Archive for the ‘Política’ Category

Estadão promove fake news: PGR não investiga Gleisi Hoffmann

20 de abril de 2018

“Não há uma investigação formal em curso”, disse PGR ao GGN.

Patricia Faermann, via Jornal GGN em 19/4/2018

A Procuradoria Geral da República não está investigando, nem abriu investigação sobre as declarações concedidas pela senadora Gleisi Hoffmann (PR-PR) à TV Al-Jazeera. A manchete criada pela coluna de Andreza Matais, do Estadão, e repercutida em efeito “cascata” por diversos veículos é uma “barriga” em jargão do jornalismo, ou popularmente “Fake News”.

O título da publicação diz: “PGR abre investigação sobre vídeo de Gleisi para TV Al-Jazira”. E a mentira se alastrou.

Mas qual é a verdade sobre a notícia? O GGN contatou a PGR, que informou que não abriu investigação contra a senadora, mas apenas instaurou uma Notícia de Fato para analisar todas as representações com todos os pedidos de investigação.

Desde que a parlamentar concedeu a declaração à TV Al Jazeera, diversas pessoas protocolaram esses pedidos de investigação. O que a PGR precisa fazer, independente do resultado, é analisar, antes, se vai começar a investigar ou não o caso.

“A notícia de fato é um procedimento prévio apenas para colher informações preliminares e deliberar sobre uma eventual instauração de procedimento investigatório. Então não há uma investigação formal em curso”, confirmou a PGR ao GGN.

“PGR abre investigação sobre vídeo de Gleisi para TV Al Jazeera”, repetiu IstoÉ. “PGR abre investigação sobre polêmico vídeo de Gleisi em defesa de Lula para a TV Al-Jazeera”, aumentou Infomoney. A rádio Jovem Pan chegou a fazer um debate especial com o mesmo título. “PGR abre investigação sobre vídeo de Gleisi à rede Al Jazeera”, deu a Metrópoles.

O JC Online já deu o veredito aparentemente inquestionável para o futuro: “PGR irá investigar vídeo de Gleisi Hoffman para TV Al-Jazeera”. “URGENTE: PGR abre investigação sobre vídeo de Gleisi para TV Al Jazeera”, alarmou o Diário Nacional. “PGR abre investigação sobre vídeo de Gleisi para TV Al-Jazeera”, deu o Metro1. E assim por diante.

O primeiro fenômeno é chamado “Fake News”, como já vimos aqui na Agência Xeque. O segundo é consequência do primeiro, piorando o estrago, e é chamado no jornalismo como efeito “cascata”, que é repercutir a barrigada, sem apuração.

Xeque!

Relembrando: Como o império político de Aécio ruiu em Minas Gerais

20 de abril de 2018

Traições, alianças rompidas, censura e crise econômica minaram hegemonia local do ex-governador.

Breiller Pires, via El País Brasil em 23/5/2017

Há quatro anos, o maior líder político mineiro das últimas duas décadas dava sua primeira cartada para lançar-se à tão sonhada Presidência da República. Aécio Neves acabava de ser eleito presidente nacional do PSDB, com quase 100% dos votos. O ato simbólico de largada para assumir a cadeira que o avô Tancredo esteve prestes a ocupar no período da redemocratização encobria, no entanto, a incipiente perda de força do tucano em seu reduto eleitoral. A gravação de Joesley Batista, que flagra Aécio pedindo propina de R$2 milhões, é apenas o golpe de misericórdia sobre o corroído capital político que restava ao ex-presidenciável depois de ter sido engolido pelas delações da Odebrecht na Operação Lava-Jato.

Desde que iniciou o primeiro mandato como governador, em 2003, o neto de Tancredo adotou um perfil distinto do avô, que notabilizou-se pela liderança personalista. Embora tentasse se vender como estadista, Aécio tinha como virtude a repartição do poder em diversas frentes, sobretudo no interior de Minas Gerais. “Aécio é um facilitador, nunca foi protagonista”, afirma o cientista político Rudá Ricci. Com maioria na Assembleia Legislativa e o controle do orçamento, o governador conseguia direcionar recursos para núcleos sob sua influência no estado, que reuniam não só a base aliada, mas também políticos identificados com o governo federal.

A afinidade com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstrava puramente o estilo pacificador, mas também uma estratégia para ampliar seu campo de atuação. “O aecismo, que se formou em torno de um quebra-cabeça, tinha a capacidade de aglutinar forças antagônicas. Dava poder a partidos de oposição e conciliava famílias rivais pelo interior. Depois de sua experiência como deputado federal, Aécio levou a pequena política do baixo clero do Congresso para o estado. Essa estrutura lhe garantiu por muitos anos um status de intocável”, analisa Ricci. A favor do tucano também pesava a juventude e a projeção nacional que ganhara como presidente da Câmara dos Deputados. “Depois de Tancredo, Aécio foi o primeiro representante do executivo mineiro com envergadura de presidenciável”, diz Bruno Reis, professor de ciências políticas da Universidade Federal de Minas Gerais. “Ele simbolizava as pretensões da elite e dos setores econômicos.”

