o bilionário Jorge Paulo Lemann, que tem interesse na privatização da Eletrobras – outro negócio extremamente suspeito que vem sendo conduzido por Temer.

Embora o ministro seja Fernando Coelho, filho do senador Fernando Bezerra (PMDB/PE), um dos principais alvos da Lava-Jato, é Pedrosa quem dá as cartas e define todos os negócios bilionários que vêm sendo feitos. Nos próximos dias, ele deve ser convocado pelo parlamento para explicar porque atuou em defesa dos interesses da Shell – e não do Brasil. A tendência é que diga que os interesses da Shell se confundem com os do povo brasileiro.

Com a vitória do lobby britânico no Brasil, a isenção fiscal das petrolíferas soma mais de R$1 trilhão durante o tempo de exploração. Além disso, o fim das exigências de conteúdo nacional também prejudica fortemente a indústria nacional e deve motivar reações de entidades como a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Antes mesmo de ser afastada, a presidente Dilma Rousseff dizia que o motivo principal do golpe era a entrega do pré-sal – o que se confirma, agora, com os documentos da chancelaria britânica.

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INGLATERRA MUDOU REGRA DO PRÉ-SAL E TEMER CEDEU A LOBBY DA SHELL
Via Brasil 247 em 19/11/2017

Uma notícia bombástica foi publicada pelo jornal The Guardian, o mais respeitado da Inglaterra, no domingo dia 19/11. O governo inglês fez lobby, com sucesso, junto ao governo golpista do Brasil para mudar as regras de exploração do petróleo, em benefício de multinacionais como a Shell e a BP.

O encarregado do lobby foi o ministro do Comércio, Greg Hands, que veio ao Rio de Janeiro, onde se reuniu com Paulo Pedrosa, secretário do Ministério de Minas e Energia, de Michel Temer.

Com a vinda, a Inglaterra conseguiu que o governo brasileiro eliminasse exigências de compra de conteúdo local da indústria nacional, flexibilizasse exigências ambientais e isentasse grandes multinacionais de petróleo do pagamento de impostos num montante que supera R$1 trilhão.

Leia aqui a reportagem original e confira como o governo de Michel Temer – apelidado de Mishell Temer pelos petroleiros – trabalha contra os interesses nacionais, segundo denuncia a própria imprensa inglesa.

Leia, abaixo, a tradução:

A Grã-Bretanha pressionou com sucesso o Brasil em nome da BP e da Shell para responder às preocupações dos gigantes do petróleo em relação à tributação brasileira, regulação ambiental e regras sobre o uso de empresas locais, revelam documentos do governo.

O ministro do Comércio do Reino Unido viajou para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo em março para uma visita com um “foco pesado” em hidrocarbonetos, para ajudar as empresas britânicas de energia, mineração e água a ganhar negócios no Brasil.

Greg Hands se encontrou com Paulo Pedrosa, vice-ministro brasileiro de minas e energia, e “diretamente” levantou as preocupações das empresas petrolíferas Shell, BP e Premier Oil britânicas sobre “tributação e licenciamento ambiental”.

Pedrosa disse que estava pressionando seus homólogos no governo brasileiro sobre as questões, de acordo com um telegrama diplomático britânico obtido pelo Greenpeace.

O Departamento de Comércio Internacional (DIT) lançou inicialmente uma versão não-editada do telegrama sob as regras de liberdade de informação para a unidade de investigação do Greenpeace, com as passagens sensíveis destacadas. Pouco depois, o departamento emitiu uma segunda versão do documento, com as mesmas passagens reeditadas.

A Greenpeace acusou o departamento de agir como um “braço de pressão da indústria de combustíveis fósseis”.

O governo do Reino Unido negou que fosse lobby para enfraquecer o regime de licenciamento ambiental, embora a campanha de lobby mostrou ter dado frutos. Em agosto, o Brasil propôs um plano de alívio tributário de vários bilhões de dólares para perfuração offshore e, em outubro, a BP e a Shell ganharam a maior parte das licenças de perfuração de águas profundas em um leilão do governo.

