Archive for the ‘Política’ Category

Bolsonaro assumiu ser o elo do clã com o miliciano Adriano

16 de fevereiro de 2020

Jeferson Miola em 15/2/2020

Em evento no Rio de Janeiro, Bolsonaro assumiu ser ele o elo de contato do clã Bolsonaro com Adriano da Nóbrega, o chefe do Escritório do Crime, milícia especializada em matadores de aluguel para assassinatos por encomenda.

Bolsonaro confessou que foi ele que mandou seu filho Flávio, então deputado estadual, homenagear e conceder honrarias a Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do RJ [Alerj]: “Para que não haja dúvida. Eu determinei [Flávio fazer a homenagem]. Manda pra cima de mim”, disse ele, acrescentando que Adriano era um “herói” [sic].

Ao ser questionado pelos repórteres se também havia pedido que Flavio empregasse a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega no seu gabinete, Bolsonaro reagiu: “Vocês estão passando para o absurdo”.

A partir deste momento da entrevista, segundo a Folha, Flávio assumiu o microfone e, sendo perguntado sobre o emprego da mãe e da esposa do miliciano, Bolsonaro interrompeu, retomou o microfone e reagiu ainda mais duramente: “Fica quieta, vai, deixa ele falar. Educação” [aqui].

Normalmente duro e implacável com todos aqueles que chama de bandidos e inimigos, Bolsonaro é estranhamente condescendente com Adriano.

Bolsonaro, por exemplo, defende a inocência do miliciano, embora alegue não ter vínculos com Adriano [sic]. Apesar de Adriano constar da ordem de captura internacional da Interpol, Bolsonaro sustentou que “Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando capitão Adriano por nada” [sic].

É no mínimo estranho que Bolsonaro tenha conhecimento de detalhes da trajetória criminal de Adriano, o miliciano que foi integrado ao círculo de relações e dos negócios da FaMilícia presidencial pelo foragido Fabrício Queiroz.

O assassinato de Adriano, como reconheceu Sérgio Moro [ler aqui], foi um acontecimento de enorme interesse para os Bolsonaro. Para a FaMilícia, Adriano passou a ter mais valor morto que vivo; era preciso queimar o arquivo que conhecia os segredos profundos dos Bolsonaro.

O incrível em tudo isso, entretanto, não é o envolvimento incontestável dos Bolsonaro com o submundo do crime.

O incrível mesmo é a opção da burguesia em apoiar esta expressão mais podre da barbárie. Uma opção odiosa da classe dominante, justificada em nome do ódio ao PT, do ódio à esquerda e do ódio ao povo – como exemplificou Paulo Guedes no ataque racista às empregadas domésticas.

Me engana que eu gosto : “Eu não conheço a milícia no Rio de Janeiro”, afirma Bolsonaro

16 de fevereiro de 2020

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress.

Via Brasil 247 em 16/2/2020

Durante evento no Rio de Janeiro na sábado [15/2], Jair Bolsonaro disse que não conhece milícia e negou que tenha alguma relação com milícia.

“Eu não conheço a milícia no Rio de Janeiro. Desconheço. Não existe nenhuma ligação minha com a milícia do Rio de Janeiro”, disse.

Para o colunista do jornal O Globo, Bernardo Mello Franco, a afirmação é contraditória.

“As palavras foram ditas neste sábado pelo presidente Jair Bolsonaro, que já defendeu a atuação dos grupos paramilitares em discurso e entrevistas. Ao renegar as milícias, Bolsonaro contradiz Bolsonaro”, enfatiza o colunista.

Durante discurso na tribuna da Câmara em 2003, o então deputado federal Jair Bolsonaro defendeu a atuação de milícias no país e exaltou a ação de um esquadrão da morte que aterrorizava o estado da Bahia como solução para a crise na área de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

“Quero dizer aos companheiros da Bahia – há pouco ouvi um Parlamentar criticar os grupos de extermínio – que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo”, disse.

Veja a imagem do discurso reproduzida da página da Câmara:

Bolsonaro_Discruso_Camara

REDES SOCIAIS

Bolsonaro diz que mandou o filho condecorar miliciano Adriano em 2005

16 de fevereiro de 2020

Na inauguração de uma alça viária que liga a Ponte Rio-Niteroi à Linha Vermelha, na Zona Portuária do Rio, Bolsonaro disse que Nóbrega era herói quando foi condecorado pelo filho Flávio Foto: Agência O Globo.

Presidente fala sobre Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope homenageado por Flávio Bolsonaro em 2005 e morto pela polícia no domingo [9/2].

Via Época em 15/2/2020

O presidente Jair Bolsonaro falou, pela primeira vez, no sábado [15/2] sobre a morte de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope que foi expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014 e tinha no currículo uma lista de acusações de crimes: de ser matador de aluguel, chefe de milícia, de atuar no jogo do bicho e com máquinas de caça-níqueis. Na inauguração de uma alça viária que liga a Ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha, na Zona Portuária do Rio, Bolsonaro disse que foi ele quem pediu ao filho Flávio, quando o hoje senador era deputado estadual fluminense, que homenageasse Nóbrega. Em 2005, Nóbrega recebeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

No evento de inauguração, Bolsonaro ainda disse: “Desconheço a vida pregressa dele (Nóbrega). Naquele ano (2005), era herói da Polícia Militar. Como é muito comum, um PM, quando está em operação, mata vagabundo, traficante”. Nóbrega estava detido quando foi homenageado por Flávio. Em janeiro de 2004, ele foi preso preventivamente, acusado pelo homicídio de um guardador de carro.

Em 2003, com apenas sete anos no Bope, Nóbrega foi alvo de uma série de suspeitas de irregularidades nas operações que comandava, o que acarretou sua saída da corporação de elite da polícia. Foi então transferido para o batalhão do bairro de Olaria, na Zona Norte da cidade, e lá seu currículo foi oficialmente manchado. O que antes eram apenas suspeitas de abusos e torturas contra moradores de comunidades se provaram reais. O Grupamento de Ações Táticas (GAT) da unidade que o capitão comandava ficou conhecido como “guarnição do mal” pelas favelas do bairro. Os policiais sequestravam, torturavam e extorquiam moradores em troca de dinheiro. Uma investigação da PM identificou pelo menos três vítimas do grupo chefiado por Nóbrega em 2003. Uma delas era Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, o guardador de carro que foi executado logo depois de denunciar que havia sido agredido.

Nóbrega chegou a ser condenado, mas o júri popular foi anulado em segunda instância. Na época, o então deputado federal Jair Bolsonaro o chamou, em discurso na Câmara, de “brilhante oficial” e prometeu agir para “reparar a injustiça” que havia sido cometida contra ele. Até aquele momento, nenhum PM despertara tanta devoção pública da família Bolsonaro.

Mais recentemente, o ex-policial foi citado na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura se houve “rachadinhas”no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual. Familiares de Nóbrega foram contratados como assessores no gabinete do então deputado estadual: a mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, de 2007 até novembro de 2018, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, de abril de 2016 a novembro de 2018.

Foragido, Nóbrega foi morto no município de Esplanada (BA), ao ser alvo de operação que envolveu as polícias baiana e fluminense na primeira semana de fevereiro. Mesmo o tendo cercado em um sítio, os policiais resolveram invadir a propriedade. E alegam terem matado Nóbrega após ele reagir.

Integrante a força-tarefa da Lava-Jato, procurador suspeito de receber propina testemunhou em defesa do doleiro Messer

15 de fevereiro de 2020

O procurador regional da República Januário Paludo, integrante da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba. Foto: Reprodução.

