Archive for the ‘Política’ Category

Paulo Freire: Como o legado do educador brasileiro é visto no exterior

15 de janeiro de 2019

Tratada pelo governo Bolsonaro como bode expiatório da má qualidade do ensino público brasileiro, a obra do educador Paulo Freire (1921-1997) pode ser controversa. Mas o trabalho do pedagogo e filósofo, nomeado em 2012 patrono da educação brasileira e autor de um método de alfabetização que completou 50 anos em 2013, não deixa de ser bastante relevante nas discussões mundiais sobre pedagogia.

Edson Veiga, via BBC Brasil em 14/1/2019

Paulo Freire é estudado em universidades norte-americanas, homenageado com escultura na Suécia, nome de centro de estudos na Finlândia e inspiração para cientistas em Kosovo. De acordo com levantamento do pesquisador Elliott Green, professor da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, na Inglaterra, o livro fundamental da obra do educador, Pedagogia do Oprimido, escrito em 1968, é o terceiro mais citado em trabalhos acadêmicos na área de humanidades em todo o mundo.

Para especialistas em educação ouvidos pela BBC News Brasil, entretanto, a raiz da controvérsia em torno da pedagogia de Paulo Freire não é sua aplicação em si – mas o uso político-partidário que foi feito dela, historicamente e, mais do que nunca, nos dias atuais. “Li a maior parte dos livros dele. Minha tese de doutorado foi amplamente baseada em seus ensinamentos. Tenho aplicado seu método de várias maneiras em minha carreira profissional, na prática e na pesquisa”, afirmou a pedagoga Eeva Anttila, professora da Universidade de Artes de Helsinque, na Finlândia.

“A maior vantagem de sua metodologia é a abordagem anti-opressiva e não autoritária, a pedagogia dialógica e respeitosa que ele promoveu. O problema é que suas ideias têm sido usadas para fins políticos – o que, em meu entendimento, nunca foi seu propósito inicial”, disse a finlandesa.

Freire tornou-se conhecido a partir do início dos anos 1960. Ele desenvolveu um método de alfabetização de adultos baseado nos contextos e saberes de cada comunidade, respeitando as experiências de vida próprias do indivíduo. Aplicou o modelo pela primeira vez em um grupo de 300 trabalhadores de canaviais em Angicos, no Rio Grande do Norte. De acordo com os registros da época, a alfabetização ocorreu em tempo recorde: 45 dias.

Homenagens pelo mundo
Referência mundial em qualidade do ensino, a Finlândia conta, desde 2007, com um espaço dedicado a discutir a obra do educador brasileiro. O Centro Paulo Freire Finlândia fica na cidade de Tampere. “É um hub para os interessados em Paulo Freire e em seu legado para tornar o mundo mais igualitário e justo”, de acordo com a definição da própria instituição. Eles publicaram, online, três livros com artigos – em finlandês – analisando a obra do brasileiro. O material teve 17 mil downloads.

Um mural retratando o pedagogo pernambucano na Universidade do Bío-Bío, no Chile.

Há centros de estudos semelhantes, todos batizados com o nome do brasileiro, na África do Sul, na Áustria, na Alemanha, na Holanda, em Portugal, na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Canadá. Na Suécia, Freire é lembrado em um monumento público. Localizada no subúrbio de Estocolmo, Depois do Banho é uma obra em pedra-sabão esculpida entre 1971 e 1976 pela artista Pye Engström. Sentadas lado a lado, estão retratadas sete personalidades com apelo político, como o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), a escritora sueca Sara Lidman (1923-2004) e a sexóloga norueguesa Elise Ottesen-Jensen (1886-1973).

Mas a obra do educador brasileiro está longe de ser unanimidade entre os países que costumam liderar o ranking Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Em Cingapura, que apareceu na primeira colocação na edição 2016 da avaliação trienal realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com escolas conhecidas por adotar um método linha-dura, a BBC News Brasil procurou a mais importante instituição de ensino superior do país para saber se algum pesquisador comentaria a obra do brasileiro Paulo Freire.

