Archive for the ‘Internacional’ Category

Janio de Freitas: A CIA e a crise política brasileira

15 de março de 2017

O papel da inteligência norte-americana e da mídia brasileira no desmonte de um projeto de nação no Brasil.

Via Jornal GGN em 12/3/2017

Como foi possível, em tão pouco tempo, o Brasil passar de o país do futuro, aclamado em todas as análises internacionais, para se tornar mais um país sem relevância? Janio de Freitas junta as pontas para responder essa questão em um artigo, mais uma vez, magistral, começando pelo papel da CIA na invasão de dados, não só de governos, como também de qualquer pessoa, a partir dos novos aparelhos domésticos de TV, que hoje captam conversas no ambiente domiciliar.

Em seguida, Janio avalia o papel da mídia brasileira em reproduzir as notícias de interesse internacional, deixando de lado sua responsabilidade em investigar fatos verdadeiramente relevantes para o desenvolvimento independente do país. O jornalista resgata, ainda, a discussão sobre o interesse crescente dos Estados Unidos sobre os países africanos do Atlântico Sul, justamente entre as nações que o Brasil dos governos Lula se aproximou para trocar tecnologia, possivelmente pelas reservas de petróleo naquela região de geologia semelhante ao pré-sal brasileiro.

A CIA É UMA GESTAPO GIGANTESCA
Janio de Freitas

A última novidade norte-americana de que temos notícia já não é uma Casa Branca manicomial, mas não foge à linhagem das contribuições psicopáticas à cada dia mais desatinada “civilização ocidental”. Além de penetrar à vontade nas comunicações telefônicas mundo afora, como aconteceu a conversas de Ângela Merkel, Dilma Rousseff e outros governantes, e de entrar nos computadores alheios, o serviço de espionagem e sabotagem dos EUA – CIA – pode valer-se dos aparelhos domésticos de TV para captar e transmitir-lhe as conversas no respectivo ambiente. Sem palavras rastejantes, a CIA é uma Gestapo gigantesca, planetária, levada às últimas possibilidades de invasão das mentes e da vida humana.

Diante desse poder cibernético, o que pode o mundo, sua vítima, é repetir a divisão motivada pelo poder nuclear. De uma parte, os países que desviaram imensas fortunas para entrar no círculo atômico; de outra, os que se sujeitam à subalternidade ou preservam uma posição digna no mundo por meio de uma posição independente e estrategicamente habilidosa.

Michel Temer falou há pouco da importância reconhecida ao Brasil. Apenas três dias antes, o correspondente Henrique Gomes Batista transmitira as palavras do brasilianista Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue: “Antes, toda vez que eu voltava do Brasil, as pessoas queriam saber o que o país estava fazendo, se havia novidades. Hoje o país perdeu a relevância”. A palavra “hoje” define o que era o “antes”.

No “antes”, talvez referente sobretudo ao plano interno, a estratégia e a política internacionais do Brasil foram fundamentais para as “novidades”. Mas foi também nele que isso começou a esvaziar-se, pelo plano secundário em que foi deixado por Dilma Rousseff. Sem reclamações internas. Primeiro, porque a imprensa/TV no Brasil faz jornalismo tipicamente periférico, repetidor de uns poucos (hoje em dia, pouquíssimos) temas do jornalismo internacional dos centros mundiais de decisão.

Além disso, porque interessar-se pela virada que a “política exterior ativa e altiva” introduziu, em seguida a um período caudatário dos ditames norte-americanos até na política econômica, fortaleceria um governo e várias políticas indesejados pelo poder econômico. Por mais que estivesse beneficiado pela ação comercial incluída na nova política externa.

A África representou muito nessa política. Os Estados Unidos têm grande interesse na face africana voltada para o Atlântico Sul: ali está o petróleo alternativo para previsíveis problemas com sua fonte petrolífera na Arábia. Os norte-americanos veem a África Ocidental como uma espécie de reserva sua não declarada. Mas a costa atlântica da África está voltada também para o Brasil. E em frente às jazidas e poços brasileiros, inclusive do pré-sal. A busca de relações profundas com essa África, importantes até para a soberania brasileira, levou a iniciativas que a Lava-Jato entende como picaretagem. Na cooperação militar, a Marinha brasileira tem até presença expressiva na Namíbia.

Nessa política, as multinacionais brasileiras tinham um papel e uma fonte de ganho, com igual relevância. Sua atividade em quatro dos países africanos e em um sul-americano compõem os capítulos de um livro que, afinal e quase inexplicavelmente, moveu o jornalismo brasileiro para parte das iniciativas africanas do Brasil. É uma reportagem, rara no tema e ótima na realização, que proporciona também uma visão social e política, como um fundo que dá ao livro dimensão bem maior do que o indicado no título, Euforia e Fracasso do Brasil Grande. Jornalista de primeiro time, Fábio Zanini deu uma leitura agradável e informativa a um tema desprezado que vale a pena conhecer.

