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Jessé de Souza: Estão arquitetando a renúncia de Bolsonaro

20 de maio de 2019

Bolsonaro passa a impressão de que não tem vontade de governar.

“Bolsonaro tem que ser detido de alguma maneira, e existem possibilidades que podemos imaginar. Estão tentando alguma forma de renúncia”.

Via Brasil 247 em 17/5/2019

Autor de A Elite do Atraso, o sociólogo Jessé de Souza publicou um vídeo no YouTube (assista abaixo), na sexta [17/5], comentando as manifestações do dia 15 de maio, contra a reforma da Previdência e os cortes na educação. Na visão dele, foi o dia mais importante desde o levante de junho de 2013. As vozes contra Bolsonaro – inclusive de uma parte da elite que já manifesta descontentamento por meio de jornais – mostram que é a chance de “estancar” a “loucura” do presidente.

“A gente está chegando numa fase em que não só os eleitores de Bolsonaro, como brasileiros como um todo, e o planeta inteiro, sabem que estão lidando com um maluco que tem que ir para o hospício, se não for para a cadeia”, graças às investigações contra sua família.

Isso “abre uma oportunidade para a gente estancar esse louco. […] Bolsonaro tem que ser detido de alguma maneira, e existem possibilidades que podemos imaginar. Estão tentando alguma forma de renúncia”, avaliou Jessé, acrescentando que a dificuldade está em “encurralar um cara como Bolsonaro e lavá-lo à razão”. O “natural” é que ele reaja “fazendo bobagens” e provocando ainda mais destruição ao País.

No vídeo, Jessé aproveita a ideia de que estão “arquitetando” a renúncia de Bolsonaro, para alertar as forças progressistas de que não houve, nos últimos 6 anos, melhor momento para reagir e desmontar as mentiras que contaram ao País para implodir a política e acabar com a soberania nacional.

“Não existe Bolsonaro sem Lava-Jato”, disse Jessé. “A hora de desconstruir a mentira que nos contaram nos últimos anos é nesse instante.”

Para o sociólogo, os ataques de Bolsonaro à Educação fazem parte do que ele chama de “guerra cultural” contra o “marxismo” das universidades públicas. “Não vale a pena aprofundar nisso, que é uma loucura. Mas acho que o que está por trás em Bolsonaro e Olavo de Carvalho é essa ideia absurda de guerra cultural, porque o Brasil estaria tomado pela esquerda.”

As elites
Ainda na visão de Jessé, “a elite está descontente com Bolsonaro, e ela fala pelos grandes jornais, em editoriais” que já atacaram o presidente.

Para ele, parte do descontentamento é que “Bolsonaro tem característica muito diferente dos outros líderes de direita pelo mundo: nenhum deles é entreguista. Os regimes de direita na Europa são nacionalistas. Bolsonaro é entreguista de uma forma infantil. É um governo sem nenhuma articulação e ideia, contraposto por praticamente todos os setores da sociedade.”

“O ponto que se coloca é o que se descortina no futuro a partir de agora.”

Bolsonaro em 2015: Quando o povo pede impeachment é porque o governante só faz merda

20 de maio de 2019

Via Brasil 247 em 17/5/2019

Em 8 de junho de 2015, o então deputado federal Jair Bolsonaro fez a seguinte postagem no Twitter, numa referência à então presidente Dilma Rousseff: “O povo é soberano, quando ele pede impeachment, é porque o governante só faz merda”.

Hoje, a mensagem vem bem a calhar contra ele mesmo, que está no comando do Planalto e o impeachment já se tornou pauta. O tuíte vem sendo compartilhado pelos internautas justamente porque o tema voltou à tona.

A hashtag #ImpeachmentBolsonaro está entre os termos mais comentados na rede social.

Desembargadora vira ré no STJ por injúria a Jean Wyllys

20 de maio de 2019

Marília Castro Neves fez postagem no Facebook afirmando que era favorável a um “paredão profilático” para o ex-deputado do PSOL.

Via Revista Fórum em 15/5/2019

A desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ), virou ré por injúria, na quarta-feira [15/5]. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu queixa-crime de Jean Wyllys, ex-deputado federal do PSOL, de acordo com informações do Valor.

Marília postou no Facebook que era favorável a um “paredão profilático” para Wyllys. A partir de agora, uma ação penal será instaurada.

Apesar da decisão, a Corte Especial determinou o não afastamento da desembargadora. A alegação é que os fatos se caracterizam como manifestações privadas e não têm relação com sua função.

Marielle
Apesar da postagem de Marília ter sido feita em 2015, Jean Wyllys só tomou conhecimento em 2018, depois do assassinato de Marielle Franco (PSOL). Ela também fez postagens contra a vereadora.

“As opiniões da querelada possuem em tese o condão de ofender a dignidade do querelado por importar em menoscabo de seu sentimento de honorabilidade ou valor social, havendo ainda a demonstração da intenção deliberada de injuriar, denegrir, macular ou atingir a honra do querelante”, declarou Nancy Andrighi, ministra relatora da queixa-crime.

Não tem mais jeito: O que se discute agora é como e quando Bolsonaro vai cair

20 de maio de 2019

Renúncia? Internação? Impeachment? Golpe dos generais?

Ricardo Kotscho, via Balaio do Kotscho em 17/5/2019

Como diria o êmulo Trump, todas as opções estão sobre a mesa, mas uma coisa é certa: Jair Bolsonaro não tem mais condições políticas, mentais e morais para governar o país.

Já não tinha quando tomou posse. Mas, de lá para cá, tudo só piorou – para ele e para nós.

O país está perto de um colapso político e econômico sem precedentes na nossa história.

Antes de completar cinco meses no poder e de começar a governar, o tempo do capitão já acabou.

Quem ainda sustenta Bolsonaro e quer a sua permanência? Quem vai sair às ruas para defender seu desgoverno?

Cada vez mais isolado e raivoso, ele mesmo já falou em impeachment num dos confrontos com os jornalistas na sua escalafobética viagem relâmpago a Dallas para fazer uma homenagem a ele mesmo.

“Nossa senhora, hein? É uma Lava-Jato aí. Vai fundo, tá ok? O objetivo é me atingir”, deixou escapar logo cedo, ao ser perguntado sobre o Queirozgate que está fazendo uma devassa no modus-operandi dos bolsonaros.

Ainda atordoado com as grandes manifestações contra seu governo na véspera, as maiores desde o Fora Collor, o capitão saiu atirando para todo lado.

“Não vão me pegar!”, bradou Bolsonaro, mas agora é tarde. Já pegaram, como ele pode constatar ao ler a Folha de hoje [17/5]:

“Apuração sobre Flávio pode avançar sobre milícia, PSL e primeira-dama”, informa o jornal na página A8.

Para completar, os editoriais dos três principais jornais brasileiros na sexta-feira [17/5] já decretaram o fim do seu governo.

O Globo – “Não é possível governar assim. Não se governa por meio de confrontos”.

Estadão – “Hostilidade como método”. No texto, o jornalão conservador, que apoiou sua candidatura, constata que “Bolsonaro age como um chefe de facção”.

Folha – “Idiotia inútil”. Começa assim: “O obscurantismo agressivo do governo Jair Bolsonaro (PSL) converteu o crucial debate sobre o financiamento do ensino superior público, já tardio no país, em um confronto de bandeiras ideológicas”.

Com a economia e a articulação política em frangalhos, sem conseguir entregar as reformas prometidas, Bolsonaro já perdeu o apoio da mídia e do mercado que bancaram o Fora PT.

Só faltava o povo nas ruas. Não falta mais. Novas manifestações já foram marcadas para o dia 30 e uma greve geral está sendo organizada para 14 de junho.

Só as redes sociais dos guerrilheiros de internet do filho Carluxo 02 não vão segurar Bolsonaro no poder.

Ao contrário, agora com sinal invertido, podem apressar a sua queda, como mostram as pesquisas feitas pelos jornais após os protestos contra o governo esta semana.

Em guerra permanente, Bolsonaro abriu várias frentes de batalha ao mesmo tempo – e perdeu todas.

Até o inacreditável guru Olavo de Carvalho (de onde saiu isso?) já pulou do navio e avisou que não vai mais se meter na política nacional.

Restou a Bolsonaro a companhia apenas dos três belicosos filhos parlamentares, que só lhe causam problemas.

Triste fim de um capitão expulso do Exército, que passou 30 anos escondido no baixo clero da Câmara, e achou que poderia ser presidente da República para se vingar dos seus inimigos reais ou imaginários.

Alguém precisa avisar o presidente que a Guerra Fria já acabou faz tempo, mas acho que agora não adianta mais.

Enquanto se procura uma “saída institucional” para tirar o estorvo do Palácio do Planalto, com o vice general Mourão ou com Rodrigo Maia, o herdeiro do Centrão de Eduardo Cunha, não para de crescer o número de desempregados e de moradores de rua jogados nas calçadas.

O que virá depois de Bolsonaro? É a pergunta que mais se ouve agora, diante da terra arrasada pela “nova política”, que fez o país retroceder 50 anos, ou mais.

Perdeu, capitão. Acabou a brincadeira de fazer arminha com as mãos.

Vida que segue.

REDES SOCIAIS

Parte dos policiais, que votou em massa em Bolsonaro, começa a chamar o presidente de “traidor”

20 de maio de 2019

Lido no DCM em 12/5/2019

Reportagem de Vera Batista no Correio Braziliense.

Com uma manifestação preparada para o próximo dia 21, em todo o país, agentes de segurança começam a demonstrar arrependimento pelo voto que depositaram na urna nas eleições de 2018, como ficou claro nas falas de participantes de encontro, na segunda-feira [13/5], na União dos Policiais do Brasil (UPB), frente que representa 28 entidades do setor.

O voto em massa contra o projeto petista, diz um dos presentes, que não quis se identificar, ocorreu porque “havia confiança de que tanto o presidente iria cumprir a promessa de privilegiar a segurança pública, quanto o ministro da Justiça, Sérgio Moro, defenderia essa causa”. Mas o governo, de acordo com o informante, que não quis se identificar, “traiu a classe, enganou a todos e finge que nada aconteceu”, indigna-se.

Eles, que acharam que seriam poupados na reforma da Previdência, agora correm atrás do prejuízo. Entre as reivindicações dos policiais estão: manutenção da atividade de risco, pensão integral por morte, regras de transição justas, idade mínima de aposentadoria diferenciada para homens e mulheres e integralidade e paridade dos vencimentos na aposentadoria, como foi acertado com as Forças Armadas.

De acordo com a fonte, após as últimas declarações pelas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro, ficou claro que, por trás de propósitos não declarados tinha uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). “Só queriam isso. Já estava combinado. Evidentemente, ninguém está se importando de verdade com o bem-estar da população e do servidor, infelizmente”, assinalou outro policial.

[…]


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