Archive for the ‘Internacional’ Category

Trump desfaz avanços nas relações bilaterais da era Obama, diz embaixador de Cuba no Brasil

2 de outubro de 2018

Rolando Gómez, embaixador de Cuba no Brasil. Foto: Alberto Coutinho.

“Bloqueio não prejudica apenas Cuba, mas também outros países que queiram ter relações comerciais conosco e até empresas norte-americanas que desejam se instalar na Ilha”, diz Rolando Gómez.

Guilherme Coutinho, via Opera Mundi em 2/10/2018

Em 31 de outubro, ocorrerá a 27ª votação na Assembleia Geral da ONU sobre o bloqueio econômico a Cuba, imposto pelos Estados Unidos durante os últimos 56 anos. Há 26, a entidade se posiciona contra a medida. Na última votação, que ocorreu em 2017, além dos EUA, somente Israel votaram a favor do bloqueio. Dos 193 países votantes, 191 se manifestaram pelo fim imediato da medida. Ainda assim, ela continua sendo mantida pelo governo norte-americano a despeito da ampla desaprovação da comunidade internacional.

No último dia 10, o presidente Donald Trump renovou por mais um ano a “Lei de Comércio com o Inimigo”, um documento de 1917, que constitui os princípios da relação imperialista dos EUA em relação à ilha caribenha, demonstrando pouco interesse em mudar a situação. Foi por meio desse ato normativo que o então presidente norte-americano John Kennedy se utilizou para impor o bloqueio econômico, em 1962, quando o mundo polarizado vivia o auge da Guerra Fria. Trump vem sistematicamente endurecendo as sanções a Cuba, desfazendo rapidamente os avanços na relação entre os dois países, ocorridos no governo de Barack Obama.

Entre os retrocessos da gestão Trump, se destaca a proibição a cidadãos e empresas norte-americanas de realizar transações ou negócios com entidades vinculadas ao estamento militar cubano, entre as quais figuram dezenas de hotéis e empresas cubanas. Muitos bancos, de várias nacionalidades, em todo mundo, encerraram as transações com empresas cubanas, no início de 2018, por causa da medida. Uma política de restrição ao turismo norte-americano em Cuba, também assinada por Trump gerou uma queda de 43% no número de visitantes estadunidenses à Ilha, no primeiro trimestre de 2018.

O bloqueio norte-americano causa todos os anos um prejuízo financeiro na casa dos bilhões de dólares e é considerado o maior impedimento para o avanço social cubano, que, mesmo sendo referência mundial em áreas como educação e saúde, sofre com a escassez de utensílios básicos em decorrência da dificuldade de desenvolver sua economia, diante da impossibilidade de manter relações comerciais e financeiras com o país vizinho, que é a maior potência econômica do planeta.

Foi sobre a possível manutenção do bloqueio, do seu endurecimento que vem ocorrendo na atual gestão norte-americana e sobre o atual momento político cubano, que inclui a discussão de um novo texto constitucional, que o embaixador Rolando Antônio Gómez Gonzales nos recebeu na embaixada cubana:

Em breve, a ONU discutirá novamente o fim do bloqueio a Cuba, imposto desde 1962 pelos Estados Unidos. Após 56 anos de política restritiva, como estão atualmente as relações entre os EUA e Cuba, em relação ao bloqueio?
Rolando Gómez:
Primeiramente, o que podemos dizer é que há uma tentativa de se ocultar o endurecimento promovido pelo atual governo norte-americano dessa política genocida contra o povo cubano. Existe um agravamento dos bloqueios em diversas áreas, como ter imposto ainda mais impedimentos, em novembro do ano passado, para que os norte-americanos façam turismo na Ilha de Cuba. O bloqueio provoca enorme prejuízo no desenvolvimento social do povo cubano e praticamente impede um crescimento econômico da área não estatal de Cuba.
Cuba é atualmente o único país no mundo que os Estados Unidos proíbem seus cidadãos de visitar. As exceções são concedidas apenas aos norte-americanos que conseguem uma licença estatal, o que tem sido cada vez mais raro desde que Trump assumiu. Muitos avanços conseguidos na relação bilateral durante o governo de Obama, não apenas em relação ao turismo, mas também nas transações financeiras e comerciais, estão sendo rapidamente desfeitos pelo governo republicano. É isso que estamos denunciando aos países membros da ONU, para que haja uma conscientização internacional da situação calamitosa que vive Cuba diante de ações imperialistas e desumanas.
O bloqueio não prejudica apenas Cuba, mas também outros países que queiram ter relações comerciais conosco e até empresas norte-americanas que desejam se instalar na Ilha, além cidadãos norte-americanos que são impedidos pelo governo de viajar a Cuba.

Recentemente, a imprensa cubana estimou o prejuízo financeiro do bloqueio em aproximadamente US$ 933,6 bilhões, ao longo dos 56 de duração. Foi considerado também o principal freio para o Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do país. Existe um crime continuado contra os direitos humanos do povo cubano?
Sim, as medidas de austeridade são uma flagrante violação dos direitos humanos de todo um povo. É um ato genocida, e assim se define, no âmbito do direito internacional, por ser um Estado asfixiando uma população, intencionalmente, por meio da fome e da escassez de insumos básicos.
Não existe no mundo uma medida restritiva que dure tanto tempo ou que tenha causado tantos prejuízos a um povo. O bloqueio é visto por Cuba como o principal entrave para o desenvolvimento social do país e da Agenda 2030, sobre desenvolvimento sustentável, aprovada pela ONU em 2015.
Ainda sofrendo com essa política brutal e desumana, Cuba ainda consegue manter altos níveis em indicadores de desenvolvimento humano e destaque em áreas importantes como mortalidade infantil, que é uma das menores do mundo, mortalidade materna, além de educação e saúde, que são vistos como referência no mundo todo, inclusive por países com dimensões maiores e com produção de petróleo e outros minerais. Mas sem dúvidas, o bloqueio atenta permanentemente contra os Direitos Humanos.

No ano passado, na votação da ONU, 191 dos 193 países votaram pelo fim do bloqueio. Apenas Estados Unidos e Israel se manifestaram pela manutenção. O que permite aos EUA insistirem nessa política com uma reprovação global tão esmagadora?
Os Estados Unidos estão ficando isolados em relação à comunidade internacional em relação a esse assunto. A despeito de sua importância na geopolítica, nem mesmo aliados fiéis têm endossado a medida genocida.
Infelizmente os norte-americanos parecem não se importar em agir de forma unilateral e imperativa, ignorando por completo os demais países. Esse ano Washington está fazendo campanha junto a aliados para tentar obter uma reprovação menor na votação da resolução, motivação pela qual, Cuba também tem procurado conversar com os países para demonstrar seu descontentamento com essa situação desumana.

Cuba está passando por um importante momento histórico com a discussão comunitária do novo texto constitucional e com um presidente que tomou posse recentemente, Miguel Díaz-Canel. Cuba conta com a redução das austeridades face a esse novo momento?
Cuba deseja, porque nosso povo necessita. O povo cubano é vítima da situação e é claro que quer o seu encerramento. A população não pode ser penalizada por seus ideais de sociedade, de igualdade e de solidariedade. Nossa constituição que está sendo debatida é o texto que nosso povo quer e totalmente compatível com o modelo de vida cubana, baseado, sobretudo na isonomia. Então o que podemos dizer é que o povo cubano deseja e precisa do fim dos bloqueios norte-americanos.

Temer é ignorado pelo mundo em sua despedida na ONU

26 de setembro de 2018

Na segunda-feira [24/9], foi deixado de fora do jantar oferecido por Donald Trump aos líderes mundiais presentes ao evento.

Via Brasil 247 em 25/9/2018

Temer fez um melancólico “discurso de despedida” na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York, na manhã de terça [25/9], ignorado pelo Brasil e o mundo. Na véspera, foi deixado de fora do jantar oferecido por Donald Trump na véspera aos líderes mundiais presentes ao evento. Alçado ao poder pelo golpe de Estado de 2015/16, Temer sairá do Planalto pela porta dos fundos, como o presidente mais impopular da história, com taxa de desaprovação perto dos 80% e menos de 5% de aprovação.

No discurso, Temer mentiu descaradamente aos presentes na Assembleia Geral ao afirmar que o governo dele teria derrotado o “populismo” que nunca existiu nos governos do PT. “Dissemos não ao populismo”, afirmou, para em seguida enfileirar uma sequência de mentiras: “Vencemos a pior recessão de nossa História – recessão com severas consequências para a sociedade, sobretudo para os mais pobres. Recolocamos as contas públicas em trajetória responsável e restauramos as contas públicas em trajetória responsável e restauramos a credibilidade da economia”. O golpe de Estado mergulhou o país numa recessão brutal, que levou a criação de um exército de 14 milhões de desempregados, desorganizou as contas do país e liquidou com a credibilidade no Brasil em escala global, como se sabe.

Na segunda-feira à noite, para completar o vexame, Temer ficou de fora do jantar tradicionalmente oferecido pelo presidente americano aos chefes de governo e Estado que participam da Assembleia Geral da ONU. O Itamaraty não conseguiu sequer apresentar uma explicação plausível para a ausência, informando por meio de nota que “não está previsto jantar com o Trump.”

A recepção é realizada no Lotte New York Palace Hotel, perto do Rockfeller Center, em Nova York. Trump e a primeira-dama, Melania, recebem chefes de Estado e de governo no local. Até o desprestigiado presidente argentino Maurício Macri foi ao jantar. Temer foi barrado.

Após ignorar decisão sobre a candidatura de Lula, governo pede ajuda para se defender na ONU

25 de setembro de 2018

Via Jornal GGN em 24/9/2018

Depois de ignorar a decisão do Comitê de Direitos da ONU que garantia a participação de Lula na eleição, o governo Temer decidiu pedir ajuda para se defender no órgão internacional.

Segundo o Painel de segunda-feira [24/9], a AGU, Advocacia-Geral da União, pediu informações sobre a situação jurídica de Lula à Justiça Federal do Paraná. “Os dados serão usados para municiar a defesa do Estado brasileiro na ação movida pelo ex-presidente no Comitê de Direitos Humanos da ONU.”

Mas, em resposta à AGU, o juiz da 12ª Vara Federal de Curitiba Danilo Pereira Júnior afirmou que o processo é de domínio público e que os advogados da União “podem ser extraídas por ela mesma dos presentes autos”.

A AGU explicou no pedido que “o Brasil precisa demonstrar à ONU que tem dado ‘tratamento adequado e conforme aos direitos e garantias constitucionais e legais’ a Lula”. O prazo para enviar a defesa ao Comitê expira no final de outubro. O apelo é para que a Justiça Federal envie colaboração até o dia 2.

No Comitê da ONU, Lula alegou que foi alvo de perseguição e que não encontra justiça imparcial no Brasil em relação ao caso triplex.

Foi no âmbito deste processo que o Comitê concedeu uma liminar ordenando que o Brasil garante Lula na eleição e a preservação de seus direitos políticos enquanto o caso triplex não transitar em julgado. O governo Temer decidiu rebaixar a liminar e o Tribunal Superior Eleitoral, por 6 votos a 1, também esvaziou o poder do Comitê nesta questão, ao negar o registro de candidatura ao petista.

Recordando: Gestão Haddad ganha prêmio de US$5 milhões em disputa com 289 cidades

21 de setembro de 2018

Via Estadão Conteúdo em 2/12/2016

A gestão do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) recebeu na quarta-feira [30/11], um prêmio de US$5 milhões para implementar um projeto de agricultura local que será desenvolvido em Parelheiros, região periférica da zona sul da capital.

A cidade concorreu com outras 289 cidades, entre elas as finalistas Santiago, Bogotá, Medellín e Guadalajara – cada uma ganhou R$1 milhão. O Prêmio Mayors Challenge 2016 reconhece iniciativas municipais que promovem o desenvolvimento urbano sustentável.

A verba será utilizada para investir no projeto “Ligue os pontos”. A plataforma digital deve envolver produtores, distribuidores e consumidores envolvidos na cadeia de agricultura familiar de Parelheiros, distrito com 40 mil pessoas.

A proposta da ação será facilitar e ampliar a distribuição dos alimentos produzido pela agricultura rural até a mesa das crianças nas escolas.

“O projeto apresentado por São Paulo busca multiplicar por três vezes a renda de famílias em situação de grande vulnerabilidade social, inserindo-os na cadeia produtiva agrícola de uma metrópole com 22 milhões de habitantes. Este projeto é uma simples plataforma de encontro entre produtores e consumidores e oferece ao poder público municipal uma preciosa ferramenta de articulação de ações setoriais para formular políticas públicas integradas”, disse o prefeito.

O prêmio é promovido pela Bloomberg Philanthropies, do magnata e ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Entre as finalistas, a capital colombiana Bogotá apresentou um projeto de educação no transporte escolar. Santiago inscreveu a atividade física nas escolas como forma de combater obesidade de estudantes e professores.

Guadalajara, cidade mexicana, mostrou um banco de dados para processos de licitação pública. Já Medellín, município colombiano, apresentou um banco que permitiria pequenas operações de crédito sem burocracia e que elimina a presença do agiota, figura normalmente associada ao tráfico de drogas.

“Uma ameaça para a América Latina”: Os principais pontos do duro editorial da Economist contra Bolsonaro

21 de setembro de 2018

Via Esquerda Caviar.

Sem uma base no Congresso, Bolsonaro tende a “degradar ainda mais a política”, segundo a revista que é referência em liberalismo econômico.

Graciliano Rocha, via BuzzFeed em 20/9/2018

O mais recente número da revista Economist, publicado na quinta-feira [20/9], dedica sua capa e o editorial ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), que é retratado como “a mais recente ameaça da América Latina.”

Bússola do pensamento econômico liberal, a publicação britânica afirma que o candidato Bolsonaro soube explorar “de forma brilhante” o mal-estar reinante no país, assolado por uma recessão que fez a renda per capita encolher 10% entre 2014 e 2016 e com uma taxa de desemprego da ordem de 12%.

Ao apresentar o candidato a seus leitores, a Economist lembra que, até os escândalos da Lava Jato, Bolsonaro era somente um deputado com um histórico de ofensas – a revista menciona as frases do deputado de que não estupraria uma deputada porque ela não merece e que preferia ter um filho morto a um filho gay.

“De repente, essa disposição de quebrar tabus está sendo tomada como prova de que ele é diferente do establishment político de Brasília”, afirma a publicação.

A Economist também ressaltou a conversão tardia de Bolsonaro ao credo do liberalismo econômico: “Para os brasileiros desesperados para se livrarem de políticos corruptos e traficantes de drogas assassinos, o sr. Bolsonaro se apresenta como um xerife sensato. Cristão evangélico, ele mistura o conservadorismo social com o liberalismo econômico, ao qual ele se converteu recentemente”.

E menciona Paulo Guedes, cotado para ser ministro da Fazenda, que passou pela Universidade de Chicago, um bastião de ideias de livre mercado. Guedes defende a privatização de todas as empresas estatais brasileiras e a simplificação “brutal” dos impostos.

As pesquisas mostram que a fórmula está funcionando. Na interpretação da publicação, a facada que o candidato levou em Juiz de Fora (MG) não apenas o tornou mais popular, como “protegeu-o de um exame mais minucioso pela mídia e seus oponentes.” E conclui que, se o 2º turno for travado entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), o antipetismo poderia fazer do capitão reformado o próximo presidente.

A principal crítica do editorial, contudo, é ao que a publicação chama de “admiração preocupante de Bolsonaro pela ditadura.”

“A América Latina já experimentou antes misturando políticas autoritárias e economia liberal. Augusto Pinochet, um governante brutal do Chile entre 1973 e 1990, foi aconselhado pelo livre mercado “Chicago Boys”. Eles ajudaram a estabelecer o terreno para a prosperidade relativa de hoje no Chile, mas a um custo humano e social terrível. Os brasileiros têm um fatalismo sobre a corrupção, resumido na frase “rouba, mas faz” (“rouba, mas age”). Eles não deveriam se deixar se levar pelo sr. Bolsonaro […]. A América Latina conhece todos os tipos de homens fortes, a maioria deles terríveis. Para provas recentes, olhe apenas para os desastres na Venezuela e na Nicarágua.”

No final, a revista conclui que Bolsonaro “pode não ser capaz de converter seu populismo em ditadura ao estilo de Pinochet, mesmo que quisesse.” Mas afirma que o “flerte com autoritarismo” preocupa.

