Archive for the ‘Internacional’ Category

Rogerio Maestri: Não se deve ignorar a ignorância!

20 de abril de 2018

Rogerio Maestri em 19/4/2018

Muitas pessoas estão fazendo memes sobre a ignorância da Senadora Ana Amélia que faz uma verdadeira mistura entre o discurso ao mundo árabe da senadora Gleisi Hoffmann através da rede Al Jazeera.

A mistura da Al Jazeera com Al Qaeda aproveitando as duas começarem com Al, que na verdade é equivalente aos artigos definidos (a) e (o) e deu origem a centenas de palavras no português, como a própria Alfafa, que em árabe é al-Hâfa, que aqui no Brasil corresponde a alimentação de muares.

Pois bem, a senadora Gleisi, com toda a razão, associou o pronunciamento da ex-funcionária da RBS (sucursal da Rede Globo) a xenofobia que na Europa seria caracterizado como Islamofobia, que é uma verdadeira praga no submundo da extrema-direita nacional.

Por que não devemos subestimar este tipo de manifestação que é levada levianamente por parte das pessoas mais esclarecidas? Simplesmente porque principalmente para as toscas bancadas evangélicas TODOS os países árabes ou mesmo de maioria muçulmana são uma ameaça terrorista para o mundo.

Esta visão tacanha está baseada na situação em que nos países em que a base legal nacional é baseada no Islã, como Arábia Saudita e outros, o proselitismo religioso é considerado crime, ou seja, se algum pastor sai as ruas com uma bíblia debaixo do braço e começa a pregar para quem não é fiel evangélico a priori, considera-se a pregação uma violação as leis do país.

Além disto, no ocidente, os evangélicos pentecostais têm o hábito de dizer que tanto o profeta Maomé como Alá são configurações de satanás. Como as igrejas católicas de diversas profissões não tem o hábito de fazer proselitismo externo aos seus templos, elas são perfeitamente toleradas em 90% dos locais em que os muçulmanos são maioria, pois no próprio Alcorão há recomendação expressa que os povos (Judeus e Cristãos) dos livros sagrados (Torá e Novo Testamento) são considerados livros santos, e quem os seguem tem que ser protegido pelo Estado.

Com tudo isto, devemos ter cuidado que este fundamentalismo religioso dos pentecostais não transbordem na sociedade brasileira, pois isto já ocorre contra as religiões afro, pode passar para com o Islã e posteriormente para o Judaísmo e se eles tiverem força suficiente tentarem atingir os católicos, gerando até guerras religiosas.

Pérez Esquivel, Nobel da Paz, volta a ter visita a Lula barrada: “Problema dele”, diz juíza.

20 de abril de 2018

Cláudia Motta, via RBA em 19/4/2018

O escritor e teólogo Leonardo Boff está em Curitiba junto com o ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Eles foram à unidade da Polícia Federal onde está preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (19), na tentativa de fazer uma visita de caráter humanitário e religioso. Já há uma decisão negativa de uma juíza de Curitiba para o caráter de inspeção às dependências.

A juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebbos, ainda não respondeu a um requerimento anterior a esse, de autorização de visita em caráter pessoal em função da amizade. A advogada Tânia Mandarino, que presta apoio jurídico a Esquivel no Brasil, diz que chama a atenção o fato de que o pedido para a visita pessoal do argentino à Lula ter sido protocolado antes e ainda não ter sido apreciado.

“É preocupante essa conduta, porque Esquivel é apenas a primeira de muitas visitas internacionais que irão ocorrer ao ex-presidente Lula, como estadista. Sem contar o caráter de perversidade”. diz a advogada, referindo-se à idade avançada de ambos. Esquivel tem 87 anos e Boff, 79. “Pela sua relação de aconselhamento espiritual com Lula, o Leonardo Boff deveria ter, inclusive, sua entrada franqueada. É lamentável.”

A advogada viu componentes de sadismo na conduta da juíza Carolina Lebbos. “Absurdo dos absurdos, quando a juíza apreciou primeiro o pedido que foi posto depois, opusemos embargos de declaração pedindo que antecipasse o pedido de visita. Ela só respondeu sadicamente os embargos e não comentou sobre o pedido de visitas. Disse que não há urgência e, resumindo, ‘problema do Esquivel se ele está só de passagem’.”

Ao conversar diretamente com a Superintendência da PF, o ativista argentino teve o acesso mais vez negado. “Vamos ter de esperar se até amanhã (quando volta à Argentina) para ver se sai a autorização. Espero poder encontra o Lula, abraçá-lo e levar-lhe toda a solidariedade internacional que temos recebido, de Portugal, Alemanha, França, Noruega, vários países. Essa prisão tem causado uma apreensão de dimensão mundial”, disse Esquivel.

“Eu que sou velho amigo de Lula vim em uma missão espiritual. Como uma lei divina pode ser negada por uma juíza terrena?”, provocou Boff. O teólogo afirmou que o Brasil atual é uma nau sem rumo, e que Lula é o único que “brilha” aos olhos do povo com poder de reverter as “iniquidades” cometidas pelo governo Temer.

“Brasil está como uma nau perdida, um avião sem piloto, voando não sabemos em que direção ou em que montanha vai bater. Não há líder nenhum que aglutine pessoas, não há luz no fim do túnel. Estamos realmente em uma situação que nunca ocorreu em nosso país. A única pessoa que brilha nas estatísticas e no agrado popular é Lula. O portador do poder é o povo, e o povo quer Lula como presidente para desmontar as iniquidades que o governo Temer fez contra os trabalhadores, aposentados, contra a Saúde, a Educação”, disse.

O teólogo disse ainda que o golpe para retirar lideranças populares da política não vem sendo aplicado apenas no Brasil, e foi gestado externamente. Essas forças estrangeiras teriam se aliado aqui com o que Boff chama de “elite do atraso, os herdeiros da Casa Grande”.

“Esses grupos milionários se aliaram com interesses estrangeiros e deram um golpe. Não mais com baionetas e tanques, mas um golpe de venalidade, comprando literalmente senadores e deputados, pervertendo a Justiça, partes do MP e da PF. Se criou uma coligação de forças que primeiro depôs Dilma, mas ela não era o objeto principal. O principal é Lula, e em segundo lugar é desmontar as políticas sociais que ele fez em função do povo e, se possível, liquidar a base popular do PT e fazer com que desapareça o partido”, detalhou o teólogo.

A presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, participou da abertura das atividades da vigília na manhã de hoje aponta para todos os elementos que evidenciam atropelos à Constituição brasileira, configurando um Estado de exceção. “O Supremo Tribunal Federal, corte máxima da Justiça e responsável pelo zelo à ordem constitucional acabou contribuindo para esse Estado de exceção ao permitir a prisão política de um ex-presidente, já que o processo contra ele não tem provas nem consistência”, disse Socorro.

Ela afirma que a comunidade internacional está perplexa por essa prisão sem processo transitado e julgado, portanto com cerceamento de defesa e violação do princípio da presunção da inocência. “Trata-se de uma perseguição política, movida a ódio, a preconceito de classe e com objetivo de impedir que Lula esteja livre e possa ser candidato. Todo o mundo está percebendo isso. Temos uma elite empenhada em garantir seus privilégios.” Socorro estava acompanhada do senador Ignácio Bernal e da deputada Natália Sanchez, ambos do Congresso espanhol.

Na saída do prédio da Polícia Federal, representantes do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável e do Movimento dos Atingidos por Barragens entregaram duas cartas ao argentino em apoio à indicação de Lula ao Nobel da Paz.

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NOBEL DA PAZ DIZ QUE LULA É “PRESO POLÍTICO” E DEIXA CARTA, APÓS SER IMPEDIDO DE FAZER VISITA
Via Jornal GGN em 19/4/2018

O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel foi impedido pela juíza Carolina Lebbos de vistoriar as condições da prisão do ex-presidente Lula. Como a magistrada, nesta quinta (19), também não quis analisar um segundo pedido para visitar Lula como amigo pessoal, o argentino teve de escrever uma carta para ser entregue ao petista.

Esquivel disse que a decisão da juíza é “muito grave porque se está tirando o direito de visitas neste caso. E nos preocupa porque o Brasil está vivendo um Estado de Exceção e a prisão de Lula está afetando a todos.”

Na visão do ativista, Lula é um “preso político” e deveria ser respeitado como tal. “Lamento que tenham violado mais este direito”, disse.

Na carta, Esquivel anotou que o mundo tem se mobilizado em favor de Lula e desejou ao ex-presidente força e esperança para superar esta situação.

“Vamos seguir acompanhando a luta. O Brasil vive um Estado de Exceção. Primeiro um golpe de Estado contra a presidente Dilma, e agora a prisão de Lula. Precisamos pensar que tipo de democracia temos, não só aqui, mas na América Latina”, disse à militância que acampa nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal do Paraná.

Esquivel ainda chamou atenção para o fato de que outras lideranças internacionais tentarão visitar Lula e que, por isso, seria bom a juíza repensar os direitos do ex-presidente.

No último dia 12, traçando um perfil da magistrada, o UOL entrevistou um advogado que disse que Carolina Lebbos gosta de “pedir a benção” de Sérgio Moro quando tem de lidar com presos da Lava-Jato.

Por isso, ela acolheu prontamente a manifestação em que Moro determinou que Lula não deveria ter nenhum “privilégio” nas visitas em relação aos outros presos.

O portal escreveu que Lula só pode receber a visita de familiares, uma vez por semana.

Justiça impede Pérez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, de visitar Lula

19 de abril de 2018

Via Paraná 247 em 18/4/2018

A juíza federal Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, negou na tarde desta quarta-feira 18 um pedido feito pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, para inspecionar as instalações dos presos na Polícia Federal em Curitiba, onde está o ex-presidente Lula. Esquivel fez o pedido na condição de presidente de Organismo de Tutela Internacional dos Direito Humanos (SERPAJ).

No documento assinado pelas advogadas Ivete Caribé da Rocha e Tânia Mara Mandarino, procuradoras de Pérez Esquivel, o argentino sustentou que a comunicação de inspeção tem amparo nas chamadas Regras de Mandela, ou Regras Mínimas da ONU para o Tratamento de Presos, que preveem a inspeção de prisões “por órgão independente da administração prisional, que pode incluir órgãos internacionais ou regionais competentes”.

A visita aconteceria nesta quarta-feira 18. O Prêmio Nobel da Paz também pediu para entrar na PF na condição de visitante do ex-presidente Lula. Responsável por lançar a campanha pelo Nobel da Paz a Lula, ele gravou um vídeo em que declarou que nenhum presidente tirou 30 milhões de pessoas da pobreza.

Confira o documento apresentado por Pérez Esquivel ao CNJ e à Justiça do Paraná.

Quem é Miguel Díaz-Canel, “discípulo” de Raul Castro, que assume o poder em Cuba

19 de abril de 2018

Díaz-Canel tem uma longa carreira política em Cuba.

Via BBC Brasil em 18/4/2018

Para alguns, ele é um reformista à espera da oportunidade de introduzir mudanças necessárias na Revolução Cubana. Para outros, seu papel se limita ao de um burocrata escolhido a dedo para manter o “retrógrado” sistema político da ilha.

Mas quem realmente é Miguel Díaz-Canel Bermúdez, o sucessor de Raul Castro na presidência de Cuba?

“Essa é uma pergunta cuja resposta vai demorar para ser conhecida”, diz o embaixador Carlo Alzugaray em entrevista à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.

A Assembleia Nacional está reunida nesta quarta-feira para escolher o novo presidente do país. No início da tarde, contudo, antes do fim do encontro, parlamentares confirmaram à BBC que Díaz-Canel era o único candidato à sucessão.

O novo presidente, que completa 58 anos nesta semana, assume a responsabilidade de guiar o país em circunstâncias inéditas. Pela primeira vez em seis décadas, Cuba não terá um Castro no comando.

A geração que protagonizou a insurreição contra o ditador Fulgêncio Batista, na década de 1950, começou a se retirar do poder, dando espaço para uma pessoa mais jovem.

Os círculos políticos e intelectuais do país estão divididos sobre como será daqui para frente. Há quem queira mais reformas econômicas e maior abertura ao mercado externo, processo iniciado de forma gradual por Raul Castro. Outros advogam pela manutenção do controle estatal na economia e na opinião pública para assegurar a estabilidade política.

Com qual dessas visões Díaz-Canel está alinhado ainda é uma incógnita.

Ele é um homem corpulento e grisalho. Seus olhos azuis – traço que aponta para suas origens europeias – é uma das poucas certezas que os cubanos têm sobre ele.

Raízes em Villa Clara
Descendente de imigrantes das Astúrias, na Espanha, ele nasceu em Placetas, na província cubana de Villa Clara. Ele é casado com uma professora universitária e tem dois filhos de um matrimônio anterior.

Foi em Villa Clara que o político conseguiu o crédito que acabou por levá-lo ao maior cargo da burocracia estatal cubana.

Depois de completar o serviço militar obrigatório, Díaz-Canel se formou em engenharia na Universidade de Las Villas, onde depois virou professor.

Em 1987, ele se converteu em dirigente da União de Jovens Comunistas e deu seu primeiro passo na carreira política.

Raul Castro afirmou que deixará a presidência depois do término de seu segundo mandato.

Foi então que o Departamento de Organização e Quadros do Partido Comunista se interessou pelo jovem Díaz-Canel, um jovem que amava os Beatles e acreditava piamente na causa socialista.

Companheiros da juventude recordam do apreço pelo socialismo demonstrado por Díaz-Canel nas caminhadas que ele fazia pelo campo durante seu trabalho de doutrinação.

O novo presidente de Cuba era um leal seguidor da ortodoxia socialista, mas não demonstrava ser autoritário, segundo seus amigos.

Logo no início ele foi enviado à Nicarágua em uma missão que reunia militares, médicos e outros profissionais cubanos. Eles ajudaram o grupo que promovia a revolução sandinista, que se estendeu entre 1978 e 1990.

“Na Nicarágua, Díaz-Canel organizou comitês de base com jovens comunistas. Ele fez um trabalho político-ideológico que buscava reforçar as posições do governo cubano e do sandinismo”, lembra Arturo López Levy, cientista político da Universidade de Texas.

De volta a Cuba, em 1993, Díaz-Canel virou secretário do Partido Comunista em Villa Clara.

O político era visto como “comprometido” e “líder tolerante” quando era o responsável do partido em sua cidade natal, uma época que ficou conhecido como “período especial”, quando a economia cubana quase entrou em colapso após o desmantelamento da União Soviética, âncora do bloco socialista.

Harold Cárdenas Lema, autor do blog socialista La Joven Cuba e conterrâneo do futuro presidente, relembra em entrevista à BBC Mundo que “as políticas sociais progressistas” de Díaz-Canel o diferenciaram de outros nomes do partido.

Outros conterrâneos do político lembram-se da perseguição de Díaz-Canel ao mercado paralelo – muitos cubanos procuram esse comércio em busca de produtos que não são vendidos nos mercados legais.

Díaz-Canel trabalhou em Comitês de Defensa da Revolução (CDR) como este, em Santa Clara.

Um dos motivos que amigos usam para apontar Díaz-Canel como um “homem moderno” foi sua defesa do clube “El Mejunje”, um local frequentado por membros da comunidade LGBT. Setores intransigentes da burocracia cubana ficavam escandalizados com as atividades do local e com os espetáculos promovidos por travestis.

O fundador do clube, o artista Ramón Silverio, lembra que Díaz-Canel costumava levar seus dois filhos para as atividades infantis do local.

Para López Levy, contemporâneo do socialista na militância juvenil, Díaz-Canel é um político “distinto”.

“Ele exerceu uma liderança em Santa Clara bastante rara para a época. Andava de bicicleta e usava bermudas nas ruas”, ele conta à BBC Mundo.

“Em uma época de escassez, ele construiu uma imagem de modéstia, de proximidade com as pessoas. Foi uma jogada política muito inteligente”, disse.

Em suas últimas declarações, Díaz-Canel tem dito que fará um governo de continuidade.

Sua capacidade de organização também é elogiada.

“Ele é um engenheiro que pensa em termos de eficiência, questionando-se qual é o sistema que lhe trará mais resultados”, diz o cientista político López Levy.

Metódico, Díaz-Canel cresceu na carreira política como um “funcionário exemplar”.

Fidel Castro, impressionado
López Levy conta que Díaz-Canel impressionou Fidel Castro quando o histórico dirigente decidiu visitar a província de Villa Clara. Na ocasião, o jovem político conseguiu mobilizar uma grande quantidade de pessoas em poucas horas.

Em 2003, ao mesmo tempo em que ele aceitou dirigir a província de Holguín, Raul Castro promoveu sua candidatura ao comitê central do Partido Comunista. Essa relação de “mestre e discípulo” entre o primeiro-ministro e seu sucessor, como descreve Carlo Alzugaray, é mantida até hoje.

Díaz-Canel estava no núcleo de poder estatal em 2009, um ano depois de Raul assumir como primeiro-ministro. Acabou se tornando seu ministro da Educação.

Raul Castro promoveu Miguel Díaz-Canel à cúpula do Partido Comunista cubano.

Nessa cadeira, ele organizou uma série de reuniões com quadros estudantis para conhecer a situação da educação cubana.

Luiz Carlos Bautista estava entre as dezenas de estudantes que se reuniram com o então ministro da Educação na Universidade de Havana. “Me lembro que ele era um homem sério, mas não frio. Ele parecia atento ao que ocorria em universidades estrangeiras”, disse à BBC Mundo.

Segundo Bautista, o então ministro demonstrou especial interesse pelas condições da estrutura da universidade e pelo trabalho político-ideológico.

Harold Cárdenas também participou dos encontros e notou algo que acredita que possa ser um problema.

“Díaz-Canel pertence à geração dos meus pais, que cresceu com o embargo dos Estados Unidos e que tem uma atitude negativa em relação a esse país”, diz.

Depois do ministério, o futuro líder cubano foi nomeado para a cadeira de vice-presidente dos conselhos de Estado e de Ministros. Esse cargo o elevou à categoria de possível sucessor de Raul Castro.

Raul o elogiou por “não ser um novato” e por sua “firmeza ideológica”.

“Distanciar-se de Raul Castro poderia tê-lo colocado em risco”, explica López Levy. Desde então, Díaz-Canel tem evitado impor uma agenda própria e preferido se manter quase em silêncio, perfil que impede prever como será sua atuação como primeiro-ministro de Cuba.

Aparentemente, ele aprendeu a lição deixada por Carlos Lage, Roberto Robaina e Felipe Pérez-Roque, dirigente defenestrados inesperadamente pelos irmãos Castro por tomarem atitudes consideradas “desleais”.

A cautela ajudou Díaz-Canel a sobreviver na cúpula cubana, segundo pessoas que conviveram com ele. Um jornalista veterano de Cuba, que prefere não ter seu nome revelado, afirma que o político “fez a mesma coisa que todos os outros, obedecer”.

Recentemente, declarações do socialista têm se afastado de seu antigo perfil de “abertura”. Ele tem reafirmado preceitos comunistas e prometido persistir “na marcha triunfante da Revolução”.

“Nos últimos tempos ele tem mostrado uma dureza ideológica preocupante”, diz Alzugaray.

Para Antonio Rodiles, ativista anticastrista, Díaz-Canel “é uma pessoa apagada que repete como um robô o que tem sido dito em Cuba nos últimos 60 anos”.

Segundo ele, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca e a queda da esquerda em vários países da América Latina, o governo cubano se sente “encurralado” e propõe apenas “resistir”.

Rafel Rojas, do Centro de Pesquisa e Docência Econômica da Cidade do México, afirma que a ascensão de Díaz-Canel é legitimada por sua promessa de continuísmo. Por outro lado, ele acredita que, ao longo dos anos, ele pode mostrar características diferentes dos irmãos Castro.

Em um vídeo vazado há alguns meses, o futuro presidente acusa alguns meios de comunicação cubanos de promover “estereótipos de guerra cultural” – as afirmações desencorajaram pessoas que acreditavam que poderia haver mudanças na ilha.

Alguns observadores acreditam que o vazamento pode demonstrar traços de desprestígio do político entre seus próprios companheiros.

Díaz-Canel costuma participar de reuniões usando um tablet e é visto em público com sua mulher, algo incomum entre os dirigentes cubanos, que rechaçam novas tecnologias e exposição pública de suas vidas privadas.

López Levy acredita que, na realidade, ele é partidário de aplicar reformas e que as pessoas o subestimam quando dizem que ele está nas mãos de setores mais reacionários de Cuba.

Para muitos em Cuba e entre a numerosa comunidade cubana no exterior, essas mudanças são necessárias, mas insuficientes.

Díaz-Canel tende a pilotar a nave cubana sob pressão de setores divergentes.

A capacidade de trabalhar em equipe, muito alardeada em seu favor, deverá ser um dos recursos que terá de explorar a partir de agora.

Porque, como diz Alzugaray, “de Fidel foi perdoado tudo, de Raul quase tudo, mas de Díaz não será tão perdoado”

Dilma expõe golpe e perseguição de Lula pela mídia nos Estados Unidos

19 de abril de 2018

Via Jornal GGN em 18/4/2018

Em sua agenda internacional, a ex-presidente Dilma Rousseff expôs no Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, como o golpe ocorreu no Brasil e como as estratégias permaneceram, a ponto de gerar a prisão do ex-presidente Lula.

“Meu país vive hoje momentos muitos difíceis. Estamos diante de uma situação crítica. A prisão de Lula é uma evidência de que nós vivemos tempos em que medidas de exceção convivem com o sistema democrático. As medidas de exceção corroem o sistema democrático. Vivemos uma situação em que conquistas por muito aguardadas, alcançadas, e algumas ainda em desenvolvimento, foram suprimidas, foram paralisadas, e retrocessos em conquistas sociais foram impostos”, introduziu.

Sobre a candidatura de Lula nas eleições, mostrou que o partido não pretende e não irá apresentar uma alternativa de postulante. “Lula disse que estará nesta eleição, preso ou solto, morto ou vivo, condenado ou absolvido. Isto não e uma bazófia. É a expressão política do seguinte: eu não represento uma pessoa, eu represento uma ideia e uma porção de pessoas”, afirmou.

“Por que abriríamos mão da candidatura do Lula e resolveríamos o problema deles? Então, o Lula é o nosso candidato. E nós entendemos que só a liberdade dele pode viabilizar uma eleição democrática em outubro deste ano”, seguiu Dilma.

Ressaltando como é a resposta dos brasileiros frente a prisão de Lula e a tentativa de o impossibilitar em sua candidatura, mencionou as últimas pesquisas eleitorais. “Lula é condenado porque acreditam que, com isso, e agora, com a prisão, ele vai sumir das pesquisas de intenção de voto. Pois neste fim de semana, depois de estar preso há alguns dias, fizeram uma pesquisa que mantém Lula com mais do que o dobro dos votos do segundo colocado, o senhor Bolsonaro. Vejam vocês que complicação política quando num país democrático o centro some, explode, é destruído. A inconsequência da política golpista leva ao surgimento da extrema-direita.”

Também durante a palestra, a ex-presidente expôs o papel da imprensa no resultado da falta de democracia no Brasil atualmente. “A rejeição a Lula e a nós inicialmente subiu, porque durante um tempo a imprensa brasileira funcionou como uma instância da Justiça. Mas uma instância da justiça inteiramente distorcida. A imprensa julga, tem a iniciativa, não tem regras nem protocolos, não respeita nenhum dos rituais democráticos. Para a imprensa, a presunção de inocência acabou”, disse.

Ao concluir sua participação no evento, Dilma, em tom de preocupação, deu um aviso: “Quando os estados e os governos não respondem às demandas de suas populações, a política se torna irrelevante. Torna-se campo fértil para aqueles horrorosos animais que surgiram durante o entreguerras, com o nazismo e o fascismo. E mais: com a intolerância e o desrespeito às pessoas”.

“Como a política ficou irrelevante, esta intolerância transforma a democracia, também, em algo muito irrelevante. É aí que começa o perigo. É contra isso que nós temos de nos posicionar. Não interessa qual é a nossa posição no espectro. Mas se somos democratas, não queremos que isto se repita nos nossos países. E eu não quero que se repita no meu país”, concluiu.

Acompanhe, aqui, a palestra de Dilma no seminário “Desafios para a democracia no Brasil”, do Centro para Estudos Latino-americanos da Universidade de Berkeley, na Califórnia:

***

Angela Davis e Dilma Rousseff no Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

CORRUPÇÃO NOS EUA SUPERA A DO BRASIL
Em entrevista em Berkeley, EUA, presidenta eleita lembra que no fim de 2011 havia demitido quase todos os diretores corruptos da Petrobras.
Via Portal da Dilma em 18/4/2018

Da entrevista com Dilma após palestra na universidade de Berkeley:

A Transparência Internacional diz que o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo. O que você pensa disto.
Considero esta afirmação ingênua. Extremamente ingênua. Por que? Do meu ponto de vista, a mais extraordinária corrupção dos últimos tempos foi a crise de 2008, que nasceu aqui. Ou vocês acreditam que a manipulação do subprime e a crise financeira que se seguiu foram eivadas de boas condutas?

Na televisão, em Genebra, me perguntaram o que eu achava da corrupção no Brasil. Eu disse que ela dependia muito da lavagem de dinheiro que ocorre por lá.

A mesma coisa ocorre com o crime organizado no Brasil. Achar que o crime organizado no Brasil está nas favelas é a mais pura tolice. O crime organizado está onde está o dinheiro.

Os paraísos fiscais existem e assim são chamados porque o grosso de seus recursos advém de sonegação em outros países. Ou seja: não pagamento de impostos ou engenharia tributária ou ocultação de recursos.

Nesta formação de recursos você tem corrupção, droga, terrorismo, tráfico de armas. É assim que funciona. E funciona em rede.

E países têm definições diferentes do que é corrupção e o que não é. Tem muita coisa que é considerada corrupção no Brasil que aqui nos Estados Unidos não é. Lobby, por exemplo. O Brasil não disciplinou o lobby. O que é hipocrisia, porque o lobby existe.

Mas acho que, em que pese essas ressalvas, havia que combater a corrupção. Não por um moralismo qualquer, mas porque a corrupção tem um fortíssimo fator de disrupção social, de concentração indevida de poder e de utilização do dinheiro público num país que, como o nosso, não pode jogar dinheiro pela janela.

No início do governo Lula, quando era chefe da Casa Civil, eu fui acusada de bolivariana porque que exigi que determinada licitação tivesse cláusulas muito claras para impedir o sobrepreço.

No caso da Petrobras, todas as pessoas estão sendo julgadas. Eu as conheci, assumi o governo em 2011 e no final do ano estavam todas demitidas. Não porque eu soubesse que eram corruptos, mas pela convivência eu os achava incompetentes. Se soubesse que eram corruptos os teria demitido no segundo dia do governo, mas a gente não sabia que eles eram corruptos. Há uma exceção: um geólogo de primeiríssimo nível, que descobriu o pré-sal, e que pediu para ser afastado da diretoria que ocupava porque estava doente.

Descobrir corrupção não é trivial. Tivemos que fazer leis, fortalecer o ministério público, fortalecer a Polícia Federal. Há mil formas de esconder a corrupção. Uma delas chama-se paraíso fiscal.

É muito grave não controlar paraíso fiscal. Nos últimos anos, eu participei das reuniões do G20. Logo depois das crises de 2008 e 2009, um dos maiores problemas do G20 foi buscar formas de controle dos paraísos fiscais. Até então eles eram livres, leves e soltos.Ninguém os controlava. Os paraísos fiscais funcionam em forma de rede. A sustentação desta rede não caiu do céu, é financeira.


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