E quem quiser saber o que é diplomacia, e o que nela foi a ação que por certo tempo incluiu o Brasil nas decisões mundiais, as respostas estão dadas pelo ex-ministro Celso Amorim, em “Teerã, Ramalá e Doha – memórias da política externa ativa e altiva”. Livro ótimo, para hoje e para o futuro. Mas que dá certa nostalgia, no Brasil que “perdeu a relevância”.

A entrevista de Dilma à TV suíça

11 de março de 2017

Via Jornal GGN em 11/3/2017

Em passagem pela Suíça, a presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista falando sobre sua trajetória política desde a Ditadura, até à queda provocada por um impeachment por crime de responsabilidade fabricado pela oposição.

Dilma respondeu a perguntas sobre economia e rebateu as denúncias de corrupção que ganharam o mundo por conta da Petrobras. Ela disse que não teve participação pessoal em qualquer esquema. Ela também disse que, ao contrário do que a mídia brasileira tenta exportar, o maior crime de corrupção da história não é a Lava-Jato, mas sim a quebra de instituições financeiras na crise de 2008.

Como Dória armou com a mídia amiga o factoide de sua viagem triunfal aos Emirados Árabes

6 de março de 2017
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Dória com o presidente da Abu Dhabi Motorsports.

Pedro Zambarda de Araujo, via DCM em 3/3/2017

“A empresa está fazendo doação, não tem dinheiro público. Não estamos gastando um centavo com eles. A vitamina é o de menos, eles estão fazendo uma ampla doação de medicamentos dentro desse programa. Qual é o mal? Não tem conflito de interesse [O prefeito eleva o tom de voz e ameaça encerrar a entrevista]”.

O trecho é de uma entrevista do prefeito de São Paulo ao Valor Econômico publicada no dia 1º de março. Na ocasião, ele perdeu a cabeça ao dar satisfação sobre o merchã que fez da Ultrafarma na fanpage da prefeitura no Facebook.

A rede de farmácias é patrocinadora do Lide, grupo fundado por Dória, e o conflito de interesses, juntamente com a falta de transparência, é patente.

Mas esse estilo se consolidou em uma ação de marketing jabazeira que dominou o mês de fevereiro.

João Dória Jr. viajou às cidades de Doha e Dubai entre os dias 12 e 17 de fevereiro atrás de seis fundos de investimento que são considerados os maiores do mundo.

A cobertura da mídia, numa combinação prévia de pautas e na organização da turnê, foi ostensiva. O tom triunfal preponderou, com situações constrangedoras. Sobrou jabá para todos os lados.

O jornal O Estado de S.Paulo admitiu, nas “reportagens”, que sua repórter viajou “a convite do governo dos Emirados Árabes Unidos e da Emirates Airlines”.

Dória, lê-se, foi visitar o autódromo de Yas Marina Circuit, administrado pela Abu Dhabi Motosports. “A empresa afirma movimentar o complexo cerca de 300 dias no ano. Um dos atrativos é a possibilidade de qualquer pessoa, habilitada a dirigir usufruir da pista por 20 minutos – por R$1,5 mil. Se privatizado, Dória diz que Interlagos poderá oferecer situação semelhante”, diz o texto.

Ele considera a experiência “um sucesso” e quer uma “tropicalização” da experiência internacional.

Numa nota anterior, o Estadão contou que o governo Dória e dos Emirados Árabes pagariam a viagem de quatro dias. “Para evitar custos extras, a Prefeitura afirma que Dória será acompanhado apenas de seu secretário municipal de Relações Internacionais, Júlio Serson. Os dois viajarão sozinhos, sem assessores – segundo o Estado apurou”.

A coluna Radar, da Veja, a mesma que revelou que Dória dorme “apenas três horas por noite” e que “secretários do prefeito estão exaustos com o ritmo de trabalho”, divulgou que o tucano foi recebido pelo príncipe Hamed Bin Zayed Al Nahyan, irmão do presidente de Abu Dhabi.

O príncipe surge, curiosamente, usando o bordão preferido de Dória: “Não gosto de políticos. O senhor é um gestor. Por isso, lhe recebi”.

O prefeito saiu feliz do encontro com Hamed, que tem US$900 bilhões em um fundo de investimento. O leitor saiu enganado.

O repórter Diogo Bercito, da Folha de S.Paulo, foi um dos poucos que questionou a turnê de João Dória. Perguntou-lhe se não havia conflito de interesses ao aceitar que os governos do Catar e dos Emirados Árabes pagassem sua viagem.

Dória, evidentemente, negou.

Em Dubai, João Dória Jr. se hospedou no hotel Jumeirah Al Naseem, cujo valor da diária em uma semana varia de R$2,1 mil até R$20 mil. Na cidade de Doha, ficou no hotel St. Regis que tem suíte presidencial de dois andares por R$39 mil.

Quem pagou a viagem dos jornalistas?
Diogo Bercito foi correspondente do jornal em Jerusalém e está em Madri. Ele não foi autorizado a dar entrevista ao DCM, mas a ombudsman respondeu meu email. “Todas as despesas da viagem e estadia do repórter Diogo Bercito aos Emirados Árabes foram pagas pela Folha”, informou.

A Band mandou um repórter pela agência Agaxtur de turismo. O presidente, Aldo Leone Filho, já deu entrevistas a João Dória Jr. no seu Show Business. Dória o chama de “Aldinho”.

O programa esteve na grade da Band até julho de 2016, quando JD saiu em campanha. Na televisão, o “enviado” da Band teve acesso total ao prefeito, que lhe deu uma entrevista “exclusiva” no avião em que os dois viajaram (assista o vídeo abaixo).

No rádio, a BandNews reaproveitava o conteúdo com pílulas. Só aí o cidadão era informado que o profissional viajou às custas da Agaxtur.

O DCM entrou em contato com a agência. “Temos um contrato de exclusividade com o Grupo Bandeirantes e foi desta forma que viabilizamos a viagem”, disse a assessoria de imprensa.

O consulado dos Emirados Árabes Unidos não deu detalhes sobre a parceria com o Estado de S.Paulo: “Não podemos responder esta questão e não temos um porta-voz com esta informação. Você deve se informar com o governo dos Emirados Árabes ou com empresas envolvidas na viagem”.

O Yas Marina Circuit não respondeu às perguntas enviadas pelo DCM até o momento da publicação deste artigo.

Enviei cinco perguntas à Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo, Secom.

– O Estadão diz que o governo dos Emirados Árabes pagou a viagem. A informação está correta ou a prefeitura ajudou de alguma forma?
– A coluna Radar na Veja também foi pelos Emirados Árabes ou conseguiu a informação diretamente da assessoria do prefeito?
– Demais publicações foram financiadas por outros órgãos para cobrir a viagem ou pela prefeitura?
– O príncipe Hamed Bin Zayed Al Nahyan, além de fazer elogios ao prefeito Dória, planeja ações em São Paulo?
– Quantas pessoas foram na viagem? Somente o prefeito e assessores?

A Secom respondeu apenas que “a comitiva da Prefeitura na viagem foi composta pelo prefeito, o secretário de Relações Internacionais e um ajudante de ordens”, sem nenhum esclarecimento adicional.

Por enquanto, não há sinal do ouro da Arábia. O que temos é um tapete voador pilotado por Aladim, com um monte de oportunistas em cima e milhões de trouxas lá embaixo.

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Brasileiro é jurado de morte por grupo remanescente da Operação Condor

4 de março de 2017

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Joaquim de Carvalho, via DCM em 1º/3/2017

O fiscal da Corte do Uruguai, Jorge Díaz, que tem funções equivalentes às do procurador Rodrigo Janot no Brasil, encontrou em sua caixa de e-mails uma mensagem com ameaça de morte a ele e a mais 12 pessoas que lutam para que a violação aos direitos humanos que ocorreu durante as ditaduras militares na América do Sul seja investigada e os acusados, processados.

Na lista das pessoas ameaçadas de morte, está o nome de um brasileiro, Jair Krischke. A notícia foi divulgada no dia 17 de fevereiro pelo site de notícias e análises políticas uruguaio Brecha, veículo que, no passado, quando era um semanário impresso, teve o escritor Eduardo Galeano como editor-chefe.

No Uruguai, a notícia repercutiu até em programas de rádio, com um debate sobre as atividades de grupos remanescentes da ditadura.

O jornal espanhol El Pais também noticiou a ameaça de morte. Mas, no Brasil, até agora, silêncio absoluto. O brasileiro Krischke, um dos ameaçados, é o líder do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Brasil, com sede em Porto Alegre.

No auge das ditaduras na América do Sul, Krischke ajudou a encontrar refúgio para perseguidos políticos de todo o continente.

Contatado pelo Diário do Centro do Mundo, Krischke diz que pediu providências ao consulado do Uruguai em Porto Alegre e foi informado de que, de fato, existe a mensagem com o nome de jurados de morte e que ele está na lista.

Agora, Krischke quer levar o tema para a Comissão de Direitos Humanos da OEA.

“Não vou dizer que não tenho medo, mas temos que enfrentar essa situação e descobrir onde e como esses grupos ainda se mantêm em atividade”, afirmou Krischke.

A investigação no Uruguai esbarrou numa primeira dificuldade: o e-mail partiu de uma conta usada no sistema de internet conhecido como Tor, que mantém seus usuários no anonimato.

Aos 77 anos, casado, cinco filhos, proprietário de uma loja que herdou do pai em Porto Alegre, Krischke é respeitado internacionalmente por sua luta em defesa dos perseguidos pela ditadura e pela punição aos envolvidos em casos de tortura.

Com o fim das ditaduras militares, Krischke teve atuação decisiva na localização de militares argentinos e uruguaios processados em seus países e foragidos no Brasil.

Filho de alemão, Krischke tem uma atuação parecida com as atividades de judeus que buscaram ao redor do mundo nazistas acusados de crime contra a humanidade.

Graças ao seu empenho pessoal, o general uruguaio Manuel Cordero foi localizado há alguns anos em Santana do Livramento e extraditado para a Argentina, onde foi processado pelo crime de tortura dentro da Operação Condor, rede que uniu ditaduras militares da América do Sul, inclusive a brasileira, na perseguição e repressão a opositores do regime.

Cordero, que servia no Uruguai e fez intercâmbio nos porões de Buenos Aires, foi condenado a 25 anos de prisão e, já idoso, deve morrer na cadeia.

Krischke também teve atuação decisiva na localização de outro militar uruguaio envolvido na Operação Condor, o coronel Pedro Antônio Mato Narbondo, que fugiu para o Brasil depois de processado em Montevideo.

Ele também morava em Santana do Livramento, com nome ligeiramente alterado. No processo em que obteve cidadania brasileira, por ser filho de brasileira e casado com uma brasileira, passou a assinar Pedro Antônio Narbondo Mato.

A Itália, que investiga a Operação Condor há quase 20 anos, pediu a extradição do coronel uruguaio e, por pouco, ele não escapou.

O ministro Marco Aurélio Mello, invocando princípio da lei da anistia, negou a extradição, mas foi voto vencido e Narbondo Mato ou Mato Narbondo poderá ser extraditado.

No momento, o coronel Narbondo cumpre prisão domiciliar no Brasil – o que, na opinião de Krischke, é um absurdo, já que o expediente da prisão domiciliar não se aplicaria a um caso de extradição.

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O general Barneix, em cujo nome chegou a ameaça, se suicidou em casa.

Krischke já esteve na Itália e em Buenos Aires para prestar depoimentos sobre a ação dos militares envolvidos em tortura. Também ajudou na localização do filho de uma militante argentina entregue para a adoção depois que sua mãe lhe deu à luz.

Na preservação da memória do terror de Estado, Krischke implantou na cidade de Porto Alegre, em convênio com a prefeitura da cidade, um projeto que identifica com uma pedra na calçada os imóveis utilizados para violação de direitos humanos, como casas de tortura.

Atitude parecida existe na Alemanha, para que o passado não enterre o horror do nazismo.

Esse projeto resultou num “convite” para que conversasse com dois militares de alta patente do Sul a respeito do que pretendia com a colocação das pedras.

“O senhor não vai colocar pedras no meu quartel, vai?”, perguntou um deles.

“Eu não sabia que o senhor era dono de quartéis. Pensei que fossem da República”, respondeu.

A conversa se estendeu das 19 horas até 1 da madrugada. Krischke explicou que sua ação não era contra os militares, mas em defesa da dignidade humana.

Ele prefere manter o nome dos militares de alta patente em sigilo, dado o caráter informal da conversa, mas cita o encontro para demonstrar que os militares estão ativos na defesa do que fizeram quando governaram o Brasil. Não foram colocadas pedras na frente dos quartéis.

Segundo Krischke, os militares ainda têm atuação decisiva nos países do Cone Sul – menos na Argentina, mais no Brasil, no Uruguai e no Chile. A diferença em relação à Argentina e ao Uruguai é que lá as ditaduras militares são temas de debates abertos, enquanto, no Brasil, o assunto permanece quase como tabu.

Foi nas ações de trazer ao presente as memórias do passado – para que nunca mais se repitam erros – que se encontra a origem da ameaça de morte agora investigada no Uruguai.

O grupo que enviou a mensagem ao procurador Jorge Díaz se intitulou Comando General Pedro Barneix. O nome do grupo é uma referência ao oficial que se suicidou em setembro de 2015, quando seria preso, por ordem judicial, pelo envolvimento na tortura e morte do militante de esquerda Aldo Perrini, em 1974.

Barneix era então um jovem tenente do Batalhão de Infantaria de Colonia, Uruguai, onde Aldo se encontrava preso.

Barneix teve o nome relacionado ao caso de tortura e morte depois que atuou numa comissão para localizar desaparecidos políticos e foi criticado pelos resultados pífios.

Apesar disso, era considerado um militar de confiança do primeiro governo de Tabaré Vasquez, considerado de esquerda, e foi cotado para assumir o Ministério da Defesa.

Implicado na morte do militante Aldo, o general Barneix foi convocado a depor, mas se recusou. A Justiça, então, mandou busca-lo à força. Quando os policiais estavam na porta de sua casa, se matou com um tiro na cabeça.

