Archive for the ‘Brasil’ Category

Leandro Fortes: Memorial do rola-bosta

24 de maio de 2017

Leandro Fortes em 23/5/2017

Eu invejo a maneira como muita gente, sobretudo na esquerda, entra em modo republicano assim que uma figura abjeta como Reinaldo Azevedo cai em desgraça.

Invejo, juro, essa pureza d’alma, essa compaixão cristã, essa energia namastê.

Porque, impuro que sou, depois de ouvir os diálogos de Reinaldo com Andrea Neves, aquela conversa de comadres ornamentada com troca de poemas decorados de almanaques de farmácia, não vi nenhuma relação repórter/fonte.

Vi, sim, um bajulador compulsivo com uma bandida revelada numa prosa imoral, como bem cabe a ambos.

Vi o irresponsável de extrema-direita de sempre, o rato que estimulou o ódio de classe e a indigência jornalística para se projetar no esgoto a céu aberto da mídia e, com isso, ganhar o dinheiro e a fama que jamais atingiria pelos méritos profissionais, repórter medíocre e irrelevante que sempre foi.

Agora, querem transformá-lo num mártir da liberdade de imprensa.

Então, apenas para registro, deixo aqui minha opinião definitiva sobre esse episódio: eu quero mais é que Reinaldo Azevedo e sua turba de dementes se afoguem na merda, para sempre.

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Rodrigo Janot anexa grampos de conversa de Reinaldo Azevedo com Andrea Neves em inquérito

Rodrigo Janot anexa grampos de conversa de Reinaldo Azevedo com Andrea Neves em inquérito

23 de maio de 2017

Em grampo, Reinaldo Azevedo chama reportagem da Veja de ‘nojenta’ e critica Janot para irmã de Aécio. Jornalista diz que divulgação de conversa com fonte fere garantia constitucional de sigilo da fonte. “Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela”

Filipe Coutinho, via BuzzFeed News em 23/7/2017

Passava da meia-noite de quarta para a quinta-feira, 13 de abril. De um lado da linha, está Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB/MG) e presa pela Lava-Jato. Naquele momento, os irmãos eram investigados e estavam sendo grampeados pela Polícia Federal, com autorização da Justiça.

Era o auge da delação da Odebrecht: horas antes, o Supremo Tribunal Federal havia divulgado a íntegra das acusações da empreiteira.

Um dos políticos mais atingidos era Aécio. Do outro lado da linha, estava o jornalista Reinaldo Azevedo, titular de um dos blogs mais influentes do site da revista Veja.

Ao ser procurado pela reportagem do BuzzFeed, ele anunciou sua demissão da Veja e disse que não era investigado, mas que a divulgação da conversa tinha o jornalista, e não Andréa Neves, como foco.

“Há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo”, escreveu.

Leia a íntegra da nota abaixo, ao final do texto.

A PF não considerou indícios de crimes na conversa realizada entre o jornalista e sua fonte, Andrea Neves. Mesmo assim, as gravações foram anexadas pela Procuradoria Geral da República ao conjunto de áudios anexados ao inquérito que provocou o afastamento de Aécio e a prisão da irmã. O tom entre o colunista e a operadora do tucano é de cordialidade – o que não é incomum na relação entre jornalistas e as suas fontes.

O assunto é justamente as graves acusações contra Aécio, na delação da Odebrecht. É uma conversa mútua de críticas à Odebrecht, Lava-Jato e até à revista Veja, sempre em defesa de Aécio.

Andrea Neves – Tudo bem e você?
Reinaldo Azevedo – Se eu não aguento mais, imagino vocês…
Andrea Neves – Virou uma salada de frutas, um negócio maluco.

Um dos assuntos discutidos é um dos pontos da delação da empreiteira. A acusação de que o empresário Alexandre Accioly, dono da academia Bodytech, emprestou uma conta em Cingapura para Aécio receber propina. O caso foi revelado pelo BuzzFeed. Ele nega as acusações.

Andrea Neves – Aí aparece uma história maluca, que já tinha aparecido um mês atrás mais ou menos naquele site BuzzFeed, dessa conta do Accioly em Cingapura. Que era, em tese, o mesmo dinheiro da minha em Nova Iorque, que é o tal dinheiro da [usina] Santo Antônio. É essa coisa mágica, que ninguém consegue explicar, porque que o Aécio poderia ganhar uma bolada desse tamanho numa obra que é do governo federal. […]

O assunto então muda para a Veja. A revista havia publicado, na capa, que a delação da Odebrecht trataria o pagamento de propina a Aécio em Nova Iorque, numa conta em nome da irmã Andrea. Esta suposta conta que Veja atribuiu a Andrea Neves nos EUA nunca apareceu.

Com a divulgação pelo Supremo da delação de Henrique Valladares, citada na reportagem de capa, os dois passam então a criticar a revista.

Andrea Neves – Agora, que está acontecendo na Veja, o que o pessoal fez…
Reinaldo Azevedo – Ah, eu vi. É nojento, nojento. Eu vi.
Andrea Neves – Assinaram todos os jornalistas e vão pegar a loucura desse cara para esquentar a maluquice contra mim.
Reinaldo Azevedo – Tanto é que logo no primeiro parágrafo, a Veja publicou no começo de abril que não sei o que, na conta de Andrea Neves. Como se o depoimento do cara endossasse isso. E ele não fala isso.
Andrea Neves – Como se agora tivesse uma coleção de contas lá fora e a minha é uma delas.
Reinaldo Azevedo – Eu vou ter de entrar nessa história porque já haviam me enchido o saco. Vou entrar evidentemente com o meu texto e não com o deles. Pergunto: essas questões que você levantou para mim, posso colocar como se fosse resposta do Aécio?
Andrea Neves – Nós mandamos agora para a Veja uma nota para botar nessa matéria.
Reinaldo Azevedo – Não quer mandar para mim também?
Andrea Neves – Mando.

A irmã do senador e Reinaldo Azevedo começam então a criticar a Lava-Jato. Ela afirma que a Procuradoria Geral da República separou investigações contra Aécio para que ele fosse considerado o campeão de inquéritos.

Andrea Neves – Você tem vários casos, todos juntados. Como eles queriam que o Aécio aparecessem como campeão de inquéritos…
Reinaldo Azevedo – Sim, esse era o objetivo.
Andrea Neves – […] É inacreditável, é uma covardia.
Reinaldo Azevedo – […] É incrível, a Odebrecht agora virou a grande selecionadora de quem sobrevive e morre na política. A Odebrecht nunca teve tanto poder. É asqueroso. Me manda esse levantamento, me interessa, sim.

O levantamento citado no diálogo é uma compilação dos inquéritos que, segundo Andrea Neves, mostraria que Janot adotou um critério de caixa dois para os citados e outros para Aécio.

Entre os dias 13 e 14 de abril, foram dois textos publicados pelo jornalista sobre o tucano. O primeiro relata as acusações da Odebrecht e a posição da defesa. Já o segundo texto é em tom similar à conversa com Andrea Neves: “Janot aplica a Aécio critério de exceção, e inquéritos procriam!”

No final do diálogo gravado, há ainda uma crítica a Janot.

Reinaldo Azevedo – A gente precisa ter elementos objetivos de um certo senhor mineiro aí, cuidando da candidatura dele ou à presidência ou ao governo do Estado.
Andrea Neves – Como assim?
Reinaldo Azevedo – O nosso procurador-geral.
Andrea Neves – Você está achando?
Reinaldo Azevedo – Ôxi. fiquei sabendo que está tendo conversas. Eu só preciso ter gente que endosse isso de algum jeito. Ter um pouco mais de elementos concretos. Que ele está, está. Presidência talvez não, mas o governo de Minas, sim.

Andrea Neves cita, em tom de chacota, a presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia. Ela é mineira.

