Archive for the ‘Internacional’ Category

Campanha imitada por Bolsonaro é apenas um dos erros cometidos pela Itália

28 de março de 2020

Giuseppe “Beppe” Sala, prefeito de Milão e genocida.

Via UOL em 28/3/2020

Exatamente um mês atrás, no dia 27 de fevereiro, o prefeito de Milão, Beppe Sala, compartilhou nas redes sociais um vídeo para convidar a população a levar uma vida normal, embora a epidemia do novo coronavírus já estivesse se alastrando pelo norte da Itália.

A campanha é parecida com a que foi lançada pelo governo Jair Bolsonaro ontem [27/3] com o título “O Brasil não pode parar”. Esse foi apenas um dos erros cometidos por autoridades italianas no combate à doença.

A campanha italiana, criada por empresários do setor da gastronomia e replicada por alguns políticos, pedia a reabertura de escolas, museus e teatros. “A cultura é vida”, defendia Sala.

Essa semana, o prefeito de Milão, do Partido Democrático (centro-esquerda) se desculpou publicamente e se justificou: “Naquele momento ninguém entendeu a veemência do vírus”.

O que aconteceu após a campanha midiática rodou o mundo. Em 3 de março, o primeiro-ministro Giuseppe Conte decretou a quarentena em nível nacional para conter a difusão descontrolada do vírus.

Mesmo assim, a Itália se tornou o país com o maior número de vítimas pela covid-19: mais e de 9.000 mortes e mais de 80 mil pessoas infectadas, segundo balanço de ontem.

Políticos subestimaram a crise
O prefeito de Milão não foi o único político a defender que a Itália não parasse perante a difusão do vírus. Giorgio Gori, prefeito de Bergamo, a cidade mais afetada pelo coronavírus no país, organizou um jantar com todos seus secretários municipais em um restaurante chinês para combater o racismo contra o povo da China, apontado por muitos como o culpado pela difusão do vírus.

O líder do Partido Democrático (centro-esquerda), Nicola Zingaretti, também se juntou ao coro no dia 27 de fevereiro. Ele chegou a promover um happy hour em Milão com seus correligionários.

“Precisamos isolar os focos [de infecção], mas não devemos destruir a vida ou difundir o pânico. A coisa mais importante é reacender a economia do país com medidas extraordinárias”, afirmou na ocasião.

Poucos dias depois, em 7 de março, Zingaretti testou positivo ao coronavírus e foi posto em isolamento.

Os políticos da direita não agiram de forma diferente. Há um mês, Matteo Salvini, líder da Liga, também pedia enfaticamente de reabrir todas as atividades comerciais.

Na quinta-feira [26/3], ele admitiu publicamente o erro. Em 1° de março, seu colega de partido e governador da região do Vêneto, Luca Zaia, solicitou ao governo central que reabrisse “escolas, teatros e igrejas com distanciamento entre as pessoas”. Dois dias depois, a Itália decretou a quarentena total.

Despreparo dos hospitais
Apesar de ter um sistema de saúde público e gratuito considerado avançado, a Itália demonstrou não estar preparada para enfrentar uma pandemia.

Protocolos de segurança e atendimento e as estruturas hospitalares se revelaram insuficientes para enfrentar uma epidemia desse porte.

Logo nos primeiros dias da crise ficou evidente a escassez de leitos de UTI e a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), o que colocou em perigo a saúde e a vida de médicos e enfermeiros.

O resultado foi que muitos profissionais da saúde contraíram o vírus durante os atendimentos aos pacientes de covid-19, espalhando ainda mais o contágio para colegas de outros departamentos e familiares.

Os kits para exames também se revelaram insuficientes para testar médicos e enfermeiros. Apenas os com sintomas graves foram submetidos às análises, como no Brasil.

O resultado foi que muitos profissionais contaminados continuaram trabalhando e os próprios hospitais se tornaram vetores da infecção, agravando ainda mais a situação. Desde o começo da crise, morreram 44 entre médicos e enfermeiros.

A porcentagem de profissionais da saúde infectados nos hospitais da região Lombardia, a mais afetada, é de 13%. No resto da Itália é de 9%.

Isso causa o afastamento do trabalhando, complicando ainda mais o atendimento.

Hospitais de campanha foram abertos, mas a dificuldade maior foi encontrar médicos e material sanitário. Ao ponto que vários países tiveram que socorrer o sistema de saúde italiano.

Foram importados médicos da China, Cuba e Rússia. A Alemanha acolheu alguns pacientes italianos, enquanto Estados Unidos e Brasil também contribuíram com o envio de máscaras e ventiladores.

Os problemas italianos podem se repetir no Brasil, segundo Flaviano Feu Ventorim, presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa).

“Em tese eu deveria fazer o teste ao profissional todo dia de manhã e de tarde”, explica ao UOL, o que tornaria inviável realizar exames para centenas de milhares de médicos e enfermeiros do país.

Flaviano aponta também para o risco de haver no Brasil escassez de material como aconteceu na Itália, na China e está ocorrendo nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que houver excesso de pacientes nos hospitais.

“Continuamos comprando material, estamos repondo estoque. O receio dos hospitais nesse momento é a dificuldade de encontrar material”, alerta o especialista.

Gestão falha
Quando surgiram os primeiros focos de infecção nos pequenos municípios de Codogno, na Lombardia, e Vó Euganeo, no Veneto, o governo isolou os dois territórios e estabeleceu a quarentena para essas populações.

Em poucas semanas, o contágio se interrompeu nessas áreas. Enquanto isso, porém, a infecção galopava sorrateiramente para outras cidades e regiões e por falhas no rastreamento da epidemia, as medidas foram tomadas tardiamente. Até hoje a Itália não conseguiu rastrear o alastramento.

A partida da Champions League entre Atalanta e Valencia, disputada em Milão no dia 19 de fevereiro na frente de 45 mil torcedores, enquanto já havia centenas de casos no país, foi considerada a “bomba biológica” que acelerou o contágio.

A suspeita é que os torcedores aglomerados no estádio tenham em seguida levado o vírus para a população da província de Bergamo, que hoje é a mais afetada. E também para Espanha, outro país duramente atingido pelo coronavírus.

Os primeiros casos de coronavírus foram registrados na Itália em 31 de janeiro, mas durante cerca de um mês, as autoridades italianas de todos as esferas agiram morosamente, minimizando o problema e tentando convencer a população a se comportar normalmente para não comprometer a economia.

Quando a situação começou a fugir do controle, medidas drásticas foram tomadas: quarentena em todo o país, saídas de casa só por motivos essenciais e mediante autorização, e um pacote econômico para tentar enfrentar a crise social.

Mesmo 24 dias após o fechamento do país, o pico de contágios continua elevado com cerca de 600 a 700 novas vítimas e milhares de novos doentes todos os dias.

REDES SOCIAIS

Economista do FMI que se opôs a quarentena morre aos 26 anos com coronavírus

28 de março de 2020

Rehman Shukr, economista paquistanês.

Via MSN em 27/3/2020

Morreu na terça-feira [24/3], aos 26 anos, o economista paquistanês Rehman Shukr por decorrência do novo coronavírus. Especialista em sistemas financeiros do Fundo Monetário Internacional (FMI), Shukr se opôs à quarentena e questionou sua utilidade na internet.

No sábado [20/3], em sua última postagem no Facebook, Shukr citou um artigo do jornal The New York Times: “Nossa luta contra o coronavírus é pior que a doença?”.

“Artigo muito importante. Difícil decidir se o aspecto humano da doença é mais importante do que as suas implicações na economia e noutras áreas importantes. Muito fácil deixar a emoção guiar a política e já vimos várias vezes por que isso é uma má ideia”, escreveu na postagem. Ele morreu três dias após compartilhar o texto.

Prefeito de Milão admite erro após 5 mil mortes: “Ninguém entendeu a gravidade do coronavírus”.

28 de março de 2020

Prefeito Giuseppe Sala, o genocida italiano, foi copiado por Bolsonaro.

Prefeito da cidade italiana, localizada na província da Lombardia, fez campanha para que Milão não parasse; “talvez eu tenha errado”, disse.

Via Estadão em 27/3/2020

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, admitiu que errou na política adotada para combater o avanço do coronavírus na cidade italiana ao divulgar um vídeo no fim de fevereiro dizendo que Milão não deveria parar.

“No dia 27 de fevereiro circulava nas redes o vídeo #MilãoNãoPara. Talvez eu tenha errado ao relançá-lo, mas naquele momento ninguém tinha compreendido a gravidade desse vírus”, afirmou em entrevista à rede de televisão RAI. “Aceito as críticas, mas não tolero que usem isso para interesses políticos”.

Ao fim de fevereiro, a Itália tinha 650 casos de coronavírus. Agora, são 62 mil pessoas contaminadas e mais de 8 mil mortes. De acordo com a Defesa Civil local, há 32.346 infectados na região da Lombardia, a mais afetada, com 4.474 mortes.

Após desprezar quarentena, a cidade de Bergamo, também na Lombardia, se tornou o epicentro de mortes na Itália. A cidade ignorou confinamento enquanto a confederação das indústrias local avisava clientes estrangeiros que tudo seguia normalmente.

O governo italiano limitou a mobilidade das pessoas em todo o território nacional apenas para casos de trabalho, saúde ou necessidade, fechou atividades produtivas e negócios não essenciais, além de faculdades e universidades, locais de entretenimento, parques e eventos esportivos para tentar controlar a propagação do vírus.

Em reunião do G20, Alberto Fernández propõe criação de fundo humanitário de emergência

27 de março de 2020

O presidente argentino Alberto Fernández. Foto: Página/12.

Presidente argentino disse que o fundo precisa ser criado imediatamente, e enfatizou a necessidade de maior trabalho em conjunto entre os países.

Via Revista Fórum em 26/3/2020

A reunião entre os líderes do G20 e os secretários-gerais da ONU (Organização das Nações Unidas) e da OMS (Organização Mundial da Saúde), na quinta-feira [26/3], teve como um dos principais destaques a intervenção do presidente da Argentina, Alberto Fernández, propôs líderes das 20 economias mais desenvolvidas do mundo, o G-20, a criação imediata de um fundo humanitário de emergência, para combater a pandemia do covid-19.

Fernández enfatizou que nenhum país é capaz de enfrentar a pandemia sozinho, nem mesmo os mais desenvolvidos. “Temos que agir juntos, agora, porque já vimos que ninguém pode se salvar disso sozinho”, afirmou.

O convite do presidente argentino foi para que as nações assinassem um “grande pacto global de solidariedade”. Ele destacou que o mundo já não será o mesmo após essa tragédia, e que também as relações internacionais deverão ser afetadas daqui por diante.

“Enfrentamos o dilema de preservar a economia ou a saúde de nosso povo, e não hesitamos em priorizar a vida”, comentou Fernández, ao falar sobre as políticas argentinas para combater a pandemia, que deixaram de lado os interesses econômicos para se centrar no reforço das medidas de saúde e em políticas de ampla proteção social.

“Não podemos permanecer passivos diante de sanções que envolvem bloqueios econômicos que apenas sufocam os povos no meio dessa crise humanitária”, conclui o mandatário argentino.

Caso Cambridge Analytica: As reuniões secretas do Reino Unido com os Bolsonaros

27 de março de 2020

Na primeira parte desta série sobre o envolvimento britânico nos assuntos internos brasileiros, foi revelado que o Ministério das Relações Exteriores e da Commonwealth do Reino Unido (FCO) excluiu seu registro de correspondência e reuniões, sobre as eleições brasileiras com as empresas de comunicações estratégicas SCL e Cambridge Analytica. Neste segundo artigo, mais solicitações de liberdade de informação mostraram reuniões anteriormente não reveladas entre representantes do governo do Reino Unido, Jair Bolsonaro, sua família e aliados, meses antes da controversa vitória do candidato de extrema-direita nas eleições de 2018. Parte três irá vir a seguir.

John McEvoy, Daniel Hunt e Nathália Urban, via Brasil Wire em 25/3/2020

Várias solicitações de liberdade de informação revelaram detalhes básicos de reuniões e correspondências anteriormente nunca divulgadas antes entre autoridades britânicas e Jair Bolsonaro, durante e após a campanha eleitoral brasileira em 2018, incluindo quando o atual primeiro-ministro britânico Boris Johnson era secretário de Relações Exteriores. As reuniões, sugerem uma tendência contínua do apoio britânico a movimentos e governos de extrema-direita na América Latina.

Os autores têm informações em primeira mão de que os funcionários do Foreign and Commonwealth Office (FCO) já tiveram algum nível de contato com Bolsonaro em 2014, e não há dúvida de que, em abril de 2018, o governo do Reino Unido sabia sim de suas opiniões extremas e declarações públicas horríveis.

Em 1993, Bolsonaro afirmou que era “a favor de uma ditadura” no Brasil; em 1999, ele disse que também era “a favor da tortura” e que 30 mil pessoas precisavam ser mortas para o Brasil funcionar; em 2002, ele disse a um repórter “se eu ver dois homens se beijando na rua, eu vou bater neles”; em 2010, ele disse que seria “incapaz de amar um filho homossexual”; em 2012, ele elogiou Adolf Hitler como “um grande estrategista”; em 2017, ele alegou que “daria carta branca para a polícia [brasileira] matar” e afirmou que “onde há terras indígenas, há riquezas por baixo” e em 2018, ele prometeu que “ iria varrer do mapa os bandidos vermelhos”.

Em virtude dessa reputação, um dos autores desse artigo aconselhou pessoalmente o ex-embaixador britânico no Brasil, Alex Ellis, contra o encontro com Jair Bolsonaro em 2014.

Hoje, Bolsonaro é extremamente impopular, enfrenta protestos em seu país e indignou o mundo novamente por conta de sua reação a pandemia do coronavírus, enquanto seu comportamento se mostra cada vez mais errático, ele claramente representa uma ameaça à segurança da população brasileira.

Uma solicitação de liberdade de informação apresentada em julho de 2019, revelou reuniões entre autoridades britânicas e os membros da campanha presidencial de Bolsonaro nos meses que antecederam a eleição presidencial de 2018.

Em 10 de abril de 2018, seis meses antes da eleição, o embaixador do Reino Unido Vijay Rangarajan se reuniu com Jair Bolsonaro, seu filho e congressista Eduardo Bolsonaro e um conselheiro sem nome. Da parte do Reino Unido, pelo menos um nome foi totalmente omitido. Embora tenham sido solicitadas atas completas da reunião sob a Lei da Liberdade de Informação, o FCO não forneceu nada além de um esboço incompleto das reuniões.

No entanto, de maneira reveladora, em 9 de abril de 2018, a então secretária-chefe do Tesouro, Liz Truss, viajou para o Brasil em uma visita oficial para discutir “livre comércio, mercados livres e oportunidades de negócios pós-Brexit”. Em 10 de abril, dia da reunião com a campanha de Bolsonaro, a diplomata britânica Chetna Patel twittou que estava “encantada” por receber Truss no Brasil, marcando o embaixador Rangarajan no tweet. Ao que parece, Truss e Rangarajan, estavam juntos em São Paulo no dia da reunião do embaixador com o comitê de campanha do Bolsonaro. Até o momento da publicação, o escritório da Truss não respondeu ao direito de resposta oferecido sobre a reunião.

“Ao deixarmos a União Europeia e estabeleceremos uma política comercial independente”, disse Truss antes de sua visita ao Brasil, “seremos capazes de negociar novos acordos comerciais com grandes parceiros comerciais, como Brasil e Chile”. Truss, ex-funcionária da Shell, também visitou o Centro de Pesquisa Shell para Inovação em Gás em São Paulo, “onde o Reino Unido colaborou …com vários projetos”.

A provável presença de Truss em uma reunião com a campanha de Bolsonaro em abril de 2018 ganhou importância em virtude da consistente falta de transparência do governo do Reino Unido em torno de sua visita. Oito meses após a apresentação de uma solicitação de liberdade de informação em agosto de 2019, o Gabinete Britânico não parece estar mais proximo de revelar qualquer informação sobre as atividades da Truss em 2018, no Brasil.

Desregulamentação ambiental
Com base em seus esforços anteriores, Truss parece ser uma das diplomatas favorecidas pelo governo ao negociar acordos comerciais que minam a democracia e a ação climática global. De fato, Truss agora trabalha no mesmo Departamento de Comércio Internacional, que foi pego secretamente fazendo lobby no “governo brasileiro em nome da BP e da Shell” em 2017 em relação à desregulamentação ambiental.

De acordo com um anúncio de vaga de emprego do Departamento de Comércio Internacional publicado em 2018 pelo FCO, os principais objetivos do departamento no Brasil eram “promover negócios do Reino Unido no Brasil”, “impulsionar o sucesso comercial do Reino Unido” e, principalmente, “liderar esforços no Brasil para melhorar o acesso ao mercado, removendo barreiras de comércio “. As “qualificações desejáveis” do candidato em potencial incluíam “acesso ao mercado / lobby político” e “política comercial”.

Nos últimos anos, Truss recebeu doações de mais de £ 8.000 do American Enterprise Institute (AEI), o instituto foi descrito pelo Greenpeace como “um ferrenho opositor ao protocolo de Kyoto, assim como à maioria das outras regulamentações ambientais”, e no seu conselho de administração e curadores incluía o CEO da ExxonMobil, Lee Raymond.

A doação, de longe a maior dos últimos anos, foi para Truss falar no Fórum Mundial anual da AEI em 2019, “uma reunião altamente secreta organizada pela think tank neoconservador mais influente de Washington”. Nos últimos anos, a AEI apoiou o impeachment ilegítimo de Dilma Rousseff, promoveu a ascensão de Bolsonaro e liderou a força de trabalho da Lava Jato, agora amplamente desacreditada.

Enquanto estava no Brasil, Truss também se reuniu com representantes do Instituto Millenium, a think tank de direita que nega a existência de uma emergência ambiental, e foi cofundada pelo ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes.

Mais tarde, Truss nomeou as conselheiras Nerissa Chesterfield, do Instituto de Assuntos Econômicos Think Tank (IEA), e Sophie Jarvis, do Instituto Adam Smith, vinculado ao Instituto Millenium. Ambas as organizações fazem parte da Atlas Network, uma organização internacional libertária financiada pela família Koch que fez campanha pela expulsão de Dilma Rousseff e pelo golpe de 2016. O governo do Reino Unido identifica Adam Smith como uma ferramenta fundamental de influência do país no exterior, um meio de promover economia de mercado livre e pequeno governo nos países em desenvolvimento e permite “a projeção de um poder suave (soft power) e a capacidade do Reino Unido de diretamente influenciar políticas nesses países”.

Durante a eleição, a equipe de Bolsonaro e seus filhos usavam camisetas estampadas com a cara de Margaret Thatcher, que é elogiada pelas tais think tanks libertárias como um exemplo para o mundo.

A solução preferida de Truss para a quebra do clima no Brasil parece semelhante à do governo Bolsonaro. Em outubro de 2019, Truss foi questionada pela parlamentar do Partido Nacional Escocês, Martyn Day, sobre o “desmatamento ilegal [que] ocorre na floresta amazônica [brasileira] – algo que o Acordo de Paris se propõe explicitamente a combater e reduzir”.

Truss respondeu: “Acredito que o livre comércio e o livre negócio nos ajudam a alcançar nossos objetivos ambientais por meio de melhor tecnologia, mais inovação e mais engenhosidade”.

Se Truss participou de reuniões com a campanha Bolsonaro em abril de 2018 em uma viagem para promover o comércio no Reino Unido, por que o governo do Reino Unido se recusou a revelar mais detalhes, quanto mais reconhecer sua presença lá?

A atarefada embaixada de Rangarajan
Outras reuniões do Reino Unido e correspondência com o comitê de campanha de Bolsonaro também foram reveladas.

Em 29 de junho de 2018, Rangarajan enviou uma carta a Jair Bolsonaro sobre “Parceiros Estratégicos”. Detalhes retidos.

Em 24 de agosto de 2018, Rangarajan recebeu informações do futuro ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, na presença do cônsul geral Simon Wood. Detalhes retidos.

Em 20 de setembro de 2018, Rangarajan enviou a Paulo Guedes uma carta sobre a reunião deles em agosto. Detalhes retidos.

Em 15 de outubro de 2018, Rangarajan e Paulo Guedes tiveram uma conversa por telefone. Detalhes retidos.

Jair Bolsonaro seria eleito em 28 de outubro de 2018 em um segundo turno contra o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, de esquerda do Partido dos Trabalhadores (PT), o candidato escolhido para ser substituto do ex-presidente Lula da Silva.

Pós-eleição
Os laços do governo britânico com o governo Bolsonaro foram mantido desde sua eleição.

Em 14 de novembro de 2018, Rangarajan se reuniu novamente com o presidente eleito Jair Bolsonaro, o vice-presidente eleito Hamilton Mourão, o general Augusto Heleno (chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ou GSI), dois dos filhos não especificados de Bolsonaro e outros indivíduos não identificados. Detalhes retidos.

Em 19 de agosto de 2019, quando a Amazônia brasileira queimou, o ministro do Comércio do Reino Unido, Conor Burns, esteve no Rio de Janeiro para conhecer o governador do estado, Wilson Witzel. Sob o governo de Witzel, o Rio sofre uma campanha de terror policial; as mortes cometidas pela polícia em 2018 totalizaram 8,9 por 100.000 habitantes – superior à taxa total de homicídios de praticamente qualquer estado dos EUA naquele ano. Witzel foi eleito em outubro daquele ano e, durante 2019, os assassinatos policiais no Rio ainda atingiram um novo recorde – um total de 1.810 pessoas foram mortas, ou seja cinco vítimas por dia.

Documentos obtidos sob a Lei de Liberdade de Informação (FOI) podem revelar que Burns elogiou a “ambição de Witzel por reduzir a violência” no Rio e prometeu que o “Reino Unido estava pronto para trabalhar junto em uma série de tópicos, incluindo segurança [ênfase adicionada]”. A cooperação de segurança entre o Reino Unido e o Brasil, revelaram mais tarde os documentos, que incluíam câmeras biométricas de reconhecimento facial.

Bolsonaro, entretanto, provou ser um presidente lucrativo para os interesses do Reino Unido. Em 2018, a Shell e a BP – com quem o embaixador do Reino Unido no Brasil se reuniu mais de vinte vezes desde 2017 – já haviam acumulado 13,5 bilhões de barris de petróleo no Brasil, mais do que a própria empresa estatal do país, a Petrobras, e por apenas uma fração do custo.

As empresas britânicas também investiram pesadamente em biocombustíveis. A BP possui a maior usina de biocombustível do Brasil, e a Shell possui muitos investimentos, como a joint venture Raízen de biocombustíveis. Apesar de retratada como ecológica, a produção de biocombustíveis é de fato responsável pelo desmatamento e poluição e seu uso pesado de recursos contribuiu para a crise hídrica de São Paulo em 2014, que causou escassez em massa para a população em geral.

Em 20 de março de 2020, o site Mongabay informou que a gigante mineradora britânica Anglo American fez mais de 300 pedidos de permissão para explorar 18 territórios indígenas na Amazônia, alguns dos quais abrigam povos isolados. Esta é a tentativa mais recente de uma disputa transnacional para explorar a região desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder, e o presidente acabou de enviar um projeto de lei ao Congresso que autorizará a exploração de terras indígenas, algo que já era alardeado muito antes de sua eleição. Por esse motivo, Bolsonaro está sendo acusado de genocídio.

Essas novas e alarmantes divulgações sobre as relações entre o Reino Unido e o Brasil devem ser consideradas no contexto mais amplo da política externa do Reino Unido na América Latina. Emily Bell, professora sênior de estudos britânicos na Université de Savoie, observa que o poder suave internacional (soft power) do Reino Unido agora é exercido “cada vez mais através de grandes empresas que promovem interesses econômicos e políticos britânicos através do imperialismo corporativo”.

O conteúdo das discussões entre autoridades do Reino Unido e a campanha de Bolsonaro nos meses que antecedem outubro de 2018 merece ser examinado minuciosamente.

Não apenas a colaboração do governo do Reino Unido com a ascensão da extrema-direita brasileira lança uma sombra inequívoca à pretensão de apoiar os “direitos humanos” no exterior – é uma questão para os brasileiros preocupados com a manutenção e soberania de seus próprios recursos naturais.

Leia também: O que o governo do Reino Unido esconde sobre seu envolvimento em assuntos internos do Brasil

Pastor que considerava a pandemia uma “histeria coletiva” morre nos EUA de coronavírus

27 de março de 2020

O pastor e músico estadunidense Landon Spradlin. Foto: RawStory.com.

Landon Spradlin – que também era músico e apoiador de Donald Trump – dizia que a mídia usava a pandemia para atacar o presidente estadunidense.

Via Revista Fórum em 26/3/2020

Uma das primeiras mortes de coronavírus no Estado da Virgínia foi a do pastor e músico evangélico Landon Spradlin, que teve uma piora em seu estado enquanto viajava para a cidade de New Orleans com sua esposa. Como observa Bo Gardiner, do ateu amigável, Landon Spradlin.

No dia 13 de março, Sprandlin gravou um vídeo dizendo que a pandemia era resultado da “histeria coletiva” da mídia. Também compartilhou um meme enganoso que comparou as mortes de coronavírus com as da gripe suína, e sugeriu que a mídia estaria usando a pandemia para atacar o presidente estadunidense Donald Trump, que ele apoiava.

Dias depois, mudou levemente de ideia, e afirmou que o surto era uma “questão real”, mas acrescentou que “a mídia está alimentando o medo e fazendo mais mal do que bem”.

Nesse mesmo dia, compartilhou um post de outro pastor que contava a história de como um missionário na África do Sul “se protegeu da peste bubônica com o espírito de Deus”.

“Enquanto eu andar sob a luz dessa lei, do espírito da vida, nenhum germe se ligará a mim”, dizia uma citação do post.

REDES SOCIAIS


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