Archive for the ‘Internacional’ Category

Executivo da Odebrecht tira da sombra o homem da propina dos tucanos

24 de abril de 2017

Novis contou que além dos R$23 milhões transferidos para a campanha de Serra, outro depósito também foi feito.

José Amaro Pinto Ramos é um famoso lobista internacional, amigo de empreiteiros, ligado aos tucanos, que já foi indiciado pelo Ministério Público da Suíça por diversos crimes de corrupção

Helena Sthephanowitz, , via RBA em 3/4/2017

Detalhes da delação de Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht e atual membro do conselho administrativo da holding Odebrecht S.A., caíram como uma bomba no ninho tucano e deixaram penas chamuscadas. Novis contou no Ministério Público Federal que além dos R$23 milhões transferidos pela construtora de uma conta na suíça, para a campanha presidencial de José Serra, um outro depósito de alguns milhões, foi feito para o senador tucano. Sem especificar o valor, Novis afirmou que a operação envolve a conta de uma parente de Serra e o empresário José Amaro Pinto Ramos.

José Amaro Pinto Ramos é um famoso lobista internacional, amigo de empreiteiros, ligado aos tucanos, que já foi indiciado pelo Ministério Público da Suíça por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e pagamento de propina nos escândalos de corrupção nas gestões tucanas no estado de São Paulo – pelo consórcio encabeçado pela alemã Siemens e a francesa Alstom, em 27 anos de negócios com os governos do PSDB e congêneres.

O pedido de investigação se baseou na Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. A informação consta de relatório do Ministério Público da Confederação Helvética (MPC), Zurique, Suíça, datado de 21 de fevereiro de 2011. O processo SV 10.0173-LEN, foi aberto em 7 de outubro de 2008. O dossiê da Suíça foi enviado ao Brasil em fevereiro de 2011 e, na época, engavetado pelo procurador Rodrigo de Grandis.

José Amaro Pinto Ramos foi sócio de uma empresa cujo acionista é detentor de contratos milionários nas administrações dos governos do PSDB em São Paulo, inclusive na gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB). A empresa é especializada em engenharia civil, com atuação na construção de obras para áreas públicas, e tem atualmente dezenas de contratos de cifras milionárias com a Sabesp, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

Ramos consta também como sócio três empresas: a Epcint Desenvolvimento de Negócios Ltda., a Epcint Assessoria Técnica Ltda., ambas com sede na capital paulista, e a IES Informática e Sistemas Ltda., com endereço no Rio de Janeiro.

A Epcint de Amaro Ramos é sócia da empresa Aratec, do vice-almirante da Marinha Othon Pinheiro da Silva, ex-presidente da estatal Eletronuclear, que está preso. Othon e José Amaro são sócios também da companhia Hydro Geradores e Energia. No quadro social da Hydro há outras duas empresas, BBT Energia e Emexport.

José Amaro Pinto Ramos, fechou as portas de outras empresas, a Sysdef Consultoria Ltda. e da Epcint Importação & Exportação Ltda., com a qual atuou no exterior, especialmente nos Estados Unidos, onde intermediou contatos políticos para a cúpula tucana. Em 1990, ele atuou como consultor da Alstom na contratação de crédito externo para a compra de trens do metrô pelo governo tucano em São Paulo.Com escritórios nos Estados Unidos e na França, José Amaro figura entre os principais lobistas do Brasil. Trabalha para multinacionais, em especial em contratos com o poder público.

Nas investigações feitas no Brasil pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, em 2013, Pinto Ramos aparecia como dono de seis empresas com atuação nacional e internacional e uma rede de negócios amparada nas relações políticas. Pinto Ramos se aproximou do governo paulista já na redemocratização, atravessou as gestões de Franco Motoro, Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury intermediando negócios, mas firmou-se mesmo como personagem de bastidor e operador nos governos do PSDB.

