Desemprego no governo Temer tem novo recorde e atinge 13,5 milhões de pessoas

3 de abril de 2017

Via Carta Campinas em 31/3/2017

O desemprego no governo de Michel Temer (PMDB/PSDB) atingiu novo patamar no último trimestre. A taxa de desocupação do país fechou o trimestre móvel de dezembro do ano passado a fevereiro deste ano em 13,2%, alta de 1,3% frente ao trimestre móvel anterior.

Com o resultado, a população desocupada do país chegou a 13,5 milhões de trabalhadores, um novo recorde tanto da taxa quanto da população desocupada de toda a série histórica iniciada em 2012.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao mesmo trimestre móvel do ano anterior, a taxa de desemprego cresceu 2,9%.

Trimestre anterior
Quando comparada à taxa de desemprego do trimestre encerrado em novembro do ano passado, o contingente de desempregados cresceu 11,7%, o equivalente a mais 1,4 milhão de pessoas desocupadas, e 30,6% (mais 3,2 milhões de pessoas em busca de trabalho) em relação a igual trimestre de 2016.

Os números da Pnad indicam, ainda, que a população ocupada, de 89,3 milhões, teve recuos tanto em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2016 (–1%), quanto em relação ao mesmo trimestre de 2016 (–2%).

Brasil registra 700 mil acidentes de trabalho por ano e terceirização vai aumentar esse número

3 de abril de 2017

Via Carta Campinas em 31/3/2017

O Brasil registra uma média superior a 700 mil acidentes de trabalho por ano, pelo menos desde de 2010, segundo dados da Previdência Social. Somente em 2014, foram 704 mil acidentes de trabalho, sendo 2.783 casos fatais e 251,5 mil que resultaram em afastamentos por período superior a quinze dias.

Com a aprovação do projeto de terceirização total, pelo governo Temer (PMDB) e com o apoio do PSDB, a situação do trabalhador brasileiro vai piorar. Para o coordenador nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), Leonardo Osório Mendonça, os números, infelizmente, tendem a aumentar. “Trabalhadores terceirizados estão sujeitos a condições de trabalho piores e mais inseguras do que aqueles contratados diretamente pelas empresas. Os dados oficiais também demonstram maior incidência de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais nesta classe de trabalhadores”, acrescentou.

Ele afirmou que ações de prevenção são a melhor forma de honrar a memória dos que faleceram em acidentes. “Devemos cobrar a adoção de medidas preventivas, até porque não existe valor no mundo que possa reparar um trabalhador falecido, mutilado, física ou mentalmente, por condições de trabalho que não respeitaram as normas de saúde e segurança vigentes em nosso país”, afirmou.

Para combater essa realidade e chamar atenção da sociedade sobre a importância da prevenção, o Ministério Público do Trabalho (MPT) junta-se à campanha Abril Verde, dedicada à memória das vítimas de acidentes de trabalho. A abertura oficial será no dia 5 de abril, às 16h30, na sede da Procuradoria Geral do Trabalho (PGT), em Brasília.

Durante todo o mês, serão realizadas atividades de conscientização, como a exposição fotográfica “Trabalhadores”, que será exibida simultaneamente nas 24 Procuradorias-Regionais do Trabalho e na PGT. A mostra também ficará em cartaz por uma semana na Câmara dos Deputados e uma versão reduzida será exibida no Palácio do Planalto na última semana de abril. Além disso, os prédios da PGT e de instituições parceiras serão iluminados na cor verde, assim como os sites e perfis nas redes sociais dos participantes que farão alusão à cor temática.

Dória reduz programas de formação cultural pela metade e exclui 4 mil crianças e jovens

3 de abril de 2017

Manifestantes utilizaram geladeiras para simbolizar o congelamento do orçamento da Cultura por Dória.

Gestão paulistana excluiu os CEUs dos locais de execução do programa e reduziu número de educadores para realizar as atividades de 336 para 130.

Via RBA em 31/3/2017

Apesar de alegar que os programas de formação cultural da capital paulista seriam ampliados, o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), reduziu pela metade o número de crianças, adolescentes e adultos atendidos pelo Programa de Iniciação Artística (PIÁ) e pelo Programa Vocacional. Foram abertas inscrições para 4.160 alunos em 2017, com 130 educadores contratados. Até o ano passado, último da gestão de Fernando Haddad (PT), eram 8.190 alunos e 336 profissionais. Estes trabalhadores foram todos demitidos, apesar de os editais de contratação deles preverem que seus projetos seriam de dois anos.

Além disso, os 46 Centros Educacionais Unificados (CEUs), que ficam nos bairros mais periféricos, foram excluídos do programa. Com isso, também cai pela metade o número de locais de execução. O motivo do corte é o congelamento de 43,5% do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura, determinado por Dória no início da gestão. Para este ano, o orçamento municipal previa R$14 milhões para execução dos dois programas.