Rebecca Newsom, assessora política seniores do Greenpeace, disse: “Este é um duplo embaraço para o governo do Reino Unido. O ministro do Comércio de Liam Fox tem pressionado o governo brasileiro em um enorme projeto de petróleo que prejudicaria os esforços climáticos feitos pela Grã-Bretanha na cúpula da ONU em Bonn.

“Se isso não fosse ruim o suficiente, o departamento da Fox tentou encobri-lo e ocultar suas ações do público, mas falhou comicamente”.

O documento também revela que o Reino Unido pressionou o Brasil a relaxar seus requisitos para que os operadores de petróleo e gás usassem uma certa quantidade de empresas brasileiras e empresas da cadeia de suprimentos.

Diplomáticos britânicos descreveram o enfraquecimento dos chamados requisitos de conteúdo local como um “principal objetivo” porque a BP, a Shell e o Premier Oil seriam “beneficiários britânicos diretos” das mudanças.

A tentativa do Reino Unido de suavizar os requisitos continuou no dia seguinte à reunião entre Hands e Pedrosa, com um funcionário sênior da DIT liderando um seminário sobre o assunto na sede do regulador de petróleo e gás do Brasil.

O governo do Reino Unido passou por incêndio no passado por fornecer centenas de milhões de libras de apoio para a Petrobras, empresa estatal de petróleo do Brasil, atingida pelo escândalo, através da agência de exportação de crédito do Reino Unido.

Os esforços contínuos de lobby do petróleo do Reino Unido no Brasil surgiram dias depois que os ministros britânicos estavam promovendo a liderança do Reino Unido no corte de emissões de carbono nas negociações climáticas internacionais em Bona.

Claire Perry, o ministro das mudanças climáticas, disse na cúpula: “Estamos assumindo nossos compromissos sob o acordo de Paris muito a sério e estamos a agir”.

Um porta-voz da DIT disse: “A DIT é responsável por incentivar as oportunidades de investimento internacional para as empresas do Reino Unido, respeitando os padrões ambientais locais e internacionais. A indústria britânica de petróleo e gás e cadeia de suprimentos suportam milhares de empregos e fornecem £19 bilhões em exportações de bens sozinhos. No entanto, não é verdade que nossos ministros fizeram lobby para afrouxar as restrições ambientais no Brasil – a reunião foi sobre melhorar o processo de licenciamento ambiental, garantindo condições equitativas para as empresas nacionais e estrangeiras e, em particular, ajudando a acelerar o licenciamento processar e torná-lo mais transparente, o que, por sua vez, protegerá os padrões ambientais”.

Com parlamentarismo, STF consolida o golpe

22 de novembro de 2017

Laurez Cerqueira em 19/11/2017

O STF alimenta o fascismo, dá mais um naco de medievalismo aos chacais que vociferam diante de obras de arte.

O ministro Alexandre de Morais concedeu autorização para condução coercitiva do curador Gaudêncio Fidélis, da ruidosa exposição QueerMuseu, montada em Porto Alegre.

Na linha de colaboração com o golpe de Estado, Alexandre de Moraes quer dar um outro naco à horda de parlamentares bandidos que fazem parte da base de apoio de Michel Temer.

Vai colocar na pauta do Supremo o parecer dele favorável à aprovação, pelo Congresso Nacional, de Emenda Constitucional que institui o parlamentarismo.

Essa Ação de Inconstitucionalidade da Emenda Constitucional estava dormindo na gaveta do STF há décadas. De uma hora para outra, resolveram pautar. É mais uma ação dos golpistas que pode afastar Lula da disputa eleitoral de 2018.

O plebiscito previsto nas disposições transitórias da Constituição sobre, se o Brasil adotaria o regime presidencialista, parlamentarista, monárquico ou não, já foi realizado.

A ação que será pautada no STF questiona se a mudança do regime de governo para parlamentarismo pode ser feito por meio de Emenda Constitucional, que está pronta no Congresso Nacional.

O povo já foi consultado quando participou do plebiscito e optou pelo regime presidencialista conforme determinava a Constituição, nas disposições transitórias.

No entendimento de uma ala de juristas, a Constituição foi cumprida, a disposição transitória também. Assunto encerrado. Só é possível mudar o regime de governo com a realização de uma nova Constituinte.

