Archive for the ‘Política’ Category

Ao tomar leite nas lives, Bolsonaro manda um cumprimento aos supremacistas brancos

29 de maio de 2020

Live de 28 de maio.

David Nemer em 29/5/2020

As pessoas não têm entendido o porquê de Bolsonaro ter tomado um copo de leite durante suas lives. Isso representa um claro aceno e cumprimento aos grupos da extrema direita.

O extremismo do bolsonarismo é tão tosco que eles apropriam tudo da Alt Right (extremistas brancos norte-americanos) e com atraso- já que isso começou nos EUA em 2017.

Nacionalistas brancos fazem manifestações bebendo leite para chamar a atenção para um traço genético conhecido por ser mais comum em pessoas brancas do que em outros: a capacidade de digerir lactose quando adultos.

É uma tentativa racista para se embasar em “ciência” para diferenciar e justificar a “raça branca”. Mas, como já provado e explicado por toda ciência, não há evidência genética para apoiar qualquer ideologia racista. O que há, na verdade, é um governo tosco e motivado pelo ódio.

Só para deixar claro, essa não é a primeira vez que o bolsonarismo se apropria de ações dos supremacistas brancos norte-americanos (Alt Right). Antes, eles fizeram o uso do efeito ShockWave/FashWave em suas fotos como Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Abraham Weintraub (clique aqui).

O impasse final entre democracia e ditadura

29 de maio de 2020

Garantir Bolsonaro será submeter as Forças Armadas ao pior caudilhismo que já surgiu na América Latina, ao nível de um Rafael Trujillo, da República Dominicana.

Luis Nassif em 29/5/2020

PEÇA 1 – STF PAGOU PARA VER
A primeira peça do nosso xadrez é que o Supremo Tribunal Federal (ST) pagou para ver. Não há recuo possível. Qualquer recuo significará o campo aberto para o golpe final de Jair Bolsonaro.

Portanto, haverá um desfecho breve. Ou Bolsonaro se curva às determinações do STF; ou ganha salvo-conduto para perpetrar o golpe final, conforme anunciado ontem por seu filho Eduardo Bolsonaro.

PEÇA 2 – O RELATÓRIO DAS FAKE NEWS
O ministro Alexandre de Moraes teve mais de um ano para investigar os fakenews. Montou o seu xadrez assessorado por pessoas de confiança da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal. A escolha dos alvos não foi aleatória, e o aprofundamento das investigações não ficou na superfície das manifestações públicas dos militantes do ódio. O inquérito bate nos principais disseminadores de ódio, nos financiadores, mapeia o funcionamento das redes de robôs e junta todas as peças que comprovam a existência de uma organização criminosa, com vínculos diretos com o Palácio de governo.

O inquérito se baseou em depoimentos de Joyce Hasselman e Alexandre Frota. Levantou perfis falsos e mensagens idênticas apresentadas como originais de cada perfil.

Um dos depoimentos, do deputado Heitor Freire, apontou diretamente três assessores especiais da Presidência da República, Matheus Sales, Mateus Matos Diniz e Tercio Arnaud Tomaz, integrantes principais do chamado “Gabinete do Ódio”.

“Esse “gabinete” coordena nacional e regionalmente a propagação dessas mensagens falsas ou agressivas, contando para isso com a atuação interligada de uma grande quantidade de páginas nas redes sociais, que replicam quase instantaneamente as mensagens de interesse do “gabinete”. Essa organização conta com vários colaboradores nos diferentes Estados, a grande maioria sendo assessores de parlamentares federais e estaduais”.

As pesquisas do inquérito analisaram cruzamentos em torno de palavras-chave de ataques a membros do STF e chegaram a onze perfis do Twitter coordenadores da rede.

O acesso a computadores e celulares permitirá levantar inclusive manifestações da família Bolsonaro, palavras de ordem e articulações políticas, contra a democracia e contra o isolamento.

