Pega fogo, cabaré!: Bolsonaro diz que vai pedir auditoria nas contas do PSL

11 de outubro de 2019

Bolsonaro e Luciano Bivar, presidente do PSL.

Grupo de deputados aliados vai solicitar que contas da sigla sejam submetidas a verificação externa. Bivar ironiza e diz estar “feliz” com a preocupação do presidente.

Adriana Ferraz, via Estadão em 11/10/2019

Estimulado pelo presidente Jair Bolsonaro, um grupo de deputados do PSL vai pedir ao partido que promova uma auditoria de suas contas para avaliar como foram utilizados os recursos públicos recebidos por meio do Fundo Partidário. A medida tem como foco o presidente nacional da legenda, deputado federal Luciano Bivar (PE), com quem Bolsonaro trava um duelo nos últimos dias pelo controle do partido. “Vamos pedir uma auditoria nas contas do partido dos últimos cinco anos”, afirmou o presidente nesta quinta-feira, 10, em visita ao Estado.

Filiado ao PSL desde março de 2018, Bolsonaro escolheu a sigla para disputar as eleições com a expectativa de que pudesse também determinar os rumos da legenda. Mas, desde a vitória nas urnas, enfrenta dificuldades para fazer valer seus projetos internos. Na terça-feira passada, ele escancarou o conflito quando pediu a um militante do partido que esquecesse o PSL e afirmou que Bivar estava “queimado para caramba”.

A resposta foi imediata. Além de declarar que o presidente já havia decidido deixar o partido, Bivar ameaça retaliar o presidente por meio de seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL/SP). Presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o deputado pode ser destituído do cargo por decisão da liderança do partido, que tem a prerrogativa de indicar seus representantes nas comissões. Em outro lance, Bivar marcou uma convenção nacional extraordinária do partido para o dia 18 com o objetivo de reduzir a força de bolsonaristas na legenda.

Sobre as ameaças, Bolsonaro disse que o acusam de flertar com a ditadura, mas que o comando do partido é quem agiria dessa forma ao ameaçar deputados do seu grupo com a perda de cargos. Segundo o deputado Júnior Bozzella (PSL/SP), a liderança do PSL na Câmara assinou ontem a retirada de cargos comissionados, o desligamento de participação em comissões especiais e a vice-liderança de oito parlamentares do partido. Sobre Eduardo Bolsonaro e a deputada Bia Kicis (DF), que é vice-presidente da CCJ, Bozella disse que estão sob avaliação.

O presidente disse ainda que tem lido sobre o assunto na imprensa e nas redes sociais e que, caso a destituição de Eduardo seja confirmada, será “impublicável” o que ele pensa a respeito.

Receita
De 2014 a 2018, quando ainda era uma legenda nanica, o PSL recebeu R$29 milhões de recursos do Fundo Partidário – usado pelas legendas para gastos com salários de funcionários, viagens e aluguel de sede, entre outros. Inflada pelo bolsonarismo, a sigla se tornou uma superpotência neste ano e a estimativa é de que, ao todo, tenha R$110 milhões até dezembro.

Sobre eventual desfiliação do PSL, Bolsonaro deixou a possibilidade em aberto. Enquanto advogados tentam encontrar uma saída jurídica para que o presidente e seu grupo político deixem o partido, aliados acompanham de perto a criação de uma espécie de frente conservadora que pode resultar em novo partido.

Uma das preocupações de Bolsonaro é evitar a perda de mandato dos deputados que o acompanhem numa eventual mudança de legenda. A troca é vedada pela regra de fidelidade partidária, mas há exceções.

Entre elas, está a saída do parlamentar por justa causa. Segundo o ex-ministro do TSE Admar Gonzaga, que tem orientado Bolsonaro, uma das justificativas que os deputados poderiam usar para convencer a Corte Eleitoral seria a “falta de transparência com o uso da verba do partido”.

Questionado pelo Estado sobre a possibilidade de auditoria nas contas do PSL, Bivar disse estar “feliz” com a preocupação do presidente com a legenda. “Sim, nós vamos contratar tudo de auditoria que for possível, imaginável. Tudo, com certeza”, ironizou o dirigente, incluindo o período de Bolsonaro.

Ao comentar o crescimento do PSL, que hoje tem 53 deputados, Bolsonaro afirmou que a legenda só elegeu uma bancada grande no rastro de sua popularidade, mas que o PSL ainda não soube se aproveitar da nova estatura para se tornar grande e orgânico. O presidente chegou a comentar que muitos parlamentares não teriam condições de serem eleitos se não tivessem colado sua imagem à do então candidato do PSL à Presidência.

Reeleição
Bolsonaro também comentou sobre as eleições de 2022. Citando novamente a possibilidade de tentar a reeleição – e contando com uma segunda vitória –, brincou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai ficar com ele até 2026.