Januário Paludo é um dos principais procuradores da Lava-Jato em Curitiba. Em conversa, doleiro Dario Messer citou procurador como receptor de propina. Documentos mostram que Paludo foi testemunha de defesa do doleiro em 2011. Lava-Jato afirma que procurador cumpriu solicitação da Justiça ao testemunhar. Paludo integra Corregedoria do MPF e foi investigado pela mesma, que arquivou caso.

Vinicius Konchinski, via UOL em 15/2/2020

O procurador regional da República Januário Paludo, membro da operação Lava-Jato, testemunhou em favor do doleiro Dario Messer em 2011 num processo que tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Suspeito de ter recebido propina do próprio Messer, Paludo foi chamado a prestar depoimento por um advogado do doleiro. Aceitou e o inocentou em juízo.

Tanto foi assim que o relato de Paludo é citado no pedido de absolvição de Messer encaminhado pela defesa do doleiro à Justiça neste mês.

O processo contra o doleiro tem relação com o caso Banestado. A acusação contra Messer dizia que ele teria movimentado três contas no exterior de forma ilegal. Duas já haviam sido investigadas por procuradores do Paraná, incluindo Paludo.

No depoimento, o procurador disse ter investigado o envolvimento de Messer no caso Banestado, entre 2003 e 2005. Ressaltou não ter encontrado provas contra o doleiro ou sua família. “Até a parte onde eu fui, não identificamos, em princípio, nenhuma ligação da família Messer”, disse.

Mas Paludo não disse no depoimento que, em 2005, ele e seus colegas pediram na Justiça a prisão preventiva de Messer. A medida deve ser solicitada quando existem indícios suficientes para ligar um investigado a um crime.

O procurador ainda contou em seu testemunho ter trabalhado no acordo de delação premiada fechado com Clark Setton, outro doleiro.

Em 2018, o MPF/PR (Ministério Público Federal do Paraná) pediu à Justiça a anulação do acordo pois identificou indícios de que Messer foi protegido em relatos do delator.

Paludo é um dos membros mais influentes da Lava-Jato. Trabalha na operação desde seu início, em 2014, e é tido por colegas como um especialista em delações premiadas. Mensagens entre procuradores divulgadas pelo “The Intercept Brasil” foram enviadas em grupos nomeados “Filhos de Januário”, em referência ao procurador.

Procurado pelo UOL, o procurador não quis se manifestar sobre seu depoimento nem sobre a investigação referente à suposta propina paga a ele.

A força-tarefa da Lava-Jato no MPF/PR declarou em nota (leia a íntegra abaixo) que Paludo não defendeu Messer em seu testemunho judicial, mas sim esclareceu a verdade. A operação reforçou sua confiança no procurador.

Advogado investigado convocou Paludo
O testemunho de Paludo foi obtido pelo UOL e faz parte do processo contra Messer da operação Sexta-Feira 13, deflagrada em 2009, no Rio, para investigar lavagem de dinheiro. Na época, o doleiro contratou o advogado Antonio Figueiredo Basto para o representar.

Foi Basto quem solicitou que Paludo fosse ouvido como testemunha. O advogado o conhecia dos tempos do caso Banestado, pois trabalhara na delação de Setton, negociada com o procurador.

Hoje, Basto também é investigado por supostamente intermediar o pagamento de propinas que garantiriam proteção a doleiros, incluindo Messer. O pagamento teria sido realizado no período em que Messer era investigado no caso Banestado e Paludo testemunhava em seu favor na Justiça.

O advogado e Paludo foram citados em mensagem de Messer enviada à sua namorada em 2018 e interceptada pela PF (Polícia Federal). Na conversa publicada pelo UOL, o doleiro fala de pagamentos ao procurador.

Basto nega ter recebido esse dinheiro e providenciado tal proteção. Entretanto, investigações da Lava-Jato do Rio apontam que ele recebeu valores condizentes aos citados por delatores em contas no exterior, usando um sistema de operações ilegais de câmbio mantido por Messer.

