Dória estuda forma de cobrar os blocos de rua do Carnaval de São Paulo

23 de janeiro de 2017

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Via Jornal GGN em 21/1/2017

A gestão de João Dória Jr. (PSDB) na prefeitura de São Paulo estuda cobrar dos bloquinhos que organizam carnaval de rua na região de Pinheiros e Centro uma “contrapartida” pelos eventos a partir de 2018. Segundo o titular da subprefeitura da Sé, o volume de blocos cresceu de um ano para outro e o de patrocinadores, também. Moradores teriam reclamado da sujeira provocada pelas festividades e a Prefeitura não acha justo que apenas a administração municipal lide com os custos da limpeza e organização.

PREFEITURA DE SÃO PAULO ESTUDA COMO “COBRAR” OS BLOCOS DE RUA
Via Estadão

Os prefeitos regionais da Sé e de Pinheiros, região central e zona oeste, respectivamente, estudam formas de pedir contrapartidas a blocos de carnaval e patrocinadores em 2018. Neste ano, dos 495 grupos cadastrados, mais da metade vai desfilar nessas regiões.

Na região da Sé, o número de blocos passou de 70 no ano passado para 163. Eduardo Edloak, prefeito regional da Sé, disse estudar já para o próximo ano uma mudança para que o “ônus do evento” – com a logística e apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), limpeza, fiscalização de vendedores irregulares e segurança com a Guarda Municipal – não seja apenas da Prefeitura.

“Para o próximo ano, devemos fazer portarias que exijam um pouco mais de organização e estrutura. Principalmente, contrapartida de patrocinadores, que são cada vez maiores, e devem compensar esse tipo de despesa”, disse Edloak.

Para este ano, a prefeitura regional já restringiu a concentração ou dispersão de blocos na Praça Roosevelt. “Foi impressionante como os moradores se organizaram e relataram danos e a sujeira causados pela multidão. Por isso, decidimos por restringir”, disse. No ano passado, ao menos cinco blocos fizeram a concentração na praça.

O desfile de blocos na Rua da Consolação ainda é estudado, especialmente aos domingos quando a Avenida Paulista é fechada aos carros. O único bloco que deve circular na via é o Acadêmicos do Baixo Augusta – que vai manter o mesmo trajeto do ano passado –, um dos maiores do carnaval de São Paulo e que espera reunir 300 mil foliões neste ano.

Alê Youssef, um dos fundadores do Acadêmicos, disse que o diálogo para ajustes no carnaval de rua de São Paulo é importante desde que sejam promovidos pelo viés cultural e sem alterar a estrutura atual. “Nosso principal desafio agora é evitar que aventureiros tentem de alguma forma privatizar o carnaval de rua. É muito importante que ele se mantenha assim livre, democrático e descentralizado. Porque essa não é a decisão de um partido ou um político, mas uma conquista da sociedade que há anos vem batalhando pelo carnaval”, disse.

O tema do Acadêmicos neste ano será “Primeiramente… a cidade é nossa”, uma referência à ocupação dos espaços de São Paulo. “Somos um bloco ativista e aproveitamos o carnaval para fazer uma reflexão ou crítica”, disse Youssef. Durante o desfile, serão feitas intervenções artísticas – segundo um dos integrantes, uma delas será um grafite em um dos prédios da Consolação – e a presença de artistas como Fafá de Belém, Tulipa Ruiz e Tiê.

Novo. Um dos novos blocos a desfilar no centro de São Paulo é o Pagu. Idealizado e fundado pela cineasta Mariana Bastos, de 34 anos, e a produtora de cinema Thereza Menezes, de 31 anos, o bloco surgiu com o objetivo de empoderar as mulheres. “O carnaval é um dos momentos em que as mulheres mais sofrem assédio e violência. São objetificadas na festa e nós queríamos mudar essa participação”.

Desde novembro do ano passado, elas estão ensaiando e montaram uma bateria formada apenas por mulheres e repertório composto só por músicas de cantoras. “Excluímos marchinhas machistas, que são muitas. Vamos cantar Elza Soares, Clara Nunes”, disse Mariana.