Mas, Alexandre de Moraes quer abrir a possibilidade de implantação do regime parlamentarista via Emenda Constitucional Caso isso aconteça, pode ser consolidado o comando do crime organizado no governo do Brasil.

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NÃO TENDO CANDIDATO À PRESIDÊNCIA, A DIREITA VAI EXTINGUIR O CARGO E IMPLANTAR A CLEPTOCRACIA PARLAMENTARISTA
Nilson Lage, via Esquerda Caviar em 20/11/2017

Não se tendo candidato à Presidência que se preste a liquidar o país e seja aceito pelo povo, extingue-se a Presidência da República, transforma-se o cargo em de mera função decorativa e entrega-se o todo poder à súcia de picaretas, nulidades, corruptos e carreiristas que compõem o Congresso Nacional, eleitos a peso de ouro.

Para isso, há excrecências atuantes no Supremo Tribunal Federal.

Segóvia põe em dúvida se “uma única mala” é suficiente para mostrar que Temer é corrupto

22 de novembro de 2017

Nem é preciso desenhar o motivo da troca de diretor na Polícia Federal.

Novo diretor-geral questiona assim trabalho da própria Policia Federal, que conduziu parte da investigação. Ele criticou PGR e disse que, “sob a égide da PF”, investigação teria durado mais tempo.

Via UOL em 20/11/2017

O novo diretor da Polícia Federal, Fernando Segóvia, criticou na segunda-feira, dia 20/11, a investigação da PGR (Procuradoria Geral da República), então comandada por Rodrigo Janot, que sustentou as duas denúncias contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB).

O peemedebista foi denunciado inicialmente por corrupção passiva e, depois, por obstrução de Justiça e organização criminosa junto aos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência). Ambas as peças foram rejeitadas pelo plenário da Câmara dos Deputados.

As denúncias tiveram como principal sustentação os fatos relatados nos acordos de delação premiada dos executivos do grupo J&F, que controla o frigorífico JBS, entre os quais os irmãos Joesley e Wesley Batista.

Para Segóvia, seria melhor se a maneira como foi conduzida a investigação tivesse maior transparência. Ele então criticou o que avaliou como curto tempo aplicado no trabalho.

Segundo ele, se à época a investigação estivesse sob o comando da Polícia Federal, somente o flagrante de Rodrigo Rocha Loures (PMDB), ex-assessor especial de Temer, com uma mala com R$500 mil em São Paulo não seria o suficiente para resolver todos os pontos do caso.

“Talvez seria bom se o Brasil inteiro soubesse e houvesse transparência maior sobre como foi conduzida a investigação. Porque a gente acredita que, se fosse sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria que durar mais tempo, porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partidos e se haveria ou não corrupção”, afirmou Segóvia.

[…]

De acordo com o novo diretor, o prazo pequeno para o encerramento da investigação é “um ponto de interrogação que fica hoje no imaginário popular brasileiro e que poderia ser respondido se houvesse mais tempo”.

Ele ressaltou que quem determinou o prazo final foi a PGR e a instituição é quem melhor pode explicar o porquê das constatações feita por ele.

Segóvia também criticou a viagem de Joesley Batista com a família aos Estados Unidos dias antes da revelação do conteúdo da delação premiada e reiterou que a JBS havia ganhado “muito dinheiro no mercado de capitais de maneira ilegal”.

Questionado sobre uma possível investigação da Polícia Federal contra Janot, Segóvia disse que depende se alguém vai pedir a abertura de uma apuração.

“Se vamos ou não investigar o doutor Janot dependerá justamente de uma abertura de investigação, se é que alguém vai pedir alguma coisa em relação a tais fatos”.

Em relação a Temer, Segóvia afirmou que este “continuará a ser investigado sem nenhum problema” no inquérito da Rodrimar, que apura possíveis esquemas de corrupção no Porto de Santos.

Sobre as denúncias rejeitadas pela Câmara, a PF só poderá investigar os casos após a saída de Temer da Presidência da República, se necessário.

Temer não discursou no evento de transferência do cargo. Já no Planalto, após o evento, por meio do perfil no Twitter, o presidente desejou sucesso a Segóvia.

[…]


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