Archive for the ‘Política’ Category

As duas frentes da Lava-Jato para sair das cordas

4 de julho de 2020

Deltan e Moro. Foto: Jorge Araújo/Folhapress.

Carlos Fernandes em 3/7/2020

O país amanheceu hoje [3/7] com uma cena raríssima de se ver.

A Polícia Federal, com um atraso sempre secular, finalmente bateu na porta de um tucano.

Alvo de uma cada vez mais escassa fase da Lava-Jato, José Serra teve sua casa vasculhada e sua filha, Verônica Serra, suas contas bloqueadas.

Ambos foram denunciados pelo MPF por suspeitas de lavagem de dinheiro transnacional.

Em nota, o senador disse que a ação “causa estranheza e indignação”.

Não há como saber com certeza em que exatamente se baseia a indignação seletiva desse velho corrupto, mas em relação à estranheza, ele tem lá suas razões.

Aliados de primeira hora da Lava-Jato e protegidos de carteirinha para que nenhum “melindre” fosse causado, é realmente natural que tucanos de grande plumagem estranhem agora ser incomodados pelos antigos parceiros.

Mas como nada na política é por acaso – e é de política que estamos falando quando se trata da Lava jato – a ação de hoje encontra explicações suficientemente claras para a ocasião.

O movimento no tabuleiro praticado pela República de Curitiba possui dois objetivos que apesar de distintos, são perfeitamente complementares.

Fustigados por todos os lados e vendo ruir o castelo de cartas construído à base das mais diversas ilegalidades jurídicas, a primeira intenção é também a mais fácil de ser decifrada: desviar o foco da artilharia criando uma nova distração.

Prestes a ser julgado pelo famoso powerpoint, Deltan Dallagnol não perdeu tempo para tentar levantar o moral do grupo. “A Lava-Jato segue fazendo história”, disse como se nada de podre existisse no reino de Curitiba.

Com os holofotes dos jornais temporariamente desviados, em completa harmonia segue-se o segundo objetivo do movimento.

Aqui a coisa toma os ares da verdadeira quadrilha que é.

A ação da Lava-Jato contra José Serra, praticamente já aposentado da arena política, serve como recado bem dado para quem muito tem a perder caso a proteção garantida de outrora seja desfeita.

A quantidade de informações que os procuradores da Lava-Jato obtiveram seja por meios legais ou não, são vastas o suficiente para colocar em maus lençóis todos esses que juram hipocritamente defender o “combate à corrupção”.

A Lava-Jato parte definitivamente para a ameaça descarada em busca de proteção. Meios para chantagear uma grande quantidade de políticos de grosso calibre, já ficou claro que eles possuem.

Chegou a hora de certos partidos pagarem pela fatura por anos de desmandos e acobertamentos todos destinados a tirarem o PT do caminho.

Sabem exatamente o que fizeram e, por isso mesmo, não estão dispostos a se entregarem. Agora, com a entrega do Serra, ficou claro que se caírem, estão dispostos a levar muito comparsa junto.

REDES SOCIAIS

Em vídeo, Ciro Gomes garante: PSDB é um partido acima da média de decência, e Serra e Aécio não roubavam

4 de julho de 2020

Via DCM em 3/7/2020

É impressionante como tem gente que ainda acredita em Ciro Gomes. Ontem chamava Brizola de “supra-sumo do atraso”, hoje virou estadista.

Ontem, ele dizia, já depois de servir ao governo Lula, que o PSDB era “um partido acima da média de decência, de visão política, de visão doutrinária, é um partido de gente boa”.

Enquanto ele dizia isso, em entrevista a Fernando Rodrigues em 2009, José Serra roubava na construção do Rodoanel e Aécio Neves esvaziava os cofres de Minas Gerais.

A pergunta necessária é: Ciro Gomes dizia essas mentiras por que é tolo e/ou ingênuo ou porque se locupletava?

Uma coisa é certa: o que ele diz não se pode levar a sério.

REDES SOCIAIS

Como se deixou a Lava-Jato chegar tão longe

4 de julho de 2020

Recepção ao ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo. Foto: Agatha Gameiro.