Pinheiros. Na região de Pinheiros, onde o número de blocos passou de 78 para 111 neste ano, algumas contrapartidas já estão sendo negociadas com os organizadores. De acordo com Paulo Mathias de Tarso, prefeito regional, há uma negociação para que os blocos limpem a sujeira que seus foliões deixarem após o cortejo.

“É uma contrapartida voluntária e a maioria teve boa vontade em aderir. Para o próximo ano, vamos ter que colocar mais compromissos para os blocos, mas tudo será discutido com eles”, disse Tarso.

Outra alteração na região é que a saída dos blocos deve ocorrer no máximo às 15h – no ano passado, era até as 17h. A dispersão deve ocorrer até as 20h, como já ocorria antes. Também aumentou o número de vias restritas, incluindo as avenidas Rebouças e Brasil, além da Alameda Santos e da Rua Groenlândia. Os blocos podem apenas cruzar essas vias.

Dos 111 blocos, cinco desistiram de desfilar na região. Segundo Tarso, dois deles porque esperavam fazer o cortejo em avenidas maiores, como a Rebouças. “Eram megablocos de Salvador que se inscreveram pela primeira vez e queriam usar a Rebouças, mas dissemos não, porque não há condições de o bairro acomodar de forma segura e confortável”.

Questionada sobre as contrapartidas, a Secretaria de Cultura disse que “não há nada a adiantar” sobre o próximo ano.

Dória prefere se fantasiar de cadeirante a fazer rampas e ônibus adaptados

23 de janeiro de 2017

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Pedro Zambarda de Araujo, via DCM em 22/1/2016

O prefeito de São Paulo João Dória Jr. já se vestiu de gari, pedreiro, ciclista e jardineiro. Apesar da legião de antipetistas que o ovacionam, o autor do projeto “Cidade Linda” contra os pichadores rompeu os últimos limites da decência no domingo, dia 22/1.

Numa ação na Vila Maria, zona norte, ele achou que seria uma boa ideia utilizar uma cadeira de rodas para “sentir na pele a dificuldade que enfrenta a população cadeirante”.

Não fez isso sozinho. O vice Bruno Covas o acompanhou. A ação foi para lançar o programa “Calçada Nova”, inspirado em uma iniciativa similar de Mário Covas quando prefeito.

Para além da fixação de Dória com o suposto legado de Covas, a ação parece não levar em conta que o prefeito não teve a mínima empatia com quem de fato não consegue se locomover com as pernas.

Ele pode querer muito “sentir na pele” o que a população sente, mas continua sendo um homem rico que mora nos Jardins, anda de carro importado e nada.

O post foi publicado no Facebook pessoal de João Dória Jr. e não na conta oficial da Prefeitura. Teve mais de 70 mil reações, 7,8 mil comentários e quase 1 milhão de visualizações até o momento em que escrevo.

Quem cuida das contas da rede social de Dória valoriza obviamente os comentários de puxa-sacos, mas há inúmeras críticas.

“Dória é o prefeito da cidade mais rica, mas tudo o que importa pra ele é a imagem. Isso é capacitismo [deficiência das pessoas] usado pra promoção da imagem política. Quer militar pró-deficientes? Constrói rampas, bota mais ônibus adaptado nas ruas. Mas o que esperar do prefeito que quer deixar a cidade mais linda apagando a arte dos nossos muros e pintando tudo de cinza, não é mesmo?”, escreveu Ana [Cadeirante Hipócrita], estudante e cadeirante, no Twitter.

Os paulistanos ganhariam mais se Dória trabalhasse. No entanto, ele prefere brincar de gari, pedreiro etc.

Andar de cadeiras de rodas para ser fotografado pelos amigos é um passo adiante em nome de um populismo rasteiro. A grande imprensa divulga acriticamente seus factoides, contribuindo para inflar toda e qualquer ação do marqueteiro.

A ex-ministra Katia Abreu apontou que ainda lhe faltava a roupa de palhaço. Ele nunca a tirou, na verdade. Está embaixo da fantasia de prefeito.

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Aeronáutica impediu primeiras tentativas de resgatar avião com Teori

23 de janeiro de 2017

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Lido no Jornal GGN em 22/1/2017

O jornalista André Barcinski, da editoria de Cultura da Folha, relata em seu blog os bastidores do acidente aéreo que vitimou o ministro Teori Zavascki e mais quatro pessoas, com detalhes sobre a tentativa de resgate feita pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil de Paraty (RJ). Segundo o repórter, com ajuda de moradores locais, os bombeiros tentaram erguer a aeronave de pequeno porte para salvar a vida de uma das mulheres que estavam a bordo. Após 40 minutos do acidente, ela ainda gritava por ajuda, mas não resistiu.

Segundo Barcinski, uma segunda tentativa de tirar o avião da água foi frustrada por ordem da aeronáutica, que avisou que ninguém deveria tocar nos destroços até a chegada da perícia. “[…] a aeronave foi novamente colocada no local em que caiu. O pescador tinha provas: um vídeo feito com o celular.”

Outro relato curioso feito por um morador dá conta de que o avião teria “soltado uma fumaça branca da asa esquerda antes de perder o controle, fazer uma acentuada curva para a direita, e cair no mar.”

Na sexta-feira, dia 20/1, um dia após o acidente, a aeronáutica chegou a explicar ao vivo, em emissoras de TV, que qual seria o método de resgate da aeronave da água. Ele disse que o procedimento não seria difícil, apenas muito lento porque era necessário evitar novos impactos com a água e mais danos ao equipamento. No mesmo dia, porém, as autoridades informaram que desistiram de retirar o avião do mar.

TRAGÉDIA NO MAR DE PARATY: OS BASTIDORES DO ACIDENTE DE TEORI ZAVASCKI
Via Blog do Barcinski
Às 13h50 da tarde de quinta-feira, dia 19/1, quando o avião transportando o ministro Teori Zavascki e mais quatro pessoas caiu no mar próximo à cidade de Paraty, chovia torrencialmente.

Por volta de 15h, a chuva parou, e resolvi fazer um passeio de barco com a família. Fomos para uma praia a cerca de dois quilômetros da Ilha Rasa, local da tragédia. Quando retornamos, por volta de 17h, havia um monte de ligações e mensagens da Folha de S.Paulo no meu celular. O editor informou o ocorrido. Saí correndo de casa e fui ao local em um pequeno barco de pesca.

Nas proximidades da Ilha Rasa havia oito barcos da Marinha, Defesa Civil e Polícia Militar, além de quatro ou cinco barquinhos de pescadores e um barco maior, verde, que um pescador disse pertencer “a um dos mortos” (possivelmente o empresário Carlos Alberto Filgueiras). Dava para ver parte da fuselagem do avião para fora da água, suspensa por grandes tanques de plástico.

O clima era tenso. Tentei falar com dois ou três oficiais, mas todos disseram que não podiam comentar. Ninguém confirmava o número de mortos.

Sem me identificar como jornalista, parei meu barco junto a dois barquinhos de pescadores, ancorados ao lado do barco verde. Na popa deste barco, um mergulhador do Corpo de Bombeiros, usando sabonete e um balde, tentava tirar o querosene que lhe cobria o corpo e havia jorrado do avião.

Logo depois chegou um barco da Polícia Militar e parou junto a nós. Certamente sem imaginar que eu era jornalista, os ocupantes começaram a conversar sobre o acidente. Descobri que os mortos eram cinco (e não quatro, como diziam as primeiras informações) e que todos ainda estavam dentro do avião.

Entrevistei um pescador de 23 anos chamado Wallace. Ele relatou que um dos passageiros, uma mulher, estaria viva quando o socorro chegou: “Ela tava viva bem depois do acidente”. Achei a história pouco provável, até que ouvi um oficial dizendo para outro: “Dava pra ver a mulher pedindo socorro dentro do avião”. Perguntei ao oficial quanto tempo depois do acidente isso teria acontecido, e ele respondeu: “Pelo menos quarenta minutos”. A passageira, infelizmente, não conseguiu resistir e teria morrido afogada antes que pudesse ser retirada do avião.