Sem uma base no Congresso para formar uma coalizão necessária para governar o país, Bolsonaro tende, segundo a Economist, a “degradar ainda mais a política.”

“Em vez de cair nas promessas vãs de um político perigoso, na esperança de que ele possa resolver todos os seus problemas, os brasileiros devem perceber que a tarefa de curar sua democracia e reformar sua economia não será fácil nem rápida. Algum progresso foi feito – como a proibição de doações corporativas a partidos e o congelamento de gastos federais. Muito mais reformas são necessárias. Bolsonaro não é o homem que vai entregar.”

Graciliano Rocha é editor de notícias do BuzzFeed e trabalha em São Paulo.

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“BOLSONARO É AMEAÇA PARA O BRASIL E AMÉRICA LATINA”, AFIRMA THE ECONOMIST
Revista britânica lembra que candidato dedicou seu voto no impeachment para destituir Dilma Rousseff ao torturador do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra e diz que eleição é chance de país recomeçar.
Via RBA em 20/9/2018

Matéria de capa da revista britânica The Economist, considerada legítima representante do liberalismo econômico, afirma que uma eventual eleição de Jair Bolsonaro no Brasil “poderia colocar em risco a própria sobrevivência da democracia no maior país da América Latina”. Mais do que isso, a publicação, lançada na quinta-feira [20/9], afirma que o candidato “é uma ameaça para o Brasil e para a América Latina”.

A publicação semanal, lida no mundo todo por um público considerado de “alto nível”, começa citando o ditado popular “Deus é brasileiro”, título também de um filme de Cacá Diegues, para dizer na sequência que “hoje em dia os brasileiros devem se perguntar se, como a divindade do filme, Deus saiu de férias”. “A economia é um desastre, as finanças públicas estão sob pressão e a política está completamente podre. O crime de rua está aumentando. Sete cidades brasileiras estão entre as 20 mais violentas do mundo.”

No artigo, intitulado “Jair Bolsonaro, a mais recente ameaça da América Latina”, a The Economist pondera que as eleições nacionais de outubro “dão ao Brasil a chance de começar de novo”. Porém, destaca também a “autoflagelação e corrupção da elite” que tomam conta do país.

A publicação se refere ao candidato do PSL como um político que tem longa história de ser “grosseiramente agressivo, e ilustra a afirmação lembrando situações como o deputado ter dito “que não iria violentar uma congressista (a deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho) porque ela era ‘feia’”.

Outros exemplos citados são as declarações do candidato de extrema-direita (que o semanário prefere caracterizar como de direita) de que preferiria um filho morto a um que fosse gay e ter sugerido que quilombolas “são gordos e preguiçosos”. Para a população, ele aparece como alguém disposto a quebrar tabus e diferente dos políticos de Brasília, diz a revista.

“Se enfrentar Fernando Haddad, o candidato do Partido dos Trabalhadores de Lula, de esquerda, no 2º turno, no final de outubro, muitos eleitores de classe média e alta, que culpam Lula e o PT acima de tudo pelos problemas do Brasil, poderiam cair em seus braços”, afirma a publicação, em mais uma insinuação, comum em veículos da mídia tradicional neste período pré-eleitoral, que pode favorecer o candidato do PDT, Ciro Gomes

A The Economist lembra que Bolsonaro “dedicou seu voto para destituir Dilma Rousseff ao comandante(coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra) de uma unidade responsável por 500 casos de tortura e 40 assassinatos sob o regime militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985”.

A revista também faz um trocadilho sobre a célebre sentença brasileira sobre corrupção (“rouba, mas faz”), para dizer que, no caso do candidato que lidera as pesquisas eleitorais, a frase poderia ser “eles torturaram, mas agiram”.

“Bolsonaro pode não ser capaz de converter seu populismo em ditadura ao estilo de Pinochet, mesmo que quisesse. Mas a democracia do Brasil ainda é jovem. Até mesmo um flerte com o autoritarismo é preocupante. Todos os presidentes brasileiros precisam de uma coalizão no Congresso. O senhor Bolsonaro tem poucos amigos políticos. Para governar, ele poderia ser levado a degradar ainda mais a política, potencialmente pavimentando o caminho para algo ainda pior”, finaliza a revista britânica.


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