Professor destacado pela assessoria de comunicação da Universidade Nacional de Cingapura para atender à reportagem, Kelvin Seah disse que “não era a melhor pessoa para comentar sobre Paulo Freire”. “Eu não sou familiarizado com seu método”, afirmou.

Convidado a comentar sobre qual seria o método mais adequado ao contexto brasileiro, o especialista recomendou que os gestores analisassem caso a caso. “O método mais apropriado para os alunos em uma escola depende do perfil dos alunos da escola, do treinamento prévio recebido pelos professores, bem como dos recursos de instrução e financeiros disponíveis para a escola.”

Pedagogia do diálogo nos Estados Unidos
Em artigo acadêmico analisando o legado de Paulo Freire pelo mundo, o professor de filosofia da educação da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Ronald David Glass aponta que o mérito de Paulo Freire está no método que valoriza a “consciência crítica, transformadora e diferencial, que emerge da educação como uma prática de liberdade”.

“Paulo Freire viveu sua vida no espaço desta consciência; é por isso que inspirou e energizou pessoas no mundo inteiro, e é por isso que seu legado se prolongará muito além de qualquer horizonte que possamos enxergar agora”, escreveu o professor. “Freire sempre estava buscando se tornar mais humano, tornar possível que outros fossem mais humanos e, se acolhermos esta busca com tanto amor e determinação quanto ele, então uma maior medida de justiça e democracia estará ao alcance.”

Professor da Faculdade de Educação da Universidade Cristã do Texas, Douglas J. Simpson causou certa polêmica no meio acadêmico ao publicar, anos atrás, um artigo intitulado “É Hora de Engavetar Paulo Freire?”. “Na verdade, não acho que suas ideias devam ser arquivadas”, esclareceu ele à BBC News Brasil. “Meu texto foi pensado para atrair a atenção daqueles que acham que sempre estamos recorrendo a Freire. Pessoalmente, acho importante descobrir de novo ou pela primeira vez por que precisamos combinar uma forte paixão reflexiva ‘freireana’, de respeito e amor, a pessoas carentes de justiça pessoal.”

Paulo Freire está entre os pensadores mais citados do mundo. Ilustração: Luiz Carlos Cappellano.

Simpson afirma que a pedagogia baseada no diálogo é fundamental “para que a educação e a democracia prosperem, ou pelo menos sobrevivam”. Ele culpa justamente a falta de diálogo pelo fato de as sociedades – e as escolas – estarem fortemente polarizadas politicamente. “Não temos sido efetivamente ensinados a praticar o diálogo nas escolas, muito menos nos governos.” Para o professor, Paulo Freire ensinou, acima de tudo, que precisamos aprender “a ouvir, a entender e a respeitar uns aos outros” e a “trabalhar juntos nos problemas”.

Considerando o contexto brasileiro, Simpson acredita que não deveria haver uma padronização – ou seja, que as escolas não deveriam seguir todas o mesmo método pedagógico. “As escolas precisam de culturas e responsabilidades que se baseiem em uma ética profissional, políticas e práticas meritórias”, disse. Para ele, os métodos são necessários, “mas devem ser vistos como revisáveis, porque as escolas, sociedades, trabalhos e aprendizados são dinâmicos”. “A padronização nas escolas muitas vezes leva a uma inércia indevida, de mesmice, de regulamentação estéril”, complementou.

Nos anos 1970, o pedagogo John L. Elias, então professor da Universidade de Nova Jersey, escreveu muito a respeito de Paulo Freire. O educador brasileiro foi tema de sua tese de doutorado. Em texto de 1975, Elias apontou “sérios problemas no método” do brasileiro.

“A teoria da aprendizagem de Freire está subordinada a propósitos políticos e sociais. Tal teoria se abre para acusações de doutrinação e manipulação”, afirmou ele. “A teoria de Freire da aprendizagem é doutrinária e manipuladora?”, provocou.

