Archive for the ‘Internacional’ Category

Repercussão na imprensa internacional do Temergate

21 de maio de 2017

Via Opera Mundi em 18/5/2017

As denúncias contra o presidente brasileiro Michel Temer (PMDB/SP), de que ele teria dado aval ao dono da JBS, Joesley Batista, para continuar pagando propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, foi destaque nos principais veículos de imprensa internacionais.

A informação, revelada pelo jornal O Globo após delação premiada de Batista, também implica o senador Aécio Neves (PSDB/MG), que teria pedido R$2 milhões para pagar sua defesa na Operação Lava-Jato. Além disso, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega (PT), foi citado como negociador de supostas propinas em seu partido.

Veja como a imprensa internacional tratou o assunto:

Página/12 – Argentina
“Uma bomba de proporções inimagináveis estourou nas mãos de Michel Temer e pode implodir seu governo”, começa a reportagem do jornal argentino Página/12. O periódico lembra que, logo após as denúncias, a oposição pediu o impeachment de Temer.

TeleSUR – Venezuela
A emissora multiestatal já questiona o que aconteceria em uma eventual destituição de Temer, lembrando que a Constituição brasileira determina a convocação de eleições indiretas após 30 dias uma queda de Temer. No entanto, diz a emissora, “os movimentos sociais e a maioria da oposição no Congresso brasileiro reclamam eleições diretas no caso de o atual mandatário não eleito, Michel Temer, deixe o Palácio do Planalto”.

El Desconcierto – Chile
Para o site El Desconcierto, o Brasil está “on fire” (pegando foto): “O Fora Temer se escuta forte nas ruas depois da gravação do presidente pedindo para se comprar o silêncio de deputado corrupto”, diz o noticiário. “O país sofre novos terremotos políticos a cada semana, e o desta quarta pode significar o início da pior crise do atual mandatário.

Cubadebate – Cuba
“Temer compra silêncio de Cunha: empresa de carnes assegura ter gravações” é o título da reportagem do diário Cubadebate. “O presidente do Brasil, Michel Temer, suspendeu nesta quinta-feira toda sua agenda do dia devido ao escândalo de corrupção que o implica e mantém em suspenso o país”.

O jornal norte-americano diz que Temer nega as acusações, mas lembra que o governo do presidente “tropeça de crise em crise desde que chegou ao poder há cerca de um ano, após uma longa batalha para derrubar sua antecessora de esquerda, Dilma Rousseff. “Apesar da baixa popularidade, Temer vinha tentando ganhar apoio para medidas de austeridade”, disse o periódico.

Guardian – Reino Unido
Segundo o jornal The Guardian, “gravações explosivas implicam o presidente Michel Temer em suborno”. “Protestos e panelaços (uma tradicional forma de protesto na América Latina) puderam ser ouvidos quando as alegações foram divulgadas na TV. Manifestantes também se reuniram fora do palácio presidencial gritando “Fora Temer”“, afirma o jornal.

Le Monde – França
O francês Le Monde afirmou que “os dias do presidente da República parecem contados” e que a situação piora com o fato de Temer sofrer uma “mega-impopularidade”.

La Nación – Argentina
O jornal argentino La Nacion, por sua vez, deu detalhes de como Temer teria autorizado o pagamento de suborno para manter o silêncio de Cunha. “Foi em 7 de março, às 22h30. O empresário Joesley Batista, um dos donos do maior frigorífico do país, o JBS, entrou no Palácio do Jaburu, residente do presidente do Brasil, e o viu ali, esperando”, relatou o diário.

(*) Com Ansa

A greve geral do dia 28 de abril e o despertar para os dias que virão

26 de abril de 2017

“A luta por direitos vai além do aspecto ideológico porque é uma regra.”

A história já comprovou isso: só quando a população se organiza é possível brecar o mercado financeiro e sua ganância.

Francisco Toledo, via HuffPost Brasil em 26/4/2017

“Propôs diminuir a idade de aposentadoria e aumentar vários
benefícios sociais, além de diminuir impostos para
pequenas empresas e o imposto de renda”.

De quem é a proposta acima?

Lula? Algum sindicalista da CUT? Bernie Sanders? Maduro? Guilherme Boulos?

Na verdade a proposta acima faz parte do plano de governo da candidata da extrema-direita na França para a presidência, Marine Le Pen, que chegou ao segundo da eleição presidencial francesa neste último fim de semana.

Assim como Le Pen, o republicano Donald Trump foi eleito nos Estados Unidos com promessas parecidas. Mais emprego, proteger o trabalhador norte-americano e principalmente beneficiar as empresas deste país que decidem investir na mão de obra local. Não demorou muito. Nem 100 dias para ser exato, e Donald Trump parece dar sinais de que Wall Street decidirá sua política econômica.

Do outro lado do extremo, na esquerda, não foi diferente. Em 2015, Alexis Tsipras foi eleito na Grécia defendendo o desejo da população grega, cansada e deteriorada pela austeridade econômica que arrasou o país na última década. Com o seu partido, o então “revolucionário” Syriza, sua principal bandeira era a retirada da União Europeia e o calote aos credores do bloco. Recuou no último momento, traindo seu eleitorado.

No final das contas é assim que funciona, e provavelmente Le Pen – caso eleita – deve cair na mesma armadilha: na política atual, abrir mão da austeridade em prol da classe trabalhadora é uma obra de ficção, prometida pela classe política como nos livros de ficção.

E isso ocorre porque nos atuais moldes da democracia burguesa o Estado depende do mercado financeiro para funcionar – e vice e versa, apesar das teorias utópicas e falaciosas de grupos liberais como o Movimento Brasil Livre. Se um governante opta por abrir mão do mercado financeiro, é praticamente um suicídio político. Se um empresário abre mão do Estado, é se jogar em um abismo jamais visto. Eles dividem não só o poder, como também a propina.

O capital corrompe o Estado, que corrompe a classe política, que afeta diretamente você, cidadão comum.

E de vez em quando, é preciso cortar algumas cabeças para proteger o mais importante: esse sistema de trocas de favores e benefícios. Aqui no Brasil, os escolhidos foram as principais figuras do Partido dos Trabalhadores que, por sua vez, se permitiram jogar nesse mar de lama. Foram corrompidos, achavam que haviam entrado no clube dos privilegiados. Se enganaram. Não foram sozinhos. Alguns empresários desceram morro abaixo, como é o caso da família Odebrecht.

Como então, diante desse desastre político, passar por cima da austeridade e defender direitos conquistados na nossa história?

A resposta é simples. A luta por direitos vai além do aspecto ideológico porque é uma regra. É uma conquista. É como abrir mão de uma democracia porque ”ela não funciona”. Quem quer ser livre? Quem quer ter férias e décimo terceiro?

Não por acaso, Le Pen e Tsipras defendem, no aspecto econômico e trabalhista, bandeiras similares. Porque entendem que a classe trabalhadora é quem mais tem sofrido com a austeridade e com as reformas impostas pelo mercado financeiro. Não devem cumprir suas promessas, mas isso prova que o discurso governista no Brasil de que “a possibilidade de greve geral contra as reformas é partidarizada” é uma falácia absurda.

Não vai ser Le Pen, Lula, Tsipras ou Trump que defenderá seus direitos. E sim você mesmo. A história já comprovou isso: só quando a população se organiza é possível brecar o mercado financeiro e sua ganância. Por isso a importância da greve geral convocada para esta sexta, dia 28 de abril.

Não se trata de uma bandeira de um partido, muito menos de um só sindicato ou de um político específico. Esqueça isso. Trata-se do seu futuro, do futuro de seus filhos e netos que poderão viver em uma sociedade onde direitos são privilégios. E não são.

A propaganda pode enganar. Meninos bem arrumados e que defendem ”a população de bem que não gosta de baderna” também podem tentar te seduzir. Mas quem eles defendem no final das contas? Quem mantém esse jogo político no qual, hoje, eles estão inclusos? Quais partidos eles escolheram para se candidatar? DEM? PMDB? Você confia nesses partidos? Qual a posição dessas siglas sobre as reformas trabalhistas e da previdência? Quem financiou a campanha política dos deputados e senadores desses partidos? Foram empresas, certo? E quem sairá vitorioso com a aprovação dessas reformas? Os empresários que investem nesses políticos ou você, que de forma ingênua acredita no discurso desses jovens meninos engravatados que se dizem livres? Livres de quê?

Parar no dia 28 é acordar nos dias que virão. Acorde. Pare.

Francisco Toledo é fotojornalista e cofundador da agência Democratize. Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

Auditores da Price dizem a Moro que Lula não participou de corrupção na Petrobras

25 de abril de 2017

Via Brasil 247 em 24/4/2017

Em um comunicado ao juiz Sérgio Moro na segunda-feira, dia 24/4, auditores da PricewaterhouseCoopers (PwC), maior empresa de auditoria do mundo, que atuaram de forma independente na Petrobras de 2012 a 2106, informaram que não foi identificada a participação do ex-presidente Lula em nenhum ato de corrupção ou ilícito.

O comunicado foi uma resposta a um questionamento do magistrado sobre se a empresa teria identificado a participação do ex-presidente em algum ato de corrupção na estatal neste período, durante a realização de auditoria.

“No período em que atuamos como auditores independentes da Companhia (exercícios sociais de 2012 a 2016), não foram identificados e nem trazidos ao nosso conhecimento atos de corrupção ou atos ilícitos com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz o comunicado.

Clique na imagem para ampliá-la.

Emílio delata os Marinho: Petrolão começou com “sociedade privada” de Odebrecht e Globo

25 de abril de 2017

Miguel do Rosário, via O Cafezinho em 13/4/2017

No minuto 12:45, Emílio Odebrecht menciona a organização, pela Odebrecht, de uma “sociedade privada”, com participação da Globo, com objetivo de fazer lobby pela privatização da telefonia pública e pela quebra do monopólio do Estado no setor de petróleo.

É um lobby diretamente ligado ao financiamento político do PSDB e do governo FHC.

A delação de Emílio Odebrecht está muito interessante. O empresário é um contraste chocante com os burocratas do Ministério Público, que não tem a mínima ideia de como funciona a vida real no mundo da política e dos negócios.

Pelo depoimento de Emílio, fica evidente que a Lava-Jato começa com Odebrecht e Globo organizando, para o governo, o arcabouço jurídico dos setores de telecomunicação e petróleo, no Brasil, durante os anos seguintes. É o início do petrolão.

O famigerado “cartel das empreiteiras” foi idealizado inicialmente por uma sociedade privada formada por Odebrecht e Globo.

Se eu fosse um blogueiro sensacionalista, poderia dizer que se a Odebrecht é o pai, a Globo é a mãe do petrolão.

Lula era um elemento estranho nas grandes negociatas. Um “amigo” politicamente simpático, porque interessado em ampliar a infraestrutura do Brasil e financiar a exportação nacional de serviços de engenharia, uma liderança política a quem a Odebrecht tentava agradar com ajudas financeiras às campanhas eleitorais do PT.

No mesmo vídeo, Emílio admite que sua empresa financiou, via caixa 1 e 2, as duas campanhas de Fernando Henrique Cardoso, de quem era muito próximo.

No vídeo, o procurador parece um personagem de Porta dos Fundos, ultranervoso com as citações a FHC, tentando fugir, em vão, de assuntos que possam envolver o PSDB.

Viagem de Dilma aos EUA tem saldo positivo e leva o Brasil real ao mundo

24 de abril de 2017

Emir Sader, via RBA em 21/4/2017

A presidenta destituída Dilma Rousseff conclui sua mais longa viagem a um país desde o golpe, voltando a Harvard, onde havia começado a longa trajetória. O início havia sido em um seminário que pretendia reunir as mais diferentes expressões do diversificado panorama político brasileiro e o final foi sobre a realidade latino-americana contemporânea, ambos em Harvard.

O fio condutor do discurso da Dilma, ao longo das exposições em 10 das maiores universidades dos Estados Unidos, em reuniões com movimentos sociais e grupos de brasileiros, nas entrevistas com as principais publicações da mídia, foi a denúncia do impeachment como um golpe. Em seguida, ela passou a explicar porque se deu o golpe.

Três argumentos fundamentaram essa sua explicação: a misoginia revelada claramente na linguagem usada na campanha da oposição contra ela; a busca de “estancar a sangria” que representa a Lava-Jato para os membros do atual governo, o que só seria possível com o golpe contra ela; a recolocação do Brasil, do ponto de vista econômico, social e geopolítico, nos marcos do neoliberalismo.

Este último, para Dilma, foi a razão de fundo do golpe: retornar ao projeto dos anos 1990, que tinha sido interrompido com a vitória de Lula em 2002. Em seguida ela resume os principais avanços dos governos que se opuseram à lógica neoliberal, desde as conquistas sociais até a da retomada do crescimento econômico, da política externa multipolar.

Suas intervenções desembocam no “encontro marcado que temos com a democracia em 2018” e com as tentativas de evitar que o povo brasileiro recupere o direito de decidir por sua própria contra o seu futuro. Dilma chama a atenção sobre os riscos de nova ruptura, seja via casuísmos, seja pela já derrotada via do parlamentarismo, seja por alguma forma de condenação, sem fundamentos, do Lula.

As exposições da Dilma desembocam naquela que tem sido uma referência central dos seus discursos e da sua atuação – “A democracia é o lado certo da história” – e que a tornaram a principal líder na defesa da democracia no Brasil.

O balanço geral da sua viagem é extremamente positivo. Encontrou um clima de recepção favorável, acumulado seja nos argumentos da própria mídia norte-americana de condenação do governo saído do golpe, seja nos grupos de brasileiros que se constituíram e se mobilizaram durante a luta de resistência ao golpe e núcleos acadêmicos muito esclarecidos sobre o que acontece no Brasil.

Mas é certo também que a consistência do discurso da Dilma, combinando argumentos políticos com a força moral da sua trajetória, fortaleceu ainda mais a visão democrática sobre o que aconteceu e segue acontecendo no Brasil. Essa consistência se contrapõe a todo o noticiário sobre o governo golpista, seus atentados à democracia, aos direitos da população, os vexames da sua presença internacional, a mediocridade de todos os seus representantes.

Dilma se consolida, ao lado da liderança na defesa da democracia, como uma presença internacional relevante, demandada por todos os lados, aplaudida, reverenciada mesmo, reconhecida como uma estadista, uma liderança internacional não apenas na defesa da democracia, mas também na denúncia da financeirização da economia em escala mundial, das desigualdades sociais que ela incrementa e nos atentados à democracia que implica.

Dilma tem agora de encontrar formas de combinar todos os convites que tem de tantos países com a sua indispensável presença na luta democrática brasileira. Nesta viagem ficou comprovado como sua imagem de líder política só cresceu desde o golpe e se afirmou, junto com Lula, como as duas presenças fundamentais com que conta o povo brasileiro para reconquistar a democracia, o desenvolvimento econômico e a justiça social.

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INTELECTUAL NORTE-AMERICANO DIZ QUE MÍDIA BRASILEIRA DISTORCEU IMAGEM DE DILMA
Via Brasil 247 em 23/4/2017

Um dos mais importantes brasilianistas, o historiador norte-americano James Naylor Green publicou um relato em que conta como a mídia brasileira distorceu a imagem da presidente deposta Dilma Rousseff.

Green esteve com Dilma nas quase duas semanas em que ela deu palestras em diversas universidades dos Estados Unidos, como Brown, Columbia, the New School, City University of New York e Harvard.

“Conheci uma pessoa totalmente diferente da imagem promovida pela grande imprensa e pela mídia no Brasil”, diz ele. “Conheci uma mulher íntegra e com princípios firmes, que a incentivaram a entrar na luta contra a ditadura em 1965 e seguir lutando contra a desigualdade econômica e social durante o seu governo e agora na resistência ao golpe”, acrescentou.

Para o intelectual, “fica muito evidente que a grande mídia criou uma imagem totalmente falsa sobre esta pessoa sensível e comprometida. É difícil prever o futuro, mas acho que ela ainda vai cumprir um papel importante nas lutas pela justiça e igualdade no Brasil”.

Confira a íntegra:

DUAS SEMANAS COM PRESIDENTA DILMA NOS ESTADOS UNIDOS
Durante as quase duas semanas com a Presidenta Dilma Rousseff em Providence, New York, Boston e Cambridge, conheci uma pessoa totalmente diferente da imagem promovida pela grande imprensa e pela mídia no Brasil.

Ouvi ela falando em diversas universidades – Brown, Columbia, The New School, City University of New York e Harvard, entre membros da comunidade brasileira em Boston e New York e com acadêmicos como os professores Skip Gates e John Comaroff de Harvard – quando servi de intérprete.

Também acompanhei a presidente em diversos momentos onde ela foi reconhecida por brasileiros, argentinos, uruguaios e mexicanos, que deram abraços e solidariedade por sua força e determinação. “Estamos com você”, falaram em português e espanhol. E é claro, pediram uma foto. Ela sempre abraçou a pessoa e conversou com ela, com uma atenção e interesse impressionante.

Dilma Rousseff é uma mulher culta, que insistiu em visitar as livrarias de Harvard e Nova Iorque nos minutos livres. No Strand Bookstore, o famoso sebo na rua 12 com a Broadway, ela procurou livros sobre Inglaterra no século 19 porque estava interessada em entender a política do Primeiro Ministro Lord Palmerston em relação a Guerra Civil nos Estados Unidos.

Conversamos longamente sobre o seu passado na resistência à ditadura militar, a situação atual, as eleições de 2018 e as perspectivas para a luta contra a implantação do projeto neoliberal no país.

Cabe a ela compartilhar estas ideias com o público, mas como escrevi em outra postagem, conheci uma mulher integra e com princípios firmes, que incentivaram ela para entrar na luta contra a ditadura em 1965 e seguir lutando contra a desigualdade econômica e social durante o seu governo e agora na resistência ao golpe.

Fica muito evidente que a grande mídia criou uma imagem totalmente falsa sobre esta pessoa sensível e comprometida. É difícil prever o futuro, mas acho que ela ainda vai cumprir um papel importante nas lutas pela justiça e igualdade no Brasil.


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