A investigação sobre a suposta propina foi transferida para a PGR (Procuradoria Geral da República) por conta da citação de Paludo, que tem direito a foro privilegiado por ser procurador regional da República. A PGR não divulgou informações sobre o andamento do caso, pois este é sigiloso.

“Não tínhamos objetivo de processar doleiros”, disse Paludo
Em seu depoimento à Justiça, Paludo afirmou que denunciar doleiros não era objetivo da força-tarefa de procuradores que atuou no caso Banestado. “Nós não tínhamos o objetivo de processar doleiros, mas sim objetivávamos esta repatriação de ativos e a identificação de quem havia remetido dinheiro para o exterior.”

Hoje, Messer responde a pelo menos seis processos no Rio de Janeiro, incluindo o referente à operação Sexta-Feira 13. É conhecido entre investigadores como “o doleiro dos doleiros” e acusado de comandar uma rede ilegal de operadores de câmbio que lavou mais de R$ 6 bilhões.

Segundo investigações, entre os doleiros que trabalharam para Messer está Clark Setton e outros investigados no caso Banestado.

Corregedoria do MPF arquiva caso de Paludo
Além da investigação criminal sobre Paludo, a menção de seu nome em mensagem interceptada pela PF (Polícia Federal) levou à abertura de um procedimento na Corregedoria do MPF. Esse caso, segundo o MPF/PR, já foi arquivado.

O relatório da PF sobre a suspeita de propina paga a Paludo é de outubro de 2019. No documento, a PF disse que a suspeita contra ele era grave.

A Corregedoria do MPF, que apura falhas de conduta de procuradores da República, não forneceu informações sobre a tramitação do procedimento contra Paludo pois informou que ele é sigiloso.

O próprio Paludo, aliás, trabalha para Corregedoria do MPF. Ele foi nomeado corregedor auxiliar da Procuradoria Regional da República da 4ª Região em outubro de 2019 – mesmo mês em que seu nome apareceu no relatório da PF.

Segundo a PGR, ele cumpre todos os requisitos para ser corregedor auxiliar.

Investigados alegam inocência
O advogado Átila Machado trabalha hoje na defesa de Messer nos seis processos que ele responde no Rio. Procurado pelo UOL, ele ratificou que o doleiro é inocente da acusação feita contra ele na operação Sexta-Feira 13 e prestará esclarecimentos à Justiça em todos as ações em que é réu.

Machado não se pronunciou sobre a investigação referente ao pagamento de propina por proteção pois ela é sigilosa. Ressaltou que o depoimento do procurador Paludo é legal, foi colhido por um juiz, na presença do MPF e “está em perfeita harmonia com as demais provas constantes dos autos que apontam que Dario não praticou os fatos narrados na denúncia”.

O advogado Antonio Figueiredo Basto também não quis falar sobre a investigação da suposta propina em troca de proteção, assim como o procurador Januário Paludo.

O UOL encaminhou as seguintes perguntas ao procurador, através da assessoria de imprensa do MPF/PR:
• O procurador Paludo já foi testemunha de defesa de outros investigados por ele? Se sim, quais, quando e em que ações?
• A FT-CC5 pediu a prisão preventiva de Messer na operação Zero Absoluto. O pedido estava fundamentado em quê?
• Por que, anos depois, o procurador disse que não havia nada contra Messer?
• Mesmo investigado, Paludo pretende manter-se na corregedoria?
• Como ele avalia a investigação de sua conduta realizada por dois colegas de MPF e da corregedoria do órgão?
• O que o procurador tem a dizer sobre a investigação que aponta que ele pode ter recebido propina de Messer no período em que defendeu o doleiro?

Recebeu a seguinte resposta:

“As perguntas encaminhadas pela reportagem são tendenciosas e revelam um jornalismo de teses com pressupostos falsos e falta de conhecimento de investigações e processos.
É errado dizer que existe investigação que aponta que o procurador regional possa ter recebido propina. Há indícios na investigação em curso de crime de exploração de prestígio, situação que ocorre quando alguém usa indevidamente o nome de outra pessoa para exigir vantagem indevida. Ademais, a questão já foi submetida à Corregedoria do MPF, que já analisou as provas existentes e arquivou o procedimento.”
A investigação que envolve Paludo não trata de crime de exploração de prestígio, mas corrupção.
O jornalista ainda comete outro erro ao afirmar que o procurador defendeu o doleiro. Testemunhas não estão vinculadas às partes. Quando são apontadas por elas, têm obrigação de depor em juízo e esclarecer a verdade, o que o procurador fez junto com outro procurador e delegado que também foram arrolados e testemunharam. Na ocasião do depoimento prestado, em 2011, o procurador regional da República Januário Paludo limitou-se a relatar os fatos que haviam ocorrido em 2005, da exata forma em que ocorreram. Assim, os fatos referidos no depoimento, ocorridos há 15 anos, já foram devidamente esclarecidos há mais de 9 anos pelo procurador regional da República Januário Paludo.
Da mesma forma, como já esclarecido naquela oportunidade, a atuação firme até 2005, quando deixou a FT-CC5 (Operação Banestado), e a ausência de responsabilidade sob procedimento e ação penal contra Dario Messer desde 2006, reforçam o absurdo da suposição de que o procurador regional da República Januário Paludo pudesse oferecer qualquer tipo de proteção a referido doleiro. Como já destacado pela imprensa em 2018, nem os próprios doleiros acreditavam que os supostos pagamentos de proteção eram efetivos, fato que indica a possibilidade de o nome da autoridade ter sido utilizado sem o seu conhecimento.
Os indicativos de possível exploração de prestígio reforçam o caráter fantasioso da especulação, que teria por único efeito denegrir a imagem de um procurador que continua a gozar da confiança de seus colegas e cuja competência e integridade são reconhecidos amplamente por seus colegas no MPF.
Por fim, o procurador regional da República Januário Paludo reafirma que nunca teve contato pessoal com o referido doleiro e refuta veementemente as falsas imputações.

Leia também:
Vaza-Jato: As suspeitas sobre os filhos de Januário
“Doleiro dos doleiros” afirma que pagou propina a procurador da Lava-Jato no Paraná
MPF abre investigação penal contra Januário Paludo, procurador da Lava-Jato

Bolsonaro: “Quem é essa porcaria chamada Greenpeace?”

15 de fevereiro de 2020

Presidente ironiza ONG após nota emitida pela organização criticando o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

Via Jornal GGN em 14/2/2020

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a ONG ambientalista Greenpeace. “Quem é Greenpeace? Quem é essa porcaria chamada Greenpeace? Isso é um lixo”, disse na saída do Palácio da Alvorada.

O ataque se deve a uma nota emitida pela entidade, que destacou que o Conselho da Amazônia não possui meta e nem orçamento. Segundo informações do jornal Correio Braziliense, Bolsonaro assinou na terça-feira [11/2] um decreto que transferiu a coordenação do Conselho Nacional da Amazônia Legal do Ministério do Meio Ambiente para o vice-presidente Hamilton Mourão.

Contudo, o conselho é composto apenas por ministérios e secretarias do governo federal – “os governadores, indígenas e a sociedade civil não fazem parte da sua composição”, pontua o Greenpeace.

Além do vice-presidente Mourão, o Conselho será composto pelos ministros da Casa Civil; da Justiça e Segurança Pública; da Defesa; das Relações Exteriores; da Economia, da Infraestrutura; da Agricultura; Ciência; Minas e Energia; Meio Ambiente; Desenvolvimento Regional e dos chefes da Secretaria Geral, da Secretaria de Governo e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Os governadores da região ficaram de fora do conselho, assim como os indígenas, a sociedade civil e o Ministério do Meio Ambiente – neste caso, o Greenpeace diz que a retirada da pasta é uma “tentativa de minimizar o impacto negativo da gestão do ministro Ricardo Salles (…) e (Bolsonaro) espera que isto já seja suficiente para enganar a opinião pública e os investidores internacionais”.

