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A Embraer continua nossa: E agora?

8 de agosto de 2020

Venda para Boeing fracassou, felizmente. Mas empresa perdeu dois anos cruciais. Por que o caminho para recuperá-la, com a crise aérea global, é a reestatização. Como a aviação regional, sua especialidade, será promissora no pós-pandemia.

Via Dieese em 7/8/2020

Esse trabalho é uma atualização da Nota Técnica nº 198 “Embraer e Boeing: uma fusão de negócios ou venda para a gigante norte-americana”, de 2018. Naquele texto analisamos as condições em que teria se dado a negociação entre as companhias de acordo com as informações disponíveis, fato esse sempre importante de demarcar diante da total falta de transparência de todo o processo, caso tal operação tivesse sido concretizada.

Diante do rompimento das tratativas por parte da Boeing, trazemos essa contribuição com o propósito de continuar a compreender a importância da Embraer para o país e de vislumbrar suas possibilidades a partir da manutenção da integralidade e verticalidade de sua operação. Os desafios do momento atual não são poucos e são decisivos para o futuro da companhia e do setor. Os últimos dois anos foram dedicados à preparação para venda, portanto nesse período a companhia não teve foco em novos projetos para a aviação comercial ou na busca do aumento de sua participação no mercado com a nova família de jatos; soma-se à essa paralisia a situação inédita trazida pela pandemia do novo coronavírus, que tem na aviação um dos setores mais afetados mundialmente. Os próximos passos serão decisivos para dar vida longa à companhia ou preparar novos episódios lamentáveis como o que assistimos com a tentativa de venda.

1) Negócio desfeito
A compra da Embraer pela Boeing não ocorreu e não há perspectiva de que nova negociação com as mesmas características venha a ser retomada por essas empresas nos próximos anos. No mês de abril de 2020 estava estabelecido o prazo final para o cumprimento das determinações do Master Transation Agreement (MTA) ou Acordo Mestre de Transação (AMT), em tradução livre, e o pagamento de US$4,2 bilhões pela venda de 80% do segmento da aviação comercial; porém o que se assistiu foi o distrato do acordo com acusações mútuas entre as companhias, seguido das incertezas sobre o futuro da Embraer.

O contrato de transição foi celebrado em 24 janeiro de 2019 e aprovado na assembleia de acionista no mês seguinte; no decorrer do ano, diversos comunicados ao mercado previam a finalização da transação para o início de 2020. Uma das grandes vantagens competitivas da Embraer é a integração de sua operação e desenvolvimento, e ainda, a atuação em diferentes segmentos: aviação comercial, aviação executiva, defesa e outros (vigilância, integração de tecnologias). Toda essa sinergia tinha de ser desfeita para separar e preparar tanto a parte a ser vendida quanto a companhia restante. No período do contrato de transição estavam previstas as seguintes iniciativas (Dieese, 2018):

  • Criação de uma joint venture na aviação comercial, através da aquisição de 80% do negócio da aviação comercial;
  • Duração de dez anos da joint venture, por esse período as duas companhias não poderiam dispor de sua participação acionária e, ao final do período, ficaria garantida a compra, pela Boeing, dos 20% das ações em posse da Embraer;
  • Criação de outra joint venture para venda dos produtos do segmento de defesa, com destaque para o cargueiro KC-390;
  • Realização de acordos específicos nas áreas de engenharia; pesquisa e desenvolvimento; e, cadeia de suprimentos;
  • Remanejamento de 100% dos trabalhadores envolvidos nas atividades da aviação comercial para a nova empresa; os demais envolvidos na aviação executiva e defesa permaneceriam na Embraer. Essa diretriz não implica em estabilidade ou garantida de nível de emprego. As unidades Faria Lima (São José dos Campos), EDE, Taubaté, Évora (Portugal) e Nashville (EUA) migrariam para a joint venture, enquanto as demais – Eugênio de Melo (São José dos Campos), Gavião Peixoto, Botucatu, OGMA (Portugal) e Melbourne (EUA) – permaneceriam na Embraer.

O ano de 2019 transcorreu de acordo com os itens acima: houve mudanças nas plantas da companhia com a ampliação de áreas e separação da aviação comercial; a movimentação entre trabalhadores foi intensa com transferências entre cidades e demissões, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que representa a maior parte dos trabalhadores diretamente envolvidos na divisão das operações. No início de 2019, foi criada a Yaborã como companhia intermediária até a conclusão da venda, chegando até mesmo a celebrar acordos coletivos sob essa denominação. Diante das mudanças em curso, o desfecho anunciado 15 meses após a assinatura do MTA não era óbvio, e por isso causou grande surpresa.

O anúncio do distrato publicado pela Boeing, em 25 de abril, que afirmou que a companhia exercia os direitos previstos no Master Transaction Agreement (MTA) ao não dar continuidade às tratativas, uma vez que a Embraer “não satisfez as condições necessárias”. Sem oferecer detalhes, reiterou que “as negociações alcançaram um patamar em que a continuidade dentro do mesmo MTA não resolverão questões pendentes” (Boeing, 2020).

A reação da Embraer foi imediata e dura. No mesmo dia emitiu nota afirmando:

A Embraer acredita firmemente que a Boeing rescindiu indevidamente o MTA, tendo criado falsas alegações como pretexto para se furtar a sua obrigação de concluir a Operação e pagar o preço de compra de US$4,2 bilhões à Embraer. A Embraer entende que a Boeing adotou um padrão sistemático de atrasar e violar o MTA em razão da sua intenção de não concluir a Operação, por força da sua própria situação financeira, das questões envolvendo o 737 MAX e de seus problemas reputacionais (Embraer, 2020).

Os motivos que a Embraer alega para a desistência da Boeing são reais. A gigante norte-americana está atravessando uma das piores – senão a pior – crise de sua história, cujo grande símbolo está relacionado aos problemas com a aeronave 737 Max: dois acidentes com esse modelo levaram a perdas de 346 vidas em 2019. As investigações trouxeram à tona toda sorte de falhas e irregularidades, também colocaram a credibilidade da companhia em risco ao serem constatados sérios indícios de que os problemas eram conhecidos, mas não foram resolvidos.

Com esse cenário, o prejuízo da gigante norte-americana, no ano passado (2019), foi de US$636 milhões, contudo a estimativa total de perdas com o 737 Max foi atualizada para US$19 bilhões (The Guardian, 2020). Mesmo antes de “voar”, o projeto já havia dado prejuízo à companhia ao consumir mais tempo e recursos – US$2 bilhões a mais – que os previstos inicialmente; vale ressaltar que vários analistas do setor, no Brasil, haviam alertado sobre a situação já delicada pela qual passava a Boeing mesmo antes dos terríveis acidentes (1).

A reação inicial do governo brasileiro foi de recolocar rapidamente a Embraer na prateleira para encontrar um novo comprador (Caram, Uribe e Resende, 2020), desconsiderando o revés da economia mundial face ao enfrentamento ao novo coronavírus e com o agravante da aviação ser um dos setores mais afetados pela pandemia. Durante dois anos, a Embraer esteve focada em segmentar suas atividades e ter seu principal segmento (comercial) adquirido pela Boeing; todo esse tempo foi exigido para quase completar uma operação delicada, quase cirúrgica, em atendimento a critérios acordados previamente. Evidentemente essas não são as características de produtos que entram e saem de prateleiras e encontram compradores, como se fossem “abacates”.

2) A Embraer para além das aeronaves
A Embraer não precisava ser vendida para sobreviver no mercado extremamente competitivo de aeronaves. A companhia não apresentava problemas e, ainda que as perspectivas do setor pudessem indicar dificuldades futuras diante da consolidação da poderosa Airbus como concorrente direta no segmento da aviação regional em substituição a Bombardier, é preciso deixar bastante claro que haviam muitas possibilidades de parceria e negociação, até mesmo com a Boeing, que poderiam resultar em maiores vantagens para a companhia e para o país, dentro de um rol de arranjos possíveis e sem emergência alguma que a justificasse a venda era tida como o pior desfecho (Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campo e Região, 2018; Dieese, 2018).

Embora seja uma companhia privada desde 1994, o estatuto da Embraer confere alguns privilégios à União, que é proprietária de uma ação especial chamada Golden Share. A União pode, por exemplo, vetar a transferência de controle da companhia, como esteve em jogo recentemente. No caso da aquisição da aviação comercial pela Boeing, o governo não exerceu o veto e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a transação, que só não aconteceu por desistência da compradora.

Temos chamado a atenção para o papel da Embraer, que vai além da fabricação de aeronaves, o que já não é pouco, considerando que é a única no hemisfério sul e a terceira maior no mundo. A companhia tem revelado, ao longo de sua história, uma profunda capacidade de integrar tecnologias (2), para além do setor aeronáutico, a partir de um corpo de engenharia de classe mundial e trabalhadores habilidosos que dão a forma final ao que começa como sonhos – antigamente em pranchetas, agora em computadores, mas sempre primeiro na imaginação – e termina como produtos. Essas habilidades eram parte do que a Boeing desejava adquirir diante da diminuição de engenheiros disponíveis nos EUA para a indústria aeronáutica (3) (Gates, 2018).

A possibilidade de desenvolver setores de alta tecnologia não é um problema menor para os países da periferia do capitalismo, que enfrentam a escassez de capital e a feroz concorrência com os países centrais que buscam mercados para seus produtos e serviços. O fato do Brasil produzir aeronaves desde a década de 1960 é uma exceção que comprova a dura regra para os países pobres, que compram produtos com maior valor agregado, caros, e vendem produtos com menor valor agregado e, portanto, mais baratos. Essa conta muitas vezes não fecha ou, como mais recentemente tem demonstrado o caso do Brasil, fecha às custas dos recursos naturais.

A balança comercial, segundo critério de intensidade tecnológica na indústria de transformação, nos últimos cinco anos, é superavitária em Média Baixa Tecnologia e Baixa Tecnologia, cuja soma representa 59,4% das exportações e 29,8% das importações. Os setores de Média Alta e Alta Tecnologia são deficitários e respondem juntos por 20,7% das exportações e 60,2% das importações. A Média Baixa Tecnologia é a faixa com maior equilíbrio comercial, 15,2% das exportações e 19,8% das importações (Tabela 1). Considerando as classificações de intensidade tecnológica da indústria de transformação, pode-se dizer que para importar aproximadamente 20% dos produtos de maior valor agregado é necessário exportar cerca de 60% de menor valor agregado.

O saldo comercial total do período foi superavitário em US$240,2 bilhões, com contribuição positiva dos Demais itens, que são aqueles classificados fora da indústria de transformação. A indústria também contribuiu para a formação do superávit com um resultado positivo de US$111,5 bilhões. Embora o resultado dos últimos cinco anos seja superavitário, não se pode dizer que seja sustentável ao longo do tempo, pois os saldos positivos estão gerados a partir do exaurimento de recursos naturais como o solo, florestas e minério. Também é relevante destacar que o baixo dinamismo da atividade econômica interna, sobretudo da indústria, diminui a pressão por importações e, dessa maneira, contribui para o resultado superavitário.

O aumento da exportação de produtos de maior intensidade tecnológica contribui para diminuir a pressão sobre a exportação de recursos naturais (incluindo o agronegócio que explora com intensidade solo e água) e ajuda a aliviar a pressão para o momento em que a indústria volte a produzir e para tanto torne a aumentar o nível de importação.

O setor de atuação da Embraer tem grande importância nos resultados de produtos classificados como Alta Tecnologia. Os produtos classificados nos setores aeronáutico e aeroespacial (ver Anexo 2) foram responsáveis por 10% das importações em Alta Tecnologia e por 70% das exportações na mesma classificação (Gráfico 1). A contribuição da Embraer, embora não possa ser individualizada segundo os dados disponíveis, tem extrema relevância para esse resultado, no qual pouco mais de 2/3 de toda a exportação industrial de alto valor agregado refere-se a mercadorias do setor aeronáutico e aeroespacial.

O potencial da Embraer não se limita à tecnologia de aeronaves; existem pelo menos mais três projetos envolvendo aplicação de tecnologias disruptivas (4) em desenvolvimento na companhia, são eles (Embraer, 2020):

a) Uber voador. Esse é o nome mais conhecido do projeto eVTOL, desenvolvido em parceria com a UBER. Trata-se de um veículo parecido com um helicóptero, com motor elétrico capaz de transportar pessoas. Está sendo projetado para ter funcionamento autônomo (sem piloto). A Embraer considera que, entre 10 e 15 anos, esses veículos estarão em operação nas grandes cidades.

b) Gerenciamento do Tráfego Aéreo Urbano. A mobilidade urbana para a Embraer e parceiras não tem mais o céu como limite e sim como ponto de partida de uma visão de futuro, realmente muito parecida com o famoso desenho da família Jetsons, em que a locomoção ocorre por meio de pequenas “naves”. Para dar conta desse futuro, em que mais e mais pessoas utilizarão aeronaves pequenas, é preciso um controle de tráfego muito preciso, considerando que os riscos são bem maiores em comparação com o gerenciamento de tráfego terrestre. Essa tecnologia é um complemento do produto anterior, mas um não depende necessariamente do outro para vir ao mercado, já que outras companhias também poderão oferecer os dois produtos.

c) Beacon. É uma plataforma digital que tem por objetivo reduzir o custo da manutenção de aeronaves através da conexão de profissionais, cadeia de suprimentos e peças de reposição para serviços não programados. A plataforma tem a finalidade de diminuir ao máximo o tempo da aeronave em solo.

3) Qual o futuro da Embraer?
A Embraer perdeu dois anos de sua história focada na venda da maior parte de sua operação. Entendemos que outras modalidades de parcerias tecnológicas e comerciais podem ser benéficas para a companhia, em qualquer momento no qual seus interesses encontrem convergência nas necessidades e estratégias de outras empresas, incluindo a própria Boeing. Já demonstramos anteriormente (Dieese, 2018) que a companhia não estava à beira da falência e muito menos precisava ter sua parte mais rentável vendida, mas depois dessa manobra catastrófica poderá precisar de apoio para seguir sua história.

A situação atual da companhia exigirá recursos para integrar novamente os seus segmentos, voltar a planejar o futuro e fazer tudo isso no cenário em que o setor é um dos mais atingidos pela pandemia. Fazer decolar a companhia novamente poderá ser um problema, ainda assim um bom problema, considerando que a alternativa teria sido a desnecessária venda.

Atualmente existem dois projetos no Congresso Nacional que tratam da situação da Embraer após o distrato, são eles: o Projeto de Lei 2195/2020 do senador Jaques Wagner (PT/BA) apresentado em 27/04/2020 e o Projeto de Lei 3084/2020 do deputado federal Orlando Silva (PCdoB/SP) apresentado em 02/06/2020. Os projetos têm basicamente o mesmo teor, o de proporcionar ao governo federal adquirir a Embraer através de algumas dessas modalidades:

I – desapropriação das ações integrantes do capital social da Embraer S.A., total ou parcialmente, que garanta o controle acionário da companhia;
II – aquisição, mediante oferta pública de ações, de participação societária que assegure o controle acionário da companhia; e,
III – aquisição, mediante aumento de capital social, de participação societária que assegure o controle acionário da companhia.

O BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – deverá seguir com o financiamento da exportação das aeronaves, como sempre o fez, porém será enfrentada a diminuição dos pedidos diante das incertezas quanto ao futuro da aviação durante e após a pandemia. As viagens de negócio/turismo e o transporte aéreo de cargas estão mergulhados nas incertezas do desenrolar nada linear da pandemia, previsões são arriscadas, mas uma delas pode beneficiar a Embraer: trata-se da diminuição das viagens continentais e do aumento das viagens regionais, setor em que a aviação comercial da empresa tem atuado com excelente desempenho. Por outro lado, as novas tecnologias que rapidamente entraram em cena para atender o mundo corporativo, como as reuniões online, deverão diminuir o número de viagens, mesmo no melhor cenário sanitário possível, pois reduzem custos; por sua vez as viagens de turismo também deverão ser reduzidas até o restabelecimento da confiança dos passageiros.

A direção da companhia embarcou em uma aventura felizmente frustrada pela outra parte envolvida. Durante o ano de 2018 assistiu-se a uma campanha de convencimento para a venda de uma empresa, em nome de sua sobrevivência, e tão logo o trato foi desfeito o presidente veio a público (CPV News, 2020) (5) contrariar o discurso propagado em defesa da venda, ao anunciar que a empresa tem liquidez, acesso a financiamento e toda a condição de prosseguir sem a Boeing.

Dentre as lições a serem tiradas desse episódio, uma delas diz respeito à miopia que a estrutura acionária da companhia tem imposto aos seus dirigentes, que parecem ter agido como corretores de valores ou proprietários de uma startup em busca da realização de lucro rápido.

A Embraer precisa ser trabalhada a partir de uma visão de longo prazo e por dirigentes comprometidos com as potencialidades da companhia.

Em 2006, a Embraer promoveu a maior reestruturação acionária desde a privatização, quando ingressou no chamado Novo Mercado. As empresas listadas nesse segmento devem comprovar adequação a normas de governança corporativa mais rígidas que as previstas em lei.

Entre outras obrigações, estão a maior sujeição da empresa a controles externos e a divulgação de seus atos, além da emissão exclusiva de ações ordinárias (ON), ou seja, de ações com direito de voto. Assim, a Embraer adotou, entre inúmeras medidas, a extinção da figura das ações preferenciais (sem direito a voto). As ações foram pulverizadas como mecanismo de proteção, transparência para alavancar financiamentos, garantia de igualdade entre os acionistas e eliminação dos riscos diante da existência do acionista controlador (Moraes, 2013). Essa mesma estrutura possibilitou que a tentativa de venda fosse muito mais uma decisão de gestores profissionais, que ora estão comprometidos com a Embraer ora com outra companhia. Esse é um aspecto crucial que os projetos de lei mencionados não dão conta e para o qual é fundamental haver pressão para impedir que visões de curto prazo predominem, como no caso da venda frustrada.

A imperativa necessidade de salvar a Embraer não pode levar à repetição do mesmo erro dos seus bem remunerados executivos, que foi a ambição de gordos dividendos no curto prazo. O resgate necessário da empresa deve ser parte de uma estratégia de política industrial que incentive e promova o adensamento da cadeia produtiva do setor, que explore as potencialidades da companhia para o desenvolvimento e a integração de tecnologia; e, como parte dessa estratégia, parcerias e acordos são bem-vindos. Embora não tenhamos tratado desse tema neste trabalho, a companhia tem também importância proeminente no setor de defesa, no qual o Estado Nacional, que se comporte soberanamente, é ator chave para manutenção e desenvolvimento de políticas.

Infelizmente, não é o quadro que se apresenta para o país hoje, sobretudo a partir do Poder Executivo.

A reforma da estrutura acionária e uma política industrial para o setor são os pré-requisitos básicos para uma longa e próspera vida à companhia, que, dessa forma, poderia contribuir para o país de forma mais efetiva. Os projetos de lei apresentados limitam-se à preservação da companhia, mas outros passos como os que sugerimos são fundamentais para que exista futuro para a Embraer.

No momento em que finalizávamos essa Nota, estava em aberto um Programa de Demissão Voluntária (PDV); a história da Embraer tem repetido muitas vezes a sequência PDV e demissões, os trabalhadores e trabalhadoras estão sendo alertados pelos sindicatos sobre essa repetição. Sem o socorro do Estado, o ajuste dos erros cometidos pela direção da empresa, com o aval do governo, poderá mais uma vez acontecer através de drástica redução do quadro de pessoal, com impactos relevantes nas regiões de atuação da empresa. Não se defende que recursos públicos, nesse grave momento de crise de saúde, sejam destinados para a Embraer para que ela continue a fazer mais do mesmo, os recursos devem ser acompanhados de regras que preservem empregos e utilizem a capacidade da empresa a serviço do país.

Notas
(1) Em palestra no município de São José dos Campos, em 2018, o especialista no setor aeronáutico e de defesa, Prof. Dr. Marcos Barbieri, já chamava a atenção para o fato que era mais provável a Embraer ajudar a salvar a Boeing que o contrário, considerando a situação já delicada da norte-americana, mesmo antes dos acidentes, e a boa situação da Embraer.
(2) Para maior aprofundamento sobre as habilidades da Embraer recomenda-se entrevista dos professores Marcos Barbieri e Roberto Bernardes ao Programa Giro Sindical (Rádio CT, 2020), disponível em aqui.
(3) Segundo Dominic Gates, analista do setor para o Seattle Times a “Boeing também queria adquirir os conhecimentos da engenharia da Embraer em um momento em que enfrenta o declínio demográfico em suas próprias fileiras de engenharia” (em tradução livre).
(4) Tecnologias disruptivas são aquelas capazes de criar rupturas e de dar início a um novo padrão, determinar um novo paradigma. A internet, por exemplo, é uma dessas tecnologias.
(5) Clique aqui, consultado em 29 de junho de 2020.

Vai falir: Olavo de Carvalho é excluído do PayPal e atribui punição a “comunistas”

6 de agosto de 2020

Chico Alves em 6/8/2020

Os cursos ministrados pelo astrólogo Olavo de Carvalho não poderão mais ser pagos através de PayPal, plataforma que permite a transferência de dinheiro online. A informação foi dada pelo próprio Olavo, principal ideólogo de grupos bolsonaristas. No Facebook, ele atribuiu a decisão da empresa a “comunistas”.

“Eis o tipo de debate democrático que os comunistas praticam: tanto se esforçaram, que conseguiram fechar a minha conta do PayPal”, escreveu o astrólogo.

Na verdade, a decisão da empresa foi tomada após pressão do Sleeping Giants Brasil, conta de Twitter que alerta patrocinadores, apoiadores e parceiros de produtores de conteúdos de ódio na internet para os prejuízos causados por sites desse tipo.

Respondendo aos seguidores nas redes sociais, Olavo informou que tem outras formas de intermediação de pagamentos online.

Procurada pela coluna, a empresa PayPal informou, sem citar especificamente Olavo de Carvalho, que tem “o compromisso de revisar diligentemente qualquer usuário do PayPal” para garantir que os serviços sejam utilizados de acordo com a “política de uso aceitável”. E prossegue, no texto: “O PayPal avalia cada situação de forma independente e com base em nossos próprios processos de revisão e análise interna. Embora não possamos fornecer detalhes sobre contas de clientes de acordo com a política da empresa”.

REDES SOCIAIS

O que é Foro de São Paulo e por que ele gera tanta polêmica e teorias conspiratórias?

6 de agosto de 2020

O Foro de São Paulo é uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990.

Mariane Barbosa, Via Diálogo do Sul em 5/8/2020

Você já deve ter ouvido falar que o Foro de São Paulo é uma “organização criminosa”, uma “grande articulação que quer tomar o poder” ou ainda um “grupo terrorista formado por esquerdistas comunistas”. Até mesmo a revista Veja, em 2014, classificou a organização como a “maior inimiga do Brasil”.

Há 30 anos, Luiz Inácio Lula da Silva abria a primeira reunião do que se tornaria o Foro de São Paulo ou Fórum de São Paulo, como também é chamado, em português. A iniciativa, que reúne partidos de esquerda latino-americanos (mas que já recebeu partidos mais “liberais”), tem despertado a atenção no Brasil, principalmente a partir de críticas e notícias mentirosas difundidas pela direita e extrema-direita.

Para desmistificar tudo que envolve o Foro, revelar suas verdadeiras intenções e o que o fórum conseguiu avançar no debate entre partidos políticos na América Latina, a TV Diálogos do Sul recebeu a psicóloga e secretária-executiva do Foro de São Paulo, Mônica Valente.

Ela conta que no início da década de 1990, no mundo pós queda do Muro de Berlim e com a derrota do socialismo soviético, os partidos políticos de esquerda da América Latina, por uma iniciativa de Lula e o então presidente de Cuba, Fidel Castro, se reuniram para conversar sobre isso.

“Nossa identidade é ser contra o neoliberalismo e buscar alternativas com propostas de inclusão social, igualdade de oportunidades e integração regional na soberania, são esses os principais lemas do Foro de São Paulo”, diz Valente.

Ela conta que no início da década de 1990, no mundo pós queda do Muro de Berlim e com a derrota do socialismo soviético, os partidos políticos de esquerda da América Latina, por uma iniciativa de Lula e o então presidente de Cuba, Fidel Castro, se reuniram para conversar sobre isso.

“Nossa identidade é ser contra o neoliberalismo e buscar alternativas com propostas de inclusão social, igualdade de oportunidades e integração regional na soberania, são esses os principais lemas do Foro de São Paulo”, diz Valente.

Integração soberana
Questionada sobre a integração como um dos lemas do Foro, Valente explica que, no início da organização, o continente “estava sob a hegemonia do neoliberalismo” e, aos poucos, os países foram construindo condições para reverter esse quadro para uma tese antineoliberal, democrática e popular.

E foi a partir dessas primeiras articulações e da necessidade de se adequar à globalização econômica que surgiu a necessidade de discutir um mecanismo de integração como região.

Como exemplo, ela cita a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que criou a Comissão de Saúde de Ministro de Saúde, órgão que hoje seria de muita utilidade na pandemia de coronavírus, assim como a proposta do primeiro secretário-geral da Unasul sobre um processo de integração energética.

“Nós temos um mercado interno maravilhoso de quase 500 milhões de habitantes. Somos uma região riquíssima em recursos minerais, energéticos e naturais e uma região em que a produção agrícola é muito abençoada”, diz Valente, ao ressaltar que a América Latina tem potencial para uma “proposta de integração econômica que possa trazer um ganho compartilhado para todos os países”, sempre visando a proteção ao meio ambiente, uma das bandeiras do Foro de São Paulo.

Por que a direita teme o Foro de São Paulo?
Sobre as inúmeras teorias da conspiração (muitas delas levantadas pelo “filósofo” Olavo de Carvalho), Mônica Valente explica que tem gente sincera que acaba caindo nas conspirações sobre o Foro querer “implantar uma Ursal, União das Repúblicas Socialistas da América Latina)”.

“Eu achei muito legal a oportunidade de [falar com a Diálogos do Sul] para poder disseminar a verdade sobre o Foro de São Paulo, eu acho que esse é o único jeito de combater” essas teorias e conspirações difamatórias, diz.

“O Foro é feito de debates e eles [partidos de direita e extrema-direita] temem ideias, porque são ideias muito fortes, como a solidariedade, a integração regional, a ideia antineoliberal e não só, mas também propostas concretas que nós conseguimos implementar”, explica.

Ela ressalta que ao longo dos anos, os governos de esquerda na América Latina cometeram erros, mas “mostramos que era possível um outro mundo que não nessa ótica do mercado, das grandes empresas, do neoliberalismo”.

Como exemplo dos ataques aos governos de esquerda da América Latina, a psicóloga cita a classificação do governo do venezuelano Nicolás Maduro como “uma ditadura” por parte da imprensa brasileira.

“Não é verdade. Em 25 anos de governo do Chavismo, houve 23 eleições. Se isso não é democracia, democracia é o que tivemos aqui no Brasil com as fake news que estão sendo agora desmascaradas?”, questiona. “O governo da Venezuela é um governo que tem erros, mas que tem acertos e o principal acerto é chamar o povo para decidir”, pontua ao dizer que as mentiras são “para obscurecer o que de fato são as ideias do Foro de São Paulo”.

O que podemos fazer?
A psicóloga ressalta a importância de trazer a política internacional para o cotidiano dos brasileiros. “Nós militantes, não só no Brasil, precisamos trazer mais o Foro de São Paulo e a política internacional para o nosso dia-a-dia. Eu sei que a política internacional é o último assunto que a nossa militância prioriza para pensar e participar porque tem coisas da luta cotidiana que são duras”, diz.

“É preciso dar palpite, construir, criar interlocução entre nós, criar reflexão, para fazer com que os temas internacionais, dentre eles o foro de São Paulo, possam ter mais visibilidade”, conclui.

Suprema Corte da Colômbia ordena a prisão do ex-presidente Álvaro Uribe

5 de agosto de 2020

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Foto: Juan Zarama.

Tribunal concede prisão domiciliar a ex-mandatário em um caso de suborno e manipulação de testemunhas.

Via El País Brasil em 5/8/2020

A Suprema Corte da Colômbia ordenou na terça-feira a prisão preventiva do ex-presidente Álvaro Uribe por crime de suborno e manipulação de testemunhas em um dos casos envolvendo o político, que governou o país andino entre 2002 e 2010. O tribunal, que concedeu prisão domiciliar ao ex-mandatário, investiga um processo segundo o qual várias testemunhas receberam compensações em troca de prestar depoimentos favorecendo o atual senador. Entre esses depoimentos está o de um ex-paramilitar que em uma primeira fase do julgamento havia implicado Uribe no nascimento de um bloco das Autodefesas Unidas da Colômbia.

Trata-se de uma decisão sem precedentes na Colômbia. Uribe, fundador do atual partido do Governo, o Centro Democrático, e mentor político do presidente Iván Duque, atualmente ocupa uma cadeira no Congresso depois de se tornar o senador mais votado na história do país em 2018. Seu caso remonta a 2012, quando apresentou uma denúncia na Suprema Corte contra o senador progressista Iván Cepeda por um suposto complô, com falsas testemunhas em prisões colombianas, para envolvê-lo em atividades de grupos paramilitares. O alto tribunal, no entanto, se absteve de processar Cepeda e, em vez disso, pediu para investigar Uribe por suspeita de ter manipulado testemunhas contra o congressista do Polo Democrático.

O próprio Uribe confirmou a decisão da Corte, que em termos jurídicos, segundo a lei colombiana, é uma “medida de asseguramento”, por meio de suas redes sociais. “A privação de minha liberdade me causa profunda tristeza por minha senhora, minha família e pelos colombianos que ainda acreditam que eu fiz algo de bom pelo país”, escreveu em sua conta no Twitter. A investigação se concentra nesta fase em determinar se pessoas ligadas a ele, como seus advogados, e com seu consentimento, deram dinheiro e ofereceram benefícios judiciais a ex-paramilitares para que se retratassem. A denúncia original de um paramilitar aponta que um grupo das autodefesas foi criado em uma antiga propriedade da família Uribe. Tratava-se dos 12 Apóstolos que, entre ameaças à população, conivência com as forças de segurança, retenções e um relacionamento estreito com Santiago Uribe, irmão do ex-presidente, operavam de acordo com um grupo de testemunhas em uma fazenda da família.

A decisão da Corte foi precedida, na véspera, por uma forte controvérsia que envolveu pronunciamentos de funcionários do alto Governo, do Centro Democrático, das autoridades judiciais e do próprio presidente Duque. “Sempre acreditarei na inocência de Álvaro Uribe”, declarou o mandatário. “Acredito que é uma pessoa cuja palavra honorabilidade está em todo o seu comportamento”, reiterou ontem na Rádio Caracol.

Os setores da oposição consideraram os múltiplos pronunciamentos como pressões à Justiça. O senador Cepeda havia pedido ao Centro Democrático “que cessasse suas tentativas de intimidar e pressionar os magistrados da Corte”, e a Duque que se comportasse como chefe de Estado “e não como defensor de ofício de seu mentor político”. Por volta da meia-noite de segunda-feira, todas as altas cortes publicaram um inusual comunicado conjunto pedindo respeito pelo Judiciário e sua independência. “As providências judiciais têm instâncias legais para serem questionadas. Portanto são inaceitáveis desqualificações a decisões judiciais por adotar e sem que se conheça ainda seu conteúdo, sentido ou alcance”, declararam.

Uribe é provavelmente o político que mais divide a sociedade colombiana. Amado e odiado, férreo detrator dos acordos de paz com as Farc alcançados em 2016 por seu sucessor, Juan Manuel Santos, ao seu redor formou-se toda uma corrente política, o uribismo, que na prática encarna posições de direita radical. Durante seus dois mandatos promoveu uma política de segurança aplaudida pelos setores mais conservadores por sua mão forte, mas ao mesmo tempo apontada como caldo de cultivo dos chamados falsos positivos, centenas de execuções extrajudiciais de civis apresentados posteriormente pelos militares como guerrilheiros caídos em combate em troca de benefícios. Segundo um relatório do Ministério Público publicado no ano passado, houve pelo menos 2.248 execuções extrajudiciais entre 1998 e 2014, embora 97% dos casos tenham ocorrido entre o primeiro e o segundo mandato de Uribe.

O falso “caos” argentino: Corte de US$30 bilhões na dívida externa

5 de agosto de 2020

Fernando Brito, via Tijolaço em 4/8/2020

Lembra da previsão de Jair Bolsonaro de que, com uma vitória da chapa Alberto Fernandez-Cristina Kirchner, o país vizinho ia cair no caos e os argentinos se acumulariam para entrar no Brasil, em busca de segurança?

Pois é, um ano depois, eles não estão muito melhores que nós no combate à pandemia como, também, conquistaram credibilidade internacional – comparada à nossa deterioração aos olhos do mundo – ao ponto de fechar um acordo com os credores da dívida do país em bônus lançados no exterior, que a trocarão por novos títulos, com 46,5% de deságio, numa economia para o país de US$30 bilhões.

Nem o ministro da Fazenda e o ex-presidente do BC argentino nos tempos de Maurício Macri – Luiz “Toto” Caputo e Guido Sandleris – puderam deixar de elogiar os termos do acordo, uma das promessas de campanha de Fernández.

Enquanto isso, o “amigão” do mercado por aqui, vê nossa dívida pública saltar, para atingir, até o final do ano, 100% do Produto Interno Bruto.

Rei Juan Carlos da Espanha, El Cagón

5 de agosto de 2020

Leandro Fortes em 4/8/2020

Esse rei da Espanha, Juan Carlos, sempre foi uma uma figura execrável. É a representação pura dessas monarquias decadentes e de fachada que ainda perduram na Europa, um símbolo permanente de que a única solução possível para essa gente é – sempre será – a guilhotina ou, a minha favorita, a opção de Lenin para a família Romanov.

Esse ladrão safado, além de tudo, matava animais na África e posava em fotos ridículas, como um caçador europeu do século 19, à custa do dinheiro público espanhol. Só por isso, tinha que ter sido jogado aos leões, para diversão do povo, com transmissão ao vivo, pela internet.

Por isso, até hoje, morro de raiva de lembrar daquela intervenção cretina contra Hugo Chavez (“Por que não te calas?”), durante uma conferência ibero-americana, no Chile, em 2007.

O ex-presidente venezuelano foi interrompido pelo rei bandido depois ter chamado, corretamente, o ex-primeiro-ministro José Maria Aznar de fascista, pelo apoio que este havia dado ao golpe de Estado contra Chavez, em 2002.

Chavez tinha de ter levantado e enchido a cara desse reizinho de merda de tapas, um pescoção que fosse, como legado bolivariano. O povo da Espanha, hoje, estaria deveras agradecido.

***

EX-REI DA ESPANHA VAI DEIXAR PAÍS APÓS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO
Juan Carlos, que ocupou o trono espanhol por quase 40 anos, é acusado de receber milhões de dólares em negócios obscuros com a Arábia Saudita. Valores teriam sido ocultados na Suíça.
Via DW Brasil em 4/8/2020

O rei emérito da Espanha Juan Carlos, que ocupou o trono entre 1975 e 2014, irá deixar seu país após ser alvo de uma investigação de promotores suíços e da Justiça espanhola por corrupção. As autoridades dos dois países investigam a origem de US$100 milhões que o monarca teria recebido ilegalmente da Arábia Saudita, depositados em 2008 em uma conta na Suíça.

Em junho, o Supremo Tribunal espanhol abriu um inquérito para avaliar a responsabilidade de Juan Carlos em uma ação iniciada em 2018, quando gravações atribuídas a sua ex-amante Corinna Larsen assegurava que o então rei da Espanha teria cobrado uma comissão pela concessão de um contrato para a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade. Larsen teria sido utilizada como “laranja” de Juan Carlos na transação.

A decisão do antigo monarca foi comunicada em carta ao seu filho, o rei Felipe 6º, tonada pública nesta segunda-feira [3/8] pela Casa Real.

“Majestade, querido Felipe, com o mesmo ímpeto de serviços à Espanha que inspirou meu reinado e diante da repercussão pública que está sendo gerada por certos acontecimentos passados de minha vida privada […] lhe comunico minha decisão meditada de trasladar-me neste momento para fora da Espanha”, escreveu Juan Carlos.

Juan Carlos, de 82 anos, assinalou em sua carta que tomou essa decisão para facilitar o exercício das funções do atual monarca e possibilitar a “tranquilidade e sossego que requer sua alta responsabilidade”. “Meu legado e minha própria dignidade como pessoa assim o exigem”, assegura o rei emérito.

Felipe, por sua vez, transmitiu ao pai seu “sentido respeito e agradecimento perante sua decisão”, de acordo com um comunicado emitido pela Casa Real. O rei, segundo a nota, “deseja ressaltar a importância histórica representada pelo reinado de seu pai, como legado, obra política e institucional de serviços à Espanha e à democracia”.

O escândalo fez com que Felipe se distanciasse de seu pai, renegando sua herança e cancelando em março deste ano a pensão fornecida pelo Estado, apesar preservar-lhe o título de rei e de mantê-lo como membro da família real. O distanciamento levou ao fim das aparições públicas, com os encontros entre pai e filho se resumindo a apenas algumas reuniões familiares.

Desde sua abdicação em 2014, Juan Carlos evitou manter uma vida pública intensa, com algumas aparições em partidas de futebol das equipes de Madrid ou em grandes prêmios de Fórmula 1. Com problemas cada vez maiores de mobilidade, O rei emérito se submeteu a uma cirurgia cardíaca em agosto de 2019.

Ele foi visto em público pela última vez no dia 16 de junho, quando compareceu a uma clínica médica em Madrid para fazer exames de rotina usando uma máscara de proteção.

A decisão do rei emérito de morar fora do país, no entanto, não mudará a situação de sua esposa, a rainha Sofia, que manterá residência no Palácio de la Zarzuela, em Madri, e as atividades institucionais.

A mãe do atual rei, Felipe 6º, foi deixada de fora das controvérsias envolvendo o marido porque não tem nenhuma relação com os supostos negócios dos quais Juan Carlos teria participado, informaram nesta segunda-feira fontes da Casa Real espanhola.

Juan Carlos e Sofia estão afastados há vários anos, embora tenham continuado a viver em Zarzuela como membros da família real após a abdicação dele em favor do filho.

Em 2012, por causa de uma outra polêmica ligada a uma caçada que fez em África, ainda não deu explicações sobre as suspeitas, o que leva a uma onda de especulações sobre o seu envolvimento.


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