Sai Witzel, entra Castro: Um governador de joelhos

Bernardo Mello Franco em 1º/9/2020

Depois de se livrar de um ex-juiz mitômano, o Rio de Janeiro será governado por um obscuro cantor de igreja. Até outro dia, Cláudio Castro poderia percorrer os 1.800 metros da Avenida Rio Branco sem ser reconhecido. Agora ele está no comando da segunda maior economia do país.

O governador interino já assumiu sob suspeita. Sua casa foi vasculhada pela polícia na mesma operação que afastou Wilson Witzel. Os investigadores apuram se o vice também se envolveu no desvio de verbas do estado. Um de seus assessores fechou acordo de delação para contar o que sabe.

Do próprio Castro, ainda se sabe muito pouco. Católico, ele copia o estilo de bispos cantores que também usaram a fé para entrar na política, como o prefeito Marcelo Crivella. Há três anos, gravou um clipe em que posa ajoelhado em frente ao Cristo Redentor. Talvez não tenha lido os provérbios que recomendam evitar más companhias.

O governador interino é filiado ao PSC, partido de Witzel. O presidente da sigla é Pastor Everaldo, preso na sexta-feira sob acusação de corrupção. Até se eleger vereador, em 2016, Castro chefiava o gabinete do deputado estadual Márcio Pacheco. Em julho, o parlamentar foi denunciado à Justiça por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O Ministério Público afirma que Pacheco desviou mais de R$1 milhão da Assembleia Legislativa. A denúncia descreve um esquema de “rachadinha” semelhante ao descoberto no gabinete de Flávio Bolsonaro. Ontem o governador interino usou as redes sociais para comemorar um telefonema do Zero Um. O tom subserviente sugeriu que Castro está ansioso para se ajoelhar de novo – desta vez, diante da família presidencial.

O clã tem objetivos bem terrenos. Quer influenciar na escolha do futuro procurador-geral de Justiça, a ser indicado em dezembro. O plano é emplacar uma versão fluminense de Augusto Aras: alguém disposto a engavetar as investigações que assombram o primeiro-filho. Um governador de joelhos não terá condições de contrariar o Planalto.

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