Archive for the ‘Internacional’ Category

França: Sucesso da greve contra a reforma da Previdência coloca Macron sob pressão

6 de dezembro de 2019

Manifestantes participam de uma passeata em Nantes.

Presidente francês busca respostas para enfrentar a maior mobilização social após os “coletes amarelos”.

Marc Bassets, de Paris, via El País Brasil em 5/12/2019

França, país de protestos de rua e revoltas espontâneas, já levava anos sem ver uma mobilização social como a que na quinta-feira [5/12] ocupou as ruas das principais cidades do país. Centenas de milhares de franceses se manifestaram contra a reforma da Previdência, enquanto setores estratégicos, como os transportes, entraram em uma greve que se prolongará nos próximos dias. O presidente, Emmanuel Macron, atingido pela revolta dos coletes amarelos há um ano, busca uma resposta à crise sem renunciar ao projeto central de sua presidência.

Ninguém conhece os detalhes da reforma previdenciária na França, mas as linhas mestras, já reveladas, bastaram para desencadear uma das maiores mobilizações dos últimos anos. A greve maciça no transporte ferroviário marcou na manhã de quinta-feira [5/12] o início da primeira jornada de protestos. O Governo francês dá por feito que a greve se prolongará por vários dias. As paralisações, que afetam outros setores, como a educação e a aviação, conturbaram o cotidiano de Paris e das principais cidades. Por enquanto, porém, não conseguiram parar o país.

Estima-se que 90% das ferrovias de longa distância deixaram de funcionar em toda a França, assim como 80% dos trens de subúrbio. Na capital, 11 linhas de metrô estão fechadas. Marselha, Lille, Bordeaux, Nice e Estrasburgo tiveram o transporte público reduzido, o que obrigou quem foi trabalhar a se deslocar a pé ou por meios alternativos, como a bicicleta, o patinete ou, para distâncias mais longas, os automóveis compartilhados e os ônibus. Os franceses demonstraram ser previdentes. Isto deu lugar a curiosas imagens de trens que funcionavam, mas estavam vazios e, nos acessos a Paris, provocou uma redução do tráfico de automóveis.

O transporte é a espinha dorsal de uma greve que, embora longe de ser geral, tem um impacto generalizado: sem trens nem metrôs, a atividade das grandes cidades forçosamente se vê alterada. Mas não é o único setor mobilizado. Em toda a França, 55% dos professores de escolas primárias e pré-escolares pretendiam aderir à greve, chegando a 78% em Paris, segundo dados do Ministério da Educação. Previa-se a anulação de 20% de voos. A greve na imprensa deixou os quiosques sem os jornais do dia, e a Torre Eiffel fechou.

Havia 245 manifestações ou concentrações convocadas em todo o país. A de Paris estava marcada para o começo desta tarde na Estação do Norte e terminaria na praça da Nação. Ao contrário dos protestos descontrolados dos coletes amarelos, o serviço da ordem sindical se comprometeu colaborar com o seu desenvolvimento pacífico. Mas o ministro do Interior, Christophe Castaner, advertiu para a possível presença de coletes amarelos violentos e de black blocks encapuzados. O objetivo dos responsáveis pela convocação dos protestos é fazer uma demonstração de força na rua, embora o bloqueio nos transportes possa dificultar uma participação maciça.

A mobilização de quinta-feira [5/12], que não conta com o apoio da principal central sindical, a CFDT, é só o começo. O Governo espera que a greve nos transportes públicos se prolongue na sexta-feira e possivelmente no fim de semana. A chave será na segunda-feira. Se a greve no metrô de Paris, nos trens de subúrbio e nos trens de longa distância continuar até lá, será um sinal de que a disputa é séria. A mobilização de novembro e dezembro de 1995 durou três semanas e acabou forçando o então primeiro-ministro Alain Juppé a retirar sua reforma previdenciária, semelhante à do presidente Emmanuel Macron e do seu primeiro-ministro, Édouard Philippe.

O núcleo da reforma é o fim dos 42 sistemas de pensões atuais, em função da profissão, e sua fusão num só, que confira os mesmos direitos a todos os trabalhadores. Em declarações à rede RMC, Philippe Martinez, líder do sindicato CGT, denunciou que a reforma significará trabalhar mais tempo e ganhar menos, e pediu sua retirada. Macron quis preparar a reforma dialogando com os agentes sociais, mas, ao não especificar o conteúdo, alimentou a confusão e o nervosismo entre os possíveis afetados. As paralisações poderiam se prolongar até 12 de dezembro, possível data em que Philippe detalhará as propostas.

Presidente da Funarte diz que Beatles são comunistas e nós temos as provas

6 de dezembro de 2019

Montagem com “Los BolcheBeatles” (Reprodução/Twitter)

Mariana Agunzi em 3/12/2019

Na segunda [2/12], o governo Bolsonaro anunciou novos nomes para comandar a Funarte e a Biblioteca Nacional, seguindo uma reforma volumosa na Secretaria Especial de Cultura. O maestro Dante Mantovani foi designado para a presidência Funarte, e o anúncio de seu nome já chegou agitando as redes sociais.

Isso porque, além de maestro, Mantovani é youtuber –e, no canal que leva seu nome nesta rede social, compartilha reflexões e teorias da conspiração sobre política e arte.

Uma de suas declarações mais, digamos, inusitadas, foi feita em um vídeo em que comenta uma suposta relação entre o filósofo alemão Adorno e os Beatles. Nele, Dante Mantovani diz:

“Na esfera da música popular, vieram os Beatles, para combater o capitalismo e implantar a maravilhosa sociedade comunista”. E, não sendo suficiente, complementa:

“O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que fez um pacto com o satanás.”

Para tudo. Os Beatles surgiram para implantar o comunismo? (Pelo visto sim, e os internautas têm até provas)

Há quem diga que escutar Beatles é abortivo…

Ou até mesmo coisa de satanás.

Virou até rock!

Tirem suas próprias conclusões.

Leia também: Dante Mantovani, presidente da Funarte: “Rock ativa drogas, sexo, aborto e satanismo”.

Cubano xingado de escravo comenta novo Mais Médicos: “Querem nossa volta”.

5 de dezembro de 2019

Juan Delgado é vaiado ao chegar ao Brasil em 2013. Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress.

Juan Delgado virou símbolo do programa Mais Médicos ao chegar ao Brasil. Chamado de “escravo” por médicos brasileiros, ele diz que superou o preconceito.

Wanderley Preite Sobrinho, via UOL em 1º/12/2019

O cubano Juan Melquiades Delgado, 55, virou símbolo do programa Mais Médicos assim que chegou ao Brasil em agosto de 2013. O médico desembarcou no aeroporto de Fortaleza com um grupo de compatriotas colegas de profissão e foi recebido com vaias de médicos brasileiros, que o chamaram de “escravo”.

Juan, que pelos quatro anos seguintes trabalhou em tribos indígenas, perdeu o emprego após o fim do convênio entre Brasil e Cuba e espera agora voltar à ativa.

Os novos planos de Juan se devem à aprovação pela Câmara dos Deputados da MP 890/19, que reformula o programa e o rebatiza de Médicos pelo Brasil. O texto, que aguarda a assinatura presidencial, permite reincorporar médicos cubanos que permaneceram no Brasil mesmo desligados do programa após 13 de novembro do ano passado. Na data, Havana, que alegou animosidade de Jair Bolsonaro (sem partido), que havia sido eleito presidente, e abandonou o convênio.

A reintegração dos cubanos, também com o objetivo de preencher vagas que seguem ociosas, foi celebrada por Juan.

“Foi uma grande decisão em favor de nós cubanos que ficamos no Brasil com a esperança de voltar a trabalhar com o que gostamos”, afirmou ao UOL. “Eu torcia muito por isso.”

O desemprego
Dispensado há quase um ano, o médico não conseguiu um novo emprego desde então. “Fui à prefeitura, tentei trabalhar em farmácia, mas não consegui nenhuma vaga”, diz ele, que permaneceu vivendo em Zé Doca, cidade do interior do Maranhão para onde ele foi alocado em 2013 pelo Mais Médicos.

Quando chegou ao Brasil, Juan passou a cuidar da saúde de tribos indígenas no estado. “Viajava para aldeias próximas e distantes de Zé Doca. A gente embarcava em um carro do governo estadual e visitava as aldeias. Algumas ficavam a 45 minutos de distância, outras levavam quase três horas de viagem”, conta.

“O PRECONCEITO É DOS MÉDICOS, NÃO DO BRASILEIRO”.
Só sofri racismo no Brasil aquele dia. Eu não estava preparado,
mas em pouco tempo percebi que o preconceito vinha da classe médica,
não do povo, que gosta do trabalho dos cubanos e pede a nossa volta
Juan Melquiades Delgado, médico

Quando a tribo era longe, o médico permanecia no local por até três dias. “Os principais problemas eram de nutrição e parasitoides”, diz ele, que explica por que preferiu continuar na cidade mesmo sem emprego: “Eu gosto da cidade e tenho família. Eu me casei com uma brasileira em 2016.”

Foi graças ao trabalho na aldeia que Juan conheceu a técnica de enfermagem Ivanilda Lopes da Silva, que ainda trabalha com tribos indígenas a serviço do governo do estado. “Não pretendemos ter filhos, mas não penso em voltar para Cuba”, afirma.

O médico diz que o único lamento em relação ao país natal é a saudade dos amigos e da família, como a filha de 22 anos. “Em fevereiro fará dois anos que não a vejo.”

De volta à ativa
Decidido a permanecer no Brasil, Juan se naturalizou brasileiro este ano. “Meu plano é ficar aqui definitivamente. Quero voltar ao antigo Mais Médicos, retomar os estudos, prestar o Revalida (exame que dá aos médicos formados no exterior o direito de exercer medicina no país) e não ficar mais desempregado.”

Juan não sabe, no entanto, quando poderá requerer sua vaga no Médicos pelo Brasil. “Aguardamos primeiro que o presidente assine a Medida Provisória e depois as orientações do Ministério da Saúde. Ainda não sabemos como será nossa reincorporação.”

Juan evita comentar a decisão que resultou no rompimento do programa original. Sobre o preconceito que recebeu ao pisar no Brasil, diz que superou “rapidamente”.

Web vê post de Trump como resposta após Bolsonaro acusar DiCaprio

3 de dezembro de 2019

Roberto Junior, via UOL em 2/12/2019

A segunda-feira [2/12] começou agitada para o presidente Jair Bolsonaro, que viu Donald Trump anunciar que vai reinstalar as tarifas de importação sobre o aço e alumínio do país. A declaração do presidente norte-americano fez com que o chefe de estado brasileiro fosse tema de zoeiras nas redes sociais.

Trump acusa tanto Brasil quanto Argentina de desvalorizarem suas moedas frente ao dólar, o que tem sido prejudicial aos produtores rurais norte-americanos. A declaração da referência de Bolsonaro na política fez com que o brasileiro não fosse perdoado nas redes sociais, já que Bolsonaro confia em boa relação com os EUA e agora foi surpreendido com o tuíte público de Donald Trump.

Uma das principais zoeiras com Bolsonaro faz referência a Leonardo DiCaprio. Segundo a web, a declaração de Trump é uma resposta a acusação recente e sem provas que Bolsonaro fez ao ator sobre as queimadas na Amazônia.

“Porque o presidente do Brasil ofendeu meu ator favorito, Leonardo Dicaprio, restaurarei as tarifas de todo aço e alumínio importados pelos EUA desse país”.

Prometi que não mais seria, mas acabei sendo.

Mal começou a semana e já temos um “Grande dia”.

Não mais “I love you”, tá okay?!

Uma ligação vai resolver sim, pode confiar.

Hello, Trump. Great day, my president…

Amadora, diplomacia brasileira é duramente golpeada por Trump

3 de dezembro de 2019

Jair Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, posam para foto no encontro do G20 em 28/6/2019.

Jamil Chade em 2/12/2019

Numa mensagem em seu Twitter na manhã de segunda-feira [2/12], Donald Trump escreveu o que praticamente todos sabem: na Casa Branca, “America First” significa exatamente o que o slogan diz. Primeiro, defendemos os nossos interesses e qualquer aliança tem de estar disposta a entender que serve aos nossos objetivos.

Só o governo brasileiro e a nova chancelaria brasileira pareciam não querer acreditar. Ou entender, o que é mais grave.

Numa resposta à desvalorização do real, que torna as exportações agrícolas mais competitivas e podem afetar os produtores dos EUA, o governo norte-americano anunciou a imposição de tarifas sobre a siderurgia brasileira. Uma retaliação ilegal e que repete com o Brasil o mesmo comportamento que Washington vem mantendo com a China.

Mas a decisão vai muito além dos metais. Ela golpeia o centro da política externa de Bolsonaro, que fez questão de anunciar sua admiração pelo presidente norte-americano e, ao longo dos meses, repetiu como estava sendo tratado como um aliado especial pelo chefe do Salão Oval.

Um primeiro sinal claro do “desencanto” ocorreu quando o governo norte-americano mandou uma carta oficial para OCDE para apontar quais países teriam preferências para aderir à instituição, sem citar o nome do Brasil. O governo Bolsonaro, nos bastidores, pediu explicações. Mas, oficialmente, os dois “parceiros” reiteraram que aquela carta não era importante e que o que interessava era o compromisso público de Trump com a adesão do país, o que jamais se transformou em realidade.

Um segundo desencanto veio quando o governo brasileiro não conseguiu obter as autorizações para voltar a exportar carne bovina ao mercado norte-americano.

Agora, quase um ano depois de assumir a diplomacia brasileira, a realidade é que a nova decisão de Trump deixa o chanceler Ernesto Araújo numa enorme saia-justa. Em fóruns internacionais, a aliança entre o Brasil e os EUA já afastou o país do bloco das economias em desenvolvimento. Na OMC, o Brasil sequer conseguiu eleger um de seus quadros mais qualificados para presidir uma negociação. Motivo: a instrumentalização feita pela Índia da existência da relação carnal entre Bolsonaro e Trump.

Também na OMC, o Brasil indicou que abandonaria certos privilégios que tinha como país em desenvolvimento, além de abrir seu mercado para o trigo norte-americano.

Em política externa, não existem amigos. Apenas interesses. Tampouco há espaço para declarações de amor – muito menos num segundo encontro.

Trump mergulha em sua campanha eleitoral e, para obter um segundo mandato, não poupará ninguém. Muito menos um governo que já lhe entregou tudo e praticamente não pediu nada de volta. Com a medida anunciada nesta segunda-feira, o norte-americano tentou agradar seus fazendeiros e seu setor siderúrgico. E parece não se importar se o dano colateral significará que ele não mais ouvirá uma declaração de amor do Brasil.

Em 2017, Ernesto Araújo publicou nos Cadernos de Política Exterior do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), uma defesa das políticas de Donald Trump e seu papel em “salvar” o Ocidente.

“Só quem ainda leva a sério a história do Ocidente, só quem continua sendo ator e não mero espectador, são os norte-americanos, ou pelo menos alguns norte-americanos. Hoje, é muito mais fácil encontrar um ocidentalista convicto no Kansas ou em Idaho do que em Paris ou Berlim”, escreveu.

Um ano depois de comandar o Itamaraty, ou ele entende que Trump apenas tem o interesse de salvar seu mandato, ou está na hora de buscar uma função em algum think-tank financiado pelos ultra-conservadores norte-americanos.

Quanto ao presidente Bolsonaro, um admirador convicto da Ditadura Militar, ele poderia passar mais seu tempo estudando o fato de que nem seus generais de cabeceira se entregaram aos EUA e, ouso dizer, não bateram continência à bandeira norte-americana.

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