Archive for the ‘Internacional’ Category

Lula ao “The Intercept Brasil”: Departamento de Justiça dos EUA está por trás da Lava-Jato

18 de maio de 2019

OS BASTIDORES DA ENTREVISTA COM LULA
Via The Intercept Brasil em 18/5/2019

Encravada em um pacato bairro residencial de Curitiba, a sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná funciona em um prédio moderno, de vidro, que contrasta com os arredores de casinhas bucólicas. No saguão, uma placa de ferro exibe o ano de inauguração, 2007, e os nomes dos responsáveis pela construção daquele lugar: o ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pouco mais de uma década depois, Lula voltou ao prédio. Desta vez, como presidiário.

A ironia da placa que ostenta o nome do ex-presidente foi a primeira coisa que reparamos ao chegar no prédio em que Lula está preso desde 7 de abril do ano passado. Estivemos lá na quarta-feira para que, depois de mais de um ano de tentativas, o ex-presidente fosse finalmente entrevistado por Glenn Greenwald. Não foi fácil. O Intercept, assim como outros veículos, precisou entrar no STF para que Greenwald pudesse falar com o ex-presidente. A resposta demorou quase um ano – mas, no final de abril, o ministro Ricardo Lewandowski finalmente liberou a entrevista. Depois que as eleições passaram, é claro.

O esquema com a Polícia Federal é rígido. O horário marcado era 9h30, mas exigiram que chegássemos às 8h para montar os equipamentos. Mais de cinco agentes foram envolvidos no processo. A equipe inteira passa por uma revista minuciosa – quem tem mais de um aparelho celular precisa deixá-lo do lado de fora. Quando faltavam poucos minutos para que Lula chegasse, policiais colocaram um biombo do lado de fora da sala para que o ex-presidente não fosse visto pelo corredor. “Cinco minutos!”, disse o policial, avisando que só os nomes autorizados poderiam ficar no local quando Lula chegasse. Dali para frente, só quatro pessoas se encontrariam com o ex-presidente: os três membros da equipe técnica de filmagem e o próprio Glenn.

Enquanto a entrevista acontecia – Glenn foi o primeiro jornalista estrangeiro a conversar com o ex-presidente desde que ele foi preso –, a ordem era que deixássemos o prédio. Nos arredores, desde que Lula chegou, a vida mudou. A começar pelo acampamento de militantes, montado desde o primeiro dia da prisão. São eles que ainda gritam “bom dia!” e “boa noite!” todos os dias para o ex-presidente. Hoje, a convivência é pacífica. Eles alugaram o terreno e, mesmo que os vizinhos e a polícia queiram, não podem ser retirados de lá. Mas um militante do MST contou que a convivência já foi difícil – especialmente na virada do ano. “Eles ficavam passando aqui com carro de som, tripudiando mesmo”, nos disse, lembrando dos apoiadores de Bolsonaro que comemoravam a vitória. Uma pequena barraca vende a produção de famílias assentadas – geleias, mel, arroz, feijão e o leite achocolatado industrializado infantil Terrinha, além de livros sobre socialismo, marxismo e outras ideologias capazes de abalar a estrutura de uma universidade federal. A vigília só acaba, disse o militante, quando Lula sair dali.

O dia no acampamento estava atípico, mais calmo do que o normal. A maioria dos militantes tinha ido aos protestos contra os cortes da educação, que aconteceriam por todo o Brasil naquele dia.

Do lado de dentro do prédio, a entrevista seguia para seus momentos finais. Embora o tempo estivesse frio e chuvoso do lado de fora, o lado de dentro também não parecia convidativo – não pudemos sequer entrar de novo no prédio da PF para pegar os equipamentos antes que terminasse a entrevista seguinte, com a revista alemã Der Spiegel, e Lula estivesse fora de vista. Greenwald contou que, conforme o tempo se esgotava, o policial responsável pela escolta ia se aproximando de Lula. O ex-presidente não pareceu se abalar. “Você não vai ser preso não, eu é que posso ficar mais um tempo aqui”, ele disse sorrindo ao Glenn, que tentava avisá-lo que o tempo havia esgotado.

A caminho do aeroporto, o taxista do bairro, Ronildo, ria discretamente ouvindo a nossa conversa no carro sobre a entrevista que havia acabado de acontecer. Vizinho da PF, ele está acostumado a levar advogados e parentes dos envolvidos nas investigações da Lava-Jato. “É um tal de ‘vamos aproveitar essa brecha’ aqui”, ele lembra, narrando as conversas que costuma escutar de dentro do carro. Não mencionou nomes, claro. E também evitou adjetivar os militantes acampados na frente da PF – disse apenas que não entende esse negócio de endeusar político. “Você acha que Lula merece estar preso?”, perguntamos. Ele disse que sim. Acha que o ex-presidente teve três fases: uma ótima, uma segunda em que começou a se vender e o final, em que estragou tudo. “Ele tinha tudo para fazer diferente e desperdiçou a chance.” E Moro? “Chegou dando esperança, mas também virou velha política.”

Na entrevista, Lula falou sobre o ex-juiz, hoje ministro, responsável por o colocar na prisão. Disse ter suspeitas sobre o envolvimento dos EUA na Lava-Jato. Mas falou, sobretudo, sobre as razões que levaram a esquerda, e seu partido, a fracassarem tão retumbantemente nas eleições a ponto da população preferir eleger Jair Bolsonaro em seu lugar.

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LULA AO “THE INTERCEPT BRASIL”: DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS EUA ESTÁ POR TRÁS DA LAVA-JATO
Uma pequena prévia da entrevista do ex-presidente Lula concedida ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, foi divulgada na sexta-feira [17/5].
Via Revista Fórum em 18/5/2019

Em sua terceira entrevista desde que foi preso, em abril do ano passado, o ex-presidente Lula demonstrou a mesma energia e altivez que foram constatadas nas duas primeiras.

Desta vez, o petista falou ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil. Uma pequena prévia editada de um minuto da conversa foi divulgada na sexta-feira [17/5]. Entre outros temas, Lula chega a afirmar que tem “clareza” que o departamento de Justiça dos Estados Unidos está por trás da Lava-Jato e, consequentemente, se sua prisão.

“O senhor tem evidências, provas?”, perguntou Greenwald, ao que Lula respondeu ironizando uma frase do ex-juiz Sérgio Moro: “Tenho convicção”.

Na quarta-feira [15/5], dia em que a entrevista foi gravada, o jornalista do The Intercept Brasil andiantou alguns pontos. “Uma discussão abrangente sobre Bolsonaro, a ascensão da direita nacionalista, os problemas da esquerda, Trump, Venezuela e muito mais”, escreveu em suas redes sociais.

A íntegra da conversa será divulgada na próxima segunda-feira (20.

Confira, abaixo, a prévia da entrevista.

Não fez cola na mão: “Brasil e Estados Unidos acima de tudo”, diz Bolsonaro se enrolando ao tentar adaptar bordão

18 de maio de 2019

Em sua visita a Dallas, nos EUA, Bolsonaro tentou agradar aos estadunidenses com uma adaptação de seu bordão, mas acabou cometendo uma gafe: “Brasil e Estados Unidos acima de tudo, Brasil e Es… acima de todos!”.

Via Revista Fórum em 16/5/2019

O presidente Jair Bolsonaro cometeu uma gafe na tarde de quinta-feira [16/5] que já se tornou um viral nas redes sociais. Durante seu discurso na cerimônia em que foi homenageado pela Câmara de Comércio Brasil – Estados Unidos em Dallas, no Texas, o capitão da reserva tentou agradar aos estadunidenses adaptando seu bordão, mas acabou se enrolando.

“Brasil e Estados Unidos acima de tudo, Brasil e Es… acima de todos!”, exclamou. A frase original que Bolsonaro costuma a usar é “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

“Brasil e Estados Unidos acima de tudo, Brasil e Es… acima de todos!”, exclamou. A frase original que Bolsonaro costuma a usar é “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

A homenagem aconteceu em Dallas depois de inúmeras empresas e até mesmo o prefeito de Nova Iorque terem rejeitado a presença do presidente brasileiro na cidade, onde inicialmente estava marcada a cerimônia. Até mesmo na cidade texana, onde a homenagem foi concretizada, no entanto, o capitão da reserva foi rejeitado pelo prefeito.

Durante o evento, além da adaptação de seu bordão, Bolsonaro não poupou elogios aos Estados Unidos. “No Brasil, a política até de há pouco, era de antagonismo a países como os EUA. Os senhores eram tratados como se fossem inimigos nossos. […] O Brasil de hoje é amigo dos Estados Unidos. O Brasil de hoje respeita os Estados Unidos e o Brasil de hoje quer o povo norte-americano, os empresários norte-americanos ao nosso lado “, disse.

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Mário Garnero foi quem ofereceu a Bolsonaro o consolo de Dallas

18 de maio de 2019

Agora, coube a ele montar às pressas o evento de Dallas, para livrar a cara de Bolsonaro do fiasco de Nova Iorque.

Via Jornal GGN em 15/5/2019

Mário Garnero, da Brasilinvest, se vangloriava de ter apresentado o recém nomeado ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, para o mundo empresarial norte-americano. Não foi bem assim.

Quando Bolsonaro surgiu, Garnero se valeu do fato de seu filho ter um programa na TV Record para alardear que foi o responsável pela aproximação de Bolsonaro com o bispo Edir Macedo.

Agora, coube a ele montar às pressas o evento de Dallas, para livrar a cara de Bolsonaro do fiasco de Nova Iorque. E surpreendeu seu velho amigo George W. Bush levando Bolsonaro para visitá-lo.