Wallace contou que, cerca de duas horas depois do acidente [atenção: DUAS HORAS depois, quando já não havia possibilidade de sobreviventes, e bem depois dos primeiros socorros prestados por mergulhadores], dois barcos de pesca chegaram a içar metade do avião para fora da água. Segundo Wallace, uma ordem veio para que o avião não fosse tocado até que chegasse a perícia da Aeronáutica, e a aeronave foi novamente colocada no local em que caiu. O pescador tinha provas: um vídeo feito com o celular.

Saí do local do acidente por volta de 20h30. Passei no Corpo de Bombeiros de Paraty, onde não obtive nada além do protocolar “Não podemos dizer nada, por favor ligue para a assessoria de imprensa”. Depois fui para a portaria de uma marina na entrada da cidade, onde ficava o QG dos grupos de resgate. Saí de lá às 3 da manhã, depois que três corpos – incluindo o do ministro Teori Zavascki – foram levados de rabecão para o IML de Angra dos Reis. A informação era de que os trabalhos de resgate dos outros dois corpos começariam às 7 da manhã do dia seguinte.

Sexta-feira, dia 20
Às 6h30, o fotógrafo Ricardo Borges, da Folha, e eu já estávamos no mar, a cerca de 300 metros do local do acidente, esperando a equipe de resgate. Em um dia normal, àquela hora, a Baía de Paraty estaria cheia de barcos de pesca, mas naquela manhã estava vazia. Logo descobrimos a razão: barcos da Marinha expulsavam qualquer um que tentasse se aproximar. A área onde teríamos permissão para ficar era tão longe do local do acidente que seria impossível ver ou fotografar qualquer coisa.

Fui para o cais de Paraty procurar algum barqueiro que tivesse visto o acidente. Não foi difícil. Falei com Célio de Araújo, 50, um barqueiro conhecido por “Pelé” [“sou branco, mas jogava bola bem e me deram esse apelido”], que disse ter presenciado tudo. Segundo ele, o avião teria soltado uma fumaça branca da asa esquerda antes de perder o controle, fazer uma acentuada curva para a direita, e cair no mar. Foi Araújo que ligou para o Corpo de Bombeiros de Paraty avisando da queda do avião.

Trágico também foi o relato de Ademilson de Alcântara Mariano, 34, conhecido por Mino. Ele estava com um grupo de 20 turistas nas proximidades do local, quando recebeu um telefonema do cunhado, também barqueiro, avisando sobre o acidente. Mino contou o ocorrido aos turistas, que concordaram em ir ao local ajudar no que pudessem.

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O barqueiro Ademilson de Alcantara Mariano, o Mino, com o pé de cabra usado para tentar socorrer a passageira do avião.

Segundo Mino, eles chegaram à Ilha Rasa por volta de 14h, dez minutos depois do acidente. Junto com eles chegou uma lancha da Capitania dos Portos, mas nela não havia mergulhadores. Os homens da Capitania se limitaram a recolher os pedaços do avião que boiavam no mar, incluindo, segundo Mino, uma roda.

Ainda segundo Mino, barcos dos Bombeiros e da Defesa Civil chegaram ao local entre 14h25 e 14h30, ou seja, 35 a 40 minutos depois do acidente. Ninguém tinha dúvida de que todos os passageiros do avião estavam mortos: “O avião parecia uma folha de papel, todo rasgado e amassado. Era impossível alguém ter sobrevivido”. Foi aí que o barco da Defesa Civil se aproximou do avião, e um oficial viu uma mão batendo no vidro do avião. “Ele gritou: Rápido! Tem alguém vivo aqui!”.

Os Bombeiros e a Defesa Civil pediram ajuda a Mino para usar seu barco, uma traineira chamada Caribe, com capacidade de 25 pessoas, para levantar o avião. Um mergulhador dos bombeiros passou uma corda por baixo do avião e dois grupos de pessoas, cada um de um lado da proa do barco de Mino, puxaram o avião para cima. Conta Mino:

“Dava para ver a mão de alguém batendo no vidro. Depois ouvimos os gritos, era uma voz de mulher: ‘Pelo amor de Deus, me tira daqui, não aguento mais!’. Os Bombeiros e a Defesa Civil usaram uma marreta para tentar quebrar o vidro, mas não conseguiram, aquilo nem trincou. Aí um bombeiro pegou um pé de cabra no meu barco e conseguiu abrir um buraco pequeno na fuselagem, para passar um tubo de oxigênio. Assim que ele abriu o buraco, deu para ver um dedo saindo de dentro. Foi uma coisa terrível, um desespero. O bombeiro enfiou a mangueira de oxigênio pelo buraco e bateu no avião para ver se a mulher estava viva. Mas não ouvimos mais nada.”

A notícia divulgada na quinta-feira, dia 19/1, de que a mulher teria sobrevivido por 40 minutos depois do acidente, estava errada. Segundo Mino, somando o tempo que os Bombeiros e a Defesa Civil chegaram e o tempo que eles passaram tentando abrir o buraco no avião, passaram-se cerca de 70 minutos.

A gangue de Temer no velório de Teori e o sorriso de Serra resumem a tragédia brasileira

23 de janeiro de 2017
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“Morreu, mesmo?”

Kiko Nogueira, via DCM em 22/1/2017

“Às vezes, quase sempre, em política e judiciário,
o criminoso está presente no velório”.
Teori Albino Zavascki

José Serra dando risada e a gangue de Temer reunida em torno do caixão no velório de Teori Zavascki.

Poucas imagens são tão emblemáticas da tragédia brasileira quanto essas.

Serra, citado na Lava-Jato como destinatário de R$23 milhões que teriam sido pagos por meio de caixa dois em contas no exterior, tenta influenciar a escolha do novo ministro do STF.

Temer aparece mais de 40 vezes em delação da Odebrecht. Os acordos fechados com o MPF atingiriam em cheio a cúpula do PMDB.

Michel está achando que é uma espécie de cobra coral favorecida pelos deuses. Seus cúmplices se acercam do chefe, na expectativa de mais algum acidente pavoroso que os favoreça.

Segundo reportagem da Folha, a presidente do Supremo Carmen Lúcia não quis sair ao lado do presidente nos jornais (e de um sujeito como Eliseu Padilha, o sincero, que afirmou que o “ganhou tempo” com a morte de Teori).

Carmen pediu para ser fotografada apenas ao fim da cerimônia. A OAB defende que ela homologue todas as delações, como forma de honrar a memória do colega.

Recai sobre a turma de Michel uma suspeição. Eles sabem disso.

Independentemente se houve ou não a mão deles, são os grandes beneficiados – e não escondem em declarações e imagens.

Michel, covarde que foge de funerais, confirmou sua presença no de Teori de bate pronto porque sabia que estaria a salvo de qualquer coisa parecida com povo e porque queria passar, sutilmente, seu recado.

Nunca foram companhias toleráveis em quermesses. Em enterros, melhor fugir.

Fez certo Carmen em sair correndo. Infelizmente nós não temos como fazer o mesmo.

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Beleza interior.

***

A imagem abaixo viralizou nas redes sociais. Suzane von Richthofen no enterro/velório dos pais, assassinados por ela e comparsas. E “eles”.

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Janio de Freitas: As suspeitas de atentado e a certeza da insegurança jurídica

23 de janeiro de 2017

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Lido no Jornal GGN em 22/1/2017

A morte de Teori em um ápice da Operação Lava-Jato, não desejada por ele nesta forma, e as declarações contraditórias de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, de que a investigação não só não prejudica o mercado brasileiro, como “atrai investidores porque gera segurança jurídica” mostram o desastre que o país vive hoje. A manifestação é de Jânio de Freitas.