Alguns meses depois, o Grupo de Investigação de Arqueologia Forense, que identificava ossadas humanas que poderiam ser de desaparecidos políticos, foi invadido e teve arquivos levados embora.

A polícia ainda não identificou os invasores, mas, com a ameaça de agora, se reforça a suspeita de que seja o mesmo grupo.

Diz a mensagem enviada ao procurador Jorge Díaz: “O suicídio do general Pedro Barneix não ficará impune, nem se aceitará mais nenhum suicídio por processos injustos. Para cada suicídio a partir de agora, mataremos três escolhidos aleatoriamente na seguinte lista (e seguem-se os nomes)”.

A mensagem enviada para a caixa postal do fiscal da Corte do Uruguai é interpretada pelas vítimas da ameaça do Comando General Pedro Barneix como uma evidência de que o ninho da Operação Condor não desapareceu por completo.

E também como prova de que os ovos gestados naquela época se transformaram em serpentes.

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Ditadores Pinochet e Videla.

Luis Nassif: A delação do fim do mundo em uma Quarta-Feira de Cinzas

2 de março de 2017

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Luis Nassif, via Jornal GGN em 1º/3/2017

PEÇA 1 – A DUPLA CONSPIRAÇÃO
O leitor Marcos Antônio trouxe uma das melhores narrativas para explicar o quadro político atual (clique aqui). Tomo emprestado a tese principal.

A fragilidade política de Dilma Rousseff, o avanço da crise econômica e o pré-ensaio bem-sucedido da AP 470 despertaram dois movimentos simultâneos de desestabilização política do governo Dilma.

O primeiro, uma frente composta pelo PSDB, Lava-Jato, Poder Judiciário e mídia, visando o impeachment da chapa Dilma-Temer, o terceiro turno inaugurado no mesmo dia da divulgação dos resultados das eleições de 2014. Os personagens centrais dessa estratégia foram Gilmar Mendes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a Lava-Jato acelerando as delações.

A tentativa de Gilmar acabou frustrada pela reação despertada e pelo fato do governador de São Paulo Geraldo Alckmin ter incorrido na mesma situação de Dilma: impugnar sua chapa significaria impugnar também a vitória de Alckmin.

Com isso, a primeira frente acabou sendo atropelada pela segunda, planejada antecipadamente por Eduardo Cunha e pela camarilha de Temer. A ideia do grupo foi montar uma superbancada na Câmara, valendo-se da influência que passou a exercer sobre a Petrobras, depois que a AP470 quase derrubou o governo Lula.

O grupo de Temer sempre se valeu da estratégia da chantagem. No episódio da compra de votos, por exemplo, chantageou Fernando Henrique Cardoso para conseguir cargos-chaves no governo tucano.

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Quando a AP 470 colocou o governo Lula na berlinda, nova rodada de chantagem conferiu ao PMDB cargos-chaves no governo e, em especial, na Petrobras.

Com a explosão de obras do período, montou uma supercaixinha que lhe deu condição de ambicionar agora não mais Ministérios, mas o centro do poder, tornando o governo refém da Câmara.

A expectativa de perda de mandato de Eduardo Cunha, o desgaste de Dilma, com uma sucessão inédita de erros, fez Cunha avançar o sinal, paralisar o governo com pautas-bombas e abrir o processo do impeachment.

Montou-se um acordo meia boca com o PSDB, em torno da tal Ponte para o Futuro, a promessa de revogação da Constituição de 1988. Temer faria o trabalho sujo do desmonte da Constituição e abriria espaço para o PSDB em alguns ministérios.

A partir daí a camarilha saiu do segundo plano e passou a controlar o país, sem nenhuma estratégia anticíclica para enfrentar a crise, nenhuma ideia criativa, nenhum conceito de Nação.

Assumiram com apenas dois mandatos: o desmonte do Estado nacional e, como prêmio, o maior assalto da história aos cofres públicos.

Com a estrada pavimentada, o PT destruído, sua obra anterior reduzida a pó, o PSDB poderia se aventurar em 2018, mesmo sem dispor de programas e de projetos de país, confiando em uma economia em recuperação.

Os principais passos desse balé da conspiração:

1) A maior parte da corrupção da Petrobras estava sob o comando do PMDB. A Lava-Jato tratou de esconder o lobista-mor, ligado ao PMDB, restringir as investigações ao período do PT e investir pesadamente sobre Lula, a fim de não atrapalhar a tomada do poder pelo PMDB.
2) Já o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot simulou jogar com o governo Dilma até fins de 2014. Quando sentiu que os ventos mudaram, pulou de mala e cuia para o barco da conspiração.
3) O Supremo Tribunal Federal convalidou o golpe, especialmente após Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin terem abdicado de seu papel de defensores da Constituição.
4) O chega-pra-lá no PMDB consistiu na derrubada de Eduardo Cunha e, gradativamente, de cada membro da camarilha de Temer. Trabalho facilitado, aliás, pela extensa capivara de cada um. O próximo a cair será Moreira Franco.

PEÇA 2 – O ASSALTO GENERALIZADO À REPÚBLICA
O quadro que veio a seguir é dantesco.

No mais alto cargo, um presidente impopular, sem o menor carisma, negocista, com uma carreira política pavimentada pelo fisiologismo e por suspeitas reiteradas de corrupção.

No Congresso e nas estatais, tem-se o maior assalto à luz do dia da história da República:

1) A privatização do satélite brasileiro.
2) A entrega das concessões públicas às empresas de telecomunicações e radiodifusão.
3) A anulação das reservas indígenas.
4) A autorização para a venda de terras a estrangeiros que, se consumada, sancionará o maior processo de lavagem de dinheiro da história.
5) A legalização do jogo.
6) A entrega do pré-sal às operadoras estrangeiras, sem nenhuma exigência de contrapartida.
7) As sucessivas tentativas de importação de alimentos, reeditando alguns golpes históricos da Nova República.
8) A venda de ativos da Petrobras na bacia das almas.
9) O fim do conteúdo nacional nos projetos de construção das plataformas marítimas.

Essa esbórnia foi entregue de bandeja pela Lava-Jato para a pior organização política da República, em nome do combate à corrupção.

PEÇA 3 – O DESMONTE DO PAÍS
O desmonte está se dando nas seguintes frentes:

O projeto geopolítico
No dia 22 de fevereiro, o Washington Post – jornal com estreitas ligações com fontes da CIA – produziu um artigo revelador (clique aqui): “Como um escândalo que começou no Brasil está perturbando outros países da América Latina”.

A reportagem lembra o Brasil como estrela em ascensão quando conseguiu o direito de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. E que a Odebrecht se tornou um símbolo do crescimento da importância brasileira no mundo, da mesma forma que a Coca-Cola para os Estados Unidos e a Toyota para o Japão.

Constata o jornal que a Odebrecht se tornou peça central do soft power brasileiro. E – aí não é o jornal afirmando – valendo-se dos mesmos expedientes da Siemens alemã, da IBM norte-americana, da Dassault francesa. Em todos os casos, puniram-se dirigentes, mas preservaram-se as empresas, vistas como ativos nacionais.

A reportagem admite que a corrupção não surgiu no governo Lula, nem com a Odebrecht, mas que ela foi a única a ser pega. E mostra como a Lava-Jato, com a ajuda do Poder Judiciário desses países, está ajudando a limpar a área de todos os governos de esquerda no continente.

No Brasil, o desmonte atinge todos os segmentos, dos estaleiros à indústria de defesa e toda rede de fornecedores, com a redução da obrigatoriedade do conteúdo nacional nas plataformas.

Agora, se prepara o golpe final contra as empreiteiras brasileiras, com a cooperação firmada com os Ministérios Públicos de mercados conquistados por elas e a tentativa do TCU (Tribunal de Contas da União) de proibir novos contratos com elas. Um órgão assessor do Congresso se tornou peça-chave na destruição de ativos nacionais.

Não apenas isso.

O desmanche social
E aqui se entra nos desdobramentos não previstos pelo golpe.

A estratégia de desmonte do Estado aprofundou brutalmente a crise fiscal e a crise social.

A cada dia aumentam o desemprego, as tensões sociais, a insegurança nas grandes metrópoles, a crise fiscal da União e dos estados.

Há um brutal endividamento nas empresas. As que mais cresceram no período anterior são as mais endividadas. O sistema bancário montou operações de resgate estendendo os prazos dos financiamentos. Mas sem perspectivas de melhora da economia, caminha-se para uma crise sistêmica.

Por qualquer ângulo que se analise, será impossível a manutenção da política econômica atual e do próprio governo Temer.

A ideologização primária
Hoje em dia uma ideologização pesada domina os debates, tanto à direita quanto à esquerda, dificultando enormemente a busca de consensos. A ideia de construção nacional, pactos de produção, de inovação, afirmação de políticas sociais, equilíbrio entre o papel do Estado e do setor privado, todos os meios tons que deveriam servir de base para políticas de desenvolvimento cederam lugar a uma radicalização profundamente simplificadora.

Rapidamente, o pacote Meirelles torna-se inviável. E não aparece uma alternativa no lugar. Não levará muito tempo para que a agenda neoliberal seja substituída por uma liderança forte – de esquerda ou direita, civil ou militar – repetindo o roteiro norte-americano e britânico. Não mais um centro-esquerda relativamente racional.

Ou seja, o pêndulo com movimentos próximos do centro, mais à direita com o PSDB, mais à esquerda com o PT, mas sem abrir mão dos princípios democráticos, em breve será substituído por alguma saída autocrática.

Aí entram em cena as delações da Odebrecht, como um dos momentos de corte.

PEÇA 4 – AS DELAÇÕES DA ODEBRECHT E O MPF
Considere-se inicialmente o papel do Ministério Público Federal no golpe. Sabia-se desde o início da extensa capivara dos líderes do PMDB no Congresso; sabia-se de Temer, Cunha, Geddel, Padilha, Moreira Franco, como se sabia de Aécio, Serra, Alckmin, tanto quanto de Dirceu, Pallocci. Se sabia que o impeachment jogaria o país nas mãos do pior agrupamento que a política brasileira gestou desde a redemocratização.

O álibi mais generoso para a ação golpista e antinacional do MPF é o da ignorância, um grupo de procuradores desinformados, sem conhecimento mínimo sobre economia, geopolítica, interesse nacional, acreditando que a Lava-Jato tinha chegado ao cerne da corrupção brasileira, com os tríplex, pedalinhos e quetais. Ou acreditando que comeria os políticos pelas bordas, primeiro o PT, depois o PMDB. Mas poupando sempre o PSDB.

Aliás, não dá para esperar essa visão política mais sofisticada do MPF quando nem a presidência da República nem o seu ministro da Justiça demonstravam a menor sensibilidade para esses temas.

O Brasil está sendo literalmente destruído por um processo amplo de ignorância coletiva.

Era tão hipócrita o discurso anticorrupção que, para apear do poder uma presidente honesta – jogando no lixo os votos majoritariamente dos mais pobres – tiveram que apelar para a história das pedaladas.

No final do governo Dilma, firmou-se um pacto tácito entre os conspiradores. Para manter as aparências de luta contra a corrupção e de isenção das investigações, seria sacrificado pelo menos um cacique de cada partido. Do PMDB, preferencialmente Cunha e Renan Calheiros; do PSDB, Aécio.

O fator Rodrigo Janot embolou um pouco o meio campo.

Fator Rodrigo Janot
Para investigar o conterrâneo Aécio, a estratégia adotada por Janot tem sido a da postergação das investigações.

A informação de que Janot solicitou ao ministro Gilmar Mendes prorrogação do inquérito aberto para investigar as ligações de Aécio com a Lista de Furnas, é a comprovação cabal de sua estratégia de postergação permanente dos inquéritos.

Tome-se o caso da Lista de Furnas.

Nas primeiras delações de Alberto Yousseff, apareceram as menções às propinas recebidas por Aécio através do diretor Dimas Toledo. Desde 2010, dormiam na gaveta da PGR as peças do inquérito aberto para investigar as contas de Aécio em Liechtenstein.

Em 29 de fevereiro de 2016 – um ano atrás! –, foi homologada a delação do ex-senador Delcídio do Amaral.

O que disse Delcídio sobre Dimas:

DELCÍDIO DO AMARAL teve conhecimento de um grande esquema de corrupção que ocorria em Furnas, operado por DIMAS TOLEDO. Tal esquema já foi mencionado, “en passant”, anteriormente por ALBERTO YOUSSEF, tendo se referido à participação de AÉCIO NEVES no esquema.

DELCÍDIO DO AMARAL confirma que esta referência ao senador mineiro tem fundamento. A corroboração de que YOUSSEF tinha conhecimento do esquema, e o fato de que ele mencionou a pessoa de DIMAS TOLEDO, experiente e competente profissional do setor elétrico.

DIMAS TOLEDO era o operador do esquema de corrupção em Furnas pela PSDB. O esquema de Furnas atendia vários interesses espúrios do PP, do PSDB e depois de 2002, do próprio PT.

DELCÍDIO DO AMARAL, em viagem a Campinas com o presidente LULA, foi perguntado pela Ex-Presidente sobre a atuação de DIMAS: “DELCÍDIO, quem é esse cara?” DELCÍDIO respondeu: “É um profissional do setor elétrico. Por que o senhor me pergunta isso?” LULA respondeu: “É porque o Janene veio me pedir pela permanência dele, depois o AÉCIO e até o PT, que era contra, já virou a favor da permanência dele. Deve estar roubando muito!”

DELCÍDIO sabe que DIMAS TOLEDO sempre teve informações relevantes de vários governos estaduais e federais, vez que era Diretor de Engenharia de FURNAS, tanto que o então ministro JOSÉ DIRCEU afirmou: “Se colocarem o Dimas como ascensorista de Fumas, ele manda no presidente”.

Dimas não era mais um operador: era o centro de uma extensa rede de corrupção, como se fosse a soma de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. Qualquer investigação minimamente profissional e isenta daria prioridade total a investigá-lo, pois, a partir dele, se mapearia toda a estrutura de corrupção em torno de Furnas.