Na segunda-feira, dia 27/3, trabalhadores da cultura e artistas realizaram uma manifestação contra o congelamento do orçamento da cultura. Eles construíram um monumento ao prefeito e ao secretário da Cultura, André Sturm: sete geladeiras foram fixadas em frente à sede da prefeitura, simbolizando o “iceberg” dos congelamentos da gestão. “Esse ato é poesia que se insurge contra o iceberg gigante que se tornou a prefeitura”, declamaram os manifestantes, em coro, enquanto projetavam imagens de uma geleira no prédio.

Entre os projetos e programas – muitos previstos em Lei Municipal – afetados pelo congelamento, estão os já citados PIÁ e Vocacional; os fomentos à dança e ao teatro das periferias, ao circo; Jovem Monitor Cultural; o Programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI e VAI II); além da programação de atrações nos equipamentos públicos, tais como bibliotecas, centros culturais, Casas de Cultura e Centros Educacionais Unificados (CEUs).

No caso das bibliotecas, para as quais a atual gestão apresentou um projeto de revitalização, algumas propostas na verdade já existem, como os saraus de poesia nos espaços. A maior parte dessas ações é realizada nas periferias da capital, com crianças e jovens que não têm outras possibilidades de acesso à formação cultural.

Para o presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, Rudifran Pompeu, a suspensão de tantos programas, muitos dos quais realizados há anos, é um grave retrocesso na cultura da capital paulista. “Em nenhuma outra gestão ocorreu algo assim. Isso se aproxima de um desmanche total das conquistas de quase duas décadas. Se querem fazer uma gestão melhor do que a anterior, façam mais, mas não destruam o que está sendo feito”, disse o presidente da Cooperativa, na manifestação. “Queremos que se cumpra a lei”, completou.

Apesar da intensa perseguição, Lula é o político mais aprovado do Brasil

3 de abril de 2017

Lula apresenta 38% de aprovação entre os entrevistados da pesquisa Ipsos. Foto: Ricardo Stuckert

Apesar da intensa perseguição política e midiática contra o ex-presidente, Lula apresenta 38% de aprovação entre os entrevistados da pesquisa Ipsos.

Via Lula.com.br em 30/3/2017

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o político com maior índice de aprovação no Brasil. É o que revela a pesquisa nacional Ipsos, divulgada na quinta-feira, dia 30/3, pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Apesar da intensa perseguição política e midiática contra o ex-presidente, dos 20 políticos citados na pesquisa, Lula é quem apresenta 38% de aprovação entre os entrevistados.

A pesquisa revela também que o presidente Michel Temer conta com 78% de desaprovação e, para 90% dos entrevistados, o Brasil está no “caminho errado”. Renan Calheiros (PMDB) apresentou 83% de desaprovação e Eduardo Cunha, 87%.

Outra pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em fevereiro deste ano, mostrou que o ex-presidente Lula lidera em todos os cenários para a eleição presidencial de 2018. No primeiro turno, Lula lidera nos três cenários pesquisados. Se os adversários forem Marina Silva, Jair Bolsonaro, Aécio Neves, Ciro Gomes e Michel Temer, Lula teria 30,5% dos votos. No segundo turno, Lula vence os adversários em todos os cenários: vence Aécio por 39,7% a 27,5%, Marina por 38,9% a 27,4% e Temer por 42,9% a 19%.

Nesta pesquisa, foram ouvidas 2.002 pessoas, em 138 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões, com margem de erro de 2,2% e nível de confiança de 95%.

O assédio sexual dos bastidores não passou na Globo

3 de abril de 2017

José Mayer: Cafajeste na ficção e na vida real.

O relato da figurinista que acusa o ator José Mayer de assediá-la fala com crueza sobre o que as mulheres ouvem todo dia de anônimos dentro de uma cultura covarde e desprezível.

Carla Jiménez, via El País Brasil em 1º/4/201

A esta altura, o Brasil inteiro já sabe que um galã da principal rede de televisão do país foi acusado publicamente por uma figurinista de tê-la assediado nos estúdios da TV Globo. Susllem Tonani, de 28 anos, relatou detalhes das insistentes investidas do ator José Mayer em um texto em primeira pessoa, publicado, em princípio, na madrugada do dia 31, no blog “Agoraéquesãoelas” do jornal Folha de S.Paulo. Com o inequívoco título “José Mayer me assediou”, trouxe de volta a eterna temática do assédio sexual à pauta nacional. Desta vez, envolvendo um senhor que entrou na casa dos brasileiros reiteradamente nas últimas décadas, desde quando Mayer era apenas um jovem ator promissor.

A estampa do galã famoso e bem sucedido, no entanto, embaralha a mente de quem o imagina soltando um despretensioso (?) “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, “você nunca vai dar para mim?”, como relatou Susllem, a jovem que viveu uma rotina contínua com ele durante o período que durou a novela “A Lei do Amor”. Segundo ela, foram oito meses de convívio profissional em que começou a ouvir elogios de Mayer, que passaram a cantadas e até chegar ao impulso macho de um homem das cavernas. “Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália”. Entende-se pelo texto de 879 palavras que depois disso ela parou de falar com ele. Contrariado, a chamou de “vaca” na frente de outras pessoas. Foi a gota d’água para que ela fosse ao RH da Rede Globo e à ouvidoria contar o que aconteceu.

O relato da figurinista foi polêmico desde o início, não só pela empresa e o personagem envolvidos, mas até pela forma como veio a público. O duro desabafo ficou no ar por algumas horas no blog, e depois retirado do ar. Diante de uma acusação tão forte, era preciso ouvir o outro lado, no caso a rede Globo e o próprio acusado. No final da tarde de sexta, o texto voltou a ser publicado, e a Folha deu a matéria completa. Ao jornal, ele disse, por meio de nota, que respeita as mulheres, “meus companheiros e o meu ambiente de trabalho e peço que não misturem ficção com realidade”. “As palavras e atitudes que me atribuíram são próprias do machismo e da misoginia do personagem Tião Bezerra, não são minhas!”, mencionando o vilão escroque que interpretou na novela que acaba de terminar.

Estaria ele insinuando que Sullem misturou ficção e realidade e que assédio é coisa de personagens malvados? Seria ela tão “suicida” de inventar uma calúnia e se expor dessa maneira? E se é inocente, por que o ator não fala abertamente, em vez de escolher uma fria nota como meio de comunicação?

A TV Globo, por sua vez, disse à Folha que “o assunto foi apurado e as medidas necessárias estão sendo tomadas”, lembrando que repudia toda forma de desrespeito, violência ou preconceito. É uma saia justa e tanto para a emissora que exporta novelas para o mundo. Mas, tudo indica que não é o primeiro caso. Segundo a colunista de TV Keila Jimenez, do portal R7, “os casos de assédio são tantos que a emissora criou até um departamento para cuidar só disso”.

A empresa só não esperava que Sullen fosse tomada de uma coragem rara entre as mulheres. Não só por denunciar um homem muito mais poderoso que ela, protegido por um aparato midiático, mas pela crueza de suas palavras no texto. “Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo”, reitera ela em seu relato. Na terra em que se emprega a expressão “caralho” a três por quatro, a palavra “buceta” é algo quase chocante. Por que ela não optou por “vagina”? Bem, talvez porque a verdade precisa ser contada sem rodeios, na linguagem que ela se apresenta: “sua bundinha”, “seu peitinho”… que mulher não ouviu isso a vida inteira de estranhos na rua, no ônibus, ou até no confessionário de uma igreja… (sim, eu ouvi de um padre numa igreja do bairro Vila Mariana, quando tinha somente 12 anos).

A jovem figurinista tocou, ainda, em outra ferida cruel do machismo no Brasil, ao citar a presença de duas testemunhas femininas quando Mayer a tocou: a anuência de muitas mulheres que naturalizam esse comportamento masculino, diferenciando o papel dos gêneros. “Elas? Elas, que poderiam estar eu meu lugar, não ficaram constrangidas. Chegaram até a rir de sua “piada”. Eu? Eu me vi só, desprotegida, encurralada, ridicularizada, inferiorizada, invisível. Senti desespero, nojo, arrependimento de estar ali”.

A continuação deste episódio, vale dizer, já tem um roteiro conhecido. O aparente assédio de Mayer, na cabeça de muitos, será taxado como coisa de feminista histérica. Ele é perfilado pela mídia que cobre televisão como um homem bem casado, filhos, que gosta de cuidar de plantas e curtir a família. Empatia total com o público da rede Globo. Contrasta com o imaginário sobre assédio e o machismo, que seria obra de homens maus, escondidos na virada da esquina de uma rua escura esperando uma mulher passar de minissaia ou decotes provocantes. Não, ele também pode vir de um ator em posição dominante, de um parente, de um chefe, de um funcionário que vai consertar a TV na sua casa, como contou Rita Lee em sua biografia, lembrando o episódio que a marcou na infância.

O tal assédio nosso de cada dia é muito mais grave do que pode parecer, e precisa ser explicado inclusive às crianças. Faz bem a mãe e o pai que alertam filhas e filhos para o que sempre existiu e ninguém admite, ou custa a acreditar.

Felizmente, ao reconhecer essa doença social, muitas mulheres do Brasil também começam a fortalecer o caminho da cura. Não se pode naturalizar essas grosserias, não se pode deixar de denunciar, de falar, de contar, de dar nome aos bois, venha o assédio de onde vier, inclusive da rede Globo. A maior emissora do país podia aproveitar o ensejo e usar seu poder de comunicação para abraçar melhor a primavera feminista que varre o Brasil nos últimos tempos. Assédio não é normal, como lembra o blog AgoraéqueSãoElas. É covarde e desprezível.


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