Para o colunista, “entre os possíveis méritos da Lava-Jato não há contribuição alguma para a segurança jurídica”. Também recorreu às suspeitas de que a morte do ministro do Supremo tenha sido um atentado, ainda que sem quaisquer provas. Nelas, autoridades como Janot tiveram posturas “arrasadoras”, a de presumir o assassinato com atentado político para atrasar a Lava-Jato – suspeita possível, mas sem qualquer confirmação.

LAVA-JATO QUE EXISTE NÃO É A DESEJADA POR TEORI
Janio de Freitas

As mortes, as incógnitas da Lava-Jato, a alteração perigosa na formação do Supremo –tudo isso em um só desastre, e a esta fase do Brasil ainda pareceu pouco. Com motivo justificado pelo próprio acúmulo do desastre, o pasmo foi depressa sucedido por suspeitas, apesar da ausência de indício imediato. Hoje em dia, suspeitas são o mais típico sentimento dos brasileiros.

As suspeições que se tornaram públicas foram acompanhadas de um curioso pormenor: com poucas exceções, foi evitada a palavra definidora do suposto atentado. Os pedidos de investigação criteriosa, especial, meticulosa, indispensável, e por aí, jorraram com rapidez, entre o exótico pudor vocabular e o impulso dado pelas circunstâncias.

Teori Zavascki era, sim, passível de sofrer um atentado. Embora o Brasil não tenha tradição em atentados políticos fora dos períodos ditatoriais, como a têm os Estados Unidos e alguns países latino-americanos.

Havia o risco e a consciência dele: além do seu recolhimento natural, o relator da Lava-Jato contava com proteção pessoal constante.

As possibilidades de atentado no avião seriam remotas e propensas a outras causas, como sugerem as condições do desastre sob chuva forte, visibilidade reduzida, sem copiloto, últimos dois quilômetros de voo. Ainda assim, só uma perícia competente dará a resposta.

Mas o acréscimo aos males do desastre não espera por ela. Aqui e fora. Lá, Rodrigo Janot e Henrique Meirelles, submetidos ao frio suíço, esquentaram suas declarações com dados interessantes.

O primeiro não só negou que a Lava-Jato afaste investidores, como sustentou que “é justamente o contrário. Atrai investidores porque gera segurança jurídica”.

Entre os possíveis méritos da Lava-Jato não há contribuição alguma para a segurança jurídica. Os “investidores” só vêm buscar o lucro fácil dos juros nas alturas e as pechinchas nas “liquidações” de empresas, de jazidas de petróleo e de partes da Petrobras.

Ao inverso do que Janot propaga, o escândalo que associou Lava-Jato e imprensa/TV fez do Brasil, ao olhar do mundo, o país da bandalheira. A mudança do tratamento ao Brasil é drástica, o que se pode confirmar a cada dia tanto na imprensa estrangeira como na internet.

Agora, com um acréscimo arrasador: a presunção de assassinato com atentado político. Como meio de atrasar ou desviar processos da Lava-Jato, a mesma que, segundo Janot, “traz segurança jurídica”.

Henrique Meirelles, por sua vez, disse lá que o crescimento econômico estará de volta já ao fim do primeiro trimestre, fim de março. O problema da segurança jurídica, vê-se, começa pela que falta às afirmações das chamadas autoridades brasileiras. Lá e cá.

Entre as louvações à memória de Teori Zavascki, a de Sérgio Moro teve a relevância de atribuir ao ministro a existência da Lava-Jato.

Mas a que existe não é, por certo, a Lava-Jato desejada por Teori Zavascki. Foram muitas as suas críticas aos “vazamentos” dirigidos.

Não escondeu suas irritações com vários procedimentos de Moro, sobretudo com a gravação e divulgação de conversa da então presidente Dilma com Lula, que o ministro trancou sob sigilo de justiça.

Na véspera do recesso judicial, Teori Zavascki fez a exceção de uma breve entrevista: criticou a Lava-Jato, aborrecido com o “vazamento” de delações da Odebrecht.

Para dar sentido ao que disse, Sérgio Moro precisaria corrigir o criticado por Teori Zavascki.

Seria então a Lava-Jato de quem, disse Moro, a fez existir. Mas talvez não fosse mais a Lava-Jato de Sérgio Moro.


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