A direita não tem saída: Ou segue com Bolsonaro ou volta a democracia

3 de agosto de 2020

Carlos Henrique Machado Freitas, via A Postagem em 2/8/2020

Quando o PSDB queimou os seus navios no golpe contra Dilma, na tentativa de utilizar uma estratégia de fortalecimento da direita para vencer a disputa política com o PT, esqueceu-se de colocar no cálculo que, desde que FHC deixou o governo e o país em farrapos, além da economia aos cacos, depois de toda aquela privataria que gerou uma legião de desempregados, o PSDB simplesmente acabou ali, ficando somente a carcaça de uma sigla que, sem força política para fazer oposição ao PT, terceirizou para a mídia e o judiciário, nos quais sempre teve um excelente trâmite.

Para começo de conversa, não é preciso explicar que a xepa do partido fez o enterro dos ossos com a desmoralização de Aécio, Serra, Alckmin, Aloysio Nunes e, consequentemente de FHC, sobrou somente o Dória com a brocha na mão, porque este está longe de ser uma liderança carismática. Ele não representa nada e ninguém. Suas chances de sentar na cadeira da presidência são praticamente nulas.

Então, ficará para Dória apenas a tarefa do coveiro que vai enterrar de vez a sigla.

O DEM inexiste como partido, depende de caciques regionais e sua expressão na política nacional é tão apagada quanto a do Novo, que já nasceu velho e com todas as mazelas que a velhice impõe.

Moro, que seria o novo Collor para a Globo, será abatido ainda no chão se realmente se aventurar na disputa para a presidência, pois não tem partido, não tem milícia, não tem pastores evangélicos e nem associações comerciais para catapultar sua candidatura, como foi com Bolsonaro.

Para piorar, Moro, daqui por diante estará às voltas com o escândalo da arapongagem de 38 mil brasileiros feita pela Lava-Jato e revelada por Augusto Aras.

Então, o que realmente sobra para a direita é seguir com o fascista, sabendo que ele, a qualquer momento implodirá e se espatifará no chão ou, do contrário, reconhecer a queda, não desanimar, levantar a poeira e dar a volta por cima dentro do jogo democrático.

Diferente disso, a direita viverá refém do submundo do baixo clero, do que existe de mais inorgânico na política. Até a direita tradicional, no Brasil, sabe que isso é pouco ou quase nada para erguer e sustentar a hegemonia dos liberais.

É certo que, para a direita, a coisa anda tão ruim, do ponto de vista intelectual, que, hoje, achar algum liberal que tenha um cérebro maior que um caroço de mostarda, é o mesmo que encontrar uma agulha no palheiro, é do Véio da Havan pra baixo.

Certamente, a elite econômica sabe, e há muito tempo, que não se produz lideranças na base do sopapo, e sim ditaduras, primeiro porque não há sequer sombra de uma liderança capaz de unir antigas forças de direita em torno de um projeto de poder, menos ainda de devolver o país aos anos de chumbo com uma ditadura militar, porque o Brasil dependente cada vez mais do mercado externo e, neste caso, seria banido da comunidade internacional.

Assim, sobra somente como refúgio, ou melhor, como consolo, as regras da democracia, por mais amargas que possam parecer para a direita, já que foi ela que produziu esse fosso social, que segrega a imensa maior parte do povo brasileiro em benefício de 10% de rentistas, isso, num país que tem urgência de gerar empregos através de um crescimento sustentável a partir de uma produção robusta com a participação ativa e efetiva do Estado na sua reconstrução.

Para tanto, a primeira coisa a ser feita é devolver a Lula seus direitos políticos e, em seguida, admitir que Dilma sofreu um golpe de Estado, e o mais importante, entender que não se pode entregar para a mídia e judiciário a tarefa de fazer oposição à esquerda, porque, se a direita vencer, como mostra a última e amarga experiência com Bolsonaro, será uma vitória de pirro. Caso isso aconteça, o refluxo será amargo e, com ele, a queimação generalizada.

REDES SOCIAIS

Procuradores da Lava-Jato em Curitiba se dizem arrependidos de ter votado em Bolsonaro

3 de agosto de 2020

Procuradores da força-tarefa da Lava-Jato reunidos, com Roberson Pozzobon e Deltan Dallagnol à frente. Foto: Facebook de Roberson Pozzobon.

Grupo acreditava que PT desmontaria engrenagem de combate à corrupção.

Via Blog do Guilherme Amado em 2/8/2020

Os procuradores da Lava-Jato em Curitiba que votaram em Jair Bolsonaro em 2018, acreditando que o PT desmontaria a engrenagem de combate à corrupção, têm afirmado privadamente que se arrependeram do voto.

Consideram que Bolsonaro está trabalhando deliberadamente para matar não só a Lava-Jato, mas todas as condições que permitiram seu surgimento.

Ninguém diz que preferia ter votado no PT. Arrependem-se de não ter votado nulo.

Atualização, às 21h53 de 2 de agosto de 2020: A assessoria de imprensa do MPF em Curitiba enviou nota em que afirma que a força-tarefa “jamais teve preferência por candidato, político ou partido, mas defende a causa anticorrupção e a democracia, de modo apartidário”. “O grupo sempre foi formado por integrantes com entendimentos políticos e ideológicos diversos, o que se traduziu em diferentes votos no primeiro e segundo turnos das eleições, os quais convergem plenamente na realização de um trabalho jurídico técnico em favor da sociedade”, informou o texto.

Militar preso com 39kg de droga na Espanha no avião da comitiva de Bolsonaro, segue na FAB recebendo salário

3 de agosto de 2020

O segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilla, na Espanha, por transportar cocaína. Foto: Reprodução.

Sargento da FAB foi preso com 39kg de cocaína na Espanha em junho de 2019. Ele continua na ativa da FAB e recebendo salário em dia. Na Espanha, confessou o crime e foi condenado a seis anos de prisão. No Brasil, seu processo está em andamento na Justiça Militar.

Via UOL em 2/8/2020

Preso na Espanha há um ano e um mês e condenado por tráfico de 39kg de cocaína, o segundo sargento da FAB (Força Aérea Brasileira) Manoel Silva Rodrigues segue na ativa da instituição recebendo salário em dia. No Brasil, ele é réu por tráfico de drogas com valor estimado em R$6,3 milhões segundo o Ministério Público Militar.

Segundo informações levantadas pelo UOL junto ao Portal da Transparência, apesar de estar detido e sem trabalhar desde junho de 2019, o militar recebe brutos R$8,1 mil mensais, incluindo verbas indenizatórias. Em novembro, o valor bruto chegou a R$14,5 mil, devido à gratificação natalina. Ao longo de todo esse período, seus salários somaram cerca de R$97,5 mil.

Segundo informações apuradas junto à Justiça Militar, no processo em que ele é réu, não houve pedido de bloqueio. Os pagamentos dizem respeito à questão administrativa da FAB.

Segundo a FAB, Rodrigues foi notificado da abertura do processo de exclusão. Mas para ser desligado administrativamente é necessário o trânsito em julgado (quando não cabe recurso) do processo judicial, que embasa o processo interno, segundo informou a FAB. (veja o posicionamento abaixo)

Além do processo que responde na Espanha, há uma acusação na Justiça Militar. O juiz da 2ª Auditoria da 11ª Circunscrição Judiciária Militar, Frederico Magno de Melo Veras, marcou para dia 20 de agosto uma audiência de instrução.

Nesta fase, o juiz vai ouvir testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público. Ainda será necessário ouvir a defesa e testemunhas do sargento antes de o magistrado decidir sobre o caso. O juiz Veras solicitou à Justiça espanhola, via Ministério da Justiça, autorização para que Rodrigues participe da audiência por vídeo conferência.

A prisão de Rodrigues aconteceu em junho de 2019, durante viagem de Jair Bolsonaro (sem partido) à cúpula do G20. A cocaína estava na bagagem do sargento que voou em uma aeronave de apoio da comitiva presidencial. Ele não estava no mesmo voo do presidente.

O sargento integrava uma equipe de 21 militares que prestava apoio à comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na reunião do G-20, no Japão. A droga foi encontrada pela Guarda Civil da Espanha ao vistoriar a bagagem dele no aeroporto de Sevilha (Espanha).

À época da apreensão, a Guarda Civil da Espanha considerou que havia 39kg de drogas. No Brasil, a investigação do Ministério Público Militar aponta que são 39kg e foi com base nessa quantidade que Rodrigues foi denunciado e responde ao processo.

À ocasião, Bolsonaro disse que o sargento pagaria um preço alto pelo ocorrido e que “se fosse na Indonésia, pegaria pena de morte”. E o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) o classificou como “uma mula qualificada”, termo utilizado para designar quem faz transporte de droga.

