Archive for the ‘Brasil’ Category

Nas pegadas de Moro, o lavajatista Marcelo Bretas bajula Bolsonaro em busca de uma boquinha

17 de fevereiro de 2020

Bretas atira pra todo lado por um boquinha: Bolsonaro, Witzel, Crivella e general Heleno.

Via UOL em 17/2/2020

Antes de ganhar luz própria, o juiz Marcelo Bretas frequentava o noticiário como uma versão carioca de Sérgio Moro. Responsável pelos processos da Lava-Jato no Rio de Janeiro, o magistrado parece seguir os passos do ex-juiz de Curitiba também na seara política. Bretas escancarou no último final de semana um movimento que vinha administrando com discrição. Achegou-se definitivamente a Jair Bolsonaro.

“A Cidade Maravilhosa dá boas vindas ao sr. presidente da República Jair Bolsonaro e sua comitiva”, anotou Bretas na legenda de um vídeo que postou no Instagram. A peça exibe o desembarque do presidente no Rio, no último sábado. O juiz aparece na cena no final de uma fila de cumprimentos que incluía o prefeito carioca Marcelo Crivella e o senador Flávio Bolsonaro, investigado por suspeita de peculato e lavagem de dinheiro no caso da “rachadinha.”

Em atividade alheia às suas atribuições como magistrado, Bretas manteve-se a tiracolo de Bolsonaro na inauguração de uma obra viária: a alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha. Evangélico, o juiz deixou-se filmar junto com Bolsonaro também em cima de um palanque montado na Praia de Botafogo para celebrar os 40 anos da Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário RR Soares.

Num instante em que o presidente vive às turras com o ex-aliado Wilson Witzel, governador do Rio, Bretas testemunhou de perto a dancinha que potencializou a união de Bolsonaro com o prefeito Crivella. Abraçados, os dois rodopiaram ao som de um cântico de refrão sugestivo: “Ohhh Glória, nós damos glória. E vamos todos dar a volta da vitória…”

Há oito meses, Bretas voara a Brasília para encontrar-se com Bolsonaro, fora da agenda, no Palácio da Alvorada. Desde então, aproximava-se do Planalto sem alarde. A superexposição do último sábado ocorre a nove meses da aposentadoria do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal.

Caberá a Bolsonaro indicar o substituto de Celso de Mello. Ele já manifestou reiteradas vezes a intenção de encaminhar ao Senado um nome “terrivelmente evangélico”. Bretas se move como se desejasse frequentar o rol de opções do presidente. Além das imagens ao lado de Bolsonaro, o juiz pendurou no Instagram uma foto na qual aparece abraçado ao ministro Augusto Heleno (GSI), um dos principais conselheiros de presidente. “Registro minha admiração pelo sr. ministro general Heleno”, escreveu.

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Perguntado sobre milícia, o finíssimo Flávio Bolsonaro insinua que um de seus seguidores no Twitter “queima rosca”

17 de fevereiro de 2020

Via UOL em 17/2/2020

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido/RJ) rebateu um seguidor no Twitter que questionou o político sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega.

“Qual a melhor arma para queimar um arquivo, Flavinho?”, perguntou o seguidor ao senador, que respondeu: “Não sei, mas pra queimar a rosca você sabe!”.

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Acusado de ser um dos chefes da milícia de Rio das Pedras e do Escritório do Crime, um grupo de matadores de aluguel, Adriano foi morto no último final de semana na Bahia.

Em 2003, Adriano foi condecorado na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Na época, Flávio estava em seu primeiro ano como deputado estadual, e Jair Bolsonaro era deputado federal. O então policial do Bope recebeu uma moção de louvor pela “dedicação, brilhantismo e galhardia”.

Em entrevista à imprensa ontem, o presidente disse que, na época, foi ele quem pediu para o filho homenagear o policial. No entanto, Bolsonaro disse, logo em seguida, que só conheceu Adriano em 2005.

A morte de Adriano gerou uma troca de acusações entre Bolsonaro e o governador da Bahia, Rui Costa (PT).