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Dilma Rousseff: Bolsonaro tornou o Brasil submisso aos EUA

16 de maio de 2019

Dilma reconheceu que “é difícil dizer, mas é verdade: que um chefe de Estado ou alguém de alto escalão se submeta para a bandeira norte-americana é algo que nunca tinha sido visto no Brasil”.

Via Sputnik Brasil em 15/5/2019

O atual presidente Jair Bolsonaro (PSL) gerou um vínculo de submissão aos EUA que deprecia a soberania do Brasil, declarou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em entrevista exclusiva à Sputnik.

“Com a ascensão do grupo que apoia Bolsonaro e dele mesmo ao governo do Brasil, você vê um alinhamento submisso em algumas características, até mesmo desprezo para o status de soberania do país”, afirmou a ex-mandatária.

Dilma reconheceu que “é difícil dizer, mas é verdade: que um chefe de Estado ou alguém de alto escalão se submeta para a bandeira norte-americana é algo que nunca tinha sido visto no Brasil, nem mesmo em momentos de maior alinhamento”.

Sobre a Venezuela, a ex-presidente avaliou que não acredita que as Forças Armadas de seu país cometam o erro de participar de uma intervenção estrangeira no país caribenho.

“Não acredito que as Forças Armadas brasileiras comentam um erro e uma aventura daquelas”, respondeu Dilma sobre a possibilidade de que o atual governo se curvará a uma opção militar para resolver a crise venezuelana.

A ex-presidente brasileira ressaltou não ver sentido nas políticas que alguns países aplicam com foco nas sanções econômicas contra outras nações, prática recorrente dos EUA contra os seus adversários.

“A política de sanções parece absurda para mim”, ponderou Rousseff em uma pergunta sobre as penalidades impostas a países como Cuba ou Rússia.

A ex-mandatária acrescentou que “elas não são eficazes, além de serem injustas, desumanas e não civilizadas, e os bloqueios são um exemplo disso”.

Outro tema abordado pela petista, que foi alvo de um processo controverso de impeachment em 2016, foi a promessa de Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.

De acordo com Dilma, a simples ideia complicou a relação econômica do Brasil com as demais nações do Oriente Médio.

“Ao propor a realocação da embaixada para Jerusalém, a relação econômica e comercial do Brasil com os países do Oriente Médio foi extremamente complicada”, destacou.

Brics e Argentina
Na mesma entrevista à Sputnik, Dilma declarou que a falta de importância que o atual governo brasileiro dá ao grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é uma séria consequência da política externa de Bolsonaro.

“Uma das questões mais importantes da nossa gestão foi a construção dos Brics. Uma das consequências mais graves do governo Bolsonaro é não perceber que este grupo tinha um sentido crucial para o desenvolvimento do Brasil, para a melhoria das condições sociais e de vida, mas sobretudo porque foi o reconhecimento de que são os países mais populosos do mundo”, afirmou.

Em meio ao presente incerto e pessimista, a petista demonstra maior animação quando o tema é a possibilidade de um retorno da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner ao comando da Argentina, que terá eleições no segundo semestre. Para Dilma, um triunfo de Cristina sobre o atual presidente Mauricio Macri poderia ser vista no Brasil como “uma luz no meio do túnel”.

“Uma vitória de Cristina Kirchner na Argentina para nós aqui no Brasil seria uma luz no meio do túnel, e não no final, no meio, porque o fim para nós tem que ser o retorno de um governo popular para o Brasil, mas a metade do túnel é importante, e a Argentina para nós será, sem dúvida, uma luz no meio do túnel”, concluiu.

Prefeito de Dallas se recusa a dar boas-vindas e participar de eventos com Bolsonaro

16 de maio de 2019

Bolsonaro e comitiva visitam museu em Dallas. Foto: Marcos Correa/PR.

Mike Rawlings, que é democrata, tomou a decisão de não receber Bolsonaro diante de um abaixo assinado de 7 dos 14 vereadores da cidade

Via Revista Fórum em 16/5/2019

O prefeito de Dallas, Mike Rawlings, avisou na quarta-feira [15/5] que, além de não dar as boas-vindas a Jair Bolsonaro, não participaria de nenhum evento com o presidente brasileiro.

As informações são da jornalista Lúcia Guimarães, da revista Veja, que entrou em contato com o chefe do escritório de comunicação da prefeitura, Scott Goldstein, que confirmou que o prefeito, que é democrata, tomou a decisão diante de um abaixo assinado de 7 dos 14 vereadores da cidade.

A iniciativa teria partido do único vereador gay da câmara de Dallas, Omar Narvaez, que liderou um protesto na calçada do edifício do World Affairs Council, sede do think tank local onde Bolsonaro receberá o prêmio “Personalidade do Ano” na quinta-feira [16/5].

O prêmio teria sido entregue a Bolsonaro em Nova York na terça-feira [14/5], mas o presidente cancelado a ida à cidade após a resistência de ambientalistas, de grupos LGBTQ e do próprio prefeito nova-iorquino, Bill de Blasio.

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