Bastidores da delação: Acordo dos donos da JBS envolveu multa alta e nada de cadeia

23 de maio de 2017

Janot e Fachin tiveram ao menos quaro encontros até abertura de inquérito contra Temer.

Via Portal UOL em 22/5/2017

Há cerca de dois meses o empresário Joesley Batista entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) quatro áudios. De acordo com os procuradores, no arquivo estavam a conversa com o presidente Michel Temer, um diálogo com o senador afastado Aécio Neves (PSDB/MG) e dois encontros com o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB/PR), apontado como interlocutor de Temer.

Procuradores que participaram da negociação de delação da J&F dizem ter avisado a Joesley que, a partir daquele momento, nada mais poderia ser feito sem a participação do Ministério Público.

No acordo, definiram que seriam realizadas ações controladas a fim de tentar comprovar o cometimento de crimes. Entre estas ações, novas gravações. As captações ambientais foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, segundo os investigadores.

“Não é ilegal (fazer uma gravação), mas a partir do momento em que isso é comunicado à PGR e o crime está em andamento, é preciso fazer de acordo com os termos da lei”, afirmou um investigador que participou das negociações, em caráter reservado.

Fachin e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tiveram ao menos quatro encontros na fase final do acordo dos irmãos da JBS, segundo a agenda oficial do magistrado. Um deles, no dia 2 de maio, quando o ministro autorizou a abertura de inquérito contra o presidente da República. A autorização foi mantida em sigilo.

Para investigadores, a parte mais grave dos relatos envolvendo o presidente é a indicação de Rocha Loures como seu interlocutor e, posteriormente, o recebimento de dinheiro pelo deputado em troca de influência em áreas do governo.

O pedido de abertura de investigação de Temer foi encaminhado pela PGR quase um mês antes da assinatura dos acordos de delação, procedimento incomum na Lava-Jato. A razão para isso era o fato de que havia a suspeita de que crimes estivessem ainda acontecendo. Por isso, justificam procuradores, a rapidez com que todo o procedimento foi feito no caso JBS.

Joesley e Wesley Batista e o diretor da J&F Ricardo Saud assinaram o pré-acordo de delação em 7 de abril com a PGR. O acordo final foi assinado em 3 de maio e homologado por Fachin no dia 11.

Acordo
As multas individuais estabelecidas no acordo são de R$110 milhões para Joesley Batista e mais R$110 milhões para o irmão, Wesley. Saud irá pagar R$2 milhões. Agora, a empresa precisa fechar seu acordo de leniência com o Ministério Público Federal, que tenta cobrar R$11 bilhões da J&F pelos crimes cometidos.

Investigadores consideram alta a multa individual estabelecida aos irmãos JBS, comparando com o que foi estabelecido para Marcelo Odebrecht, por exemplo. Os termos do acordo do herdeiro do grupo Odebrecht permanecem em sigilo, mas fontes com acesso ao caso apontam que a multa paga por Marcelo é de R$70 milhões. A Odebrecht e a Braskem negociaram, na leniência, pagar R$6,8 bilhões.

De acordo com procuradores envolvidos no caso, em termos de efetividade de provas, a delação da JBS é a mais contundente da Lava-Jato. Lembram que no caso da Odebrecht, por exemplo, a empresa tentou o quanto conseguiu obstruir as investigações e entregou apenas fatos passados.

Por isso e pelo fato de os executivos da JBS concordarem em participar de ações controladas – consideradas de alto risco, pois fatos criminosos são gravados –, os delatores recebem uma pena mais branda. Eles não precisarão ficar na cadeia e a PGR abriu mão de denunciá-los à Justiça.

Refúgio
Em razão do risco e dos personagens envolvidos – a alta cúpula política do País –, os delatores podem permanecer no exterior. Joesley e Saud estão nos Estados Unidos. Durante as negociações, o diretor era o que demonstrava estar mais preocupado com riscos à sua segurança pessoal.

Apenas sete pessoas do grupo, entre elas os dois irmãos, participaram da delação. Número baixo, se comparado aos 77 delatores da Odebrecht. Mas os delatores da JBS devem entregar, pelos termos do acordo, em até 120 dias, uma lista de conselheiros, empregados e prepostos que também possam colaborar com as investigações do Ministério Público Federal.

A forma de organização da empresa, no entanto, é diferente da Odebrecht. Nos depoimentos à PGR, Joesley relata que tinha por hábito resolver, ele mesmo, questões da empresa.

Para investigadores, a JBS mostrou ter uma cultura de empresa mais concentrada no chefe, enquanto a Odebrecht profissionalizou em um setor o pagamento de propinas – o Setor de Operações Estruturadas.

Ouça a íntegra da conversa de Joesley com Michel Temer

Temer mentiu na entrevista à Folha sobre encontro com Joesley fora da agenda

23 de maio de 2017

Via Brasil 247 em 22/5/2017

Michel Temer, flagrado pela Polícia Federal cometendo vários crimes, também mentiu na entrevista publicada pela Folha nesta segunda-feira (saiba mais aqui).

Ele disse que recebeu o empresário Joesley Batista no subsolo do Palácio do Jaburu, de fim da noite de 7 de março, porque imaginava que ele viesse falar sobre a Operação Carne Fraca – e não sobre as ações penais em que é réu.

Ocorre que a Carne Fraca só aconteceu dez dias depois do encontro entre Temer e Joesley, no dia 17 de março.

Cada vez mais isolado, Temer pode cair momento, embora tenha dito que não irá renunciar. Seus últimos aliados, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, já falam em renúncia (leia aqui).

Quem descobriu a mentira de Temer foi o jornalista Eduardo Bresciani. Abaixo, sua reportagem:

BRASÍLIA – O presidente da República, Michel Temer, afirmou que o motivo para ter recebido o empresário Joesley Batista, da JBS, na calada da noite no Palácio do Jaburu no dia 7 de março foi a Operação Carne Fraca, mas tal investigação só foi deflagrada dez dias depois, no dia 17 de março. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente justificou a operação que abalou o setor de carnes como motivo para o encontro.

“Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quanto tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da Carne Fraca. Eu disse: “Venha quando for possível, eu atendo todo mundo”, disse Temer na entrevista.

O encontro de Temer por Joesley ocorreu no dia 7 de março, como confirmado por ambos, e é possível ouvir no áudio pela programação da rádio CBN, que o empresário ouvia em seu carro quando entrou no Palácio do Jaburu.

A Operação Carne Fraca, porém, só foi deflagrada dez dias depois. O governo disse, na ocasião, ter sido pego de surpresa com a investigação, que mostrou fiscais agropecuários cobrando propina de empresas do setor e levantou dúvidas sobre a qualidade da carne brasileira. Um funcionário da JBS foi citado naquela Operação.

Temer afirmou ainda na entrevista não saber do fato de que Joesley era investigado. Dias antes do encontro, porém, teve amplo destaque no noticiário o fato de o Ministério Público ter pedido o bloqueio de bens do empresário em uma das investigações. Joesley já era alvo das operações Sépsis, Greenfield e Cui Bono? quando foi recebido por Temer e lhe revelou qual a estratégia que vinha desenvolvendo para se livrar das investigações.

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PEGO NA MENTIRA, TEMER DIZ QUE SE ENGANOU
Via Brasil 247 em 22/5/2017

A assessoria de Michel Temer disse que o peemedebista se enganou ao afirmar que o motivo para ter recebido o empresário Joesley Batista, da JBS, na calada da noite no Palácio do Jaburu no dia 7 de março foi a Operação Carne Fraca, sendo que a investigação só foi deflagrada 10 dias depois, em 17 de março.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente justificou a operação que abalou o setor de carnes como motivo para o encontro. Segundo a assessoria da Presidência, Temer se enganou na resposta.

“Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quanto tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da Carne Fraca. Eu disse: “Venha quando for possível, eu atendo todo mundo”, disse Temer na entrevista à Folha.

O encontro de Temer por Joesley ocorreu no dia 7 de março, como confirmado por ambos, e é possível ouvir no áudio pela programação da rádio CBN, que o empresário ouvia em seu carro quando entrou no Palácio do Jaburu.

Até a força-tarefa da Lava-Jato atesta que Temer e Aécio são criminosos

22 de maio de 2017

Via Brasil 247 em 22/5/2017

A força-tarefa da Lava-Jato, composta por procuradores como Deltan Dellagnol e Carlos Fernando Lima, considera que Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves são criminosos.

É o que aponta nota do grupo, divulgada na segunda-feira, dia 22/5.

“Os últimos acontecimentos, aliás, levam a força-tarefa da Lava-Jato a manifestar seu estarrecimento diante da gravidade dos crimes que se tornaram públicos. De fato, recentemente, vieram à tona evidências de crimes atuais praticados pelo presidente da República e por senador então presidente de um dos maiores partidos políticos”, dizem os procuradores.

“Depois de três anos do início das investigações, vê-se que líderes políticos continuam a tramar no escuro a sua anistia, a colocação de amarras nas investigações e a cooptação de agentes públicos, ao mesmo tempo em que ficam livres para desviar o dinheiro dos brasileiros em tempos de crise, utilizando como escudo sua imunidade contra prisão e o foro privilegiado”, prosseguem.

“Tanto os fatos que são objeto da denúncia apresentada nesta data, como os novos fatos que se tornaram públicos na última semana, são manifestações de um mesmo problema, o apodrecimento do sistema político-partidário. A força-tarefa da Lava-Jato se coloca ao lado dos milhões de brasileiros indignados com essas práticas e que farão de tudo, debaixo da Constituição e da Lei, para enfrentar a corrupção”.

Críticos da Lava-Jato, no entanto, apontam que operação foi crucial para que Temer e Aécio assaltassem o poder, por meio de um golpe parlamentar que afastou uma presidente honesta.

Para Aécio e Temer, a política é credencial para o crime

22 de maio de 2017

Jeferson Miola em 19/5/2017

É preciso assinalar a dimensão dos graves crimes praticados por Aécio Neves e Michel Temer. Com as práticas descobertas, fica patente que os principais sócios do golpe usavam a política como credencial para o cometimento continuado de crimes contra o patrimônio público e a sociedade.

Os ilícitos do Temer abrangem o período eleitoral de 2014, quando a conspiração já estava concebida e ele coordenou com Eduardo Cunha o recolhimento de quase R$28 milhões em propinas da JBS para comprar 140 deputados que elegeriam Cunha à presidência da Câmara para armar a fraude do impeachment. Neste caso, está claramente tipificado o crime de conspiração contra a ordem política e o Estado de Direito.

Mesmo no exercício da presidência do país, Temer manteve-se pessoalmente ocupado com o esquema de corrupção e continuou arrecadando – pessoalmente – propinas para financiar a organização criminosa, inclusive pagamentos para acalmar Cunha na prisão.

Como vice-presidente, negociava propinas em jantares com empreiteiros no Palácio Jaburu, a residência oficial. Como presidente, acertou uma mesada semanal de R$500 mil [R$2 milhões mensais por 20 anos] que seria dividida entre ele e o deputado Rodrigo Rocha Loures [PMDB/PR].

Sendo formalmente a maior autoridade do país, foi cúmplice e prevaricou ante os crimes relatados a ele pelo empresário Joesley Batista.

A ficha corrida do Aécio Neves, presidente do PSDB, não fica atrás. Comparado com Aécio, muito criminoso profissional deve se sentir aprendiz do crime. Mesmo descontando os crimes dele que Moro e os procuradores de Curitiba sempre esconderam e nunca investigaram, o que foi revelado na delação dos donos da JBS é, em si mesmo, estarrecedor.

O senador tucano, além de cometer o crime de conspiração para derrubar a presidente Dilma, é investigado por uma cesta de outros crimes: aparelhamento da PF para melar investigações, legalização do caixa 2, sabotagem da Lava-Jato, corrupção, improbidade administrativa, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, formação de cartel, evasão de divisas e formação de quadrilha.

O monitoramento da propina da JBS a Aécio, transportada pelo seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, é instigante: o destinatário foi o secretário do senador Zezé Perrella, proprietário do helicóptero apreendido com 450 kg de pasta base de cocaína cuja investigação foi abafada e retirada do noticiário.

É fundamental, em vista disso, que as investigações afastem a possibilidade de que o dinheiro de corrupção do senador do PSDB possa ter conexão com o narcotráfico e com o crime organizado. A este respeito, há tempos o noticiário especula se o aeroporto reformado com dinheiro público em terreno de propriedade da família de Aécio na cidade mineira de Cláudio é parte da logística do tráfico internacional de drogas.

Infelizmente é lugar comum pessoas programarem o ingresso na política para fazer negócio ou para enriquecerem. Apesar desta conhecida realidade, é impossível não se escandalizar com os esquemas mafiosos revelados nos pormenores.

É vergonhoso o que a oligarquia brasileira fez. Derrubaram a presidente Dilma com uma fraude, tomaram de assalto o poder e entregaram o governo a bandos criminosos.

Em menos de 12 meses, destroçaram o Brasil e comprometeram o futuro do país pelas próximas décadas. Este crime das classes dominantes ficará gravado para sempre como uma das páginas mais deploráveis da história do Brasil.

No dia da ligação de Aécio, Gilmar suspendeu o depoimento do senador sobre Furnas

22 de maio de 2017

Via Brasil 247 em 20/5/2017

“Meus adversários não resistem à uma busca no Google”. A frase de Dilma Rousseff, mais de uma vez, mostra-se certeira. A interceptação das ligações telefônicas entre Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e o senador Aécio Neves (PSDB/MG) revela a ação do ministro para adiar o julgamento de um inquérito sobre corrupção na central elétrica de Furnas, em Minas Gerais.

A ligação interceptada pela Polícia Federal foi realizada em 26 de abril de 2017. No telefonema, Aécio liga para Mendes para obter apoio do senador Flexa Ribeiro, um dos outros dois membros da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para votar o projeto de lei contra abuso de autoridade por parte do Poder Judiciário e do Ministério Público. A ideia dos congressistas é a de aplacar a fúria dos procuradores da Operação Lava-Jato.

No entanto, além da combinação de votos no Senado, a ligação telefônica desencadeou outra ação de Mendes em favor de Aécio. No mesmo dia 26 de abril de 2017, o ministro do STF cancelou o depoimento de Aécio sobre seu envolvimento nos casos de corrupção em Furnas. Em delação premiada, o doleiro Alberto Youssef comentou que “Aécio dividia uma diretoria de Furnas com o PP e recebia pagamentos mensais da estatal por meio da sua irmã Andreia Neves”.

Relator do inquérito no STF, Mendes também permitiu que Aécio tivesse acesso a depoimentos já prestados no caso. Para Mendes, a diligência policial já estava concluída, por isso os envolvidos poderiam ter acesso aos autos do processo. O argumento de Mendes contrariava as recomendações da Polícia Federal, que ainda fazia investigações no caso.

Leia também:
PF mostra áudio de ligações de Aécio para Gilmar Mendes e Daiello


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