Em 2013, uma reportagem do portal IG descrevia Pinto Ramos como “amigo fraterno” do falecido ex-ministro Sérgio Motta, num relacionamento que teve início antes mesmo de o PSDB chegar ao Palácio do Planalto e ao governo paulista, em 1994. Em 1993, durante a posse do ex-presidente americano Bill Clinton, o empresário apresentou Motta ao marqueteiro James Carville, estrategista em eleições que mais tarde viria prestar assessoria à campanha de Fernando Henrique.

No mesmo dia da posse de Clinton, Pinto Ramos ofereceu um jantar a Fernando Henrique, na época chanceler do Brasil, do qual participou também o empresário Jack Cizain, ex-diretor da Alstom. Três anos depois, o próprio Cizain participaria da compra da Light como representante da Electricité de France (EDF), integrante do consórcio que ganhou o leilão de privatização. A estatal fluminense foi dirigida por José Luiz Alquéres, ex presidente da Alstom, também apontado como suspeito no esquema.

Pinto Ramos se especializou na prestação de serviços de energia e transporte sobre trilhos e, por conta dos negócios com estatais, respondeu por denúncias de recebimento de propinas da Alstom. Em uma das ações, arquivada, chegou a ser acusado por formação de quadrilha e falsidade ideológica junto com o ex-presidente do Metrô na gestão do ex-governador Orestes Quércia, Antônio Sérgio Fernandes.

Em 1995, segundo reportagem da revista US News & World Report, Pinto Ramos foi investigado pelo FBI no caso de corrupção envolvendo o secretário de Comércio de Bill Clinton, Ron Brawn. A atuação do empresário se estende também a negócios brasileiros na Europa, Japão e União Soviética.

Em uma entrevista em 2008, José Amaro Pinto Ramos disse que trabalhou para a Alstom, e que uma de suas empresas foi contratada no início dos anos de 1990 pelo consórcio Mafersa/Villares, mais tarde arrendado pela Alstom, para estruturar “um complexo crédito externo” que garantiria a produção nacional de trens para a Linha 2 do Metrô de São Paulo.

Clique na imagem para ampliá-la.

Casuísmo paraguaio e a esquerda em Pindorama

3 de abril de 2017

Diogo Costa em 1º/4/2017

O que houve no Paraguai é que aprovaram uma emenda de reeleição – igual ao que fizeram no Brasil o FHC e o PSDB em 1997 – a toque de caixa e a portas fechadas.

Isso revoltou parte da população que partiu para o quebra-quebra contra a medida casuísta.

A medida casuísta partiu de um acordo entre a Frente Guasu e o Partido Colorado, alijando o Partido Liberal. Mas isso pouco importa pois é evidente que as regras do jogo estão sendo mudadas no meio da partida, o que deveria ser motivo de revolta em qualquer lugar do mundo (o PT e os movimentos sociais se esgoelaram de tanto denunciar – com toda a razão – a casuísta Emenda da reeleição de FHC).

Do mesmo modo que o Partido Liberal é uma espécie de “PSDB paraguaio”, é preciso dizer que o Partido Colorado, do atual presidente Horácio Cartes, é uma espécie de Arena.

Urge relembrar que o Partido Liberal ocupou a vice-presidência de Fernando Lugo e da Frente Guasu até o golpe de 2012 (quando liberais e colorados se uniram para dar o golpe).

O casuísmo na tentativa de aprovar a reeleição de Horácio Cartes é evidente e é incrível que certos setores de esquerda queiram defender este mesmo casuísmo somente por que Lugo e a Frente Guasu resolveram aderir à patranha.

Foi um casuísmo no Brasil em 1997 – corretamente denunciado – e está sendo um casuísmo também no Paraguai.

Por fim, também é bom relembrar que o Partido Colorado, com o qual Lugo e a Frente Guasu fizeram o acordão casuísta, é o partido da última e sanguinolenta ditadura militar paraguaia, comandada com mão de ferro pelo General Alfredo Stroessner durante quase 35 anos consecutivos.

Amanhã ou depois, se os golpistas brasileiros resolverem impor uma emenda casuísta – suspendendo as eleições de 2018, estendendo o mandato de Temer ou de qualquer outro até 2022 ou alijando o PT da disputa – estes setores de esquerda que não denunciam o casuísmo atual no Paraguai não terão como denunciar o mesmo aqui no Brasil.

