Archive for the ‘Internacional’ Category

Trump em vídeo: Se tivesse seguido o exemplo do Brasil, EUA teriam 1 milhão de mortos por covid-19

5 de junho de 2020

Esse Trump, ingrato, insensível, injusto. Incapaz de corresponder a um amor verdadeiro. Força, Jair!

Via Serginho Xavier no Twitter em 5/6/2020

Donald Trump diz que os Estados Unidos teriam tido um milhão de mortos por coronavírus se tivesse seguido os exemplos do Brasil e da Suécia. Como os governadores trabalharam pelo distanciamento, esta é uma censura pública a Jair Bolsonaro pelo seu ídolo.

Passamos a Itália! Ninguém segura esse Brasil! Quer saúde? Vai pra Cuba!

5 de junho de 2020

Na quinta [4/6] morreram mil quatrocentos e tantos brasileiros. Recorde! E eu continuo sem ministro da Saúde.

Diário de José Roberto Torero, via RBA em 5/6/2020

Eu não sou diarista, mas estou todo dia com você, Diário.

E hoje, para dar uma relaxada, só vou falar de coisa sem importância.

Ontem [4/6] morreram mil quatrocentos e tantos brasileiros. Recorde! E pelo terceiro dia seguido. Já são mais de 34 mil defuntos e mais de 600 mil casos. Passamos a Itália! Ninguém segura esse Brasil!

Aliás, ninguém mesmo, que eu continuo sem ministro da Saúde. E pra quê eu vou querer um ministro de verdade lá? Pro cara seguir o protocolo da OMS? Não mesmo! Quer médico? Vai pra Cuba!

Eu sou mais do otimismo que do remédio, Diário. Por isso, agora, no site do ministério da Saúde, a gente destaca os curados. As mortes ficam em letra bem pequenininha. Tem que ter pensamento positivo, pô!

O Osmar Terra é um bom exemplo: disse que ia ter só 800 mortos e a covid acabava em abril. Errou, mas o importante é a postura.

Olha, Diário, no tocante ao isolamento, ganhei essa queda de braço. Os governadores tão me imitando. Quem continuar com isolamento vai ficar isolado. Até o Dória já liberou uma abertura. No bom sentido, kkk!

Concessionária, por exemplo, vai funcionar. E tá certo, porque assim o cara compra um carro novo, não precisa mais andar de ônibus e não pega covid.

O melhor é que agora ninguém vai poder botar a culpa só em mim. O Carluxo até escreveu hoje que a culpa das mortes pela covid é dos estados. Aliás, tirei 83 milhões do Bolsa Família para botar em publicidade. Tem que espalhar essa ideia aí.

Diário, preciso lembrar de mandar um abraço para a senhora Corte Real (belo nome!), a patroa da mãe da criança que caiu do prédio. O garoto morreu, mas é o destino de todo mundo. O que que eu posso fazer? Não sou coveiro.

Eu tenho pena é da patroa, que vai ter que gastar uma nota em calmante. E que culpa ela tem? É a mesma coisa que dizer que eu tenho alguma coisa a ver com as mortes da covid só porque dou meus rolezinhos de domingo. Pô, vai pra rua quem quer. Eu só boto dentro do elevador.

E, se alguém vier me encher o saco, mando chupar um picolé de cloroquina, talkei?

Falando em chupar picolé, deixo aqui um conselho para o Dia dos Namorados: arranje alguém que cuide de você como o Aras cuida de mim.

***

PAÍS TEM NOVO RECORDE COM MAIS 1.473 MORTES E SUPERA ITÁLIA. BOLSONARO QUER LIBERAR PRAIAS
Com 614.941 casos e 34.021 óbitos pela covid-19, país se tornou terceiro no mundo em número de mortes, atrás apenas de EUA e Reino Unido.
Helder Lima, via RBA em 5/6/2020

O Brasil superou a Itália em número de mortes pela covid-19 neste 4 de junho. Com 1.479 óbitos nas últimas 24 horas, o país tem seu terceiro dia seguido de recorde diário e agora só está atrás de Estados Unidos e Reino Unido em perdas de vidas pela doença. Já são 34.021 mortes desde o início da pandemia, e 614.941 casos confirmados – sendo 30.925 apenas ontem.

Enquanto a curva de mortes e contaminações pela covid-19 ainda é crescente e a pandemia ainda acelera no país, o presidente Jair Bolsonaro afirmou na quinta [4/6] que a Advocacia Geral da União (AGU) vai dar parecer favorável à liberação de praias durante o período de isolamento social e pandemia.

“Eu não posso ditar uma política para que estados e municípios ataquem melhor essa questão do vírus. Isso é de responsabilidade exclusiva de governadores e prefeitos. E tem certos governadores aí que pelo amor de Deus…, ainda correndo atrás de gente na praia. Eu acho que estava previsto sair hoje da Advocacia-Geral da União um parecer favorável a que se use a praia”, afirmou.

“A partir de hoje, ou amanhã, quando for publicado, se alguém entrar na Justiça, já sabe que o governo federal vai opinar favoravelmente àquela pessoa ir para a praia. E o juiz de cada cidade que vai recepcionar esse mandado de segurança que vai decidir se o João pode ir para a praia ou não […]. E segundo o Supremo Tribunal Federal não compete a mim decidir essa questão”, afirmou, incentivando a desobediência a medidas de isolamento social.

No estado de São Paulo, epicentro de casos e mortes pela covid-19 no país, e na capital paulista, o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas (ambos do PSDB), começam a ceder a pressões para abrandar a quarentena. A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e o Sindicato dos Advogados de São Paulo (Sasp) protocolaram junho ação civil pública para que o Tribunal de Justiça do Estado contenha a flexibilização do isolamento.

Testes
Até o momento, 3,12 milhões de testes de laboratório (RT-PCR) foram distribuídos para laboratórios centrais. Conforme o balanço do Ministério da Saúde, desde o início da pandemia foram solicitados 752,4 mil exames. Destes, 620 mil foram requeridos para covid-19 e 132 mil para outros vírus respiratórios. Dos primeiros, 556 mil foram analisados, 32 mil estão em trânsito (amostra foi coletada mas não chegou ao laboratório) e 32 mil em análise.

Os exames operados por laboratórios privados somam 529,7 mil até o momento. Considerando esta modalidade, o total de testes chega a 1,08 milhão. Comparado com o contingente populacional, o Brasil está com uma média de 8,7 mil testes por milhão de habitantes.

A média geral é de 36,3 mil exames por semana. E a média de resultados positivos vêm se mantendo em 29%, enquanto os negativos vêm ficando em 70,5%.

Em relação ao tempo de análise, 74,1% foram processados em até cinco dias, sendo 50,2% em até dois dias e 23,9% entre três e cinco dias. Já os testes rápidos (sorológicos) tiveram 748,9 mil kits aplicados até o momento.

Manifestação
Em Brasília, nesta quinta, movimentos de mulheres, entidades sindicais e parlamentares protestaram contra a falta de ações do governo Bolsonaro contra a covid-19. Reportagem de Camila Piacesi, no Seu Jornal, da TVT, mostrou o ato realizado pela manhã, em frente ao Palácio do Planalto. O ato começou com uma homenagem aos profissionais de saúde que morreram no combate à pandemia. Segundo os dados mais recentes, 150 enfermeiros e mais de 100 médicos já foram vítimas da doença.

“Ele tem criado uma falsa verdade de que a doença infelizmente vai matar e que é assim mesmo. E a gente sabe que isso não é verdade. Hoje, nós estamo em 31 mil mortes e as mortes em ascendência. O governo está há mais de duas semanas sem ministro da saúde”, destacou a enfermeira Carine Rodrigues, que participou do ato.

“Nós temos hoje o governo federal negando os recursos necessários para o enfrentamento à pandemia pelos estados e municípios”, diz a deputada federal Érika Kokay (PT-DF). Esses recursos seriam fundamentais para a aquisição de EPIs e respiradores. “A União não está fornecendo os instrumentos necessários para que estados e municípios possam fazer frente à pandemia. O descaso do governo com trabalhadores e renda também foi alvo do ato.

Ministério
Na quarta-feira [3/6], foi publicado no Diário Oficial da União decreto do presidente Jair Bolsonaro com a nomeação de Eduardo Pazuello como ministro interino da Saúde. Pazuello é nomeado após 19 dias à frente do ministério, como secretário-executivo da pasta. No decreto de ontem, Pazuello foi exonerado desse cargo, para assumir a interinidade. Ele responde pelo ministério desde 15 de maio, quando Nelson Teich anunciou sua saída.

Ontem, Bolsonaro nomeou o coronel Antônio Elcio Franco Filho como secretário-executivo do Ministério da Saúde, no lugar de Pazuello. Desde o mês passado, ele já era adjunto. A portaria de nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial.

Ex-líder da Ku Klux Klan elogia Bolsonaro: “Ele soa como nós”.

4 de junho de 2020

O ex-líder da KKK, David Duke. Foto: Reprodução/Youtube.

David Duke, conhecido por ter chefiado o grupo racista norte-americano, disse que o candidato do PSL é “um nacionalista” e “um candidato muito forte”.

Via Estado de Minas em 2/10/2018

“Ele soa como nós”, afirmou o historiador [nazista] David Duke, ex-líder do grupo racista norte-americano Ku Klux Klan (KKK) e personagem famoso da extrema direita do país, em relação a Jair Bolsonaro (PSL). A declaração, que foi ao ar em um programa de rádio dos EUA, foi resgatada pela BBC Brasil. “Ele soa como nós e, também, é um candidato muito forte. É um nacionalista”, afirmou.

Duke ainda afirmou que Bolsonaro é “totalmente um descendente europeu” e que se parece com qualquer “homem branco nos EUA, em Portugal, Alemanha ou França”. “Ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro”, disse.

O grupo que o historiador [nazista] norte-americano chefiou é conhecido por linchamentos, torturas e assassinatos de negros nos EUA. A KKK também defende ideais de supremacia branca e antissemitismo. Duke é uma figura carimbada nos movimentos da extrema direita norte-americana e ficou conhecido por negar o Holocausto e por publicações que tratam de um revisionismo histórico em relação à escravidão e às práticas nazistas.

A única ressalva que o ex-líder da KKK fez sobre Bolsonaro foi a relação que o candidato do PSL mantém com o Estado de Israel. Ele afirmou que esse movimento é “estratégico” e análogo a declarações dadas por Donald Trump nos EUA.

No ano passado, Duke foi um dos organizadores dos protestos que ficaram conhecidos como “Unite The Right” (Unam as Direitas, em tradução livre), na cidade de Charlottesville. As manifestações ficaram marcadas por defensores da supremacia branca, neonazistas e neofacistas e pelo confronto com militantes de movimentos da esquerda norte-americana que repudiaram o Unite The Right.

O evento, que foi classificado pela imprensa internacional como “a maior marcha de supremacistas brancos nos últimos anos, deixou três mortos, uma mulher de 32 anos que era contrária aos manifestantes racistas e dois policiais.

Além disso, 34 pessoas ficaram feridas. A manifestante foi morta depois de um carro ter sido atirado contra manifestantes críticos aos supremacistas brancos. A polícia local afirmou que o crime foi premeditado.

Os antifascistas do século 21: Para Bolsonaro e Trump, eles são terroristas

4 de junho de 2020

Manifestantes empunham bandeiras antifascista e anarquista em protesto nos EUA.

O QUE É ANTIFASCISMO. E QUAL A SUA CARA NO SÉCULO 21.
Donald Trump anunciou intenção de designar “antifas” como terroristas, e bolsonaristas reproduziram discurso. Movimento contra fascismo ganhou força com ascensão da extrema-direita.

Camilo Rocha, via Nexo Jornal em 3/6/2020

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou no Twitter no domingo [31/6] que pretende classificar como organizações criminosas, sob acusação de terrorismo, os movimentos “antifa”, abreviação do antifascismo. Na visão do governo dos EUA, esses grupos estariam se aproveitando dos protestos contra racismo e brutalidade policial para praticar atos de vandalismo.

“Como esse tuíte demonstra, o terrorismo é um rótulo inerentemente político, facilmente abusado e mal utilizado”, afirmou Hina Shamsi, diretora da American Civil Liberties Union, ao jornal New York Times. “Não há autoridade legal para designar um grupo doméstico [como terrorista]. Qualquer designação desse tipo suscitaria preocupações significativas do processo devido e da Primeira Emenda.”

A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos garante liberdade de religião, expressão, associação política e o direito de organizar petições para fazer reivindicações ao governo.

O tuíte de Trump foi compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro no mesmo dia. Um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) afirmou na mesma rede social que “o Brasil deveria fazer o mesmo” que os Estados Unidos. “Antifas querem o caos. São o “braço armado” dos anarquistas: os black blocs”.

No Brasil, em diversas cidades do país, grupos de torcedores de futebol autodenominados antifascistas tinham saído às ruas no domingo [31/5] para protestar contra as ameaças de ruptura institucional do governo. Em São Paulo, houve tensão e confronto com a Polícia Militar.

As redes sociais então foram tomadas por posts e hashtags fazendo referência ao movimento antifascista no Brasil. Pessoas criaram imagens de perfil com o logotipo de duas bandeiras (uma preta e uma vermelha) tradicionalmente associado ao antifascismo. Muitos juntaram sua profissão ou categoria ao adjetivo “antifascista”.

Na segunda-feira [1º/6], o deputado federal Daniel Silveira (PSL/RJ) apresentou um projeto de lei que propõe alterar a Lei Antiterrorismo “a fim de tipificar os grupos “antifas” como organizações terroristas”. Silveira gravou um vídeo em que ameaçou esses grupos, dizendo que eles corriam risco de levar “um tiro na caixa do peito” de um policial durante uma manifestação.

Silveira é um ex-PM e ficou conhecido nacionalmente ao participar de um ato no Rio durante a eleição de 2018 no qual bolsonaristas quebraram uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada meses antes no centro do Rio – as principais suspeitas recaem sobre milícias armadas que atuam na cidade.

“Começou aqui com os antifas em campo. O motivo,no meu entender,
político, diferente [daquele dos protestos nos EUA].
São marginais, no meu entender, terroristas”.

Jair Bolsonaro, presidente da República, em gravação divulgada
por apoiadores na terça-feira [2/6]

A natureza do movimento antifa
Embora se fale muito da existência de um “movimento antifa”, não se trata de uma organização com estrutura, manifesto ou hierarquia.

Manifestantes que se declaram antifas, em geral, seguem ideologias de esquerda e apostam em ação política direta, tanto na internet quanto na rua. Rejeitam agremiações tradicionais e o sistema político estabelecido, sendo comum a presença de discursos e correntes anarquistas. Se opõem ao que consideram encarnações contemporâneas do fascismo, de supremacistas brancos a políticos de extrema-direita.

Segundo o historiador norte-americano Mark Bray, autor de Manual Antifascista, o antifa é um militante, envolvido em ações e campanhas. Segundo o autor, esse militante “existe no cruzamento de visões políticas de esquerda radicais e estratégias e táticas de ação direta que preferem não depender da polícia, da Justiça ou do Estado para barrar a extrema-direita”.

É comum que antifas se vistam de preto em protestos. Muitos empregam a tática black bloc, usando máscaras para evitar que seus rostos sejam vistos ou fotografados.

Historicamente, o antifascismo surgiu como frente de oposição a regimes totalitários europeus na primeira metade do século 20. No fim do século 20, militantes antifas se engajaram em uma ampla diversidade de causas, que vão da defesa de minorias contra racismo e homofobia a protestos antiglobalização.

As raízes históricas no comunismo
Movimentos antifascistas existem desde que existe o fascismo. A ideologia foi concretizada por Benito Mussolini, que chegou ao poder na Itália em 1922, via golpe de Estado. Imediatamente, surgiram grupos de tendência comunista e anarquista que se opunham ao autoritarismo, à centralização de poder e à violência política que caracterizaram o regime de Mussolini.

A contração antifa surgiu na década de 1930 na Alemanha. Era o apelido da Antifaschistische Aktion, uma organização ligada ao Partido Comunista da Alemanha. Esse grupo foi o primeiro a adotar o logotipo com as duas bandeiras dentro de um círculo, utilizado por indivíduos e grupos antifascistas até hoje.

No pós-Guerra, os antifascistas se dissociaram dos socialistas e comunistas, que se organizaram em partidos dentro do sistema político tradicional.

Nos anos 70 e 80, a movimentação antifascista ressurgiu em países europeus como Reino Unido e Alemanha como reação a grupos de extrema-direita que voltavam a ganhar relativa força. Os movimentos punk e pós-punk abrigaram muitos discursos e iniciativas antifascistas.

Mais recentemente, nos EUA, adeptos do discurso e práticas antifas se associaram a iniciativas como o Occupy, que protestou contra a desigualdade social, e o Black Lives Matter, mobilização que se opõe à violência pessoal contra pessoas negras.

A segunda metade da década de 2010 foi marcada pela disseminação de ideias e discursos ligados à extrema-direita, em especial nas redes sociais. O processo foi importante para a eleição de governos com posicionamentos extremistas como Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro, no Brasil. O crescimento da chamada “alt right”, termo que abrange grupos e pessoas com discursos nacionalistas, xenófobos e racistas, também fez a militância antifa ganhar força.

O antifascismo contemporâneo sob análise
Sobre o antifascismo, o Nexo conversou com Acácio Augusto, professor no Departamento de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador do LASInTec (Laboratório de Análise em Segurança Internacional e Tecnologias de Monitoramento).

O que caracteriza o movimento antifa? Existem diferenças entre sua atuação nos EUA e Brasil?
Acácio Augusto
: O antifascismo poderia ser definido simplesmente como oposição ao fascismo, principalmente ao fascismo histórico. No entanto, essa oposição pura e simples não explica o que podemos chamar de “antifa contemporânea”. Poderíamos dizer que o antifascismo é um método político, um lócus de identificação, seja individual, seja de grupo, de um movimento espalhado por vários países, que de certa maneira adaptou as correntes anarquistas, socialistas e comunistas, historicamente opostas ao fascismo, às necessidades contemporâneas. Os grupos comumente chamados de antifas são, em geral, ligados a movimentos urbanos autônomos, antiautoritários, anarquistas e, em menor quantidade, comunistas, com alguma ligação com movimentos de contracultura, em especial o punk. Eles vão dizer que o fascismo não foi enterrado após a Segunda Guerra Mundial e propõem um combate cotidiano ao fascismo.
Na Europa e EUA, existem mais grupos assim e estabelecidos há mais tempo, mas em termos de atuação e métodos eles não se diferenciam muito dos brasileiros. A partir dos anos 80, quando esse tipo de grupo se espalha pelo mundo, essa antifa contemporânea também está ligada ao movimento punk e grupos de rua.
Um caso emblemático no Brasil foi quando os skinhead white power assassinaram um jovem gay na praça da República, Edson Néris, em 2000. Foi um grupo anarcopunk, chamado ACR (Anarquistas Contra o Racismo), que fez uma campanha de alerta contra essas gangues de extrema-direita.
Grupos e indivíduos que se identificam com essa tradição histórica anticapitalista e antiautoritária fazem o combate cotidiano ao fascismo produzindo material informativo e usando táticas para expor publicamente fascistas e nazistas. Alguns adotam táticas de autodefesa, que consiste no treinamento em lutas como boxe, jiu-jitsu e muay thai. Principalmente meninas, com o intuito de se defender de agressões.

Quais os equívocos mais comuns quando políticos falam em antifas?
Acácio Augusto: O erro mais comum, pensando em declarações como as de Trump e de Eduardo Bolsonaro, é associar os antifas contemporâneos ao terrorismo. Não é uma coisa nova, Trump já disse isso anteriormente. Primeiramente, a definição do terrorismo é elástica, nem existe consenso sobre o que seria no âmbito das relações internacionais. Mas uma definição enxuta seria “o uso da violência para atingir um determinado fim político”. Se você admite essa definição então o estado é que seria o maior terrorista da história.
É o mesmo discurso que se ouvia na época da Copa de 2014 em relação aos black blocs. Antifa é antes de mais nada uma forma de atuação, uma forma de identificação pessoal. Não é um grande grupo coordenado ou organizado por ninguém. E mesmo quando se tem grupos antifascistas, como a Rose City Antifa, dos EUA, são pequenos, geralmente de pessoas que se conhecem.
Outro erro é associar o antifascismo à prática da violência. Nem todos os grupos ou pessoas que se identificam como antifas entram em confronto físico com fascistas. É uma decisão que alguns tomam e se preparam para isso. Ao mesmo tempo, fica difícil lidar com grupos neonazistas, pessoas que pregam genocídio e eliminação de outras etnias ou minorias, sem estar preparado para enfrentar a violência. Quando usada por esses deputados, ou por figuras influentes como Steve Bannon, é uma retórica que visa a criminalização desses grupos.

REDES SOCIAIS

Para agradar seus fãs, Bolsonaro agora cita até Mussolini nas redes sociais

2 de junho de 2020

Exposto em praça pública: Mussolini é o primeiro da esquerda para direita.

Na escalada autoritária e de coloração fascista do bolsonarismo, presidente cita uma máxima do ditador italiano, executado depois de perder a Segunda Guerra Mundial. No STF, ministro Celso de Mello alerta a corte para tentativa de apoiadores do extremista que está no Planalto de tentar implantar “uma desprezível e abjeta ditadura militar”.

Via Portal do Partido dos Trabalhadores em 2/6/2020

A escalada autoritária do presidente Jair Bolsonaro segue sem freios ou mesmo um esforço para manter o jogo de aparências. No domingo [31/5], depois de participar de novo ato antidemocrático em defesa do fechamento do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro compartilhou nas redes sociais a frase: “É melhor viver um dia como um leão, que cem como um cordeiro”. A frase é uma máxima do ditador fascista italiano Benito Mussolini.

Bolsonaro fez a postagem um dia depois de o decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, comparar os tempos atuais à queda da República de Weimar, na Alemanha dos anos 30, e a ascensão de Adolf Hitler. “É preciso resistir à destruição da ordem democrática”, alertou. “‘Intervenção militar’, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, nada mais significa, na novilíngua bolsonarista, senão a instauração, no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar”.

Na tarde de segunda-feira [1º/6], o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, General Luiz Eduardo Ramos, rebateu Celso de Mello. “Comparar o nosso amado Brasil à ‘Alemanha de Hitler’ nazista é algo, no mínimo, inoportuno e infeliz”, publicou no Twitter. “A Democracia Brasileira não merece isso. Por favor, respeite o presidente Bolsonaro e tenha mais amor à nossa pátria!”, escreveu Ramos.

Ditador foi executado
No domingo, Bolsonaro compartilhou vídeo de um senhor idoso, falando italiano e se queixando do isolamento social. O presidente comenta: “Em 1 minuto o velho italiano resumiu o que passamos nos dias de hoje”. A frase “É melhor viver um dia como um leão, que cem como um cordeiro” remete a uma máxima de Mussolini, executado em 28 de abril de 1945, e cujo corpo – junto com o da amante Clareta Petacci – foi pendurado em praça pública em Milão, depois de perder a 2ª Guerra Mundial.

O desabafo de Celso de Mello ocorreu horas depois da ativista de extrema direita Sara Fernanda Giromini, conhecida como Sara Winter, uma das coordenadoras da milícia fascista e armada 300 do Brasil, promover ato em frente ao prédio do STF, na Praça dos Três Poderes. A ativista está acampada na Esplanada dos Ministérios, há 20 dias, com militantes armados, e fez ameaças reiteradas ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que apura o envolvimento de apoiadores de Bolsonaro na onda de ataques a integrantes da Suprema Corte. Na tarde desta segunda, ela foi intimada a depor na Polícia Federal.

O ministro Celso de Mello enviou mensagem a colegas da Suprema Corte pelo WhatsApp, durante a madrugada de domingo, ao tomar conhecimento do manifesto bolsonarista em frente à sede do STF, em que ativistas portavam tochas e adereços usados pela Ku Klux Klan, grupo de terroristas e supremacistas brancos dos Estados Unidos, criado em 1865 e que linchava e assassinava afro-americanos. Símbolos nazistas e de cunho racista têm sido usados pelo bolsonarismo com frequência, inclusive em manifestações de rua.

“Ovo da Serpente”
O decano do STF denunciou na mensagem aos outros ministros a escalada autoritária de apoiadores do presidente. “Guardadas as devidas proporções, o ‘ovo da serpente’, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933), parece estar prestes a eclodir no Brasil!”, alertou Celso de Mello. “O Ovo da Serpente” é um filme do diretor sueco Ingmar Bergman, lançado em 1977, que relembra o ambiente na Alemanha nos anos 20, quando a derrota da 1ª Guerra Mundial gera as crises econômica e social, com a consequente deterioração do poder e da falta de perspectiva de futuro, que propiciaram a ascensão do nazismo.

“É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu na República de Weimar quando Hitler, após eleito por voto popular e posteriormente nomeado pelo presidente Paul von Hindenburg, em 30 de janeiro de 1933, como chanceler da Alemanha, não hesitou em romper e em nulificar a progressista democrática e inovadora Constituição de Weimar, de 11 de agosto de 1919, impondo ao país um sistema totalitário de poder viabilizado pela edição, em março de 1933, da lei (nazista) de concessão de plenos poderes (ou lei habilitante) que lhe permitiu legislar sem a intervenção do Parlamento Germânico”.

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Racismo e violência policial: Minneapolis é aqui

2 de junho de 2020

PM aponta fuzil para manifestante no ato “Vidas Negras Importam”. Foto: Vanessa Carnavalho/Zimel Press.

Só lembrando: No Brasil, 75% dos mortos pela polícia são negros.

Bernando Mello Franco em 2/6/2020

A morte de George Floyd incendiou as ruas dos Estados Unidos em plena pandemia. A imagem de um homem negro asfixiado por um policial branco motivou uma onda de protestos contra o racismo. O levante começou em Minneapolis e se espalhou pelas principais cidades americanas.

No Rio, um ato lembrou o estudante João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. O adolescente foi morto há duas semanas durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Estava na casa dos tios quando levou um tiro de fuzil nas costas.

A cada 100 pessoas mortas pela polícia no Brasil, 75 são negras, informa o Atlas da Violência. “A brutalidade e o autoritarismo caminham junto com o racismo”, diz Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil. Ela acusa as instituições de leniência com a discriminação racial. “A polícia atira, mata e não há nenhuma reparação às famílias”, critica.

A diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, ressalta que a polícia mata mais negros nos EUA e no Brasil. “A diferença é a escala. Aqui a polícia mata muito mais”, observa.

Ela lembra que a chance de um jovem negro ser assassinado é 2,7 vezes maior do que a de um jovem branco. “Esses números são a face mais evidente da desigualdade racial no país”, afirma.

A manifestação de domingo [31/5] pedia paz, mas terminou em violência. A PM atirou bombas de gás para dispersar os ativistas. A imagem de um policial apontando o fuzil para um rapaz descalço e desarmado ajuda a ilustrar os motivos do protesto.

“Foi uma cena inadmissível. A polícia que mata negros na favela também ameaça nos matar quando protestamos contra isso”, diz o ativista Renê Silva, morador do Alemão e fundador do jornal Voz das Comunidades.

A diretora da Anistia Internacional ressalta que o racismo sempre esteve entre nós, mas parece ganhar espaço na cena política. No sábado [30/5], bolsonaristas marcharam com tochas e máscaras em Brasília. A performance lembrou a Ku Klux Klan, grupo supremacista branco que apoiou a eleição de Donald Trump.

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