O presidente foi questionado sobre a investigação do caso e levantou um atrito político. “Quem é o responsável pela morte do capitão Adriano? PM da Bahia, do PT. Precisa falar mais alguma coisa?” declarou.

Em publicação nas redes sociais, o governador rebateu a fala de Bolsonaro e insinuou que o miliciano possuía “laços de amizade com a Presidência”.

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Um encontro “imprecionante” do ministro da Educação

17 de fevereiro de 2020

Newsletter do The Intercept Brasil, por Leandro Demori e Rafael Moro Martins em 15/2/2020

Vasculhando as agendas públicas dos ministros do Bolsonaro, o repórter Rafael Neves notou que Abraham “imprecionante“ Weintraub recebeu anteontem lobistas de um método de ensino de matemática chamado Cingapura. O método ficou famoso nos últimos tempos por ter sido adotado por Jeff Bezos, dono da Amazon. O problema não é o método, mas as pessoas envolvidas no lobby. Weintraub apagou o nome de um deles de sua agenda oficial (por quê?), mas nós vamos contar quem são ele e sua turma.

Otávio Fakhoury.

O nome pode não te dizer nada até a gente contar que Fakhoury é da turma de milicianos virtuais do governo Bolsonaro. Ele entende tanto de educação quanto Weintraub de língua portuguesa. Fakhoury é bom mesmo em outra coisa: colaborador e conselheiro editorial dum site dedicado a implementar a agenda de extrema-direita chamado Crítica Nacional, ele já foi enrolado em CPI de notícias falsas.

O Crítica Nacional é um desses emanadores de lixo da internet. Seus links povoam os grupos de zap dedicados às mamadeiras de piroca de todos os dias, como o kit gay ou a mentira sobre ONGs tacando fogo na Amazônia. Em seus delírios supremos, o Crítica Nacional defende que existe um “poderosíssimo lobby pedófilo na ONU” alimentado, claro, pela esquerda (bu).

Fakhoury é o caso já clássico de nanico gestado pelo bolsonarismo em busca de um negócio com o poder público – porque ninguém é de ferro, claro. Ele foi financiador de campanhas de bolsonaristas. Em 2018, distribuiu R$108 mil a gente como Bia Kicis e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o príncipe sem reino.

Kicis, por exemplo, poderia ser redatora do Crítica Nacional: ela espalhou um vídeo claramente falso (parecia Hermes & Renato) que mostrava três guerrilheiros com vestes militares emoldurados por uma bandeira da Colômbia. Um cosplay de paramilitares das Farc ameaçando Bolsonaro e chamam Lula de “Comandante”. Um pastiche.

Mas alguém parece ter alertado Weintraub de que ter agenda pública com Fakhoury era dar muita bandeira. De um dia pro outro, seu nome foi retirado do ar.

Só que eles esqueceram de retirá-lo da agenda de uma assessora do MEC que também participou do mesmo encontro.

Quem são os outros participantes?

Uma candidata a deputada federal pelo PSL de São Paulo chamada Naomi Yamaguchi – foi ela quem pediu a reunião.

Uma empresária chamada Sílvia Fernanda Moura de Andrade, dona de uma fábrica de cosméticos em Itapetininga, interior de São Paulo – e de uma página de extrema-direita no Facebook (que surpresa) chamada Adeus PT.

E um sujeito chamado Marcus Tadeu Quarentei Cardoso, vereador em Itapetininga pelo PSDB, que na urna usou a profissão de delegado para abocanhar votos da extrema-direita.

Ninguém, como se vê, com currículo de educador.

Yamaguchi, a responsável pelo encontro, fez parte da equipe de transição do ex-ministro Ricardo Vélez, mas é formada em administração de empresas. Em um simpósio sobre escolas cívico-militares sediado na Câmara dos Deputados, em abril passado, ela disse ter conhecido o Método Cingapura em 2014 e descoberto o que o governo do país asiático “quer para os seus alunos”: a lista inclui valores como disciplina, lealdade e orgulho patriótico. A bobajada de sempre.

Não encontramos, igualmente, nenhuma qualificação educacional de Silvia Andrade ou de Marcus Tadeu. O vereador virou notícia em setembro do ano passado por outro motivo: teria autorizado cultos religiosos noturnos em um cemitério de Itapetininga sem aval da prefeitura.

Perguntamos ao MEC, via Lei de Acesso à Informação, porque o nome de Fakhoury foi retirado da agenda do ministro, qual a qualificação e a documentação entregues pelos proponentes do Método Cingapura, toda e qualquer apresentação feita por eles e a ata da reunião. Queremos saber se as pessoas que estão vendendo métodos educacionais ao governo entendem de… métodos educacionais.

Enquanto a resposta não vem, vamos deixar a imaginação preencher nossos dias em pensar que essa gente desqualificada (literalmente desqualificada) está vendendo algo que não conhece para os amigos do governo. A mamata, senhores. A mamata.

Bolsonaro assumiu ser o elo do clã com o miliciano Adriano

16 de fevereiro de 2020

Jeferson Miola em 15/2/2020

Em evento no Rio de Janeiro, Bolsonaro assumiu ser ele o elo de contato do clã Bolsonaro com Adriano da Nóbrega, o chefe do Escritório do Crime, milícia especializada em matadores de aluguel para assassinatos por encomenda.

Bolsonaro confessou que foi ele que mandou seu filho Flávio, então deputado estadual, homenagear e conceder honrarias a Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do RJ [Alerj]: “Para que não haja dúvida. Eu determinei [Flávio fazer a homenagem]. Manda pra cima de mim”, disse ele, acrescentando que Adriano era um “herói” [sic].

Ao ser questionado pelos repórteres se também havia pedido que Flavio empregasse a mãe e a mulher do miliciano Adriano da Nóbrega no seu gabinete, Bolsonaro reagiu: “Vocês estão passando para o absurdo”.

A partir deste momento da entrevista, segundo a Folha, Flávio assumiu o microfone e, sendo perguntado sobre o emprego da mãe e da esposa do miliciano, Bolsonaro interrompeu, retomou o microfone e reagiu ainda mais duramente: “Fica quieta, vai, deixa ele falar. Educação” [aqui].

Normalmente duro e implacável com todos aqueles que chama de bandidos e inimigos, Bolsonaro é estranhamente condescendente com Adriano.

Bolsonaro, por exemplo, defende a inocência do miliciano, embora alegue não ter vínculos com Adriano [sic]. Apesar de Adriano constar da ordem de captura internacional da Interpol, Bolsonaro sustentou que “Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando capitão Adriano por nada” [sic].

É no mínimo estranho que Bolsonaro tenha conhecimento de detalhes da trajetória criminal de Adriano, o miliciano que foi integrado ao círculo de relações e dos negócios da FaMilícia presidencial pelo foragido Fabrício Queiroz.

O assassinato de Adriano, como reconheceu Sérgio Moro [ler aqui], foi um acontecimento de enorme interesse para os Bolsonaro. Para a FaMilícia, Adriano passou a ter mais valor morto que vivo; era preciso queimar o arquivo que conhecia os segredos profundos dos Bolsonaro.

O incrível em tudo isso, entretanto, não é o envolvimento incontestável dos Bolsonaro com o submundo do crime.

O incrível mesmo é a opção da burguesia em apoiar esta expressão mais podre da barbárie. Uma opção odiosa da classe dominante, justificada em nome do ódio ao PT, do ódio à esquerda e do ódio ao povo – como exemplificou Paulo Guedes no ataque racista às empregadas domésticas.

Me engana que eu gosto : “Eu não conheço a milícia no Rio de Janeiro”, afirma Bolsonaro

16 de fevereiro de 2020

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress.

Via Brasil 247 em 16/2/2020

Durante evento no Rio de Janeiro na sábado [15/2], Jair Bolsonaro disse que não conhece milícia e negou que tenha alguma relação com milícia.

“Eu não conheço a milícia no Rio de Janeiro. Desconheço. Não existe nenhuma ligação minha com a milícia do Rio de Janeiro”, disse.

Para o colunista do jornal O Globo, Bernardo Mello Franco, a afirmação é contraditória.

“As palavras foram ditas neste sábado pelo presidente Jair Bolsonaro, que já defendeu a atuação dos grupos paramilitares em discurso e entrevistas. Ao renegar as milícias, Bolsonaro contradiz Bolsonaro”, enfatiza o colunista.

Durante discurso na tribuna da Câmara em 2003, o então deputado federal Jair Bolsonaro defendeu a atuação de milícias no país e exaltou a ação de um esquadrão da morte que aterrorizava o estado da Bahia como solução para a crise na área de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

“Quero dizer aos companheiros da Bahia – há pouco ouvi um Parlamentar criticar os grupos de extermínio – que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo”, disse.

Veja a imagem do discurso reproduzida da página da Câmara:

Bolsonaro_Discruso_Camara

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Bolsonaro diz que mandou o filho condecorar miliciano Adriano em 2005

16 de fevereiro de 2020

Na inauguração de uma alça viária que liga a Ponte Rio-Niteroi à Linha Vermelha, na Zona Portuária do Rio, Bolsonaro disse que Nóbrega era herói quando foi condecorado pelo filho Flávio Foto: Agência O Globo.

Presidente fala sobre Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope homenageado por Flávio Bolsonaro em 2005 e morto pela polícia no domingo [9/2].

Via Época em 15/2/2020

O presidente Jair Bolsonaro falou, pela primeira vez, no sábado [15/2] sobre a morte de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope que foi expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014 e tinha no currículo uma lista de acusações de crimes: de ser matador de aluguel, chefe de milícia, de atuar no jogo do bicho e com máquinas de caça-níqueis. Na inauguração de uma alça viária que liga a Ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha, na Zona Portuária do Rio, Bolsonaro disse que foi ele quem pediu ao filho Flávio, quando o hoje senador era deputado estadual fluminense, que homenageasse Nóbrega. Em 2005, Nóbrega recebeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

No evento de inauguração, Bolsonaro ainda disse: “Desconheço a vida pregressa dele (Nóbrega). Naquele ano (2005), era herói da Polícia Militar. Como é muito comum, um PM, quando está em operação, mata vagabundo, traficante”. Nóbrega estava detido quando foi homenageado por Flávio. Em janeiro de 2004, ele foi preso preventivamente, acusado pelo homicídio de um guardador de carro.

Em 2003, com apenas sete anos no Bope, Nóbrega foi alvo de uma série de suspeitas de irregularidades nas operações que comandava, o que acarretou sua saída da corporação de elite da polícia. Foi então transferido para o batalhão do bairro de Olaria, na Zona Norte da cidade, e lá seu currículo foi oficialmente manchado. O que antes eram apenas suspeitas de abusos e torturas contra moradores de comunidades se provaram reais. O Grupamento de Ações Táticas (GAT) da unidade que o capitão comandava ficou conhecido como “guarnição do mal” pelas favelas do bairro. Os policiais sequestravam, torturavam e extorquiam moradores em troca de dinheiro. Uma investigação da PM identificou pelo menos três vítimas do grupo chefiado por Nóbrega em 2003. Uma delas era Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, o guardador de carro que foi executado logo depois de denunciar que havia sido agredido.

Nóbrega chegou a ser condenado, mas o júri popular foi anulado em segunda instância. Na época, o então deputado federal Jair Bolsonaro o chamou, em discurso na Câmara, de “brilhante oficial” e prometeu agir para “reparar a injustiça” que havia sido cometida contra ele. Até aquele momento, nenhum PM despertara tanta devoção pública da família Bolsonaro.

Mais recentemente, o ex-policial foi citado na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura se houve “rachadinhas”no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual. Familiares de Nóbrega foram contratados como assessores no gabinete do então deputado estadual: a mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, de 2007 até novembro de 2018, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, de abril de 2016 a novembro de 2018.

Foragido, Nóbrega foi morto no município de Esplanada (BA), ao ser alvo de operação que envolveu as polícias baiana e fluminense na primeira semana de fevereiro. Mesmo o tendo cercado em um sítio, os policiais resolveram invadir a propriedade. E alegam terem matado Nóbrega após ele reagir.


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