Processos
Na ação espanhola, Rodrigues foi condenado a seis anos de prisão. O juiz do caso fixou multa em 2 milhões de euros (cerca de R$12 milhões). Durante o processo, o sargento disse que aquela foi a primeira vez que traficou drogas, porque seu salário “não é muito alto” e passava por dificuldades financeiras.

Segundo o jornal ABC de Sevilla, Rodrigues afirmou à Justiça que teria que entregar a droga para uma pessoa que lhe faria “um sinal” num centro comercial. O destino do entorpecente era a Suíça.

No Brasil, o promotor da Justiça Militar, Jorge Augusto Caetano de Farias, investigou a participação da então companheira de Rodrigues, um tenente-coronel (cargo de alta patente na FAB), dois sargentos e um soldado, mas pediu arquivamento da investigação. Com o pedido, o juiz do caso determinou o arquivamento e deu prosseguimento à denúncia contra Rodrigues.

Na acusação contra o sargento da FAB, o promotor pediu pena de prisão de até 15 anos por tráfico de drogas, podendo ser aumentada em até dois terços em razão do delito internacional e por considerar que ele utilizou-se da função.

Na denúncia, o promotor acionou a Lei de Drogas. É um mecanismo mais rígido. Pelo código penal militar, a penalidade máxima é de cinco anos para este tipo de crime.

A PF (Polícia Federal) também tem uma investigação sobre o caso, no Brasil. A suspeita é de que o sargento operava como “mula”.

Outro lado
O advogado do sargento, Eric Furtado, do escritório Furtado e Jaime, não quis se manifestar. Ele disse ao UOL, por e-mail, que a pedido da família não dará entrevistas ou informações sobre o processo, que corre em segredo de Justiça.

A FAB e o Ministério da Defesa se pronunciaram utilizando o mesmo posicionamento.

Em nota, informaram que o “IPM (Inquérito Policial Militar) instaurado no âmbito do Comando da Aeronáutica para apurar o caso do sargento detido no aeroporto de Sevilha, Espanha, em 25 de junho de 2019, foi concluído dentro do prazo. Os autos foram encaminhados para a Auditoria Militar competente, que enviou para o Ministério Público Militar, a quem coube oferecer a denúncia, estando a ação penal em curso, conforme determina o Código Processo Penal Militar”.

Segundo a FAB, foi dado início ao processo administrativo para exclusão do sargento e encaminhou pedido “para que o Estado espanhol efetive a notificação do militar”.

“O Ministério da Defesa e a Força Aérea Brasileira (FAB) atuam firmemente para coibir irregularidades e repudiam condutas que não representam os valores, a dedicação e o trabalho do efetivo em prol do cumprimento de sua missão institucional”, concluiu a nota.

A Embaixada da Espanha no Brasil foi procurada para comentar o caso, mas não quis se manifestar sobre o processo que corre na Justiça espanhola.

REDES SOCIAIS

A Globo ataca Aras e tenta salvar, desesperada, a Lava-Jato porque sabe que afunda com ela

3 de agosto de 2020

Kiko Nogueira, via DCM em 29/7/2020

A Globo está absolutamente histérica em sua defesa da Lava-Jato. É assessoria de imprensa pura e simples. Todos os jornalistas concordam entre si que a operação é a coisa mais importante do milênio desde a invenção do Yakult. Quando há uma voz dissonante, como a do sociólogo Demétrio Magnolli, ela é abatida a pauladas por alguma pena de aluguel.

Na última segunda, foi a vez do geralmente discreto Gerson Camarotti, que se revoltou com a crítica correta de Magnolli sobre o dinheiro que a juíza Gabriela Hardt “desistiu” de dar para o combate à pandemia. Dinheiro que nunca foi dela, mas do governo brasileiro. Mas, para o Jornal Nacional, é uma bondade da doutora Hardt.

O abraço do afogado da Globo em Dallagnois e Moros se explica porque eles são, como gostava a conja, “uma coisa só”.

De Valdo Cruz a Natuza Nery, ninguém consegue divergir dos dados alarmantes que Aras expôs em live do grupo Prerrogativas. Entre outras coisas, Aras disse que “a força-tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas com seus dados depositados, que ninguém sabe como foram colhidos”.

“Não podemos aceitar 50 mil documentos sob opacidade”, falou. “É um estado em que o PGR não tem acesso aos processos, tampouco os órgãos superiores, e isso é incompatível”.

A argumentação dos lavajatistas da Globo é a de que o discurso de Aras é “o mesmo” da defesa de Lula. Não é verdade, mas é revelador do desespero da emissora dos Marinhos e seus paus mandados. O Prerrogativas já está sendo chamado de puxadinho do PT. Aras, eles garantem, quer vaga no STF.

A Globo tenta impedir a queda inexorável do lavajatismo porque, assim que a turma cair, leva junto seis anos de mau jornalismo, feito à base de vazamentos ilegais e uma agenda canalha.

Muitos ali ganharam um bom dinheiro explorando essa ficção dos templários de Curitiba. Vladimir Netto, por exemplo, filho de Míriam Leitão, autor de livro publicado, inclusive, em Portugal. No lançamento, estavam lá mamãe e Sérgio Moro. Prefácio de Fernando Gabeira, que excursionou com Dallagnol em palestras.

A festa acabou. Resta à emissora apelar para luminares como o Major Olímpio. O que se assiste aqui é um cadáver estrebuchando, ao ritmo da voz molenga de Gabeira.

***

ATÉ QUANDO A GLOBO VAI DEFENDER O ESTADO PARALELO DA REPÚBLICA DE CURITIBA?
Carlos Henrique Machado Freitas, Via Antropofagista em 1º/8/2020

Que Moro tenha sido o homem que se transformou, para a Globo, na base do sopapo, a bala de prata contra Lula, todos nós sabíamos.

Que Dallagnol tenha recebido cachê da XP Investimentos para, em manto de palestrante, confidenciar garantias a banqueiros nacionais e internacionais que a Lava-Jato teria êxito em tirar Lula das eleições para Bolsonaro ser presidente, todos nós também já sabíamos.

Mas essa acusação, comprovada de Aras, de um banco de dados clandestino de mais de 38 mil brasileiros investigados pela Força-tarefa da Lava-Jato sem autorização judicial é crime que tem que ser punido com cadeia para os envolvidos.

Não basta o silêncio do STF e da mídia diante da tentativa dos procuradores de Curitiba de embolsar 2,5 bilhões da Petrobras, em nome de uma suposta fundação privada de combate a corrupção, o que por sua própria natureza já revela crime contra os cofres públicos praticados por agentes do Estado?

Não interessa aqui, saber se Aras é aliado de Bolsonaro, interessa saber se os documentos apresentados por ele contra os procuradores da Lava-Jato são reais, e são.

Nesse caso, pouco importa as intenções de Aras, na verdade, elas são nulas diante de provas robustas de crime dessa organização criminosa que, em nome do combate à corrupção, criou uma constituição paralela como as dos tribunais do crime iguais aos do tráfico ou das milícias. Coisa de gente bandida.

É disso que se trata. Até porque todos sabem que a Lava-Jato prendeu Lula para que Bolsonaro ocupasse a cadeira da presidência da República e Moro a cadeira do super ministério da Justiça e da Segurança Pública.

Então o papo aqui é outro, a gravidade também.

As questões que envolvem os crimes praticados pela força-tarefa da Lava-Jato nada têm a ver com a guerra entre Moro e Bolsonaro, e se tivesse não seriam menores os crimes praticados pelo Menudos de Curitiba.

Quando o Intercept denunciou a farsa da Lava-Jato, o que não foi negado por ninguém da Força-tarefa e pelo próprio Moro, o negócio foi buscar a criminalização da fonte dizendo, em outras palavras, que o que a Vaza-Jato revelou era verdade, mas foi obtida através de crime de um hacker.

Agora, o papo é outro e não se limita a Aras, muito menos à PGR, mas ao próprio Ministério Público como instituição.

O MP deve querer saber como uma Força-tarefa em Curitiba tem um banco de dados 9 vezes maior que todo o Ministério Público brasileiro. Pior, reunido em cinco anos de operação.

Quais foram os brasileiros investigados? Quem controlava essa verdadeira lista negra paralela? Quem deu autorização e, sobretudo, quem deu ordens para um disparate como esse?

Nós, aqui no blog, voltaremos muito a esse assunto, até por cumprimento de dever com o objetivo de desbaratar a novelesca Lava-Jato, que é, no silêncio, muito mais perigosa do que se imagina. Isso permite falar com independência do juízo que se faça de Augusto Aras.