Segundo o comunicado emitido pelo Greenpeace, o novo Conselho da Amazônia não vai anular a política antiambiental do governo e não tem por finalidade combater o desmatamento ou o crime ambiental, e os resultados “continuarão sendo medidos diariamente pelos satélites que medem o desmatamento”.

O Greenpeace lembra que, apenas no último ano, houve um orquestrado desmonte dos órgãos de proteção e fiscalização ambiental, que resultou num aumento do desmatamento em 30%, na queima da floresta e da imagem do Brasil nacional e internacionalmente.

“Desde o anúncio do aumento do desmatamento em novembro, o governo emitiu uma Medida Provisória para premiar grileiros (MP 910/2019) e um Projeto de Lei para garimpeiros (PL 191/2020). Os alertas de desmatamento medidos pelo sistema Deter do Inpe para o mês de janeiro de 2020 apontaram 280 km², o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. Agora reuniram o presidente, seu vice, os ministros e autoridades em uma grande cerimônia, uma encenação, para criar um conselho que é uma verdadeira soma de zeros”, finaliza a ONG.

REDES SOCIAIS

Saiba as ligações do clã Bolsonaro com a Bahia

15 de fevereiro de 2020

No recente episódio da execução do chefe do Escritório do Crime na Bahia, duas interrogações: qual a razão do miliciano Adriano da Nóbrega ter escolhido a Bahia e ser abrigado por um empresário do ramo das vaquejadas e, depois, com um vereador do PSL; e qual o motivo para Eduardo Bolsonaro estar de passagem por lá.

Luis Nassif em 11/2/2020

No recente episódio da execução do chefe do Escritório do Crime na Bahia, duas interrogações: qual a razão do miliciano Adriano da Nóbrega ter escolhido a Bahia e ser abrigado por um empresário do ramo das vaquejadas e, depois, com um vereador do PSL; e qual o motivo para Eduardo Bolsonaro estar de passagem por lá.

Há duas hipóteses de investigação, que podem ou não estar interligadas.

PEÇA 1 – O CASO DA TERMOBAHIA
Alexandre Rodrigues é um bem-sucedido executivo da Petrobras. Entrou na empresa em 2002, indo trabalhar na Gerência de Desenvolvimento de Soluções Energéticas. Em maio de 2010 assumiu uma cadeira no conselho de administração da TermoBahia S.A., empresa de energia da qual a Petrobras é sócia.

No dia 17 de janeiro de 2018, foi indicado novamente para conselheiro da TermoBahia.

Em julho de 2018, o grupo chinês Jiangsu Communication Clean Energy Technology (CCETC) anunciou um investimento de R$400 milhões para construir duas termoelétricas na Bahia: Camaçari Muricy II e Pecém Energia, de 143 megawatts (MW) cada.

Na fase de queima de ativos da Petrobras, comandada por Pedro Parente, houve a venda de 50% das TermoBahia para a francesa Total – a multinacional de petróleo que tinha a preferência de Parente.

No dia 6 de agosto de 2019, a Petrobras anunciou a intenção de juntar as empresas de termoeletricidade e fazer um IPO no mercado, incluindo os 50% restante da TermoBahia. Divulgou-se que os chineses poderiam adquirir 100% das térmicas futuramente.

A Kryafs Participações
Pouco antes, no dia 27 de junho de 2019, Flávio Nantes Bolsonaro se tornou sócio da Kryafs Participações, uma holding típica, com a função única de distribuir lucros para os sócios.

Dentre os sócios, uma família ligada a um escritório de direito. Mas o nome que chama atenção é o de Alexandre Rodrigues Tavares, o homem da TermoBahia, a esta altura alçado ao cargo de presidente do Conselho de Administração.

