Archive for the ‘Internacional’ Category

Em Davos, Janot foi festejado por presidente paraguaio acusado de tráfico de drogas e evasão de divisas

23 de janeiro de 2017
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Janot é festejado pelo presidente Horácio Cartes.

Kiko Nogueira, via DCM em 18/1/2017

Rodrigo Janot está entusiasmadíssimo com sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos.

O personagem que surge das entrevistas que deu sobre a viagem guarda uma semelhança com o pintado por seu ex-amigo, atual desafeto, Eugênio Aragão, subprocurador e ex-ministro da Justiça.

Segundo Janot, o convite se deveu “à curiosidade quanto ao exercício no Brasil de combate à corrupção”.

Ao Valor, teceu considerações sociológicas sobre modelos econômicos. “O que se quer é evitar o capitalismo de compadrio, a cartelização, assegurar a concorrência, a eficiência econômica e o desenvolvimento tecnológico”, disse.

“A Lava-Jato é pró-mercado”, cravou. Um salve para você que achou que era pró-Constituição e pró-Estado de Direito.

Janot estava lá representado um governo afundado em escândalos, com presidente citado mais de 40 vezes em delação e seis ministros a menos em oito meses.

Mas a maior contradição, e especialmente emblemática do passeio, foi a cena do encontro caloroso com um oligarca sul-americano controvertido.

Clóvis Rossi, em reportagem baba ovo na Folha, escreveu que o Fórum “abraçou” a Lava-Jato.

Reproduzo um trecho:

O abraço foi tão apertado que o chanceler paraguaio Eladio Loizaga fez questão de puxar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma “selfie” com seu chefe, o presidente Horácio Cartes.
Pouco antes, Cartes qualificara de “histórica” a Lava-Jato, em um debate sobre o futuro da América Latina em que Janot nem sequer estava inscrito para falar.

De acordo com Clóvis, o procurador-geral da República citou a cooperação com países latino norte-americanos como uma das chaves de seu sucesso. Destacou o Paraguai.

“O que está acontecendo no Brasil com o Ministério Público é um exemplo para o mundo”, saudou Cartes. Clóvis registra que o paraguaio foi acusado de ser o principal responsável pelo contrabando de cigarros falsificados para o Brasil. “Mas o ruído amenizou bastante depois da posse e nos anos mais recentes.”

O ruído amenizou (?!), mas a ficha corrida não desapareceu com o vento. O cidadão que festejou efusivamente Rodrigo Janot está envolvido em uma nuvem de contravenções barra pesada.

Um dos homens mais ricos do Paraguai, filiado ao conservador Partido Colorado, Cartes é presidente de um conglomerado que produz bebidas, cigarros, charutos, roupas e carnes, além de gerenciar centros médicos.

Em 2000, a polícia encontrou um avião com registro brasileiro em sua fazenda, levando um carregamento de cocaína e maconha. A presidente de seu partido, Lilian Samaniego, sugeriu que ele tinha vínculos com o narcotráfico.

É suspeito também de lavagem de dinheiro através de operações em seu banco, conforme vazamentos do WikiLeaks.

Em abril de 2013, a IstoÉ publicou uma matéria sobre sua parruda ficha criminal, “conservada em absoluto sigilo há quase dez anos na residência de uma autoridade da Justiça daquele país”.

Ela inclui “prisão por evasão de divisas e processos por falsidade ideológica, falsificação de documentos e estelionato”.

Como soi acontecer, é um bastião da moralidade. Durante a campanha, declarou que “atiraria nos próprios testículos” se tivesse um filho gay.

Levar um abraço apertado e um sorriso dobrado de Cartes não parece a coisa mais recomendável. Nem em Asunción.

***

JANOT, TENHA VERGONHA DE SER UM USURPADOR
Fernando Brito, via Tijolaço em 17/1/2017

Lê-se na Folha que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai falar amanhã a uma platéia de empresários que “Operação Lava-Jato, que ele comanda e já mandou para a cadeia um punhado de executivos de grosso calibre, não é um ataque ao capitalismo”.

Eu procurei na Constituição e na Lei Orgânica do Ministério Público para ver se havia alguma atribuição semelhante na legislação ao que vai fazer o doutor Janot e não encontrei nada ligeiramente assemelhado, ao contrário.

O Ministério Público não tem funções de representação econômica ou diplomática.

Nem, muito menos, com defender o “capitalismo” ou o “socialismo”, seja para empresários ou para sindicatos.

No máximo este papel caberia ao ministro da fazenda, das Relações Exteriores ou da Justiça – o que, neste caso, nos leva a dar graças que não esteja sendo exercido.

O nome de quem toma a si uma representação que não é sua é, em português claro, o de usurpador.

Daqui a pouco, quem sabe, teremos o doutor Sérgio Moro, em Davos, garantindo aos empresários um terreno seguro para investir, depois do “arrasa” feito nas empresas brasileiras pela corrupção que as lá de fora praticam em igual gênero, número e grau.

Ou a Rolls Royce, que firmou acordo por suas propinas, é de Araraquara?

Mas o doutor Janot, com passagens e estadia pagas pelo Erário, está lá na Suíça, desfilando a sua vaidade.

Oficialmente, as intervenções de Janot se inserem num “âmbito do que o Fórum batizou de Paci [sigla em inglês para Iniciativa de Parcerias contra a Corrupção]”.

Só que o Forum não é uma entidade diplomática, mas um evento privado, financiado pelas mil empresas-membro da instituição.

Parece um destes encontros de juízes numa Comandatuba sobre os Alpes.

Cordilheira que, como se sabe, não é tão alta quanto as vaidades e sedes de poder do Judiciário e seus apensos, hoje, no Brasil.

MBL garante: “Maior parte dos 8 mais ricos do mundo é de esquerda”.

23 de janeiro de 2017

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Os “boys” da força-tarefa, orgulhosos de sua sabujice aos EUA

23 de janeiro de 2017

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Fernando Brito, via Tijolaço em 18/1/2017

Texto mais que revelador de Helena Chagas, em Os Divergentes:

Membros do Ministério Público tupiniquim não cabem em si de tanto orgulho. Afinal, estão trabalhando lado a lado, em intensa colaboração na Lava-Jato, com os bambas mundialmente famosos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o famoso DoJ. Cada vírgula de cada relatório do DoJ, o órgão que trata dos acordos de leniência nos EUA, tem repercussão internacional. Hoje, por exemplo, corre o mundo a peça que trata das acusações de pagamento de propina que atingem a Rolls Royce, inclusive no Brasil.

Talvez o orgulho, ou quem sabe o deslumbramento de trabalhar junto a esses norte-americanos da pesada, possa explicar o esquecimento, ou a falta de memória, dos nossos procuradores. Até hoje não contaram que praticamente tudo o que consta do relatório do DoJ sobre a atuação da Odebrecht em 11 países – e que provocou uma série de investigações e punições em cadeia no Peru, Panamá, Colômbia e outros – é fruto… dos acordos de delação dos 77 executivos da própria Odebrecht, em fase de homologação pelo STF. E de investigações feitas no Brasil.

Brasileiros e norte-americanos trocaram informações, mas o que foi daqui para lá é muito mais do que o que veio de lá para cá, até porque sabe-se que foram os executivos que atuaram nesses países que revelaram os pagamentos que fizeram em suas obras lá. Tanto que acordos e providências divulgados nos últimos dias em nossos vizinhos latino-americanos já estavam engatilhados.

Antigamente, os EUA compravam a cooperação de agentes públicos brasileiros. Agora, tenho de reconhecer, é grátis.

Há muitos que sonham em serem felizes como entregadores lá nos EUA: de pizza, de comida chinesa, de encomendas variadas.

Mas há também a fina flor dos boys, que acha que pode fazer entregas mais qualificadas.

A dos interesses de seu país.

Honestidade? Tente imaginar promotores norte-americanos vindo aqui ao Brasil mostrar que a as empresas de lá roubam, trazendo documentos que sequer foram homologados pela justiça norte-americana.

Conseguiu imaginar? Eu também não.

Em carta, deputados norte-americanos defendem Lula e criticam Sérgio Moro

23 de janeiro de 2017

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Via Jornal GGN em 19/1/2017

Em carta pública, 12 deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos defendem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusam o juiz federal Sérgio Moro de perseguição através de decisões arbitrárias.

“Lula tem sido alvo de um juiz, Sérgio Moro, cujas ações parciais e arbitrárias tem ameaçado seu direito de defesa. Por exemplo, o juiz ordenou a prisão arbitrária [a condução coercitiva, em março de 2016] do ex-presidente só para servir de intimação, embora não houvesse nenhuma indicação de que o ex-presidente não quisesse depor na Justiça”.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a carta é endereçada a Sérgio Amaral, embaixador brasileiro em Washington, e demonstra preocupação com a “perseguição do ex-presidente Lula da Silva, que viola as normas de tratados internacionais que garantem o direito da defesa para todos os indivíduos”.

“Nos últimos meses, ele [Lula] tem sido alvo de uma campanha de calúnias e acusações não comprovadas de corrupção pelos grandes veículos privados de mídia alinhados com as elites do país”, diz o documento.

A carta também diz que o governo de Michel Temer age para proteger figuras políticas corruptas e “impor uma série de políticas que nunca seriam apoiadas em uma eleição nacional”. Os deputados acusam o governo de pressionar adversários em movimentos sociais e partidos de oposição.

“Exortamos as autoridades federais do Brasil a fazer todo o possível para proteger os direitos dos manifestantes, líderes de movimentos sociais e líderes da oposição, como o ex-presidente Lula”, afirmam.

Além dos congressistas, também assinam a carta think tanks e sindicatos dos Estados Unidos. Em outro ponto, o documento ataca a PEC que congela os gastos públicos por 20 anos. A medida, para os norte-americanos, irá “reverter anos de avanços e econômicos e sociais”.

Trump dará um soco na cara dos neoliberais

23 de janeiro de 2017

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Diogo Costa em 20/1/2017

Veremos a partir de agora o Trump defender e tomar medidas diametralmente opostas às medidas que PSDB, Globo e demais neoliberais defendem para Pindorama, como um dogma bíblico, desde os anos 90.

Trump quer criar e defender os empregos do povo dos EUA. Quer produzir tudo o que é possível lá naquele país e quer retomar os empregos industriais.

Quando Lula fez renascer das cinzas a indústria naval e petrolífera do Brasil os cães neoliberais (estes que deram o golpe) urraram de raiva dizendo que isso era populismo e que o país deveria economizar comprando equipamentos em outros países.

Aliás, os golpistas já estão fazendo a Petrobras comprar sondas e navios feitos lá fora ao invés de fazer os mesmos aqui dentro para preservar os empregos (dizem que comprar lá fora é mais barato…).

O que o Trump está prometendo lá nos EUA é o que Lula prometeu e cumpriu (com sobras) aqui em Pindorama em 2002.

Lembram do mote principal que era o de gerar mais de 10 milhões de empregos?

Pois Lula gerou muito mais que isso em seus 8 anos de governo (não é à toa que saiu com quase 90% de aprovação popular).

Trump vai dar um soco na cara de muitos idiotas aqui no Brasil. Os mesmos idiotas que deram o golpe e que preferem gerar empregos lá fora e deixar o povo na miséria.

***

UM DEBATE INÚTIL – “ESQUERDA GEORGESORISTA”
Diogo Costa em 21/1/2017

Por diversos motivos e razões, das mais variadas, várias personalidades de esquerda desancaram a candidatura de Hillary Clinton no último pleito norte-americano.

Algumas agora lavam as mãos querendo dizer que as críticas contra Hillary não eram bem assim e que Trump é o verdadeiro alvo.

Cunharam até uma expressão tosca: “esquerda trumpista”. Algo absolutamente absurdo, pois, a esquerda brasileira nunca esteve representada na eleição dos EUA e apenas se deu ao trabalho de criticar o neoliberalismo galopante e o belicismo de Hillary Clinton.

Da mesma forma que se pode falar essa coisa tosca de “esquerda trumpista”, expressão irreal e até hilária, se poderia falar em “esquerda georgesorista.”

Ou é alguma novidade para os militantes de esquerda que o sr. George Soros, personificação absoluta da globalização, do neoliberalismo e dos acordos de livre comércio, através do seu Open Society Foundation, é um dos maiores financiadores de ongs e associações diversas pelo mundo afora?

Aqui em Pindorama muitos desses grupos financiados por George Soros foram a ponta de lança do junho de 2013 e ele é um dos pais das “revoluções coloridas” que aconteceram em vários outros países.

A oposição à Trump, financiada por Soros, no Brasil e fora dele, pode ser chamada de “esquerda neoliberal” ou de “esquerda georgesorista”?

De modos que seria importante parar com a criancice de ambos os lados.

Para mim não existe “esquerda trumpista” e nem “esquerda georgesorista”. O que existe são compreensões diferentes a respeito de certos fenômenos dentro de uma conjuntura difícil como a atual.


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