Como se permitiu que um grupo de procuradores, servidores públicos, passasse a prestar contas a organismos de outros países e suas ilegalidades fossem endossadas por todas as instituições?

Luis Nassif em 2/7/2020

Em pleno processo de macarthismo que consumiu o país, em uma lista interna do Ministério Público Federal, a procuradora Thaméa Danelon dedurou uma colega por militância política. A prova apresentada era o fato da colega ter comparecido ao velório de Marisa Lula da Silva acompanhando o marido.

A delação valendo-se de “prova” tão ridícula dava bem a medida da prepotência do imbecil coletivo que se apossou de todas as instituições, brandido pelas pessoas que passaram a surfar nas novas ondas da intolerância.

Praticava a deduragem no mesmo momento em que trocava informações com o FBI, em uma atuação ilegal – mas tolerada pela cúpula da instituição.

Esse clima perpassou toda a estrutura do Ministério Público Federal, fazendo com que procuradores ululantes, adeptos do lavajatismo e do bolsonarismo, se impusessem sobre colegas profissionais à custa de agressões, gritos de guerra e terraplanismos de toda ordem. Afinal, a intolerância tinha o endosso do Supremo, da mídia, do Congresso.

Agora, gradativamente, os rios começam a voltar ao seu leito habitual. A Lava-Jato se tornou desnecessária porque cumpriu sua missão, desmontou o sistema político, reduziu as chances políticas da esquerda, abriu espaço para a destruição da Constituição de 1988, com as Pontes para o Futuro conduzidas pelos “homens bons”, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Não há mais motivos para os templários continuarem frequentando os salões nobres da Casa Grande. Se quiserem espaço próprio, sempre haverá os porões, da mesma maneira que os soldados da ditadura, incumbidos do trabalho sujo. Poderão trabalhar em escritórios de advocacia especializados em compliance, eventualmente levantar dados em guerras comerciais. Afinal, mantém o controle de bancos de dados, próprios para disputas políticas, comerciais e advocatícias.

Daí tratarem os seus bancos de dados como propriedade particular, e berrarem a plenos pulmões contra a intenção da Procuradoria Geral da República de tirar o seu “precioso”

Hoje, Danelon deletou seu Twitter, depois de matérias do Pública, com base no dossiê da Vazajato, mostrando as relações ilegais com o FBI. Sinal de que não há mais a blindagem que permitia tolerar ilegalidades.

Ontem, o Jornal Nacional e a Globonews – os principais sustentadores da Lava-Jato – romperam com um silêncio de 6 anos para divulgar pela primeira vez, ainda que de modo anódino, os seus malfeitos.

Os álibis da Lava-Jato
É curiosa a maneira como a Lava-Jato de Curitiba tenta disfarçar seus crimes. É do mesmo padrão da condescendência de Sérgio Moro com aliados, como Onyx Lorenzoni, absolvendo-os politicamente pelo fato de terem reconhecido seus erros.

A Lava-Jato foi acusada de ter equipamentos telefônicos para grampear conversas. Explicou que eram equipamentos que não serviam para grampear outros telefones. Ótimo! Para que, então? Apenas para gravar conversas em seu PABX. E com que intenção? Para facilitar depoimentos de pessoas que queriam confessar seus crimes. E as pessoas eram avisadas antecipadamente que estavam sendo gravadas? Sim. Mas houve uma distração por parte dos procuradores e as gravações continuaram sendo feitas indefinidamente. Um pequeno cochilo, é óbvio, sem nenhuma intenção maior.

Foi acusada de ter colocado o presidente do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, em listas de investigação de contribuições eleitorais, disfarçando seus nomes. Ah, foi distração do secretário que digitou a lista. Mas eram os únicos em que não havia menção a partido, o que permitiria identificação fácil da pirataria. Pois é, foi uma pequena distração.

Nos diálogos divulgados ontem pelo Pública, Deltan Dallagnol é alertado expressamente por Vladimir Aras, responsável pela colaboração internacional, de que o contato direto com o FBI e o DHS feria a lei. A lei, ora a lei.

É evidente que os membros da Procuradoria Geral da República, em Brasília, sabiam dessas ilegalidades. Cobrados na época, a resposta invariável era “o que se vai fazer?” para uma operação bancada pela mídia, por partidos políticos, pelo PGR, pelo Supremo Tribunal Federal e por todos os setores interessados em derrubar governos.

Criou-se efetivamente um poder paralelo, uma 5a coluna clássica. A Lava-Jato de Curitiba compartilhava informações com o FBI e o DHS e sonegava para a própria PGR.

A blindagem era total. Mesmo depois da fase mais ativa da Lava-Jato, nos jornais, colunistas da nova esquerda consentida, pagavam o óbolo, taxando as notícias sobre infiltração estrangeira como “teoria conspiratória”. Como acredito na sua boa-fé, haverá uma autocrítica em breve.

Agora, à medida em que maré vai refluindo, os dejetos começam a aparecer na praia, e são de tal monta que se torna impossível negá-los.

Os responsáveis
O problema maior não são os provincianos deslumbrados do Paraná, que acharam ter luz própria. São os que se permitiram seus abusos. Como se permitiu que um grupo de procuradores, servidores públicos, passasse a prestar contas a organismos de outros países e suas ilegalidades fossem endossadas por todas as instituições? Onde estava o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o PGR Rodrigo Janot que sabiam o que acontecia, mas não tinham pulso ou interesse em coibir as ilegalidades?

O que mais dói, e dói no fundo da alma é saber que, apesar de tudo que sonhamos, de tudo o que fizemos desde as diretas, quando se imaginava que o país adquiriria o status de nação civilizada, que após a centro-esquerda, viria um partido de centro-direita que, mais à frente, seria substituído novamente pela centro-esquerda, em um processo gradativo de aprimoramento democrático, virando a esquina havia o monstro da maldição histórica: o caráter das instituições, dos homens públicos, moldado no jeitinho, usando princípios e valores de forma utilitária. E ainda tinha que se suportar Luís Roberto Barroso acusando o “jeitinho” das classes populares como moldadores do caráter brasileiro.

O bolsonarismo não revelou apenas a face fétida de uma classe média preconceituosa e anticientífica. Mais que isso, explodiu na cara do país a hipocrisia dos “homens bons”, do chamado andar de cima, das figuras que deveriam ser referenciais, mas transformaram a Justiça e o jornalismo em uma máquina de guerra implacável contra qualquer pensamento divergente e, agora, voltam a desfilar na passarela das boas intenções, a pregar o “politicamente correto”, a defender o bem e a verdade, a democracia, a tolerância, a proclamar o novo iluminismo que soterrará o bolsonarismo.

A nação poderá dormir tranquila. O bolsonarismo foi apenas um interregno indesejável. Mas, no fundo do porão da consciência nacional, permanecerá alerta o monstro da lagoa negra, atento como um mastim tibetano, pronto a reviver a guerra santa, a qualquer sinal de ameaça dos inimigos.

Com a bandeira da Lava-Jato já puída, não haverá dificuldades em criar uma bandeira nova, sempre debaixo do velho template do anticomunismo – seja lá isso o que for – e conseguir um templário qualquer que, mais à frente, será descartado, porque a única bandeira imutável e a da intocabilidade do modelo econômico e político.

Na contramão do mundo, Bolsonaro retira a obrigação do uso de máscara no comércio, escolas e igrejas

4 de julho de 2020

Presidente, ao sancionar a lei que torna obrigatório o uso de máscara de proteção em espaço público, ainda derrubou o trecho que obrigava o poder público a fornecer o material à população mais vulnerável.

Via Revista Fórum em 3/7/2020

Em boa parte do mundo, a pandemia do coronavírus vem sendo estabilizada e alguns países já flexibilizaram as regras de isolamento social, mas o uso da máscara, mesmo nesses lugares, segue sendo a principal recomendação para evitar o contágio de covid-19.

No Brasil, por outro lado, a pandemia segue se intensificando, com os números subindo diariamente. O governo, entretanto, ao invés de intensificar as medidas contra o vírus, adota o caminho contrário, como se observou na sanção do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de lei aprovado na Câmara que torna obrigatório o uso de máscara de proteção em espaços e transportes públicos.

Ao sancionar a lei, na sexta-feira [3/7], Bolsonaro vetou inúmeros trechos, entre eles o que determina o uso obrigatório de máscara em estabelecimentos comerciais, indústrias, instituições de ensino, templos religiosos, órgãos e entidades públicos e qualquer espaço fechado onde exista reunião de pessoas.

Ao vetar o trecho, o Planalto justificou que a obrigatoriedade “incorre em possível violação de domicílio”.

Pela sanção, portanto, só é obrigatório o uso do acessório em espaços públicos abertos, como ruas e avenidas, transportes públicos, táxis, carros de aplicativo, ônibus, aviões e embarcações fretadas.

Bolsonaro, além de tudo, ainda vetou o trecho que obriga estabelecimentos comerciais a fornecerem máscaras aos funcionários e o que obriga o poder público a fornecer o material à população mais vulnerável. Também foi derrubada a parte que agravava a punição para infratores reincidentes ou que deixassem de usar máscara em ambientes fechados.

Todos os vetos ainda passarão por análise do Congresso Nacional, que pode mantê-los ou derrubá-los.

Sem máscara
No final de junho, a desembargadora Daniele Maranhão Costa, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), derrubou a liminar que determinava ao presidente Jair Bolsonaro o uso de máscaras em locais públicos do Distrito Federal.

A magistrada atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que havia recorrido contra a liminar. Para ela, a ação não atende aos requisitos necessários para ser analisada pela Justiça.

REDES SOCIAIS

O caminho da propina da Odebrecht até a offshore de Verônica Serra

4 de julho de 2020

Serra é acusado de receber vantagem indevida relacionada às obras do Rodoanel Sul, por meio de uma rede de lavagem de dinheiro no exterior.

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 3/7/2020

A Lava-Jato denunciou na sexta-feira [3/7] o senador José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo, e sua filha, Verônica Serra, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro que teriam ocorrido entre 2006 e 2007. De acordo com a acusação, Serra recebeu vantagem indevida da Odebrecht, relacionada às obras do Rodoanel Sul, por meio de conta no exterior.

A força-tarefa do Ministério Público Federal em São Paulo, diferentemente de sua equivalente em Curitiba, alega ter rastreado o caminho da suposta propina até a offshore “administrada”, segundo os procuradores, por Verônica.

O GGN teve acesso à denúncia e expõe abaixo o que foi encontrado:

A denúncia
Segundo a Lava-Jato, José Serra, ao final de 2006, solicitou a Pedro Novis, seu vizinho e um dos diretores da Odebrecht, “um pagamento indevido de R$4.500.000,00 (algo próximo a 1.600.000,00 euros), e indicou que gostaria de receber este montante não no Brasil, mas no exterior, por meio de uma offshore de nome CIRCLE TECHNICAL COMPANY INC”, que está em nome de José Amaro Ramos, com quem Serra “mantinha amizade há anos”.

Delator da Odebrecht, Novis disse que Serra “entregou-lhe em mãos o número de uma conta (em nome da CIRCLE), indicando que seria por meio dela que deveriam ser pagos os valores acordados.”

“Follow the money”
A partir de documentos obtidos com delatores da Odebrecht e por meio de cooperação jurídica internacional com a Suíça, os procuradores da Lava-Jato afirmam que Verônica Serra foi a receptora final do dinheiro que saiu da empreiteira.

Para isso, ela usou uma conta chamada “Firenze”, da offshore (DORTMUND), criada em 2003 no Panamá, mas administrada a partir da Suíça, no banco Arner, até 2014, quando ela agiu para encerrar a conta.

O trajeto dos recursos teria sido o seguinte: a Odebrecht usou offshores sob seu controle (a KLIENFELD e a FASTTRACKER) para fazer transferências à CIRCLE, de Amaro.

