Archive for the ‘Internacional’ Category

“Nazismo de esquerda”: Brasileiros descerebrados criam polêmica absurda

19 de setembro de 2018

Adolf Hitler marcha em direção ao Reichstag em Berlim no dia em que tomou posse como chanceler.

“Nazismo de esquerda”: internautas tentam “ensinar” história a alemães após vídeo da embaixada. Discussão levantada aparece há alguns anos em círculos de direita brasileiros, mas nunca existiu entre historiadores sérios.

Via Deutsche Welle Brasil em 17/9/2018

“Os alemães não escondem seu passado”, diz a frase inicial de um vídeo com legendas em português publicado pela Embaixada da Alemanha em Brasília publicado no Facebook há pouco mais de dez dias.

O que era para ser mais um vídeo institucional para divulgar como a sociedade alemã lida hoje com o nazismo e o Holocausto acabou virando, em meio à polarização pré-eleições, palco de ataques de militantes de direita brasileiros que não gostaram do conteúdo da peça.

Tudo porque um trecho classifica o nazismo como uma ideologia de extrema direita e cita uma frase do ministro do Exterior alemão, Heiko Mass, que diz: “Devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas.”

Para militantes brasileiros que passaram a escrever na caixa de comentários do vídeo, a embaixada e o ministro alemão estão errados em classificar o nazismo como um movimento de “extrema direita”.

“Extremistas de direita? O partido de Hitler não se chamava Partido dos Trabalhadores Socialistas? Onde tem extrema direita?”, disse um usuário, apelando incorretamente para o nome oficial da agremiação nazista, que se chamava Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou NSDAP.

Outro disse: “Vindo do país de origem do Marxismo, tendo a Alemanha sido infestada por vermelhinhos no pós-guerra […] é claro que eles vão distorcer tudo e jogar na conta da direita.” Uma rápida olhada nos perfis dos usuários que associaram o nazismo com a esquerda mostra que vários divulgam propaganda do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Entre algumas páginas e círculos de direita brasileiros, muitos deles pró-Bolsonaro, têm sido comuns nos últimos anos tentar classificar o nazismo como um “movimento de esquerda”. O principal argumento para defender a tese leva em conta a presença do termo “socialista” no nome do partido.

“Se essa for a lógica, então eles também têm que afirmar que a República Democrática da Coreia (Coreia do Norte) é uma democracia e que o mesmo valia para República Democrática Alemã (antiga Alemanha Oriental comunista)”, afirma o cientista político alemão Kai Michael Kenkel, professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC/Rio e pesquisador associado do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga).

Outro argumento usado pelos propagadores da ideia do “nazismo de esquerda” também aponta para o caráter antiliberal na economia do Terceiro Reich e as características estatistas de setores do regime. A comparação ignora que regimes de direita como a ditadura militar brasileira (1964-1985) ou o antigo governo franquista da Espanha também eram estatistas, antiliberais e favoreciam uma espécie de capitalismo a serviço dos interesses nacionais, assim como o nazismo.

“Nunca tinha visto essa discussão sobre o nazismo ser de esquerda na Alemanha”, afirma Kenkel. “Lá é muito simples: trata-se de extrema direita e pronto. Essa discussão sobre ser de esquerda ou direita parece existir só no Brasil. Se você perguntar para um neonazista na Alemanha se ele é de esquerda, vai levar uma porrada”, continua. “Essa falsa polêmica demonstra que o ensino de história no nível básico é profundamente falho no Brasil. Também mostra uma profunda manipulação dos fatos e um desprezo pela verdade entre alguns setores no Brasil.”

Outros usuários que comentaram no vídeo foram até mais longe, chegando a negar o Holocausto e chamar o extermínio de milhões de judeus durante o nazismo de “holofraude”. “Os supostos 6 milhões existem desde 1915 como propaganda sionista, só que não existia um culpado certo e acharam um em 1945”, disse um comentarista. O teor desse tipo de comentário levou a embaixada a reagir e responder “que o Holocausto é um fato histórico”.

Mas não só militantes que contestaram o vídeo encheram a caixa de comentários. Centenas de brasileiros também mostraram repúdio às declarações dos militantes de direita.

“Querem ensinar o padre a rezar a missa”, disse um usuário. “Todo dia um a 7 a 1 diferente”, disse outro. Vários pediram “desculpas” à embaixada da Alemanha pelo comportamento de alguns de seus compatriotas.

Na tarde de segunda-feira [17/9], o vídeo já havia sido compartilhado 16 mil vezes e tinha mais de mil comentários. O Consulado-Geral da Alemanha no Recife também publicou a peça, e a reação foi similar: 20 mil compartilhamentos e 1.500 comentários.

Nazismo
A versão de que o nazismo seria uma ideologia de esquerda vem se espalhando há alguns anos entre páginas de direita brasileiras. Desde os anos 2000, o filósofo Olavo de Carvalho vem divulgando essa visão para seus seguidores.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do candidato à Presidência Jair Bolsonaro, também afirmou em 2016 no Twitter que o “nazismo é esquerda” e usou o argumento sobre a presença da palavra “socialista” no nome do partido. Desde então, voltou ao tema várias vezes nas redes sociais sempre apontando que o nazismo está no campo da esquerda.

Recentemente, a associação do nazismo com a esquerda ganhou até mesmo adesão em páginas brasileiras de viés liberal que passaram a adotar posições mais conservadoras.

Em 2017, o direitista Movimento Brasil Livre (MBL) publicou um vídeo em que o ativista Kim Kataguiri diz que Hitler não “era de direita”, mas concedia que o nazismo também “não era de esquerda” e finalizava com um raciocínio confuso em que apontava que o nacional-socialismo seria uma espécie de “terceira via” totalitária. Vários comentaristas não gostaram que o líder do MBL não classificou o nazismo como meramente de “esquerda” e o acusaram de ser um “isentão” que se deixou levar pela “conversa de esquerdistas”.

Nos EUA, o assunto também surge em páginas de redes sociais, mas praticamente nunca foi abordado na grande imprensa e permanece relegado a páginas de direita ou fóruns. No Brasil, no entanto, algumas revistas e sites da imprensa, como o UOL, G1, Galileu, Superinteressante já abordaram a discussão e divulgaram a opinião de historiadores. Em 2015, o filósofo Leandro Karnal também abordou o assunto em um texto. Outros veículos, como o site InfoMoney e o jornal Gazeta do Povo, abriram espaço para propagadores da associação.

Na Alemanha, as poucas referências a uma discussão pública sobre o assunto na imprensa remetem a um episódio de 2012 que envolveu a ex-deputada conservadora Erika Steinbach. Na ocasião, ela disse no Twitter que o “vocês esqueceram? O nazismo era de esquerda”. Ela foi duramente criticada pela imprensa e historiadores. Anos depois, ela deixou a União Democrata-Cristã (CDU) e passou a apoiar o partido populista Alternativa para a Alemanha (AfD), que recentemente organizou manifestações xenófobas no leste da Alemanha que contaram com a presença de neonazistas.

Na Alemanha, a disputa sobre se o nazismo é uma ideologia que pode ser classificada nas convenções clássicas de direita ou esquerda é praticamente inexistente entre historiadores renomados. Os livros sérios sobre o Terceiro Reich e Adolf Hitler no país traçam a origem do movimento nazista entre as tendências racistas e nacionalistas de certos setores da sociedade alemã e a ação dos Freikorps, os grupos de paramilitares de direita que se espalharam pela Alemanha após a derrota na Primeira Guerra Mundial e que combatiam grupos de esquerda, especialmente comunistas e social-democratas.

Historiadores apontam algumas características socialistas do regime nazista para conquistar a classe trabalhadora, mas salientam que elas eram apenas um mecanismo para garantir a adesão para o verdadeiro ideal do nazismo: a luta pela supremacia da raça ariana no mundo. “Hitler nunca foi socialista”, apontou o historiador britânico Ian Kershaw na sua monumental biografia de Hitler.

Esse tipo de tática não era incomum na história alemã. Décadas antes de Hitler, o chanceler Otto von Bismarck criou na Alemanha o primeiro Estado de bem-estar social do mundo com o objetivo de garantir a lealdade da classe trabalhadora ao novo Reich alemão e esvaziar o programa do Partido Social-Democrata. Bismarck, um latifundiário, monarquista e reacionário prussiano nunca é chamado de esquerdista ou socialista.

Da mesma forma, os nazistas, que se diziam anticapitalistas, defenderam a propriedade privada e se aliaram com industriais. Mas o funcionamento de uma economia capitalista no nazismo só era tolerado se o Estado, e não o mercado, ditasse a forma de desenvolvimento econômico que tinha como objetivo final garantir a manutenção de uma máquina de guerra e a prosperidade apenas dos alemães.

Se há uma disputa sobre a natureza do nazismo na Alemanha, ela se restringe em apontar se o movimento foi uma aberração na história alemã, influenciado pelo contexto instável da época, ou resultado de uma espécie de “Sonderweg” (caminho especial) dos alemães, ou seja, algo que vinha nascendo há décadas ou talvez séculos entre um povo que estava acostumado a obedecer, que tinha tendências antissemitas e que via com desconfiança influências do exterior.

Pepe Mujica: Lula é a única saída para o Brasil

18 de setembro de 2018

Via Jornal do Brasil em 15/9/2018

O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica afirmou que o petista Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, é a “única saída” para tirar o Brasil da “situação lamentável” em que se encontra.

Em entrevista ao portal russo Sputnik, Mujica admitiu que “pode ter havido erros” nos governos do PT, mas acrescentou que Lula é um “negociador nato” e o personagem ideal para “acalmar os embates que existem” no país.

“Pode ter havido erros e desvios, mas tenho confiança em Lula. Parece que as ditaduras estão fora de moda, que agora são os golpes suaves com certa margem de aparente legalidade os preferidos para calar as pessoas”, disse o uruguaio, em alusão ao impeachment de Dilma Rousseff.

O ex-presidente foi declarado inelegível com base na Lei da Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de condenados por tribunais colegiados, e nomeou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para concorrer em seu lugar.

Mujica também declarou sua torcida contra o candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, e afirmou que é “inquietante” a influência que ele possui no Brasil. “Espero que Bolsonaro não ganhe, e acho que o fato de ele crescer nas pesquisas não exclui que tem uma margem de rejeição muito grande”, completou.

Noam Chomsky: Brasil foi o país mais respeitado com Lula e Amorim

18 de setembro de 2018

Via PT na Câmara em 15/9/2018

O ativista e professor emérito de linguística do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Noam Chomsky, elogiou na sexta-feira [14/9] o papel que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve ao levar o Brasil a um papel central na comunidade internacional, condição que era prevista cem anos atrás. A afirmação foi feita no seminário internacional “Ameaças à democracia e à Ordem Multipolar”, realizado pela Fundação Perseu Abramo.

Noam Chomsky abriu sua apresentação fazendo uma saudação a Lula. “Não posso deixar de notar a ausência da pessoa que seria por direito nosso candidato do Brasil. Conheci Lula há alguns anos, pouco antes de ele assumir o governo. Fiquei impressionado e tenho mantido essa boa impressão”, disse.

O filósofo segue atento às transformações do capitalismo e preocupado com o destino da democracia. De passagem pelo Brasil, o linguista e filósofo de 89 anos debateu o progressismo e o neoliberalismo ao lado de outros líderes estrangeiros.

Ao final, Noam Chomsky também elogiou a condução do ex-presidente Lula e do chanceler Celso Amorim nas relações exteriores e deixou uma mensagem de esperança aos brasileiros.

“O Brasil viveu o sonho de ser o ‘colosso do sul’ há poucos anos, quando se tornou o país mais respeitável do mundo sob a liderança do presidente Lula e Celso Amorim. Não se deve subestimar os obstáculos, mas também não podemos minimizar a capacidade do espírito humano em superar e prevalecer”.

Crise da democracia – Chomsky apontou que a ascensão recente da direita em democracias com longo histórico progressista (mais recentemente, o parlamento da Suécia elegeu quase metade de candidatos da direita) guarda algumas semelhanças com os anos 30. “[A Suécia] reproduziu um padrão dos anos recentes, sob o qual o centro tem decaído é os partidos da extrema-direita ganham terreno.”

Ele também refletiu sobre as consequências da ofensiva neoliberal que domina a economia norte-americana desde o fim dos anos 70, sob a missão de enfraquecer sindicatos e solapar garantias salariais e trabalhistas. “Em termos reais, o salário médio dos trabalhadores tem caídos desde os anos 70, quando começou o avanço neoliberal de [Margaret] Thatcher e [Ronald] Reagan.”

Desde então, avalia, o conservadorismo foi dando lugar a uma ideologia que ignora a segurança social por completo e trata direitos como empecilhos ao avanço econômico. “Antes da crise de 2008, o economista Alan Greenspan era considerado um “santo” e fez muito sucesso dizendo que o crescimento da economia dependeria da crescente insegurança dos trabalhadores” disse. “Mas o que temos são trabalhadores vivendo cada vez pior e amedrontados demais para pedir um aumento.”

“Quando veio a crise de 2008, o congresso aprovou uma legislação em duas partes: vamos resgatar os banqueiros e ajudar as pessoas que haviam perdido suas casas. Para a maior parte da população, ter uma casa é fonte de riqueza. Quando sobe a bolsa, uma parcela muito pequena se beneficia, eles se beneficiam quando sobe o preço de suas casas. É fácil adivinhar qual dessas políticas foram implementadas.”

Chomsky também pontuou o avanço do poder financeiro sobre a política. Ele conta que lobistas, cuja atividade é legalizada no país, chegam até mesmo a redigir os projetos de lei que serão apresentados aos candidatos. Somam-se a isso os empecilhos ao voto dos mais pobres e o financiamento astronômico de campanhas. “É possível prever quem será eleito apenas olhando o volume de financiamento que cada candidato recebeu.”

“No inglês, a palavra lucro virou um palavrão, quando um político diz que está trabalhando a favor dos empregos, você tem que entender que ele está trabalhando a favor do lucro.”

***

Seminário da Fundação Perseu Abramo discutiu o neoliberalismo como ameaça à democracia.

PARA LÍDERES E INTELECTUAIS, ELEIÇÃO NO BRASIL É DECISIVA PARA AMÉRICA LATINA E O MUNDO
O linguista norte-americano Noam Chomsky e o ex-primeiro-ministro da Espanha José Luís Zapatero, entre outros, ressaltaram a importância de Lula não só como presidente do Brasil, mas como líder mundial.
Eduardo Maretti, via RBA em 15/9/2018

Intitulada “O progressismo e o neoliberalismo em um mundo em desenvolvimento”, a segunda mesa do seminário Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar – realizado pela Fundação Perseu Abramo (FPA) na sexta-feira [14/9] – foi marcada por um amplo debate a respeito das relações conflituosas entre a democracia e o neoliberalismo. A questão brasileira foi analisada no contexto histórico desde o golpe contra Dilma Rousseff, em 2016, até as eleições que acontecem em outubro no país, com a ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Participaram da segunda mesa Noam Chomsky, professor emérito em linguística do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Estados Unidos); Cuauhtémoc Cárdenas, ex-governador do Distrito Federal do México; José Luís Rodrigues Zapatero, ex-primeiro-ministro da Espanha; o chileno Carlos Ominami, ex-senador e diretor da Fundación Chile 21; e Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas. A mesa foi coordenada pela ex-ministra do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão Miriam Belchior. O seminário foi uma iniciativa do ex-chanceler Celso Amorim.

Os participantes ressaltaram a importância de Lula não só como presidente do Brasil, mas enquanto líder mundial. “Não podemos deixar de pensar na pessoa que deveria ser nosso candidato à presidência. Conheci-o há dez anos e fiquei muito impressionado”, disse Noam Chomsky, com 91 anos, ao iniciar sua fala, na qual ressaltou o avanço da direita e extrema-direita em vários países na Europa. Segundo ele, o Brasil se tornou respeitável no mundo sob o governo Lula e com Amorim nas Relações Exteriores.

Chomsky citou a Suécia como exemplo do crescimento da extrema-direita. Nesse país, eleições gerais realizadas na quinta-feira [13/9] deram vitória ao bloco de esquerda, mas com importante crescimento da direita extremista.

Embora resultados como esse sejam atribuídos aos efeitos da imigração – explicou –, há razões mais profundas para o avanço neonazista na Europa. “O aumento dos votos para a extrema-direita vem de setores que têm pouco contato com os imigrantes, mas foram esquecidos pelo Estado e achavam, com razão, que foram abandonados pelas instituições políticas.” Segundo ele, desde o assalto do neoliberalismo na geração anterior, a recessão profunda de 2008, com impactos catastróficos, agravou o abandono social e deixou um legado “que nos empurrou ao abismo”.

Carlos Ominami apontou para duas “ausências sentidas” no atual quadro político brasileiro e latino-americano: Marco Aurélio Garcia (que morreu em 20 de julho de 2017) e Lula, para ele “o líder político mais importante do Brasil e principal líder progressista do mundo”. “Desaparecido Mandela, resta Lula. Principalmente pela sua liderança, tentaram destruí-lo. Não conseguiram. Hoje ele é maior do que ontem. E, vendo o que acontece na América Latina hoje, como Marco Aurélio faz falta”, exclamou.

Zapatero fez uma exposição chamando a esquerda e setores progressistas ao otimismo. Se disse motivado pela campanha de Fernando Haddad à Presidência da República. “É uma campanha decisiva para o Brasil, a América Latina e a ordem global.” Na opinião do ex-primeiro-ministro espanhol, o Brasil é uma “referência decisiva” para a América Latina, após o governo petista. “O Brasil de Lula deixou legados importantes: nunca ninguém tinha empenhado uma força contra a miséria no mundo como Lula, e sem ele não haveria compromisso no mundo para erradicar a morte por fome.”

O líder espanhol baseou sua argumentação em alguns pontos, principalmente a ideia de que a política é uma prática da esquerda. “A direita é que não gosta da política. Nossa tarefa é fazer com que se acredite nas instituições. Façam o esforço para que outubro (nas eleições) abra uma porta diferente no Brasil. Vimos o Brasil construir os melhores momentos de sua história nos últimos anos.”

Reafirmando seu otimismo, Zapatero acrescentou, com uma exortação: “Fernando (Haddad) vai ser o presidente. Eu sei disso. Vai ser uma vitória generosa. Deem esse exemplo de generosidade. Digam isso ao conjunto da América Latina.”

Ele lembrou que o México elegeu em julho deste ano o esquerdista Andrés Manuel López Obrador. “(A situação) começou a mudar a partir do México. A direita pode frear alguns processos, mas a esquerda vai se impor. Convençam-se disso”.

O mexicano Cuauhtémoc Cárdenas descreveu a realidade de seu país – governado por um projeto neoliberal e alinhado aos Estados Unidos há décadas – como muito semelhante ao que acontece ao Brasil de Michel Temer. O México também conta com uma enorme concentração da riqueza. Houve privatizações em larga escala de empresas estratégicas, desindustrialização, perda da qualidade na educação, redução do alcance da Previdência Social, reforma trabalhista com retirada de direitos e reformas estruturais.

O país passou por um processo pelo qual se desfez de boa parte de sua riqueza energética. “Isso nos fez perder constitucionalmente o controle dos recursos do subsolo, com o desmonte da indústria petroleira, que tinha sido o motor da industrialização e foi desmontada, e os recursos estão sendo entregues”, disse Cárdenas.

Também para o chileno Ominami, uma eventual vitória de Fernando Haddad no Brasil terá um “peso extraordinário” na geopolítica da região. “Obrador e Haddad representam 70% da população da América Latina. Enquanto isso, (Maurício) Macri, a ‘grande estrela’, hoje vive um ocaso”. Segundo ele, “a deposição de Dilma Rousseff é o fato mais grave na América Latina desde a derrubada de (Salvador) Allende”. Embora não se possa comparar a brutal intervenção militar que depôs o chileno em 1973 com o impeachment de Dilma, este “é um golpe branco, mas é um golpe”.

Zapatero, que fez a intervenção mais longa na mesa da tarde, observou que considera “incrível tantos políticos levantarem a voz contra a Venezuela, mas ficarem em silêncio diante do impeachment no Brasil”.

Na opinião do economista Bresser-Pereira, há uma visível “piora” na democracia brasileira, mas ela não está ameaçada por algo semelhante ao quadro instaurado após o golpe de 1964. “Imaginar a volta a um regime autoritário, eu não creio nisso. Existem classes trabalhadoras e a classe média que não vão aceitar. Aceitaram o golpe que vitimou Dilma. Mas não aceitariam uma ditadura por 20, 30 anos.”

Ainda ressaltando o otimismo, Zapatero manifestou a expectativa de que, com a vitória progressista no México, e com o Brasil seguindo o mesmo caminho, a situação na Venezuela comece a ser revertida. “Espero que, após as eleições, o Brasil ajude a mudar os métodos que querem implantar na Venezuela. Mantenham o otimismo, porque os valores da esquerda foram os que mudaram os destinos de milhões”, concluiu o espanhol.

O mundo repudia a prisão de Lula

14 de setembro de 2018

Frederico Rocha Ferreira em 13/9/2018

A prisão arbitrária do ex-presidente Lula gera repúdio ao redor do mundo, aprisiona o Brasil em sua mediocridade e mergulha o país em profunda crise moral, política e econômica.

Se o impeachment da presidenta Dilma Rousseff nunca foi digerido pelos observadores internacionais, a prisão do ex-presidente Lula por sua vez, gerou indignação em importantes autoridades e líderes mundiais, que cobram das autoridades governamentais brasileiras, providências contra o que entendem ser um ataque à democracia, ao Estado Democrático de Direito.

Tão logo ocorreu a condenação de Lula, a imprensa internacional passou a ver nas ações do judiciário brasileiro, um viés político. O francês Le Monde, repercutiu o pensamento do professor. Thiago Bottino, da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, dizendo que; “por trás das decisões judiciais de Moro, há intenções políticas1“ e o alemão Der Spiegel, assinalou que; “Moro confirma o que os críticos lhe reprovam há um longo tempo: que as ações jurídicas do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, seguem critérios políticos e não legais”2, mas, também, importantes autoridades do cenário mundial, passaram a denunciar a ruptura democrática no Brasil.

Sem meias palavras, a ex-ministra da Justiça alemã, Herta Däubler-Gmelin, disse; “Há, com certeza, dúvidas sobre a imparcialidade no processo e na independência da Justiça […] O caso [de Lula] mostra como pode ser prejudicial quando a justiça emprega a politização e não métodos jurídicos do Estado de Direito e se preocupa mais em derrubar adversários políticos para proteger o seu interesse de poder3”. Já o linguista americano Noam Chomsky, uma das maiores referências da esquerda no mundo, afirmou que o ex-presidente foi preso por sua ação em prol dos mais pobres4.

Em abril, quando o pedido de Habeas Corpus do ex-presidente foi negado pelo Supremo Tribunal Federal5, em seguida, em maio, um manifesto pró Lula foi assinado pelo ex-presidente da França, François Hollande; por José Luis Rodrigues Zapatero, ex-primeiro-ministro da Espanha; por Massimo D’Alema; Enrico Letta e Romano Prodi; ex-presidentes do conselho de ministros da Itália e por Elio Di Rupo, ex-primeiro ministro da Bélgica, em que diziam que a prisão foi “apressada” e pediam a liberdade de Lula e a restituição de seu direito de ser candidato nas eleições presidenciais de 20186.

A situação embaraçosa na qual o Brasil se meteu, inclusive com o estremecimento das relações entre o governo de Michel Temer e o Vaticano7, parece estar longe do fim. No dia 26 de julho, o senador Bernie Sanders, que foi pré-candidato à presidência dos Estados Unidos em 2016, assinou com mais 28 congressistas americanos um documento que foi endereçado ao embaixador do Brasil em Washington8, Sérgio Amaral, onde reconhecem a ilegalidade da prisão do ex-presidente Lula e denunciam o “ataque à democracia no Brasil”. No documento, os congressistas juntam-se nominalmente aos protestos dos ex-presidentes, Michelle Bachelet, do Chile e François Hollande, da França, assim como do ex-primeiro-ministro da Espanha, José Luiz Zapatero.

O documento encabeçado pelo senador Sanders, destaca ainda que a prisão do ex-presidente Lula, se fundamenta em “acusações não comprovadas” e que seu julgamento é “altamente questionável e politizado” e pede providências ao governo brasileiro.

A pressão internacional contra a prisão de Lula tomou contornos oficiais, quando o Comitê de Direitos Humanos da ONU, recomendou ao Brasil que assegurasse os direitos políticos ao ex-presidente. Segundo o Comitê, nenhum órgão do Estado brasileiro pode cercear o direito do ex-presidente, de concorrer nas eleições presidenciais de 2018, até que haja decisão transitada em julgado de seu processo9.

Como o Brasil incorporou por meio do Decreto nº 6.949/2009, ao ordenamento jurídico, o Protocolo Facultativo que reconhece a jurisdição do Comitê de Direitos Humanos da ONU e a obrigatoriedade de suas decisões, deve, para não fugir às suas responsabilidades, cumprir a determinação10. Todavia, o Brasil reluta em assumir suas responsabilidades de “Estado parte”, inclusive com o aval do Exército, que se manifestou através do Comandante, general Villas Bôas, afirmando que o parecer do Comitê dos Direitos Humanos da ONU, é uma “invasão à soberania nacional11”.

A irresponsabilidade, arbitrariedade, descaso, falta de princípio ético e moral da classe dirigente do país que repercute no mundo, aqui no Brasil não é novidade, é uma realidade, sabida e vivida há longo tempo pelo povo.

Universidade argentina concede título de Doutor Honoris Causa a Lula

14 de setembro de 2018

Lula recebendo o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Salamanca, na Espanha.

Via DCM em 13/9/2018

A Universidade de Comahue, em Nenquén, Argentina, acaba de conceder um título de doutor honoris causa para Lula.

A cerimônia de entrega será no dia 27 de setembro. Obviamente, o ex-presidente não poderá comparecer, pois se encontra injustamente preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Em documento, o reitor da universidade diz considerar o fato um “importante acontecimento” para a instituição.

***


%d blogueiros gostam disto: