Archive for the ‘Política’ Category

Desprezo total: O futuro de Bolsonaro será igual ao de Temer

23 de março de 2019

O ÚNICO SALVO-CONDUTO DESTE GOVERNO ESTÁ AMEAÇADO E BOLSONARO DEVERIA VER EM TEMER SEU PRÓPRIO FUTURO
Carlos Fernandes em 21/3/2019

Num governo movido a trapalhadas cuja aprovação popular despenca em queda livre, o único salvo-conduto que o mantém de pé, apenas três meses após a posse, é a reforma da Previdência.

Desejo de 10 em cada 10 burocratas burgueses a serviço do grande capital, as mudanças na previdência que farão com que bilhões de reais fiquem a mercê da administração privada, justifica a incômoda sustentação de um fantoche nitidamente incapacitado intelectualmente.

O problema é que a incompetência latente, tanto do homem quanto da sua equipe formada encarregados para o serviço, já produzem efeitos que inviabilizam, de forma concreta, o já difícil e impopular projeto que empurra para a miséria completa justamente os brasileiros que do Estado mais precisam.

A falta de habilidade para lidar com um Congresso historicamente fisiológico, a egolatria insana de ministros que veem no cargo uma espécie de título monárquico e a inexistência de comunicação com os mais diferentes setores da sociedade, tornam a “encomenda” impraticável.

Penosa já seria a missão dada, portanto, se somado a tudo os agentes envolvidos ainda não tivessem que superar os vícios de alas singulares que o país, até por vontade própria, resolveu se tornar refém.

A reforma da previdência destinada especificamente para os militares – que segundo os parlamentares é condição sine qua non para a reforma geral – deu cabo de demonstrar a farsa gritante de toda a coisa.

Sem força para impor aos generais da ativa as mesmas medidas duras que estão submetendo toda a sociedade, o projeto que chegou ontem [20/3] na Câmara dos Deputados praticamente troca seis por meia dúzia.

Com a economia pífia dos gastos da previdência projetada para os impolutos das forças armadas, cada vez mais fica impossível manter de pé um discurso que desde o início já se mostrava falacioso.

E os parlamentares, obviamente, sabem que são eles, em primeira instância, os que se obrigam a encarar diretamente a rejeição do povo que os elegeu.

Rodrigo Maia, aliás o principal avalizador da reforma da previdência e dono da pauta que a coloca em votação, já se mostrava claramente incomodado com as diatribes do governo.

Com a desnecessária rusga causada pelo escanteado Sérgio Moro, elevou o tom e deixou diáfano que não irá aceitar que um ex-juiz de voz fina queira falar grosso com ele.

O caldo já estaria turvo demais se hoje [21/3] seu sogro, Moreira Franco, na esteira da prisão de Michel Temer, não tivesse também sido preso pela mesma Lava-Jato que tornou Deus o ministro que um dia antes quis se mostrar relevante.

Como se vê, a reforma da previdência nunca esteve tão ameaçada e, com ele, o próprio governo.

Com os fantasmas do palácio do Jaburu lembrando a Mourão as benesses de um impeachment, Jair Bolsonaro, tão enrolado com milicianos do Rio de Janeiro, se inteligência tivesse, enxergaria na atual mazela de Michel Temer, seu próprio destino.

REDES SOCIAIS

Promotor que iniciou mentiras sobre tríplex é condenado a indenizar Lula por danos morais

23 de março de 2019

Via Brasil 247 em 22/3/2019

O promotor Cassio Roberto Conserino foi condenado a pagar indenização de R$60 mil por danos morais ao ex-presidente Lula por ofender e fazer acusações públicas ao ex-presidente em sua página nas redes sociais.

Conserino ficou conhecido por em 2016 dar uma entrevista à revista Veja dizendo que denunciaria o ex-presidente na investigação referente ao tríplex do Guarujá. Na ocasião, Cássio disse que Lula seria acusado por tentativa de ocultar patrimônio no crime de lavagem de dinheiro envolvendo o apartamento.

Mas, além da entrevista, o promotor usou as redes sociais para ofender Lula dizendo que ele era “Encantador de Burros”.

Para o juiz Anderson Fabrício da Cruz, da 3ª Vara Cível de São Bernardo do Campo, em São Paulo, Conserino teve a intenção de “humilhar, menoscabar e desprezar” o ex-presidente.

Na decisão, o juiz lembrou ainda que o promotor Conserino réu é reincidente na violação dos direitos da personalidade alheios e que já foi condenado a indenizar por danos morais no valor de R$20 mil em uma decisão da 6ª Vara Cível de Santos (SP).

Sobre a postagem do promotor, o juiz disse que “trata-se de conteúdo ofensivo, pejorativo e injuriante que atinge a honra e a imagem do autor e de qualquer outra pessoa na mesma situação, já que a figura do ‘burro’ é notoriamente associada à falta de inteligência”, escreveu o magistrado em sua decisão, reforçando que “trata-se de um insulto capaz de ofender a honra subjetiva do ofendido e não de uma piada, o que deveria ser do conhecimento de um experiente integrante do sistema de Justiça”.

“Pessoas públicas como o autor, especialmente aquelas ocupantes de cargos públicos de natureza representativa, estão sujeitas a críticas e a um escrutínio mais severo dos demais cidadãos, entretanto, essa mitigação dos seus direitos de personalidade tem limites, não sendo possível que o exercício do direito de crítica transborde para a difamação e a injúria como parece que, desafortunadamente, vem se tornando a regra em nossa sociedade”, salientou.

Lula: “A História não é compreendida no momento em que ela acontece”.

23 de março de 2019

EM VISITA À PF, JUÍZES DE TODO PAÍS MANIFESTAM SOLIDARIEDADE A LULA
Via Portal oficial do presidente Lula em 21/3/2019

Lula foi visitado na quinta-feira [21/3] por um grupo de juristas de várias regiões do país. O encontro foi organizado pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e teve a presença de juízes e desembargadores, entre eles Edevaldo de Medeiros, Leador Machado, Rui Portanova, André Luiz Machado, Luciana Bauer, Mário Sérgio Pinheiro, Germana de Morelo, Magda Barros Biavaschi, José Antonio Correa Francisco, entre outros.

Os juristas, antes da visita, passaram pela Vigília Lula Livre e falaram com a militância. Leador Machado, juiz do trabalho no estado do Tocantins, fez um alerta: “Ou a gente consegue efetivamente fazer com que o Supremo Tribunal Federal (STF) assuma novamente a sua função de garantir a Constituição, que ele não fez até agora neste processo. Ele foi omisso durante o tempo todo, ou então nós não vamos ter mais o regime democrático, onde as instituições funcionam neste país.”

Quem também deu seu parecer sobre a prisão política de Lula foi a desembargadora Magda Barros Biavaschi. “Todos os grandes líderes, e foram poucos, que minimamente buscaram reduzir as profundas e abissais desigualdades deste país escravocrata foram defenestrados.”

A juíza Luciana Bauer, da 17ª Vara Federal de Curitiba foi categórica. “A Lava-Jato é uma quebra na democracia”. Ela ainda acrescentou. “Todo juiz tem que ter a neutralidade, a gentileza, a paciência e a temperança pra julgar aquele que está sob a clava, sob a espada penal.”

Após o encontro com o ex-presidente, o juiz federal Edevaldo de Medeiros, de Itapeva, no interior de São Paulo, trouxe um recado de Lula. “A História não é compreendida no momento em que ela acontece.”

Ele ainda falou sobre a importância do encontro com o ex-presidente. “Nós não viemos aqui afrontar o poder Judiciário, nós viemos aqui dizer que somos parte do Judiciário e que nós queremos que a nossa instituição funcione muito bem”. Leador Machado complementou. “Um dos pedidos do presidente Lula é que nós continuemos acreditando nas nossas instituições.”

Raquel Rodrigues Braga, juíza da 2ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, também falou com a militância sobre a presença dos juristas em Curitiba nesta tarde. “Nós viemos aqui defender a regra do jogo. Se o devido processo legal for ameaçado cada um de nós está vulnerável.”

Como está o Lula?
Além de falar da importância das instituições, Edevaldo de Medeiros falou sobre como foi recebido pelo ex-presidente. O juiz contou que Lula preparou um café e conversaram sobre economia e política. “Quem não quer um café feito pelo presidente Lula?”.

Ele descreve ainda um humorado diálogo entre ele Lula.

– Ele perguntou: “Açúcar ou adoçante?”
– Eu falei: “Açúcar”.
– Ele disse: “Não tem”.

Ele comparou o ex-presidente a um leão e acrescentou. “Tem um gigante ali. Tem um homem muito forte e corajoso” e concluiu: “O presidente Lula está com excelente saúde.”

Assista ao pronunciamento dos juristas após a visita ao ex-presidente Lula.

***

APÓS VISITA, JUIZ REFORÇA INOCÊNCIA DE LULA E AGRADECE: “TRABALHOU CONTRA CORRUPÇÃO”.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Edevaldo de Medeiros critica o caráter político da operação Lava-Jato.
Lia Bianchini, via Brasil de Fato em 21/3/2019

Na quinta [21/3], uma comissão de 12 juízes federais, estaduais, do trabalho e desembargadores estiveram em Curitiba (PR) para manifestar solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pela manhã, integrantes da comissão fizeram uma roda de conversa sobre a conjuntura do Poder Judiciário. O debate ocorreu na Vigília Lula Livre, que se mantém em frente à superintendência da Polícia Federal (PF) desde o dia 7 de abril de 2018, quando Lula foi preso. À tarde, representando a comissão, Edevaldo de Medeiros, juiz federal titular da 1ª Vara Federal de Itapeva (SP), esteve com Lula por uma hora.

“Tem um gigante ali dentro. Tem um homem muito forte e corajoso. O presidente Lula está com excelente saúde. Ele é um leão”, comparou, em conversa com militantes após a visita. “Ele não aceita outra decisão do Poder Judiciário que não seja sua absolvição”.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Medeiros falou sobre o caráter político da operação Lava-Jato desde que foi deflagrada, em 2014, analisou o papel do ex-juiz Sérgio Moro nesse processo e fez uma defesa da função do Supremo Tribunal Federal (STF) como “guardião da Constituição” na atual conjuntura.

Confira os melhores momentos da conversa:

Brasil de Fato: O senhor visitou o ex-presidente Lula na quinta [21/3] representando 12 juízes. Que recado essa comissão levou ao ex-presidente?
Edevaldo de Medeiros
: Nós somos uma comissão de juízes representando a Associação Brasileira de Juristas para a Democracia (ABJD). São todas pessoas que gostam muito do presidente Lula, têm muito afeto, gratidão por ele, por várias razões. Nós queremos nos solidarizar com ele, humanamente, porque a gente sabe que ele está sofrendo muito.
Eu, particularmente, tenho gratidão muito grande pelo trabalho que ele fez contra a corrupção no Brasil. A Polícia Federal nunca foi tão forte quanto foi quando ele era presidente, Ele prestigiou o Ministério Público como nenhum presidente antes dele tinha feito. Ele nomeou sempre para o cargo de procurador-geral da República o escolhido em primeiro lugar na votação da ANPR [Associação Nacional dos Procuradores da República], e isso é um grande prestígio, na minha opinião, para o Ministério Público.
Lula criou 230 varas federais no Brasil inteiro, e isso reflete diretamente no acesso à Justiça. São muitas varas, e isso também facilitou o combate à corrupção. Então, nesse sentido que a gente vem oferecer nosso abraço ao presidente Lula, de amor mesmo, e de gratidão.

O Lula foi preso no âmbito da Lava-Jato. A operação tem início em 2014, ano de eleições presidenciais; em 2016, ano em que a presidenta Dilma Rousseff foi deposta, a Lava-Jato tem recorde de etapas (16 fases ao longo do ano); já em 2018, o líder nas pesquisas eleitorais para Presidência da República é preso. É possível dizer que a Operação Lava-Jato tinha um objetivo político desde o início?
Olha, eu tenho muita reticência com relação a essas investigações que a polícia dá nome e chama de “operações”, sejam elas quais forem.
O Código de Processo Penal não trabalha com essa entidade midiática chamada operação. Ele trabalha com investigação, e essa é a linguagem jurídica. A investigação é feita dentro de um processo penal e depois se torna um processo criminal.
Essas operações, que recebem os mais variados nomes lá dentro da polícia, têm um caráter midiático, de propaganda da Polícia Federal. É uma entidade fictícia, mas que provoca uma reação no povo, e esse parece ser o interesse.
Eu não simpatizo com isso, e nas minhas decisões nunca faço referência a esses nomes que a polícia dá. Eu faço referência ao número do inquérito, do processo.
Essa operação, chamada Lava-Jato, tem inspiração na operação Mãos Limpas, da Itália. É fora de dúvida que a operação Mãos Limpas interferiu no processo político italiano, e mesmo lá não deu certo.
A Itália não é um exemplo de Estado Democrático de Direito, mas sim, é um país muito corrupto. A crítica que eu sempre fiz a esse tipo de procedimento, de copiar uma coisa de outros países, é que tem que copiar coisa que dá certo. A gente tem que copiar o que se trabalha em matéria de Direito Penal e de Processo Penal nos países que têm baixa população carcerária, onde há menos corrupção.
Agora, a antevisão de que ela teria esse viés político, eu acho que era possível diante do que aconteceu na Itália. Parece também que isso acabou se confirmando com a saída do juiz Sérgio Moro, que se torna ministro [da Justiça] do candidato que se beneficiou, vamos dizer assim, desse estado de coisas.