O que se precisa, na realidade, é ter coragem para aplicar o senso de justiça aonde haja injustiças e crimes para bani-los da vida nacional, ainda mais quando esses documentos oficiais revelam que a ardilosa organização de gangsters de Curitiba tinha ou tem um projeto de poder que faz o governo fascista de Bolsonaro parecer coisa de trombadinha.

É a isso que a Globo quer manter o seu apoio e o STF o seu silêncio para seguir fingindo que Lula foi condenado e preso de forma justa e imparcial?

REDES SOCIAIS

Lava-Jato aplicou os métodos de espionagem clandestina de Hoover, o poderoso chefão do FBI

3 de agosto de 2020

Ilustração: The Intercept Brasil.

Por décadas, John Edgar Hoover espionou ilegalmente adversários políticos nos EUA em nome do combate à corrupção.

João Filho, via The Intercept Brasil em 2/7/2020

Durante quase cinco décadas, John Edgar Hoover comandou o FBI com mão de ferro. Ele conquistou a fama de poderoso chefão da entidade após passar anos atuando de forma clandestina para sabotar, intimidar e perseguir adversários políticos. Na fachada, o FBI era uma unidade policial que combatia a corrupção e protegia o país de terrorismo e da espionagem internacional. Mas, na prática, esse aparato estatal era usado também para espionar ilegalmente esquerdistas e movimentos pelos direitos civis nos EUA.

Hoover era um homem extremamente conservador, mas que não via problemas em atropelar sistematicamente a Constituição norte-americana para espionar quem ele considerava inimigo da nação, como Martin Luther King, por exemplo. Fazia escutas telefônicas clandestinas na casa de seus inimigos para descobrir seus segredos e depois chantageá-los. Era uma prática comum, que o tornou um dos homens mais poderosos do país. Após 48 anos, o modo de atuação de Hoover acabou moldando o FBI.

No Brasil, a Vaza-Jato demonstrou de maneira clara que a operação Lava-Jato, guardadas as devidas proporções, atuou de maneira parecida ao FBI de Hoover: fez grampos ilegais, vazou conversas de jornalistas críticos da operação, e perseguiu quem era visto como adversário político  – tudo isso de maneira clandestina. Assim como a entidade norte-americana, os procuradores da Lava-Jato usaram os meios que dispunham do aparato estatal para implantar um estado paralelo a serviço de um projeto político. Uma simples força-tarefa acabou se tornando uma entidade poderosa e popular, com pretensões políticas e eleitorais.

Nesta semana, as semelhanças ficaram mais evidentes. O procurador-geral da República Augusto Aras, que começou a abrir a caixa-preta da Lava-Jato, acusou a operação de investigar 38 mil brasileiros de maneira clandestina, sem formalização, sem critérios, sem registro e sem nenhum tipo de controle social. É mais uma prova – precisava de mais? – de que a Lava-Jato se vê como uma entidade autônoma e independente do Ministério Público. Essa “caixa de segredos” da operação, como chamou o procurador, só é acessada por Dallagnol e sua trupe. Nem os seus superiores dentro do Ministério Público estavam cientes.

Dados de 38 mil brasileiros passaram pelas mãos de um grupo de procuradores responsáveis por uma operação em que vazamentos de documentos e dados sigilosos sempre foram uma regra. Essa é a sua essência moral. É um grupo que também se recusa a cumprir uma obrigação básica: prestar contas do seu trabalho para os seus superiores. Não é difícil imaginar o poder que essas informações dão para esse grupo de funcionários públicos e o perigo que isso representa para o país.

E quem foi um dos primeiros a sair em defesa da Lava-Jato depois das falas de Aras? O senhor Sérgio Moro, o ex-juiz que nunca fez parte da Lava-Jato, mas virou a sua personificação depois que participou com ela de um conluio contra políticos. O mesmo conluio que abriu caminho para a vitória do candidato anti-política que transformaria o juiz lavajatista em ministro da Justiça. É natural que Sérgio Moro saia em defesa da operação na qual reside todo o seu capital político, ainda mais no momento em que vem se movimentando para disputas eleitorais.

Como o bom politiqueiro que é desde os tribunais, o ex-ministro bolsonarista defendeu seus comparsas lavajatistas lançando mão de bravatas, sem demonstrar nenhum pudor em contrariar a realidade dos fatos.

O ex-juiz mente de maneira descarada quando diz que a Lava-Jato sempre foi transparente. A transparência nunca foi prezada pela operação, muito pelo contrário. As publicações da Vaza-Jato deixaram claro que a transparência é a kryptonita da Lava-Jato.

Eu vou além: a operação só se consolidou como esse ente público superior, que peita a classe política, a PGR e o STF, porque atua nas sombras da lei. Foi justamente a falta de transparência que permitiu à operação consolidar seus métodos e se tornar, perante a opinião pública, um movimento anticorrupção acima de qualquer suspeita. Foi a clandestinidade que levou a força-tarefa a conquistar a aura de paladina da moral pública. As ilegalidades que permeavam todas aquelas ações, que eram sucesso de crítica e público, ficavam escondidas no escurinho do Telegram.

A série da Vaza-Jato revelou como eram feitas as salsichas da operação, mas a disputa de narrativas políticas criadas em torno das reportagens ofuscou a verdade. Conseguiram transformar criminosos em heróis que tiveram sua privacidade violada por hackers. Não é simples mudar o imaginário popular de anos de mídia positiva que a grande imprensa ofereceu para a Lava-Jato.

Depois da declaração de Augusto Aras, o presidente da Câmara Rodrigo Maia afirmou que a impressão que dá “é que (lavajatistas) não gostam de ser fiscalizados”. Bom, como vimos acima, a questão não é gostar ou não de ser fiscalizado. É que a Lava-Jato simplesmente não existiria se tivesse sido devidamente fiscalizada. As ilegalidades cometidas graças à falta de transparência é que fizeram a Lava-Jato ser o que é.

Diante desse histórico de abusos, ilegalidades e
perseguição política, como ficar tranquilo sabendo
que os dados de milhares de brasileiros estão nas
mãos dessa gente inescrupulosa?

Em nota, a força-tarefa de Curitiba se defendeu: “É falsa a suposição de que 38 mil pessoas foram escolhidas pela força-tarefa para serem investigadas. Esse é o número de pessoas físicas e jurídicas mencionadas em Relatórios de Inteligência Financeira encaminhados pelo Coaf”. Mas essa é a versão oficial.

A verdade está no escurinho do Telegram como revelou a Folha em reportagem em parceria com o Intercept. A nota não conta a maneira clandestina como a Lava-Jato conseguiu esses dados do Coaf. De maneira ilegal, a Lava-Jato conseguiu acesso a vários dados de brasileiros na Receita Federal. A operação contava com um funcionário lá dentro que repassava informações de maneira informal, sorrateira, na surdina. É isso o que senhor chama de transparência, seu Sérgio?

Em outro trecho, a nota afirma: “A independência funcional dos membros do Ministério Público é uma garantia de que o serviço prestado se guiará pelo interesse público, livre da interferência de interesses diversos por mais influentes que sejam”. Bom, dizer que a Lava-Jato se guiou pelo interesse público é mais uma mentira.

A Vaza-Jato comprovou de maneira inequívoca que o então juiz e os procuradores atuaram em diversos momentos por motivações políticas. Como esquecer de quando os lavajatistas se mobilizaram para barrar a entrevista que Lula daria para a Folha? Ou quando Moro pediu para a Lava-Jato poupar FHC porque não queria melindrar um aliado político? Ou quando a Lava-Jato usou o Vem Pra Rua e Instituto Mude como lobistas para pressionar STF e governo? Ou quando Moro, em meio ao julgamento de Lula, sugeriu à Lava-Jato emitir uma nota contra a defesa, no que foi prontamente foi atendido.

Resumindo: em público, a Lava-Jato posava de operação em defesa do interesse público. No escurinho do Telegram, atuava com uma agenda eleitoral debaixo do braço, protegia aliados e buscava impedir a volta do PT ao poder. Eles chegaram até combinar orações para que isso não acontecesse:

Carol PGR11:22:08 Deltannn, meu amigo
Carol PGR11:22:33 toda solidariedade do mundo à você nesse episódio da Coger, estamos num trem desgovernado e não sei o que nos espera
Carol PGR11:22:44 a única certeza é que estaremos juntos
Carol PGR11:24:06 ando muito preocupada com uma possivel volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve
Deltan Dallagnol – 13:34:22 Valeu Carol!
13:34:27 – Reza sim
13:34:32 – Precisamos como país

Diante desse histórico de abusos, ilegalidades e perseguição política, como ficar tranquilo sabendo que os dados de milhares de brasileiros estão nas mãos dessa gente inescrupulosa?

A grande imprensa, que ainda em boa parte veste a camisa lavajatista, cumpre seu papel de assessoria e faz cara feia para Augusto Aras. Nós conhecemos os motivos pouco nobres pelos quais Aras foi escolhido por Bolsonaro. Mas isso não significa que ele necessariamente esteja errado, mesmo que esteja agindo por motivação política. Até aqui, está agindo corretamente, dentro da lei, tomando ações que lhe cabem como um superior dos procuradores da Lava-Jato.

Praticamente todo o time de comentaristas da Globo tenta emplacar a ideia de que a Lava-Jato cometeu pequenos erros e que suas conquistas no campo do combate à corrupção são muito maiores. Balela. Quem combate a corrupção de um grupo político e protege a de outro não está combatendo a corrupção. Está fazendo política e corrompendo as leis. Como bem disse a procuradora lavajatista Monique Cheker, as ilegalidades de Moro – e eu acrescento as da força-tarefa também – só eram toleradas pelos resultados alcançados.

As relações da Lava-Jato com o FBI, feitas também em boa parte de maneira clandestina, vão além da esfera operacional. É uma relação afetiva com os métodos clandestinos sacramentados por Hoover. A inspiração é clara. E a coisa aqui tem potencial para virar coisa muito pior. A Lava-Jato hoje tem pretensões eleitorais e uma sede de poder insaciável.

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Em depoimento, Flávio Bolsonaro diz que Queiroz estaria no Senado se “nada de anormal tivesse acontecido”

3 de agosto de 2020

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) deixa o anexo I do Senado Federal após prestar depoimentos para procuradores do MPF em seu gabinete. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress.

Em depoimento no procedimento que apura vazamento da Operação Furna da Onça, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) afirma que Fabrício Queiroz “sempre foi pessoa de sua confiança”

Via Sputnik News em 1º/8/2020

O parlamentar revelou ainda que, se nada de “anormal tivesse ocorrido”, Queiroz estaria trabalhando atualmente no gabinete de Flávio no Senado.

O senador prestou depoimento ao MPF como parte de investigação que apura se a demissão de Fabrício Queiroz, em outubro de 2018, foi motivada por vazamento da operação Furna da Onça.

“A expectativa era que ele [Queiroz] viesse comigo mesmo, sempre foi uma pessoa da minha confiança”, disse Flávio, segundo publicado pelo jornal O Globo. O depoimento foi realizado em 20 de julho, mas o trecho só foi revelado no sábado [1º/8].

“Se não tivesse acontecido nada de anormal,
como aconteceu, ele provavelmente estaria aqui [Senado]
comigo hoje”, acrescentou o senador.

Deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2018, a operação teve como objetivo investigar esquema de corrupção envolvendo deputados estaduais do Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro não era um dos alvos, mas relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), revelado em dezembro, apontou uma movimentação financeira atípica de R$1,2 milhão de Queiroz no então gabinete do filho do presidente.

Paulo Marinho relatou vazamento em maio
A suspeita é de que o antigo assessor de Flávio comandava um esquema de corrupção, conhecido como rachadinha, no gabinete do político, caso que está sendo investigado pelo Ministério Público.

Em maio de 2020, o empresário Paulo Marinho, um dos principais coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro à presidência e atualmente rompido com o mandatário, disse que Flávio foi avisado antecipadamente sobre a operação Furna de Onça, e por isso teria demitido Queiroz. O senador nega as acusações.

Flávio admitiu, porém, que após o surgimento das suspeitas sobre o esquema de corrupção em seu gabinete não havia mais condição de Queiroz trabalhar com ele.

A pedido de Queiroz
“As coisas foram acontecendo nesse cronograma e explodiu essa situação dele em dezembro, dia 6 de dezembro, obviamente que não tinha mais clima dele ir trabalhar comigo”, afirmou o senador.

Flávio, no entanto, disse que a demissão do ex-assessor ocorreu a pedido de Queiroz e por questões de saúde.

“Quando ele [Queiroz] pediu para sair ele me falou duas coisas: chefe, tenho que fazer meu processo de passagem para a reserva da PM… Aí ele reclamou comigo que tava saindo sangue nas fezes dele”, disse Flávio, mencionando o câncer de Queiroz.

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