Para consolidar sua força, a verve aglutinadora de Aécio alcançou proezas que o conduziram ao pedestal de um semideus. Primeiro, uniu PSDB e PT para emplacar o desconhecido Márcio Lacerda, do PSB, na prefeitura de Belo Horizonte. Em seguida, garantiu a eleição de Antônio Anastasia, sem nenhum lastro na política, como seu sucessor no governo enquanto se lançava ao Senado. A esta altura, ele já havia protagonizado os fenômenos “Lulécio” e “Dilmécio”, em que vários prefeitos do interior apoiavam o PSDB no estado e, ao mesmo tempo, o PT, no plano nacional. As seguidas mostras de domínio nas entranhas mineiras o deixaram confiante para resgatar o ex-ministro Pimenta da Veiga do ostracismo e escolhê-lo para a sucessão de Anastasia em 2014.

Segundo antigos aliados, esse teria sido o erro capital de sua trajetória política. A escolha foi vista como uma traição ao deputado federal Marcus Pestana, regente de um importante núcleo eleitoral na Zona da Mata mineira e candidato natural ao governo. “O Aécio não traiu somente o Marcus Pestana, mas toda a rede que ele liderava no interior, que foi rapidamente desarticulada. Na campanha, havia prefeitos ligados ao Pestana posando para fotos com o Fernando Pimentel [candidato do PT que acabou superando Pimenta da Veiga no primeiro turno]. Foi um erro grosseiro de cálculo político”, afirma Ricci. Para Bruno Reis, “as conquistas que obteve em Minas subiram um pouco à cabeça de Aécio, que cedeu à tentação de tirar um nome do bolso do colete para se manter influente no governo”.

Não bastassem o esfacelamento da base no interior, o fracasso com Pimenta da Veiga e as humilhantes derrotas nos dois turnos em Minas Gerais para Dilma Rousseff na disputa presidencial, o senador teve de lidar com o acirramento da crise econômica que, ainda no governo de Anastasia, havia iniciado o processo de deterioração do aecismo. Em pouco mais de uma década à frente do executivo, a administração que propalava o famoso “choque de gestão” fez de Minas o segundo estado mais endividado do país e perdeu o fôlego para investimentos em áreas-chave como saúde, segurança e educação. “O modelo do Aécio se restringia às relações econômicas e negligenciava as políticas. A partir do momento em que se fecha a torneira e o dinheiro acaba, essa estrutura não se sustenta mais”, avalia Ricci. Do Congresso, em meio à guerra declarada com o PT e a concentração de esforços para derrubar Dilma, Aécio tampouco conseguia atender às demandas estaduais com emendas parlamentares, o que desagradava ainda mais os apoiadores que seguiam ao seu lado após a derrota. “Aécio sempre foi um insider da política, de postura centrista”, diz Reis. “Ao partir para o ataque contra o PT, ele saiu de seu hábitat e fez do impeachment a última cartada pela presidência. Mas, como tinha retaguarda vulnerável, acabou se expondo demais.”

Nesse ponto, a corrida presidencial deixou feridas jamais escancaradas em seu berço eleitoral. Contando com a mão de ferro da irmã Andréa Neves, que desempenhou o papel informal de articuladora política durante o governo, Aécio domava a grande imprensa mineira de acordo com seus interesses. Tinha relacionamento próximo com proprietários de meios de comunicação, como Flávio Jacques Carneiro, antigo dono do jornal Hoje em Dia, que, segundo delação de Joesley Batista, teria se reunido com o empresário para tratar de propinas destinadas à campanha do tucano. O bom trânsito na imprensa do estado, historicamente alinhada a governos de diferentes orientações partidárias, somado à dependência das verbas de publicidade estatal, construiu uma blindagem praticamente impenetrável em torno de Aécio. Vários jornalistas mineiros despedidos durante a proeminência do aecismo atribuem a demissão a exigências de Andrea Neves. De acordo com o Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, ela “exercia forte controle sobre as publicações no estado e perseguia críticos de Aécio”.

Andrea Neves, irmã de Aécio, foi presa.

Horas depois da prisão de Andrea, que teria negociado pessoalmente com Joesley os R$2 milhões de propina repassados por meio de Frederico Costa, primo de Aécio, dezenas de jornalistas promoveram um encontro no sindicato para celebrar o que chamaram de “Dia da Liberdade de Imprensa em Minas Gerais”. Foi justamente nesse contexto de insatisfação velada nas redações que tornou-se praxe ao longo da campanha presidencial o que repórteres apelidaram, em tom irônico, de “tráfico de matérias”. Muitas vezes guiados pela autocensura, a fim de evitar colocar o próprio emprego em risco, profissionais repassavam informações que pudessem comprometer Aécio a veículos de outros estados. Jornais nacionais começaram, então, a publicar reportagens que dificilmente ganhariam espaço em Minas, como a história do aeroporto construído com recursos públicos em um terreno da família do senador, na cidade de Cláudio.

Fora da zona de conforto, diante de uma artilharia que nunca havia experimentado, Aécio e o clã liderado por Andrea Neves reagiam de forma pouco republicana à circulação de notícias negativas que afetavam até mesmo o lado mais íntimo do senador. No começo de 2014, por exemplo, a Justiça negou um pedido para barrar buscas na internet que relacionavam o nome de Aécio ao uso de drogas. A imagem desgastada também comprometeu a capacidade de angariar recursos para as campanhas do PSDB no estado, tanto que o pleito à Presidência deixou uma dívida superior a 15 milhões de reais para o partido. Ainda segundo a delação de Joesley, a JBS teria repassado pelo menos 60 milhões de reais em propinas para a campanha de Aécio. “Esse escândalo é a concretização do desgaste que se desenhava há alguns anos. O declínio de Aécio deixa um vácuo de lideranças políticas sem precedentes na história de Minas”, afirma Rudá Ricci. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, Aécio Neves foi afastado do cargo no Senado, pode ter o mandato cassado e ainda é acusado de tentar obstruir investigações da Lava-Jato. A defesa do tucano alega que o pedido a Joesley se tratava meramente de um empréstimo para fins pessoais.

O novo presidente de Cuba e a decrépita Folha de S.Paulo

20 de abril de 2018

Moisés Mendes em 19/4/2018

A Folha tem o melhor humor do Brasil hoje. Esta é de fazer rir a tarde toda. Um texto em que o jornal explica porque não irá chamar o novo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, de ditador.

Como se isso tivesse alguma importância para alguém. A Folha continua achando que os jornais determinam como definir um governante.

É uma pretensão caduca, de outros tempos. Eu comento e publico a nota como curiosidade. É de matar de rir.

Miguel Díaz-Canel não será chamado de ditador de Cuba
Diferentemente do que ocorria com Fidel Castro, que foi ditador de Cuba de 1959 a 2008, e com seu irmão Raul Castro, que governou a ilha de 2008 a 2018, o novo presidente Miguel Díaz-Canel não será chamado de ditador pela Folha.
Cuba é uma ditadura comunista, já que é um regime autoritário de partido único, com repressão a liberdades individuais. No entanto, mesmo com a ascensão de Díaz-Canel a presidente do Conselho de Estado e, portanto, a chefe de governo e de Estado, ele não terá o poder concentrado em sua figura. É sabido que Raul Castro continuará à frente do Partido Comunista Cubano e das Forças Armadas, de onde de fato vêm as decisões na ilha.
Por isso, em acordo com o Manual da Redação, a Folha tratará Díaz-Canel como líder ou dirigente do regime ditatorial cubano.

Leia também:
Quem é Miguel Díaz-Canel, “discípulo” de Raul Castro, que assume o poder em Cuba

Esse homem ajudou nós, agora nós temos de ajudar ele

20 de abril de 2018

Jeferson Miola 20/4/2018

A luta pela libertação do Lula da prisão política é comovente. Vem de Recife uma história que, de tão genial, a Folha de S.Paulo não teve como esconder. Se viu obrigada a publicar.

A narrativa serve como uma bela paródia do filme franco-brasileiro Central do Brasil, em que um personagem escreve cartas para pessoas analfabetas enviarem a seus familiares no interior dos confins.

O vídeo pode ser visto aqui.

Vai prescrever?: Gilmar Mendes prorroga por 60 dias investigação sobre Aécio

20 de abril de 2018

Gilmar também determinou que o inquérito contra o senador seja encaminhado à PF para a realização de diligências.

Via Exame em 19/4/2018

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu prorrogar por 60 dias as investigações sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no âmbito de um inquérito que apura “maquiagem” de informações prestadas pelo Banco Rural à CPMI dos Correios. Gilmar também determinou que o inquérito contra o senador seja encaminhado à Polícia Federal para a realização de diligências.

“Tendo em vista que há diligências pendentes […], defiro a prorrogação de prazo, nos termos requeridos. Ante o exposto, determino o prosseguimento das investigações, deferindo o prazo de sessenta dias para conclusão das investigações”, determinou o ministro, em decisão assinada no dia 13 de abril.

O inquérito foi instaurado com base na delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral (MS). O delegado de Polícia Federal Heliel Jefferson Martins havia pedido a prorrogação do prazo para a conclusão das investigações, já que aguarda o retorno de duas cartas precatórias (quando há pedido de informações envolvendo instâncias judiciais distintas) para apresentar o relatório final.

Procurada pela reportagem, a assessoria do senador informou que “prorrogações são medidas rotineiras em inquéritos” e que “quanto mais profunda e isenta for a investigação, mais clareza haverá de que o senador não tem qualquer relação com os fatos investigados”.

Denúncia
Na última terça-feira (17), a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador pelos crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça com base na delação premiada do Grupo J&F.

Ex-presidente nacional do PSDB, Aécio se tornou réu pela primeira vez no Supremo por causa do episódio em que foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista. O tucano também é acusado de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato.

Além da ação penal que será aberta, Aécio é alvo de oito inquéritos que tramitam no Supremo – cinco com base na delação da Odebrecht, dois relacionados à delação de Delcídio e outro caso da delação da J&F.


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