Esse negócio de mudar as regras do jogo no meio da partida, instrumentalizando processos ao sabor de conveniências de ocasião, é uma espada apontada para a esquerda e não está com nada.

***

FOI NUM BAILE EM ASSUNCIÓN…
Diogo Costa em 1º/4/2017

Em 1997 o ex presidente FHC aprovou na surdina a emenda da reeleição – que beneficiou a si próprio e ao seu partido (PSDB).

Tudo seguiu como dantes no quartel d’Abrantes.

Hoje o povo paraguaio ocupou e ateou fogo no Congresso Nacional, além de bloquear pontes e rodovias em quase todo o país para manifestar a repulsa contra a emenda da reeleição incensada pelo atual mandatário Horácio Cartes, do Partido Colorado.

Os paraguaios mostram consciência política muito forte neste momento – também sofreram um golpe de estado em 2012 – enquanto nós outros mostramos apenas o nosso bovino caminhar.

Clique aqui para ler a matéria do El País Brasil.

Entreguismo confesso: Citibank é “conselheiro” de Temer nas privatizações

3 de abril de 2017

Fernando Brito, via Tijolaço em 28/03/2017

É ninguém menos que a BBC quem diz: o Citibank é “conselheiro informal” do governo brasileiro na privatização de empresas e reservas naturais do Brasil.

Apostando no programa de privatizações do governo brasileiro, que pretende transferir áreas de mineração e exploração de petróleo e gás (incluindo o pré-sal), usinas e empresas de energia, portos, ferrovias e outros, o banco norte-americano patrocinará um encontro entre seus principais clientes e ministros brasileiros em Nova Iorque no mês que vem. Não será a primeira vez. Em setembro do ano passado, dias depois do lançamento do pacote, o banco apresentou bilionários a Temer e aos ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência), que foram pessoalmente ao encontro de negócios em um hotel em Manhattan.

São negócios de bilhões que, claro, vão render gordas comissões, como admite o, diretor global de assuntos governamentais do Citigroup, Charles Johnston:

Não há nenhum contrato ou vínculo formal de cooperação entre o banco e o governo Temer. Mas a máxima dos investidores de Wall Street permanece intacta: “Não existe almoço grátis” nos Estados Unidos”. É claro que estamos aqui tentando proteger os interesses do banco”.

E para comandar a exploração desta mina, o escalado é o insuspeitíssimo Wellington Moreira Franco, o “Angorá” da lista da Odebrecht, o homem escalado por Michel Temer que “queria roubar e eu não deixei”, nas palavras de Dilma Rousseff.

Como no caso da Odebrecht, Temer já cuidou de providenciar o “jantar no Jaburu”:

Há duas semanas, após se reunir pessoalmente com Temer no Palácio do Planalto, o presidente mundial do Citigroup, Michael Corbat, distribuiu nota à imprensa afirmando que “apoia as medidas de ajuste fiscal” e que “o Brasil é um mercado muito relevante” para o banco.

Será que também teve, em seguida, a “conversa na varanda” como a que relatou o delator da Odebrecht?

O Citibank se derrama em elogio aos cortes dos gastos da saúde, da educação, à perda de direitos trabalhista e à “aposentadoria no Dia de São Nunca” e, não à toa, considera Temer “um dos melhores políticos do Brasil”.

Os desmentidos do governo acabam sendo a confissão da parceria imoral: o secretário de articulação para investimentos de Temer, Marcelo Allain, diz que “o Citibank não é nenhum conselheiro formal do governo porque não poderia ser, mas que pede que ele que “organizem ou apresentem clientes que tenham interesse no Brasil”.

“Nesse papel, eu acho que de fato o Citi está ajudando bastante”, diz ele.

Não há dúvidas, não há dúvidas. Ajudando em todos os sentidos, menos o do interesse do Brasil. Sempre tivemos vendilhões nesta pátria. Agora, porém, temos uma quadrilha que assume estar fazendo isso.