Hoje em dia, são decretadas prisões preventivas às pencas, sob o argumento de que, solto, o suspeito poderia esconder provas. Dimas está solto há anos, tendo sido incomodado pouquíssimas vezes.

Pelo arrazoado de Janot, fica-se sabendo que:

1) Assim como o inquérito da helicoca, o da Lista de Furnas parou no TRF2 – o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, com sede no Rio de Janeiro.
2) O inquérito quebrou o sigilo de Dimas Toledo, mas o TRF1 manteve os dados em sigilo.
3) O máximo que se avançou foi em uma acareação entre um delator, Fernando Antônio Horneaux de Mora e Dimas, na qual o delator acusou e Dimas se defendeu. E nada mais foi apurado.

Um ano após a homologação da delação de Delcídio, Janot solicita mais 60 dias de prorrogação do inquérito para que a PF traga os seguintes documentos:

  • Juntada de cópia do relatório final elaborado pelo TCU sobre o “Mensalão de Furnas”, sobre possíveis irregularidades em contratos celebrados por DIMAS FABIANO TOLEDO, enquanto Diretor de Engenharia de Furnas, conforme solicitado pela autoridade policial no Ofício 0200/217 de fl. 481);
  • Juntada de cópia do relatório final elaborado pela Controladoria Geral da União sobre o “Mensalão de Furnas”, conforme solicitado pela autoridade policial no Ofício 0201/2017 de fl. 482;
  • Juntada de autos que tramitaram perante a 3ª Vara Criminal da Comarca do Rio de Janeiro, no qual houve quebra de sigilo bancário de DIMAS FABIANO TOLEDO, conforme solicitado no Ofício 0202/2017 de fl. 487;
  • Oitiva de SÍLVIO PEREIRA (fl. 456); Oitiva de JOSÉ DIRCEU (fl. 455); Oitiva do colaborador DELCÍDIO DO AMARAL GOMEZ; g) Oitiva do investigado.

Daqui a 60 dias, tudo pode ocorrer: uma nova solicitação de prorrogação de prazo, alguma medida de Gilmar visando paralisar o inquérito, a alegação de que nada foi encontrado capaz de corroborar as acusações.

PEÇA 6 – O BARRIL DE PÓLVORA
Com a divulgação da delação da Odebrecht monta-se o quadro, com a mais completa desmoralização do poder civil brasileiro desde os idos de 1964.

A delação é o estopim em cima do seguinte barril de pólvora:

1) Economia sem sinais de reativação. A necessidade de criar fatos faz a mídia comemorar possibilidade de crescimento do PIB de 1% no próximo ano, depois de queda de 8%. Ou saudar a entrada de investimentos externos, que estão vindo exclusivamente atrás de empresas em dificuldades, sendo vendidas na bacia das almas, como se fosse sinal de recuperação. Quem opera no mundo real, como a Fnac, está tirando o time do país.
2) Desmoralização do discurso da austeridade, a ideia de que com mais arrocho se terá a volta do crescimento.
3) A corrupção do grupo de Temer eliminando qualquer tentativa de legitimidade do Executivo, ao mesmo tempo em que se tenta colocar goela abaixo do país a reforma da Previdência. Os papéis distribuídos pelo Anonymous mostram estreitas relações de negócio entre Temer, José Yunes e Sandro Mabel (clique aqui). Tanto Mabel quanto Yunes foram nomeados assessores especiais por Temer, na sua cota pessoal. Yunes foi acusado de intermediar propinas para o PMDB, com o conhecimento de Temer (clique aqui). Mabel é conhecido por intenso trabalho de lobby no Congresso (clique aqui).
4) Avanço avassalador do crime organizado nas principais regiões do país, movimento ampliado pelo fato da economia formal ser incapaz de gerar empregos.
5) Aumento da criminalidade e da insegurança, devido à crise fiscal dos estados, desaparelhando as polícias, e ao aumento do desemprego. Em grande parte dos estados, as PMs abriram mão de suas responsabilidades em relação ao crime organizado para se tornarem polícias políticas. O caos do Espírito Santo expôs as vísceras de um modelo fiscal inviável.
6) Desmanche da imagem do Brasil internacionalmente, como futura média potência. O arranjo político legado pela Lava-Jato tornou o Brasil, aos olhos da opinião pública mundial esclarecida, uma republiqueta similar às piores republiquetas africanas (clique aqui). Obviamente, em nome da grande causa de combate à corrupção. O artigo do Le Monde analisa o significado da indicação de Alexandre de Morais para o Supremo.

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Temer não resistirá. O PSDB não resistirá. O PT está fora do jogo.

O que sobrará após as delações da Odebrecht? O que a Globo, o Supremo, o mercado e o PGR terão a oferecer para evitar o caos, como contrapartida à sua responsabilidade nesse desmanche do país?


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