Como o senhor avalia a atuação de Moro enquanto juiz da operação Lava-Jato e, agora, como Ministro do governo Bolsonaro?
Eu não vou fazer uma crítica direta à atuação profissional do ex-juiz, porque poderia ser uma falta de ética da minha parte. Mas vou falar de um modo genérico. A questão da idolatria que se formou em torno dele, da imagem que ele produziu de “pop-star”, eu não sou a favor. Na democracia, o que tem que brilhar são as instituições, e têm que brilhar por cumprir a lei. A sociedade brasileira é tão carente que acaba se apegando ao juiz e ao juiz combatente.
A figura do juiz combatente é contrária à Constituição, porque juiz não tem que combater a criminalidade. Quem tem que combater a criminalidade é a polícia e o Ministério Público. O juiz tem que julgar.
Quando um juiz toma a frente de uma investigação, ou se ele parece ser um juiz punitivista, ele perde a essência da magistratura, que é a imparcialidade.
Eu não estou dizendo que o juiz tenha sido parcial, o que eu estou dizendo é que as pessoas esperavam isso dele, que ele fosse imparcial.
Agora, o que ficou muito chato e pôs mesmo em dúvida a atividade dele enquanto juiz foi o fato de ele ter saído e se tornado ministro do candidato que ganhou a eleição. E ter combinado isso, inclusive, enquanto era juiz. E ter prendido um ex-presidente da República que tinha plenas condições de ganhar as eleições no primeiro turno. Então, eu acho que essa dúvida que se manifesta é uma dúvida extremamente relevante.
São autoridades internacionais e nacionais, escritores respeitados de Direito Penal e Processo Penal que põem em dúvida a atividade do juiz. O Brasil tem que se acautelar desse tipo de coisa, inclusive, do “juiz-estrela”. Eu costumo dizer o seguinte: a gente não vive em Gotham City, e juiz não é Batman. Juiz tem o papel de julgar com imparcialidade.

Enquanto ministro, Moro nomeou e revogou a nomeação de Ilona Szabó para suplência no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária [CNPCP]; propôs o chamado pacote anticrime e criou um atrito com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), por pressioná-lo a pautar a votação do pacote. O senhor entende que ele tem demonstrado dificuldade em exercer essa função política dentro do governo?
Eu acho que ele é um pouco imaturo ainda, não sabe muito bem lidar com os políticos. Então, eu acho que ele está tendo as dificuldades próprias de um iniciante, porque na política as coisas não são tão simples. Na política tem que saber pedir, tem que saber negociar, e talvez faltem a ele alguns atributos para ser um bom político.
Mas você tocou num assunto que é muito interessante, que é esse pacote “anticrime”. Isso não é anticrime: é anticonstituição, porque viola diversos direitos fundamentais, visa dar à polícia uma carta branca para cometer homicídios.
A polícia brasileira é a que mais mata e a que mais morre no mundo, infelizmente. E assim é por conta do modelo que nós temos de exclusão social. Querer combater isso legitimando homicídios praticados pela polícia é uma coisa absurda, é uma coisa própria de regimes autoritários e não de Estado democrático de direito. Isso não tem nada a ver com democracia.
Eu espero que esse projeto anticonstituição não seja aprovado, sequer seja pautado para votação, porque isso é uma afronta à sociedade civilizada.

Na roda de conversa na Vigília Lula Livre, o senhor falou em defesa do Supremo Tribunal Federal [STF] e do Supremo Tribunal de Justiça [STJ]. No atual momento de descrédito das instituições brasileiras, o senhor acredita que deve ser uma pauta dos movimentos populares a defesa dessas instituições?
Eu pertenço ao Poder Judiciário e eu tenho a obrigação de defendê-lo. A instituição pode, eventualmente, fazer coisas com as quais eu não concordo, mas é minha obrigação lutar pelo direito, lutar pela instituição e protegê-la.
O STF é um fundamento da República, é o guardião da nossa Constituição. Não existe sociedade civilizada no mundo, não existe estado democrático de direito sem uma corte constitucional, sem um Supremo Tribunal Federal.
Podemos sempre criticar as instituições. Aliás, devemos criticar, porque é próprio da democracia. Mas a gente não pode falar de fechar o STF, falar de “cabo e soldado” para fechar o STF… o que é isso?
Essa gente não tem apreço pela República, não tem apreço pela democracia. E eu insisto: nós temos excelentes quadros no STF e no STJ, excelentes ministros, muito experientes, autoridades renomadas que são respeitadíssimas inclusive fora do Brasil.
Essa gente está achincalhando para poder obrigar o Poder Judiciário a fazer o que eles querem, que é interferir politicamente dentro do Judiciário, e isso é inaceitável.
Os juízes têm que se unir, porque nenhuma pessoa pode ser julgada corretamente, adequadamente, senão por uma corte imparcial, um tribunal imparcial e que não está sob pressão.
Não existe possibilidade de um julgamento livre de vício se você tem juízes amedrontados ou juízes ofendidos, escrachados pela mídia. A gente não pode aceitar que isso ocorra no Brasil, e eu repudio isso com absoluta veemência.

REDES SOCIAIS

PM ameaça invadir e prender coordenadores da Vigília Lula Livre, em Curitiba

23 de março de 2019

Apoiadores do ex-presidente estão em terreno privado e não tiveram acesso a um mandado que justificasse a ação.

Pedro Carrano, via Brasil de Fato em 21/3/2019

A partir de decisão sem mandado judicial e sem apresentar argumentos, na quinta-feira [21/3] a Polícia Militar (PM) ameaçou invadir a Vigília Lula Livre e prender os coordenadores do espaço – que reúne apoiadores do ex-presidente Lula (PT) em Curitiba (PR) desde a prisão pela operação Lava-Jato, em 7 de abril de 2018. Ao todo, são três viaturas policiais estacionadas em frente à Vigília, que fica em um terreno privado ao lado da Superintendência da Polícia Federal, onde Lula está preso, no bairro Santa Cândida.

De acordo com o advogado Daniel Godoy, que representa as organizações que atuam no local, havia uma liminar referente ao trânsito em via pública, e não de um espaço privado como o da Vigília. As organizações estão em contato com autoridades estaduais para impedir violações.

Integrantes da Vigília entendem que as atividades devem seguir normalmente e ressaltam que, como atuam em espaço privado, respeitam o horário comercial e não cometem ilegalidades.

A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato e aguarda retorno da Polícia Militar para ter acesso aos documentos que justificariam a invasão do local.

O vídeo abaixo, gravado por Eduardo Matysiak mostra as primeiras ameaças, no fim da tarde desta quinta [21/3]. Segundo o agente policial que aparece nas imagens, identificado apenas como Nascimento, a saudação coletiva conhecida como “Boa noite, presidente Lula” estaria proibida por ordem judicial:

***

VIGÍLIA LULA LIVRE REPUDIA TENTATIVA DE INTIMIDAÇÃO E ABUSO DE AUTORIDADE POR GRUPO DA PM
Via Portal oficial do presidente Lula em 22/3/2019

A Coordenação da Vigília Lula Livre repudia ação intimidatória de um grupo da Polícia Militar do Paraná na noite de quinta-feira [21/3].

Perto do horário em que tradicionalmente é realizado o “Boa Noite, presidente Lula”, um grupo de policiais militares fortemente armados, sem ordem judicial, promoveu uma tentativa de despejo da Vigília, que ocorre em terreno privado.

Sem mandado ou qualquer documentação oficial, os policiais, acompanhados de uma advogada ligada ao grupo República de Curitiba, ameaçaram prender membros da coordenação da Vigília, além de um grupo de juízes que participava das atividades no local caso o Boa Noite fosse realizado.

A situação foi contornada apenas quando um major da PMPR chegou ao local e informou prontamente que não havia operação, nem ordem judicial para a ação e liberou a realização do Boa Noite, sem risco de violência por parte dos agentes de segurança.

Os policiais então recuaram e argumentaram que estavam responsáveis pela patrulha de um jogo de futebol quando receberam a denúncia de um morador sobre perturbação da ordem e se dirigiram ao local.

Constatando que não havia perturbação, a Vigília pôde encerrar suas atividades diárias com a realização do tradicional “Boa Noite, presidente Lula”. Advogados da Vigília acompanharam a ação e auxiliaram na garantia dos direitos dos apoiadores do ex-presidente que compõem a Vigília Lula Livre.

Seguimos em resistência há 349 dias, na luta pelo restabelecimento do Estado Democrático de Direito, contra qualquer abuso de autoridade. Daqui sairemos no dia em que o presidente Lula tiver seu direito a um julgamento justo assegurado, que reconheça sua inocência e seu direito à liberdade.

Lula Livre, Lula Inocente.

REDES SOCIAIS

Rodrigo Maia: Governo é um deserto de ideias. Quem sempre foi contra a reforma da Previdência foi Bolsonaro

23 de março de 2019

Bolsonaro foi às pressas à Câmara entregar reforma da Previdência dos militares depois que Maia avisou a Guedes que não receberia a proposta de suas mãos, como mostrou o Congresso em Foco. Foto: Marcos Corrêa/PR.

Via Congresso em Foco em 23/3/2019

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), tem destilado toda sua mágoa com o governo Bolsonaro. Peça mais que chave na aprovação da reforma da Previdência na Câmara, Maia sinalizou nessa sexta com o rompimento da articulação política que vinha fazendo para aprovação da proposta, o que levou o presidente Jair Bolsonaro a dizer que vai procurá-lo, como se fosse uma “namorada que quer ir embora”. Pois no sábado [23/3], em duas entrevistas exclusivas aos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, Rodrigo Maia disparou sua artilharia contra o Palácio do Planalto e explicitou os motivos de sua rebelião, que se fez sentir ontem no mercado financeiro, com a perda de confiança na aprovação da reforma.

Na avaliação do presidente da Câmara, o governo é um “deserto” de ideias, não tem projeto para o país, delega a ele uma tarefa que deveria ser sua – a de conseguir votos para aprovação da proposta –, deixando sobre suas costas todo o ônus de uma votação impopular, mostra-se incompetente por não construir uma base parlamentar. Esse é o mesmo governo que, segundo ele, trabalhou contra sua reeleição ao comando da Casa, em 1º de fevereiro.

A despeito disso, ele diz que continuará a apoiar as mudanças na Previdência. Mas, por tudo isso, considera que não tem qualquer compromisso com o governo.

De acordo com Maia, Bolsonaro atrapalha ao não demonstrar convicção com a reforma e precisa sair do Twitter para assumir o papel de garoto propaganda da proposta. “Quem foi contra a reforma a vida inteira foi ele.” O presidente ainda terá de reatar muito namoro na Câmara, avisa: “Ele precisa conseguir várias namoradas no Congresso, são os outros 307 votos que ele precisa conseguir. Ele pode me deixar para o fim da fila”.

Veja os motivos principais da insatisfação do presidente da Câmara, segundo ele mesmo:

Em entrevista ao Estadão
“Nós temos uma ilha de governo com o Paulo Guedes. Tirando ali, você tem pouca coisa. Ou pouca coisa pública. Nós sabemos onde estão os problemas. Um governo de direita deveria estar fazendo não apenas o enfrentamento nas redes sociais sobre se o comunismo acabou ou não.”

“Eles construíram nos últimos anos o ‘nós contra eles’. Nós, liberais, contra os comunistas. O discurso de Bolsonaro foi esse. Para eles, essa disputa do mal contra o bem, do sim contra o não, do quente contra o frio é o que alimenta a relação com parte da sociedade. Só que agora eles venceram as eleições.”

“Precisamos que o país volte a ter projeto. Qual é o projeto do governo Bolsonaro, fora a Previdência? Fora o projeto do ministro [Sérgio] Moro? Não se sabe. Qual é o projeto de um partido de direita para acabar com a extrema pobreza? Criticaram tanto o Bolsa Família e não propuseram nada até agora no lugar.”

“O Brasil precisa sair do Twitter e ir para a vida real. Ninguém consegue emprego, vaga na escola, creche, hospital por causa do Twitter.”

“O discurso dele é: sou contra a reforma, mas fui obrigado a mandá-la ou o Brasil quebra. Ele dá sinalização de insegurança ao Parlamento. Ele tem que assumir o discurso que faz o ministro Paulo Guedes. Hoje, o governo não tem base. Não sou eu que vou organizar a base.”

“Ele está transferindo para a presidência da Câmara e do Senado uma responsabilidade que é dele. Então, ele fica só com o bônus e eu fico com o ônus de ganhar ou perder. Se ganhar, ganhei com eles. Se perder, perdi sozinho.”

“Ele precisa construir um diálogo com o Parlamento, com os líderes, com os partidos. Não pode ficar a informação de que o meu diálogo é pelo toma lá, dá cá. A gente tem que parar com essa conversa.”

“Na hora em que a gente está trabalhando uma matéria tão importante como a Previdência, e a rede próxima ao presidente é instrumento de ataque a pessoas que estão ajudando nessa reforma, eu posso chegar à conclusão de que, por trás disso, está a vontade do governo de não votar a Previdência.”

“Se o presidente não falar comigo até o fim do mandato,
não tem problema. Sou a favor da reforma da Previdência.
O problema é que ele precisa conseguir várias namoradas no
Congresso, são os outros 307 votos que ele precisa conseguir.
Ele pode me deixar para o fim da fila.”

Em entrevista a O Globo
“O governo trabalhou contra a minha eleição, através do seu ministro da Casa Civil [Onyx Lorenzoni], até dois dias antes da votação. Tentaram primeiro viabilizar o senador Davi Alcolumbre para me inviabilizar. Depois, tentaram fortalecer um candidato no meu campo. No final, tentaram fortalecer o candidato com mais chances que sobrou. Então, não tenho nenhum compromisso com o governo.”

“Defendo a reforma com muito mais convicção que ele. O que ele precisa é da mesma convicção que eu e o ministro Paulo Guedes (Economia) temos na defesa da matéria.”

“Ficam dizendo nas redes sociais que estou contra
a matéria. Me desculpe. Quem foi contra a matéria
a vida inteira foi o Bolsonaro, não fui eu. Sempre
estive neste campo: o da reforma do Estado, da
reforma da Previdência e da economia de mercado.”

“Nas últimas semanas foi se construindo uma imagem de que o Parlamento estava atrás de cargos, que ia pressionar o governo. Isso é muito ruim para a relação entre Legislativo e Executivo.”

“Não tem ninguém boicotando votação, nenhum tipo de pressão. Ele [Bolsonaro] está criando uma falsa informação. Mas sem seu protagonismo, nada vai andar. Como é que o presidente não constrói sua base? Isso é impossível dar certo.”

“Se não chamar deputado por deputado, não olhar no olho e não falar da importância da reforma, será difícil. Ou ele patrocina, lidera e passa a ser o garoto-propaganda dela, ou será muito difícil.”

“O presidente precisa compreender que ele foi eleito para comandar sua pauta. O sistema é presidencialista, não é parlamentarista.”

“Estou dialogando e estou convencido de que o relator da reforma precisa ser do PSL. Porque, a partir do partido do presidente, ele vai ter capacidade maior de diálogo.”

“Estamos vivendo um momento em que as redes sociais do Bolsonaro agridem quando um deputado ou jornal critica o governo. Tem algo errado nessa relação […] Vivemos numa democracia ou numa ditadura? Quando você não aceita crítica, passa a não viver numa democracia e começa a viver numa ditadura.”

“Sempre tive uma relação de muito diálogo com o ministro Moro, sei das boas intenções dele. Agora, quem conhece a Câmara sou eu e sei que ela não tem capacidade de mobilização em dois temas tão relevantes ao mesmo tempo. […] A decisão de como vai tramitar é da Câmara, não do Executivo. Eles têm que tomar cuidado porque essa fronteira leva à ditadura. Agente precisa respeitar os Poderes.”

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