Enquanto Bolsonaro cria crises, Consórcio Nordeste articula ações com a França

21 de novembro de 2019

Foto: Divulgação.

Na terça [19/11], o governador Rui Costa esteve na França representando o Consórcio. Teve três agendas de peso. Uma delas com o chanceler que Bolsonaro deixou esperando para ir cortar o cabelo.

Via Jornal GGN em 20/11/2019

O consórcio de governadores do Nordeste teve uma agenda na França que deixaria Jair Bolsonaro de boca aberta – isso, claro, se o presidente da República se preocupasse em manter boas relações com o País de Emmanuel Macron.

Em julho passado, Bolsonaro cancelou reunião em Brasília com o chanceler francês Jean-Yves Le Drian. Foi cortar cabelo e ainda expôs o vídeo na internet. O desdenho com que o ministro foi tratado pegou muito mal. Macron reclamou meses depois, enquanto trocava farpas com Bolsonaro por causa da Amazônia.

Enquanto Bolsonaro gera crises diplomáticas, o Consórcio Nordeste contorna a situação e busca recursos para a região por conta própria.

Na terça [19/11], o governador da Bahia Rui Costa esteve na França representando o Consórcio. Teve três agendas de peso.

Primeiro com a Agência de Desenvolvimento francesa, onde discutiu financiamento para projetos estruturantes no Nordeste, como abastecimento de água, recuperação de matas e rios e desenvolvimento da agricultura familiar.

A segunda rodada de discussões foi justamente com o ministro Le Drian. “Discutimos uma agenda de aproximação dos 9 estados do Nordeste brasileiro com várias ações da França”, envolvendo não só o poder público, mas empresas francesas também.

O terceiro encontro foi no Ministério de Transição Ecológica e Solidária. “Assinamos um protocolo de cooperação de cidades sustentáveis. Importante destacar que compartilhamos dos mesmos valores da França quanto à preservação do meio ambiente”, escreveu no Twitter.

Saindo da França, Rui Costa ainda desembarcará em Roma, para “apresentar oportunidades no Nordeste” aos empresários italianos na quarta [20/11].

A pedido de deputado bolsonarista, ditador Pinochet será homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo

21 de novembro de 2019

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, anunciou que pedirá ao presidente da Alesp o cancelamento do evento.

Jamil Chade em 20/11/2019

Monarquista e produtor rural, o deputado estadual Frederico d’Avila (PSL) organiza na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo uma sessão solene em homenagem ao ditador chileno Augusto Pinochet.

O dia escolhido: 10 de dezembro, data da morte do presidente. A data, porém, também marca o dia internacional dos direitos humanos, num evento que é celebrado a cada ano pela ONU e por centenas de entidades pelo mundo como um momento para relembrar as liberdades fundamentais.

Procurado pela coluna, o deputado explicou que “Pinochet conduziu seu governo de forma brilhante, impedindo que o cenário ditatorial e violador de direitos humanos cubano e soviético da época se instalasse no seio da sociedade chilena”. Num convite que já circula com a foto do ditador, o deputado convida a todos para o evento no Auditório Paulo Kobayashi, na Alesp.

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, anunciou que pedirá ao presidente da Alesp o cancelamento do evento, já que o ato é visto como uma apologia ao crime de lesa humanidade e contra a Constituição Federal.

Para o deputado, não faz sentido o pedido de cancelamento “Nunca vi nenhum instituto ou pessoa pedir o cancelamento de atos em homenagem a Marighella, Lamarca, Che Guevara, Fidel Castro, João Goulart e afins”, disse.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado indicou que “a visão comunista desses fatos nunca entenderá o bem que ele (Pinochet) fez àquele país e à América Latina”.

“Acabou a era de exaltar terroristas como se heróis fossem. O Presidente Augusto Pinochet, em 17 anos do seu governo, transformou o Chile na economia mais pujante da América Latina”, completou Frederico d’Avila.

Não será a primeira vez que o deputado estadual faz um gesto de apologia ao ditador, denunciado por crimes contra a humanidade e que liderou uma das ditaduras mais sangrentas do Cone Sul.

Em outubro, segundo os documentos da Alesp, ele participou de um debate em que citava o fato de que Pinochet teria levado o Chile a ser uma “potência”. Isso, claro, antes da eclosão dos protestos em Santiago.

Com as manifestações já em andamento, ele gravou um vídeo no dia 22 de outubro para avaliar a situação. Nas imagens, ele aparece diante de uma foto de Pinochet, Ronald Reagan e Margaret Thatcher.

D’Ávila, nas redes sociais, ataca a corrupção e, nos últimos dias, tem feito propaganda do novo partido da família Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil.

Ainda nas redes sociais, ele prolifera mensagens de apoio de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

No último dia 15, ele ainda tuitou: “Se o Brasil ainda fosse uma monarquia, corruptos travestidos de políticos dificilmente teriam espaço na nação. 15 de novembro: nada a comemorar”.

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DEPUTADO AUTOR DE HOMENAGEM A PINOCHET NA ASSEMBLEIA DE SP ATACOU MANUELA D’ÁVILA NUM RODA VIVA INFAME
Kiko Nogueira, via DCM em 20/11/2019

A Assembleia Legislativa de São Paulo abrigará no dia 10 de dezembro um “ato solene em memória do presidente Augusto P. Ugarte”.

O P. é de Pinochet.

Sim, ele mesmo. O ditador chileno, cujo currículo inclui 80 mil pessoas presas, 30 mil torturadas e mais de 3 mil assassinadas, será homenageado na casa.

O autor do projeto é um bolsonarista chamado Frederico d’Ávila, do PSL.

No site da Alesp, ele aparece como “produtor rural no sudoeste paulista, conselheiro e diretor da Sociedade Rural Brasileira e vice-presidente da Aprosoja/Nacional.”

“Outro destaque apresentado por Frederico é o PL 92/2019, que institui o Programa Cívico-Militar no ensino fundamental e médio da rede pública e privada”, lê-se.

Um dos coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro para o agronegócio, Frederico foi visto com vida pela última vez no ano passado, quando traiu Alckmin, de quem era assessor, e virou notícia.

“Eu voto em Jair Bolsonaro para presidente da República”, disse à Folha.

“Ele é a melhor pessoa para comandar um país à beira da falência econômica, política e moral. Um governo Bolsonaro coloca o Brasil nos eixos”.

Deu no que deu.

Esteve no infame Roda Viva com Manuela D’Ávila fazendo-lhe questionamentos confusos e agressivos em torno da ladainha terraplanista de que o fascismo é “de esquerda” etc. etc.

A direção da TV Cultura teve de se desculpar pelo imbecil.

Frederico tentou o Senado e a Câmara Federal, mas acabou enterrado como deputado estadual.

Vai saudar Pinochet porque, em primeiro lugar, quer agradar Bolsonaro e seu gado.

Em segundo, porque é um consumado idiota.

Bater palma para general que autorizou rede de pedofilia e ficou milionário com tráfico de drogas é parte do novo normal nacional.

REDES SOCIAIS

Moro divulgou a delação de Palocci após ser convidado para ministro de Bolsonaro?

21 de novembro de 2019

Via Jornal GGN em 20/11/2019

O jornalista Elio Gaspari usou sua coluna na Folha de S.Paulo, de quarta [20/11], para chamar atenção para as datas em que Sérgio Moro teria sido sondado por Paulo Guedes para ser ministro de Jair Bolsonaro.

Segundo o texto, o mais provável é que uma das sondagens tenha acontecido antes de Moro alimentar o noticiário com a delação de Antonio Palocci contra o PT, a poucos dias do segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad.

A delação de Palocci não foi aceita pela Lava-Jato em Curitiba. Nos autos de um processo, o próprio Moro sinalizou que não queria que os procuradores fechassem acordo com o ex-ministro da Casa Civil, porque ele não teria nada a acrescentar.

Mas às vésperas da eleição, Moro achou conveniente junto um trecho dos depoimentos de Palocci a um processo que não precisava dele.

Gaspari afirmou que Guedes confidenciou a Gustavo Bebianno, em 28 de outubro, dia do segundo turno, que já havia conversado com Moro umas “cinco ou seis vezes” àquela altura.

Ou seja, pelo menos uma dessas sondagens teria acontecido antes da delação ser divulgada à imprensa.

Eis o nível da relação de Moro com Bolsonaro.

Leia a coluna aqui.

PSL tira Eduardo Bolsonaro da CPI das Fake News e abre caminho para a convocação de Carluxo

21 de novembro de 2019

Via Brasil 247 em 20/11/2019

Em um racha interno, o PSL trocará todos os deputados federais que integram da CPMI das Fake News até o fim do ano. Serão substituídos os titulares Filipe Barros e Caroline de Toni, e os suplentes Eduardo Bolsonaro e Carlos Jordy. Todos pertencem à ala bolsonarista do partido. A informação é da coluna de Guilherme Amado. A medida deve mudar a correlação de forças da CPMI e, por consequência, abrir caminho para a convocação de Carlos Bolsonaro e de assessores de Jair Bolsonaro.

As fake news voltaram a ter mais repercussão junto ao noticiário nacional durante a eleição presidencial do ano passado, quando houve uma campanha ilegal contra o então presidenciável Fernando Haddad (PT) financiada por empresas e que teve como base a divulgação de fake-news (notícias falsas) no WhatsApp para prejudicá-lo. Conforme denunciou uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, cada contrato chegava a R$12 milhões e, entre as empresas compradoras, estava a Havan.

Com a provável troca de parlamentares do PSL na CPMI, o Delegado Waldir, ex-líder do partido na Câmara, deve ficar com uma das vagas. Inclusive uma ala pró-Luciano Bivar (PE), que preside o PSL em nível nacional, havia formalizado no mês passado um documento na Secretaria Geral da Mesa da Casa, para manter o parlamentar na liderança da legenda.

A relação entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro não é das melhores. Isso porque, na saída do Palácio da Alvadora, no começo de outubro, Bolsonaro disse a um apoiador para “esquecer” o PSL e argumentou que Bivar está “queimado pra caramba”.

O presidente nacional do PSL teria apoiado o repasse de R$400 mil em verbas do fundo partidário para uma candidata “laranja” em Pernambuco.

Assessor do PSL provoca manifestantes em ato em repúdio ao vandalismo racista de Coronel Tadeu

21 de novembro de 2019

Foto: Lula Marques.

Assessor do PSL tentou interromper ato contra o episódio racista promovido por deputado com gritos em defesa da Polícia Militar.

Via Revista Fórum em 20/11/2019

Um assessor do PSL provocou um grupo de manifestantes que realizou um ato na quarta-feira [20/11] dentro da Câmara dos Deputados contra o episódio racista promovido pelo deputado federal Coronel Tadeu (PSL/SP) na terça-feira, que arrancou um quadro que trazia dados sobre genocídio negro e uma charge do cartunista Carlos Latuff que mostra um policial que teria atirado em um jovem negro.

Em vídeo publicado pela deputada Sâmia Bonfim (PSOL/SP), um homem identificado como ligado à Liderança do PSL inicia um canto exaltando policias militares em forma de provocação logo após os presentes puxarem palavras de ordem sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.

Em resposta os manifestantes entoaram “Fora, milícia” e “Racistas, fascistas, não passarão”.

Durante o ato, foram coladas diversas charges de Latuff denunciando o ato no lugar em que o quadro foi quebrado. O cartunsita disse ter ficado emocionado: “Não me lembro em 29 anos de carreira sentir uma emoção tão grande. Obrigado. Muito obrigado”.

Coronel Tadeu
Nesta quarta, o PT abriu representação no Conselho de Ética contra Tadeu, que não se mostra arrependido. Ele afirmou que faria de novo o que fez e ainda justificou o extermínio da juventude negra dizendo que os negros morrem mais em confronto com a polícia porque são maioria dentro do tráfico de drogas.

Assista ao vídeo:

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COM CONCESSÃO À BANCADA DA BALA, CÂMARA REINSTALA PLACA RASGADA EM EXPOSIÇÃO
Camila Turtelli, via UOL em 20/11/2019

Após um acordo costurado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), com a bancada da bala e bancada negra, a placa arrancada e rasgada pelo deputado Coronel Tadeu (PSL/SP), de uma exposição sobre racismo na Câmara, foi recolocada em seu lugar.

A imagem foi remendada com pregos e um aviso foi exposto ao seu lado. “A bancada negra sabe que essa charge não representa toda a corporação e respeita os policiais que não corroboram para essas estatísticas e trabalham em prol do povo brasileiro”, diz o recado.

A placa traz uma charge do cartunista Carlos Latuff, em que aparece um policial, com uma arma fumegante na mão, e um rapaz negro estendido no chão, algemado e com a camisa do Brasil. No cartaz, lê-se a frase “o genocídio da população negra”.

O deputado Davi Miranda (PSOL/RJ) disse que era importante manter a placa original, remendada por pregos, para ficar registrado que houve o incidente. “Foi um reconhecimento da nossa resistência e do nosso direito de termos aqui essa placa”, complementou a deputada Benedita da Silva (PT/RJ).

O caso provocou polêmica na Câmara ontem e levou partidos de oposição a abrirem representação contra Coronel Tadeu no Conselho de Ética da Câmara e na Procuradoria Geral da República.

REDES SOCIAIS


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