Ou seja, o governo Bolsonaro toma a decisão de vender sua participação na TermoBahia, através de um IPO. Ao mesmo tempo, fica-se sabendo do interesse chinês pela empresa. E, pouco antes, o filho de Jair Bolsonaro se associa ao principal representante da Petrobras na empresa.

Pode ser coincidência; pode ser que não. Fica o registro para acompanhamento.

PEÇA 2 – O CASO DAS VAQUEJADAS
O fazendeiro que abrigou o miliciano Adriano da Nóbrega em sua fazenda é Leandro José Abreu Guimarães, tido como empresário do ramo da vaquejada. O setor movimenta R$800 milhões por ano, segundo algumas estimativas, em mais de 4 mil eventos anuais. Leandro é empresário do setor, além de seu irmão

Segundo matéria da Folha,

“O empresário e pecuarista Leandro Abreu Guimarães, dono da fazenda e parque de vaquejada Gilton Guimarães, também foi preso durante a operação das polícias da Bahia e do Rio sob acusação de porte ilegal de armas – ele tinha duas espingardas e um revólver não registrados.
Em depoimento, ele confirmou que Adriano utilizou sua propriedade como seu penúltimo esconderijo, segundo a Folha apurou. O ex-capitão, segundo ele, chegou à região de Esplanada no final de 2019 afirmando que estava em busca de fazendas para comprar.
Leandro e Adriano já se conheciam do circuito de vaquejadas, conforme a versão do pecuarista. Herdeiro da terceira geração de uma das principais fazendas de criação de gado da região, Leandro costumava abrigar uma vaquejada anual na fazenda e participava de competições em outras cidades do Nordeste.
O pecuarista afirmou à polícia que conhecia Adriano como um criador de cavalos e disse que não sabia que ele era um foragido da Justiça nem envolvido com crimes”.

Na Receita Federal, é tido como um dos setores preferenciais para lavagem de dinheiro, assim como a indústria clandestina de cigarros e bebidas.

Como não há parâmetros para definir a lucratividade desses eventos, e a maneira como os organizadores ganham dinheiro, é caminho fácil para lavagem de dinheiro de outras atividades.

As ligações das vaquejadas com o submundo já foram exploradas em várias matérias, mostrando seu papel na lavagem de dinheiro. Recentemente, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro denunciou bombeiros por corrupção na liberação de vaquejadas, mostrando suas ligações com as milícias.

Qual é a lógica de um chefe miliciano do Rio de Janeiro participar de vaquejadas do Nordeste? É evidente que Leandro não está dizendo a verdade. E se Adriano participasse, de fato, das vaquejadas, seria mais um indício das ligações das vaquejadas com as milícias.

Em 2015, a Operação Pedra 90 da Polícia Federal desasrticulou quadrilha especializada no tráfico de crack no Nordeste. A lavagem do dinheiro se dava através de fazendas, haras, cavalos de vaquejada.

Em 2014 foram presos traficantes que usavam vaquejadas para lavagem de dinheiro.

Em agosto do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro participou da festa do Peão e Boiadeiro em Barretos. Na ocasião, fez as seguintes promessas, segundo reportagem de O Globo.

Numa cerimônia marcada por gritos de “mito”, o presidente da República assinou decreto que estabelece padrões de bem-estar para animais utilizados em festas de rodeio.
Com o decreto, tanto Barreto quanto outras cidades passam a ter autorização para atividades como a Prova do Laço. Além disso, a fiscalização das regras que vão garantir o bem-estar e as condições sanitárias dos animais que participam de rodeios ficará sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura.
“Respeito todas as instituições, mas lealdade eu devo a vocês. O Brasil está acima de tudo. Neste momento em que muitos criticam a festa de peões e a vaquejada, quero dizer com muito orgulho que estou com vocês. Não existe politicamente correto. Existe o que precisa ser feito”, disse.
Após o discurso, Bolsonaro deu duas voltas ao redor da arena principal montado em cavalo oferecido pela organização da festa. Em seguida, partiu sem falar com a imprensa.


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