Paulo Freire é a segunda figura, da esq. para a dir., nesta escultura de 1976 de Nye Engström. A obra fica em Estocolmo, na Suécia.

Elias apontou que o educador brasileiro via “os sistemas educacionais do Terceiro Mundo como o principal meio que as elites opressoras usam para dominar as massas”. “Conhecimento e aprendizado são políticos para Freire, porque eles são o poder para aqueles que os geram, como são para aqueles que os usam”, argumentou.

Principal obra de Freire, Pedagogia do Oprimido foi escrito em 1968, mas só foi publicado no Brasil anos depois, em 1974.

Professora de Educação Internacional e Comparada na Faculdade dos Professores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, Regina Cortina já abordou a metodologia de Paulo Freire em diversos estudos sobre educação na América Latina, mas disse à BBC News Brasil que não se sentia “confortável” em comentar o tema no momento “por causa das mudanças administrativas no Brasil”. Cortina afirmou, por meio da assessoria de imprensa da universidade, que não é possível vislumbrar com clareza “como as coisas vão seguir nas escolas brasileiras”.

Quais as ideias de Freire?
Para Freire, o ensino ocorre a partir do diálogo entre professor e aluno, desenvolvendo assim capacidade crítica e preparando os estudantes para sua emancipação social. No jargão do meio, o método Freire é o oposto ao conceito “bancário” de educação – aquele no qual o professor “deposita” o conhecimento nas mentes dos alunos. Para Freire, a educação é construída em conjunto.

O método Paulo Freire chegou a ser adotado pelo governo de João Goulart (1919-1976) em esforços para alfabetização de adultos. Com a ditadura militar, entretanto, o educador passou a ser perseguido, chegou a ser preso por 70 dias e viveu no exílio na Bolívia e no Chile. Após a publicação da Pedagogia do Oprimido, em 1968, Freire foi convidado para ser professor visitante na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Reconhecido desde 2012 como o Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire é considerado o brasileiro mais vezes laureado com títulos de doutor honoris causa pelo mundo. No total, ele recebeu homenagens em pelo menos 35 universidades, entre brasileiras e estrangeiras, como a Universidade de Genebra, a Universidade de Bolonha, a Universidade de Estocolmo, a Universidade de Massachusetts, a Universidade de Illinois e a Universidade de Lisboa. Em 1986, Freire recebeu o Prêmio Educação para a Paz, concedido pela Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura.

Paulo Freire em retrato de 1963.

Há instituições de ensino que seguem o método Paulo Freire em diversos países. É o caso da Revere High School, escola em Massachusetts que em 2014 foi avaliada como a melhor instituição pública de Ensino Médio nos Estados Unidos. Em Kosovo, um grupo de jovens acadêmicos criou um projeto de ciência cidadã inspirado na pedagogia crítica do brasileiro. Os participantes recebem um kit para monitorar as condições ambientais e, assim, juntos, pressionar o governo por melhorias na área.

“Acredito que seria ótimo que a pedagogia em qualquer escola de qualquer país partisse do pensamento de Freire”, comentou a pedagoga finlandesa Anttila. “Especialmente no Brasil, dada a atual situação política e a história do país.” Ela diz que um método de ensino, para funcionar bem, precisa levar em conta as situações de vida dos alunos. “Não acredito em pedagogia autoritária. As aulas não precisam ser autoritárias. É preciso diálogo, discussão, negociação, exploração. Construir conhecimento para que haja capacidade de expressar ideias e ouvir os outros. Eis a chave para a democracia. E a educação democrática é a única maneira de salvaguardar uma sociedade democrática”, declarou.

O coronel que virou suco

15 de janeiro de 2019

Gustavo Conde em 14/1/2019

Não é agradável redigir obituário político de ninguém. É, na verdade, uma tarefa inglória, triste, de pesar. Quando um político morre, em geral, presta-se condolências à família, destaca-se o legado – concordando-se ou não com ele – e respeita-se o último suspiro de alguém, que bem ou mal, viveu o seu tempo.

O Brasil está em um momento especial para enterrar os seus mortos. É uma questão geracional, não ideológica. E também não é em função da ascensão do fascismo contemporâneo brasileiro, encarnado na vitória eleitoral discutível – porque rodeada de suspeitas de fraude – de Jair Bolsonaro.

Nossa realidade coletiva de despedida de um passado que não existe mais tampouco tem a ver com o fim da democracia, marcado pelo golpe de 2016, tão bem executado por Michel Temer – onde ele está? – PSDB, Aécio Neves e Eduardo Cunha.

A democracia já acabou em outros momentos. Quando a democracia acaba, ela acaba para voltar. São os processos igualmente naturais que incrustam metaforicamente a história de vida própria.

Todo esse processo golpista que subjaz ao DNA das elites brasileiras só vai fortalecer ainda mais o discurso e a mobilização política dos segmentos progressistas, bons de luta, amantes do embate franco e direto que caracterizam tanto a conquista democrática dos espaços de poder legítimos.

Traduzindo: quem morre simbolicamente é o PSDB – que se tornou um partido nanico. Mas há uma geração inteira de políticos do passado que não morre simbolicamente. Morre definitivamente.

Ainda não inventaram o elixir da imortalidade. E, à medida que o tempo passa, vamos nos dando conta disso, vendo amigos indo embora de maneira cada vez mais acelerada. Deveria, a rigor, ser uma experiência bonita essa despedida baseada em missão cumprida e em vidas vividas intensamente.

Ninguém pode durar para sempre. Os políticos que marcaram tanto os anos 80 e 90 vão, aos poucos, deixando a cena e mergulhando no esquecimento.

A única exceção nesse rol – para o eterno inferno astral dos maus perdedores de plantão – atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, como todos sabem, além de ser hors-concours, é mais jovem que seus adversários sanguinolentos. Não bastasse, em vida ele já é um protagonista imortalizado pela história e pelo povo que lhe dedicou mais de 280 milhões de votos ao longo de 40 anos de vida pública.

Paulo Maluf, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, José Sarney, e tantos outros gloriosos agentes do mercado financeiro que se locupletaram com o poder, caminham para suas respectivas notas de rodapé, plenas da mais profunda dicção panegírica já conquistada em vida coadjuvante. Merecem o nosso respeito e um adeus sincero.

O que retorce um pouco essa realidade geracional são os fenômenos precoces de despedidas políticas, essas sim, investidas de deterioração do sentido, não do corpo.

É absolutamente fascinante acompanhar o suicídio calculado e convicto de um dos políticos mais promissores de seu tempo que chegaram a roçar o cargo máximo do país.

A cada fala de Ciro Gomes, estala um sentido de comiseração por alguém que decidiu mergulhar de cabeça em um riacho vazio, cujas pequenas pedras roliças sequer rolariam de desgosto.

Trata-se de um relato de caso a ser devidamente investigado pelas gerações futuras de pesquisadores da psicologia social e política.

O coronelismo encomiástico de Ciro, tão característico da cultura popular do século 19, já é, em si, uma nota folclórica de grande interesse sociológico. Ver um político em pleno ano 19 do século 21 destilar autoelogios sequenciais em frente às câmeras de TV e em frente a jornalistas embasbacados com tanta babaquice é uma experiência única. Prazerosa, no limite – para quem tem fetiches exóticos relacionados à linguagem humana e suas disfunções.

Mas, é a vida. Ciro é como um gato insaciável. Já morreu sete vezes e quer mais. A cada palavra “dona” que sai daquela indefectível máquina verborrágica, fica cravado na história o volume de misoginia e machismo embutido em sua psicologia rudimentar de macho-alfa-coronel. É uma “parada”, dissecar o discurso cirista. Exige estômago de pesquisador sênior.

A predileção – em tempo – de atacar mulheres é uma espécie de “coqueluche” retrô dos hobbies masculinizantes. Ciro baba ódio e ressentimento quando fala de Dilma Rousseff e regurgita recalques múltiplos quando ataca Gleisi Hoffmann.

Aliás, a presidenta do PT deu uma resposta tão bem dada ao Ciro, que certamente ele não teve tempo de anotar a placa. Gleisi disse: “basta de despeito. Quer liderar, lidere.” Sutil como uma onça.

A gente se diverte. Ciro mal calcula a piracema de contradições que ronda a sua verve maníaco-suicida. Ele conferira legitimidade a Maduro e à Venezuela em plena campanha eleitoral para depois atacar Gleisi por sua visita à recondução presidente eleito da Venezuela ao cargo.

Ciro foi se espremendo ele mesmo. Virou “suco”. Suco de Ciro. Ele defende diálogo com Bolsonaro, deseja sorte ao “presidente”, “piloto do avião” (que metáfora boa, hein), amarga a memória de sua fuga do segundo turno, agoniza com suas teses economicistas de gabinete (decoradas como um cântico fanático) e atravessa todo um repertório de violência retórica, de insulto à integrantes do MBL a considerações infelizes sobre práticas de acasalamento coloniais.

É um assombro.

Quem poderia controlar uma psicologia dessas? Marqueteiros? Psicólogos? Psicanalistas?

Só se for o Analista de Bagé, profissional do joelhaço imortalizado pelo magnífico Luis Fernando Verissimo.

Ciro tem minha solidariedade. Nós pesquisadores nos apegamos aos sujeitos pesquisados. Eles nos são valiosos. Ele confere alguma graça à nossa cena política tão desgraçada neste momento inglório.

Admitamos: sempre teremos um Ciro Gomes a nos divertir quando tudo parecer impossível.

Ele pareia com Bolsonaro como atração bizarra no circo dos horrores que se tornou o debate público brasileiro. Ele insiste. Deixemo-lo.

Enquanto isso, uma oposição ressurge forte, assertiva e solta para produzir a crítica consistente de um governo que também derreteu antes da hora.

Como se diz nas encruzilhadas espirituais mundo afora: os cães ladram e a caravana passa.

Gustavo Conde é linguista, colunista do 247 e apresentador do Programa Pocket Show da Resistência Democrática pela TV 247.

Governo exonera presidenta do Inep e ex-MBL vai cuidar do Enem

15 de janeiro de 2019

Além de Maria Inês, foram exoneradas outras três diretoras do Inep na segunda-feira [14/1].

Professor da FGV ficará no comando do instituto, depois de crise com Bolsonaro.

Mariana Tokarnia, via Agência Brasil em 14/1/2019

A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, foi exonerada do cargo hoje [14/1]. O novo presidente será Marcus Vinicius Rodrigues, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Também foram exonerados diretores e secretários do Ministério da Educação (MEC) e autarquias.

O governo já havia anunciado que Maria Inês não permaneceria no cargo. O seu nome chegou a ser ventilado para chefiar o Ministério da Educação (MEC). Mas questões da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018, que é de responsabilidade do Inep, desagradaram o presidente Jair Bolsonaro, que defendeu que o exame deve cobrar “conhecimentos úteis”.

O economista Murilo Resende Ferreira, ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) de Goiás, será o responsável pelo Enem.

Além de Maria Inês, foram exoneradas também do Inep na segunda-feira [14/1] a diretora de Estudos Educacionais, Alvana Maria Bof; a diretora de Gestão e Planejamento, Eunice Oliveira; e a diretora de Avaliação da Educação Básica, Luana Bergmann.

Foram exonerados ainda secretários e diretores do MEC, diretores do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Abilio Afonso Baeta Neves.

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MURILO RESENDE, O “OLAVETE” CONTRA A MARXISMO QUE SUPERVISIONARÁ O ENEM
Economista de 36 anos e nenhuma especialização em educação comandará diretoria do Inep responsável pelo maior vestibular do país.
Beá Lima, via El País Brasil em 12/1/2019

Murilo Resende é o novo diretor do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o maior vestibular do país. Resende é formado em administração de empresas e doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas, apresentando uma tese sobre a história dos bancos e arranjos financeiros. Discípulo do guru da ultradireita Olavo de Carvalho e militante contra a “doutrinação marxista no ensino”, a experiência em sala de aula do economista se deu no ambiente universitário como professor visitante de economia na Universidade Federal de Goiás e na Escola Superior Associada de Goiânia, uma faculdade particular especializada em economia, ciências contábeis e direito.

Uma enxurrada de críticas ao economista tomou a internet depois da indicação de seu nome para o cargo. O presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa da nomeação em sua conta no Twitter. “Seus estudos deixam claro a priorização do ensino ignorando a atual promoção da ‘lacração’, ou seja, enfoque na medição da formação acadêmica e não somente o quanto ele foi doutrinado em salas de aula”, disse o mandatário.

Após a nomeação, o próprio Resende disse ao jornal O Globo que não prevê mudanças imediatas no Enem de 2019, que já começou a ser elaborado. “Tem que manter (as diretrizes), a gente tem milhões de alunos que dependem do Enem para seleção nas universidades. Tudo isso tem que ser mantido”.

O tema, porém, preocupa os especialistas da área porque a família Bolsonaro elegeu o Enem e a suposta “doutrinação” esquerdista nas perguntas da prova como uma das bandeiras políticas prioritárias. Por isso, tanto as declarações como a nomeação podem ter efeito direto na vida milhões de alunos. Em 2018, 5,5 milhões de estudantes fizeram o Enem, que é a porta de entrada para quase todas as universidade federais brasileiras.

Atualmente, a prova tem um rígido protocolo de segurança e elaboração. Poucas pessoas veem o exame final que o atual mandatário já anunciou que quer revisar. De acordo com especialistas, o Enem poderia sofrer alterações de forma indireta sob Bolsonaro, se a Base Nacional Comum do Ensino Médio, um documento que estabelece o currículo mínimo para a última etapa do ensino básico, for modificada para acomodar as petições do novo governo.

Frases de efeito e militância contra o aborto
O professor de economia tem uma vida ativa e polêmica na Internet, administrava um blog, escrevia artigos para jornais como a Gazeta do Povo e possuía um site de cursos online onde oferecia formações sobre economia e filosofia política a partir da perspectiva conservadora. Entre os conteúdos, cursos sobre os autores Eric Voegelin, Bertrand de Jouvenel e, claro, Olavo de Carvalho, a quem Murilo atribuiu seu amadurecimento intelectual.

Integrou as filas do MBL (Movimento Brasil Livre), um dos principais movimentos pró-impeachment. “Um maluco completo. Foi do MBL de Goiás. Expulso, vivia xingando a gente por lutarmos pelo impeachment… Lunático, conspiratório, fora da realidade”, escreveu Renan Santos, um dos líderes do MBL, no Twitter.

Simpatizante do Movimento Escola Sem Partido, em 2016 durante uma audiência pública sobre “Doutrinação Político-Partidária no Sistema de Ensino”, Resende, durante meia hora, acusa os professores de serem “desqualificados e manipuladores” que enganam os pais com “conversinha furada” para pregar o aborto e outras práticas anticristãs. “Qualquer ser humano que tenha alguma dignidade e olhe o currículo das nossas faculdades de pedagogia sabe que precisam de uma reforma absurda, de uma reforma completa para limpar toda essa contaminação ideológica até o ponto em que os professores voltem a se preocupar com a sala de aula e não só com filosofia da educação.”

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A ministra-pastora Damares ataca as feministas: “Não gostam de homens porque são feias”.

15 de janeiro de 2019

Damares, a gata.

Via Brasil 247 em 14/1/2019

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Bolsonaro, Damares Alves, voltou a causar polêmica com um novo vídeo, em que faz um ataque direto às feministas. “Sabem por que elas (feministas) não gostam de homem? Porque são feias e nós somos lindas”, disse Damares. A afirmação foi feita durante um culto. Damares é pastora em uma igreja evangélica em Brasília.

O vídeo foi exibido no programa Fantástico, da TV Globo, no domingo [13/1], numa reportagem que traçou o perfil da ministra. Junto com essa, a matéria exibiu outras declarações polêmicas, como a que movimentou a internet durante dias na semana passada, a de que o Brasil começava uma nova “era”, em que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”.

Em seu discurso de posse, Damares declarou que “o Estado é laico, mas essa ministra é terrivelmente cristã”.

A afirmação de Damares que acaba de vir à tona segue a mesa lógica de pensamento do atual presidente Jair Bolsonaro que disse a deputada Maria do Rosário que ela não merece ser estuprada por ser “muito feia”. Por tais declarações, Bolsonaro se tornou réu e foi condenado por ofensa à parlamentar.

Assista:

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Ernesto Araújo anuncia almoço de Bozo com embaixadores de Itália e Bolívia, mas eles não aparecem

15 de janeiro de 2019

Via UOL em 14/1/2019

Os embaixadores da Bolívia e da Itália não participaram do almoço com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Ministério da Defesa na segunda-feira [14/1]. O encontro havia sido divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), em atualização da agenda do chanceler Ernesto Araújo.

À tarde, a agenda de Araújo foi novamente atualizada e excluiu os embaixadores da lista de participantes.

Participaram do almoço, além de Bolsonaro, Araújo e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, o ministro da Justiça, Sergio Moro.

Bolsonaro, Araújo e Moro deixaram o prédio do Ministério da Defesa por volta das 14h, sem falar com os jornalistas que aguardavam no local.

A agenda do chanceler incluiu ainda uma audiência com embaixador da Bolívia e com Bolsonaro às 17h, no Palácio do Planalto. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, esse encontro ocorreu e deve ser incluído na próxima atualização da agenda do presidente.

Bolívia e Itália estiveram envolvidos na prisão e extradição do terrorista italiano Cesare Battisti, que chegou hoje pela manhã (pelo horário de Brasília) em Roma, após ter sido preso, no sábado, em Santa Cruz de La Sierra, cidade boliviana.

Agendas públicas desatualizadas
A atualização e a publicação das agendas do presidente e dos ministros são práticas consagradas desde os governos anteriores. Baseia-se em um dos princípios da Administração Pública expressos na Constituição: a Publicidade – ou seja, a premissa de que os atos dos agentes públicos devem ser divulgados.

Até a noite desta segunda, o almoço não constava na agenda de Bolsonaro no site do Palácio do Planalto, nem da lista de compromissos do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

Outro presente no encontro, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, registrou em sua agenda apenas “almoço no Ministério da Defesa”.

No início da noite, a reportagem do UOL tentou, sem sucesso, contato com as embaixadas da Bolívia e da Itália, para que confirmassem a agenda.

Ao jornal O Globo, a representação italiana informou que o embaixador Antônio Bernardini sequer está no Brasil. Já a boliviana disse à publicação que o embaixador José Kinn Franco não sabia do almoço.

O Itamaraty disse, em nota, que “para informação sobre os eventos realizados no ministério da Defesa, aquele órgão deverá ser consultado”. O órgão também afirmou que “a agenda do ministro Ernesto Araújo refletiu as evoluções da agenda organizada ao longo do dia”.

Ao UOL, a assessoria do Ministério da Defesa explicou que o titular da pasta se reuniu com os novos comandantes das Forças Armadas para tratar das novas diretrizes e convidou o presidente Bolsonaro, em última instância, comandante das forças, para o almoço.

De acordo com a pasta, Bolsonaro pediu que os outros dois ministros também fossem convidados. Já a inclusão dos nomes dos embaixadores pela MRE não era do conhecimento do ministério, afirma a assessoria.

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