Archive for the ‘Brasil’ Category

Destempero de Ciro preocupa as siglas mais propensas a apoiá-lo

20 de junho de 2018

Via Painel da Folha em 20/6/2018

Por que não te calas? A sequência de derrapadas de Ciro Gomes (PDT) alarmou até os mais propensos a apoiá-lo. Um cacique do PP tem dito que “o pior que pode acontecer” com o pedetista “é ele achar que já ganhou a eleição e sair falando bobagem”.

No Planalto e no PSDB o destempero foi objeto de comemoração. Os tucanos vão intensificar a ofensiva sobre o DEM. Alckmin pretende conversar com Rodrigo Maia (DEM/RJ) e ACM Neto (DEM/BA) na quarta-feira, dia 20/6.

A pessoas próximas, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, deixou claro que não nutre simpatia por uma aliança com o PT. Ao contrário. Sinalizou a Carlos Lupi, do PDT, que, se dependesse dele, o partido iria com Ciro Gomes.

A ELITE DEFENDE OS SEUS INTERESSES
O grupo de empresários e banqueiros que recebeu Michel Temer em jantar na sexta-feira, dia 15/6, decidiu convidar candidatos à Presidência para eventos semelhantes. A iniciativa tem como principal motor o medo de que o eleito promova um cavalo de pau na economia, revertendo medidas caras à elite, como a reforma trabalhista. Eles também querem entender a proposta dos presidenciáveis para a Previdência. Os primeiros convites devem ser feitos a Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

CENTRO-DIREITA
Auxiliares de Temer dizem que Henrique Meirelles, o pré-candidato do MDB, tem demonstrado nova disposição para o embate político. Não haveria, assim, mais aresta a ser aparada. Uma conversa com o PSDB se daria só a respeito de 2º turno.

PEPE VISITA LULA
Na quinta-feira, dia 21/6, Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, vai a Curitiba para tentar visitar Lula na carceragem da Polícia Federal.

Derrota da Lava-Jato: STF absolve Gleisi e Paulo Bernardo de corrupção e lavagem na Lava-Jato

20 de junho de 2018

Via Blog do Jota em 19/6/2018

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal absolveu na terça-feira, dia 19/6, a presidente do PT e senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) e seu marido Paulo Bernardo, o ex-ministro do governo Lula, dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em ação penal no âmbito da Lava-Jato.

Prevaleceu a tese levantada pelo ministro Dias Toffoli de que o Ministério Público Federal não conseguiu corroborar colaborações premidas com elementos de provas que comprovassem que a campanha da petista ao Senado em 2010 foi abastecida com o desvio de R$1 milhão de contratos com prestadoras de serviços da Petrobras. O ministro foi seguido por Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

A maioria da turma divergiu do relator da Lava-Jato, Edson Fachin, e do revisor, Celso de Mello, que votaram pela condenação de Gleisi por caixa dois, ou seja, por falsidade ideológica para fins eleitorais, descartando configuração de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Paulo Bernardo e o empresário Ernesto Kugler, ligado ao casal, foram absolvidos por unanimidade.

O resultado do julgamento deve influenciar o futuro político da senadora, que vinha avaliando disputar à Câmara e não mais ao Senado e que também se tornou uma das principais interlocutoras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba desde 7 de abril, após confirmação de condenação pela segunda instância.

O caso não encerra as questões da petista com a Justiça. A senadora e seu marido ainda respondem a outro inquérito em desdobramento da Lava-Jato, além de ser alvo de duas denúncias no STF, sendo uma por organização criminosa formada por políticos do PT para fraudar a Petrobras e outros órgãos públicos e outra pelo suposto recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht.

O inquérito começou a partir de delação premiada dos colaboradores Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, apontando quatro repasses no valor de R$250 mil foram feitos em 2010 destinados à campanha da parlamentar. De acordo com os colaboradores, a pedido de Paulo Bernardo, as entregas foram operacionalizadas pelo advogado Antônio Pieruccini, ligado a Youssef, que viajou de carro de São Paulo a Curitiba, onde se encontrou com Ernesto Kugler e entregou o dinheiro.

Para os procuradores, uma agenda apreendida pela Polícia Federal, pertencente a Paulo Roberto Costa, revelou o registro contábil da vantagem indevida com a indicação 1,0 PB. “A anotação ‘1,0 PB’ significa o repasse de R$1 milhão a Paulo Bernardo, marido de Gleisi Hoffman.

A PGR sustentou que Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo cometeram ato de ofício para fins de corrupção. No caso de Bernardo, o crime consistiu em conceder permanentemente apoio político para viabilizar a indicação e a manutenção de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobras. Já em relação à senadora, o ato de ofício foi na modalidade omissiva, pois ela tinha o dever de fiscalizar os atos praticados por órgãos da administração pública.

Ao longo de mais de oito horas, a tese da PGR foi derrubada por todos os ministros. Prevaleceu o entendimento de Dias Toffoli de que não haviam elementos de corrupção e lavagem de dinheiro.

Toffoli disse que os depoimentos dos delatores não foram uníssonos e harmônicos, não tendo o Ministério Público conseguido reunir elementos probatórios suficientes para juízo condenatório suficiente. O ministro ressaltou que foram encontrados registros de viagens, anotação de agenda e planilhas fornecidas pelo próprio colaborador.

“Observa-se que toda argumentação tem como fio condutor o depoimento de delatores. Relatos não encontram respaldo em elementos de corroboração”, afirmou o ministro. As divergências acabaram por reduzir a credibilidade na íntegra dos depoimentos. A afirmação categórica de Paulo Roberto Costa de que soube do pagamento de R$1 milhão por Alberto Youssef, sem detalhes, diminuem a confiabilidade das declarações de Paulo Roberto Costa”, completou.

Gilmar Mendes reforçou as críticas. “Vou votar pela absolvição pela falta de provas suficientes para condenação. O caso foi estruturado apenas no depoimento de vários delatores, que se contradizem. O reforço de provas materiais é raquítico e inconclusivo. A presunção de inocência impõe à acusação o ônus de comprovar as acusações”, disse.

Último a votar e responsável por definir julgamento, Ricardo Lewandowski desqualificou as delações. “São tantas incongruências nas delações que se tornam imprestáveis para sustentar qualquer condenação”, disse.

Em outra frente, Edson Fachin e Celso de Mello viram elementos para condenar Glesi Hoffmann por falsidade ideológica para fins eleitorais, popularmente conhecida como caixa dois, mesmo que esse crime não estivesse previsto na denúncia. Isso porque os indícios apontados pela MPF comprovavam a prática criminosa. Para os ministros, ficou comprovado que os valores abasteceram as contas da campanha.

Fachin afirmou que, para configurar corrupção passiva, o agende público deve ter poderes para oferecer um favor em contrapartida, sendo que no caso de Gleisi, ela não era senadora e tinha “hiato” na vida pública, entre 2006 e 2010, não sendo possível garantir a nomeação e manutenção de Paulo Roberto Costa em uma diretoria da Petrobras.

“Tenho como provado nos autos o efetivo recebimento de valores no interesse da campanha da denunciada. Nada obstante, tenho por não configurar nos autos o crime tal como descrito na denúncia. A vantagem indevida obtida no delito de corrupção passiva deve estar relacionada com atribuições do agente público. O crime de corrupção passiva exige que a ação do funcionário corrupto seja inequívoca, com o propósito de comercializar a função pública”.

“Não estão presentes todos os elementos para tipificação do crime de corrupção passiva. É por esses fundamentos que entendo ter razão, que reconheceu a possibilidade de configuração do caso concedendo a uma nova definição jurídica dos fatos, a enquadrá-los não como corrupção passiva, mas no código 350 do Código Eleitoral (falsidade ideológica eleitoral)”, afirmou Celso de Mello.

O decano da corte reiterou seu discurso de combate à corrupção. “A conquista do poder não autoriza quem quer que seja, mesmo quem detenha função na regência do Estado, ainda que invocando expressiva votação eleitoral, independentemente de sua posição no espectro ideológico, a utilizar meios criminosos ou expedientes marginais, repudiados pela legislação criminal do País”.

“Estamos a julgar protagonistas de comportamentos criminosos. Processam-se não atores ou dirigentes partidários, mas sim autores de crimes. Ninguém tem legitimidade para transgredir e vilipendiar as leis e a Constituição de nosso País. Ninguém está acima do ordenamento jurídico do Estado brasileiro”, concluiu.

O advogado da senadora, Rodrigo Mudrovitsch apontou falta de provas no processo. “Estamos diante de ação penal única e exclusivamente lastreada nas palavras confusas e contraditórias de colaboradores”.

Decisão histórica: OMS retira transexualidade da categoria de distúrbios mentais

20 de junho de 2018

Decisão histórica acontece 28 anos depois de organização ter retirado a homossexualidade da categoria de transtornos psicológicos, em 1990.

Via Opera Mundi em 18/6/2018

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na segunda-feira, dia 18/6, a atualização da Classificação Internacional de Doenças, na qual retirou oficialmente a transexualidade da lista de distúrbios mentais.

A decisão histórica acontece 28 anos depois de a organização ter retirado a homossexualidade da categoria de transtornos psicológicos, em 1990. As identidades transsexuais ocupavam lugar na lista ao lado de pedófilos e cleptomaníacos.

“Não há evidências de que uma pessoa com outra identidade de gênero deva ter automaticamente, ao mesmo tempo, um distúrbio mental”, afirmou o diretor do departamento de Saúde Mental e Abusos de Substâncias da OMS, Shekhar Saxena.

Entretanto, a transexualidade permanece no documento, na categoria de “condição relativa à saúde sexual”, o que garante que alguns países continuem a oferecer suporte público de saúde para essa população.

“Se as pessoas com outra identidade de gênero são identificadas automaticamente como alguém com distúrbio mental, em muitos países elas são estigmatizadas pode ser que se reduzam as oportunidades de auxílio”, disse Saxena.

Álcool demais: Brasileiro que assediou mulher em vídeo na Rússia dá a desculpa de sempre

20 de junho de 2018

Coelho, de camiseta preta à direita: “Eu estava chegando naquela brincadeira e não conhecia ninguém ali”.

Nayara Felizardo e Nathalia Amaralia The Intercept Brasil em 19/6/2018

O empresário piauiense Luciano Gil Mendes Coelho, terceiro homem identificado no vídeo em que brasileiros aparecem assediando uma mulher na Rússia, falou com The Intercept Brasil. Por WhatsApp, ele evitou se responsabilizar pelo caso, tratou a situação como uma brincadeira e optou pela desculpa mais fácil: o álcool. “Toda mulher tem um pedido de desculpas por minha parte, o álcool a mais aconteceu de cometer isso”, escreveu.

No vídeo, um grupo de seis torcedores brasileiros aparece ao redor de uma mulher de nacionalidade não identificada, que demonstra não compreender o português. Eles pulam, riem e gritam, “Essa é bem rosinha, essa é bem rosinha. Buceta rosa, buceta rosa!”.

Natural da cidade de Jaicós, a 364 km de Teresina, o empresário está vestindo uma camiseta preta e segura o celular na mão, como se estivesse fazendo uma selfie ou gravando um vídeo. Perguntado se viajou para assistir à Copa do Mundo com os demais homens que aparecem no vídeo, ele respondeu que “estava chegando naquela brincadeira e não conhecia ninguém”.

Coelho não se referiu em nenhum momento a mulher que, sem saber o que dizia, repetiu as frases, só descobrindo depois o que cantou, e disse estar sofrendo ameaças de diversas pessoas devido à repercussão das imagens. Questionado sobre quem o estaria ameaçando, também não respondeu.

O problema, diz, não seria o constrangimento a que submeteram a mulher no vídeo, mas a cena ter sido viralizada pela mídia. “A imprensa ajuda espalhando o ódio”, reclamou.

Luciano seguiu com a lista de desculpas furadas e classificou a situação toda com uma “tempestade em copo d’água”. Nem a corrupção escapou.

“No Brasil estamos com problema de educação, saúde, corrupção e vão fazer isso com a gente. Estão instigando os russos contra nós”, disse ao UOL, esquecendo-se do seu próprio passado na pátria amada.

Coelho é ex-inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (Crea/PI) e foi preso em uma operação que desarticulou esquema de desvio de dinheiro público por meio da fraude em licitações na prefeitura de Araripina (PE), em maio de 2015. Através da análise dos quadros societários das empresas licitantes e vendedoras, ficou comprovado que as mesmas possuíam empregados domésticos e parentes dos principais envolvidos no esquema.

“Somos pais de família, trabalhadores e vocês estão acabando com a vida da gente… Quem está brincando carnaval exagera um pouquinho na bebida e às vezes passa do ponto. Peço desculpas às mulheres que possam ter se sentido ofendidas, mas estão transformando um copo d’água em uma tempestade”, continuou, ainda em entrevista ao UOL. “Só ganhou essa conotação porque aconteceu aqui na Rússia, mas se fosse na favela ou no carnaval, seria considerado normal.”

Outros Identificados
O primeiro identificado foi o ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE), Diego Valença Jatobá, que teve pedido de bloqueio de conta por dever pensão alimentícia e foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco por irregularidade em contratos da secretaria.

O segundo homem reconhecido no vídeo é Eduardo Nunes, policial militar em Lages, em Santa Catarina. Em nota, a Polícia Militar afirma que a corporação abrirá um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta irregular do militar.

O empresário Luciano Gil Mendes Coelho foi reconhecido por moradores de Jaicós e teve a identidade revelada pelo Portal O Dia, do Piauí.

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Diego Jatobá, ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE).

EX-SECRETÁRIO DE PORTO DE GALINHAS É UM DOS QUE GRITARAM INSULTOS COM GAROTA RUSSA NA COPA EM VÍDEO QUE VIRALIZOU
Via DCM em 18/6/2018

Em um vídeo publicado na noite de sábado, dia 16/6, um grupo de homens se aproximou de uma jovem estrangeira, aparentemente russa, e fez um vídeo com ela.

Animados, os brasileiros cantaram “essa buceta é bem rosinha”. A moça, que obviamente não entende uma palavra em português, fazia coro com eles.

Um deles foi identificado: é o ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE), município onde fica Porto de Galinhas. Diego Jatobá era do PSB e próximo do prefeito Pedro Serafim.

Em 2013, uma foto sua manuseando um maço de dólares viralizou. “Era brincadeira de amigos dentro de uma casa de câmbio, que, por descuido, caiu nas redes sociais”, explicou.

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Tenente Eduardo Nunes

PM/SC ABRIRÁ PROCESSO CONTRA POLICIAL VISTO EM VÍDEO MACHISTA NA RÚSSIA
Via Folha on-line em 19/6/2018

A Polícia Militar de Santa Catarina identificou um de seus policiais em vídeo que causou indignação durante a Copa na Rússia. Segundo a corporação, o tenente Eduardo Nunes, que serve em Lages (SC) e está de férias, é um dos homens que aparecem ao lado de uma mulher estrangeira, compelindo-a a falar as palavras “boceta rosa”.

A PM disse que não concorda com a atitude “incompatível com a profissão e o decoro de classe”. A corporação informou que abrirá um processo administrativo disciplinar sobre o militar.

Em março, no dia internacional da mulher, Eduardo Nunes trabalhou em um protesto de mulheres feministas contra casos de assédio na Universidade Estadual de Santa Catarina, em Lages. Na ocasião, o tenente foi entrevistado pela NSC TV, afiliada da Globo na região, e disse que a PM havia intensificado sua presença na área após as denúncias de assédio.

Eduardo Nunes é o segundo homem identificado no vídeo que causou indignação. Na segunda-feira, dia 18/6, o advogado Diego Valença Jatobá já havia sido identificado pela OAB de Pernambuco, que divulgou uma nota de repúdio contra o torcedor.

A reportagem tentou contato com os brasileiros identificados, mas não obteve resposta.

Leia a nota da PM
Sobre um vídeo gravado na Rússia, em que um grupo de homens brasileiros desrespeita uma cidadã estrangeira, a Polícia Militar de Santa Catarina esclarece que:
1) Um policial militar foi identificado como um dos integrantes que aparecem no vídeo.
2) A corporação não corrobora com este tipo de atitude que é incompatível com a profissão e o decoro da classe, previsto no Regulamento Disciplinar e no Estatuto da PMSC, independentemente de estar em período de férias, folga de serviço ou qualquer outra situação de afastamento, devendo portanto, responder por suas atitudes.
3) Assim que se der seu retorno, a corporação abrirá um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta irregular do militar.
Quartel do Comando-Geral, 19 de junho de 2018.
João Batista Réus
Tenente-coronel PM Chefe
Centro de Comunicação Social

Turma que julgará liberdade de Lula soltou preso em 40% dos casos

20 de junho de 2018

Via Viomundo em 17/6/2018

A turma do Supremo Tribunal Federal que julgará o pedido de liberdade do ex-presidente Lula no próximo dia 26 costuma decidir em favor do réu em 40% dos casos, segundo levantamento feito pelo diário conservador paulistano O Estado de S.Paulo.

A turma decidiu 207 casos desde junho de 2015. Além de Fachin, fazem parte dela os ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello.

A porcentagem cai para 26% quando os casos são decididos pelo plenário e apenas 16% quando se trata da primeira turma.

Um dos ministros do grupo, Gilmar Mendes, disse recentemente que o contínuo apoio do eleitorado a Lula é um enigma.

“Poucos políticos candidatos a presidente, o líder da pesquisa com 30% de apoio e algo irredutível, apesar de todas as revelações, informações e até de um certo massacre midiático. E quando se pergunta o que as pessoas querem, elas respondem que não querem candidato envolvido com corrupção. Não obstante, eles apontam o ex-presidente Lula. Então, esse é um enigma que nós precisamos decifrar”, afirmou ele em entrevista à Globonews.

Gilmar agora é tido como um dos garantistas da Corte, grupo que interpreta a Constituição literalmente e, assim, não aceita o cumprimento da pena antes do trânsito em julgado.

Do grupo também fazem parte Lewandowski, Toffoli e Celso de Mello.

“Trata-se de pré-candidato à Presidência da República que, além de ver sua liberdade tolhida indevidamente, corre sérios riscos de ter, da mesma forma, seus direitos políticos indevidamente cerceados, o que, em vista do processo eleitoral em curso, mostra-se gravíssimo e irreversível”, escreveu a defesa de Lula no recurso.

No lançamento da pré-candidatura de Lula em Belo Horizonte, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, garantiu que o ex-presidente não vai desistir de concorrer ao Planalto se for libertado: “Acenaram para o Lula com um acordo, abre mão de sua candidatura que você sai da cadeia, que a gente liberta você”, revelou.

Segundo nota do Painel da Folha, “a decisão do ministro Edson Fachin de incluir um pedido de liberdade de Lula na sessão da 2ª turma do Supremo do dia 26 alvoroçou empresas com peso no mercado. Dirigentes de instituições financeiras de dentro e de fora do país acionaram contatos para especular sobre as chances de o petista sair da cadeia. A maioria dos magistrados que vai julgar o recurso é contra prisão em segunda instância. Isso, porém, não os impediu de, em maio, negar a soltura do ex-presidente”.

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Dona Ivani, na Vigília, em frente a um cartaz de Lula.

LULA PODE MESMO SER SOLTO, E ESTA É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA E DE INTELIGÊNCIA
Joaquim de Carvalho, via DCM em 17/6/2018

Lula pode ser solto no dia 26 de junho, caso a 2ª turma do Supremo Tribunal Federal vote o pedido de efeito suspensivo apresentado pela defesa do ex-presidente.

Não é uma torcida, é a conclusão óbvia com base nos fatos e nos antecedentes de cada um dos cinco ministros que compõem aquele colegiado.

Quatro desses cinco ministros votaram a favor do habeas corpus a Lula na sessão no dia 4 de abril – quando Rosa Weber, mesmo contrariando sua consciência, negou o direito a Lula e abriu caminho para que ele fosse preso.

Rosa Weber não faz parte da 2ª turma e nele estão os chamados ministros cascudos, aqueles que não tremem de medo da velha empresa – Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski.

Dias Toffoli é alinhado a Mendes e também votou pelo habeas corpus a Lula.

Fachin votou contra Lula na discussão do habeas corpus, e deve votar pela manutenção da prisão novamente, mas o simples fato de decidir levar a discussão para a 2ª turma e não para o plenário do STF indica que algo mudou no comportamento dele.

Na opinião de alguns juristas, Fachin já deveria ter feito isso quando o habeas corpus de Lula foi apresentado.

Por esse entendimento, a 2ª turma seria o juízo natural e competente para questões desse tipo.

Mas Fachin levou o HC de Lula ao plenário, porque ali Rosa Weber poderia ser convencida a negar o HC, como de fato negou, mesmo já tendo votado em outras oportunidades contra a prisão a partir de decisão de segunda instância.

Era um jogo de cartas marcadas: a prisão de Lula era uma exigência verbalizada por colunistas da TV Globo, notadamente Merval Pereira.

Se havia um plano de que, com Lula preso, ele morreria politicamente, o resultado mostrou que ocorreu o inverso.

O ex-presidente mostra vitalidade incomum em todas as pesquisas de intenção de voto. Seria este o motivo que levou Fachin a se render ao princípio do juízo natural e competente?

Jamais saberemos.

O que se tornou óbvio é que Lula é muito maior do que o cárcere na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Tentou-se de tudo para que Lula fosse esquecido, inclusive com a proibição judicial de que recebesse visitas.

Até o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel foi proibido de visitar Lula.

Foi uma tentativa, não deu certo, e a Justiça se tornou mais flexível quando, aparentemente, percebeu que não conseguiria romper o cordão de solidariedade a Lula.

A força de Lula vem de muitos setores, mas nenhum deles é mais simbólico do que homens e mulheres anônimos que se mantêm em vigília na capital do Paraná.

Mulheres como uma senhora fotografada por Eduardo Matysiak, dona Ivani, militante da vigília. O cineasta Manoos Aristide viu a foto (que abre o texto, não é montagem) e escreveu.

O texto vale para dona Ivani, mas vale para muitas outra mulheres e homens que não arredam pé da vigília:

“Quando a vida nos presenteia com imagens que nos bate na cara e diz: Veja, onde você está? Veja o que está acontecendo. Não, não finja que pensa e isso não vai dar em nada. A esperança está entre as grades e o olhar solta na brisa no frio que faz em Curitiba”.
A esperança de Dona Ivani derrama no seu rosto de vigília as orações que faltou para o povo e as partículas da névoa se agarram nos fios de bigode de uma mulher que, além da esperança, sonha com a liberdade. Quem é essa mulher? Não interessa saber quem é, o que interessa é ver e sentir essa foto de Eduardo Matysiak. Rostos que representam o povo e acredita da justiça.

Lula, como ideia, se tornou mais forte com a prisão. A liberdade dele, agora mais próxima, faz lembrar momentos épicos da história.

Sócrates, condenado à morte, não se intimidou com seus carcereiros em nenhum momento, e um deles narrou a um discípulo – diálogo registrado por Platão – que nunca havia visto um preso com tamanha confiança e esperança.

Sócrates disse a um dos discípulos, que chorava: “Pensa que Sócrates é isto?”, questionou, beliscando o próprio braço. “Engana-se”, acrescentou.

Paulo, fundador do Cristianismo, passou grande tempo na prisão e sorria quando lhe diziam que não sairia dali vivo. Sorria também quando lhe diziam que seria libertado.

Para ele, tanto fazia.

O homem, com a ideia do seu tempo, é indestrutível.

Assim se tornou Lula, muito mais pela truculência dos adversários.

Dia 26, se ainda resta um fiapo de luz nas pessoas que representam as instituições brasileiras, Lula será solto.

Primeiro porque, na sentença que o condenou, não há prova de culpa.

Mas, fundamentalmente, porque nenhuma cadeia no mundo pode conter pessoas com a estatura de Lula.


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