Andrea Neves – Vai disputar com a Carminha (risos).
Reinaldo Azevedo – Ah, deve ser né. Sua prima (risos).

A conversa se encerra.

No dia seguinte, a Polícia Federal registra novo diálogo. A gravação, contudo, registra uma conversação truncada, com as vozes dos dois se sobrepondo, logo no início da chamada. Reinaldo Azevedo e Andrea Neves declamam poemas um para o outro.

Primeiro, o jornalista cita o poeta Cláudio Manoel da Costa. “É um poema lindíssimo que ele fala justamente de uma coisa que eu constatei quando fui a Belo Horizonte. A cidade cercada de montanhas. E aí ele diz assim: essas montanhas poderiam ter endurecido o coração. Mas não, tiveram efeito contrário”.

Andrea Neves declama então um trecho que havia decorado na infância: “Bárbara bela, do Norte estrela, que o meu destino sabes guiar, de ti ausente, triste, somente as horas passo a suspirar”.

De repente, Andrea Neves corta o papo: “Reinaldo, posso te ligar num segundo? É que nós estamos com um problemão agora com o Jornal Nacional…”

Procurado, Reinaldo Azevedo anunciou que pediu demissão de Veja.

“Pela ordem:
Comecemos pelas consequências.
Pedi demissão da Veja. Na verdade, temos um contrato, que está sendo rompido a meu pedido. E a direção da revista concordou.
1) não sou investigado;
2) a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;
3) tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;
4) como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;
5) mas me ocorreu em seguida: “se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é crítico ao trabalho da patota;
6) em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerada um escândalo. Por aqui, não;
7) tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava-Jato, de incensar seus comandantes.
8) Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;
9) Bem, o blog está fora da Veja. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo;
10) O que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;
11) e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo”.

Já deu para entender por que derrubaram Dilma?

23 de maio de 2017

A pedagogia de um golpe. Essa poderia ser a narrativa dos últimos 12 meses no Brasil.

Via Brasil 247 em 22/5/2017

Há pouco mais de um ano, quando o escritor português Miguel Sousa Tavares definiu a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como uma “assembleia de bandidos presidida por um bandido”, muitos se recusavam a acreditar numa definição tão óbvia e tão precisa.

Foi preciso que os golpistas fossem caindo, um a um, para que a verdade viesse à tona.

O primeiro a tombar foi Eduardo Cunha, hoje condenado a mais de 15 anos de prisão, por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Pelas delações da JBS, já se sabe que Cunha recebeu propinas para sair comprando deputados – parlamentares que lhe foram fiéis na fatídica votação de 17 de abril de 2016.

Com sua bancada, alimentada por um mensalão particular, Cunha tentava extorquir o governo federal.

Dilma, na medida do possível, resistia.

A tal ponto que, já no seu primeiro mandato, trocou todos os diretores da Petrobras que acabaram presos em Curitiba, como Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada – este, homem de confiança do PMDB na área internacional da estatal. Nesta diretoria específica, ela reduziu em mais de 40% um contrato que renderia uma propina de US$40 milhões para o PMDB, segundo ficou acertado numa reunião presidida por Michel Temer (leia mais aqui).

Pelas delações da JBS, soube-se também que, em seu primeiro mandato, Dilma demitiu Wagner Rossi, que atuava como arrecadador de propinas para Temer (leia mais aqui), assim como demitiu outros notórios personagens da “turma do Michel”, como Moreira Franco, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima.

O caso Aécio
Ao seu modo, Dilma foi conseguindo conter o apetite criminal do PMDB, mal necessário para lhe garantir a governabilidade. O barco começou a virar quando Cunha, graças a sua bancada mensaleira, conseguiu se eleger presidente da Câmara dos Deputados, para, em seguida, se aliar ao senador (hoje afastado) Aécio Neves (PSDB/MG), um derrotado ressentido que, de repente, se viu sem nenhuma máquina política nas mãos, uma vez que perdera não só a presidência da República, como também o governo de Minas Gerais.

O casamento entre Cunha e Aécio era movido, agora se sabe, por propósitos puramente criminais. Andrea, a irmã de Aécio, chegou a oferecer a presidência da Vale ao empresário Joesley Batista por nada menos que R$40 milhões. Aécio era tão guloso em sua demanda financeira que Joesley chegou a pedir “pelo amor de Deus” para que ele parasse de pedir dinheiro (leia mais aqui).

E foi Aécio quem contratou Janaina Paschoal, por R$45 mil, para que ela fizesse o parecer das chamadas “pedaladas fiscais”, que foi o pretexto para jogar o Brasil no precipício. Golpeada a democracia, o Brasil passou a ser governado, sem nenhum tipo de moderação, por uma verdadeira quadrilha. No governo federal, já há nove ministros investigados e, nos próximos dias, o próprio ocupante da presidência será investigado por corrupção, obstrução judicial e organização criminosa – fato inédito na história brasileira.

O responsável por essa tragédia, Aécio Neves, caiu em desgraça e até sua contratada Janaina Paschoal hoje pede sua prisão (leia aqui).

A luta permanente pela democracia
Mesmo golpeada por delinquentes, Dilma Rousseff se manteve de cabeça erguida. Rodou o mundo, denunciando o golpe, enquanto Temer, que usurpou sua presidência, não conseguiu colocar os pés na rua. Viveu trancado em palácios, protegido pelo silêncio de uma mídia decadente que, depois de apoiar o golpe militar de 1964, não se redimiu do passado e se associou ao golpe parlamentar de 2016.

Embora Temer esteja nos seus estertores, o golpe ainda não chegou ao fim – e não se sabe se, após a inevitável queda do presidente-golpista, o Brasil terá um reencontro com a democracia pela via das eleições diretas ou se haverá um pacto oligárquico que preserve o atual status quo, após o sacrifício de um usurpador que se tornou pesado demais para ser carregado.

Mas o Brasil ainda deve um pedido de desculpas a Dilma: a presidente que caiu porque tentou resistir à bandidagem que hoje governa o Brasil.

P.S.: E antes que se diga “ah, mas e os R$150 milhões no exterior da JBS para Lula e Dilma”, a própria Globo já se retratou (leia mais aqui).

Os ataques da Globo ao BNDES

23 de maio de 2017

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 22/5/2017

Não é difícil imaginar como vai acabar a relação BNDES-JBS por causa da Lava-Jato, se por exemplo for tomada a devassa que a operação promoveu, em parceria com a mídia, na Petrobras e nas grandes empreiteiras do País. É com essa preocupação em vista que a reportagem do Fantástico sobre o banco, veiculada no último domingo (22), deve ser revisitada.

O programa dominical da TV Globo dedicou quase que a edição inteira a relembrar as revelações que Joesley Batista fez sobre Michel Temer e Aécio Neves na última semana. E, em reportagem de quase 4 minutos e meio, contou a história de um suposto funcionário do BNDES que poderia ter favorecido o grupo JBS em transações bilionárias.

Para dar dimensão ao suposto escândalo, o Fantástico cita o volume de recursos que o BNDES “injetou na JBS” durante o governo Lula (2007-2010): R$8,1 bilhões, dando a entender que todo esse montante foi fruto de operações ilícitas.

Contraponto a essa informação é a própria delação do Joesley Batista, na qual o dono da JBS nega repasses irregulares a qualquer agente do BNDES.

Ao contrário disso, ele afirmou à Lava-Jato que nunca pagou propina por qualquer projeto do BNDES, e que tudo que recebeu de financiamento do banco para expansão da empresa foi dentro das normas rigorosas da instituição. Por não encontrar mais burocracia do que a que já existe é que Joesley diz ter criado, em acordo com Guido Mantega, um caixa virtual para o PT, formado por duas contas no exterior, de onde supostamente tirou os recursos que investiu em campanhas políticas, em 2014. O GGN tratou do assunto nesta matéria aqui.

Essa declaração, que o Fantástico omitiu, consta no vídeo da delação de Joesley divulgado na semana passada. Sobre ela, o Valor publicou: “Joesley faz questão de reforçar, no depoimento, que a relação da empresa com o BNDES sempre foi técnica, sem nenhum comportamento ilícito. “Minha relação sempre foi difícil com o banco. Acho até que eles eram mais rigorosos comigo que com meus concorrentes. Não sei se era para me obrigar a pagar propina”, ponderou em sua delação.”

Outro dado usado pelo programa para lançar suspeitas sobre o BNDES é o fato do funcionário José Cláudio Rego Aranha ter ocupado dupla função no período citado: foi chefe do departamento do mercado de capitais do banco e conselheiro da JBS.

O Fantástico tratou Aranha como responsável por “favorecer”, no BNDES, a JBS em três operações financeiras, envolvendo a fusão com o grupo Bertin e a compra da Natural Beef e da Smithfield (gigantes do mercado de carne nos EUA). O investimento, nos dois últimos casos, girou em torno de quase R$1 bilhão. Especialistas entrevistados pela equipe da Globo disseram que, no mínimo, Aranha tinha um grande conflito de interesses nesses casos.

Nota do próprio BNDES ao Fantástico esclarece que, pela norma praticada à época, Aranha não cometeu nenhuma irregularidade. A participação de funcionários do banco no Conselho de Administração da JBS, aliás, era protocolar, já que ambos são sócios.

Fantástico ainda citou que parte dos projetos nos EUA não saiu do papel como se a hipótese clara fosse de que dificuldades foram criadas para propiciar pagamento de propina.

Ocorre que a transação sobre a Natural Beef e Smithfield não foi concluída em 2008 por entrave imposto pelo governo dos EUA, que queria frear a entrada da JBS no mercado daquele País. Se o grupo brasileiro tivesse comprado as duas empresas estrangeiras, ameaçaria o reinado da número 1 em produção de carne nos EUA. A compra da Smithfield acabou ocorrendo em 2010. Essa informação, Fantástico também não veiculou.

Já a fusão da JBS com o grupo Bertin virou alvo oficial da Lava-Jato na semana passada, quando foi deflagrada a operação Bullish, que alega corrupção nessa transação. O Citibank tem interesse nessa empreitada. Funcionários do BNDES foram levados coercitivamente para depor, sem que tivessem sido convidados a colaborar antes. A Associação dos Funcionários do BNDES repudiou o expediente. O Fantástico citou apenas a condução coercitiva de Aranha.

Outra informação que o programa não esclareceu é que os R$8,1 bilhões injetados pelo BNDES na JBS garantiram ao banco a participação de pouco mais de 20% nos lucros da empresa de Batista. Por isso, o BNDES tem direito a duas cadeiras no Conselho de Administração da JBS.

Somente após a chegada de Temer ao poder foi que a cúpula do banco alterou as normas internas e, agora, indica conselheiros que não fazem parte do seu quadro de funcionários.

Leia também:
Globo acusa JBS de tirar proveito do que ela mesma já fez: ser salva pelo BNDES

Rodrigo Maia já arquivou 5 dos 8 pedidos de impeachment contra Temer

23 de maio de 2017

Via Brasil 247 em 22/5/2017

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), já arquivou cinco dos oito pedidos de impeachment contra Michel Temer que deram entrada na Casa. Maia, que também é investigado pela suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, foi citado por vários delatores da empreiteira Odebrecht como sendo beneficiário de propinas pagas pela construtora.

Os arquivamentos, segundo relata a coluna do jornalista Ricardo Noblat, teriam sido motivados pela precariedade das ações, que teriam sido baseadas apenas em recortes de jornais. Os outros três pedidos também devem seguir o mesmo caminho, mas necessitarão de uma análise mais acurada por terem maior embasamento jurídico.

Nesta semana, contudo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) dever ingressar com um pedido de impeachment contra Temer, o que deverá demandar mais trabalho por parte de Maia, caso opte pelo arquivamento.


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