Mas também aproveitou para alfinetar dois de seus eventuais adversários em 2022, os governadores João Dória (PSDB) e Wilson Witzel (PSC). O presidente disse que ambos venceram as eleições em seus Estados após defenderem seu nome para presidente. Dória chegou a usar o bordão “BolsoDoria” na campanha, mas, neste ano, disse que nunca esteve alinhado com o hoje presidente.

Em tom de brincadeira, Bolsonaro afirmou ainda que espera que todos os candidatos em 2022 sejam “felizes”, colocando o ministro da Justiça, Sérgio Moro, nessa lista. “Torço para que seja verdade”, ironizou, completando que agora o ex-juiz já conhece o dia a dia da política em Brasília.

Leia também: Bolsonaro manda “esquecer” PSL para botar a mão em R$737 milhões de fundo partidário

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Após se humilhar para entrar na OCDE, Bolsonaro pede explicação a Trump sobre ausência do Brasil na entidade

11 de outubro de 2019

Donald Trump e Jair Bolsonaro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em 24/9/2019. Foto: Alan Santos/PR.

Mônica Bergamo em 11/10/2019

O governo brasileiro soube há um mês que os EUA enviaram uma carta à OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico) apoiando o ingresso apenas da Argentina e da Romênia na entidade. E procurou na época o governo norte-americano para ter explicações.

LISTA
A equipe de Jair Bolsonaro trabalhava até então com a possibilidade de os EUA formalizarem, ainda neste ano, apoio para a entrada dos países na seguinte ordem: Argentina e Romênia em 2019, Brasil em maio de 2020 e Peru em dezembro, e a Bulgária, em maio de 2021.

MALOTE
A OCDE, segundo integrante do governo, chegou a enviar uma carta aos EUA confirmando a ordem. Os norte-americanos responderam aprovando apenas Argentina e Romênia – e deixando o Brasil de lado.

BALANÇA
Ao buscar os EUA, a equipe de Bolsonaro ouviu que o problema não era com o Brasil e sim com uma expansão desenfreada de membros sem que a OCDE seja reformada. Os EUA se preocupam com o fortalecimento da União Europeia na entidade.

FAVAS CONTADAS
A informação da carta dos EUA à OCDE chegou também ao STF (Supremo Tribunal Federal), por meio de diplomatas estrangeiros.

[…]

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Bastidores da OCDE: Trump trai Bolsonaro para atingir seus objetivos

11 de outubro de 2019

Jair Bolsonaro e Donald Trump em coletiva de imprensa na Casa Branca. Foto: Reuters.

Na esperança de criar um impasse e evitar a expansão da OCDE, governo Trump trai promessa com o Brasil e entrega proposta que inclui apenas a adesão de Argentina e Romênia na entidade com sede em Paris.

Jamil Chade em 10/10/2019

GENEBRA – A decisão do governo dos EUA de não endossar um calendário para a entrada do Brasil na OCDE, revelada pela agência Bloomberg e confirmada pelo blog, escancara a dimensão de amadorismo do governo de Jair Bolsonaro.

Ajudamos Donald Trump a atacar seus inimigos, apresentamos propostas na ONU contra a Venezuela a pedido da Casa Branca, abandonamos uma posição histórica na OMC ao lado dos países emergentes e até escrevemos nossos discursos na Assembleia Geral das Nações Unidas usando as mesmas palavras. Acreditamos tanto na promessa que há quem diga que soltamos um “eu te amo” já no segundo encontro – um sinal arriscado em qualquer domínio das atividades humanas.

Em troca, seriamos os aliados preferenciais. E até promovidos para o clube dos países ricos, a OCDE. Isso foi o que Trump disse ao presidente brasileiro em março.

Mas nada disso ocorreu. Uma carta enviada pelo governo norte-americano para o secretário-geral da entidade, Angel Gurria, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, indicou que a Casa Branca prefere começar a expansão da OCDE apenas com Argentina e Romênia. E retirou qualquer referência que existia na proposta original da OCDE sobre um início do processo com o Brasil em 2020 e com a Bulgária em 2021.

Nos bastidores, os norte-americanos continuam dizendo aos brasileiros que a candidatura do País é apoiada por eles. Mas a realidade em Paris é diferente. Não há nem prazo e nem plano.

A carta é resultado de semanas de negociações. Depois de uma reunião desastrosa em julho, a OCDE não conseguiu definir como seria sua expansão e nem um cronograma de trabalho. Gurria buscava uma resposta e, depois de gestões em eventos internacionais, recebeu uma carta no final de agosto. Nela, Pompeo deixaria no texto apenas as referências aos argentinos e romenos.

Observadores acreditam que o problema não seja exatamente o Brasil. Mas sim a própria expansão da OCDE. A Casa Branca não quer essa ampliação e, de forma consciente, sugeriu na carta a entrada de apenas um europeu. Isso tudo sabendo que a UE não aceitaria a proposta.

Para Bruxelas, é fundamental que os dois países que fazem parte do bloco também estejam na OCDE. Portanto, além de Romênia, a Bulgária também deveria entrar ao mesmo tempo.

Resultado: o processo se estagnou e não há, por enquanto, qualquer tipo de solução.

Quem perde, por enquanto, é a gestão de Ernesto Araújo, fervorosos defensor de um alinhamento automático com os EUA.

Enquanto isso, na OMC, o Brasil abriu mão de ser tratado como país em desenvolvimento em futuros acordos. Isso já teve consequências. Um diplomata brasileiro que iria presidir as negociações sobre os subsídios à pesca teve seu nome vetado pela Índia. Motivo: a aproximação excessiva do Brasil aos EUA.

Resultado: fizemos o trabalho sujo ao longo dos meses para os norte-americanos. E, na hora de ir buscar o pagamento, fomos avisados que a retribuição fica para a próxima.

Se os norte-americanos continuam a dizer que apoiam o Brasil, deixaram claro na carta e na prática que, antes de tudo, querem que seus interesses sejam atendidos. Brasília pode esperar.

O erro: ter feito concessões antes do tempo, sem a prova da contrapartida.

Na Síria, sem os curdos, os norte-americanos jamais teriam derrotado o Estado Islâmico. Quando não precisaram mais dessa população, anunciaram que estavam retirando os soldados que os protegiam contra os turcos. Em poucos dias, mais de 60 mil curdos tiveram de abandonar suas casas diante dos ataques turcos.

Foram traídos.

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Maju no Jornal Hoje e o racismo cínico

11 de outubro de 2019

MAJU
Leandro Fortes em 10/10/2019

Sobre as críticas à nova apresentadora do Jornal Hoje, provavelmente eivadas desse racismo cínico e dissimulado, bem à brasileira, dou meu bom e velho conselho: não importa a cor dos apresentadores, PAREM DE VER ESSA MERDA.

Grato.

Bolsonaro manda “esquecer” PSL para botar a mão em R$737 milhões de fundo partidário

11 de outubro de 2019

Bolsonaro e Luciano Bivar, presidente do PSL.

PSL E BOLSONARO TRAVAM DISPUTA POR R$737 MILHÕES
Bernardo Mello Franco em 9/10/2019

Parece perto do fim o casamento de conveniência entre Jair Bolsonaro e o PSL. Ontem [8/10], o presidente torpedeou o dono do partido, Luciano Bivar, a quem chamou de “queimado”. Por trás das escaramuças, trava-se uma disputa pelo controle de R$737 milhões.

Este é o valor que a legenda deverá receber dos cofres públicos até 2022, segundo cálculos de Bruno Carazza, autor do livro Dinheiro, Eleições e Poder. A conta ainda pode engordar caso os parlamentares aprovem o sonhado aumento no fundo eleitoral.

Até o ano passado, o PSL passava despercebido na sopa de letrinhas da política brasileira. Vivia de migalhas do fundo partidário e do comércio de segundos na propaganda obrigatória. Com a eleição de Bolsonaro, a pequena sigla virou um grande negócio. Passou a receber mais dinheiro público que PT e PSDB.

O cartório milionário está nas mãos de Bivar, um dublê de empresário e cartola de futebol. Em 2006, ele concorreu ao Planalto e terminou em último lugar, atrás do folclórico Eymael. Doze anos depois, tirou a sorte grande ao alugar a legenda para Bolsonaro.

Na garupa do capitão, elegeu 52 deputados e quatro senadores, quase todos novatos. Foi um crescimento exponencial. Na eleição anterior, o PSL havia conquistado uma única cadeira na Câmara.

O presidente nunca se notabilizou pela fidelidade partidária. Começou no extinto PDC e perambulou por outras oito siglas, incluindo o PTB de Roberto Jefferson e diferentes encarnações do PP de Paulo Maluf. Em 2018, flertou com o Patriota do Cabo Daciolo antes de trocar alianças com Bivar.

Ao anunciar a filiação, Bolsonaro deixou claro que fazia um acordo de interesses. “Dificilmente ele sobreviveria à cláusula de barreira, e eu, sem partido, não seria candidato. Então estamos fazendo um casamento”, explicou.

Como acontece em muitas famílias, o aumento do patrimônio precipitou o desgaste da relação. Bolsonaro valorizou a casa, mas não conseguiu tomar a chave do cofre. Agora ele tentará negociar a partilha de bens antes de decidir se assina o divórcio.

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