O capitão Corona é contra a vacina

Bernardo Mello Franco em 1º/9/2020

O Capitão Corona está em busca de um novo inimigo. Depois de menosprezar a pandemia, sabotar as medidas de distanciamento e discursar contra o uso de máscaras, ele ensaia declarar guerra a uma vacina que ainda não existe.

Em conversa com seguidores, Jair Bolsonaro disse que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”. Ontem o Planalto promoveu a tolice presidencial a propaganda oficial. “O governo do Brasil preza pela liberdade dos brasileiros”, afirmou, nas redes sociais.

A ofensiva bolsonarista afronta a ciência, a razão e as leis. O Estatuto da Criança e do Adolescente afirma que a vacinação de menores de 12 anos é obrigatória “nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”. E a lei que estabeleceu as medidas de combate à pandemia, sancionada pelo capitão, prevê a “realização compulsória” de “vacinação e outras medidas profiláticas”.

Não é a primeira vez que o governo invoca a liberdade individual para minar recomendações sanitárias. Em maio, quando cientistas pediam à população que ficasse em casa, o ministro Paulo Guedes disse que o cidadão tinha o direito de “sair andando”. “É um direito dele ser infectado”, arriscou. Agora o presidente flerta abertamente com o movimento antivacinas, que ganha força na extrema-direita internacional.

No Brasil, a pregação contra as vacinas já contribuiu para o retorno do sarampo. O país havia se livrado da doença, mas voltou a registrar surtos em 2018.

“Toda a comunidade científica está numa corrida para descobrir a vacina contra a Covid. Se o movimento antivacinas atrapalhar, essa corrida pode ficar pela metade”, alerta a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Karina Bortoluci.

Em agosto, o Datafolha mostrou que nove entre dez brasileiros querem se imunizar assim que possível. Mesmo assim, Bolsonaro parece sonhar com uma nova Revolta da Vacina, desta vez com apoio do governo.

“Vivemos numa era em que as fake news se espalham rapidamente. O governo precisa divulgar informação correta, baseada em fatos e dados com comprovação científica”, reforça a professora da Unifesp.

Leia também: Bolsonaro adota discurso antivacina e diz que imunização não é obrigatória

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