A Amazon feriu Dória no lugar que mais lhe dói depois do bolso: o ego

3 de abril de 2017

Kiko Nogueira, via DCM em 28/3/2017

João Dória é um narcisista. Não pode ser contrariado. O que não é espelho não serve. Ou somos todos Lucilia Diniz (para quem o amigo é “um homem movido a desafios sempre em busca de novos projetos!”, com exclamação!), ou somos inimigos e não gostamos de São Paulo.

Em tempo recorde, ele foi inventado como candidato por Geraldo Alckmin, eleito e alçado à condição de alternativa da direita a Bolsonaro para 2018, tudo baseado na conversa mole de que é “gestor”.

Sem inteligência emocional, vulnerável a qualquer provocação, está abrindo várias frentes de batalha, como o velho Adolfo, e, como o velho Adolf, não dará conta de tantas brigas.

Chamou um cidadão para a porrada na Vila Madalena no Carnaval, onde achava que seria aclamado. Ciro Gomes, que o classificou de “farsante”, deveria “cuidar de sua saúde mental”.

Tudo isso enquanto xinga Lula de “vagabundo” em vídeos para manter acesa a chama do baixo nível e ver se atrai mais algum bolsominion para suas hostes.

Para Dória, as empresas são obrigadas a estar a seu lado, seja de que maneira suspeita for – ou isso, ou estão contra ele.

A Amazon é “oportunista”. A Ultrafarma, que ganhou um jabá numa reunião da prefeitura e agora banca placas vendendo Dória em jogos da seleção, é preocupada com o futuro do Brasil.

A campanha para divulgar o e-reader Kindle questiona os muros cinzentos da cidade depois do estupro da 23 de Maio.

Filmado à noite, numa atmosfera meio distópica, o vídeo começa com a pergunta: “Cobriram a cidade de cinza?”. Em seguida, citações de escritores famosos aparecem projetadas nas paredes.

Dória gravou uma resposta. Visivelmente incomodado, pede doações. Na legenda do post no Facebook, escreveu que “existem várias formas de a Amazon ter uma postura cidadã autêntica e não oportunista”.

Seus fiéis soldados do MBL já compraram a briga e estão tendo os chiliques combinados para defender o chefe.

JD repete seu ídolo não assumido Donald Trump, que mora no Twitter xingando e ameaçando seus detratores. A imprensa norte-americana especulou, recentemente, sobre uma possível doença mental do presidente norte-americano: transtorno de personalidade narcisista.

Em fevereiro, um grupo de psiquiatras e psicólogos enviou uma carta ao New York Times alertando para “a grave instabilidade emocional demonstrada nos discursos e nas ações do senhor Trump”.

Dória ataca o destempero de Ciro, mas reage de maneira desproporcional a qualquer sinal que não seja um afago. Está acreditando piamente no personagem que criou, com a mãozinha de Alckmin, que a essa altura deve estar desesperado.

Uma das frases do anúncio da Amazon lhe cai bem: “Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que dizem o que você já sabe”. É de George Orwell em “1984”.

Dória espera da Amazon – e da sociedade – o que fazem seus assessores: sabujice e um bom negócio. Qualquer coisa fora do script deixa Narciso en-lou-que-ci-do.

Folha de S.Paulo e “grande mídia” espalham notícia falsa sobre golpe na Venezuela

3 de abril de 2017

O FANTASMA DO GOLPE PERFEITO
Jair Pinheiro, via Jornal GGN em 1º/4/2017

“Corte alinhada com Maduro assumiu funções do Congresso”, é a manchete do UOL (empresa da Folha de S.Paulo) no sábado, dia 1º/4, data adequada para a pós-verdade. De um só golpe a manchete difunde a ideia de que dois pilares básicos da democracia foram atacados: o rompimento da divisão dos poderes e a usurpação da independência do judiciário e, imediatamente, a falsa notícia é disseminada por toda América Latina, curiosamente sem citar fontes venezuelanas.

Aos fatos, pois! Dois deputados oposicionistas a Maduro vinham sendo investigados por crime eleitoral, desde as eleições de 2015. Terminado o processo, o TSJ – Tribunal Supremo de Justiça, após responsabilizá-los, determinou à Assembleia Nacional as providências para a cessação do mandato. Ante a recusa da AN de cumprir a ordem judicial, o tribunal tomou para si, o que a lei venezuelana permite, as funções estritamente vinculadas ao cumprimento da ordem judicial, preservando as prerrogativas do legislativo. Em seguida, num movimento aparentemente coordenado, diversos líderes oposicionistas deixaram o país em direção a diferentes países (Colômbia, Panamá, México, EUA e Espanha).

Enfim, está montada a cena do golpe perfeito: as manchetes insinuam uma dissolução do legislativo que não houve, os comentários dos mal-denominados especialistas e de âncoras celebridades ratificam e o movimento de líderes oposicionistas deixando o país, e dando entrevistas no aeroporto pedindo apoio internacional, confirmam: rompeu-se a ordem constitucional no país vizinho.

Na sequência, as manchetes reiteram o que parece ser um desdobramento natural: “Argentina pede reunião do Mercosul para discutir crise venezuelana”, “Brasil [não é piada] pede suspensão da Venezuela do Mercosul”, “Peru pede retirada de embaixador venezuelano”. Portanto, no plano discursivo vai se criando o isolamento internacional do país vizinho, na expectativa de que tal isolamento se concretize, um dos quesitos normalmente aceitos pelos bem-pensantes senhores que se arrogam o papel de representantes da comunidade internacional para justificar a intervenção imperialista contra governos que se opõem ao império.

A esta altura já estamos muito distantes dos fatos, mas estes nunca tiveram importância mesmo, a não ser como referência a ser superficial e maliciosamente aludida para criar a ilusão reconfortante de que se está restabelecendo a ordem constitucional, quando, o que se visa de fato, é alterá-la. É neste contexto de manobra alusão/ilusão que a imprensa informa como algo excepcional e não prerrogativa do cargo, que a fiscal geral (equivalente a procurador geral da república) Luisa Ortega Díaz considera inconstitucional as sentenças de número 155 e 156 e pede a revisão à Sala Constitucional do TSJ (equivalente ao nosso STF na função, mas melhor na execução) a anulação. Passados poucos minutos da meia-noite, Maduro anuncia deliberação do Conselho de Defesa da Nação de, entre outras coisas, “exhortar al Tribunal Supremo de Justicia a revisar las decisiones 155 y 156, con el propósito de mantener la estabilidad institucional y el equilibrio de Poderes, mediante los recursos contemplados en el ordenamiento jurídico venezolano”.

Oportuno registrar que, em seu pronunciamento, Maduro cita a anulação pela corte suprema do plebiscito na Colômbia para ratificar o acordo de paz com as Farc, medida de grande gravidade por anular o voto popular, sem que nenhuma agência multilateral ou liderança regional tenha proposto intervenção no país vizinho, o que, a seu ver, está correto, pois trata-se de problema interno do povo colombiano.

Cumpre anotar que o Conselho de Defesa Nacional tem sua existência estabelecida pelo artigo 323 da Constituição venezuelana e é composto pelo presidente da república, que o preside, o vice-presidente, o presidente da AN, o presidente do TSJ, o presidente do Conselho Moral Republicano (órgão sem equivalência no sistema brasileiro) e os ministros dos setores de defesa, segurança interna, relações exteriores, planejamento e outros cuja participação se considere pertinente. Portanto, a ordem constitucional está preservada segundo disposições e instrumentos estabelecidos, algo bem distante das medidas de exceção que se vão tornado rotina no Brasil. Entretanto, não será surpresa se este desdobramento constitucionalmente previsto for anunciado pela imprensa brasileira como vitória da oposição venezuelana e resultado da pressão internacional.

Jair Pinheiro é professor do Departamento de Ciência Política da Unesp/Marília.

Leia também:
Saiba o que, de verdade, está acontecendo na Venezuela


%d blogueiros gostam disto: