Archive for the ‘Internacional’ Category

“Aquecimento global é complô marxista?” Bolsonaro fala de índios para fugir de polêmica

7 de dezembro de 2018

Via Jornal GGN em 4/12/2018

Numa das suas mais recentes coletivas de imprensa, Jair Bolsonaro foi cobrado sobre o posicionamento político de seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que assina artigos de opinião que repercutiram negativamente na imprensa internacional, ao pregar que o aquecimento global é uma invenção do marxismo cultural. Em resposta, Bolsonaro começou a falar exclusivamente de reservas indígenas e áreas de preservação ambiental, escapando da polêmica em torno do novo chanceler.

Por volta dos 2 minutos e 58 segundos do vídeo abaixo, um jornalista é bem direto na pergunta: “O senhor compartilha da visão de que as teorias de aquecimento global seria um complô marxista?”

“Olha só, o grande problema que temos aqui é que as políticas indigenistas e ambientais não trabalham em prol do Brasil. Trabalham em prol de interesses extra território brasileiro. Devemos tomar cuidado com isso. O Brasil é o País que mais preserva o ambiente. Eu fui ao Acre e Rondônia. Em torno e 20% apenas dessas áreas podem ser usadas em benefício da população local. 80%, não. Isso está errado.”

Antes dessa pergunta, o jornalista havia questionado: “O senhor acredita no aquecimento global?”

“Eu acredito na ciência. Ponto final. Mas o que a Europa fez para manter suas florestas? Querem dar palpite aqui?”, respondeu Bolsonaro, emendando que “prefeitos” vão a países europeus discutir parcerias e voltam de foram “passiva e servil” com exigências que aumentam as demarcações de terras para os índios.

Seguindo sua própria cartilha ambiental, Bolsonaro disse que é a favor de construir hidrelétrica em Roraima e integrar o índio à sociedade por meio do desenvolvimento de obras locais.

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DESISTÊNCIA DE BOLSONARO SOBRE COP25 PODE TRAZER PREJUÍZOS ECONÔMICOS, DIZ GREENPEACE
Via Jornal GGN em 3/12/2018

A cena viralizou nas redes sociais: um jornalista pergunta a Jair Bolsonaro sobre a retirada da candidatura do Brasil para sediar a COP25, uma conferência da ONU para discutir mudanças climáticas. Onyx Lorenzoni sopra no ouvir do presidente eleito que o novo governo não tinha nada a ver com a decisão, numa tentativa de desviar as críticas. Mas o capitão da reserva não dá atenção e responde que teve participação sua na desistência do Brasil, e a desculpa, além das dificuldades financeiras, seria a (inexistente) relação entre o “triplo A” e a COP25.

O que Bolsonaro não disse é que o recuo por motivos políticos pode prejudicar a imagem do Brasil no mundo e gerar impacto negativo sobre a agropecuária. É o que aponta Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace e membro da coordenação do Observatório do Clima, em entrevista ao El País, publicada na segunda [3/12].

“A retirada da candidatura afeta o nosso poder de negociação internacional. Em termos econômicos, boa parte dos clientes de produtos agropecuários do Brasil exige que a gente dê garantias de sustentabilidade do nosso produto. Ninguém quer comprar um quilo de carne que venha do desmatamento da Amazônia. Então nesse sentido, o Governo está dando um duplo mortal carpado: está voltando atrás sobre a candidatura para sediar a COP, ao mesmo tempo em que os índices de desmatamento estão aumentando. São dois dados que apontam retrocesso no âmbito das mudanças climáticas.”

Astrini disse que embora a política de Bolsonaro para o meio ambiente já seja conhecida, e avaliada como um desastre anunciado, a confirmação dela, por meio do recuo com a COP25 e as críticas ao Acordo de Paris, é uma “derrota”.

“Todo mundo sabe da importância do Brasil e das promessas do Bolsonaro, mas quando elas começam a ser colocadas em prática, você vê que o que já era ruim, está virando realidade. Bolsonaro antes mesmo de assumir, começa a dar concretude à agenda que prometeu. Isso atrapalha a imagem do país. [A retirada da candidatura da COP] é a primeira pedra que ele colocou no muro da vergonha que ele promete para o meio ambiente.”

Ainda de acordo com o membro do Greenpeace, a desculpa de Bolsonaro é vazia pois o Triplo A – discussões sobre a criação de uma área de preservação nos Andes e Amazônia do tamanho do México – não tem relações diretas com a COP25.

“Fazer a Conferência no Brasil seria uma demonstração do compromisso do país com o meio ambiente e ajudaria na hora das negociações internacionais. Além disso, uma parte grande da nossa economia é baseada na agricultura, que depende basicamente de equilíbrio climático.”

Na visão dele, “aumentar [o desmatamento], em pleno século 21, passa esse ar de incapacidade. Aí você junta no mesmo ano a negativa em sediar [a próxima conferência] por questões políticas. E junto com isso, vem as declarações do novo ministro das relações exteriores [Ernesto Araújo], de que a esquerda criou a ideologia da mudança climática. É meio vergonhoso.”

Leia a entrevista completa aqui

Bernard-Henri Lévy: “Bolsonaro derrotou mais a direita do que a esquerda”.

7 de dezembro de 2018

Bernard-Henri Lévy, durante sua visita a São Paulo, em 24 de novembro. Foto: Janssem Cardoso.

Tom C. Avendaño, via El País Brasil em 26/11/2018

Bernard-Henri Lévy visita o Brasil em um de seus momentos mais turbulentos, quase como nos tempos em que este filósofo, formado igualmente entre maoístas e holofotes, ainda estava construindo sua reputação de pensador de ação e ia ao Irã nos anos setenta ou à Bósnia nos anos noventa. Vestido com seu eterno uniforme – terno escuro camisa branca parcialmente desabotoada – com o qual se tornou um dos pensadores mais midiáticos e conhecidos da França e de grande parte da Europa, Lévy (Argélia, 1948) vai direto ao problema entre goles de chá em um hotel em São Paulo: “Todo o mundo está olhando para o Brasil. O que seu presidente eleito, [Jair] Bolsonaro, faz é discutido em todos os lugares e o que estamos vendo é um presidente sem programa, nostálgico de um dos momentos mais sombrios da história do país e sem amor genuíno por sua terra natal. O mundo está assombrado com a incrível vulgaridade de alguns de seus comentários. É pornografia política. Como fala das minorias, das mulheres. O mundo está estupefato”, repete com finíssima indignação parisiense. E resume a questão que mais escandaliza os cientistas políticos de todo o mundo: “E não venceu dando um golpe, mas através das urnas”.

O Brasil é apenas uma frente de uma guerra global, pondera com um certeiro cruzamento de pernas, uma guerra que absorve praticamente o mundo inteiro. “Há uma luta ideológica entre a xenofobia e o humanismo, entre os extremos, da esquerda à direita, que se alinharam nas ruas para destruir os valores republicanos e as forças do progresso”, diz. “O Brasil está dentro dessa corrente global e, de certo modo, seu líder populista é o mais caricatural de todos.”

El País – Quando Trump ganhou a presidência em 2016, o senhor alertou os norte-americanos de que, para além da ideologia do vencedor, “milhões de gênios acabaram de sair da lâmpada” com aquela vitória. O senhor estenderia esse alerta hoje aos brasileiros?
Bernard-Henri Lévy
– Fiz duas advertências quando Trump foi eleito. Os geniozinhos saíram da lâmpada e também avisei aos judeus que se cuidassem dos presentes e afetos de Trump. O afeto que não nasce do amor verdadeiro é muito perigoso e tem efeitos colaterais terríveis. Diria o mesmo aos brasileiros. A eleição de Bolsonaro libertou milhões de geniozinhos. E eu diria a eles para terem cuidado com esses gestos de amizade aparente, não porque podem se revelar uma mentira amanhã, mas porque podem ter um significado inesperado e triste amanhã. Não vi na história uma época em que os judeus não acabem como vítimas.

O senhor se mobilizou especialmente contra o Brexit nos últimos anos. Compartilha das comparações de que essa votação e a vitória de Bolsonaro pertencem à mesma convulsão destrutiva contra a ordem estabelecida?
O Brexit não está destruindo o establishment; o Brexit é o establishment. Boris Johnson, as pessoas que clamam pela separação, são o establishment. O que é que o Brexit destrói? O Reino Unido. Não o establishment. Da mesma forma, Bolsonaro também não faz dano algum ao establishment, ele o faz ao Brasil. Ou poderia fazer, pelo menos. Ele faz parte do establishment, do pior do Exército e do pior da direita das cavernas. E se é uma arma de destruição, não é da destruição das elites, mas do que foi construído neste país, desde que, mais ou menos, terminou a ditadura militar (1964-1985).

Ele, no entanto, declara guerra à esquerda e consegue que a direita o deixe em paz, talvez motivada por esse inimigo comum. Mas Bolsonaro não é mais inimigo?
A vitória de Bolsonaro é uma derrota da esquerda, mas é uma derrota muito mais importante da direita. Bolsonaro a devorou. Essa direita liberal, limpa, republicana, que quis construir um país de costas para a ditadura, essa direita é o objetivo principal de Bolsonaro. Ele quer acabar com ela e em parte conseguiu. Hoje ela está fora do jogo.

Bolsonaro fez com que milhões de pessoas falassem da esquerda como uma entidade única que abarca do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao venezuelano Hugo Chavez…
[Interrompe] Não existe comparação possível entre Lula e Chavez. Mas existe entre Chavez e Bolsonaro, que pertencem à mesma família de líderes: populistas, mentirosos, líderes que não se importam com o seu país. Lula pode ter cometido erros, eu não sei, talvez o saibamos no dia em que for julgado com justiça. Mas, para mim, até agora, era um líder bom e decente para o Brasil, e sua presidência foi um momento honorável na história do país. Bolsonaro e Chavez, ou Bolsonaro e Maduro, têm mais semelhanças entre si do que diferenças.

Durante quase 40 anos e até recentemente o senhor disse que devíamos “quebrar a esquerda”, citando Maurice Clavel, para derrotar a direita. O senhor ainda mantém isso hoje?
A esquerda já está quebrada. Você tem por um lado Lula no Brasil, [o ex-presidente socialista François] Hollande na França e o [ex-primeiro-ministro italiano Matteo] Renzi na Itália, grandes líderes da esquerda ocidental, que se separaram da outra esquerda, a falsa, a radical. Na França não há relação entre o ex-presidente Hollande e [o líder da esquerda alternativa francesa, Jean-Luc] Mélenchon. Essa dissociação já aconteceu lá e na Itália também. A verdadeira rachadura, e isso existe na Europa e na América Latina, é o populismo contra os princípios humanistas, universalistas e reformistas. Lula é a personificação dessa diferença. Ele é a esquerda humanista, a verdadeira, aquela que defende os interesses do povo contra o nacionalismo, a xenofobia e a mentira. Contra as tentações de Chavez. Mas a história dele não acabou.

As eleições vencidas por populistas não foram desprovidas de candidatos, digamos, tradicionais, aceitáveis, de esquerda e de direita. O senhor está preocupado que certas formas se percam?
Esquerda e direita não importam mais. A única corrente que existe agora é que estamos vivendo um momento populista. Com a ajuda da Internet e das redes sociais, a subcultura das televisões, passamos por um momento que dá vantagem aos líderes populistas. E todo político republicano, democrático, razoável e old school deve se adaptar à nova situação. Eles ainda não o fizeram, mas terão de fazê-lo para não serem devorados por esse enorme monstro que está surgindo em todo o mundo.

É preciso se adaptar ou contra-atacar?
Será preciso tempo. As épocas sombrias nunca duram para sempre. Nos anos vinte, trinta e nos cinquenta havia multidões no Ocidente contra a democracia. E ainda assim esta prevaleceu. Eu acho que a mesma coisa vai acontecer agora. Do que tenho certeza é que não se derrotará o novo populismo usando suas mesmas armas. Os democratas devem ter a coragem de não cair nessa armadilha. Eles têm de defender seus valores mesmo se durante algum tempo são minoria e não são ouvidos o suficiente. Se abandonarem seus valores, estarão perdidos.

O mundo se aproxima desse paradoxo de ter que defender a democracia quando a maioria está contra ela?
O sonho de muitos líderes é acabar com a democracia. Trump, Bolsonaro, [Viktor] Orban na Hungria. Mas nos Estados Unidos estamos vendo até que ponto a democracia é capaz de resistir. O verdadeiro muro norte-americano não é o que Trump quer construir entre os Estados Unidos e o México, mas o que a sociedade civil norte-americana construiu para ele. Trump não é livre para fazer o que quer e está dando cabeçadas na parede. Talvez isso acabe quebrando a cabeça dele, vamos ver. E o que eu desejo para o Brasil é algo parecido, que se revele um muro da democracia e enfrente a vulgaridade, a estupidez e a ausência de ideias.

Oliver Stone: “Lula não pode continuar preso, precisamos tirá-lo da cadeia”.

6 de dezembro de 2018

Via Carta Maior em 30/11/2018

Em entrevista ao Brasil de Fato, Oliver Stone, cineasta e roteirista estadunidense, prestou solidariedade aos brasileiros, pediu que todos resistam ao governo de Bolsonaro e defendeu a liberdade de Lula . “Não digam ‘sim’ a esse governo. Lutem contra essa gente. Os ataques aos movimentos sociais vão acontecer. Vocês devem ser firmes e resistir. Lula não pode continuar preso, precisamos tirá-lo da cadeia”. Confiram o vídeo abaixo:

A verdade inconveniente sobre a atuação do general Heleno no Haiti

6 de dezembro de 2018

Via DCM em 1º/12/2018

Repleto de militares, o futuro governo tem se apegado à boa imagem que a missão de paz da ONU comandada pelo Brasil no Haiti tem perante a opinião pública.

Já são cinco os oficiais que atuaram naquele país que estava às portas de uma guerra civil após a deposição de Jean-Bertrand Aristide que farão parte do time de Bolsonaro.

Tendo atuado durante 13 anos no Haiti, as forças brasileiras sempre gozaram de uma propaganda positiva a enaltecer o sucesso da empreitada. Nesse período, o já esfacelado Haiti ainda enfrentou um terremoto e um furacão.

Estar auxiliando no resgate de vítimas em situações de desastres naturais associado à mitológica crença de incorruptibilidade dos militares resultou numa imagem brilhantemente polida, que tem sido explorada agora nas apresentações dos nomeados.

Nem tudo foi tão pacífico e eficiente como vendem por estas bandas. Pelo menos uma operação ocorreu mais nos moldes que conhecemos, praticados por forças militares em favelas brasileiras.

Em 2005, o general Augusto Heleno liderou uma operação de invasão no bairro de Cite Soleil, em Porto Príncipe. O bairro é tão pobre que é similar às favelas daqui. Comandando soldados brasileiros e também de outras nações, o general esteve à frente do episódio que vários grupos de direitos humanos hoje classificam de “massacre”.

O relatório oficial sobre a operação relata um saldo de seis mortes no episódio. A agência Reuters, no entanto, fez uma profunda investigação e publicou um especial revelando que “massacre” é mesmo o termo mais adequado.

Foram entrevistados diplomatas, trabalhadores de ONGs, autoridades haitianas, moradores. A agência ainda teve acesso a telegramas diplomáticos dos EUA e relatórios da ONU.

Naquele dia 6 de julho de 2005 foram disparados nada menos que 22 mil tiros. Só por aí já se tem uma dimensão do episódio. Um relatório da diplomacia fala em 70 mortes, mas o número pode passar da centena. Dezenas de inocentes morreram ao ficarem no fogo cruzado. Muitas vítimas eram mulheres e crianças.

“Temos informações confiáveis que mataram um número indeterminado de moradores desarmados de Cite Soleil, incluindo vários bebês e mulheres”, disse à época o coordenador de uma ONG, Renan Hedouville.

O caso precisa ser trazido à tona, pois o general Augusto Heleno será o principal assessor de segurança nacional de Bolsonaro. Foi Augusto Heleno um dos primeiros a aplaudir, no ano passado, uma declaração do colega de farda, Hamilton Mourão, que defendia a possibilidade de intervenção militar em razão da crise política no Brasil.

Bem, a intervenção veio (ao menos no Rio de Janeiro), Mourão tornou-se vice-presidente da república e Augusto Heleno comandará o GSI. Tudo isso num país onde já temos 64.000 assassinatos por ano, sendo a maior parte cometida contra negros e pobres.

No Rio, a intervenção piorou diversos índices. Tanto o número de pessoas mortas pelas forças de segurança como o de mortes violentas, aumentaram. Portanto a chegada ao poder federal de tantos militares (e de Augusto Heleno em particular) em nada traz alento.

“A Minustah (como foi batizada a missão da ONU) não conseguiu estabelecer segurança e estabilidade aqui. Por mais que possamos pressionar a ONU e os brasileiros a adotar a abordagem mais vigorosa necessária, não acredito que, no final, eles estejam à altura da tarefa”, escreveu o então embaixador dos EUA no Haiti, James B. Foley, em um telegrama de 1º de junho de 2005.

Estabelecer segurança foi a promessa número 1 de Bolsonaro.

O general Augusto Heleno é defensor da ditadura, é pródigo em afirmações do tipo “direitos humanos devem ser para humanos direitos”, já declarou que o Brasil está se tornando um “país narcotraficante” que exige medidas agressivas. Bem, chegar atirando em inocentes não é um modus operandi somente agressivo. É nefasto. Não seria novidade por aqui, mas não precisamos que piore ainda mais.

Pediatra que xingou cubanos do Mais Médicos chefiará programa em 2019

6 de dezembro de 2018

A pediatra Mayra Pinheiro (PSDB/CE) e o futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS).

Alexandre Padilha disse que a escolha aponta para uma “mentalidade que pensa na população inserida na Saúde Pública como privilégio”. Já o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB/CE) afirmou que “ela tem o perfil que o presidente Jair Bolsonaro procura”.

Via RBA em 5/12/2018

A médica pediatra Mayra Pinheiro, que ficou famosa por hostilizar os médicos cubanos no Ceará, foi escolhida para ser a futura secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (STGES), pasta responsável pelo programa Mais Médicos. A indicação foi feita pelo futuro ministro da Saúde, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS).

Em 2013, Mayra ficou conhecida após participar de protesto contra a chegada de médicos cubanos no Ceará. Uma foto publicada pela Folha de S.Paulo, mostra ela gritando e mandando eles de volta para a “senzala”.

Em sua conta no Twitter, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha criticou a escolha. “Esse ato preconceituoso aponta para uma mentalidade que não pensa a população inserida na Saúde Pública como direito, mas como privilégio da Casa Grande”, publicou.

Após o caso, ela se candidatou duas vezes para o Congresso Nacional. Em 2014, disputou eleição para cargo de deputada federal, pelo PSDB, mas não se elegeu. Neste ano, tentou uma vaga no Senado pelo Ceará, mas também não obteve sucesso.

Ao jornal O Povo, a pediatra, que também presidiu o Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), afirma que sua atuação será para corrigir o que chama de “distorções” do Mais Médicos. Segundo Mayra, o programa se resume a convocar profissionais de outros países quando, “na lei, contempla tanto a formação médica quanto o ensino nas universidades e especialização de profissionais”.

Mais Médicos
Em novembro, o Ministério da Saúde Pública de Cuba anunciou a saída do Programa Mais Médicos no Brasil. O rompimento, de acordo com os cubanos, se deve a ataques feitos pelo presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, aos 8.300 profissionais do exterior.

Até terça [4/12], dos 34.653 inscritos no Mais Médicos, apenas 3.276 já haviam se apresentado ou iniciado as atividades no programa. No novo edital também, o governo de Michel Temer (MDB) retirou 1.600 vagas de 1.000 municípios que aguardavam reposição de médicos cubanos.

A saída dos médicos cubanos – criticados pela futura gestora –, foi lamentada por boa parte da população mais carente.

Candidatura ao Senado
Neste ano, ela concorreu a uma das duas vagas do Ceará no Senado, na chapa do general Guilherme Theophilo, candidato ao governo cearense derrotado pelo petista reeleito Camilo Santana. Pinheiro acabou na 4ª posição do pleito, com 882.019 votos.

Após as eleições, Pinheiro foi desligada do Hospital Geral de Fortaleza, onde trabalhava. O afastamento teria ocorrido em razão das denúncias que a médica fazia nas redes sociais mostrando pacientes à espera de atendimento em corredores de hospitais do Ceará.

A pediatra lançou pela entidade o programa “Médicos por Amor” logo após o anúncio de que os médicos cubanos deixariam o Mais Médicos. A iniciativa busca médicos voluntários para atuar em cidades cearenses que ficaram sem profissionais com a saída dos cubanos. Mayra Pinheiro afirmou ter recrutado, até o dia 25 de novembro, 211 brasileiros para atender nesses municípios

“Ela tem o perfil que o presidente Jair Bolsonaro procura”, afirmou o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB/CE), colega de partido e de estado de Pinheiro.

Mayra Pinheiro, à direita, ficou famosa por participar de protestos no Ceará, em 2013, onde mandava cubanos “voltarem à senzala”.


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