O inquérito pede busca e apreensão, bloqueio de contas em redes sociais, oitiva com Polícia Federal, quebra do sigilo bancário dos empresários financiadores, oitivas de parlamentares envolvidos.

São amplas as possibilidades de levantamento de crimes variados, podendo chegar à organização de milícias armadas, como já é público em grupos como comprovam as manifestações do grupo liderado por Sara Winter, ativista bolsonarista.

O próprio relatório do inquérito já deixa explícitos os seguintes pontos, independentemente do que vier a ser levantado da análise dos equipamentos apreendidos:

  • Foram cometidos crimes, ao se montar campanhas financiadas de ataques contra as instituições e com o uso de robôs, caracterizando a existência de uma organização criminosa.
  • Foram identificados agentes do crime trabalhando dentro da sede do governo, no tal “Gabinete do Ódio”.
  • Há provas concretas do comando do gabinete do ódio por Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República.

Ao mapear o financiamento da máquina, as manifestações saem do campo da liberdade de expressão e passam a ser enquadradas como crime organizado.

O relatório mostra também manifestações de empresários, como Edgard Corona, estimulando as ações.

PEÇA 3 – O ESQUEMA BOLSONARO E O FATOR AUGUSTO ARAS
Nos embates de ontem [28/5], dois órgãos de governo e um de Estado se comportaram como advogados dos envolvidos, mostrando o aparelhamento total da máquina pública. Do lado do governo, o ministro da Justiça e a Advocacia Geral da União assumindo a defesa do ministro Abraham Weintraub. Do lado da Procuradoria Geral da República, um súbito acesso de garantismo, arguindo a ilegalidade do inquérito.

E aí entra-se na seguinte situação.

Ontem [28/5], em entrevista ao GGN, o jurista Lênio Streck sintetizou os principais pontos e principais dúvidas em relação ao quadro atual.

  • O inquérito é visto como legal e constitucional por se basear em um princípio adotado pelos países democráticos: quando a Suprema Corte sofre ataques e não é defendida pelos poderes adequados – o Ministério Público –, tem o direito de abrir e conduzir investigações. Portanto o inquérito, em si, é legal, apesar do Supremo ser a última instância.
  • Não houve um movimento sequer da PGR em relação aos crimes cometidos, mesmo tendo o STF como vítima, caracterizando, assim, o vácuo que se criou na defesa do Supremo.
  • Mesmo assim, concluído o inquérito a denúncia só poderá ser feita pelo Procurador Geral da República. Se o PGR não quiser levar a denúncia adiante, cria-se um vácuo.

O PGR está submetido a duas pressões. Até agora, a pressão vitoriosa é do Presidente da República. Mas há a pressão da opinião pública e, especialmente, da sua própria corporação. Dependendo das evidências levantadas pelo inquérito, Aras terá que se haver com sua própria biografia e com as consequências de seus atos. Há uma boa probabilidade de que, entre a Constituição e o Presidente, opte pela Constituição.

PEÇA 4 – O IMPASSE FINAL E O FATOR MILITAR
Nos próximos dias haverá embates de monta entre os dois poderes.

O STF insistirá no inquérito e poderá exigir até depoimentos do próprio Bolsonaro. Mais que isso, o final do inquérito comprovará as denúncias da peça inicial, de envolvimento de assessores diretos da Presidência e do próprio filho Carlos Bolsonaro com os crimes apontados.

Por seu lado, Bolsonaro tem estimulado seu ministro da Educação Abraham Weintraub a não acatar a determinação do STF de prestar depoimento à Polícia Federal. O episódio Wentraub será o primeiro round desse conflito. Criado o impasse, se saberá se o endosso do fator militar tem sido um blefe de Bolsonaro ou uma ameaça real.

Nas últimas semanas, a imprensa mundial passou a responsabilizar diretamente os militares no governo de Bolsonaro como responsáveis pela crise da saúde e da economia. Deram endosso total a Bolsonaro no desmonte das políticas de precaução do Ministério da Saúde.

Além disso, há ligações evidentes dos Bolsonaro com o crime organizado, as milícias. E houve endosso à decisão de Bolsonaro de ampliar a autorização para a posse de armas pela população e para o não rastreamento da munição adquirida.

Há várias manifestações pretendendo substituir as Forças Armadas pelas milícias armadas, como garantidoras do governo, conforme tuites antigos de Eduardo Bolsonaro e Olavo de Carvalho.

Garantir Bolsonaro será submeter as Forças Armadas ao pior caudilhismo que já surgiu na América Latina, ao nível de um Rafael Trujillo, da República Dominicana.

Além disso, o endosso norte-americano às loucuras de Bolsonaro está restrito a um apoio cada vez mais claudicante de Donald Trump. A derrota de Trump, nas próximas eleições, tirará dos Bolsonaro seu único ponto de apoio no mundo.

Por outro lado, não se pode ignorar o fascínio de um cargo civil, as portas que se abrem para familiares e para o mercado de trabalho do lobby, depois da reforma. E o enorme espaço aberto por Bolsonaro para a entrada de militares em áreas do Estado.

O destino da democracia brasileira será decidido nos próximos dias.

Com a Ordem do Mérito Naval, Bolsonaro condecora acusador e acusado: Augusto Aras e Abraham Weintraub

29 de maio de 2020

Além disso, foram agraciados parlamentares da base, como os deputados federais Hélio Lopes e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, dentre outros.

Via Jornal de Brasília em 29/5/2020

O presidente Jair Bolsonaro concedeu, na sexta-feira [29/5] a Ordem do Mérito Naval, no grau de Grande Oficial, para o procurador-geral da República, Augusto Aras, e três ministros, Abraham Weintraub, Jorge Oliveira e Marcelo Álvaro Antônio.

Além disso, foram agraciados parlamentares da base, como os deputados federais Hélio Lopes e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, entre outros.

Receberam a ordem 29 autoridades civis, incluindo embaixadores e magistrados. A admissão foi publicada na edição de sexta-feira [29/5] do Diário Oficial da União (DOU) e é assinada por Bolsonaro e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

Robôs bolsonaristas têm queda no Twitter depois de ação na PF

29 de maio de 2020

Consultoria AP Exata diz que queda foi de 40,8% em relação a picos atingidos no passado e 10% em relação à média histórica.

Mônica Bergamo em 29/5/2020

A ação de busca e apreensão da Polícia Federal sobre investigados por disseminar fake news e ameaças contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) fez a atuação de robôs e perfis alugados ligados ao bolsonarismo despencar nas redes sociais.

PÉ NO FREIO
De acordo com levantamento da consultoria AP Exata, as publicações dos chamados perfis de interferência caíram de uma média de 14% para 10% no Twitter. Elas já chegaram a ter pico de 17%.

CORAÇÃO
A ação do STF, na análise da consultoria, parece ter atingido o sistema de disseminação de informações feita artificialmente por meio desses perfis.

É GUERRA
Por outro lado, a ofensiva do STF mobilizou influenciadores da base bolsonarista, como deputados e até os filhos do presidente Jair Bolsonaro. Eles passaram a atuar de forma mais forte e orgânica nas redes, unificando o discurso contra o ministro Alexandre de Moraes, que comanda o inquérito das fake news e determinou as buscas.

TOP
O ponto alto foi uma live no YouTube na quarta [27/5] que contou com a presença de estrelas do bolsonarismo, como Olavo de Carvalho e o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

NO VERMELHO
Ainda assim, Bolsonaro seguiu tendo mais menções negativas do que positiva no Twitter: 53% a 47%.

ORDEM
A AP Exata avalia que, se os perfis de interferência forem mesmo desmobilizados, os bolsonaristas passarão a ter menos força para impor suas narrativas nas redes.

Bolsonaro muda regra do auxílio emergencial para cobrar R$600 de volta

29 de maio de 2020

Aplicativo da Caixa para o auxílio emergencial.

Trabalhadores que possuem renda anual acima de R$28.559,70 em 2020 terão que fazer a devolução via IR em 2021.

Via RBA em 28/5/2020

Parte dos trabalhadores que receberem o auxílio emergencial de R$600 terá que devolver o dinheiro em 2021. Após uma alteração na lei que criou o benefício, proposto pelo Congresso, pessoas que tiverem renda anual superior R$28.559,70, em 2020, terão que fazer a devolução.

A cobrança, por meio do imposto de renda em 2021, vai na contramão do papel do auxílio. Em vez de ampliá-lo por mais meses ou torná-lo definitivo, como defendem especialista, o governo transforma o auxílio emergencial em empréstimo para uma parte dos beneficiários.

De acordo com a mudança, quem receber, ao longo de 2020, mais que o limite de isenção do Imposto de Renda (IR) terá que devolver integralmente em 2021 o auxílio que recebeu – inclusive o dos dependentes. As parcelas do auxílio não entram no cálculo da renda anual.

A tabela do Imposto de Renda garante a isenção para quem recebeu até R$28.559,70 no ano inteiro, com salários, aposentadorias ou aluguéis, por exemplo. A Receita Federal afirmou que “está em estudo como a medida será operacionalizada”.

Ao portal UOL, especialistas criticam a medida do governo e afirmam que a ação é ruim. “Se houvesse a tributação pelo Imposto de Renda, eu entenderia, porque o auxílio entrega às pessoas um poder de compra. Agora, obrigar a devolução desse valor na declaração de IR é uma situação que soa absurda. Transforma o auxílio praticamente num empréstimo”, afirmou Gabriel Quintanilha, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A devolução dos R$600 foi uma contrapartida oferecida pelo Congresso para retirar a exigência imposta pelo governo Bolsonaro para recebimento do auxílio emergencial. Inicialmente, o projeto havia como critério de elegibilidade para o benefício que o trabalhador não tivesse declarado renda superior a R$28.559,70, em 2018.

Ex-assessor de Geddel vira chefe de gabinete no Iphan

29 de maio de 2020

Bernardo Mello Franco em 28/5/2020

O Ministério do Turismo nomeou nesta quinta um ex-assessor de Geddel Vieira Lima como chefe de gabinete do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Marco Antonio Ferreira Delgado atuou na Secretaria de Governo quando Geddel chefiava a pasta no governo de Michel Temer.

Em 2016, o ex-ministro foi acusado de pressionar o Iphan para liberar a construção de um edifício em área tombada de Salvador. Há dois meses, a Justiça Federal o condenou por improbidade administrativa no episódio.

Em outubro passado, o Supremo Tribunal Federal já havia condenado Geddel a 14 anos de prisão por associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ele passou uma temporada na Papuda e agora cumpre pena na Bahia.

A nomeação de Delgado chocou servidores do Iphan, que têm protestado contra o aparelhamento do órgão e a nomeação de dirigentes sem qualificação técnica.

Na quarta [27/5], o Ministério Público Federal pediu que a Justiça anule a nomeação da nova presidente do instituto, Larissa Peixoto. Para os procuradores, ela não preenche os requisitos do decreto federal que exige “perfil profissional ou formação acadêmica compatível com o cargo”.

A ação contra a posse de Larissa foi apresentada pelo deputado Marcelo Calero (Cidadania/RJ), ex-ministro da Cultura. Ele deixou o governo Temer após denunciar as pressões de Geddel sobre o Iphan.

Em nota enviada à coluna, a assessoria do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, afirmou que a nomeação de Delgado “foi motivada pela sua ampla experiência na área de gestão”.

“Nos últimos 12 anos, Delgado ocupou cargos de assessoramento no Ministério do Turismo, na Secretaria de Aviação Civil e também na Presidência, onde foi assessor na Secretaria de Governo”, acrescentou.


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