A CIRCLE, por sua vez, fez inúmeras transferências a outras offshores em nome do próprio Amaro, como a SOFIDEST e HEXAGON.

Depois, Amaro transferiu os recursos a partir da SOFIDEST e HEXAGON para a DORTMUND, de Verônica Serra.

A Lava-Jato encontrou uma diferença entre os valores que saíram da Odebrecht e entraram na CIRCLE, e o que finalmente chegou às contas da DORTMUND, de Verônica. Essa diferença é da ordem de 628.815,10 euros, e teria ficado com Amaro.

No total, o que Verônica recebeu pela DORTMUND soma 936.000,00 euros, entre 2006 e 2007.

A tabela abaixo mostra as cifras apuradas. A primeira coluna diz respeito ao que saiu das offshores sob controle da Odebrecht. A segunda coluna aponta o que entrou nas contas de Amaro. A terceira coluna, o que foi transferido por Amaro à offshore de Verônica.

A Lava-Jato também ressaltou que “a primeira parcela paga por JOSÉ AMARO à DORTMUND [de 326.000,00 euros, em março de 2006, portanto antes da Odebrecht começar os pagamentos], pela data, aparentemente constituiu um adiantamento, sabedor [Amaro] que seria beneficiário de créditos oriundos da companhia [Odebrecht] logo na sequência.”

“Frisa-se, de qualquer forma, que, embora uma parte dos pagamentos oriundos da ODEBRECHT tenha ficado com JOSÉ AMARO, o restante, 936.000,00 euros, foi de fato transferido à DORTMUND, controlada pelo entorno de JOSÉ SERRA”, sublinharam os procuradores.

Amaro – um empresário que trabalhou para a Odebrecht em projetos envolvendo empresas francesas, e depois assessorou com a empreiteira no Brasil em um programa da Marinha, em São Paulo – negou em depoimento que tenha relacionamento íntimo com Serra, mas não explicou porque fez inúmeros depósitos em conta de Verônica Serra no exterior.

De acordo com a Lava-Jato, no total, a Odebrecht então “realizou, entre 2006 e 2007, numerosas transferências, a partir da offshore KLIENFELD, controlada por Olívio Rodrigues Júnior, no total de 1.564.891,78 euros à offshore CIRCLE, pertencente a JOSÉ AMARO, tendo como beneficiário final JOSÉ SERRA”, que supostamente recebeu o dinheiro por meio da offshore DORTMUND, da filha Verônica Serra.

Verônica, anos depois, teria “pulverizado” os recursos em outras contas e encerrado a Firenze em 2014.

“Dessa forma, valores transferidos a JOSÉ AMARO RAMOS, pela ODEBRECHT, por solicitação de JOSÉ SERRA e tendo este como beneficiário final, foram remetidos, a partir de diversas operações, ao controle de VERÔNICA SERRA, filha do referido agente político, sendo, ao fim, liquidados para outras contas, em uma terceira camada de dispersão patrimonial, integrante, a toda evidência, de uma cadeia de lavagem de ativos.”

Como contrapartida à vantagem indevida, Serra, eleito governador em 2006, teria beneficiado a Odebrecht a partir de 2007 na “repactuação do contrato n° 3584/2006, relativo às obras do Rodoanel Sul de São Paulo, de maneira a minorar o impacto do decreto estadual nº 51.473, bem como o não oferecimento de dificuldades no curso da execução da mesma obra.”

REDES SOCIAIS

Dória ignora recorde de novos casos de covid-19 e afrouxa quarentena em São Paulo

4 de julho de 2020

Membros do comitê de saúde seguem defendendo que a situação está melhorando.

Governador considera gestão da crise “um sucesso” e anuncia que vai atender pedido de prefeitos para permitir abertura de comércios por mais horas diárias.

Rodrigo Gomes, via RBA em 3/7/2020

Até sexta-feira [3/7], o estado de São Paulo havia registrado 310.517 casos de covid-19 e 15.694 mortes provocadas pela doença desde o início da pandemia. Na quinta-feira [2/7] o estado bateu o recorde anterior de novas confirmações em 24h. Foram 12.244 casos incluídos em 24h. O governo anunciou que prevê, até o meio de julho, de 2,4 mil a 7,4 mil novas mortes provocadas pelo coronavírus. A projeção é que, até 15 de julho, o estado terá de 335 mil a 470 mil casos confirmados. Mesmo assim, a capital paulista passará para a fase 3-amarela do Plano São Paulo, na segunda [6/7].

Na quinta [2/7], completou-se um mês do início da abertura do comércio implementada pelo governo João Dória (PSDB). Os dados podem ser um indicativo importante de que a situação está se agravando novamente, já que o aumento de casos seria a primeira consequência negativa da reabertura.

O secretário-executivo do Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, considera que o estado vive o momento em que um eventual agravamento da pandemia, em decorrência da reabertura do comércio, vai se tornar visível. Em coletiva do comitê de combate à pandemia do governo paulista, ele explicou que existe uma sequência de acontecimentos que demonstrariam um agravamento da situação.

“Como o período de incubação da doença é de cinco a oito dias, primeiro você teria um aumento constante do número de novos casos. Posteriormente, uma pressão no sistema de saúde, com o aumento do número de pessoas que precisam de atendimento médico. E, por último, o aumento no número de mortes, que se dá bem depois”, explicou.

Gabbardo, no entanto, considera que esse recorde de novos casos de covid-19 registrado hoje é decorrente do aumento da testagem e não de um agravamento da pandemia. Dados do comitê mostram que 70% dos novos casos estão ativos – são de pessoas que podem transmitir a doença.

Como a RBA mostrou, a reabertura do comércio implementada pelo governo Dória completou um mês acumulando retrocessos, com muitas regiões voltando a ter medidas de isolamento mais restritas. No início da abertura, três regiões estavam em restrição máxima. Atualmente, são nove, com 306 cidades na fase 1-vermelha. Além disso, o estado registrou aumento de 155% nos casos e 92% nas mortes. E hoje, além do recorde de novos casos de covid-19, o estado acumula 302.179 casos confirmados e 15.351 mortes.

O secretário da Saúde, José Henrique Germann, afirmou que o governo Dória prevê que São Paulo chegará a até 470 mil casos confirmados e 18 mil mortes até o dia 15 de julho. Os números representariam um aumento de aproximadamente 56% nos casos e 18% nas mortes nas próximas duas semanas.

Apesar dessa situação, o governo Dória trata a reabertura do comércio como um caso de sucesso. Tanto que hoje a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, anunciou um afrouxamento das regras do Plano São Paulo, para atender pedidos de prefeitos e empresários.

Cidades que estão na fase 3-laranja, em que o comércio só pode abrir por quatro horas diárias, passarão a poder abrir seis horas por dia, limitando a abertura a quatro dias por semana. Além disso, segundo a secretária, outras alterações estão sendo estudadas e serão anunciadas na terça-feira [7/7].

Aumento de mortes naturais
Levantamento feito pelo médico epidemiologista e professor titular da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Lotufo mostra que houve aumento de 40% nas mortes por causas naturais no estado de São Paulo, no período de 1º de março a 30 de junho, em relação a igual período de 2019. Destas, 70% foram casos confirmados de covid-19.

Para Gabbardo, os dados derrubam o mito de que muitas mortes ocorridas por outras causas estariam sendo registradas como covid-19, inflando os números. “O número de mortes por causas naturais está muito acima de qualquer estimativa relativa aos anos anteriores”, ressaltou.

Apesar disso, São Paulo registrou crescimento nessas mortes significativamente menor que outras metrópoles. Levantamento feito pelo jornal britânico Financial Times mostra que Lima, no Peru, teve aumento de 289% nas mortes naturais em meio à pandemia. Em Nova York, o aumento chegou a 231%. No Brasil, os dados de Manaus, que sofreu colapso no sistema de saúde e no serviço funerário, mostram aumento de 152%.

REDES SOCIAIS


%d blogueiros gostam disto: